quinta-feira, 17 de maio de 2018

Justiça Brasileira: Uma tragédia institucional

17.05.2018
Do portal JORNAL GGN
Por Wilson Ramos Filho - Xixo

Uma tragédia institucional

 
Tenho muitos amigos magistrados. Gente séria que honra a toga. Alguns deles que, lá atrás, até se empolgaram com o que chamavam de “protagonismo judicial”, já pensam diferente ao reconhecer que parte dos juízes de primeiro grau, iniciantes na carreira, passou de todos os limites do razoável. 
 
A foto de um juiz midiático em black-tie, em NY, ao lado de um dos próceres golpistas causou vergonha e desconforto nas corporações que os representam. A liminar concedida em Campinas para atender aos interesses de um notório candidato, a pedido do MBL, irritou meus amigos que lamentaram estar impedidos de criticá-la publicamente. 
 
Esta percepção já está disseminada. Nas últimas pesquisas divulgadas, registradas no TST pela Confederação Nacional dos Transportes - CNT, a desmoralização do Poder Judiciário aparece, de modo constrangedor, em números.
 
JUSTIÇA NO BRASIL
 
• A avaliação sobre a atuação da Justiça no Brasil é negativa para 55,7% (ruim ou péssima) dos entrevistados. 33,6% avaliam a Justiça como sendo regular e 8,8% dos entrevistados avaliam que a atuação da Justiça no Brasil é positiva (ótima ou boa). 
 
• 52,8,% consideram o Poder Judiciário pouco confiável; 36,5% nada confiável; e 6,4% muito confiável. 
 
• Para 90,3% a Justiça brasileira não age de forma igual para todos. Outros 6,1% consideram que age de forma igual.
 
Esses números, divulgados em pesquisa séria patrocinada por uma entidade patronal (CNT) dão a dimensão do desastre causado pela Lava-Jato na credibilidade institucional da magistratura: 
 
- 91% da população tem uma avaliação negativa da Justiça;
- Apenas 6,4% confiam no Judiciário;
- Somente 6,1% consideram-no imparcial. 
 
Esses resultados nos dão a dimensão da tragédia decorrente do “ativismo judicial negativo”. A população compreendeu - tarde demais - que o Golpe esgarçou institucionalmente o país. E quem perdeu foi a democracia. A quem interessa o reconhecimento da parcialidade da magistratura? Certamente não a quem a exerce dignamente. Estes contam com minha irrestrita solidariedade.
 
O terceiro volume da Enciclopédia do Golpe memorizará para as futuras gerações o papel da cúpula do Judiciário. O tema foi amplamente debatido em evento realizado em São Paulo
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Fonte:https://jornalggn.com.br/noticia/uma-tragedia-institucional-por-wilson-ramos-filho-xixo
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