quinta-feira, 29 de março de 2018

Jessé: a Globo semeia o ódio e a mentira!

29.03.2018
Do blog CONVERSA AFIADA, 28.03.18
Por Paulo Henrique Amorim

E a PF acha que o atentado contra a caravana não foi político...
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O sociólogo Jésse Souza, autor do best-seller "A elite do atraso - Da escravidão à Lava Jato"publicou artigo na Carta Capital nesta terça-feira, 27 (antes do atentado contra a caravana do Presidente Lula).
Conversa Afiada reproduz trechos:
(...) A criminalização da política como forma de possibilitar o governo diretamente pelo “mercado” e sua rapina, teve entre nós eficácia inaudita. Nossa elite já havia produzido, com base na construção de uma imprensa venal e na cooptação da inteligência nacional, como denuncio no meu livro A Elite do Atraso, toda uma interpretação preconceituosa do pais como uma raça de vira latas inconfiáveis e corruptos.
O lugar institucional da roubalheira do vira-lata brasileiro seria, no entanto, apenas o Estado patrimonial tornado o mercado, raiz e fonte real de todo roubo, o lugar paradisíaco do trabalho honesto e do empreendedorismo. Todo o ataque da rede globo e da lava jato para criminalizar a política foi grandemente facilitado por este trabalho prévio de distorção da realidade, que literalmente invisibiliza os interesses dos donos do mercado aqui e lá fora.
O outro ponto fundamental nesta estratégia é a suposta superação das demandas por igualdade pelas demandas por diversidade que o capital financeiro internacional defende desde os anos 90. Desse modo se cria não apenas uma divisão artificial nas demandas populares como confere um verniz emancipador ao capitalismo financeiro que, na realidade, passa a poder explorar indistintamente mulheres e homens, negros e brancos, gays e heterossexuais como se defendesse seus interesses. A apropriação da rede globo do assassinato de Marielle Franco mostra as consequências praticas desse engodo.
Mas a Globo não parou por aí. Criminalizou a própria demanda por igualdade que é a maior causa da cultura do ódio que grassa impune no país. A narrativa da Rede Globo, logo depois assumida pela própria Lava Jato, de tratar o PT como “organização criminosa” e de apenas “fulanizar” a corrupção dos outros partidos, significou rebaixar a demanda por igualdade, que o PT representava, de seu caráter de fim para mero meio de assalto ao Estado.
Sem a possibilidade de conferir racionalidade política à raiva justa que se sente pela injustiça social, parte do povo cai nas mãos da raiva e da violência em estado puro representada por Bolsonaro e pela onda de assassinatos políticos que grassa no país. Não ver a relação íntima entre a guerra cultural comandada pela rede globo e o clima de ódio e assassinato de lideranças que se alastra no país é cegueira.
O conluio com a Lava Jato, levando ao Estado de exceção e da suspensão das garantias legais, reforça a sensação de impunidade para a violência e ódio generalizado. O resultado é uma histeria punitivista com moralidade de fachada que promete impunidade para o ódio aberto e assassino. Os ataques com conivência policial à caravana de Lula, o assassinato de líderes do MST no hospital ou a chacina de jovens da periferia são todos consequência da lógica cultural de um capitalismo do saque e da rapina do qual a globo é a expressão máxima entre nós. A série de José Padilha na Netflix, com padrão global de qualidade, é mais um capítulo dessa distorção monumental da realidade.
(...)
Nesta quinta-feira, aparecem mais duas notícias que ajudam a entender o que está por trás do atentado contra o Presidente Lula:
No Estadão:
Por ora, a Polícia Federal ficará de fora da investigação dos tiros desferidos contra a caravana do PT na noite de terça-feira no Paraná.
A decisão é para evitar a politização do caso: não há nada que aponte, até aqui, para um crime político. O Ministério da Segurança Pública mantém canal com o governo do Paraná, cuja Polícia Civil comanda as investigações e as perícias nos ônibus e nos projéteis. A única participação federal efetiva até aqui é da Polícia Rodoviária Federal.
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Da Agência PT de Notícias:
O Ministério Público do Paraná acatou, na manhã desta quarta-feira (28), uma representação do Coletivo de Advogados e Advogadas pela Democracia (CAAD), que denuncia dez suspeitos do atentado contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrido na tarde de ontem (27).
De acordo com o procurador de justiça do Paraná, Olympio Sotto Maior Neto, o atentado, três tiros dados contra dois dos ônibus da Caravana, foi uma “barbárie inaceitável”.
“Estamos diante de uma situação clara onde não há apenas falta de civilidade, mas a prática de crimes. A apologia e incitação a prática de crimes, e ações concretas que culminam até em uma prática de homicídio. O Ministério Público tem o dever legal de apurar, de fazer a investigação e buscar a punição dos culpados. A matéria será encaminhada imediatamente à procuradoria geral”, afirmou.
O documento, representado pelos advogados Ivete Caribé da Rocha, José Carlos Portella Junior e Tânia Mara Mandarino, traz as denúncias enviadas anonimamente por cidadãos para o CAAD até a segunda-feira (26). De acordo com a advogada Tânia Mandarino, o coletivo recebeu mais de cem emails com denúncias.
Parte delas traz prints de conversas no Whatsapp dos grupos “Caravana Contra Lula 26/03” e “Foz contra Lula26/03”, nos quais integrantes afirmam a intenção de trocar os ovos e pedras, que vinham sido atirados contra a Caravana desde seu início, por tiros de munição letal.
“Gente, vamos trocar os ovos por bala de borracha e munição letal, que vai ser bem mais eficaz”, diz um dos integrantes do grupo Caravana Contra Lula 26/03, em uma mensagem enviada às 9h50 da segunda-feira (26). “Gosto da ideia, seria o primeiro a atirar, mas aí nós seríamos os vilões”, responde outro integrante.
Posteriormente, acontece o seguinte diálogo:
— “Vou para o Paraguai comprar um fuzil, é o único jeito kkkkk”.
— “Vai na loja de arma, compra um puma 38 ou 44, é mais fácil do que você imagina”.
— “Aí é só se posicionar do outro lado do rio e mandar uma bala certa”.
Horas depois, às 23h38, um outro integrante enviou a seguinte mensagem: Tem que meter bala, aproveita que tá de noite, mirar nos pneus, motor e Bala”. Paralelamente, no grupo “Foz contra Lula 26/03”, às 10h53 da mesma segunda-feira, um integrante do grupo mandou a mensagem “Onde arruma esses miguelitos?”. Um segundo integrante respondeu: “Não vamos dar chance nem deles descerem do ônibus”.
Os miguelitos são uma espécie de cruz feita com pregos, e foram justamente utilizados para furar os pneus dos ônibus das Caravanas ontem, como parte da emboscada.
O coletivo solicitou ao Ministério Público que o atentado seja considerado crime federal e pediu a prisão preventiva dos suspeitos, principalmente de um deles que possui diversas armas regularizadas e participa de movimentos de extrema direita.
“Na denúncia, um suspeito é considerado de grande perigo, pois tem porte de armas e seria ligado ao MBL. Estamos considerando esse grupo como formação de quadrilha, pois eles planejavam um atentado contra a caravana”, alerta Tânia Mandarino.
Além dos casos registrados no Paraná, o CAAD também vai relatar outros incidentes ocorrendo em Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. O pedido é que o Ministério Público do Paraná encaminhe as denúncias para os Estados vizinhos. A notícia crime identificou 29 suspeitos.
A Caravana segue seu percurso e termina nesta quarta-feira com ato político na Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba (PR).
Abaixo, os prints que constam na denúncia:
  
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Fonte:https://www.conversaafiada.com.br/brasil/jesse-a-globo-semeia-o-odio-e-a-mentira
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