terça-feira, 15 de agosto de 2017

Jornais tentam desqualificar livro dos juristas para defender Moro, parceiro do golpe

15.08.2017
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO
Por Joaquim de Carvalho

Auditório lotado, no lançamento que desconstrói o herói da mídia: foto que você não vê nos jornais

A reportagem do Estadão sobre o lançamento do livro “Comentários a uma sentença anunciada – O Processo Lula”, ocorrida ontem na PUC, chama de “juristas políticos do PT” os autores da obra que analisa a decisão de Sérgio Moro que condenou o ex-presidente a nove anos e meio de prisão — mesmo sem prova do crime. Eles faziam parte do público, juntamente com advogados e estudantes.

Havia políticos lá, como José Eduardo Martins Cardozo, que também leciona, e Fernando Haddad, que é formado em direito pela USP, onde também dá aula, mas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, mas ao lado dele estavam Celso Antônio Bandeira de Mello e Pedro Serrano, juristas (ponto).

O repórter registra que uma das organizadoras, a professora Gisele Cittadino, foi questionada sobre o motivo de ter publicado o livro somente depois da sentença de Sérgio. Ora, pois, é porque se trata de uma análise da sentença do juiz Sérgio Moro. Sem ela, não haveria livro. Mas Gisele foi educada na resposta:

“Não é somente algo sobre o Lula. A sentença recai sobre o direito à soberania popular (pela possibilidade de tirar Lula da disputa em 2018). Neste sentido, Lula não é uma pessoa qualquer”.

A transcrição do que José Eduardo Martins Cardozo disse no lançamento do livro merece um lugar na antologia dos piores momentos do jornalismo. Diz a reportagem que José Eduardo fez referência ao papel de Saulo Ramos no governo de Getúlio Vargas, quando usou a lei de defesa dos animais para livrar um comunista argentino da prisão e do risco da tortura.

No período a que faz referência, Saulo Ramos era um adolescente. O advogado em questão era Sobral Pinto – mais tarde, bem mais tarde, na campanhas das diretas, já velhinho, lembrava que “todo poder emana do povo e, em seu nome, é exercido” – e o preso político, Luís Carlos Prestes – o Cavaleiro da Esperança. Prestes tinha passado um tempo exilado na Argentina, mas era brasileiro.

Erros podem acontecer, mas, em algumas situações na velha imprensa, isso é o que menos conta. Pelo tom da reportagem, o compromisso do repórter não era mesmo com a precisão. Era para defender o herói construído com a ajuda do Estadão, Sérgio Moro.

“Os oradores se revezaram durante mais de duas horas em críticas aos supostos abusos da Lava Jato e ao juiz Moro, sob o argumento de que faltam provas contra o petista”, escreveu.

Segundo ele, a denúncia dos “supostos abusos” é “uma das plataformas escolhidas por Lula e pelo partido para fazer a defesa do petista na Lava Jato e defender o direito de o ex-presidente disputar a eleição presidencial do ano que vem”.

Cento e vinte e dois operadores e pensadores do direito a serviço do PT, inclusive Alberto Toron, que entre outros defende Aécio Neves, ou Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que tem 18 clientes na Lava Jato, entre eles os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Romero Jucá (PMDB-RR).

Para a velha imprensa, parece não haver a mais remota possibilidade de se tratar, efetivamente, de uma reação legítima da advocacia ao desequilíbrio que a ação de Moro na Lava Jato evidencia.

Por que, em vez de adjetivos, não se analisam os textos publicados?

A cobertura da Folha não tem erros grosseiros. Mas o título mostra a que se presta: “Advogados atacam Moro e Lava Jato em lançamento de livro pró-Lula”.

É também a defesa de um herói construído em meio a uma disputa política que resultou no golpe de 2016.

Como lembrou o advogado Toron, Moro teve um papel decisivo no processo que tirou Dilma do Planalto, ao divulgar interceptação telefônica ilegal. “Ele foi um juiz a favor do golpe. Não foi mera casualidade”, disse.

A velha imprensa, ao tentar desqualificar o trabalho de mais de uma centena de profissionais do direito, faz  agora o que é próprio de uma quadrilha: defende o parceiro.

Autores reunidos

PS: os jornais publicam duas fotos parecidas, com José Eduardo Cardozo discursando – a mensagem que querem passar é a mesma, o de livro político. Nesta reportagem, publico duas fotos que encontrei no Facebook, uma do auditório lotado e outra de alguns dos autores reunidos. Retratam melhor o fato ocorrido na PUC, o resto é propaganda política para defender Moro.

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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/jornais-tentam-desqualificar-livro-dos-juristas-para-defender-moro-parceiro-do-golpe-por-joaquim-de-carvalho/
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