quarta-feira, 9 de março de 2016

De olho nas eleições, ofensiva contra o movimento sindical vem aí

09.03.2016
Do blog VI O MUNDO, 07.03.16

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Ataques ao movimento sindical à vista
O movimento sindical precisa se preparar para enfrentar a campanha de desqualificação que as forças conservadoras estão articulando com o propósito de enfraquecê-lo e desmoralizá-lo como força política e também como instrumento de representação legítima da classe trabalhadora.
O propósito de desqualificar o movimento, enquanto força política, é o de neutralizar a capacidade de influência das entidades sindicais no processo eleitoral, especialmente após o fim do financiamento empresarial de campanha, que faz de entidades associativas, com poder de mobilização e liderança sobre determinadas classes, um ativo fundamental nesse novo contexto político.
Para atingir esse objetivo vão utilizar a grande imprensa, o Ministério Público e o Congresso.
A imprensa será a responsável por publicar denúncias envolvendo entidades e lideranças sindicais.
O Ministério Público será acionado para fiscalizar e auditar as entidades, especialmente em relação ao uso dos recursos oriundos da contribuição sindical compulsória.
E o Congresso para instalar Comissões Parlamentares de Inquéritos para expor negativamente ou criminalizar a atividade sindical.
Já o questionamento da representação classista tem por objetivo enfraquecer as entidades e suas lideranças, tanto no enfrentamento às mudanças no mundo do trabalho – como a flexibilização da legislação, a terceirização na atividade-fim e a pejotização – quanto nos processos de livre negociação, já sem a prevalência da lei sobre o acordo ou convenção coletiva.
Para reduzir a resistência das entidades sindicais às mudanças na legislação vão se valer – além da tática de amedrontar os trabalhadores com o fantasma da crise econômica e do elevado desemprego – de personagens como Ives Gandra Filho, atual presidente do Tribunal Superior do Trabalho, de ministros bem posicionados no Governo, como Kátia Abreu, no Ministério da Agricultura, e Armando Monteiro, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além da forte bancada empresarial no Congresso.
No caso do TST, a tática passa por mudanças nos enunciados do tribunal, como o que trata da indenização por dano moral. No caso dos ministros, a proposta é pressionar o Governo por mudanças nas Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, sob o fundamento de que dificultam a produtividade e a competitividade das empresas.
E no Congresso passa por apresentar projetos de lei mudando a CLT, emendas a medidas provisórias com essa finalidade e projetos de decreto legislativo sustando portarias e normas regulamentadoras que criem obrigação para o empregador.
Portanto, o argumento central para mudança na legislação será de que, na recessão, as empresas só poderão preservar os empregos se liberadas do cumprimento de algumas obrigações trabalhistas.
Assim, na lógica traçada, a entidade sindical que não concordar com mudanças que permitam ao trabalhador abrir mão de alguns direitos, ainda que temporariamente, estará indo contra o interesse do empregado, porque forçará a sua demissão.
Em relação às entidades e lideranças, o argumento é de que as entidades arrecadam compulsoriamente de seus representados e não os representam adequadamente, além de desviar recursos para finalidades alheias à defesa do trabalho, como supostamente nepotismo, regalias, super-salários e uso da estrutura para fins políticos eleitorais, entre outros.
As lideranças sindicais, para fazer esse enfrentamento, precisam ter clareza de que as entidades sindicais são uma das principais conquistas do processo civilizatório, de um lado, porque contribuem para distribuir renda de forma pacífica, e, de outro, porque organizam e dão suporte político e associativo aos trabalhadores.
Precisam, igualmente, ter a convicção de que a instituição sindical, como instrumento de defesa dos direitos e interesses da coletividade, em geral, e da classe trabalhadora, em particular, é um dos pilares da democracia e dispõe de uma série de poderes e prerrogativas que a credencia como um ator relevante no cenário político, econômico e social do país.
Entre esses poderes e prerrogativas das entidades sindicais, destacam-se: 1) o poder de estabelecer ação regulatória por via dos instrumentos normativos, 2) a força de restringir ou condicionar a liberdade patronal na contratação e definição de condições de trabalho, 3) a garantia de autotutela do próprio interesse, 4) o reconhecimento de certo poder extra-legal, como os fixados em acordos e convenções coletivas que celebra, os quais têm força de lei, 5) o poder de atuar como substituto processual, e 6) a prerrogativa de ingressar no Supremo Tribunal Federal com ação direta de inconstitucionalidade.
Logo, não podem as lideranças sindicais, em hipótese alguma, prescindir desse instrumento de defesa dos direitos e interesses da classe trabalhadora.
A continuidade dessa instituição, entretanto, depende de credibilidade e legitimidade de seus dirigentes, cuja missão é representar, organizar, mobilizar, defender os direitos e interesses e educar o trabalhador para a cidadania.
Assim, para que as forças conservadoras não encontrem eco em seu discurso, é fundamental que as entidades sindicais sempre se pautem por boas práticas no exercício dos poderes e prerrogativas legais e extra-legais inerentes a elas.
Essa é a condição para a preservação e fortalecimento dessa conquista importante do processo civilizatório, que é a organização do movimento sindical.
*Jornalista
Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/de-olho-nas-eleicoes-ofensiva-contra-o-movimento-sindical-vem-ai.html

MP-SP DENUNCIA LULA POR SUPOSTA COMPRA DO TRIPLEX

09.03.2016
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/220408/MP-SP-denuncia-Lula-por-suposta-compra-do-triplex.htm

Estadão transforma corrente de WhatsApp em fala de Lula

09.03.2016
Do portal da REVISTA FORUM
Por Redação

A frase “Se me deixarem solto, viro presidente de novo” nunca foi dita pelo petista e não passa de um meme que circula pelas redes sociais. Jornal a usou como se tivesse sido dita por Lula “a mais de um interlocutor”, sem citar nomes

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O jornal O Estado de S. Paulo publicou, na manhã desta quarta-feira (9), uma matéria em que reproduz mais uma suposta fala de Lula. De acordo com a publicação da família Mesquita, o ex-presidente teria feito uma “avaliação positiva” da operação da Polícia Federal que o conduziu de forma coercitiva para um depoimento na última sexta-feira (4).

“A partir de agora, se me prenderem, eu viro herói. Se me matarem, viro mártir. E, se me deixarem solto, viro presidente de novo”, teria, segundo o jornal, dito o ex-presidente na coletiva concedida após o depoimento que prestou na semana passada.

A frase, no entanto, nunca foi dita pelo ex-presidente e não passa de uma corrente que circula no WhatsApp e em outras redes sociais, segundo o Instituto Lula. “Inventaram. Tiraram de corrente. Já conhecíamos a frase faz tempo”, disse à reportagem da Fórum a assessoria de imprensa do instituto.

No Facebook do ex-presidente, uma postagem já desmente a informação.

“A mensagem de apoio a Lula que o Estadão credita ao próprio ex-presidente é velha conhecida da ‪‎Equipe Lula‬: trata-se de corrente que circula o Whatsapp e os comentários no Facebook desde a sexta-feira. Na sanha de construir audiência usando o nome de Lula, o Estadão, que na tarde de hoje dedica 12 chamadas em sua capa ao ex-presidente, parece ter reduzido o critério para colher relatos anônimos sobre o que Lula disse ou deixou de dizer”, escreveu a equipe da entidade.

A partir da matéria do Estadão, a fala foi reproduzida também por outros portais, como Folha de S. Paulo/UOL, Exame e Valor.

Foto: Mídia Ninja
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/2016/03/09/estadao-transforma-corrente-de-whatsapp-em-fala-de-lula/

Lava Jato: Vazamentos só para quem interessa

09.03.2016
Do portal BRASIL247
Por  Paulo Moreira Leite

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A notícia de que a Operação Lava Jato decidiu investigar os vazamentos de informações internas deveria ser recebida com menos naturalidade por parte da mídia grande, principal beneficiária de notícias exclusivas sobre investigações que, em princípio, deveriam ocorrer em segredo.

Toda instituição pública ou privada tem o direito de apurar responsabilidades internas pelo vazamento de informações de circulação restrita. É uma forma de defesa e proteção da imagem.

O complicado se encontra no outro lado do guichê: quando se tenta conduzir a apuração para o interior de jornais e revistas que exercem o direito sagrado a liberdade de expressão. Um dos pontos altos da Constituição brasileira, o capítulo sobre direitos individuais protege o sigilo da fonte como garantia constitucional. Quem fala de vazamentos, e sabe do que está falando, cedo ou tarde chegará aí.

O uso dos vazamentos -- quando isso convém a seu ponto de vista -- é defendido sem  maiores rodeios por Sérgio Moro no célebre artigo sobre a Operação Mãos Limpas, escrito em 2004, que pode ser visto como uma reflexão preparatória da Lava Jato.

Avaliando a dificuldade de investigar, processar e prender lideranças com respaldo legítimo na sociedade italiana, que poderia reagir inconformada durante o processo, Moro explica a necessidade de "deslegitimar" a classe política. "Ao mesmo tempo em que tornava a ação judicial possível, a deslegitimação era por ela alimentada", escreve.

Em outro trecho, o juiz da Lava Jato esclarece: "A investigação vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão era veiculada no L'Espresso, no La Reppublica e outros jornais e revistas simpatizantes (o grifo é meu)." Difícil negar que, uma década depois, com simples mudanças de nome e endereço, a mesma estratégia esteja sendo aplicada no Brasil.

Os vazamentos têm um aspecto utilitário: ajudam a destruir a imagem pública dos acusados, assegurando credibilidade para denúncias que não se consegue demonstrar de forma límpida.

Vazando "como uma peneira" informações que lhe interessam, a Lava Jato consegue amortecer eventuais reações contra acusados reconhecidos pela população. Fica incomodada, porém, quando pode ser úteis para a defesa, contribuindo para questionar o que acontece. Estamos num caso claro de dois pesos, duas medidas -- nada de novo, certo?

Não é coincidência que o problema tenha surgido agora, no momento em que a Lava Jato enfrenta uma etapa decisiva, histórica, do ponto de vista político e jurídico: cercar e tentar condenar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mais popular político brasileiro, sem equivalência ao lado da massa de ilustres desconhecidos -- para a grande massa da população -- levados para a carceragem de Curitiba. Estamos falando do personagem cujo destino marcará a fronteira não só da operação -- mas da própria democracia brasileira e seus limites em futuro próximo.

Verdade que, em parte, Lula já foi atingido, como era inevitável, pelas sucessivas reportagens que, tratando informações vazadas contra ele como prova de verdade, lhe reservam um único direito: "negar" que seja o proprietário do triplex do Guarujá e "negar" que tenha comprado o sítio de Atibaia. É um tratamento desigual, apenas coreográfico, que ajuda a criar um ambiente de pré-condenação, "deslegitimando" possíveis argumentos em sua defesa. 

O truque é este: não se demonstra que Lula comprou o triplex nem o sítio, situação que deveria levar ao reconhecimento de que é inocente até que se prove o contrário. É tratado como um cidadão suspeito que apenas "nega" sua culpa. Um pré-condenado que, cedo ou tarde, não terá mais quem o defenda e poderá ser condenado -- mesmo que as provas continuem fracas como sempre foram.

A reação popular à condução coercitiva de Lula pela Polícia Federal demonstrou, porém, que este trabalho de destruição está longe de ter sido completado. Ao contrário do que ocorreu em outros 117 casos anteriores de condução coercitiva, uma parcela significativa dos brasileiros fez questão de demonstrar sua indignação. Pode-se acreditar que tudo teria ocorrido da mesma forma, se a Folha de S. Paulo não tivesse a postos às 5 da manhã em frente à casa de Lula? Se a notícia não tivesse explodido nas redes sociais? Duvido.

A experiência, em qualquer país onde vigoram valores democráticos, informa que a decisão de publicar -- ou não -- informações consideradas confidenciais é responsabilidade dos próprios meios de comunicação. É um princípio, que protege os jornais e a população em seu direito a ser informada, em particular sobre assuntos de interesse público indiscutível.

Abrir mão desse direito, aceitando tentativas mesmo informais de pressão externa, é uma maneira lamentável de adaptar-se a um estado de coisas policialesco, postura nefasta que já marcou boa parte da imprensa brasileira durante o regime militar. Naquele tempo, empregava-se a censura justamente para impedir que a população fosse informada sobre o destino macabro reservado a cidadãos que eram feitos prisioneiros. Como uma coisa sempre leva a outra, a censura encaixava-se com a supressão de outro direito, ao habeas corpus, suspenso na treva do AI-5. Curioso, não? 

Para colocar o debate em campo neutro. Embora soubesse da decisão do governo norte-americano em apoiar a invasão da Baía dos Porcos, num grotesco ato de sabotagem contra a revolução de Fidel Castro, o mais influente jornal dos Estados Unidos, New York Times, decidiu não publicar uma linha a respeito. A operação contra revolucionária foi um vexame e o saldo foi inevitável. Após um longo e demorado processo de avaliação interna, o New York Times fez a necessária autocrítica. Em 1971, o mesmo jornal enfrentou o Pentágono e a Casa Branca para publicar os célebres "Papéis do Pentágono", que traziam informações secretas sobre o debate dentro do governo sobre os rumos da guerra do Vietnã. Levando a guerra até a Suprema Corte, o jornal foi autorizado a publicar os documentos.

Glorificado como um dos heróis da liberdade de imprensa, Emile Zola foi preso e condenado pela publicação do célebre Eu Acuso, onde denunciava a fraude que levou a condenação do capitão Dreyfus. Para não cumprir pena de prisão, fugiu para a Inglaterra.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/220335/Lava-Jato-Vazamentos-s%C3%B3-para-quem-interessa.htm

O BANDIDO: "...porque não prendem esse homem, com tantos delitos?"

09.03.2016
Do portal BRASIL247
Por ADERBAL FREIRE-FILHO*

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Era uma rádio no nordeste, fim dos anos sessenta e, na onda dos festivais de música popular, decidimos fazer lá também nosso festival. Uns jovens desconhecidos, a maioria deles universitários, começaram a se inscrever: Rodger e Dedé (Física), Belchior (Medicina), Fausto Nilo (Arquitetura), Fagner, Jorge Melo, etc. Uma tarde, apareceu lá um cara com uma história no mínimo curiosa. Dizia que uma música de grande sucesso da época – não lembro se do Roberto Carlos, do Altemar Dutra – era composição sua e tinha sido plagiada, mais até, tinha sido roubada. Era difícil acreditar, mas ele garantiu, cantarolou a música, contou uma história e, para que não duvidássemos, mostrou outra música, também conhecida e que seria dele também. O festival era a oportunidade de mostrar outras músicas suas e desmascarar tudo.

E se fosse verdade? Ponto pro festival. Marcamos uma reunião na sala da direção para saber mais detalhes, provas, etc. Ele começou nos assustando com outras denuncias, que Caetano, que Chico, que Carlinhos Lyra... Enfim, em menos de 10 minutos já dava pra ver que o cara era maluco. Mas, só pra terminar, um dos radialistas que estava ali perguntou: você conhece All The Way, com o Frank Sinatra? É minha, ele respondeu. E completou: todas as músicas são minhas. Bom, deixamos o cara em paz, ele inscreveu lá duas ou três músicas fuleiras dele mesmo (aliás, nada prova que essas eram dele mesmo) e ficou por isso. Depois, ele passou a aparecer vez por outra na rádio, onde ficou conhecido como O Compositor. E a gente gostava de dizer sou amigo d'O Compositor, O Compositor te mandou um abraço...

Lembro dele agora a propósito do Lula, O Bandido. A diferença é que todos estão levando a coisa a sério. Então, se é assim, porque não prendem logo esse homem?

Lula, como se sabe, recebeu um terço da propina de Furnas. Depois, mandou sua amante com o filho (dele, DNA à parte) para fora do país e acertou com ela uma mesada, a ser paga pela empresa Brasif, que no seu governo obteve todas as concessões de free-shops em aeroportos, como nunca antes na história desse país. Free-shops nos aeroportos, Lula reservou o avião do governo do Estado de São Paulo para que sua mulher fizesse as viagens que quisesse, quando quisesse. Mas isso era pouco: Lula mandou sua mulher aprender tênis numa academia na Flórida e contratou um professor a quem pagou 59 mil dólares pelas aulas. Como não dava para mandar esse dinheiro daqui, foi preciso abrir contas na Suíça. Bom, Lula é um homem honrado (ele diz), não tem contas na Suíça, é apenas "usufrutuário em vida de ativos geridos por um truste", qualquer coisa assim. Em São Paulo, Lula fez a farra. Sua última façanha foi mais uma prova de que comunistas matam criancinhas. Os tempos são outros, o estilo é outro: roubar merenda escolar. Armou com o presidente da Assembleia Legislativa, também conhecido por Lula, e com Lula, chefe de Gabinete do governador Geraldo Lula da Silva, para superfaturar as compras de frutas e legumes e cobrar propinas da Cooperativa dos Produtores. Antes, numa jogada altamente internacional, envolvendo a Alemanha (Siemens), Canadá (Bombardier), França (Alstom) e Espanha (CAF), superfaturou os preços dos trens do metrô. É preciso dizer que Lula fez tudo isso em São Paulo, apesar da alternância de poder que acontece lá, como querem todos os partidos da oposição e toda a imprensa. No governo desse Estado, eleito em 1995, Luis Inácio Covas foi sucedido por Mário Lula Covas, depois por Lula Alckmin, depois por Geraldo Lula da Silva, em seguida por José Serra Lula da Silva e novamente por Geraldo Lula, mais de 20 anos de alternância, isto é, Lulas para todos os gostos.

Apesar das evidências, Lula nega absolutamente tudo e, com mais veemência, seu envolvimento em uma operação de tráfico de cocaína, documentada, filmada e pesada (450 quilos de pasta base). A cocaína era transportada por um helicóptero de um deputado amigo de Lula, do partido do Paulinho Lula, e descarregou a droga em uma de suas fazendas mineiras. Ele tem outras fazendas em Minas, assim como sua família, sendo a mais conhecida a de um tio, onde construiu um aeroporto com dinheiro público, para uso privado desse tio e seu.

E isso é uma lista pequena. O que dizer dos famosos filhos de Lula beneficiados nas privatizações (genros inclusive), feiras internacionais, empregos onde nunca aparecem, etc. A meritocracia de Lula é clara. Por exemplo, a irmã da sua ex-amante fez por merecer um emprego no gabinete de um senador aliado, com salário integral e ausência integral (possivelmente lanche a domicilio com pão integral, ainda sem provas, mas com indícios, evidências, um vizinho viu...).

Enfim, porque não prendem esse homem, com tantos delitos?

Perdem tempo com bobagens, como se nós, da velha rádio nordestina, tivéssemos perdido tempo querendo investigar se as três músicas fuleiras d'O Compositor seriam ou não dele. Ficam querendo saber se uma empreiteira pagou a reforma de um sítio que ele frequenta (e que pode ser dele!!!) e se outra pagou a reforma de um apartamento que ele diz que não é dele (mas pode ser!!!) e gastam munição bombardeando o bote de dona Marisa Letícia. Perda de tempo: d. Marisa está estudando tênis na Flórida e o bote afundou em Parati (ou vice-versa).

O Merval Pereira, em quem todos acreditamos, garante: O Bandido é ele. Textualmente: "enfim foi descoberto o chefe da organização criminosa que assaltou o Brasil". Meu amigo Merval atesta o que não podíamos atestar, nós, pobres radialistas provincianos, a respeito d'O Compositor: é verdade, tudo foi ele quem fez, O Bandido. E não essas três musiquinhas de merda, esses pedalinhos, essas caixas de cerveja, essa churrasqueira. Será que cometemos uma tremenda injustiça com O Compositor, não vendo que pelas três composições tidas como dele, dava pra atestar que ele era o autor de All The Way e de todas, absolutamente todas as músicas?

*Diretor e autor teatral, ator e apresentador
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/220319/O-bandido.htm

LULA2018: LULA VOLTA A LULA

09.03.2016
Do portal da REVISTA PIAUÍ/ESTADÃO
Por  JOÃO MOREIRA SALLES


Quem acompanhou os eventos espantosos da sexta-feira passada, dia 4 de março, talvez tenha reparado no rapaz de blazer escuro, cabelo sem corte e barba preta que em momento algum se afastou de Lula. Era Ricardo Stuckert, fotógrafo oficial de Lula. Na coletiva na sede do PT, não é possível vê-lo pela transmissão da TV dos Trabalhadores, emissora do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Mas ele aparece na câmera da Globo, que, ao contrário da TVT, mostrou tudo num quadro mais aberto. Stuckert está à esquerda da cena, filmando e fotografando ininterruptamente, às vezes se debruçando sobre Rui Falcão para apoiar a câmera no tampo da mesa, a menos de um metro de Lula. Às cinco da tarde, quando Lula volta para casa e sai do carro ainda na rua, Stuckert se cola a ele e os dois são engolidos pelos militantes. Minutos depois, já no playground do prédio, Lula acena para os simpatizantes enquantoStuckert se move em todas as direções, num balé agitado. À noite, no Sindicato dos Bancários, Stuckert está na primeira fila do palanque, a um corpo de distância de Lula, câmera fixa nele.

Uma seleção das fotos que Stuckert produziu nesse dia está disponível no site do Instituto Lula. Elas variam de lugar a lugar, mas o motivo se repete: Lula sobre galhadas de braços que se estendem para tocá-lo, como nas romarias. É a retórica do herói do povo, feliz junto aos seus, nos quais busca as energias para a luta política. Sem dúvida um contraponto legítimo à narrativa visual dos veículos da grande imprensa, nos quais Lula em geral aparece isolado (eis um uso político das fotografias e, como se verá, das lentes), seja de cabeça baixa, seja de rosto crispado, a demonstrar raiva, quando não fúria.

A presença de Stuckert no dia 4 é a confirmação de que os que esperavam algum esclarecimento estavam fadados a se frustrar. Eis por que as cenas do fotógrafo colado ao grande líder são tão eloquentes. Lula quis ser fotografado naquele dia. Ora, quem quer ser fotografado quando se sente devedor? Clinton não deve ter pedido a seu fotógrafo oficial que registrasse todos os seus passos durante o processo de impeachment que sofreu. Lula, ao contrário, usou o dia 4 para reafirmar a própria imagem.

Há uma cena extraordinária em ABC da Greve, o filme de Leon Hirszman sobre a greve dos metalúrgicos de 1979. Os operários ocupam a praça à espera da fala do líder. Ele está lá, mas a massa não o vê. Surgirá, todos sabem, no terraço elevado que dá para a praça, espécie de parlatório improvisado onde outros sindicalistas já discursam.


Lula aguarda a hora. Está recuado, a uns dez passos do guarda-corpo, invisível à multidão. A câmera de Adrian Cooper o mostra de corpo inteiro. Veste uma camisa estampada de manga comprida e fuma. Tenso, porque seria irresponsável não estar, e determinado, porque o desenlace dependerá dele, parece ter plena consciência de que este é um momento histórico do qual é ele o protagonista.

Alguém lhe diz qualquer coisa ao pé do ouvido; Lula responde com duas ou três palavras. Outro vem com o braço estendido e o enlaça estreitamente; Lula inclina a cabeça e ouve uma recomendação que logo descarta com um meneio firme, afastando o braço do companheiro. Até o plano terminar, quase um minuto depois, ninguém mais lhe dirá coisa alguma.

Aos 34 anos, Lula exala autoridade, não hierarquia. Num gesto que só pode existir entre iguais, alguém puxa sua mão e acende um cigarro no dele. Lula nem olha. Mantém os olhos fixos na direção de onde chega o rumor da multidão. Todos se agitam à volta dele, satélites sob efeito de seu campo gravitacional. Lula, ele próprio, não sai do lugar. Embora cercado de companheiros, nessa hora grave é um homem sozinho. Nada chama mais atenção do que isso.

A solidão do poder é um lugar-comum. Poucos são os fotógrafos dos poderosos que não se rendem ao cacoete visual da figura solitária encerrada pelo mármore inóspito dos palácios, ou da silhueta de costas que contempla o horizonte pela janela do gabinete presidencial vazio. Mas essa nunca foi a iconografia de Lula. O mundo dele sempre foi gregário e ruidoso, mais arquibancada do que biblioteca, mais churrascaria do que casa de chá. Durante a campanha de 2002, que segui de perto para o documentário Entreatos, Lula nunca esteve só, nem mesmo no sentido da cena deABC da Greve, de isolamento introspectivo. Por isso a cena sobressai. Ao menos na minha memória, ela é o último registro público que se tem de um Lula apartado dos outros e fechado em si mesmo. Lula forma os seus juízos não em silêncio, mas na conversa, quando talvez fale mais do que ouça, um pouco à moda dos tenistas que aprimoram o jogo batendo bola contra uma parede.

Acima de tudo, Lula se revigora no encontro com a multidão, da qual precisa como uma planta de luz. Stuckert sabe disso. Fiel ao personagem retratado, ele produziu um conjunto de imagens públicas de Lula em que o líder está quase sempre cercado pelo povo. O fotógrafo húngaro Robert Capa dizia que é preciso estar próximo do objeto fotografado. Stuckert parece ter aprendido a lição. Ele não usa a teleobjetiva, essa lente que isola o personagem, própria para capturar a solidão, mas a grande-angular, que em termos de efeito ótico opera como um abraço coletivo, a envolver todos os que entram no campo. Tudo que se aproxima de uma grande-angular cresce, e assim também, nas mãos de Stuckert, o ex-presidente. Há política na escolha das lentes. A disciplina exige colar a grande-angular em Lula, para que ele não suma no bolo, e fechar o diafragma, para não negar foco a ninguém. “Aí vem tudo”, no jargão dos fotógrafos – vêm os olhos dos emocionados, o rosto marcado dos que trabalham ao sol, os calos de quem estende a mão, os dentes dos que gritam ou sorriem.

juiz Sergio Moro justificou a condução coercitiva aplicada a Lula dizendo que a medida servia para preservar a ordem pública. Diante da reação que se viu, defendeu-se no dia seguinte: “Cuidados foram tomados para preservar, durante a diligência, a imagem do ex-Presidente”. É uma afirmação na melhor das hipóteses ingênua; na pior delas, cínica. Ainda se decidirá se Moro atropelou a lei, mas, no mínimo, ele cometeu um erro tático. É difícil dissociar o elemento político de um mandado contra Lula. A política é feita de símbolos, e no Brasil ninguém os domina melhor do que Lula. Ao se dirigir ao país na sede do PT, Lula atualizou vários deles.

Em tom, espírito e decibéis a fala de Lula no dia 4 foi em tudo diferente do discurso do mensalão de 2005, quando o então presidente se disse traído e pediu desculpas à nação. É provável que nessa fase Stuckert tenha trabalhado menos. Lá atrás, Lula estava constrangido; agora se disse indignado. A diferença entre os dois discursos é a que existe entre uma coisa e outra. O tom de 2005 era formal e domesticado; o de agora foi improvisado e combativo. Lá o espírito era de recomposição; agora foi de ruptura. Lula falou baixo em 2005 e trovejou em 2016.

Durante a campanha de 2002 e, principalmente, nos anos do primeiro mandato, Lula não se furtava a dizer, sempre em tom galhofeiro, que, ao se tornar um homem influente, os luxos que até então lhe haviam sido negados agora lhe eram oferecidos. Gostava de insistir em como esses privilégios agora eram seus também, e o fazia não por empáfia, mas como sinal de que a classe operária tinha o direito de reivindicar para si os bens da burguesia. Era um velho tema seu que muitos não compreenderam. Havia o elogio dos ternos (“Só gosta de macacão quem nunca usou”) e a frustração que dizia sentir toda vez que o recenseador do IBGE batia à sua porta e não se interessava em registrar que ele tinha “um ventilador, uma tevê e um TL azul-turquesa”. Foi o período em que pretensamente as classes podiam se sentar todas à mesma mesa. Não mais. “Romanée-Conti” e “decantador” foram palavras que saíram de sua boca com desprezo, símbolos do que já não quer, do que será sempre negado a ele e a seus pares. Pobre Marco Aurélio Garcia, que o presenteou com o desgraçado decantador.

Do mesmo modo, quem o acompanhou nos anos de poder testemunhou as incontáveis vezes em que Lula incorporou palavras eruditas e expressões afetadas (chamava-as, com graça, de “chiques”) a seu vocabulário. Por exemplo, em 2009, depois que Caetano Veloso criticou nele um certo desapreço pelo idioma, Lula passou a encaixar sine qua non nos seus discursos, acrescentando sempre, de improviso, uma variante de “Viu, companheiros? Agora eu tô até usando expressões chiques como sine qua non”. Havia zombaria nisso, mas também um tanto de orgulho. Palavras raras, assim como vinhos, deviam e podiam ser experimentadas por todos. Na sexta foi diferente. Mais do que de hábito, Lula carregou na origem popular. Fez questão de demonstrar dificuldade com a expressão “condução coercitiva”, que agora, entenda-se, ele devolvia às elites.

E quando ele rugiu na sede do PT o que se ouviu foi uma voz já parcialmente esquecida, a do Lula pré-2002. No discurso de vitória daquele ano, diante de milhares de pessoas na avenida Paulista, o presidente eleito envolveu seus erres guturais no veludo da conciliação. Foi um discurso tão comovente quanto suave, próprio ao Lulinha Paz & Amor daquela campanha. A cena bonita de ABC da Greve termina com Lula avançando em direção à massa. Ele começa manso e aos poucos se inflama. É quando o espectador de hoje reconhece o orador de ontem. Os erres de 1979 e os de 2016 são os mesmos, rascantes e cheios de pontas; ferem os ouvidos dos adversários e galvanizam os militantes. Lula repôs sua mitologia em circulação.

Acontece que o rio correu. A água, antes cristalina, se turvou com as impurezas dos últimos anos. Resta saber, então, se quando ele avançar a praça estará cheia.

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Fonte:http://revistapiaui.estadao.com.br/questoes-da-politica/lula-volta-a-lula/

Aécio citado na delação de Delcídio e os cidadãos feitos de bobos

09.03.2016
Do BLOG DE MÁRIO MAGALHÃES
UOL NOTÍCIAS
Por Mário Magalhães

Senador Aécio Neves, candidato derrotado a presidente em 2014 – Foto Kleyton Amorim/UOL

Os jornais, ao menos a “Folha'' e “O Globo'', informam hoje que o senador Aécio Neves (PSDB) foi citado no esboço da dita delação premiada do senador Delcídio do Amaral (“suspenso'' do PT).

Ignora-se em que termos Delcídio se pronunciou sobre Aécio. O contexto são as investigações da Operação Lava Jato sobre roubalheira e outros crimes.

A versão do senador que planejava a fuga do bandido Nestor Cerveró vazou semana passada nos trechos relativos a alegadas falcatruas da presidente Dilma Rousseff (PT) e do ex-presidente Lula (PT). Mas não sobre ações de Aécio.

Quando é para informar aos brasileiros o que Delcídio falou a respeito de Aécio Neves, o silêncio, ou quase, impera. Menos em relação à pregação do tucano por moralidade e contra a bandalheira.

Na quinta-feira, o vazamento da minuta da delação de Delcídio que fere os petistas fez enorme estardalhaço.

Muito justo, pois as acusações são graves. O problema foi encarar a versão do senador encrencado como revelação da verdade suprema ou desqualificá-la liminarmente por sair da boca de quem saiu. É preciso apurar se o que Delcídio diz tem lastro nos fatos.

A bomba que foi o noticiário sobre o relato de Delcídio esquentou os ânimos para o clímax da “condução coercitiva'' de Lula no dia seguinte, por agentes da Polícia Federal. Coincidência?

Do ponto de vista cidadão e jornalístico, a pergunta elementar é: por que não vazou também o que Delcídio falou sobre Aécio, Renan Calheiros (PMDB) e outros políticos menos influentes?

Porque quem vazou queria atingir um só alvo, ou alvos do mesmo time, é evidente.

E se a “citação'' não tiver nada de mais?

Ué, quando fulano “cita'' beltrano, e esse beltrano é o vilão da hora, a citação, ainda que não esclarecida, é alardeada em brados retumbantes.

Basta apurar e, se for o caso, informar que alguém foi mencionado, mas não implicado em gatunagem.

As informações que chegam aos brasileiros são filtradas, de acordo com os propósitos de quem as vaza.

Na Lava Jato, os testemunhos sobre Aécio Neves não vazam ou demoram meses para alguém descobri-los nos autos do processo, como na suposta entrega de dinheiro para ele por uma turma da pesada.

Delcídio é mais um que cita Aécio na Lava Jato. Quando aparece o nome do candidato derrotado à Presidência, leva tempo para se saber, e quase sempre dá em nada na Justiça. Isso é com a Justiça, que sabe, ou deve saber, o que faz.

Mas conhecer o conjunto das informações, e não apenas o que é conveniente para quem as vaza e divulga, é direito dos cidadãos.

Quando isso não ocorre, os cidadãos são feitos de bobos.

Se Lula e Dilma têm culpa no cartório, que paguem como qualquer pessoa.

A lei deve se impor a todos, inclusive os protegidos pelos vazadores seletivos de informações.

Não custa enfatizar, só se pode condenar com provas, o que também vale para Aécio, Lula e Dilma. Ao menos na democracia.

Na democracia, não existe ladrão bom e mau. Quem é ladrão tem de ser punido. Ou criaram a figura do larápio inimputável?
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Fonte:http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2016/03/09/aecio-citado-na-delacao-de-delcidio-e-os-cidadaos-feitos-de-bobos/

Cadê a "condução coercitiva" de Aécio?

09.03.2016
Do BLOG DO MIRO
Por Altamiro Borges


Desta vez, os vazamentos seletivos da Operação Lava-Jato, chefiada pelo "justiceiro" Sergio Moro, não conseguiram blindar totalmente Aécio Neves. Os jornais desta quarta-feira (2) informam - sem maior alarde, como sempre ocorre - que o cambaleante tucano foi citado na sinistra delação premiada do senador Delcídio do Amaral sobre o esquema de propina na Petrobras. Quatro membros da cúpula do PMDB, incluindo o presidente do Senado, Renan Calheiros, também foram mencionados,


No caso do presidente do PSDB, que até hoje não engoliu a surra nas urnas em 2014, esta é a quinta vez que ele é citado nos depoimentos da Lava-Jato. Anteriormente, o doleiro Alberto Youssef, o entregador de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o lobista Fernando Mouro e o ex-deputado Pedro Corrêa já tinham acusado Aécio Neves de participar do esquema de corrupção na Petrobras e outras estatais, como Furnas. Todas estas denúncias, porém, logo foram abafadas pela mídia tucana e não resultaram em nenhuma ação concreta do Ministério Público Federal e do carrasco Sergio Moro.

Diante da notícia bombástica, o cambaleante tucano se apressou em desqualificar o "vazamento". Em vídeo postado na manhã desta quarta-feira na internet, Aécio Neves afirmou que a suposta delação "é mais uma tentativa de vincular a oposição, e claro, sempre, o meu nome, à Operação Lava-Jato... Outras tentativas já ocorreram e foram arquivadas porque foram desmascaradas, porque eram falsas. Esse escândalo tem DNA: é do PT e de seus aliados". Ainda posando de vestal da ética, ele convocou os seus fieis seguidores a participaram da marcha golpista deste domingo. Haja cinismo!

Na semana passada, a mídia oposicionista fez o maior estardalhaço com o vazamento de trechos bem selecionados da suposta delação premiada de Delcídio Amaral. Isto serviu para criar o clima para a ação criminosa do juiz Sergio Moro, que determinou a "condução coercitiva" do ex-presidente Lula, de seus familiares e assessores. Será que agora o "justiceiro" vai acionar 200 agentes fortemente armados da Polícia Federal e outros recursos para solicitar a "condução coercitiva" de Aécio Neves? Lógico que não! O esforço, novamente, será para abafar a denúncia - que "não vem ao caso".

Em tempo: Na midiática operação de sexta-feira passada, o Ministério Público e a Polícia Federal cometeram vários crimes. Nesta quarta-feira (9), o Instituto Lula denunciou mais um deles:

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Lava-Jato sequestra ilegalmente toda a comunicação do Instituto Lula

Durante a operação de busca e apreensão no Instituto Lula na última sexta-feira (4), a Polícia Federal exigiu, sob voz de prisão do técnico de informática, a senha do administrador das contas de e-mail @institutolula.org, o que não constava no mandado da justiça, que fazia referência apenas poucas contas de e-mail específicas.

Com a informação que receberam sem mandato, passaram a ser os únicos a poder criar e bloquear e-mails, além de terem acesso livre a todas as contas do Instituto Lula, indo muito além do mandado original expedido pelo juiz Sérgio Moro. 

Mais do que isso. Ontem foi efetivamente violado o sigilo de cinco contas de e-mail, todas sem o respaldo legal de um mandato judicial.

Trata-se não somente de mais uma violação das regras legais. Trata-se de uma violência às garantias e direitos fundamentais expressos no artigo 5º da Constituição Federal, uma salvaguarda civilizatória defendida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e por todas as democracias deste planeta.

O Instituto Lula peticionou na terça-feira (8), ao juiz Moro, a devolução da senha do administrador para o fim desse abuso de poder contra o trabalho de uma entidade da sociedade civil brasileira.

A apropriação ilegal da senha do administrador dos e-mails do Instituto (hospedados no Google) permite à Polícia Federal: ler todas as mensagens de todas as contas do Instituto (inclusive esta e qualquer comunicação com a imprensa, violando princípio constitucional), apagar informações, e, como já aconteceu, trocar a senha, impedindo o acesso as contas pelos seus usuários, bloqueando seu trabalho e contatos.

A senha também permite que eles criem novos (e ilegítimos) e-mails com o domínio doinstitutolula.org e que mandem mensagens em nome de qualquer conta do Instituto. Imagine se um abuso desse fosse cometido com a sua conta de e-mail pessoal, com a conta de e-mail de uma empresa, ou de um órgão da imprensa. 

O Instituto Lula é uma organização da sociedade civil brasileira sem fins lucrativos, com contatos e trabalho conjunto com movimentos sociais, entidades sindicais, organismos internacionais, governos e ex-mandatários da África, América Latina, Estados Unidos, Europa, Ásia e Oceania. 

Apenas para citar alguns exemplos, temos acordos, parcerias ou relacionamento com a FAO, a Cepal, com a União Africana, com a União Europeia, com a Unasul, com as fundações do Partido Socialista Francês e do Partido Social Democrata Alemão, com o Podemos e o PSOE da Espanha, com o sindicato dos trabalhadores da indústria automotiva dos Estados Unidos (UAW), com o sindicato dos metalúrgicos da Alemanha (IG Metall), com a Central Sindical da África do Sul (Cosatu), com a Fundação Bill e Melinda Gates, com a Fundação Clinton etc. 

Recebemos visitas de jornalistas, acadêmicos, embaixadores, lideranças partidárias, chefes e ex-chefes de estado interessados em conversar sobre o cenário político mundial e a experiência do Brasil no combate à pobreza com os diretores do Instituto e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma das personalidades brasileiras mais conhecidas no exterior.

O sequestro feito pela Polícia Federal de toda a nossa autonomia e privacidade em comunicações eletrônicas é uma violência contra a democracia, a liberdade de organização e expressão.

Caso este e-mail de contato com a imprensa seja bloqueado ou qualquer mensagem não autorizada por nós seja enviada como se fosse um comunicado do Instituto, retificaremos através do nosso site e de nossos contatos telefônicos.
Aguardamos a decisão que restaure nosso direito a comunicação e ao trabalho, e o respeito as leis e a democracia brasileira.

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Leia também:







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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/03/cade-conducao-coercitiva-de-aecio.html

Papa argentino é outra coisa: sabe onde vão parar os golpes

09.03.2016
Do blog TIJOLAÇO
Por  FERNANDO BRITO

bispodiamantina
O Papa Francisco mostrou que é rápido com o Báculo de São Pedro e deu de imediato uma arrumada no rebanho, com a transferência de D. Darci José Nicioli da função de bispo-auxiliar de Aparecida do Norte para a de bispo de Diamantina, em Minas Gerais, sua terra.
Não foi uma punição, mas uma sinalização e o próprio D. Darci deve ter percebido que passou do tom.
D. Darci tem todo o direito de apoiar ou criticar este ou qualquer governo.
Mas não está a altura da Igreja moderna insuflar os fiéis a algo que possa ser entendido como ato de violência, muito menos invocando passagens bíblicas para sustentar o que diz.
O bispo errou ao  estimular, do púlpito, os fiéis “a pisar sobre a cabeça de todas as víboras e de todos aqueles que se autodenominam jararaca”
Isto é coisa para os Marcos Felicianos, que pregam o ódio e a intolerância como marketing.
Seria o mesmo se um padre de esquerda sugerisse aos fiéis pegarem o chicote contra os vendilhões do templo que querem entregar o petróleo brasileiro.
Claro que não pretendo ensinar padre a rezar missa, mas tenho todo o direito de aplaudir o gesto papal pela serenidade de ânimos. Afinal, convivi com muitos religiosos, bispos até, e sempre fui respeitado em minhas convicções, porque gente tolerante e humana.
Francisco é argentino e sabe muito bem o que acontece nas rupturas democráticas.
Morrem pessoas, destrói-se o convívio, excomunga-se a paz.
Resistir politicamente, ocupar as ruas, protestar não é apenas um direito, é um dever de cidadania.
Mas fazer provocação, insuflar a violência, mandar pisar e esmagar… até eu que não creio sei que só pode ser um plano infernal.
Francisco vai se tornando um papa, pelo que fala e pelo que faz, digno de admiração de todos, católicos ou não.
Aliás, mais que de admiração. Neste aspecto da conjugação da firmeza com a serenidade tem sido um grande exemplo.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/papa-argentino-e-outra-coisa-sabe-onde-vao-parar-os-golpes/

O que há em comum entre a 'IstoÉ' de hoje e aquela 'Veja' de 2014

09.03.2016
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 04.03.16
Por Helena Sthephanowitz

Caso Delcídio lembra aquela capa da véspera do segundo turno. Revista troca delação verdadeira contra Aécio por falsa sobre Dilma. Veja documentos abaixo.
capas
Se o vazador de hoje for do mesmo de 2014, o teor da 'delação' de Delcídio também deve estar invertido. Em vez de Dilma ou Lula serem os citados, algum grão-tucano queridinho da mídia é que pode estar encrencado
Lembram da capa mentirosa da revista Veja na véspera do segundo turno de 2014, cuja distribuição foi antecipada para a quinta-feira antes do domingo de votação? Dizia que o doleiro Alberto Youssef havia delatado na terça-feira – dia 21 daquele mês – que Lula e Dilma “sabiam tudo”, referindo-se às propinas na Petrobras.
Em março de 2015, toda a delação premiada de Youssef foi publicada em órgãos de imprensa. Então foi possível saber que, naquele 21 de outubro, Youssef prestou três depoimentos. Um sobre propinas relacionadas ao Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) para gente do PP e PTB. Outro sobre propinas de laboratórios na Anvisa. E o terceiro foi quando falou pela primeira vez saber que Aécio Neves (PSDB-MG) tinha influência em Furnas e recebia “comissões” por intermédio da irmã.
Youssef delatou Aécio no dia 21 de outubro, a terça-feira citada na capa e na matéria da revista Veja. A revista, em vez de noticiar a verdade na capa – “Youssef delata Aécio por propinas em Furnas”, noticiou o contrário, como se o doleiro tivesse delatado Dilma e Lula, coisa que ele não fez.
Não tratou-se apenas de péssimo jornalismo, pois o “engano” simplesmente inverteu a notícia sobre os dois candidatos que disputavam a Presidência da República, três dias antes do pleito. A revista foi usada literalmente como panfleto mentiroso de campanha pró Aécio Neves.
Naquela sexta-feira antes das eleições, dia seguinte ao da circulação da revista, o então advogado do doleiro, Antônio Augusto Figueiredo Basto, respondia à própria Veja: “(...) Não posso me manifestar sobre um fato que é sigiloso. Nunca desmenti a reportagem da revista. Eu não posso desmentir um fato sobre o qual não posso me manifestar”.
Ao jornal O Globo, desmentiu, se dizendo “surpreso”: “Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso. Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso (...) Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação”.
Passadas as eleições, outros jornais publicaram que Youssef prestou depoimento na terça-feira 21 e não citou Lula ou Dilma. Era mentira da Veja, como depois a mentira ficou documentada com a publicação dos depoimentos de Youssef.
No dia 17 de novembro de 2014, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, confirmou em entrevista àFolha de S.Paulo que houve tentativa de usar a Lava Jato eleitoralmente: “Estava visível que queriam interferir no processo eleitoral. O advogado do Alberto Youssef operava para o PSDB do Paraná, foi indicado pelo (governador) Beto Richa para a coisa de saneamento (Conselho de administração da Sanepar), tinha vinculação com partido. O advogado começou a vazar coisas seletivamente. Eu alertei que isso deveria parar, porque a cláusula contratual diz que nem o Youssef nem o advogado podem falar. Se isso seguisse, eu não teria compromisso de homologar a delação”.
Por uma incrível coincidência, quando o mesmo Antonio Augusto Figueiredo Basto advoga para o senador Delcídio Amaral (PT-MS), a revista IstoÉ publica o vazamento de uma suposta delação de Delcídio – já desmentida. É mais fantasiosa do que aquela capa da Veja, pois há fatos “delatados” impossíveis de terem ocorrido pela própria cronologia.
Depois de horas de a notícia ser repercutida o dia inteiro, provocando movimentos especulativos nas Bolsas de Valores, no dólar e realimentando movimentos golpistas no Congresso, Delcídio e Basto emitiram no fim da tarde uma nota dizendo “não confirmar” o conteúdo de reportagem: “Não conhecemos a origem, tampouco reconhecemos a autenticidade dos documentos que vão acostados ao texto. Esclarecemos que em momento algum, nem antes nem depois da matéria, fomos contatados pela referida jornalista para nos manifestarmos sobre a fidedignidade dos fatos relatados”.
Se “o vazador” de hoje for do mesmo padrão falso e invertido daquele que vazou para a capa da revista Vejaem 2014, o teor da delação de Delcídio, se existir ou se vier a existir, também deve estar invertido. Em vez de Dilma ou Lula serem os citados, algum grão-tucano queridinho da mídia é que pode estar encrencado na delação. Lembremos que Delcídio já delatou informalmente o “petrolão tucano” ocorrido no governo FHC em suas inconfidências gravadas pelo filho de Nestor Cerveró.
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/helena/2016/03/o-que-ha-em-comum-entre-a-istoe-de-hoje-e-aquela-veja-de-2014-8814.html