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terça-feira, 19 de abril de 2016

GOLPISTAS TRAIDORES DO BRASIL: PAULO PIMENTA ANALISA OS MOTIVOS GEOPOLÍTICOS POR TRÁS DO GOLPE

19.04.2016
 Do BLOG DOS SERVIDORES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, 03.04.16

Deputado Paulo Pimenta apresenta um organograma do envolvimento entre FHC e as organizações Globo. Foto Lula Marques/Agência PT
Deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) traçou uma análise dos fatores geopolíticos que estão por trás da tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma Rousseff; segundo o parlamentar, o fim do protagonismo político e econômico brasileiro conquistado nos últimos anos, utilização de meios de espionagem internacional, além do financiamento de organizações de direita e a entrega do petróleo, tudo está previsto no Manual de Forças Especiais de Guerra Não-convencional dos Estados Unidos.
247 – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) fez uma análise para a Revista Fórum dos fatores geopolíticos que estão por trás da tentativa de golpe contra o governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo o parlamentar, o fim do protagonismo brasileiro, espionagem internacional, financiamento de organizações de direita e a entrega do petróleo está previsto no Manual de Forças Especiais de Guerra Não-convenciona dos Estados Unidos.
Segundo Pimenta, em 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva fortaleceu o Mercosul, participou da criação do Banco dos Brics e conseguiu emplacar brasileiros no comando da FAO e da OMC, sem contar o fato de contribuir para uma correlação de forças não alinhadas com os EUA na América Latina.
“O golpe que atualmente se articula reúne forças políticas que militam contra essa política externa independente; forças que, como lembra Marcelo Zero, propugnam a assinatura de “acordos de livre comércio assimétricos, como o Acordo Comercial Transpacífico (TTP) e o Acordo Transatlântico de Comércio e Investimentos (TTIP)”, e também o abandono do Mercosul e da alta prioridade dada aos BRICS e a outros foros que conduzem a um mundo mais multipolar”, destaca o parlamentar.
Ainda segundo a análise de Pimenta, a participação das grandes construtoras brasileiras em inúmeros projetos de infraestrutura na América Latina, Caribe e África ampliava o protagonismo econômico e político brasileiro, “mas, agora, com essas empresas fragilizadas pela Operação Lava Jato, tais mercados ficam mais abertos a investidas dos EUA, Europa e China”.
Pimenta lembra ainda que Edward Snowden, ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA), divulgou, em 2013, que sua agência espionava a Petrobras. “Em 2014, por coincidência ou não, começou de forma ostensiva a Operação Lava-Jato, que investiga desvios na Petrobras. Em 2016, coincidência ou não, começa a ganhar força, no Congresso brasileiro, a possibilidade de aprovação de uma lei que acaba com o regime de partilha do pré-sal, abrindo-o para a exploração por empresas internacionais do Petróleo. Os promotores dessa ideia são justamente os opositores do Governo Dilma”, destaca.
Por fim, o parlamentar gaúcho oberva que a Operação lava Jato tem sido empregada como uma espécie de “instrumento jurídico-político com claro objetivo de prender Lula (sem que tenha cometido algum crime) e de desestabilizar o governo Dilma”., além de estar repleta de irregularidades.
Ainda no texto, Pimenta relembra que o “Manual de Forças Especiais de Guerra Não-convencional dos Estados Unidos explicita que os esforços desse tipo de guerra é explorar vulnerabilidades de “poderes políticos hostis”, como talvez o Brasil seja considerado”, além de “perturbar projetos transnacionais multipolares por meio de conflitos”, estimulando grupos políticos antagonistas e as fragilidades internas nos países alvo.
Por último, o artigo observa que “o Movimento Brasil Livre (MBL) é uma marca criada pelo Estudantes pela Liberdade “para participar das manifestações de rua sem comprometer as organizações americanas que são impedidas de doar recursos para ativistas políticos pela legislação da receita americana (IRS)””.
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Fonte:https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=6270130302447890955#editor/target=post;postID=1871685207550045190

Uma turba perigosa e sem escrúpulos

19.04.2016
Do portal do jornal português  PÚBLICO, 18.04.16
Por MANUEL CARVALHO 

Durante três penosas horas, a Câmara dos Deputados em Brasília dedicou-se a debater a destituição da Presidente Dilma Rousseff e transformou-se nesse lugar estranho onde subsiste o pior que há no Brasil: a política. O deplorável ambiente de comício, a inacreditável facilidade com que se trocavam insultos, a essência do Estado laico a ser torpedeada por persistentes clamores evangélicos, o deboche egocêntrico que levou uns a citar os filhos e outros os lugarejos de origem (sempre deu para saber que no Maranhão existe uma Itapecuru) foram apenas mais uma prova de que o Brasil está entregue a uma horda de predadores a quem não se pode confiar uma chave de casa, quanto mais o destino de uma Presidente eleita. Miguel Haddad, do PSDB (oposição), sobressaiu nesse festival de vaidades e vacuidades ululantes ao dizer que “o nosso país precisa de fazer sentido”. É precisamente isso que falta na história do impeachment de Dilma: lógica, coerência, objectividade, reflexão, ponderação, tolerância e democracia. Ou, se quiserem, sentido.

Entre as intervenções dos 25 partidos e as dos líderes das bancadas do Governo e da minoria, raramente se falou no que estava em causa. O relatório apresentado pelo deputado Jovair Arantes, que justificava o impeachment, passou ao lado das intervenções. O que se viu e ouviu nessa feira de vaidades foi o perfume inebriante do ódio acirrado pelo medo. E o anseio de oportunidades que a possível viragem no ciclo político sempre propicia a uma alcateia de deputados que, em 60% dos casos, tem casos pendentes na justiça.

Dilma violou a lei ao usar dinheiro da banca pública para financiar programas do Governo e, sim, Dilma violou a lei da Responsabilidade Fiscal. Mas, num país informal onde o Tribunal de Contas é um patinho sentado, se essa fosse causa para a destituição, há muito que o Planalto ou as sedes dos governos estaduais eram uma permanente dança da cadeira. Dilma e o PT estão acossados porque governaram mal, porque se agarraram ao poder como lapas, porque facilitaram gigantescos esquemas de tráfico de influência onde grassou a corrupção, porque a economia está de rastos, porque a Presidente mandou na Petrobras nos anos tenebrosos dos negócios espúrios e desvios colossais, mas o impeachment não tem nada a ver com isto. Tem a ver com supostas violações de regras que podem ser objecto de censura política mas nunca de recurso à bomba atómica do sistema político brasileiro, oimpeachment.

Se alguma utilidade teve o penoso exibicionismo dos deputados brasileiros na tarde deste domingo foi o de provar isso mesmo. Que o que está em causa é apenas um expediente legal e processual para derrotar no parlamento o que o PT ganhou nas urnas. A tese do golpe não é por isso absurda. O que é absurdo é que a multidão que estava a julgar o destino de uma Presidente inepta, arrogante e incompetente, mas apesar de tudo com a ficha limpa na Procuradoria, tenha na sua maioria contas a prestar na Justiça. O que é incompreensível é que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seja ele próprio um dos campeões das suspeitas de corrupção. O que é sem sentido é que o grande guru da operação, Michel Temer, possa escapar das acusações de violações à lei quando foi até há pouco vice de Dilma. Ganhe ou perca este combate (o processo passa agora para o Senado), a Presidente é passado e o pior é que não se vislumbra nenhum futuro. Com uma Câmara de Deputados assim, histriónica, acéfala, umbiguista e demagógica, mais do que Dilma, o que está em perigo permanente é a democracia.
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Fonte:https://www.publico.pt/mundo/noticia/uma-turba-perigosa-e-sem-escrupulos-1729362

The New York Times diz que impeachment no Brasil é 'referendo sobre o PT'

19.04.2016
Do blog PRAGMATIMO POLÍTICO

Editorial do The New York Times questiona impeachment no Brasil e afirma que processo é, na verdade, um “referendo sobre Partido dos Trabalhadores”. Jornal afirma que Dilma Rousseff está sendo responsabilizada por práticas que foram cometidas por outros políticos sem tanto “escrutínio”.

the new york times impeachment dilma

O jornal norte-americano The New York Times afirmou,em editoral nesta segunda-feira (18/04), que o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff é um “referendo sobre Partido dos Trabalhadores”.
Em editorial, a publicação diz que o processo contraDilma Rousseff envolve mais do investigar supostos crimes que, segundo o jornal, foram cometidos por outros políticos sem tanto “escrutínio”.
Leia:


De acordo com o NYT, o impeachment é um “referendo” da legenda que atualmente ocupa a Presidência da República. “Em essência, é um referendo sobre o Partido dos Trabalhadores, que está no poder desde 2003”.
A publicação diz que Dilmareeleita em 2014 para um mandato de quatro anos, “está sendo responsabilizada pela crise econômica do país e pelas investigações de corrupção que envolvem muito da classe política brasileira”.
O jornal fez referência à entrevista coletiva à imprensa de Dilma na segunda-feira (18/04), em que a mandatária disse estar sendo vítima de um “golpe”, e afirma que a presidente tem duas principais alternativas: convocar novas eleições ou “lutar contra o impeachment com esperança reconquistar de alguma forma a confiança do público”.
Segundo o NYT, se Dilma Rousseff se mantiver no cargo, terá que apresentar uma visão clara para recuperar a economia brasileira e “erradicar o tipo de corrupção que se tornou negócio em Brasília”.
Opera Mundi
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/04/the-new-york-times-diz-que-impeachment-no-brasil-e-refendo-sobre-o-pt.html

A legitimidade do impeachment construída pela grande mídia

19.04.2016
Do portal da Revista Carta Capital, 18.04.16
Por Mônica Mourão e Helena Martins* 

A aprovação do impedimento de Dilma foi alvo de uma construção de sentidos junto à “opinião pública” e se mostrou elemento essencial deste jogo. por Intervozes 

Página 12
A ausência de discussões profundas sobre a situação do país e o excesso de discursos reacionários que vimos no domingo 17 não se restringiram às falas de parlamentares na Câmara dos Deputados. Nos últimos meses, foram recorrentes também nos meios de comunicação brasileiros.
Desde o ano passado, toda uma construção de sentidos veio legitimando a aprovação daadmissibilidade do pedido de impedimento da Presidenta Dilma Rousseff. Assim, a “opinião pública” - em essência, a “opinião publicada” pelos órgãos de comunicação hegemônicos –, um elemento essencial deste processo, se mostrou garantida neste jogo.
Não era preciso, portanto, ir muito além neste domingo. Assim, a cobertura do dia da votação foi permeada por uma maior sutileza em relação à exposição dos posicionamentos dos grandes conglomerados midiáticos – seguindo a tendência dos últimos dias, como já tínhamos mostrado neste blog.
Exceções em tom mais agressivo ficaram a cargo de emissoras de rádio como a Jovem Pan, que transmite em cadeia nacional e manifestou sistematicamente, num discurso grosseiro e conservador, seu apoio à queda do governo.
A TV Globo anunciou que acompanharia as movimentações no Congresso Nacional a partir das 9h da manhã. Poucos minutos depois, começou a entrar com flashes do jornalismo em meio à programação de esportes e entretenimento.
A partir das 14h, com o início da sessão na Câmara, deu exclusividade à cobertura política. Durante todo o dia, o equilíbrio da reportagem foi bem maior do que no início da crise, quando a Globo atuou como agente político importante, conclamando a população a ir às ruas contra o governo.
Contudo, o equilíbrio pretendido foi apenas aparente. Uma análise atenta permite perceber as artimanhas do discurso. Até o início da votação, ele se baseou principalmente em dois pilares complementares: a defesa da legitimidade do processo de impeachment e das manifestações de rua a favor da derrubada da Presidenta.
Logo em sua primeira participaçãoAlexandre Garcia tratou da derrubada de Fernando Collor, comparando os dois processos. Segundo o jornalista, desta vez, houve bem mais tempo entre o pedido de saída da Presidenta e sua análise pela Câmara do que ocorreu com Collor, em 1992.
Garcia também afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) legitimou o processo, ignorando as opiniões contrárias de dezenas de juristas que defendem não haver motivos legais para o impedimento de Dilma e o fato do Supremo ter se debruçado sobre o rito e não sobre o mérito da questão.
Mais tarde, destacou os atos pró-impeachment, dizendo que “a cidadania está nas ruas, mostrando que não fica em casa pra ver a banda passar”. As “ruas” foram identificadas com uma parte dos manifestantes apenas, constituindo mais um argumento a favor da legitimidade da mudança no comando do país.
Ao longo das entradas ao vivo dos atos, os milhares de manifestantes que saíram às ruas em todo o país contra a medida foram caracterizados como ligados a partidos políticos, à base aliada do governo, a centrais sindicais e ao PT (representado pela cor vermelha, ignorando que o simbolismo político dela é mais amplo e anterior à existência deste partido).
Na manhã da segunda 18, a manchete na capa do portal d'O Globo era nítida: “Manifestantes contra Dilma comemoram; petistas choram”. Dessa forma, a legitimidade das “ruas” foi construída de acordo com a agenda política da emissora, que optou inclusivepor invisibilizar setores críticos ao governo, mas que protestaram em defesa da democracia.
Cobertura rasa
A estratégia do Grupo Globo, seguida por boa parte da mídia brasileira, também se manifestou na cobertura rasa dos fatos e na ausência de jornalismo de fato. Registros dos atos e de declarações de deputados foram abundantes. Não se viu, contudo, apuração, investigação, contextualização e problematização do processo em curso.
Os argumentos que embasam o pedido de impeachment não foram apresentados, muito menos os de sua defesa. Nenhum convidado externo – nem mesmo um "especialista" alinhado ao posicionamento da Globo – foi convidado a discutir a situação do país.
Ao longo de toda a manhã, a GloboNews, principal canal jornalístico do país, se limitou a acompanhar atos favoráveis e contrários ao impeachment em diversas cidades, na cobertura comandada por Leilane Neubarth e Raquel Novaes. Uma vez mais, a escolha dos ângulos das imagens, em geral, favoreceu o primeiro grupo. Imagens muito abertas ou muito fechadas do ato em Copacabana contra o impeachment deram a entender que a quantidade de presentes era menor do que a realidade.
No Salão Verde da Câmara, após uma das entrevistas de Cristiana Lôbo com deputados, ao falarem dos parlamentares indecisos, Novaes chegou a questionar se a indecisão era porque eles não teriam chegado a uma conclusão jurídica ou se, de fato, o processo estava completamente "politizado". A pergunta ficou sem resposta.
Apesar da crise profunda que vivemos, a política foi reduzida pelos meios de comunicação a artimanhas de bastidores e o processo do impeachment, a uma troca de ocupantes da cadeira. Assim, a suposta imparcialidade escondeu, na verdade, a escolha de não aprofundar a análise do fato e de suas implicações para o presente e o futuro do país.
A mesma abordagem tem marcado a cobertura do dia seguinte à votação. Os principais canais de TV insistem apenas em recuperar os números e movimentações que ocorreram no domingo e a descrever as próximas etapas do afastamento, agora no Senado. As críticas, uma vez mais, ficam a cargo da imprensa internacional.
O conservador La Nación, da Argentina, falou em “vergonhosa tentativa de golpe”. OPágina 12 tamém destaca, na capa desta segunda, a ocorrência de um golpe, anunciado em letras garrafais na edição. A votação de domingo é definida assim: “em um virtual golpe institucional, a Câmara dos Deputados do Brasil, presidida pelo político mais denunciado por corrupção, aprovou o impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff”.
Cunha protegido 
Se lá fora a ficha corrida de Eduardo Cunha é considerada um elemento central deste processo, por aqui ela está longe de ganhar destaque. A TV Globo, antes da votação, cuidou de contextualizar seletivamente as figuras políticas envolvidas no jogo. Enquanto o líder do governo José Guimarães (PT) mereceu uma associação airmão José Genoíno, condenado no processo do mensalão, o presidente da Câmara não teve sua reputação posta em xeque.
William Bonner chegou a lembrar que ele é alvo de processos, mas sem explicar quais ouinformar que já há provas contundentes de corrupção praticada por Cunha, réu no Supremo Tribunal Federal e investigado pela Comissão de Ética da Câmara. Afinal, colocar dúvidas sobre quem conduz o processo de impeachment seria questionar a própria legitimidade da ação contra Dilma.
A imprensa escrita também aliviou para Cunha. Em matéria da Folha de S. Paulo que detalha biografias de participantes dos processos de Collor e de Dilma, Cunha é descrito como “presidente da Câmara dos Deputados, acolheu pedido de impeachment contra Dilma após ter perdido apoio do PT contra sua cassação”.
Já Dilma é a “acusada de ter praticado as pedaladas fiscais, entre outros” e Lindberg Farias é “senador (PT-RJ) investigado pela Operação Lava Jato, é um dos defensores de Dilma; afirma que o impeachment é ‘golpe’”.
Ao olharmos para a imprensa internacional, a diferença de abordagem fica clara. Nos últimos dias, The New York TimesThe Wall Street Journal e The Washington Post, os três principais jornais americanos, destacaram as acusações que pesam contra aqueles que conduzem o processo de impeachment, especialmente Eduardo Cunha.
Nesta segunda, o britânico The Guardian, ao comentar a derrota do governo, não apenas citou corruptos como Cunha, Paulo Maluf e vários outros deputados que votaram contra Dilma quanto destacou o teor reacionário de suas falas.
Numa noite escura, o ponto mais baixo foi quando Jair Bolsonaro, um deputado de extrema direita, dedicou o seu voto ‘sim’ à Carlos Brilhante Ustra, um coronel que chefiou a unidade de tortura do Doi-Codi contra a ditadura. Rousseff, uma ex-guerrilheira, estava entre os torturados”, escreveu o correspondente, fazendo críticas a diferentes partidos políticos brasileiros.
Depois das falas ouvidas neste domingo na Câmara, está claro que os desafios colocadossão enormes. Um deles, até hoje não efetivado, embora reivindicado historicamente, é umamudança estrutural no sistema de comunicação do país. Ou enfrentamos esse debate, mesmo em meio à crise, ou não garantiremos qualquer diversidade de vozes e opiniões na mídia, e o poder da liberdade de expressão seguirá nas mãos de poucos.
Outras vezes veremos a democracia ser atropelada pela articulação de instituições que se valem de seu poder político, econômico e simbólico para definir os rumos da vida coletivado país. O Brasil acordou hoje mais cinza. E isso se deve também à ausência de reformas e à atuação dos meios de comunicação no jogo político.
* Helena Martins e Mônica Mourão são jornalistas e integram o Intervozes. Colaborou Iara Moura.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/blogs/intervozes/a-legitimidade-do-impeachment-tramada-pela-grande-midia

Emanuel Cancella: Citar família era a senha para os golpistas receberem a mala de propina?

19.04.2016
Do blog VI O MUNDO, 18.04.16
compra-de-votos

A senha da mala dos golpistas era citar a família?
Chamou atenção dos brasileiros, no processo de impeachment da presidente Dilma, o fato de os deputados, que votaram pela sua admissibilidade, fazerem referência à família, pai, mãe, filho e esposa. Pouquíssimos falaram na motivação de seu voto, mas todos falaram da família.
Todos sabemos que a maioria dos votantes tem, como motivação, além de seus argumentos mais pífios, a retaliação contra o PT, Dilma e Lula. Até o New York Times reconhece a inocência de Dilma, então é impossível que um parlamentar brasileiro não saiba disso.
Por isso é estranho que os parlamentares possam ter envolvido a família num voto que ele(a) sabe que pode ter todos os embasamentos, menos a verdade, e, por mais cretina que seja essa pessoa, não iria envolver sua família numa coisa espúria dessa. Até porque a maioria acredita em Deus e muitos são religiosos!
Por isso, movido pela minha intuição conspiratória, acredito que a senha para receber a mala, que dizem que rolou, era citar a família.  Dentro da minha tese, o que reforça minha desconfiança, foi um parlamentar, que não me lembro o nome, após votar, retornou bem depois ao microfone para homenagear a família. Como foi o único a voltar ao microfone fica fácil a lembrança.
Outra coisa, a deputada Raquel Muniz (PSB), proferiu seu voto pelo impedimento e elogiou seu marido, o prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Adriano Borges Muniz (PSB), e hoje, 18, seu marido foi preso pela PF. Creio que uma deputada que estaria votando para combater a corrupção e por um novo país não iria citar um marido envolvido em falcatruas, a menos que isso fosse fundamental, por exemplo, como uma senha de acesso à mala.
Segundo o renomado economista José Carlos de Assis aconteceu uma reunião, convocada pela Fiesp, no sentido de comprar o voto dos parlamentares a favor da saída da Dilma, no seguinte montante: Fiesp, 300 milhões; FIRJAN, 100 milhões e Federação das Indústrias do Paraná e Rio Grande do Sul de 50 milhões cada.
Fica aí minha contribuição aos órgãos investigatórios, Justiça, MPF e PF, até para deixar claro que não houve pagamento de propina, e que o voto dos parlamentares não teve outra motivação senão o bem do país!
Rio de Janeiro, 18  de abril de 2016
Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).
Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/emanuel-cancella-citar-a-familia-era-a-senha-para-os-golpistas-terem-acesso-a-mala-de-propina.html

Brito e o Golpe: PiG não contava com a imprensa mundial

19.04.2016
Do blog CONVERSA AFIADA, 
Por Paulo Henrique Amorim

"Dilma está sendo derrubada por uma assembléia geral de ladrões presidida por um ladrão”.
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De Fernando Brito, no Tijolaço:

A vergonha mundial ainda protege o Brasil

Xico Sá faz uma observação preciosa hoje: “a imprensa brasileira não contava com a imprensa mundial”.

De fato, além da silenciosa imobilidade dos militares, o mundo é um dos maiores (e como o mundo é grande) obstáculo a que o espasmo golpista ainda não tenha consumado sua obra nefasta.

Você certamente está vendo como aquilo que chamamos aqui de Circo dos Horrores , ainda no princípio da votação, está repercutindo pelo planeta.

Posto, ao final do post, a análise do comentarista da TV SIC (Sociedade Independente de Comunicação, emissora privada de Portugal), Miguel Sousa Tavares afirma que “nunca viu o Brasil descer tão baixo”.

Diz, sem meias palavras: “Foi uma assembleia geral de ladrões, presidida por um ladrão”.

Coisa que dezenas de comentaristas políticos deste país acham e que nenhum deles tem coragem de dizer.

É preciso que venham blogueiros para chamas as coisas  pelo nome que chamei: suinocracia.

É bem verdade que alguns deles agora, com a overdose de provincianismo canalha daquela noite estejam se dizendo chocados. Até Joaquim Barbosa vem agora dizer que “é de chorar de vergonha” e patético o que se passou.

Ora, passou-se porque a imprensa estimulou e a Justiça deixou, porque não só há as ações quanto os motivos para Eduardo Cunha já ter sido apeado, há muito tempo na presidência da Câmara e, em consequência, daquele escárnio que assistimos.

Embora aquela chusma de canalhas tenha responsabilidades das quais não poderão fugir, a verdade é que são simples agentes de pessoas muito bem postas e que não clamam a Deus nem ao  amor de seus filhinhos, mas ao dinheiro.

Foi esta gente, que, se servindo do bando de energúmenos eleito por um sistema eleitoral comandado pelo dinheiro, colocou o Brasil nesta impensável situação de um retrocesso que reduz um dos maiores países do mundo à condição de “banana republic” centroamericana.

Repito o escrito ainda na madrugada da vergonha: “Nada, nenhum argumento político ou jurídico será mais desmoralizante, aqui ou lá fora, para o golpe no Brasil que o comprometimento e o comportamento de seus agentes executores.”

Mas repito tudo, porque eles são mesmo apenas os agentes executores. Os seus autores, as elites brasileiras, sua mídia e uma Corte Suprema  que sabia e sabe perfeitamente com quem lidava ao autorizar a consumação daquela tragédia é que são seus autores.

Esta é a razão que os impede de usar a frase simples, direta, cristalina, que não se  ouve aqui sem o sotaque de português: Dilma está sendo derrubada por uma assembléia geral de ladrões presidida por um ladrão”.

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/pig/brito-e-o-golpe-pig-nao-contava-com-a-imprensa-mundial

Na Galeria dos Hipócritas, Raquel Muniz: Disse que o marido preso era exemplo, mas ambos foram acusados de montar fura fila de pacientes para elegê-la

19.04.2016
Do blog VI O MUNDO
Por Luiz Carlos Azenha

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A casa da família em Montes Claros e o encontro com o presidente da Câmara antes da votação: o marido posteriormente preso, Cunha e a deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG)

O Viomundo está criando a Galeria dos Hipócritas, em espaço especial que será criado no site.

Trata-se de um banco de dados daqueles que votaram na abertura de processo de impeachment de Dilma Rousseff por pedaladas fiscais, para consulta em futuras eleições.

Nada contra quem votou a favor ou contra.

Trata-se de observar a relação entre o discurso e a prática daqueles que discursaram ao longo do processo.

Vamos criar financiamento para o projeto através do Catarse, com o objetivo de acelerar o trabalho.

Contamos com a colaboração dos internautas, que podem enviar dicas paragaleriahipocritas@gmail.com.

Informações locais são sempre importantes para dar início às investigações, que gostaríamos de tornar contínuas.

As postagens serão atualizadas para acréscimo de informações, documentos e direitos de resposta (no Viomundo, é automático, bastando envio de e-mail para o endereço citado).
Vamos nos basear em documentos oficiais e oferecer links para a mídia regional ou local — sem endossar o conteúdo.

Textos assinados por mim, Conceição Lemes ou alguns de nossos jornalistas-colaboradores refletirão o ponto-de-vista do site.

Nosso primeiro caso é o da deputada federal Raquel Muniz, do PSD de Minas Gerais.


Palavras dela ao votar pela abertura de processo de impeachment contra Dilma:

Meu voto é em homenagem às vítimas da BR-251. É para dizer que o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão“.

Raquel é casada com o prefeito Ruy Muniz (PSB), do qual era chefe-de-gabinete antes de se afastar para concorrer à Câmara. A Procuradoria Eleitoral do MPF de Minas Gerais pediu a cassação do registro ou do diploma de Raquel alegando “abuso de autoridade e de poder político, com uso da máquina administrativa em benefício de sua candidatura”. Ela e o marido correm o risco de se tornar inelegíveis por 8 anos.

A acusação é de que o prefeito ofereceu vantagens financeiras com dinheiro público a servidores municipais que trabalharam como cabo eleitorais de Raquel. Além disso, para obter votos para a esposa em cidades vizinhas a Montes Claros, o prefeito é acusado pelo MPF de ter montado um esquema pelo qual pacientes de outras regiões recebiam prioridade de atendimento na rede pública de saúde do município. Não poderiam fazê-lo, por serem moradores de outros polos regionais. Era, por assim dizer, um fura-fila na saúde com objetivos eleitoreiros.

Tânia elegeu-se em 2014 pelo PSC. Oficialmente, gastou pouco mais de R$ 3,4 milhões na campanha. O fato que mais chama a atenção na prestação de contas é que ela doou para si mesma cerca de R$ 386 mil.

Duas das maiores contribuições foram da Construtora JRN, somando R$ 485 mil. O maior depósito em dinheiro vivo foi da Concretum Engenharia e Transportes, com R$ 100 mil. Outra empresa local, a Exito Construções e Incorporações, deu R$ 50 mil. Na soma das empreiteiras, são R$ 635 mil.

Raquel Muniz obteve 96.073 votos.
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Raquel Muniz teria se valido da máquina administrativa em prol de sua candidatura. Seu marido, prefeito de Montes Claros, também pode ficar inelegível
19/12/2014

A Procuradoria Regional Eleitoral em Minas Gerais (PRE-MG) ajuizou ação de investigação judicial eleitoral (AIJE) contra o prefeito municipal de Montes Claros/MG, Ruy Adriano Borges Muniz, e contra sua esposa, Tânia Raquel de Queiroz Muniz, eleita deputada federal nas eleições de 2014.

Também são investigados os servidores públicos municipais Marcus Felipe do Ó, Cícero Júlio Campos de Oliveira e Maria Jacqueline de Matos Silva.

Segundo a ação, Raquel Muniz, na companhia do marido e prefeito Ruy Muniz, teria organizado um sistema de favorecimento de sua candidatura a deputada federal, com apoio de Marcus, Cícero e Maria Jacqueline, em duas frentes principais de atuação: concessão de gratificações a servidores municipais e encaminhamento de consultas e exames médicos de pacientes oriundos de outros municípios sem observância dos procedimentos adequados.

No caso das gratificações, o servidor Marcus Felipe, lotado na Secretaria de Articulação Política e Administração Regional do município, era quem indicava os beneficiários em troca da prestação de serviços na campanha de Tânia Muniz. Suspeita-se que mais de 20 servidores foram beneficiados com tal prática.

Para a PRE-MG, ficou evidente, a partir de depoimentos colhidos em investigação conduzida pelo Ministério Público Estadual, que a candidata “cooptava servidores públicos pagos com recursos do erário municipal, oferecendo-lhes gratificações que representariam acréscimo em suas remunerações, também custeadas com as verbas públicas de Montes Claros, para trabalharem em prol de seus interesses eleitoreiros particulares, incrementando, assim, o contingente de cabos eleitorais”.

Porém, o abuso de autoridade não se restringiu a essa conduta. A ação relata que Raquel Muniz, na condição de chefe de gabinete do marido, colocou a estrutura administrativa do Município de Montes Claros à disposição de eleitores de localidades próximas, sempre com o intuito de obter dividendos eleitorais.

“A liberalidade feita com recursos públicos se dava em reuniões com lideranças políticas da região em que eram fechados acordos, cuja contrapartida era a obtenção de apoio em prol da candidatura de RAQUEL MUNIZ a deputada federal nas eleições de 2014, pleito no qual se sagrou vencedora”, afirma a ação.

A PRE-MG explica que a irregularidade estava no fato de que tais pacientes só poderiam ser atendidos pelo sistema de saúde pública de Montes Claros caso seu município de origem integrasse o Polo da Microrregião de Montes Claros [composto por 10 municípios: Bocaiúva, Claro dos Poções, Engenheiro Navarro, Francisco Dumont, Glaucilândia, Itacambira, Guaraciama, Joaquim Felício, Juramento e Olhos D’Agua], e, ainda assim, apenas e tão somente se fossem encaminhados oficialmente pela secretaria de saúde de sua localidade de origem.

Esse trâmite, no entanto, deixou de ser observado em razão dos “acordos costurados” pelo prefeito e pela candidata com prefeitos de outros municípios.

Foram encontrados, por exemplo, pacientes atendidos em Montes Claros, mas provenientes de locais como Japonvare Lontra, que pertencem a outros pólos regionais.

Para driblar a necessidade de encaminhamento pelas respectivas secretarias municipais, os servidores Marcus Fellipe, Cícero e Maria Jacqueline cooptaram médicos dos Centros de Saúde municipais, que subscreviam os pedidos de encaminhamento para consultas e exames especializados como se os pacientes residissem em Montes Claros.

A ação relata que Maria Jacqueline, “na qualidade de chefe do Centro de Saúde do Bairro Renascença, de seu turno, além de determinar aos médicos sob seu comando que assinassem os pedidos de encaminhamento sem que eles tivessem empreendido qualquer contato com os pacientes, frequentemente determinava o atendimento de pacientes que dizia já terem os exames marcados no sistema, a maioria deles para o mesmo dia da assinatura nos pedidos de encaminhamentos ou exames, fato que causava desconforto aos profissionais de saúde que lhe eram subordinados”.

Para a Procuradoria Eleitoral, “o expediente enganoso acabava por causar prejuízos não só aos cofres de Montes Claros, que deixavam de receber pelos serviços médicos prestados a pacientes de outros locais, como aos próprios munícipes de Montes Claros, que se viam preteridos em seus atendimentos em razão dos agendamentos irregulares”.

Na verdade, ambos os expedientes utilizados por Raquel Muniz configurariam, segundo a PRE-MG, abuso de autoridade e de poder político, com uso da máquina administrativa em benefício de sua candidatura, ressaltando-se que, mesmo após sua desincompatibilização do cargo de chefe de gabinete, a deputada eleita continuou a aparecer em eventos públicos e outros atos oficiais ao lado do marido.

Se a ação for julgada procedente, Raquel Muniz pode ter o registro ou diploma cassados, ficando sujeita ainda à decretação de sua inelegibilidade por oito anos, sanção que pode alcançar também todos os demais investigados, inclusive o atual prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz.
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Sobre o marido de Raquel, Ruy Muniz (PSB), um blog foi criado por adversários políticos dele. Apesar de oferecer o link, Viomundo não endossa o conteúdo.

A respeito da prisão do marido de Raquel em Brasília, na manhã seguinte à votação da abertura do processo de impeachment, O Estado de Minas publicou:

Segundo a Policia Federal, “as investigações demonstram que os acusados, direta e indiretamente, valendo-se meios fraudulentos, tentaram destruir e/ou inviabilizar a existência e o funcionamento dos hospitais públicos (Hospital Universitário Clemente de Faria) e filantrópicos (Santa Casa, Fundação Aroldo Tourinho e Fundação Dilson Godinho) de Montes Claros, que atendem uma população de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas, distribuídas nos 86 hospitais do Norte de Minas”. A PF cita que, em outubro de 2015, o prefeito e a secretária fizeram a retirada de cerca de 26 mil consultas e especializadas e 11 mil exames dos hospitais, “deixando de prestar os correspondentes serviços pela rede municipal, causando graves problemas à população”.

Com isso, relata a PF, “os acusados pretendiam favorecer o Hospital das Clínicas Mário Ribeiro da Silveira (Ambar Saúde), “pertencente e gerido, de fato pelo prefeito municipal, seus familiares e respectivo grupo econômico”. Ainda conforme a Policia Federal, o prefeito e a secretária [de Saúde de Montes Claros, Ana Paula Nascimento] vão responder pelos crimes de falsidade ideológica, dispensa indevida de licitação pública, estelionato, prevaricação e peculato.

Em resumo, segundo a Polícia Federal, teria sido um segundo esquema envolvendo os serviços de saúde, desta vez prejudicando pacientes do SUS em benefício dos próprios negócios.

O Viomundo coloca a deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) na Galeria dos Hipócritas por acreditar que os fatos acima são incompatíveis com a declaração dela, segundo a qual “o Brasil tem jeito, e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós com sua gestão”.

Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/na-galeria-dos-hipocritas-1-e-tania-muniz-posou-com-cunha-antes-da-votacao-disse-que-marido-era-exemplo-de-combate-a-corrupcao-mas-foi-acusada-de-deslocar-pacientes-de-cidade-para-votar-nela.html

Dilma a jornalistas: sou vítima de uma fraude!

19.04.2016
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

“O Brasil tem um veio golpista adormecido", disse a Presidenta
dilma estrangeiros
Dilma conversou com jornalistas estrangeiros (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)
Saiu no Blog do Planalto:

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta terça-feira (19), a jornalistas estrangeiros no Palácio do Planalto, estar sendo vítima de um processo de impeachment baseado em uma injusta fraude jurídica e política. A presidenta lembrou que, nos períodos democráticos do País, todos os presidentes enfrentaram processos de impedimento no Congresso Nacional.

“O Brasil tem um veio que é adormecido, um veio golpista adormecido. Se nós acompanharmos a trajetória de presidentes no meu País, do regime presidencialista a partir de Getúlio Vargas, nós vamos ver que o impeachment sistematicamente se tornou um instrumento contra os presidentes eleitos”.

Dilma argumentou que crise econômica não é motivo suficiente para se pedir o impeachment de um presidente da República. Para ela, as tentativas de desestabilizar seu mandato se basearam na estreita margem de votos que a elegeram nas eleições de 2014.

“Essa eleição perdida por essa margem tornou essa oposição derrotada bastante reativa a essa vitória e por isso começaram um processo de desestabilização. Esse meu mandato de 15 meses tem o signo da desestabilização política”
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/dilma-a-jornalistas-sou-vitima-de-uma-fraude

Os antecedentes da tormenta indicam por onde recomeçar

19.04.2016
Do portal da AGÊNCIA CARTA MAIOR, 18.04.16
Por Saul Leblon

Está claro que um sistema político que fica refém de Cunha precisa ser reinventado com maior participação social. O ciclo iniciado em 2002 negligenciou isso.  


Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Um golpe não começa na véspera; tampouco tem desdobramentos plenamente identificáveis na manhã seguinte.

Uma derrota progressista pode ser devastadora para o destino de uma nação, a sorte do seu povo e a qualidade do seu desenvolvimento.

Mas a resistência que engendra pode inaugurar um novo marco de consciência política.

Pode redefinir a correlação de forças, as formas de luta e de organização e coloca-las num patamar mais avançado, mas não menos abrangente 


Apesar dos votos dedicados à família, a Deus e até a um torturador –Bolsonaro ofereceu sua escolha a Brilhante Ustra e ao golpe de 64 --   a transparência da história pulsou forte no Brasil nesta noite de 17 de abril de 2016.

Guardadas sóbrias exceções, os que condenaram Dilma filiam-se a agendas e valores imiscíveis com o mapa histórico que desponta da Revolução Francesa e fez dos direitos sociais universais o guia generoso e libertário da humanidade.

A violência conservadora, como ocorre em todos os golpes contra governos progressistas, apunhalou a democracia para atingir o interesse popular.

Mais adiante tentará aleijar a soberania nacional descartando-a como anacronismo populista.

A ética, a responsabilidade fiscal, serviram de guarnição das aparências. 

O golpe nasceu de um ménage à trois entre a escória liderada por Cunha, o ódio inoculado pela mídia na classe média e o plano de arrocho e entreguismo do PSDB

O cinismo foi o grande vencedor da jornada triste que banhou o país de lufadas adicionais de incerteza e turgulência.

Votos decisivos ao impeachment ‘por irresponsabilidade fiscal da Presidenta da República’ vieram das bancadas –inclua-se a do PSDB— que patrocinaram as pautas bombas, estas sim suficientes para quebrar a nação.

E não é necessário desfiar o prontuário completo do operador Eduardo Cunha, para adicionar ao cinismo a hipocrisia.

Hipócritas de punhos de renda –jornalistas, políticos, intelectuais, ministros do STF— assistiram a todo esse processo emprestando pertinência formal ao estupro coletivo da democracia na arena das bestas-feras.

Por mérito, a cusparada histórica do deputado Jean Wyllys num fascista que o insultara  --e que homenagearia um torturador e o golpe de 64 no seu voto pela derrubada da Presidenta Dilma--, deveria ser estendida aos demais protagonistas do espetáculo degradante. 

Entre eles, certamente a mídia.

Coube a ela amalgamar o movimento regressivo de longas raízes históricas que se prepara agora –afastado o obstáculo inicial--  para assaltar a Constituição Cidadã naquilo que ela fez  de melhor: legitimar os direitos sociais reprimidos pela ditadura 24 anos antes da sua promulgação, em novembro de 1988.

Faz parte do jogo de espelhos que Temer jure fidelidade ao Bolsa Família, a exemplo do que já prometera ao mandato de Dilma, pouco meses atrás. 

O fato  é que os acontecimentos em marcha vieram reafirmar a rigidez da fronteira onde acaba a tolerância do dinheiro e do mercado com o projeto de construção de uma sociedade mais justa na oitava maior economia do planeta e principal referência da  luta pelo desenvolvimento no mundo ocidental.

‘A democracia prometeu mais do que o capitalismo está disposto a conceder’, martelou diuturnamente o jogral midiática, em todo o ciclo iniciado em 2002.

O alvo da reação alérgica do mercado são os direitos sociais abrigados na Carta de 1988, a qual o PT  criticou na origem, pelas limitações (a questão agrária, uma das mais graves), mas da qual se fez o mais fiel guardião quando chegou ao poder.

O mercado entendeu que a crise econômica global –diante da qual o governo esgotou o fôlego dos contrapesos fiscais em cinco anos ed resistência--  abriu a oportunidade para um acerto de contas com o ‘populismo constituinte de 1988’.

O senso de oportunidade uniu a escória política, a mídia, o dinheiro grosso local e internacional e os sem voto num pacto feito de sistemas de compensações complementares.

Esse que agora se desenha abusadamente aos olhos da sociedade, anbençoado pelo jornalismo da indignação seletiva.

Cunha terá sua anistia, em troca de devolver o poder pleno ao mercado  --via corrupção política da qual se acusa o PT.

O PSDB volta ao poder sem precisar se submeter à urna.

O STF, depois de se acoelhar de forma indecente na preservação do livre movimento de Cunha, poderá falar grosso com Moro, e assim encerrar a Lava Jato.

A Chevron e a Shell terão o pré-sal prometido por Serra e pelo PSDB; a Globo renovará sua concessão facilmente a partir de 2018...

Vai por aí a engrenagem posta em funcionamento, a partir deste domingo.

O ciclo em que o golpismo tratará a democracia social como um estorvo do mercadlo está longe de se encerrar com a conclusão do processo do impeachment.


A lambança, por mais que gere uma euforia imediata nos mercados especulativos, não resolverá as grandes pendências nacionais, emolduradas por um pano de fundo desafiador.

O mundo vive a mais longa, incerta e frágil convalescença de uma crise capitalista desde 1929. 
Tudo o que foi subtraído do Estado e do trabalho no período anterior à explosão as subprimes, em 2008 –regulações, direitos, soberania etc, mostra agora a sua falta. 

Desprovida de alavancas contracíclicas a economia global não decola e nesse momemto arrasta nações em desenvolvimento para o ralo corrosivo da estagnação.


Sobram paradoxos.


O da superprodução de capital fictício, em metástase especulativa, o mais evidente deles.


Mas também a sua consequênia  estrutural: a anemia do investimento e do emprego urbi et orbi.


Ficções de livre comércio rondam esse cemitérios de nações.



Vendidas  como panaceia pelos carrascos dos direitos sociais, os chamados ATCs prometem uma prosperidade  que o sistema não pode entregar em condições de contração global, quando o comércio forma um jogo de soma zero, apenas transferindo  desempenho de um lado para outro.


Igual circularidade se observa na esfera do emprego e  naquela  do  ajuste fiscal, com o deslocamento de passivos do setor privado para o Estado.

Golpistas falam pelos cotovelos da 'irresponsabilidade  fiscal petista'. Ignoram que a pressão adicional de gastos em uma conjuntura de queda vertical da receita, elevou de 78% para 105%  relação dívida pública/PIB nas economias mais ricas desde 2008. 

Em contrapartida, a participação dos salários no PIB global recuou:  hoje é 10% inferior à média dos anos 80.

É essa a lição de casa das ditas pedaladas, que os excelentíssimos senhores deputados fingem não enxergar.


Da mesma forma que os sábios dos mercados omitem a relação causal que estreitou sobremaneira a margem de manobra de políticas associadas a projetos de desenvolvimento com repartição de renda na América Latina.

O Brasil avulta como o caso mais exposto justamente porque foi o que mais longe chegou nesse processo. 

Como atesta o Banco Mundial, a pobreza extrema no Brasil caiu 64% entre 2001 e 2013, passando de 13,6% para 4,9% da população. 

A queda nos preços das commodities --decorrente da estagnação gerada  pela desordem  neoliberal--  interrompeu  esse processo, antes que o país tivesse tempo de corrigir as distorções aí engendradas (sobrevalorização cambial e desindustrialização, as mais graves delas).



Aberto o flanco, a coalizão conservadora lançou-se ao golpe de Estado, com determinação virulenta que estamos assistindo. Não sem antes  ter imposto, através da mídia,  o seu diagnóstico e a sua pauta --respectivamente, gastança e arrocho-- como referência dominante do debate sobre a crise capitalista do nosso tempo.

Não é surpresa que as ideias dominantes de uma época sejam as ideias das classes dominantes. 

Desde 1846, quando Marx e Engels assentaram seu vigamento filosófico nas páginas de ‘A ideologia alemã’, o peso material das ideias ganhou o devido destaque na luta de classes.

No Brasil,graças ao monopólio midiático, esse poder de agendamento tornou-se asfixiante

Um conservadorismo derrotado em 'quatro vezes consecutivas pelo voto popular desde 2002,  transformou-o na ferramenta decisiva de desconstrução de um adversário que não se guarneceu de forma equivalente para esse enfrentamento.

O episódio  das ditas pedaladas  evidenciou  dificuldade de se defender do algoz, sem romper  o círculo de giz que ele traçara no chão.

Por que o governo  hesitou tanto, por exemplo,  em convocar imediatamente uma rede nacional e  explicar o que as ditas 'pedaladas' representavam de fato?


Ou seja, que a Caixa quitou programas sociais em dia, sendo ressarcida em seguida -- sem alterar o orçamento, portanto.


Por que o governo não escancarou imediatamente o golpismo intrínseco à ‘escandalização’ da operação contábil corriqueira, com fins sociais irrepreensíveis? E por que temeu confronta-la com a  derrama dos juros (8% do PIB) sobre o cofre do Estado – escândalo que nenhum advogado do ajuste fiscal argui? 

Em 757 dias úteis, até o final de 2014, o saldo do Bolsa Família na CEF só ficou negativo em 72 dias. O pagamento de juros aos rentistas da dívida pública, no entanto, drenou o equivalente a mais de 15% do PIB nesses quase dois anos, deslocando recurso fiscal escasso para os cofres abarrotados  da pátria financeira.

 Os que golpearam Dilma ‘em nome do povo’ neste domingo, avocariam esse mandato se o povo verdadeiro tivesse sido alertado sobre as disputas fiscais efetivas  no caixa da República?

‘Governo é metade realizações, metade ideia. Por muito que fizer, um governo que não trava a luta das ideias, sempre figurará aos olhos da sociedade com quem fez muito pouco’, lembrou em recente viagem ao Brasil, o vice presidente da Bolívia,  Álvaro García Linera

 A negligência com a luta das ideias foi a tônica nos últimos 12 anos de avanços notáveis no plano social, embarcados, todavia, em um economicismo que delegou às gondolas dos supermercados a tarefa de traduzir tais conquistas em mudança na correlação de forças.

A democracia, portanto, não se tonificou de novos protagonistas, nem de novos canais de participação. Manteve-se refém de um Congresso capaz de produzir e legitimar um déspota como Eduardo Cunha  -- a quem coube, afinal, fazer o ajuste de contas entre as duas realidades.

O economista Márcio Pochmann enxergou pioneiramente os riscos implícitos na assimetria entre avanços econômicos e sociais desprovidos do respectivo cimento organizativo e ideológico.

‘Cerca de 22 milhões de trabalhadores ascenderam socialmente, desde 2003,’ lembrava ele já em 2013,  ‘mas não houve mudança na taxa de sindicalização no país: de cada dez destes trabalhadores, só dois se filiaram a algum sindicato. O mesmo aconteceu com os estudantes beneficiados pelos programas do governo federal e com os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida’, espetou na sua lista dos antecedentes da tormenta, que por fim eclodiria já na campanha de 2014, ainda assim subestimada.

Marilena Chauí  --já se observou neste espaço -- que sempre atuou na contracorrente da rendição ideológica dos últimos anos, ensina que ‘a ideologia é o processo pelo qual as ideias da classe dominante se tornam ideias de todas as classes sociais  ‘

‘Esse fenômeno’, diz a filósofa,  ‘de manutenção (adoção) das ideias dominantes, mesmo quando se está lutando contra a classe dominante,  é o aspecto fundamental daquilo que Gramsci denomina de hegemonia, ou o poder espiritual da classe dominante’.

Por isso ele dizia que, sublinha a professora, se num determinado momento os trabalhadores de um país precisam lutar usando a bandeira do nacionalismo, por exemplo, a primeira coisa a fazer é redefinir toda a ideia de nação (...) e elaborar uma ideia do nacional que seja idêntica à de popular. 

‘Precisam, portanto, contrapor, à ideia dominante de nação, uma outra, popular, que negue a primeira’, sintetiza Chauí.

O ciclo golpeado neste domingo esteve longe de proceder a essa mutação.

Está claro que um sistema político que fica refém de Cunha e de sua matilha precisa ser revitalizado com maior participação social.

Se quiser implodir a resiliência golpista,  as forças progressistas terão que se atirar de forma unida nessa tarefa, dotando a luta pelo desenvolvimento de um projeto social e democrático que a conduza.

Se o fizer, a derrota do domingo poderá ser revertida muito mais cedo do que supõe a histeria de um golpismo eufórico, mas incapaz de oferecer aos desafios brasileiros mais do que a aposta dobrada em um  neoliberalismo  mundialmente fracassado.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Os-antecedentes-da-tormenta-indicam-por-onde-recomecar-/35982