quarta-feira, 16 de março de 2016

Informação para combater a burrice coletiva...

16.03.2016 
Do do FACEBOOK de JULIO SOSA

Gente burra e insana se informe antes de sair por ai falando do que não sabem. Lula ao se tornar ministro não deixa de ser investigado, para isso teria que se filiar no PSDB, pelo contrário, a investigação continua e com ele ainda mais exposto. 

 A única diferença é que se virar réu, coisa que ela ainda não é, será julgado pelo STF, o que, em tese, não é privilégio, pois, se fosse julgado no tribunal de primeira instância, do Moro, por exemplo, caberia uma série de recursos, até chegar ao STF, o que retardaria a aplicação da pena, em muito tempo; ao contrário disse se vier a ser julgado pelo STF, e em caso de condenação, caberá apenas um único recurso e pena tem que ser cumprida imediatamente. 

 Logo cadê a vantagem? Por que vocês acham que muitos políticos renunciam aos cargos para não serem julgados pelo STF? (Como fez o tucano Eduardo Azeredo.) 
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Fonte:https://www.facebook.com/note.php?note_id=1023766697695201

APARECE PROCESSO DA GLOBO QUE ESTAVA “SUMIDO” E MOSTRA SONEGAÇÃO DA EMPRESA

16.03.2016
Do BLOG DO LUIZ MULLER, 10.07.2014

https://i1.wp.com/correiodobrasil.com.br/wp-content/uploads/2014/07/globo-processo.jpg

Deu no Correio do Brasil

A íntegra do processo, o qual a Receita Federal alega ter desaparecido de seus arquivos, que contém detalhes sobre as possíveis sonegação e fraude contra o sistema financeiro nacional, promovidas pelas Organizações Globo, será divulgado, na íntegra, no próximo domingo, na página Mostra o Darf Rede Globo, mantida no Facebook. Segundo Alexandre Costa Teixeira, editor do blog Megacidadania, em entrevista aoCorreio do Brasil, “foram feitas várias cópias de segurança, a partir do original, distribuídas aos principais blogs brasileiros”.
– Trata-se da prova que faltava para mostrar a imensa sonegação promovida pela Globo – afirmou ao CdB.
AÇÃO BILIONÁRIA
No ano passado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) do Ministério da Fazenda publicou a decisão final da ação bilionária que a Rede Globo perdeu na Receita Federal. O processo, já em fase de execução, cobra da emissora impostos por operações feitas entre 2005 e 2008, que resultaram em um recolhimento menor de impostos. A autuação original, feita em 2009, era de cerca de R$ 700 milhões, mas com a correção monetária ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão. O processo tramitava há quatro anos e já não cabem mais recursos.
O fato chegou a público em julho do ano passado, em reportagem do site Consultor Jurídico, assinada pelo jornalista Alessandro Cristo, que pode ser lida adiante:
“As Organizações Globo perderam recurso administrativo contra uma cobrança de R$ 713 milhões do Fisco federal. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, que julga contestações a punições fiscais, rejeitou argumentos contra autuação da Receita Federal sobre aproveitamento de ágio formado em mudanças societárias entre as empresas do grupo.
“Em uma delas, a Globo Comunicação e Participações S.A. (Globopar) foi condenada por amortização indevida no cálculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). A amortização dos tributos usou o chamado ágio, valor embutido no preço de uma companhia vendida equivalente à estimativa de sua rentabilidade futura. De acordo com a lei, a empresa que compra outra tem direito de abater da base de cálculo de seus tributos o valor que desembolsou a título de ágio. Mas a Receita Federal alega que o valor da Globopar é artificial. A empresa espera análise de Embargos interpostos e ainda pode recorrer à última instância do Carf.
“O desfecho do julgamento é esperado pela advocacia tributária por ser uma das primeiras vezes que o Carf se debruça sobre a existência de efeito fiscal do conceito contábil de patrimônio líquido negativo — origem da maior parte do ágio em discussão no processo da Globo. A autuação se refere aos anos de 2005 a 2008, nos quais a empresa usou o ágio para pagar menos tributos. A Receita Federal lavrou o auto de infração em dezembro de 2009, no valor de R$ 713.164.070,48.
“Foram os advogados Carlos Alberto Alvahydo de Ulhôa Canto e Christian Clarke de Ulhôa Canto, sócios do escritório Ulhôa Canto, Rezende e Guerra Advogados, os responsáveis por defender a transação. Na impugnação, eles destacaram o uso do patrimônio líquido negativo — chamado de ‘passivo a descoberto’ — na construção do ágio que gerou as deduções. Ou seja, a empresa compradora ‘adquiriu’ o prejuízo da comprada, assumindo sua dívida, e contabilizou essa aquisição como investimento. ‘Não há norma, de natureza fiscal ou contábil, que determine o expurgo do valor negativo do PL (patrimônio líquido) da investida na quantificação do ágio’, diz o recurso dos advogados.
DIVULGAÇÃO SERÁ DOMINGO
Leia, a seguir, o texto publicado no blog Megacidadania:
O​ Núcleo Barão de Itararé RJ acaba de confirmar que a íntegra do processo “sumido” de dentro da Receita Federal será divulgado a partir deste domingo 13/07.
Apareceu a íntegra original do processo da Receita Federal que estava sumido. Com aproximadamente duas mil páginas ele contém documentos comprovando o envolvimento da própria família Marinho na fraude contra o sistema financeiro além da já conhecida sonegação bilionária.
O Núcleo Barão de Itararé RJ irá nesta sexta-feira, dia 11/07, ao Centro Aberto de Mídia do RJ distribuir informativo à imprensa internacional informando a existência deste explosivo material.
É importante destacar que no recente encontro nacional de blogueiros realizado em SP, mais de 500 participantes aprovaram a campanha MOSTRA O DARF REDE GLOBO
Já foram feitas diversas cópias do material que está sendo distribuído aos principais blogs brasileiros para divulgação ao distinto público a partir do fim da Copa.
No momento em que o tema corrupção é tratado como aspecto central para a eleição de outubro, fica evidente que a divulgação desta monumental documentação, com toda certeza, poderá ser um balizador para se entender como funciona e se sustenta o império Rede Globo e suas relações com a FIFA e o submundo do crime internacional.
TWITTER: @Mostraodarf darf globo
Confirme seu interesse em auxiliar na ampla divulgação pelo e-mail mostraodarfglobo@gmail.com
Os blogs O Cafezinho, Megacidadania, Correio do Brasil e Tijolaço, que integram o Núcleo Barão de Itararé RJ, participam do esforço cívico de levar ao conhecimento do distinto público mais esta importante informação que é sonegada pela velha mídia empresarial.
ALEXANDRE Cesar Costa TEIXEIRA
http://www.megacidadania.com.br/
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Fonte:https://luizmullerpt.wordpress.com/2014/07/10/aparece-processo-da-globo-que-estava-sumido-e-mostra-sonegacao-da-empresa/

GLOBO NA LAVA JATO:Delcídio delatou a Globo!

16.03.2016
Do blog O CAFEZINHO

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Tenho a leve impressão que isso não vai ser destaque no Jornal Nacional...
Um leitor me avisou e eu fui conferir. Na página 126 (página 125 do arquivo PDF) dodocumento que reúne a delação completa de Delcídio do Amaral, há referências sobre o operador Jorge Luz, que ajudava o PMDB a recolher propinas na Petrobrás. 
Delcídio afirma que Jorge Luz era "apadrinhado de Jorge Serpa, braço direito de Roberto Marinho", dono das Organizações Globo.
No documento da delação, o nome de Jorge Luz é listado pela procuradoria como um dos principais implicados nas denúncias de roubo na estatal.
Jorge Luz, é importante ressaltar, atuava na estatal "há muito tempo, desde os tempos de Joel Rennó", diz Delcídio. 
Rennó foi presidente da Petrobrás no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso. 
Abaixo, os trechos da delação. 
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2016/03/16/delcidio-delatou-a-globo/

O líder dos golpistas, quem diria, tem até ‘porquinho offshore’!

16.03.2016
Do BLOG DO LUIZ MULLER
Aécio
Sabe-se que o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves, perdeu a eleição para a atual presidente Dilma Rousseff por uma margem estreita de votos.
Mas perdeu.
Sabe-se também que Aécio não se conformou e que desde novembro de 2014 vem tentando ser presidente na marra, no tapetão, tornando-se líder destacado de um movimento golpista para apear a presidenta do poder – com o apoio de setores da PF e do Judiciário, e o suporte de sempre da grande mídia de negócios, negociatas e negociantes.
Sabe-se ainda que o senador, candidato derrotado à Presidência, que já foi acusado de construir um aeroporto em terras que pertenceram a parentes seus, e nas vizinhanças de fazendas de familiares, batia no peito e vociferava que iria “varrer do país o PT e a corrupção”.
Hoje, deparo-me com essa eloquente manchete na página do Brasil 247: “Doleiro abriu conta de Aécio em Liechtenstein”.
“Acuma” é isso, Aécio?
O senador do PSDB e candidato derrotado à Presidência da República – com pouco mais de 50 milhões de votos, vale destacar (cerca de 48%) –, e político sugerido pelos golpistas como alternância de poder ao “governo corrupto do PT”, agora é acusado de possuir contas offshore no exterior e de receber propinas de Furnas.
Deste último crime ele já foi acusado, salvo engano, umas 5 vezes.
Cá entre nós: é muita acusação para pouca condenação. Não é não?
Mas, ao que parece, o juiz “implacável” que manda prender “Chico” não manda prender seu primo rico, o Francisco, com o devido “clamor” e o necessário imparcialismo republicanos.
Mas isso, convenhamos, não vem ao caso.
Qual será o próximo “ficha limpa” que os golpistas escolherão para substituir a presidenta Dilma – que pode ser acusada de tudo, menos de corrupção –; qual será a nova vestal de araque?
Jair Bolsonaro?
Geraldo ‘Merendão’ Alckmin?
Paulinho da Força?
José Serra?
O elenco de indigitados “heróis” e “salvadores” da pátria é bastante revelador do falso moralismo e hipocrisia dessa gente que se fantasia de patriota em determinadas manhãs e tardes de domingo.
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Fonte:https://luizmullerpt.wordpress.com/2016/03/16/o-lider-dos-golpistas-quem-diria-tem-ate-porquinho-offshore/

FHC SURTA E DIZ QUE NÃO DÁ PARA DIRIGIR O PAÍS SENDO ANALFABETO

16.03.2016
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/221388/FHC-surta-e-diz-que-n%C3%A3o-d%C3%A1-para-dirigir-o-Pa%C3%ADs-sendo-analfabeto.htm

Lula ministro da esperança: mais democracia com desenvolvimento

16.03.2016
Do portal da Agência Carta Maior, 13.03.16
Por Saul Leblon

Heinrich Aikawa / Instituto Lula
Heinrich Aikawa / Instituto Lula

Lula será bem-sucedido se construir esse pacto à frente de um ministério que prefigure o pluralismo capaz de devolver à sociedade o comando do seu destino  

Duas tentativas seguidas de prender Lula em um intervalo de menos de uma semana (Moro, em 04-03; Conserino, em 10-03).

Invasão de uma plenária do PT no sindicato dos metalúrgicos de Diadema nesta 6ª feira, 11/03, por destacamento da PM fortemente armado.

Ataques com pichações nas sedes da UNE e do PCdoB.

Ataques a sites progressistas, tirando-os do ar, a exemplo do que ocorreu com a página de Carta Maior e do site Vermelho.org (do PCdoB) desde a madrugada deste domingo estendendo-se ao longo de quase todo o dia.

Editoriais de órgãos de imprensa, a exemplo do Estadão, mimetizando o ‘Basta’ do Correio da Manhã, de 31 de março de 1964.

Engajamento de entidades empresariais convocando marchas pelo golpe nas grandes capitais do país neste domingo…  

Manifestação monstro da classe média  na Paulista, ocupada, segundo o Datafolha, por 77% de brancos c/ curso superior, sendo 37% c/ renda acima de 10 salários, incluindo-se 12% de empresários e apenas  5% de jovens com idade entre 21 e 25 anos, o que depõe contra a liderança de Kim Catupiry...

Um clima predominante de ‘ que se vayan todos’, o bordão da Argentina em 2001, transbordou do fermento golpista inoculado diuturnamente na opinião pública pela mídia e o conservadorismo e revelou a meleca produzida pela associação Moro & mídia.

A massa assim sovada voltou-se contra todos, inclusive os pseudo savonarolas que pretendiam lidera-la. Alckmin e Aécio xingados de filho da puta, ladrão etc tentaram faturar o ato e foram escorraçados da Paulista. Serra ficou nas ruas laterais e fugiu depressa...

O relógio da história apertou o passo no Brasil.

Os ponteiros apontam para um golpe, tenha isso a forma que tiver.

Moro ou Conserino, não importa o quão patético seja um e bonapartista se avoque o outro: as disputas entre facções e centuriões para saber quem arrebatará o troféu do butim – a cabeça de Lula e o mandato de Dilma-- não mudam a qualidade do enredo.

Ingressamos em um período em que os fatos caminham à frente das ideias.

De diferentes ângulos da economia e da democracia emergem avisos de saturação estrutural.
Um ciclo de desenvolvimento se esgotou; outro precisa ser construído. Quem o conduzirá: a democracia ou um regime de força?

O desgaste intrínseco a essa transição foi catalisado e propositalmente radicalizado pela ação de um conservadorismo inconsolável com a derrota de 2014 . Mas em certa medida também pelas hesitações, recuos e equívocos de subestimação do governo diante da travessia que se desenhava

O conjunto acelerou o passo da história e conduziu ao impasse em que chegamos.
Massas de interesses antagônicos transbordam agora pelos anteparos que separam a democracia de uma regressão autoritária.

A indivisa conjunção entre justiça e política nas ações da Lava Jato –com um Bonaparte incensado pela mídia-- reflete essa dissolução, reafirmada nas palavras de ordem trazidas às ruas e nas manchetes sulforosos deste domingo de março, 52 anos depois daquele de 1964.

Vive-se a antessala de uma nova ruptura, decorrente da incapacidade da democracia brasileira para inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento.

A questão do desenvolvimento volta assim, a exemplo de 1954, a ser encarada como uma questão de polícia.

Um segmento influente da sociedade –a classe média branca da Paulista,   deliberadamente entorpecido pela emissão conservadora e pelos interesses que ela representa, quer ordem. Ou o que isso realmente significa: privilégio e segurança, oferecidos por quem puder dar.

Em 64 quem se ofereceu foi a farda e o choque elétrico.

As respostas progressistas que insistirem em ter como referência o Brasil pactuado nas urnas de outubro de 2014 serão engolidas pelas trincas dessa fissura em expansão.

Aquele Brasil não existe mais; embora os desafios sejam qualitativamente os mesmos –a quantidade mudou a qualidade: as respostas terão que ser repactuadas, se não pelo golpe (opção à Paulista), por uma reordenação negociada.

Não é fácil: trata-se de  recuperar a credibilidade da democracia como mediadora confiável e competente da sorte da sociedade e do destino do seu desenvolvimento.

Há pouco tempo e não se pode errar. É preciso falar uma língua inteligível, com uma mensagem encorajadora e coesa. Esse é um requisito para começar o jogo:  redesenhar a organização atomizada do campo progressista e aglutinar direções ainda desprovidas de um comitê coordenador que se expresse de forma crível e acessível. 
Mas, sobretudo faze-lo a tempo de agir.

O timming é um dos protagonistas decisivos da crise. O que hoje reverteria um golpe amanhã já pode ser obsoleto.

Os que ainda hesitam devem pesar o custo de sua autopreservação na balança da história.
A troca do sectarismo por uma frente ampla progressista mudaria a correlação de forças nas ruas.

Um comando unificado ampliaria a margem de manobra para repactuar as bases do desenvolvimento, sem retrocesso democrático.

Egos e xiliques de quem se acha fadado à posteridade devem ser contidos: trata-se do futuro da nação; de décadas talvez.

Afogar-se abraçado a esquematismos escravizantes  será  a punição da história à inação radical.

Disputar a sorte do país com o golpe, porém, não significa iludir a sociedade com a hipótese de  consensos entre interesses antagônicos.

Ao contrário, trata-se de resgatar o papel pedagógico da democracia como mediadora dos conflitos do desenvolvimento. Ou isso, ou a lógica do ‘que se vayam todos’predominará e um Bonaparte –fardado ou na versão ‘o Mercado’, vencerá.

Quando nenhum dos lados do conflito social dispõe de força e consentimento para impor a sua hegemonia, a alternativa ao limbo corrosivo consiste em trazer as pendências para uma mesa de repactuação da sociedade.

Apesar do alarido massacrante da mídia e da Paulista por soluções autoritárias, ainda é disso que se trata.

Estamos falando de metas, salvaguardas e concessões politicamente negociadas em grandes câmaras setoriais, com lideranças, partidos, sindicatos e movimentos; que preservem direitos e hierarquizem conquistas; que fixem compromissos para preços e salários; para o emprego e o investimento; para o juro e o equilíbrio fiscal; para a produtividade e o PIB; que estabeleçam parâmetros de curto, médio e longo prazo para a retomado do investimento, do crédito e da infraestrutura, socializando macrodecisões, de modo a assegurar um fôlego persistente à demanda agregada que alimenta o crescimento.

Estamos falando em retirar a sociedade brasileira da areia movediça em que se encontra e para a qual não há alternativa na ‘ciência econômica’ vendida pelos charlatões do mercado.
Ninguém tem tanto interesse nisso quanto as famílias assalariadas e os milhões de brasileiros pobres que avançaram pela primeira vez da soleira da porta para ingressar no mercado e na cidadania a partir de 2003.

A economia brasileira não tem problemas insolúveis. 

Ao contrário, dispõe de alavancas potenciais –mercado interno, pré-sal, agronegócio e fronteira de infraestrutura —para assegurar uma reordenação bem sucedida de ciclo de crescimento.

Esta não ocorrerá, porém, espontaneamente ou pelo livre curso do mercado.

É necessário um novo arcabouço político à altura das tarefas postas pela transição em curso.
Duas ilusões devem ser afastadas nesse percurso.

Uma delas manifestou-se com força na avenida Paulista e em outros pontos do país neste domingo, que alguns querem transformar em um divisor de água superior aos 54,5 milhões de votos recebidos por Dilma em 2014.

Ou seja, a ilusão de que um novo 1964 pode ‘salvar o Brasil’.

Ainda que um pedaço da mídia e das elites  propugnem  o inaceitável como uma questão de ‘botar gente na rua’, o fato é que inexistem as condições históricas para repetir um ciclo de expansão ancorado no arrocho instituído após o golpe de 1964.

Da mesma forma, os desafios latejantes do país hoje não serão equacionados por uma nova onda de privatizações ‘redentoras’, como querem alguns expoentes do simplismo entreguista –a exemplo de Serra com o pré-sal.

Em 1964, a transição rural/urbana impulsionada pela ditadura militar criou uma irrepetível válvula de escape para o regime e para as contradições violentas de uma sociedade que já  não cabia mais no seu desenho elitista.

A modernização conservadora do campo implementada pelos militares a ferro e fogo deslocou cerca de 30 milhões de pessoas do campo para as periferias dos grandes centros urbanos em duas décadas.

Nenhum país rico concluiu essa transição em tão curto espaço de tempo. A ditadura ganhou um trunfo não desprezível de mobilidade social para os miseráveis, que amorteceu as tensões de sua política excludente. Mas gerou um custo brutal, ainda não liquidado: semeou periferias conflagradas e cidades sem cidadania, nem infraestrutura por todo o país..

Hoje o Brasil figura como a nação mais urbanizada entre os gigantes do planeta, com 85% da população nas cidades.

As periferias estão saturadas; as cidades rugem por melhores condições de vida; a carência de serviços de saúde, educação, transporte e lazer catalisa a agenda do passo seguinte da nossa história.

O conjunto requer uma dinâmica de gastos fiscais e de ação democrática do Estado incompatível com um regime semelhante ao que usou o êxodo rural dos anos 60 para ‘modernizar’ e a tortura para calar.

Hoje não há fronteira geográfica ‘virgem’ para amortecer a panela de pressão no interior do espaço urbano’. E tampouco no campo: a luta pela reforma agrária agora terá que reinventar-se em torno da agroecologia para simultaneamente produzir alimentos e cidadania e preservar os recursos que formam a base da vida na terra. É ainda mais complexa que a mera realocação de excedentes populacionais. Requer Estado e democracia com amplo debate social.

Uma ditadura de bolsonaros ou moros não tem a sofisticação que esse passo da história exige

Erra  mais quem imaginar que  esse estirão pode ser resolvido com a mera entrega do que sobrou do patrimônio público –a exemplo do que seria o programa de um governo do PSDB, tolamente martelado pelo colunismo econômico rastaquera.

Privatizações, na verdade, concentram ainda mais a renda; definham adicionalmente o já enfraquecido poder indutor do Estado. Aprofundam o oposto do que o país mais precisa hoje.

A fronteira que resta a desbravar é a do desenvolvimento inclusivo –que também requer um modelo distinto daquele seguido nos últimos 12 anos, esgotado.

A conjunção favorável de cotações recordes de commodities, farta liquidez internacional e forte expansão do comércio, e câmbio valorizado, não ressurgirá tão cedo.

Ela favoreceu um entroncamento de intensa circulação de capitais na economia brasileira –parte especulativo-- que viabilizou a redistribuição de um pedaço do fluxo novo dessa riqueza na forma de ganhos reais de salários, políticas sociais emancipadoras, pleno emprego, crédito ao consumo e maiores oportunidades à juventude.

O Brasil mudou para melhor mas a travessia ficou inconclusa e manca: imaginou-se tragicamente que as gôndolas dos supermercados irradiariam mudanças automáticas na correlação de forças, sem o necessário engajamento do novo protagonista social.

Hoje, o fluxo novo de riqueza capaz de favorecer a continuidade desse  processo  é o pré-sal.

A classe média da Paulista não sabe porque não é informada pelos seus colunistas de estimação.

 Mas é no fundo do mar que se encontra a brecha histórica capaz de conduzi-la a viver um dia em uma sociedade mais segura, um país educado e convergente --sem que para isso seja preciso uma revolução sangrenta, ou um novo golpe de Estado.

Se o regime de partilha não for revogado, como quer Serra, no médio e longo o Brasil terá condições de assegurar aos seus 204 milhões de habitantes um padrão digno de saúde pública e uma educação gratuita de boa qualidade, ademais de dispor de um derradeiro impulso industrializante para sanar seu hiato de alta tecnologia, empregos de qualidade e competitividade internacional.

As urgências do presente, porém, não podem esperar pelo fluxo incremental da riqueza de longo prazo –ainda que ela amplie, em muito a  margem de manobra numa repactuação. O fato, porém, é que respostas urgentes e imediatas exigem  a taxação da ‘riqueza velha’: o patrimônio já sedimentado no alto da pirâmide de renda.

Os alvo são as grandes fortunas, os bancos, os dividendos, os lucros financeiros, as remessas e demais ganhos de capitais. Ou resumidamente uma CPMF mais direcionada e graúda, que poupe as pequenas e médias transações.

Há opção a isso é o caos que abre caminho ao golpe.

E isso não será indolor como se iludem os que tiram selfies com o ‘Choque’ na Paulista.

A reedição de um novo ‘1964’ exigiria uma octanagem fascista drasticamente superior à original, para prover o aparelho de Estado do poder de coerção capaz de devolver a pasta de dente ao tubo. Isto é, para comprimir o ensaio de mobilidade social do ciclo petista de volta aos becos e barracos de periferias desprovidas de presente e de futuro.

E é sob esse pano de fundo que a nomeação de Lula para o  ministério do governo Dilma pulsa  sua pertinente atualidade.

Não se trata simplesmente de blindar o ex-presidente da caçada ostensiva e ilegal, que agora concentra toda a munição nas mãos de Moro, o imperador da Paulista. 

É o futuro da nação que está em jogo. Mas, sobretudo, a definição do protagonista que tem legitimidade para escrutinar as diretrizes do novo capítulo da sua história.

A repactuação democrática do desenvolvimento, ou a rendição cega aos interesses dos mercados?
É nessa intersecção polar que se abre o espaço intrínseco à atuação do ministro Lula, e de sua reconhecida liderança para mobilizar as forças e interesses que, a contrapelo do fervor golpista, enxergam os riscos –mas também as oportunidades— da encruzilhada atual.

Lula será bem-sucedido se assentar a construção desse pacto à frente de um ministério que prefigure o pluralismo capaz de devolver à sociedade a esperança no seu futuro e o comando do seu destino. 

Nunca é demais recordar, era assim que Celso Furtado descrevia o sentido profundo da luta pelo desenvolvimento, indissociável –no seu entender-- de democracia, soberania, engajamento e justiça social.

 O resto é arrocho, recessão ou golpe.

Por mais que as transmissões edulcoradas mitifiquem o que se passou nesse domingo na Paulista, essa é a escolha. E ela agora tem um novo protagonista de peso: o ministro da esperança, que vai repactuar a democracia com o desenvolvimento, Luiz Inácio Lula da Silva.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Lula-e-o-ministerio-da-repactuacao-nacional/35689

O papel da mídia no protesto de domingo

16.03.2016
Do BLOG DO MIRO, 15.03.16


Por Bia Barbosa e Helena Martins, na revista CartaCapital:

Os números da Polícia Militar apontam para mais de 3 milhões de pessoas nas ruas em todo o Brasil no domingo, 13. Seria, de acordo com a imprensa, a maior manifestação da história do País – maior que as Diretas Já e que os atos de junho de 2013.

Foram os resultados das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal os responsáveis por mobilizar tanta gente? Foram as delações premiadas da Operação Lava Jato? Os inúmeros erros dos governos Lula e Dilma, ao longo de 13 anos? Foram os recursos dos partidos de direita usados para convocar e levar muitos pras ruas?

Foi tudo isso. Mas nada teria a dimensão alcançada sem o papel estrutural dos meios de comunicação de massa em nossa sociedade.

Ilude-se quem acredita que à imprensa coube apenas cobrir as manifestações espalhadas nos 26 estados da federação e no Distrito Federal. A mídia foi um componente central de sua própria concretização.

Algo que se deu não só com a vinheta do “Vem Pra Rua”, tocada ao longo de 24 horas por dia na Rádio Transamérica de São Paulo, ou com o assustador editorial do Estadão deste domingo, que convocou “os cidadãos de bem” a “mostrar seu poder inequivocadamente”, valendo-se, para isso, de uma série de adjetivos e acusações de crimes que não apenas negava, mas destruía seus opositores.

Esses são exemplos claros da atuação midiática. A formação da opinião pública, contudo, pode ser um processo sutil. Não precisa transpirar ódio – aliás, é melhor que não o faça, senão o jogo fica muito descarado. Vale mais apostar em frases simples repetidas à exaustão e na invizibilização de opiniões divergentes – rasgando qualquer manual de bom jornalismo.

Foi o que assistimos pelo menos nos últimos 15 meses, quando a mídia, de forma sistemática, colou a ideia da corrupção em apenas determinados grupos e consolidou a avaliação de que este é “o pior governo de todos os tempos”. Isso culminou em narrativas capazes de convencer qualquer “cidadão de bem” de que sua obrigação cívica, neste dia 13, era mesmo ir para as ruas.

Desde o dia 4 de março, uma sucessão de episódios que revelam a articulação íntima entre mídia e Judiciário foi, aos poucos, convencendo parte expressiva dos brasileiros a participar dos protestos deste domingo – e, com isso, impor uma solução final à crise política que abala o Brasil.

vazamento da suposta delação premiada do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), aproximando cada vez mais as denúncias de corrupção do núcleo do poder e do ex-presidente Lula, seguido imediatamente do espetáculo criado em torno da condenável condução coercitiva deste e, por fim, pela aula de manipulação da opinião pública ministrada pelo principal telejornal brasileiro, no mesmo dia, são mostras da participação central da mídia no jogo político.

Na quinta-feira 10, promotores de São Paulo pedem a prisão preventiva de Lula. A peça jurídica é criticada por juristas, especialistas e inúmeros membros do Ministério Público. Novamente, a crítica não ganha espaço no Jornal Nacional.

No sábado 12, o telejornal destina sete minutos para negar o pedido de direito de resposta do Instituto Lula acerca da cobertura da emissora sobre este fato. A emissora se diz “surpreendida” por ser chamada a cumprir uma lei em vigor no Brasil – que tem o objetivo, exatamente, de garantir o princípio constitucional do equilíbrio jornalístico e o direito de não ser ofendido nos meios de comunicação.

Nega a resposta e veicula, no lugar, um editorial apaixonado em que reitera acusações e defende o que considera sua missão: “informar o povo, respaldada pela Constituição”, “com serenidade e sem nada a temer”.

Para fortalecer seu argumento, a mesma edição do JN publica nota da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) contra qualquer tentativa de intimidação à imprensa. Numa retórica que inverte a lógica das coisas, a empresa utiliza-se do discurso de defesa da liberdade de imprensa pra seguir sua atuação autoritária, avessa à pluralidade de pensamento no País.

Ao longo da semana, diferentes matérias vinham reforçando a ideia de que “os militantes do PT têm agredido jornalistas nos protestos”. Protege-se, com isso, da crítica dos envolvidos em suas matérias e da opinião pública, ao passo que continua a manipulá-la.

Ao longo desses dias, afirmações como “o governo está encurralado”, “Dilma não tem condições de superar a crise”, “a economia só piora”, “o PT está dividindo o país”, “o PMDB tem 30 dias para decidir se vai pular fora” e “tudo depende do que acontecerá no dia 13” foram propagadas aos quatro cantos, sem cessar. O roteiro parecia tão certo que uma das principais comentaristas de política do país chegou a tratar Dilma como “ex-presidente”.

O domingo, 13

Às 9h de domingo, a GloboNews dá início à sua cobertura ininterrupta, que se prolongou por mais de 12 horas, das manifestações. Não foi preciso muito esforço – nem uma convocatória explícita – para levar os brasileiros às ruas. O cenário já estava montado.

Ao longo do dia, repórteres e comentaristas se revezaram para enaltecer os protestos, repetir à exaustão, a cada cidade noticiada, os motivos que já estavam claros para os telespectadores, e jogar sobre os atos um peso decisivo sobre o processo de mudanças no comando do governo federal.

A comentarista Cristiana Lobo sentenciou que “o governo não reúne mais energia para resolver o problema da economia, nem para reaglutinar a base no Congresso, nem para responder às denuncias da Lava Jato. Está nocauteado”.

Para ela, “os problemas foram se acumulando e as respostas não vieram, por isso as manifestações cresceram”. “É evidente que as delações têm valor e vão chegar em algum momento ao governo, porque eles dizem que foram desviados recursos para as doações de campanha”, acrescentou.

Horas antes, Cristiana já havia afirmado que as manifestações alimentariam um desfecho para a crise, “e um desfecho com a Dilma não agrega… O Brasil está perdendo o bonde da história”.

“Podemos chegar ao final do dia sem a ideia de que o país está dividido”, avaliou Renata Lo Prete. “Imagina o efeito de uma onda; todo mundo é arrastado um pouco. Quem estava se agarrando ao governo ou fazendo conta de que valia ficar ao lado do governo vai rever essa conta. Tudo vai se precipitar porque a rua mandou um recado muito forte”, sentenciou. “Os perdedores claros são Dilma, Lula e o PT”.

Na TV aberta, o tradicional filme das tardes de domingo também foi suspenso para dar espaço à cobertura ao vivo do que se passava na Avenida Paulista, em São Paulo.

“Agora há pouco a gente presenciou o momento mais emocionante das manifestações. A FIESP jogou balões verdes e amarelos contra o número de impostos que os brasileiros pagam. Foi um movimento muito forte, as pessoas aplaudiram, foi uma emoção aqui”, declarou um repórter. Outra jornalista não conteve o entusiasmos e afirmou: “está linda a festa”.

Seletividade

Ao longo das doze horas de cobertura na GloboNews, diversos funcionários da emissora apresentaram sua leitura do mundo como se fosse a verdade absoluta. Aécio Neves e outras lideranças pró-impeachment tiveram espaço para declarações. A nota pública lançada pelo juiz Sérgio Moro foi lida. O contraditório, entretanto, não existiu.

Nem com convidados que pudessem trazer outra leitura dos fatos, como analistas políticos ou juristas críticos aos excessos da Lava Jato, nem com representantes do governo, nem com lideranças do Partido dos Trabalhadores, acusados de criminosos durante todo o dia. Opções não faltariam. Elas, contudo, foram descartadas em nome de uma cobertura repetitiva, tendenciosa e totalmente adequada aos interesses da emissora.

A mesma seletividade se repetiu no programa nobre da noite, agora na TV aberta. Em trinta e cinco minutos de Fantástico, coube ao PT apenas 45 segundos de fala; à Secretaria de Comunicação da Presidência da República, 30 segundos; e, aos protestos pró-governo, que também aconteceram pelo país, menos de 2,5 minutos.

A reportagem de abertura do programa, que teve 17 minutos de giro nacional e internacional sobre os atos, não teve qualquer contraponto. O bloco sobre as manifestações foi encerrado com mais de 6 minutos sobre novas táticas e descobertas da operação Lava Jato, selando um domingo nada plural – e triste – para o jornalismo brasileiro.

Como dissemos no último artigo publicado neste blog, compreender este cenário e as peças que os meios de comunicação são capazes de mover com velocidade no tabuleiro se mostra tarefa cada vez mais estratégica.

Principalmente para aqueles que, defendendo ou se opondo ao governo Dilma, acreditando ou não em Lula, entendem que a saída para a crise deve ser construída, necessariamente, dentro de regras democráticas. Ou seja, sem espaço para o golpismo político ou midiático.

* Colaborou Iara Moura. Bia Barbosa, Helena Martins e Iara Moura são jornalistas e integrantes do Conselho Diretor do Intervozes.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/03/o-papel-da-midia-no-protesto-de-domingo.html

Sergio Moro confessa objetivos da Lava-Jato

16.03.2016
Do BLOG DO MIRO
Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:



Moro escancara suas intenções e, de quebra, desmoraliza o -;) Melhor assim! Do Twitter de


Na quarta-feira (9), o juiz Sérgio Moro participou de um jantar-debate, em Curitiba, na sede do Lide (sigla para Grupo de Lideranças Empresariais), entidade do tucano João Doria Júnior, pré-candidato a prefeito de São Paulo, e que só aceita como associadas empresas brasileiras e multinacionais com faturamento igual ou superior a R$ 200 milhões anuais.


No evento, o juiz discursou para uma plateia de 200 empresários do "clube dos 1% mais ricos" – bem menos de 1% na verdade – e quando se aventurou por temas não jurídicos no fim do discurso, não decepcionou a plateia neoliberal adepta da elevada e imoral concentração de renda.

Moro disse não acreditar que a Operação Lava Jato tenha culpa no quadro de recessão e desemprego, alegando que "até os movimentos favoráveis do mercado, quando existe alguma diligência da Lava Jato, são indicativo de que a operação não é exatamente um problema".

Quanto à culpa, é óbvio que só a Lava Jato não é responsável pela desaceleração da economia chinesa, pela estagnação da Europa, pelo comércio mundial ter refluído, nem da queda do preço do petróleo, do minério de ferro e das mercadorias em geral. Mas, da forma como está sendo conduzida, a operação é como jogar gasolina na fogueira da crise interna.

Se o juiz consultar engenheiros do Brasil inteiro, receberá críticas severas quanto à condução da operação, por não tomar os devidos cuidados para preservar a continuidade de obras e manutenção de empregos. Se conversar com os empresários e executivos verá que há queixas quanto à insegurança jurídica nos inquéritos criminais, o que afasta investimentos no Brasil e está levando algumas empresas brasileiras a instalarem suas sedes no exterior.

Quanto a "movimentos favoráveis do mercado", estes são apenas o rebuliço que operações da Polícia Federal provocam na Bolsa e no câmbio. O elogio ao "mercado", da forma que foi colocado por Moro, revela um pendor neoliberal da visão de mundo do juiz.

No caso da Petrobras, o fato de as ações subirem quando aumenta a iminência de um "golpe paraguaio" para derrubar o governo não é expectativa de que a empresa venha a gerar mais empregos. É, isso sim, de pagar mais dividendos para acionistas, reduzindo seu investimento no desenvolvimento nacional.

A Sabesp sob gestão tucana deixou de investir no abastecimento de água de São Paulo para pagar mais dividendos a acionistas. Fez menos obras necessárias, criou menos empregos – "gastou menos", diriam economistas – e as ações subiram até mesmo com a chegada da crise hídrica. É possível ações subirem sem aumentar a produção e sem que a empresa venda nem um parafuso, por simples movimentos especulativos, ou expectativas de lucros para acionistas, em detrimento da produção, do emprego, da arrecadação de impostos, enfim, da nação.

Outro erro grosseiro de análise é não identificar e separar movimentos especulativos, oportunistas, que fazem as cotações subirem rápido, mas não se sustentam caindo de novo em seguida, até a próxima "bomba" da Lava Jato. Se fosse positivo para a economia, as cotações das ações apresentariam uma trajetória consistente de subida.

O que Moro não enxerga é que as operações e vazamentos "espetaculosos" trazem fortes indícios de também serem usados por especuladores inescrupulosos para manipular o mercado. Já passou da hora de investigar se está ocorrendo a prática criminosa de inside information, ou seja, informação sigilosa vazada clandestinamente, sabe-se lá por quem, para investidores saberem de antemão a hora de comprar e de vender as ações e aplicar em fundos derivativos, fazendo fortunas em poucas horas. E sem precisar colocar um único tijolo que seja em obra nenhuma.

Não custa lembrar que um banqueiro do banco BTG Pactual foi preso – ainda que sem provas, bem no padrão Lava Jato – por supostamente ter cópia da delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Quantos investidores têm tido acesso antecipado aos mesmos vazamentos concedidos a jornalistas de alguns veículos de imprensa, e que provocam movimentos nas bolsas de valores?

Investidores capitalistas também farejam jeito de ganhar (muito) dinheiro metendo a mão no patrimônio público do país, aproveitando-se de um governo dócil aos "mercados". Em jogo, o petróleo do pré-sal, as reservas monetárias de US$ 370 bilhões no Banco Central, a gestão da dívida pública, fatias do comércio mundial que o Brasil disputa, acesso privilegiado ao gigantesco mercado interno brasileiro e outras rodadas da privataria tucana. Tudo isso, sob um governo neoliberal, significa lucros astronômicos para investidores às custas do empobrecimento do povo brasileiro.

Voltando à festa no Lide. Moro também tentou passar uma mensagem de, digamos, otimismo à plateia de milionários. Disse que "nós já superamos crises econômicas pretéritas terríveis. Já vencemos duas ditaduras do século 20 (Estado Novo e ditadura civil-militar). Nós tivemos o trunfo contra a hiperinflação nos anos 1980 e 1990, nós tivemos a crise da dívida também nos anos 1980, nós superamos todos esses problemas (...)".

E parou por aí. Esqueceu de dizer que vencemos a crise das três quebradeiras impostas pela condução temerária da economia brasileira durante o governo FHC.

Mas o mais sintomático foi Moro ter desprezado o processo de inclusão social, de redução da pobreza e melhora da distribuição de renda, todos conquistados nos últimos 13 anos e que foi o grande motor do crescimento econômico recente e continua sendo a porta de saída da crise.

Também causou uma certa estranheza que, mesmo após essa omissão, de inúmeras indicações de que sua atuação à frente da Lava Jato tem como objetivo atingir o ex-presidente Lula, o governo de Dilma Rousseff e o PT, além do fato de que foi a segunda vez que esteve na entidade de João Doria Júnior, Moro disse que não é tucano: “Posso assegurar a todos que as motivações minha nunca foram partidárias. Tenho zero ligação com partido ou pessoas ligadas a partido”.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/03/sergio-moro-confessa-objetivos-da-lava.html