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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Como viver com Integridade em um Mundo de Corrupção?

28.04.2016

Do blog VOLTEMOS AO EVANGELHO, 07,04.16
Por Hermisten Maia*

Como-viver-com-integridade-mundo-de-corrupcao

“A prática do suborno confere ao homem a sensação de ser senhor da história. Na pressuposição de que todo homem tem seu preço, posso reger o meu destino. Deste modo, meus recursos se constituem em meu Deus, por meio do qual manipulo quaisquer situações adversas. O meu poder de persuasão, sedução, barganha e compra é a minha lei. A soberania de Deus é banida, o seu trono e cetro me pertencem. Desta forma, pensa poder dizer: “As minhas mãos dirigem meu destino”. Fútil e perigosa ilusão. Deus continua no controle. Vê todas as coisas, e não se agrada dessa prática.”

– Hermisten Maia

Somos tentados a buscar uma teologia que se enquadre às nossas próprias expectativas. Por isso, o que um povo crê diz muito acerca de seus valores éticos. Corações justificadas buscarão conhecer ao Deus da justiça, enquanto corações corruptos buscarão adorar a um deus corrupto. No seu lançamento, “Vivendo com Integridade: Um estudo do Salmo 15, o Rev. Hermisten Maia destaca:

O fato é que os princípios éticos de um povo nunca estarão em um nível superior ao da sua religião. A religião como produto cultural expressará sempre os limites subjetivos do real e, consequentemente, os anseios de um povo. Neste caso, a descrição de Feuerbach (1804-1872) é correta: “A religião é uma revelação solene das preciosidades ocultas do homem, a confissão dos seus mais íntimos pensamentos, a manifestação pública dos seus segredos de amor”.

As bem conhecidas críticas de Xenófanes (c. 570-c.460 a.C.), Heráclito (c. 540-480 a.C.) e Empédocles (c. 495-455 a.C.) à religiosidade grega são ilustrativas. Cito aqui apenas Xenófanes:

Homero e Hesíodo atribuíram aos deuses tudo o que para os homens é opróbrio e vergonha: roubo, adultério e fraudes recíprocas. Como contavam dos deuses muitíssimas ações contrárias às leis: roubo, adultério, e fraudes recíprocas. Mas os mortais imaginam que os deuses são engendrados, têm vestimentas, voz e forma semelhantes a eles. Tivessem os bois, os cavalos e os leões mãos, e pudessem, com elas, pintar e produzir obras como os homens, os cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos, e os bois semelhantes a bois, cada (espécie animal) reproduzindo a sua própria forma. Os etíopes dizem que os seus deuses são negros e de nariz chato, os trácios dizem que têm olhos azuis e cabelos vermelhos.

A fé cristã, no entanto, parte de um Deus transcendente, pessoal e que se revela. O Deus que fala e age, sendo o seu agir uma forma do seu falar. Este Deus é santo. Por meio de sua Palavra, ele exige de seu povo santidade. A justiça é uma das expressões da santidade. Por isso, Deus instruiu aos juízes a fim de que não fossem passionais e interesseiros na formulação de seus juízos, o que os impediriam de enxergar com clareza a causa proposta.

O suborno corrompe o que o homem tem de mais íntimo, sendo a sede de sua razão, emoção e vontade do seu coração: “Verdadeiramente, a opressão faz endoidecer até o sábio, e o suborno (mattanah – dádiva, presente) corrompe o coração” (Ec 7.7).

Hermisten Maia. É Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil, integrando a Equipe de Pastores da IPB de São Bernardo do Campo, SP. Bacharel em Teologia, Licenciatura Plena em Filosofia e Pedagogia. É Mestre e Doutor em Ciências da Religião pela UMESP. Autor de vários livros publicados pelas principais editoras evangélicas do Brasil. Membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e Academia Paulista Evangélica de Letras. Coordenador do Departamento de Teologia Sistemática e professor de Teologia Sistemática, Teologia do Culto e Teologia Contemporânea no Seminário Presbiteriano (JMC); Diretor da Escola Superior de Teologia, Professor e Pesquisador do Programa e Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP). É Casado e tem dois filhos.
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Fonte:http://voltemosaoevangelho.com/blog/2016/04/como-viver-com-integridade-em-um-mundo-de-corrupcao/?inf-Fiel

Após impeachment, Lava Jato muda discurso e quer parar investigações

28.04.2016
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
lava jato capa
A evidência mais gritante de que o Brasil passa por um golpe talvez nem seja a ausência de crime de responsabilidade de Dilma, requisito primordial para processo de impeachment de um presidente ser instalado. Na última terça-feira, surgiu evidência muito mais forte.
A saborosa matéria do amigo Kiko Nogueira publicada no Diário do Centro do Mundo sob o título O estranho caso do desaparecimento de Moro e do casal que xingou José de Abreu trata de dois assuntos distintos, mas que encerram o mesmo fenômeno: o sumiço de pessoas que estavam em evidência.
Kiko comentou minha matéria sobre o sumiço do casal fascista que insultou o ator José de Abreu enquanto ele jantava com a esposa em um restaurante paulistano e que, de troco, ganhou cusparadas na cara:
“(…) Anna Claudia del Mar, uma ex-modelo, e seu par, um ‘advogado’ não identificado, não deram as caras publicamente.
Por quê?
Cinco dias depois do episódio, ninguém conhece o paradeiro deles. Abreu já esteve no Faustão, contou sua história — e nada da dupla aparecer para vender sua versão.
Sem precisar falar nada, já estão sendo defendidos por toda a direita. Se alegassem, por exemplo, que Zé de Abreu estava armado com uma escopeta, certamente sua verdade seria acolhida sem questionamentos.
Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, escreveu que ‘o tal advogado que agrediu José de Abreu estava no meio de uma traição à esposa, que não pode saber que ele jantava com outra mulher’.
É plausível. O dono do estabelecimento provavelmente tem o nome do rapaz, que pagou com cartão de crédito. Abreu prometeu processá-los (…)”.
Sobre esse caso, vale acrescentar que, segundo a TV Bandeirantes, Eurico Carvalho, gerente do restaurante Kinoshita, onde tudo ocorreu, contou à emissora que José de Abreu foi provocado pela ex-modelo Anna Claudia Del Mar e o namorado dela, que não teve o nome divulgado.
Mas este post não é sobre esse caso e, sim, sobre outro sumiço que o Kiko, do DCM, citou na matéria em questão. Trata-se do sumiço do juiz-espetáculo Sérgio Moro logo após a aprovação do processo de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara dos deputados.
Diz o DCM:
“(…) Desde que a Câmara aprovou o impeachment numa das sessões mais bonitas na história da democracia ocidental, Moro sumiu.
Junto com ele, foram-se os vazamentos de escândalos na imprensa. A última vez que se ouviu falar do juiz foi na coluna de Fausto Macedo no Estadão, num autovazamento temeriano.
No último dia 13, Moro, segundo Macedo, avisou a “interlocutores” que gostaria que a Lava Jato terminasse em dezembro (…)”
Pois é… E o pior é que não ficou por aí.
Na última terça-feira (27/4), a Lava Jato declarou, oficialmente, não só que vai terminar mesmo as investigações (após a aprovação do impeachment de Dilma na Câmara), mas que só aceitará uma coisa para continuar aceitando acordos de delação premiada.
Só que quem falou desta vez não foi Sergio Moro, mas o porta-voz do Ministério Público na Lava Jato, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, aquele que, em março, ameaçou me prender primeiro para só depois me processar por conta de a própria Lava Jato ter vazado sua 24ª fase e, por isso, eu ter publicado aqui no Blog que isso aconteceu.
Em entrevista à edição desta semana da revista Época, Santos Lima insinua que a investigação já alcançou seu objetivo e que, agora, só fará acordo de delação premiada se o delator tiver alguma coisa contra Lula para oferecer.
Claro que isso não é dito na matéria, mas o anúncio de encerramento da operação até o fim deste ano é tão escandaloso que permite inferir que seja essa a verdade por trás da entrevista revoltante que esse senhor concedeu à revista golpista da família Marinho.
Para ler a entrevista, clique na imagem abaixo – o post prossegue em seguida.
lava jato 1
E por que é revoltante a Lava Jato vir agora dizer que vai parar as investigações até o fim do ano? Simples, porque há cerca de três meses os membros do MP na Operação garantiram, em reportagem da Folha de São Paulo, que a operação duraria “mais três anos”, ou seja, duraria até 2018.
Para ler a matéria, clique na imagem abaixo – e o post nem precisa continuar depois dela. Está comprovado que bastou os procuradores da Lava Jato atingirem seu objetivo golpista que já perderem o ímpeto investigativo que tinham três meses atrás.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2016/04/apos-impeachment-lava-jato-muda-discurso-e-quer-parar-investigacoes/

Com o Brasil em polvorosa, STF decide sobre pipoca no cinema

28.04.2016
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Em meio a acusações criminais contra quase 200 parlamentares e denúncias contra os presidentes da Câmara e do Senado, o STF vai se debruçar sobre comida e bebida no cinema. Internautas questionaram por que, em vez de examinar a origem das pipocas, os ministros ainda não analisaram o pedido de afastamento de Eduardo Cunha da Câmara, apresentado há quatro meses

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Em meio a acusações criminais contra quase 200 parlamentares e denúncias contra os presidentes da Câmara e do Senado, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá de responder à seguinte pergunta: é uma violação à Constituição proibir a entrada no cinema de pipoca, refrigerantes e outras guloseimas compradas em outros estabelecimentos? O questionamento é feito pela Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex (Abraplex), que tenta derrubar no Supremo as decisões judiciais que consideram ilegal esse tipo de proibição, defendida pelos cinemas, que querem manter a exclusividade sobre a venda de alimentos e bebidas.
Essas decisões têm sido baseadas em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Mas, segundo a Abraplex, a medida tem causado prejuízo à livre iniciativa “sem base legal específica e em descompasso com práticas adotadas mundialmente no mesmo setor econômico”. A entidade alega que leis recentes adotadas no país autorizam a “política de exclusividade” em outras áreas, como os eventos esportivos.
A ação, que deu entrada no STF na última segunda-feira (25), ganhou repercussão ontem nas redes sociais. Internautas questionavam por que, em vez de se debruçarem sobre a origem das pipocas, os ministros não analisavam o pedido de afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Câmara, apresentado há quatro meses, e a denúncia por peculato e falsidade ideológica contra Renan Calheiros (PMDB-AL), engavetada há mais de três anos.
O pedido das empresas de cinema será examinado pelo ministro Edson Fachin, o mesmo que assumiu no ano passado a relatoria do processo de Renan. Na terça, ele deu prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre o assunto.
Em sua ação (veja a íntegra), a Abraplex diz que o expectador também é prejudicado com a liberação da pipoca e do refrigerante comprados em estabelecimentos não mantidos pelas salas de cinema.
A pretexto de tutelar os interesses dos consumidores de produtos culturais, o resultado agregado das decisões judiciais é a diminuição de oferta e o aumento no respectivo preço do serviço. Vale dizer: para tutelar um suposto direito de ingressar no cinema com o refrigerante adquirido externamente, a jurisprudência questionada deixa de levar a sério a natureza fundamental da liberdade econômica. Perdem os estabelecimentos – que ficam sem flexibilidade para montar seu modelo de negócio e padronizar sua logística –, e perdem os expectadores, incluindo aqueles que não têm por hábito consumir alimentos e bebidas nos cinemas”, alega a associação.
Paralelamente, a entidade solicita ao STF que, caso não aceite seu questionamento em caráter liminar, receba sua demanda como uma ação direta de inconstitucionalidade. Nesse caso, a Abraplexcobra uma interpretação definitiva sobre a chamada “venda casada”. “A interpretação requerida deverá descartar a possibilidade de autuação, por parte dos órgãos de defesa do consumidor, ou de condenação judicial de empresas cinematográficas que resolverem vedar a entrada de produtos adquiridos externamente, uma vez que se cuidaria de extensão inválida do dispositivo legal”, requer a entidade. Não há data para uma decisão do ministro Fachin sobre o assunto.
Congresso em Foco
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/04/com-o-brasil-em-polvorosa-stf-decide-sobre-pipoca-no-cinema.html

Milagre, fé e razão são abordados no filme "Milagres do Paraíso", da Sony Pictures, que estreia essa semana nos cinemas

28.04.2016
Do blog ULTIMATO ON LINE
Por Érika Mendes Bergamaschi


O filme Milagres do Paraíso (Miracles from Heaven), baseado no livro ‘Milagres do Céu”, de Christy Beam, conta a história real da família Beam e mostra o desafio de praticar a fé quando parece que Deus opta por se calar. Christy (Jennifer Garner) é mãe de três meninas doces e diferentes. Seu marido, interpretado por Martin Henderson, é veterinário. Além de um pai amoroso e dedicado, ele é um homem de muita fé. 

Além de uma delicada situação financeira, a família se vê diante de um sério problema: a filha do meio do casal, Anna (Kylie Rogers), desenvolve uma doença rara no estômago, que a impossibilita de ingerir qualquer tipo de alimento. Chirsty se mostra uma guerreira e não descansa enquanto não encontra uma solução para a doença da filha. Nessa busca, elas conhecem algumas pessoas que se mostram ‘anjos’, como a garçonete interpretada por Queen Latifah.

Anna, apesar de ter apenas 10 anos, sempre acreditou muito em Deus. Mas, em razão da jornada no hospital ser longa e desgastante, ela começa a apresentar sinais de depressão e perde a esperança de um dia voltar a ser uma criança normal. Enquanto isso, sua mãe, Chirsty, parece já ter perdido a fé.

Em estado depressivo, Anna volta para casa para ser tratada com o apoio e cuidado da família. Um dia, ela é convidada para brincar com suas irmãs, que fazem de tudo para reanimá-la, e inesperadamente, ao tentar subir em uma arvore no quintal da família, ela sofre um acidente e cai dentro do tronco da árvore (altura de um prédio de três andares). 

Depois de horas e muitos esforços dos bombeiros, a menina finalmente é resgatada e levada para o hospital. Após muitos exames, para a surpresa de todos e, principalmente de Chirsty, Anna simplesmente está curada e muito mais ativa do que antes. Sem entender, os pais chamam a filha para conversar e ouvem dela que, ao cair na arvore, foi levada ao céu, conversou com Deus e retornou, totalmente curada.

O enredo também mostra como as pessoas, principalmente os cristãos, reagem quando alguém está enfrentando um momento muito difícil, que só pode ser resolvido por Deus. Na história, a fé e a razão de Chirsty se chocam, e ela, como ser humano, mostra fraquezas e dúvidas em relação ao que realmente acredita. Os personagens reais do drama aparecem no final do filme, deixando o público ainda mais admirado com a vitalidade da verdadeira Anna.

Milagres do Paraíso, da Sony Pictures, que estreia dia 21 de abril, convida o público a refletir sobre como Deus pode e faz milagres.

Confira o trailer


Nota: Érika Mendes Bergamaschi é jornalista e foi convidada por Ultimato para assistir a pré-estreia do filme em São Paulo.


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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/04/28/um-golpe-na-mais-perfeita-normalidade/

Um golpe, na mais perfeita “normalidade”

28.04.2016
Do blog O CAFEZINHO
Por  Celso Vicenzi

Brasília- DF- Brasil- 14/04/2016- Plenário do STF cancela sessão de julgamentos e convoca sessão extraordinária, para analisar processos sobre rito do impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
STF: em 64 ou agora, tudo dentro da “normalidade”
Jornalistas e colunistas brasileiros amestrados (fazem direitinho o que os patrões querem) se recusam a ver sinais de golpe no impeachment que não conseguiu demonstrar crime de responsabilidade da presidenta Dilma Roussef. Oscilam entre a tese equivocada de que impeachment é apenas um ato político, o que é falso, pois tem também um componente jurídico, como já alertou o ministro Marco Aurélio Mello, e o argumento de que o STF tem legitimado tudo o que está acontecendo. E que portanto, o golpe (ôps, eles preferem impeachment), acontece dentro da mais perfeita “normalidade”. É certo que alguns ministros do STF possam divergir de Marco Aurélio Mello, mas se consultarem direitinho a Constituição, terão que apelar para malabarismos jurídicos para fugir à obviedade. Embora, claro, sempre possível e ao alcance da literatura jurídica , misturado a uma  certa dose de irresponsabilidade.
Sobre o primeiro tópico, o que aconteceu no dia 17 de abril de 2016, na Câmara, já responde ao equívoco, visto que os deputados fizeram de tudo menos julgar as pedaladas fiscais. Tiveram, certamente, bons motivos: informa um jornalista de O Globo que nos corredores da Câmara havia comentários sobre ofertas de R$ 2 milhões por um “sim” ao impeachment.
Não bastasse tudo isso, como um presidente da Câmara, que responde a diversos processos e foi flagrado em vários atos de corrupção pode, por vingança, comandar uma votação para destituir uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade? E o que dizer sobre centenas de deputados que também respondem a processos na justiça? O próprio relator do impeachment, deputado Jovair Arantes, três dias depois da votação de domingo, foi condenado pelo TRE-GO a pagar multa pelo uso indevido de serviços de funcionário público em seu comitê de campanha eleitoral em 2014, durante horário normal de expediente.
Só a nossa mídia, cada vez mais manipuladora e conspiradora para não enxergar arbitrariedades em tudo isso. Sem falar que, há muito tempo, sabe-se que o enorme poder de Cunha sobre parcela expressiva do Congresso não vem da sua capacidade de diálogo. Num Parlamento com tantos corruptos, o toma-lá-dá-cá obedece a outro nível de convencimento. Que o digam os dólares que Eduardo Cunha têm depositado na Suíça.
Mas nada disso chama a atenção da nossa “atenta” mídia, que viu em pedaladas fiscais, que não causam prejuízos aos cofres públicos e muito menos o enriquecimento ilegal de pessoas, motivo para configurar um crime. E em nenhum momento, essa mesma mídia especula sobre o que acontecerá com quase duas dezenas de governadores que assinaram as mesmas pedaladas – Alckmin assinou 31. E por que nunca foram objeto de punições, anteriormente? E nem o serão no futuro? Ou alguém acha que os governadores também serão “impichados”? Impressiona como a jurisprudência no país têm mudado sempre que o réu pertence a um certo partido político. Justamente o partido que elevou o país a um patamar de mudanças e melhorias sociais jamais anteriormente alcançado.
Quanto ao STF funcionar normalmente e não se manifestar contrariamente ao prosseguimento do impeachment, é outro argumento falso, pois o Tribunal também não se insurgiu contra o golpe golpe civil-militar de 64 e em vários momentos chegou a apoiá-lo. O ministro Ribeiro da Costa, presidente do STF, à época, declarou (Jornal do Brasil, 4/4/64): “O desafio feito à democracia foi respondido vigorosamente. Sua recuperação tornou-se legítima através do movimento realizado pelas Forças Armadas, já estando restabelecido o poder de Governo pela forma constitucional”.
Portanto, não é o fato do poder Judiciário abrir as portas e funcionar diariamente que indica a inexistência de um golpe no país. Algumas “normalidades” não são suficientes para esconder as arbitrariedades e os crimes contra a democracia. Lembremos, ainda, outro ato infame do STF: permitir que Olga Benário, judia, grávida, fosse deportada em 1936 e entregue às forças nazistas alemãs, onde viria a ser executada na câmara de gás.
O caso atual é, certamente, de feição inusitada, visto que não há tanques ou rifles apontados para o poder Judiciário e, mesmo assim, estranhamente o Tribunal mantém-se omisso em relação ao impeachment perpetrado por parlamentares que, se houvesse justiça, muitos deles já deveriam estar presos e o relatório não seria nem mesmo votado, por vício de origem.
É um dado novo que as democracias, no mundo inteiro, terão que repensar. Afinal, quando o poder Judiciário, por alguma razão, não coíbe as arbitrariedades contra a democracia, estamos diante de um novo tipo de golpe, em que o Legislativo e o Judiciário são protagonistas, com forte apoio da mídia. Mesmo assim, que ministros e ministras do STF não tenham a mesma ilusão de Michel Temer, porque a história não deixará de apontar a responsabilidade de cada um(a) nesse grave momento.
Desde o início da Operação Lava-Jato, sob o comando de um juiz de primeira instância, o foco sempre foi vasculhar casos de corrupção que envolvessem Dilma, Lula e o PT. Os dois primeiros, apesar de vítimas de escutas ilegais, do uso de métodos questionáveis de delação premiada que preservaram vários políticos de outros partidos citados por delatores, e de terem suas vidas e de familiares vasculhadas incessantemente, nada foi encontrado de consistente contra ambos. E, no entanto, essa obsessão investigatória partidarizada, comandada por um juiz de primeira instância, sempre foi prestigiada pelo STF, que raras vezes se manifestou e menos ainda achou motivos para intervir.
A omissão do STF tornou o juiz Moro uma celebridade nacional, assim como num passado não muito distante, um certo “caçador de marajás” também foi alçado pela mídia à condição de herói, o que o levou, inclusive, à presidência da República.
A omissão do STF também deu sinal verde para criminosos agirem no Congresso Nacional e levarem adiante um processo de impeachment que já nasceu viciado e irregular em sua origem, mas que é sustentado por uma mídia oligopolizada totalmente em desacordo com a narrativa de jornalistas de outros países que confessam o seu estarrecimento diante de tantas arbitrariedades e da fragilidade com que se destrói a democracia brasileira.
O mais famosos deles, o premiado jornalista Glenn Greenwald, em entrevista a uma emissora de TV norte-americana disse que em toda a sua vida profissional, cobrindo a política em vários países, nunca viu situação semelhante. “É surreal”, sublinhou, que centenas de parlamentares acusados de corrupção e outras arbitrariedades, que respondem a processos em várias instâncias, inclusive no STF, comandados por um presidente da Câmara que tem milhões de dólares fruto da corrupção depositados na Suíça, decidam pelo impeachment de Dilma, que não é acusada de nenhum ato de corrupção ou nenhum crime de responsabilidade.
Mas nada disso tira o sono de nossos “vigilantes” ministros do STF, que dormem em “berço esplêndido”, enquanto a democracia é golpeada por um “sindicato de ladrões” – como definiu Ciro Gomes – com a ajuda inestimável da mídia, de setores do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal, dos donos do capital e certamente com o suporte da nação mais interessada em recuperar o “quintal da América Latina” – como já ocorreu no passado, hoje fartamente documentado.
Eduardo Cunha, o cínico, justificou o seu voto pelo impeachment dizendo: “Que Deus tenha misericórdia desta nação”. Se nem mais ao bispo – pelo menos não ao de Diamantina, inimigo mortal das “jararacas” – podemos nos queixar, só mesmo apelando direto para Deus. Ou, para quem não crê em justiça divina, para a resposta de um povo roubado em 54 milhões de votos.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/04/28/um-golpe-na-mais-perfeita-normalidade/

Aragão: o Golpe é um jogo de cartas marcadas

28.04.2016
Do blog CONVERSA AFIADA
Por  Paulo Henrique Amorim

Anastasia relata no Senado e Temer conspira...
constituição.jpg
No G1:
(...)

'Cartas marcadas'

Na entrevista, o ministro [da Justiça, Eugênio Aaragão] classificou como "de cartas marcadas" o processo de impeachment em tramitação no Senado. Ele afirmou que o relator escolhido pela comissão especial do impeachment, senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) é "suspeito".

"Quando você tem um relator, que ele mesmo praticou as chamadas Pedaladas enquanto governador do Estado de Minas, julgando as chamadas 'pedaladas' ou, vamos dizer, as notícias de 'pedaladas' que são atribuídas à presidenta da República, fica realmente muito complicado a gente fazer qualquer tipo de avaliação  sobre um procedimento desse. Ele não transparece ser muito legítimo quando a gente tem um relator suspeito, né?", afirmou.

Para Aragão, assim como já afirmou a própria Dilma Rousseff, o vice Michel Temer é quem está "à frente de todo esse processo de golpear nossa presidente".

"Ao que tudo indica, é um jogo de cartas marcadas. O que menos interessa neste momento parece ser o argumento, o argumento racional. O que mais interessa agora parece ser tirar a presidenta do lugar em que ela foi colocada pelo voto dos brasileiros. Aliás, é muito curioso porque o próprio vice-presidente, que está à frente de todo esse processo de golpear nossa presidente, ele já está, através de terceiros, anunciando seu ministério", afirmou.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/aragao-o-golpe-e-um-jogo-de-cartas-marcadas