quinta-feira, 29 de março de 2018

Claudia Dutra: E, agora, parlamentares da direita e Globo vão parabenizar o Paraná pela emboscada para matar Lula?

29.03.2018
Do blog VI O MUNDO, 28.03.18

Nos ônibus da Caravana de Lula, a marca do fascismo. Fotos: Reprodução e Ricardo Stuckert

PARA DIZER NÃO AO FASCISMO
por Claudia Pereira Dutra*, especial para o Viomundo
O “fascismo” não ficou lá em um passado totalmente superado, com o avanço e as conquistas da democracia.
A história não é linear e as mudanças não são sempre progressivas. Há retrocessos. O fascismo ascende em períodos históricos em que não imaginamos mais existir.
Quando indivíduos e grupos passam a glorificar a força contra o adversário, usam a violência para calar a disputa política e pregam o ódio à diferença, estão em franco ataque à democracia.
Esse é um fenômeno vivido em várias parte do mundo. No Brasil, o contexto é gravíssimo e manipulado pela mídia que faz o jogo do golpe para que a população não compreenda os riscos desse rumo fascista no país.
Parece óbvio, um golpe não vem para reforçar a democracia usurpada! O poder autoritário passa a dominar as instituições do Estado e se expande.
Não precisamos ir longe para entender a crescente violação de direitos.
O ex-presidente Lula é perseguido há dois anos, o reitor da UFSC sofreu execração pública e foi levado à morte, o MEC passou a censurar os cursos em universidades, o Rio de Janeiro está sob intervenção federal, a vereadora Marielle do PSOL/RJ foi executada com quatro tiros na cabeça e outras pessoas são mortas por defenderem os direitos humanos.
O Estado de exceção é uma serpente que se levanta. Há uma semana, o Sul do país revive o coronelismo. Um grupo da direita ruralista que nunca abandonou os ideários de um poder oligárquico, persegue e ataca com violência a Caravana de Lula, contando com a omissão do Estado.
O que está ocorrendo na região Sul não são protestos populares, mas a ação de uma milícia que tenta impedir Lula de dialogar com a população que vai às praças participar. Isto é cercear a liberdade e a cidadania.
A articulação golpistas abriu uma espécie de vale tudo para tirar Lula da disputa eleitoral, em 2018. Lula é a maior liderança de esquerda no país, pré-candidato à presidência da república e lidera todas as pesquisas.
A milícia da direita no Sul partiu para o ataque direto. Quer mostrar que está disposta a impor seu projeto a qualquer custo.
Além de colocar barricadas de tratores na entradas de cidades para impedir a comitiva de Lula de transitar no espaço público, essa milícia agride a pau e pedradas a pessoas que se identificam com Lula .
Os golpistas revelaram seu fascismo. Em vídeo a senadora da extrema direita, Ana Amélia, apoiou a violência. Com uma retórica pobre, peculiar ao fascismo, ela deu parabéns aos que “botaram a correr aquele povo …” e disse que “atirar ovo, levantar o relho, mostra onde estão os gaúchos”.
Posso dizer que gaúchos (as) estão onde sempre estiveram, representados na diversidade humana, política, social e cultural.
Ela, contudo, parece querer eliminar essa diversidade. Seu apelo à “tradição” busca um enquadramento identitário. Mas, a simbologia do relho e da guerra que usa para coroar ações de milícia, não nos representa.
Na origem disso está a recusa ao saber que ameaça o que foi definido como verdadeiro pela cultura dominante. Todo fascista é avesso ao conhecimento, que leva à reflexão crítica. Para o fascista o que importa é a ação, a guerra ao “inimigo”.
Pensar implica questionar, o que pode revelar as contradições do ódio ao Lula e do despreza às conquistas para toda a sociedade, alcançadas durante seu governo.
A discordância no pensamento é uma coisa que os fascistas detestam. Por isso, desconfiam dos Institutos e das universidades criadas por Lula e Dilma. São “antros de comunistas”!
A senadora se reveste do elitismo típico às ideologias reacionárias. Seu discurso estimula o  ódio ao PT e a Lula que chama de “um condenado”. Quer fazer crer que o seu partido é “superior”. Para isso, tem que criar a imagem do inimigo fraco. O outro é “vagabundo”, o que não presta.
O mecanismo é o da inferiorização. O racismo é uma característica do fascismo. Daí o desprezo a negros, aos pobres, aos povos indígenas, aos quilombolas, que foram classificados pelo deputado Luís Carlos Heinzen de “tudo que não presta”.
Como toda liderança fascista, tais políticos apoiam a conquista do poder pela força. Para eles o inimigo merece ser agredido, e isso mostra a força. A violência glorifica o “herói”.
Mas, esse jogo é difícil, ainda mais em tempos de redes sociais. As cenas do discurso fascista se espalham para muito além do reduto eleitoral. Não é possível evitar que o discurso tosco seja alvo do raciocínio complexo e seja desconstruído, como ocorreu com as falas da filha do coronel do exército em São Borja e da senadora Ana Amélia, saudosas da Ditadura.
A repercussão desses fatos permite ainda ver mais um aspecto. Trata-se do delírio fascista por uma suposta “moral” a ser vigiada.
Na verdade, uma obsessão por sexo e sexualidades. O fascista é machista, homofóbico e outros.
Em meio ao absurdo ataque à Caravana Lula, fascistas, incapazes do diálogo e sem argumentação, ampliam a retórica da ofensa. Seus discursos são limitados e limitadores, revelam a ausência do raciocínio e o temor à diversidade.
Como podemos ver, o neofascismo ou o fascismo permanente, como se refere Umberto Eco, se adapta a tudo.
Compreender o que está por trás dessas nebulosas e nefastas milícias é fundamental. Desse ódio renascem os mais arcaicos sentimentos que a humanidade já produziu.
A última notícia é que o fanatismo dos milicianos conseguiu acertar com tiros os ônibus da Caravana Lula.
E agora? A senadora, os (as) deputados (as) da direita, a Rede Globo…vão parabenizar o Paraná pela emboscada para matar o ex-presidente Lula?
*Claudia Pereira Dutra é professora, militante e ativista dos direitos humanos.
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Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/bolsonaro-o-incitador-simula-tiro-na-cabeca-de-lula/
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