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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Perigo: médicos querem morte de pacientes

03.02.2017
Do BLOG DO MIRO, 
Por Ricardo Kotscho, no blog Balaio do Kotscho:

"Esses fdp vão embolizar ainda por cima (procedimento de provocar o fechamento de um vaso sanguíneo para diminuir o fluxo de sangue em determinado local). Tem que romper no procedimento. Daí já abre pupila. E o capeta abraça ela".

O comentário acima, em linguagem típica de membros do PCC, foi escrito pelo neurocirurgião Richam Faissal Ellakkis, que presta serviços no hospital da Unimed São Roque, no interior paulista, num grupo de whatsapp de médicos e reproduzido em reportagem de Thiago Herdy, em O Globo.

Ela, no caso a que o neurocirurgião se refere, é a ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva, naquele momento internada em estado gravíssimo no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A troca de mensagens entre médicos começou quando Gabriela Munhoz, de 31 anos, reumatologista do Sírio, informou a um grupo de whatsapp de antigos colegas de faculdade que dona Marisa estava no pronto-socorro com diagnóstico de AVC hemorrágico de nível 4 na escala Fischer, considerado um dos mais graves, prestes a ser levada para a UTI.

Thiago Herdy relata que, na noite de quarta-feira, o hospital informou que Gabriela fora demitida por causa do compartilhamento de informações sigilosas, sem dizer a data em que isso aconteceu. Como um rastilho de pólvora, a mensagem de Gabriela se espalhou por outros grupos de whatsapp formados por médicos.

É assustador pensar que nossas vidas podem ficar nas mãos de médicos que torcem pela morte de pacientes.

Pedro Paulo de Souza Filho, médico que atua fora do Sírio-Libanês, foi o primeiro a enviar informações sobre o estado de saúde de dona Marisa no grupo "MED IX", uma referência à turma de formandos em Medicina de 2009 na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

Este médico postou imagens de uma tomografia atribuída a dona Marisa Letícia, acompanhada de detalhes que foram confirmados, em seguida, por Gabriela, sempre segundo a reportagem de Herdy, que acrescenta:.

"Os dados foram compartilhados por Pedro Paulo a partir de um outro grupo de médicos intitulado "PS Engenho 3", e atribuídos ao cardiologista Ademar Poltroniei Filho. Em postagem publicada no mesmo grupo, um colega de Gabriela, o médico residente em urologia Michael Hennrich, brincou quando ela disse que dona Marisa não tinha sido levada ainda para a UTI: "Ainda bem!". Gabriela respondeu com risadas.

Residente no Hospital Evangélico de Curitiba, no Paraná, Hennrich disse ao jornal que não ironizou a gravidade da saúde de dona Marisa, mas se referiu a um erro no corretor ortográfico do telefone da colega, que trocou UTI por URO.

É preciso tomar cuidado: além de prestar serviços no hospital da Unimed de São Roque, Richam Faissal Ellakkis, o autor do comentário que abre este texto, atua também em outras unidades de saúde da capital paulista.

Se o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) não tomar providências urgentes, todos corremos o risco de ser atendidos por médicos que fazem parte desses grupos de whatsapp.

"O compromisso e a ética ante a saúde de cada um dos cidadãos colocam-se, sem distinções de qualquer natureza, sempre acima de interesses que não sejam fiéis à dignidade inviolável da pessoa doente junto aos seus entes queridos", afirma a entidade em nota divulgada na última segunda-feira.

Muito bonito e tranquilizador, mas é preciso que este compromisso com a ética seja cumprido na prática médica.

Vida que segue.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2017/02/perigo-medicos-querem-morte-de-pacientes.html
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