sábado, 13 de fevereiro de 2016

Lava-Jato visa promover 'limpeza ideológica'

13.02.2016
Do BLOG DO MIRO
por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:


Pouco a pouco, vai se tornando clara como água a natureza da Operação Lava Jato. A direita, mesmo na oposição, conseguiu o que a esquerda, mesmo no poder, não conseguiu – até porque, nunca tentou: colocar grande parte da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário a serviço de uma corrente político-ideológica.

É estarrecedor como a direita conseguiu aparelhar ideologicamente essas instituições e colocá-las a seu serviço enquanto os governos “republicanos” do PT se gabavam de não interferir nelas.

Sim, Lula 1, Lula 2, Dilma 1 e Dilma 2 jamais interferiram nesses órgãos, mas esqueceram de tomar cuidado para que outros não interferissem. Não nomear procuradores-gerais da República, Chefes da Polícia Federal ou ministros do Supremo alinhados com o governo não bastava. Era preciso que os nomeados não estivessem alinhados com a oposição.

Nesse aspecto, chega a ser estarrecedor como Lula e Dilma permitiram que esses órgãos fossem sendo dominados por grupos político-ideológicos. Deixaram a coisa correr tão solta que, hoje, MP e PF, por exemplo, têm militantes tucanos à frente de investigações.

O juiz Sergio Moro, por exemplo, provém de uma conhecida família abastada, ultraconservadora e antipetista do interior do Paraná. Colocá-lo à frente da Operação Lava Jato foi uma decisão política adjacente à montagem de uma estratégia de limpeza político-ideológica no país. A Operação foi pensada para tirar o PT do poder, já que não era possível derrotá-lo eleitoralmente.

Ano passado, foi fartamente divulgado um documento que mostra que Moro foi escolhido a dedo por seus pendores político-ideológicos e por sua obsessão por uma armação da direita italiana que colocou no poder por um longo período um dos maiores picaretas da história do país, Silvio Berlusconi.

Em 2004, Moro escreveu exaltação da Operação Mãos Limpas que não deixa dúvidas quanto ao caráter ideológico e político da operação policialesca italiana.

O documento escrito por Moro mostra que os vazamentos ilegais e seletivos só contra políticos de esquerda ou aliados são propositais, planejados pelo juiz ligado ao PSDB. Mostra, também, que, como na operação italiana, tudo gira em torno de um grande alvo político.

Enquanto que na Itália os alvos primordiais eram o Partido Comunista Italiano e o Partido Socialista Italiano, no Brasil os alvos são o PT e Lula. Desde o começo.

Assim como na Itália a Operação Mãos Limpas não mudou nada. Como só visava alvos de esquerda, a corrupção continuou. A operação, como admite Moro em seu “paper”, foi responsável pela “santificação” de Berlusconi, de modo que a corrupção continuou, só que pelas mãos da direita.

O pior é que, ao menos na Itália, essa farsa deu certo. A direita radical se manteve no poder por muito tempo graças à Operação Mãos Limpas, até que a população percebesse o que tinha acontecido entregasse o poder ao Partido Democrático, fundado em 2007 através da fusão de vários partidos de centro-esquerda.

O PD não chega a ser bem um partido de esquerda, mas pelo menos a direita fascista de Berlusconi foi apeada do poder.

O que se pode dizer é que o Brasil ainda deve sofrer muito com a Lava Jato. Além de continuar afundando a economia, deve facilitar a ascensão da direita ao poder, o que deve gerar aumento considerável da pobreza e da desigualdade.

A permanência de Dilma no poder durante os próximos 2 anos e 11 meses é o que resta de chance aos desvalidos deste país. Mas se a política continuar nessa toada, ela pouco poderá fazer além de evitar a piora das condições atuais.

Mas se a Lava Jato conseguir aqui o que a Mãos Limpas conseguiu na Itália, a piora das condições sociais dos brasileiros dará um salto após a saída de Dilma. A ideia que norteou a Mãos Limpas e que norteia a Lava Jato é justamente a de colocar os pobres no seu lugar, ou seja, na pobreza.

E, claro, abrir o caminho para a direita roubar à vontade.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2016/02/lava-jato-visa-promover-limpeza.html

A “mudança” do Lula: vira-latas não sabem fazer contas, só fofocas

13.02.2016
Do blog TIJOLAÇO, 13.02.16
Por Fernando Brito

caixa
Lula ocupou a Presidência da República por oito anos.
Como cada ano tem  52,1429 semanas (52 semanas e mais um dia) e os anos bissextos têm 52,2857 (52 semanas e mais dois dias), entre a posse de Lula e o final de seu segundo mandato, existiram 417,4214 semanas.
Se o ex-presidente usou 200 caixas em sua mudança, deixando de lado que parte do seu conteúdo tenha vindo com ele para o Palácio da Alvorada, tem-se, então, que Lula “juntou” menos de meia caixa por semana, entre objetos de toda espécie, papéis ou lá o que seja. Que foram entregues – uau! – no super-secreto sítio, o único “aparelho” que dá endereço e ainda referência de como ser encontrado….
Bem, vamos às tais “37 caixas de bebida”.
Vamos esquecer que “caixa de bebida” em linguagem de mudança, são aquelas que têm divisões internas de papelão e servem tanto para garrafas quanto para copos, taças ou outros objetos frágeis que possam se partir na viagem.
Fossem as 37 de bebida, mesmo, a 12 garrafas (e olhe lá se eu faria a mudança de um presidente correndo o risco de ter tantas por embalagem), são 440 garrafas, no total. Uma por semana, aproximadamente.
Exercício simples: se Lula tiver ganho uma dúzia de garrafas de cachaça, uísque, licor, espumante, champagne, suco de uva (eu ganhei uma do MST), vinho, vodca, sidra (sabe como é pobre, né?) a cada aniversário (oito) e a cada final de ano (oito também), são 16 dúzias, ou 192 garrafas. Imagine  aí que alguém seja gentil ao ponto de dar um presentinho a D. Mariza, quem sabe uma garrafinha de vinho branco  ou um licorzinho de jenipapo, ou uma boa pinguinha da roça a ele, uma garrafa por mês, inteirando uma dúzia por ano. São mais oito dúzias, 96 garrafas.
Agora bote aí que o Lula – assim como eu ou você faríamos – tenha voltado de suas viagens à Itália, França, Espanha, Portugal (nem vou contar a Argentina e o Chile, para não desagradar a turma do “vinhos finos”) – trazendo uma caixa de vinho. Como foram 27 passagens por estes países em seus oito anos de mandato, são – ai, jesus! – 27 dúzias, ou 324 garrafas!
Somou? Dá 612 garrafas e, a uma dúzia por caixa, 51 caixas. Deu uma boa ideia, né?
Como se vê é o tipo de aritmética para fazer escândalo e iludir os babacas.
Meu velho avô, todas as noites, tomava, como bom filho de português, uma cerveja preta, que tem 600 ml. Uma, nem mais, nem menos. Eu também poderia dizer que o velho, durante os mesmos oito anos de Lula no Planalto, tomaria 1,7 mil litros de cerveja, ou quase duas caixas d’água.
Mas o jornalistas que reviram latas de lixo não têm vergonha de fazer isso.
O negócio é gritar: 37 CAIXAS!
Quantas caixas de champagne foram gastas, de “cortesia”, por Fernando Henrique Cardoso no réveillon de 2000, no Forte de Copacabana, segundo a Época doados pela M. Chandon? Isso para a patuléia, porque, segundo a revista,  a mesa presidencial era abastecida de champanhe Crystal, francês, safra de 1950“.
A safra comercial, com seis anos e não o de uma supersafra de 40 anos , custa a bagatela de R$ 1,9 mil a garrafa.
Como diz o vendedor, “um champagne exclusivo, superlativo, o rei dos Champagnes, o Champagne do tsar, o champagne dos reis, engarrafado em flacões do mais nobre e do mais puro cristal: o Cristal de Baccarat. Daí o nome que o consagrou. Uma jóia de exceção. Não havia recepção na corte imperial russa sem Champagne Cristal Roederer. A partir de então, a maison Roederer passou a enviar-lhe anualmente sua melhor cuvée. É o néctar dos Deuses, dos reis, dos tsares…’
Este, claro, pode…
O outro?
Ah, o outro os procuradores, que ganham só  de auxílio moradia o suficiente para comprar por mês 15 caixas daquele chileninho básico com que eu ou você nos damos por muito bem servidos, vão investigar…
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/a-mudanca-do-lula-vira-latas-nao-sabem-fazer-contas/

Depois de Getúlio, JK e Jango, é a vez de Lula

13.02.2016
Do portal BRASIL247, 
Por  ELVINO BOHN GASS *

:

O título desse artigo já foi um chamado eleitoral do PT, mas sua utilização aqui não tem caráter de campanha antecipada; trata-se, somente, de constatar que, uma vez frustrada a tentativa de golpe por meio de um impeachment vazio de provas, à oposição resta, agora, mirar sua arma municiada com sandices, mentiras e factoides contra Luiz Inácio Lula da Silva. Daí que quem diz "agora é Lula", neste momento, é a oposição.

Com a nitidez de sempre, Chico Buarque sintetizou o jogo em entrevista ao maior jornal espanhol, o El País, no final de 2015: "Querem acabar com o PT e desgastar Dilma para evitar a volta de Lula ao poder em 2018. O alvo não é Dilma, mas o Lula; têm medo que ele volte a se candidatar".

Chico é tão límpido que qualquer outra consideração sobre a política brasileira neste início de 2016 seria dispensável. Não fosse pelo fato de que há, sim, uma novidade: o depoimento à Polícia Federal do entregador de valores Carlos Alexandre de Souza Rocha, o "Ceará", homem que foi contratado pelo doleiro Alberto Youssef para entregar R$ 300 mil a um diretor de empreiteira que repassaria os valores a ninguém menos do que o senador tucano Aécio Neves (MG). Detalhe: segundo o delator, Aécio não apenas recebia a propina como também era o "mais chato" na cobrança do dinheiro sujo. Eis a novidade: o maior líder da oposição brasileira pode estar envolvido no escândalo de corrupção na Petrobras.

E se "Ceará" estiver dizendo a verdade? Aí o jogo político muda todo. Por isso, não convém seguir noticiando o caso? Porque isso pode enfraquecer o ex-governador mineiro? Afinal, o presidente do PSDB é o homem em quem a meia dúzia de famílias que dominam a grande mídia joga suas fichas para tirar o poder das mãos do PT. Essas famílias, já não há dúvidas, elas mesmas confessaram, são parte da oposição política.

Então, 2016 nem bem começou e já está velho. A oposição mira em Lula para ver se consegue tirá-lo da próxima eleição e há evidência de que os tucanos estão enrolados até o pescoço no escândalo da Petrobras – mas reconheça-se como novidade o perfil "cobrador" de Aécio.

A tentativa de atingir o líder do PT é antiga, desde quando se descobriu que foi de dentro do Instituto FHC que partiu a mentira de que Lulinha seria dono da Friboi. Depois, seguiram-se leviandades sobre a nora, o outro filho e, mais recentemente, sobre uma canoa de lata. Agora, concentra-se num sítio que Lula costumava frequentar, em Atibaia.

São elementos imprestáveis para justificar sequer a abertura de uma investigação, mas como é tudo o que resta à oposição, o jeito é contar, mais uma vez, com a imprensa amiga para fazer parecer que Lula estaria escondendo alguma coisa e sua prisão seria uma questão de tempo. Nada mais falso. Nada mais cretino.

Mas para a velha elite conservadora, oligárquica e golpista do país, não importa o Brasil, mas o poder. E, para retomá-lo, se for preciso mandam-se às favas leitores, telespectadores, eleitores e cidadania; se for preciso sustentar mentiras e esconder a verdade, se for preciso golpear, ah, não tenham dúvida de que será feito. E nem isso será novidade, afinal, fizeram com Getúlio, com Juscelino, com Jango. Agora é Lula.

* ELVINO BOHN GASSDeputado federal (PT-RS) e secretário nacional agrário do partido
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/elvinobohngass/216827/Depois-de-Get%C3%BAlio-JK-e-Jango-%C3%A9-a-vez-de-Lula.htm

DILMA: 'LULA É VÍTIMA DE UMA GRANDE INJUSTIÇA'

13.02.2016
Do portal BRASIL247

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/216907/Dilma-'Lula-%C3%A9-v%C3%ADtima-de-uma-grande-injusti%C3%A7a'.htm

MP confirma superfaturamento na Marginal Tietê: Quando José Serra, Paulo Preto e Delson Amador serão ouvidos?

13.02.2016
Do blog VI O MUNDO, 08.02.16
serra e paulo preto 2
Estilo Serra, ou como “abandonar um líder ferido na estrada”. Ele aparece na inauguração do Rodoanel, em 30 de março de 2010, último dia do seu mandato como governador paulista. Paulo Preto, cercado por operários de macacão laranja, está agachado na fila dianteira. Depois, em pé, ao lado de Serra. No entanto, o então candidato à presidência da República pelo PSDB diz que não o conhece: “Eu não sei quem é o Paulo Preto. Nunca ouvi falar. Ele foi um factoide criado para que vocês (imprensa) fiquem perguntando, disse o tucano em Goiânia em 11 de outubro de 2010, quando perguntado por repórteres
por Conceição Lemes
Em 28 de janeiro de 2016, reportagem publicada por CartaCapital, de Henrique Beirangê, revela: Fraude nas gestões de Serra e Kassab é denunciada em SP.  Em questão, obras para ampliar a Marginal Tietê, na capital paulista, em 2009-2010 (na íntegra, ao final deste artigo):
Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra seis pessoas  por envolvimento em fraudes na licitação para as obras de ampliação da Marginal Tietê, na capital paulista. As obras foram realizadas entre 2009 e 2011 por meio de uma parceria entre o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (hoje ministro das Cidades e integrante do PSD), e o então governador e hoje senador José Serra (PSDB).
De acordo com as investigações, a obra recebeu pelo menos 71 milhões de reais de maneira indevida. Os promotores afirmam que um dos lotes do contrato inicialmente previsto em 289 milhões de reais saiu por 360 milhões.
(…)
Entre os denunciados estão o ex-sócio da construtora Delta Fernando Cavendish e o doleiro Adir Assad. 
A obra tinha dois lotes: 1 e 2. A licitação do chamado lote 2 foi vencida pelo consórcio Nova Tietê, liderado pela Delta (participação de 75% a 80%). Por enquanto a denúncia do MPE-SP diz respeito apenas ao lote 2.
Fernando Cavendish é ex-sócio da Delta Construções, um dos alvos da CPI do Cachoeira, instalada em abril de 2012. Ela apurava denúncias de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira, preso naquele ano sob acusação de corrupção e exploração de jogos ilegais, atuava como “sócio oculto” e lobista para a construtora.
Adir Assad,  como já dissemos aqui foi preso em 16 de março de 2015 em Curitiba (PR) por decisão do juiz Sérgio Moro por suposto envolvimento nos desvios da Petrobras. É o doleiro das obras tucanas no Estado de São Paulo, segundo reportagem publicada na edição de 30 julho de 2015 de CartaCapital.
O nome de Adir aparece associado, por exemplo, ao Rodoanel Sul 5 e à ampliação das marginais do rio Tietê, anunciada em 4 de junho de 2009, com bumbos e fanfarras, pelo então governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (na época DEM, hoje PSD).
Na época, o governo do Estado e a Prefeitura fizeram um convênio para ampliar a Marginal Tietê. Porém, a responsabilidade para contratação das obras ficou com a Dersa, que é do Estado.
Adir Assad
Na reportagem Adir Assad, o doleiro das obras tucanas, o repórter Henrique Beirangê observa:

A prisão de Assad revigora outro escândalo já esquecido: o esquema da Construtora Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. O doleiro aparece principalmente nas histórias de desvios de obras no estado São Paulo, governado há mais de duas décadas pelo PSDB.
Pois são justamente esses escândalos que haviam “submergido” e agora voltam com a denúncia feita pelo MPE-SP.
MP CONFIRMA: ADITAMENTO DENUNCIADO PELO VIOMUNDO ERA MESMO IRREGULAR
Em 30 de abril de 2012, o Viomundo  denunciou isso com detalhes na reportagem: São Paulo fez contratos de quase um bi com a Delta; Paulo Preto assinou o maior deles, no governo Serra.
Estávamos em plena CPI do Cachoeira e a mídia se “esqueceu” destas conexões explosivas: Dersa-Delta-Ampliação da Marginal Tietê-Paulo Preto-José Serra.
Viomundo publicou (no final, a íntegra da matéria originalmente publicada):
No dia da instalação da CPI do Cachoeira, 19 de abril, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao ser questionado sobre os contratos da Delta com o Estado de São Paulo, disse não estar preocupado com eles, segundo a Folha de S. Paulo:“Nem sei se tem [contratos], se tem são ínfimos ”.
A verdade é outra. Levantamento feito pelo blog Transparência SP revela que, de 2002 a 2011, a Delta fechou pelo menos 27 contratos (incluindo participação em consórcios) com empresas e órgãos públicos do governo do Estado de São Paulo.
Na lista de contratantes,  Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Somam cerca de R$ 800 milhões em valores nominais. Em valores corrigidos (considerando a inflação do período) chegam a R$ 943,2 milhões.
Desses R$ 943,2 milhõesR$ 178, 5 milhões foram celebrados nas gestões Alckmin (2002 a março de 2006 e de janeiro de 2011 em diante) e R$ 764,8 milhões no governo de José Serra (janeiro de 2007 a abril de 2010).
O maior contrato da Delta com órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo foi com a Dersa para executar a ampliação da marginal do rio Tietê: R$ 415.078.940,59 (valores corrigidos)
(…)
O consórcio da Delta venceu a licitação para o lote 2 da Nova Marginal do Tietê com uma diferença de R$ 2,4 milhões em relação ao segundo colocado, o Consórcio Desenvolvimento Viário (EIT – Empresa Industrial Técnica S/A — e Egesa Engenharia), que, por sinal, ganhou o lote 1.
(…) 1 ano 4 meses depois, o consórcio da Delta conseguiu um “aditamentozinho” de R$ 71.622.948,47 no contrato [PS do Viomundo: Justamente o aditamento que denunciamos em 2012 e que o MPE-SP concluiu agora ser irregular; essa obra não poderia ter aditivo].
Na época da licitação, Paulo Vieira de Souza era diretor de Engenharia da Dersa, e seu presidente Delson José Amador, que acumulava a superintendência do DER.
Paulo Vieira de Souza é o Paulo Preto, ou Negão, como é mais conhecido. Até abril de 2010 foi diretor da Dersa. Com uma extensa folha de serviços prestados ao PSDB
(…)
O nome de Paulo Preto apareceu ainda na investigação feita pela Polícia Federal que resultou na Operação Castelo de Areia. Na ação, executivos da construtora Camargo Corrêa são acusados de comandar um esquema de propinas em obras públicas.
(…)
Em 1997, durante a presidência de Andrea Matarazzo, Amador virou diretor da Cesp. Aí, foi responsável pela fiscalização de obras tocadas pela Camargo Corrêa, como a Usina de Porto Primavera, e a Ponte Pauliceia, construída sobre o Rio Paraná para ligar os municípios de Pauliceia, em São Paulo, e Brasilândia, em Mato Grosso do Sul. Amador foi ainda chefe de gabinete de Matarazzo na subprefeitura da Sé.
Certidão emitida pela Junta Comercial de São Paulo mostra que o representante legal do Consórcio Nova Tietê é Heraldo Puccini Neto, diretor da Delta Construções para São Paulo e Sul do Brasil.
(…) Ele assinou pela Delta o contrato  para ampliar a marginal do Tietê, enquanto Paulo Preto e  Delson Amador, pela Dersa. Ambos apareceram na Operação Castelo de Areia.
Os escândalos envolvendo os tucanos frequentemente morrem nas gavetas do Ministério Público Federal e do MPE-SP, assim como nos escaninhos de parte do Judiciário. Alguém duvida de que se trata blindagem, respaldada e estimulada pela grande mídia?
Como perguntar não ofende e todo repórter tem a obrigação de questionar sempre, para buscar a verdade factual, oViomundo indaga:
* O MP vai focar apenas nos corruptores? Cadê os corruptos?
* Adir Assad ficou preso em Curitiba de 16 de março a 16 de dezembro de 2015. O que revelou à força-tarefa da Lava Jato? Foi questionada a sua ação central na lavagem de dinheiro das empreiteiras nas obras tucanas paulistas? Será que agora ele vai relatar ao MP tudo o que sabe sobre o esquema de fraudes e corrupção em São Paulo ou ficará calado para não incriminar os tucanos?
* Paulo Preto, Delson Amador e Heraldo Puccini Neto serão investigados e os sigilos quebrados? Paulo Preto é o do meio, de cabelos grisalhos; o de olhos claros e barba, Delson Amador. Serra, claro, dispensa identificação.
serra, paulo preto e delson Amador-001
*Considerando que José Serra era o governador paulista na época, ele será ouvido?

* Que fim levou a representação (na íntegra, abaixo) encabeçada pelo deputado estadual João Paulo Rillo (PT-SP), protocolada no MPE-SP em 26 de abril de 2012 — portanto, há quase quatro anos! — sob nº 0060383/12?
Ela pedia que o MP apurasse possíveis atos de improbidade administrativa praticados por José Serra, Paulo Preto e Delson Amador, diante de sinais de superfaturamento das obras de ampliação da Marginal Tietê.
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Fraude nas gestões de Serra e Kassab é denunciada em SP
Pagamentos indevidos em obra de ampliação viária na marginal Tietê foram de ao menos 71 milhões de reais, diz o Ministério Público
O Ministério Público de São Paulo apresentou denúncia contra seis pessoas por envolvimento em fraudes na licitação para as obras de ampliação da Marginal Tietê, na capital paulista. As obras foram realizadas entre 2009 e 2011 por meio de uma parceria entre o então prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (hoje ministro das Cidades e integrante do PSD), e o então governador e hoje senador José Serra (PSDB).
De acordo com as investigações, a obra recebeu pelo menos 71 milhões de reais de maneira indevida. Os promotores afirmam que um dos lotes do contrato inicialmente previsto em 289 milhões de reais saiu por 360 milhões.
Uma segunda fase das investigações será iniciada para apurar a participação de políticos no esquema. De acordo com a denúncia, as fraudes teriam a função de abastecer campanhas eleitorais.
Entre os denunciados estão o ex-sócio da construtora Delta Fernando Cavendish e o doleiro Adir Assad. Reportagem de CartaCapitalde julho de 2015 mostrou que um relatório da operação Lava Jato já apontava pagamentos milionários do Consórcio Nova Tietê, liderado pela construtora Delta, para empresas fantasmas do doleiro, além de outros empreendimentos do governo de São Paulo. Assad está preso em Curitiba desde março do ano passado.
O primeiro pagamento que salta aos olhos é um depósito de 37 milhões de reais do consórcio para a Legend Engenheiros, uma das companhias usadas por Assad para lavar dinheiro. O valor inicial do contrato de ampliação da Marginal Tietê previa gastos de 1 bilhão de reais em toda a ampliação, mas subiu para 1,75 bilhão, ou seja, acréscimo de 75%.
A obra foi acompanhada na época pela Dersa, empresa de economia mista na qual o principal acionista é o estado de São Paulo. Na assinatura do contrato entre o governo e o consórcio, o nome do representante da empresa estatal que aparece é o de um velho conhecido: Paulo Vieira de Souza, o famoso “Paulo Preto”, cuja trajetória e estripulias foram bastante comentadas durante a campanha presidencial de 2010. Acusado de falcatruas, Preto fez uma acusação velada a Serra e ao PSDB à época. “Não se abandona um líder ferido na estrada”, afirmou.
Na página 41 do relatório do Ministério Público Federal do ano passado, aparece outro pagamento, de 2,6 milhões de reais, da Concessionária do Sistema Anhanguera Bandeirantes à Rock Star Marketing, também de propriedade do doleiro.
O sistema rodoviário interliga a capital paulista ao interior do estado e foi licitado em 1997 pela gestão tucana de Mário Covas. O vencedor foi o CCR, que tem entre seus acionistas a Camargo Corrêa e a Andrade Gutierrez. Esta, aponta o relatório, repassou à Legend 125 milhões de reais. O sistema possui oito praças de pedágio e, de acordo com o relatório aos investidores, só no ano passado gerou lucro líquido de 669 milhões.
Detectou-se ainda um depósito de 624 mil reais na conta da Rock Star por uma empresa pertencente à CCR responsável pela exploração do sistema Castelo-Raposo, que liga a capital ao Oeste Paulista.
O Rodoanel também não devia escapar da mira dos promotores. Orçada em 3,6 bilhões de reais, a obra foi dividida em cinco trechos. Vencedora de um dos lotes, a empresa Rodoanel Sul 5 Engenharia depositou 4,6 milhões na conta da Legend. Por receber repasses da União, o Rodoanel passou por uma auditoria do Tribunal de Contas da União.
De acordo com um relatório do TCU, o consórcio formado pela empreiteira OAS e Mendes Júnior, também envolvidas no escândalo da Petrobras, incorporou irregularmente uma terceira empresa para a execução, uma violação das regras da licitação. Coincidência ou não, a OAS alimentou as contas de Assad. Um depósito de cerca de 2 milhões de reais foi identificado na quebra de sigilo.
Outra concessionária responsável por erguer outro trecho do Rodoanel, a SP Mar, repassou 4,2 milhões à empresa de Assad. A SP Mar pertence ao Grupo Bertin e cuidou da interligação do trecho sul à Rodovia Presidente Dutra, em Arujá.
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Nesta semana começam efetivamente os trabalhos da CPI que investigará as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos, autoridades e empresários. Um dos alvos, a Delta Construções, de Fernando Cavendish. Suspeita-se, com base em informações da Operação Monte Carlo, realizada pela Polícia Federal (PF), do envolvimento da empresa com Cachoeira.
No dia da instalação da CPI do Cachoeira, 19 de abril, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), ao ser questionado sobre os contratos da Delta com o Estado de São Paulo, disse não estar preocupado com eles, segundo a Folha de S. Paulo:“Nem sei se tem [contratos], se tem são ínfimos ”.
A verdade é outra. Levantamento feito pelo blog Transparência SP revela que, de 2002 a 2011, a Delta fechou pelo menos 27 contratos (incluindo participação em consórcios) com empresas e órgãos públicos do governo do Estado de São Paulo.
Na lista de contratantes,  Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Somam cerca de R$ 800 milhões em valores nominais. Em valores corrigidos (considerando a inflação do período) chegam a R$ 943,2 milhões.
Desses R$ 943,2 milhões, R$ 178, 5 milhões foram celebrados nasgestões Alckmin (2002 a março de 2006 e de janeiro de 2011 em diante) e R$ 764,8 milhões no governo de José Serra (janeiro de 2007 a abril de 2010).

DERSA CONTRATOU DELTA PARA A NOVA MARGINAL DO TIETÊ POR  R$ 415.078.940,59
O maior contrato da Delta com órgãos e empresas do governo do Estado de São Paulo foi com a Dersa para executar a ampliação da marginal do rio Tietê: R$ 415.078.940,59 (valores corrigidos)
Apesar de condenada por ambientalistas, geólogos e urbanistas, a Nova Marginal do Tietê foi anunciada em 4 de junho de 2009, com bumbos e fanfarras, pelo então governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (hoje PSD, na época DEM).
Na época, o portal do governo do Estado de São Paulo informou: Investimento de R$ 1,3 bilhão prevê, além de novas pontes e viadutos, plantio de cerca de 83 mil árvores e implantação de ciclovia.
“irá o tempo das viagens em cerca de 35%; “tráfego para as rodovias Castelo Branco, Ayrton Senna, Dutra, Fernão Dias, Anhanguera e Bandeirantes terá fluxo mais rápido”; junto com o Rodoanel e o Complexo Anhanguera, a Nova Marginal pretende aliviar o trânsito nas principais interligações de bairros de São Paulo e evitar o trânsito de veículos de passagem por bairros e o centro da cidade”.
Serra ainda afirmou:
“É uma obra que é financiada com recursos do Tesouro e com dinheiro público das concessionárias, que é dinheiro do pedágio, segundo projeto e orientação do próprio Governo”.
 “é uma obra que está tendo todo o cuidado ecológico, o que não é tradição em São Paulo, pois as obras e a devastação andavam de mãos dadas, mas isso acabou nos tempos atuais”.
A obra tinha dois lotes: 1 e 2. A concorrência do chamado lote 2 foi vencido pelo consórcio Nova Tietê, liderado pela Delta (participação de 75% a 80%).
Extrato do contrato assinado em 13 de maio de 2009 e publicado no dia seguinte no Diário Oficial Empresariarevela o valor da obra: R$ 287.224.552,79.
PAULO PRETO E DELSON AMADOR ASSINAM O CONTRATO  PELA DERSA COM A DELTA
O consórcio da Delta venceu a licitação para o lote 2 da Nova Marginal do Tietê com uma diferença de R$ 2,4 milhões em relação ao segundo colocado, o Consórcio Desenvolvimento Viário (EIT – Empresa Industrial Técnica S/A — e Egesa Engenharia), que, por sinal, ganhou o lote 1.
Curiosamente 1: 1 ano 4 meses depois, o consórcio da Delta conseguiu um “aditamentozinho” de R$ 71.622.948,47 no contrato.
Curiosamente 2: Na época da licitação, Paulo Vieira de Souza era diretor de Engenharia da Dersa, e seu presidente Delson José Amador, que acumulava a superintendência do DER.
Paulo Vieira de Souza é o Paulo Preto, ou Negão, como é mais conhecido. Até abril de 2010 foi diretor da Dersa. Com uma extensa folha de serviços prestados ao PSDB, foi apontado como arrecadador do partido e acusado pelos próprios tucanos de sumir com R$ 4 milhões que seriam destinados à campanha do então presidencial José Serra. O dinheiro teria sido levantado principalmente junto a empreiteiras com as quais ele possuía relações estreitas.
O nome de Paulo Preto apareceu ainda na investigação feita pela Polícia Federal que resultou na Operação Castelo de Areia. Na ação, executivos da construtora Camargo Corrêa são acusados de comandar um esquema de propinas em obras públicas.
Delson Amador também apareceu na Operação Castelo de Areia. Assim como Paulo Preto, seu nome constava da apreendida pela Polícia Federal na Camargo Corrêa.
Em 1997, durante a presidência de Andrea Matarazzo, Amador virou diretor da Cesp. Aí, foi responsável pela fiscalização de obras tocadas pela Camargo Corrêa, como a Usina de Porto Primavera, e a Ponte Pauliceia, construída sobre o Rio Paraná para ligar os municípios de Pauliceia, em São Paulo, e Brasilândia, em Mato Grosso do Sul. Amador foi ainda chefe de gabinete de Matarazzo na subprefeitura da Sé.
HERALDO, O FORAGIDO, É QUEM ASSINOU PELA DELTA O CONTRATO DA NOVA MARGINAL
Curiosamente 3: Certidão emitida pela Junta Comercial de São Paulo mostra que o representante legal do Consórcio Nova Tietê é Heraldo Puccini Neto, diretor da Delta Construções para São Paulo e Sul do Brasil.
Escutas realizadas com autorização judicial revelam que é um dos interlocutores mais próximos de Cachoeira. Documentos disponibilizados na internet referentes ao processo contra Carlinhos Cahoeira no Supremo Tribunal Federal (STF) mostram a proximidade  de Heraldo com o bicheiro e como a quadrilha preparava editais para ganhar licitações.























É possível que esse mesmo modus operandi tenha sido aplicado pela Delta em várias licitações como as feitas pelo governo do Estado de São Paulo.
Heraldo teve a prisão decretada pela Justiça Federal na semana passada. Foi a partir de investigações realizadas no âmbito da Operação Saint Michel, braço da Monte Carlo.
Um grupo de policiais civis de Brasília chegou às 6 horas da última quarta-feira 25 ao apartamento dele, no Morumbi, em São Paulo. Heraldo não estava nem foi localizado pela polícia. É considerado foragido da Justiça.
Curiosamente 4: Num despacho de setembro de 2011 do Tribunal de Contas de São Paulo (TCE-SP) referente ao contrato da Nova Marginal, aparecem juntos Paulo Preto, Delson Amador e Heraldo Puccini Neto. Os dois primeiros como contratantes. O último como contratado.













DEPUTADOS PEDEM AO MP QUE APURE INDÍCIOS DE IRREGULARIDADES
A essa altura algumas perguntas são inevitáveis:
1. Considerando que o senador Demóstenes Torres é sócio oculto da Delta e apoiou José Serra em 2010, será que dinheiro da Nova Marginal do Tietê irrigou a campanha do tucano à presidência?
2. Entre os R$ 4 milhões que teriam sido arrecadados por Paulo Preto e não entregues ao PSDB, haveria alguma contribuição da Delta?
3. Paulo Preto ou Delson Amador teve algum contato direto com Cachoeira?
Na sexta-feira 27, parlamentares paulistas protocolaram representação no Ministério Público Estadual de São Paulo (MPE-SP) para que investigue indícios de irregularidades, ilegalidades e improbidades nos contratos formalizados pela Dersa com empresas e consórcios, entre os quais o Consórcio Nova Tietê, capitaneado pela Delta.
Encabeçada pelo deputado estadual João Paulo Rillo e assinada por Adriano Diogo, ambos do PT-SP, a representação pede que o MP apure possíveis atos de improbidade administrativa praticados por José Serra, Paulo Preto e Delson Amador, diante de sinais de superfaturamento das obras de ampliação da Marginal Tietê.
A propósito. Lembram-se que, em 2009, durante o lançamento da Nova Tietê, José Serra disse: “é uma obra que está tendo todo o cuidado ecológico, o que não é tradição em São Paulo, pois as obras e a devastação andavam de mãos dadas, mas isso acabou nos tempos atuais”?
Na ocasião, a propaganda do governo estadual indicava que as pistas seriam cercadas por frondosas árvores e arbustos. E a secretária de Saneamento e Energia, Dilma Pena (atualmente preside a Sabesp), ressaltou a importância de recuperar o espaço das margens do Tietê com uma via parque, uma ciclovia e o plantio de 65 mil mudas.
Pois bem, dois anos após o término das obras, a marginal Tietê ainda está à espera das 65 mil mudas que deveriam ter sido plantadas pelo governo paulista como compensação ambiental, em 2010.  Ainda árvores morreram ou não se desenvolveram no solo árido das margens do rio.  A falta de árvores foi conStatada em perícia realizada pelo Sindicato dos Arquitetos. A entidade move ação civil pública contra a Dersa, que, como responsável pela obra, é obrigada a repor cerca de 30% dos espécimes.
Será que a Nova Marginal do Tietê, além de mãos dadas com a devastação, também se banhou na cachoeira preta?
PS do Viomundo 1: Nessa quinta-feira, 5 de julho, a CPI do Cachoeira aprovou a convocação de Paulo Preto. Vários veículos omitiram ou não destacaram a informação, especialmente a conexão com José Serra, canditado do PSDB à prefeitura de São Paulo. Para quem havia se “esquecido” ou não sabia, nós resgatamos esta reportagem publicada originalmente em 30 de abril de 2012.
PS do Viomundo 2:   Heraldo Puccini Neto continua foragido. Ele assinou pela Delta o contrato  para ampliar a marginal do Tietê, enquanto Paulo Preto e  Delson Amador, pela Dersa. Ambos apareceram na Operação Castelo de Areia.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/mp-paulista-confirma-superfaturamento-na-ampliacao-da-marginal-tiete-quando-jose-serra-paulo-preto-e-delson-amador-serao-ouvidos-e-os-sigilos-quebrados.html