terça-feira, 13 de junho de 2017

MENTIRA TEM PERNAS CURTAS:Os buracos na narrativa de Míriam Leitão sobre a agressão no voo

13.06.2017
 Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
 Por  Kiko Nogueira


Míriam Leitão merece toda a solidariedade pela violência que, segundo ela conta em sua coluna, sofreu num voo da Avianca.
Isto posto, há alguns buracos em sua narrativa que merecem elucidação.
Ela afirma que foi vítima de “um ataque de violência verbal por parte de delegados do PT”.
“Foram duas horas de gritos, xingamentos, palavras de ordem contra mim e contra a TV Globo. Não eram jovens militantes, eram homens e mulheres representantes partidários. Alguns já em seus cinquenta anos. Fui ameaçada, tive meu nome achincalhado e fui acusada de ter defendido posições que não defendo”, descreve.
O fato se deu em 3 de junho num avião que ia de de Brasilia para o Rio de Janeiro. Ou seja, Míriam levou dez dias para expôr o ocorrido.
Por quê?
“Foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias”.
Um linchamento estava a caminho, mais que um escracho.
Diante de um fato de tamanha gravidade, por que não lavrou um boletim de ocorrência ali mesmo no aeroporto? Por que não filmou os agressores?
Miriam atesta que eram “delegados do PT” e “profissionais do partido”.
Como ela sabe disso? Portavam crachá? Através das roupas deles? Dos óculos? Das feições lombrosianas?
Os agressores, de acordo com ML, eram também ignorantes contumazes.
“Ameaçaram atacar fisicamente a emissora, mostrando desconhecimento histórico mínimo: ‘quando eles mataram Getúlio o povo foi lá e quebrou a Globo’, berrou um deles. Ela foi fundada onze anos depois do suicídio de Vargas”, afirma.
Ora. O Globo estava na ativa há 29 anos em 1954. Carros do jornal foram destruídos quando da morte de Getúlio e a redação foi atacada.
No Facebook, um advogado ligado ao PT, que se declarou presente no avião, desmentiu a colunista.
“Eu estava no vôo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime”, relatou Rodrigo Mondego.
“O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de vôo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso. Se a carapuça serviu com os gritos de ‘golpista’, era só não ter apoiado a ação orquestrada por Eduardo Cunha e companhia, simples”.
Tudo indica que foi um esculacho. Míriam não ajudou a esclarecer. Talvez porque não interesse.
Assim como ficou nebuloso o “escândalo” da alteração de seu perfil na Wikipedia pelo “Planalto”, sobre o qual meu irmão Paulo escreveu. Uma patacoada tratada como Watergate.
Ela parece incomodada com o papel de porta voz da emissora. É uma posição horrenda, mas é difícil crer que não tenha ideia do quanto a empresa onde trabalha é odiada.
É impossível excluir o protagonismo da Globo na venezuelização do Brasil. Míriam, infelizmente, é a cara do grupo. Poucos, ali, traduzem melhor do que ela as ideias dos Marinhos. 
De novo: Míriam Leitão merece cada palavra solidária que está recebendo pelo que passou — a mesma solidariedade que ela jamais prestou quando as vítimas estavam do lado de lá.
Falta, porém, explicar direito. A luz do sol ainda é o melhor detergente.
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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-buracos-na-narrativa-de-miriam-leitao-sobre-a-agressao-no-voo-por-kiko-nogueira/

Motorista da ambulância confirma: "a médica não quis socorrer o bebê"

13.06.2017
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 09.06.17

Motorista diz que está abalado desde que soube da morte do pequeno Breno depois que sua ambulância foi embora do local. Robson contou detalhes do que aconteceu e desmentiu a informação de que a médica estava em fim de expediente. Haydee Marques da Silva foi demitida

breno médica cuidar omitiu socorro
Eu gosto de socorrer. Gosto de salvar vidas. O que ela fez não existe. Ela omitiu socorro. Não importa a idade. Se tem um, dois, mil anos. É uma vida e a gente tem que socorrer. A empresa, eu e a técnica fizemos tudo que podíamos ter feito. Tentamos convencê-la. É de uma tristeza sem fim“.
O depoimento acima é de Robson Oliveira, de 50 anos, motorista da ambulância que levava a médica que omitiu socorro ao pequeno Breno Rodrigues Duarte da Silva, de 1 ano e 6 meses. A criança morreu cerca de uma hora e meia depois que a profissional se recusou a atendê-lo.
Robson trabalha como socorrista desde 2013. O motorista disse à Polícia Civil que está inconsolável desde que recebeu a notícia sobre a morte de Breno.
Segundo Robson, a médica Haydee Marques, de 59 anos, havia acabado de iniciar o plantão. A equipe seguia para uma ocorrência na Penha, na Zona Norte do Rio. No entanto, quando passavam pelo Recreio dos Bandeirantes, receberam um “código vermelho”.
Breno sofria de uma doença neurológica rara, a síndrome de Ohtahara, que provoca consulsões severas. Na quarta-feira, ele apresentou um quadro infeccioso, e a família chamou uma ambulância da Cuidar Emergências Médicas, através do plano de saúde Unimed-Rio.
O veículo chegou ao prédio pouco depois de 9h, mas a médica decidiu não socorrer o paciente e foi embora. Segundo a diretoria da Cuidar, ela decidiu não prestar atendimento quando soube que o paciente era uma criança, alegando que não é pediatra, mas, sim, anestesista.
“Como trabalhamos com a UTI Móvel, trabalhamos com agilidade. Fui o mais rápido que pude. Quando chegamos lá, pedi para o porteiro anunciar a chegada da ambulância. Enquanto ele foi fazer o contato, a doutora pediu à tecnica de enfermagem as informações sobre o paciente. Quando ela falou o nome, a médica logo pediu a idade. Ela disse “tem um ano”. Depois disso, a médica começou a gritar, fez um escândalo e disse que era para irmos embora. Ela rasgou a guia de internação e ficou histérica”, contou Robson ao jornal Extra.
Robson disse ainda que ele e a colega tentaram acalmar a médica e convencê-la a fazer o atendimento. Mas foi em vão.
“Tentamos convencer, falar que a criança precisava. A técnica ainda falou “doutora, vai ser rápido. Fazemos o atendimento, levamos ele e vai ser bem rápido”. Mas ela não parava de gritar. Começou a discutir comigo e se recusou a atender. Eu acionei a base e avisei que a médica não queria atender o paciente. Eles perguntaram o que tinha acontecido e me pediram para aguardar o retorno”, contou.
De acordo com o motorista, após a resposta da empresa, a profissional pediu que fossem embora. Ele, então, fez o retorno para deixar o condomínio.
“Ela estava muito nervosa e gritava muito. Dentro da ambulância, o médico é a autoridade. Saímos segundo as ordens dela e íamos aguardar o retorno da base do lado de fora. Ela desceu da ambulância e foi embora. Eu e a técnica avisamos a empresa e aguardamos a ordem de retornar para a base. A empresa me ligou e me pediu para que voltássemos porque outra ambulância estava a caminho. Ela se omitiu. A empresa mandou a ambulância e ela se omitiu”, disse.
Robson somente soube da morte de Breno quando chegou à sede da empresa.
“Quando cheguei, todo mundo já sabia. Foi quando me contaram que o paciente que eu ia atender tinha vindo a óbito. Isso acabou comigo”, lamentou.

“Começando o plantão”

O presidente da “Cuidar Emergências Médicas”, Orlando Rubens Lisboa Corrêa, empresa responsável pelo serviço de atendimento que trabalha a médica que se recusou a atender Breno, revelou que ela não estava no final do plantão e sim começando o turno, contrariando o que a profissional disse para não atender a criança, segundo os pais da vítima.
“Ela começou às sete da manhã o plantão. Se não era o primeiro, era o segundo atendimento dela. Ela estava próximo do condomínio e chegou com rapidez”, afirmou, confirmando o depoimento do motorista Robson Oliveira.

Demissão

Nesta quinta-feira (8), a médica foi demitida pela Cuidar, empresa que presta serviço para o plano de saúde Unimed.
De acordo com a Policia Civil, agentes analisaram as imagens das câmeras de segurança e disseram que há indícios dos crimes de homicídio culposo e supressão de documento.
“A delegada que presidiu o inquérito no momento do registro informou que a médica, na situação em que teriam ocorrido os fatos, era agente garantidora da vida do bebê e por isso poderá responder por homicídio culposo com aumento de pena por inobservância de regra técnica de profissão”, disse a Polícia Civil em nota.
O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu sindicância para apurar o caso.
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Fonte:https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/06/motorista-da-ambulancia-confirma-medica-nao-quis-socorrer-o-bebe.html

Colapso institucional, um governo criminoso e o PSDB

13.06.2017
Do blog JORNAL GGN, 12.06.17
Por Aldo Fornazieri



Ao contrário do que afirmam os idiotas da normalidade, não só existe uma crise institucional no país, como, mais grave do que isto, as instituições entraram em colapso. O Executivo e o Legislativo já tinham sua legitimidade perto de zero. Com o processo do golpe das reformas, não só agem contra os interesses populares, mas exercem uma ação de violência contra a soberania popular pela ação criminosa de aprovarem medidas pelas quais não foram mandatados pelos eleitores. Ademais, o governo ilegítimo de Temer é fruto de um ato ilegítimo do Congresso.
Restava ainda o Judiciário com algum grau de legitimidade, em que pese as graves falhas na sua responsabilidade de salvaguardar a Constituição em face dos atropelos a que foi submetida pelas hordas congressuais e pela quadrilha de Temer que assaltaram o poder para obstruir a Justiça, para garantir o foro privilegiado a corruptos notórios e para bloquear a Lava Jato. Desde a última sexta-feira, o que restava de legitimidade ao Judiciário ruiu com a vergonhosa absolvição de Michel Temer no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral. Temer foi absolvido por excesso de provas.
Um dos importantes aspectos do colapso institucional consiste em que os detentores do poder agem pelo arbítrio. Existem várias formas de arbítrio, sendo a principal, agir sem lei e contra a Constituição. Outra forma consiste em usar arbitrariamente a lei para perseguir quem se considera inimigo e para salvar a cabeça dos amigos.
É  o que fez Gilmar Mendes com o processo de cassação da chapa Dilma-Temer. Quando Dilma estava no poder, Mendes foi decisivo para a abertura do processo. Quando se tratou do julgamento de Temer, ele apelou para a tese de que não se pode cassar a soberania popular do mandato. Esta é uma conduta tipicamente arbitrária, destrutiva da moralidade pública, forma de violência no exercício do poder. Gilmar Mendes é a face desnuda da desfaçatez, num país em que a regra do jogo é a desfaçatez. Mas nada se poderia esperar de um juiz que é conselheiro noturno de Temer e estafeta de Aécio Neves. A virulência da sua retórica mal disfarça a pobreza dos seus argumentos, os sofismas de sua falta de lógica, os andrajos de sua incultura jurídica.
Gilmar Mendes, associado a Aécio Neves, foi um dos principais artífices das instabilidade e da crise política que ceifou o mandato de Dilma. Sem rubor e com a truculência dos tiranetes, pregou a necessidade de estabilidade dos mandatos, justificando a absolvição de um presidente usurpador que foi flagrado cometendo vários crimes. A crise e o colapso das frágeis instituições democráticas e republicanas nascidas com a Constituição de 1988 têm seus verdugos: Aécio Neves, Eduardo Cunha, Gilmar Mendes, Michel Temer e José Serra. Foram secundados por muitos outros, que transformaram as instituições em escombros, interditando o penoso caminho de um breve período de consolidação democrática.
Temer e seus asseclas, depois de terem levado as instituições à ruína, agora estão dispostos a mergulhar o país na aventura do confronto campal para barrar investigações e para quebrar o que resta da funcionalidade da Justiça. A sua ousadia criminosa os leva a usar os instrumentos típicos das ditaduras - a  espionagem, as ameaças e as chantagens. Usurpam os instrumentos de poder para se manterem no governo, fugindo da responsabilidade de responder pelos seus atos delinquenciais.
Os setores democráticos e progressistas da sociedade, junto com os movimentos sociais e os partidos de oposição, não podem ficar inertes a este embate. Devem exigir nas ruas a saída de Temer do governo e que ele seja levado a julgamento. As oposições pagarão um preço muito alto se assistirem passivamente o desfecho desta confrontação, pois, se não se mobilizarem, iludidas de que as eleições de 2018 resolverão esta crise, perceberão tardiamente que depois de garantir a permanência de Temer no governo, as forças que patrocinaram o golpe agirão para impedir a vitória de um candidato alinhado com as forças progressistas.
Permitir que Temer continue governando significa permitir a vitória de indignidade contra a indignação; da covardia contra a coragem; da imoralidade contra a decência moral; da corrupção contra a república. O momento de reconquistar a confiança da sociedade é agora, lutando contra esse governo que ofende o país e seu povo.
PSDB: Com Temer contra o Brasil
O PSDB escreveu, nos últimos anos, uma das histórias mais ignominiosas da vida política brasileira. Nascido como rebento do PMDB para combater-lhe a corrupção, não conseguiu negar a sua genética e tornou-se o avalista do governo mais corrupto e degradado de toda a história deste desditoso país. Levou para o esgoto a ilustração acadêmica de que sempre se gabava de ostentar e revelou-se tão corrupto quanto seu genitor, com o agravo de ter patrocinado um golpe contra a democracia, conspurcando a história de muitos democratas verdadeiros que se bateram contra o regime militar, a exemplo de Franco Montoro e Mário Covas, entre outros.
O PSDB precisa mudar com urgência o seu próprio nome, pois não é digno de manter a designação de "social-democracia". Um partido não pode ser "social" quando investe e agride violentamente os direitos sociais dos trabalhadores e do povo. Um partido não pode ser democrata quando patrocina golpes e é o principal sustentáculo de um governo corrupto e de um presidente que foi flagrado cometendo crimes.
O PSDB foi comandado até recentemente pelo pior aventureiro que apareceu na política brasileira nos últimos tempos. Um aventureiro que entrou com uma ação que desestabilizou a democracia, gerou a crise política e econômica, provocou a recessão e o desemprego, apenas para "encher o saco do PT". Essa irresponsabilidade não pode ser debitada apenas a Aécio, mas ao partido que deu aval a todo esse processo de vandalização das nossas instituições.
O PSDB não é apenas conivente com a destruição institucional e moral do Brasil, mas é seu artífice. As suas atitudes dolosas e danosas não podem ser escusadas, pois não pode alegar engano, consciente que é de sua ação deletéria. Neste momento em que o Brasil se esvai na desesperança, em que milhões de trabalhadores estão na ruína do desemprego e em que várias tragédias se multiplicam, a ilustração tucana está associada a uma inescrupulosa organização que tomou o poder para se salvaguardar dos seus crimes.
O entorno deste governo é um deserto ético, um pântano moral, onde vicejam corruptos seriais e achacadores de ofício. Cultiva-se ali a indiferença com a decência, a desavergonhada compulsão para a destruição da democracia a venda da dignidade moral em troca da destruição dos diretos sociais duramente conquistados.
Temer e seus sócios do PSDB precisam ser detidos, pois são a face política do modo como o capitalismo perverso e predador se constituiu no Brasil. São a expressão sádica da vontade escravocrata, daqueles que querem a destruição dos direitos para que os trabalhadores se tornem servos, daqueles que querem a flexibilização anárquica para que a exploração da mão de obra seja ainda mais despudorada e daqueles que querem a velhice desamparada para que os recursos públicos continuem, de forma mais voraz, a serem drenados pela impiedosa ganância do capital financeiro e do empresariado que constrói a sua riqueza com o dinheiro público. Este é o programa de Temer e do PMDB. Este é o programa do PSDB, sócio e cúmplice de um governo corrupto e criminoso. Temer é o presidente que o povo brasileiro não quer, mas que o PSDB, João Dória e Fernando Henrique Cardoso querem.
Aldo Fornazieri - Professor da Escola de Sociologia e Política.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/colapso-institucional-um-governo-criminoso-e-o-psdb-por-aldo-fornazieri

A JBS PATROCINOU IMPEACHMENT DE DILMA? João Filho

13.06.2017
Do portal THE INTERCEPT BRASIL, 11.06.17
Por João Filho

O JULGAMENTO DA CHAPA Dilma/Temer no TSE talvez represente o auge da esquizofrenia da qual padece a política brasileira. A ação foi movida por Aécio Neves para, segundo o próprio, apenas “encher o saco do PT”. As acusações que fundamentaram o processo do tucano são exatamente as mesmas pelas quais sua chapa é acusada: abuso de poder político e econômico, recebimento de propina e beneficiamento do esquema de corrupção na Petrobras. Hoje no governo, Aécio e sua turma torcem para perder a ação que moveram. Portanto, o mais importante processo da história da Justiça Eleitoral nada mais é do que uma retumbante farsa.
Enquanto os olhos do país estão voltadas para a patacoada, uma notícia fundamental para compreender um pouco os fatos que nos trouxeram até aqui ficou ao relento na grande imprensa brasileira: o marqueteiro de Temer afirmou ter sido contratado pela JBS para derrubar Dilma.
Antes, vamos contextualizar os acontecimentos. Joesley da JBS havia revelado em sua delação que Temer pediu uma propina de R$300 mil. À época, o processo de impeachment ainda estava em curso e, estranhamente, Temer precisava do dinheiro para despesas de marketing político pela internet. Segundo Joesley, o então vice-presidente queria se defender dos duros ataques que vinha recebendo nas redes.
Temer teria orientado que o dinheiro fosse pago para o publicitário Elsinho Mouco – seu marqueteiro oficial há 15 anos e que hoje exerce papel importante no governo. É ele quem escreve os discursos de Temer e ajudou a redigir o famigerado programa Ponte para o Futuro.
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Elsinho orienta Michel Temer
 
(Foto: Fran Welton/Divulgação)

Bom, no último domingo, Elsinho contou ao Estadão a sua versão, que é um pouco diferente do que ele havia dado em uma nota à imprensa divulgada após a publicação da delação de Joesley. Segundo o publicitário, o dono da JBS o convidou para um jantar nababesco em seu palacete no Jardim Europa em São Paulo. Regados a “whisky 18 anos” e “camarões gigantes”, Joesley revelou que queria financiar um serviço de monitoramento de redes sociais que ajudaria a derrubar Dilma:
“O empresário perguntou então quanto custaria o serviço, que a princípio seria pago pelo PMDB nacional. “R$ 300 mil”, respondeu Elsinho de pronto. “Eu pago isso. Vamos derrubar essa mulher”, teria dito Joesley.”
O dinheiro dado ao marqueteiro de Temer teria sido usado para “monitorar digitalmente movimentos pró-impeachment, o PMDB e a Fundação Ulysses Guimarães”.
Portanto, temos duas versões. O dono da JBS garante que a propina foi paga em espécie para Elsinho a pedido de Temer. Já o publicitário afirma que foi Joesley quem o procurou espontaneamente para contratar seus serviços, sem propina e sem envolvimento de Temer.
Um dos dois está mentindo. A versão de Elsinho é estranha,parece querer poupar seu chefe. É difícil imaginar que o publicitário tenha feito o orçamento do serviço ali na hora, no meio do jantar. Segundo o publicitário, o dono da JBS chamou um mordomo e ordenou: “Pega lá R$ 300 mil e entrega para o Elsinho”. Nessa versão capenga, o publicitário teria ido apenas visitar um cliente em potencial, fez o orçamento e imediatamente recebeu o valor integral em dinheiro vivo antes mesmo de prestar o serviço. Elsinho, cujo irmão acaba de ganhar uma concorrência de R$ 208 milhões para a publicidade do Palácio do Planalto, teria muito a perder se confirmasse a história do dono da JBS.
A versão de Joesley me parece mais verossímil: Temer pediu para entregar a propina para seu marqueteiro, que foi até a casa do empresário e saiu com o valor que havia sido previamente combinado entre os patrões. A dúvida fica por conta da finalidade da propina. R$300 mil para defender Temer de ataques da internet às vésperas da votação do impeachment? Ou seria mesmo para derrubar Dilma?
Apesar da relevância da informação dada pelo marqueteiro de Temer, o Estadão não deu chamada de capa, a Folha não repercutiu, e nem preciso falar sobre o Grupo Globo. Não parece ser do interesse do braço midiático revelar os detalhes do funcionamento do braço financiador do golpe parlamentar.

O fator Kátia Abreu
Maior doadora da campanha de Dilma, a JBS havia entrado em conflito com a presidenta antes mesmo do início do seu segundo mandato. A indicação de Kátia Abreu para o ministério da Agricultura não incomodou apenas petistas, ambientalistas e movimentos sociais, mas também a JBS e até o PMDB – partido que recém abrigava a senadora à época. O grupo empresarial de Joesley sempre foi alvo de duríssimas críticas de Kátia Abreu. Este trecho de reportagem da Folha de 2014 revela o tamanho da briga:
“Em discurso na tribuna do Senado, em 2013, Kátia Abreu criticou uma suposta prática monopolista e marketing enganoso’ por parte do grupo JBS, que cresceu no mercado adquirindo outros empreendimentos menores.

No centro do ataque estava um polêmico financiamento de R$ 7 bilhões do BNDES à JBS-Friboi que, segundo Kátia Abreu, poderia ter sido usado para ajudar pequenas e médias empresas em dificuldade.”
Irritado com a notícia de que Kátia provavelmente seria a nova ministra, o falastrão Joesley foi procurar quem para reclamar? O seu amigo Michel Temer, claro. Não satisfeito, foi se lamentar também com Aloizio Mercadante (PT), então chefe da Casa Civil, que o recebeu em uma conversa reservada, fora da agenda oficial. Ainda segundo a Folha, Dilma foi aconselhada a conversar com Joesley e tentar contornar sua insatisfação, o que teria ocorrido em um encontro sigiloso.
Todo esse lobby contra Kátia Abreu não deu certo e a ex-presidente bancou sua nomeação, contrariando seu próprio partido, seu principal aliado político (PMDB) e a JBS. Naquele momento se iniciava um conflito entre Dilma, o PMDB e o principal financiador de campanhas políticas no Brasil.
Joesley revelou em delação que deu R$30 milhões para Cunha, que teriam sido usados para bancar sua campanha à presidência da Câmara, em 2015.  “Cunha saiu comprando deputado, saiu comprando um monte de deputados Brasil a fora. Para isso que serviam os R$ 30 milhões”, afirmou Joesley à PGR. Ou seja, a JBS também patrocinou a eleição de Cunha, o inimigo número um de Dilma, o homem que lideraria um golpe parlamentar para derrubá-la.
Vamos ligando os pontos. Não podemos esquecer também dos R$ 4 milhões em propinas da Odebrecht que Lucio Funaro (doleiro, lobista e operador das propinas de Cunha) enviou para Eliseu Padilha através de José Yunes (ex-assessor especial do governo Temer e amigo do presidente há mais de 50 anos). Na ocasião, o amigo de Temer ouviu do doleiro qual era a finalidade do dinheiro:  “A gente está fazendo uma bancada de 140 deputados, para o Cunha ser presidente da Câmara”. Segundo Yunes, Temer não pode dizer que não sabia de nada: “Contei tudo ao presidente em 2014. O meu amigo (Temer) sabe que é verdade isso. Ele não foi falar com o Padilha. O meu amigo reagiu com aquela serenidade de sempre (risos).”
Portanto, como se não bastassem as confissões públicas de que as pedaladas fiscais não foram o motivo que levaram à queda de Dilma, agora ainda temos fortes indícios de que a eleição de Cunha e o processo de impeachment foram financiados com dinheiro de propina de grandes empresas e teve envolvimento direto de Michel Temer

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Fonte:

A reunião do PSDB para decidir se fica no governo é uma agonia pública por sobrevivência

12.06.2017
 Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
 Por Leandro Fortes


Essa reunião da Executiva do PSDB, marcada para hoje, não tem nada a ver com Brasil, ética ou interesse público. 

Trata-se, apenas, de uma agonia pública por sobrevivência levada a cabo pelo que há de mais vergonhoso e infame na atual política brasileira. 

Os tucanos que querem ficar no governo federal temem (sem trocadilho) perder o espaço que ocuparam com o golpe de 2016, depois de mais de uma década de jejum imposto pelas urnas.

Agarram-se como sanguessugas também por motivos ainda menos nobres, tendo o governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, como timoneiro desse descaramento político ao ar livre: preferem manter Michel Temer respirando por aparelhos, um pato manco no Palácio do Planalto sujeito a todo tipo de chantagem e obrigações espúrias, culpado por todas as desgraças dessas reformas cretinas impostas pelo mercado. 

Um Temer presente, mas totalmente inviável para uma reeleição. 

Os tucanos que querem sair do governo exigem menos reflexão: são só uns cagões, mesmo.
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Fonte: