sábado, 6 de fevereiro de 2016

Deveríamos exterminar os bebês com microcefalia?

05.02.2016
Do portal GOSPEL PRIME
Por Elisa Robson 

A dor e a perspectiva de um futuro com desafios tão grandes nos levam a pensar com misericórdia nessas pessoas.

Resultado de imagem para CRIANÇAS COM MICROCEFALIA ABORTOA antropóloga Debora Diniz, do instituto de bioética Anis, anunciou esta semana que prepara uma ação para pedir à Suprema Corte o direito ao aborto em gestações de bebês com microcefalia. Em 2004, sua organização entrou com um o pedido de avaliação dos abortos para fetos anencéfalos e foi aceito pelos ministros, por 8 votos a 2, em 2012.

Ela declarou em entrevista à BBC Brasil: “Hoje, sabemos que a microcefalia típica é um mal incurável, irreversível, mas o bebê sobrevive (na maioria dos casos). Portanto trata-se do aborto propriamente dito e isso enfrenta resistência”. E acrescentou: “Somos uma organização que já fez isso antes. E conseguiu. Estamos plenamente inspiradas para repetir”.

Resultado de imagem para CRIANÇAS COM MICROCEFALIA ABORTOA microcefalia é uma doença em que a cabeça e o cérebro das crianças são menores que o normal para a sua idade, o que prejudica o seu desenvolvimento mental, explica a pediatra Beatriz Beltrame. Uma das hipóteses que está sendo estudada é a ação do Zika vírus durante a gravidez. Mas a microcefalia também pode ser genética e acontece em crianças que possuem outras doenças como Síndrome de West, Síndrome de Down e Síndrome de Edwards, por exemplo, escreve a especialista no site Tua Saúde.

Quando analisamos as informações médicas, inevitavelmente, desejamos poupar da dor as crianças gravemente deficientes, da mesma forma que, é natural, nós queiramos poupar os pais que sofrem. Quem desejaria que um inocente vivesse por toda a sua vida em uma batalha pela saúde? Quem desejaria a uma jovem mãe que seu bebê nascesse com tantas complicações?

A dor e a perspectiva de um futuro com desafios tão grandes nos levam a pensar com misericórdia nessas pessoas. Desejamos o melhor a elas. Há um sentimento de amor e cuidado para que o sofrimento possa ser evitado ou, pelo menos, amenizado.

Esses sentimentos nobres deveriam nos impulsionar com afinco à busca por soluções, a desenvolver um sistema de apoio eficiente para as mães, a valorizar aquelas que podem fazer tudo o que os homens fazem e ainda têm a capacidade de gerar uma vida. Contudo, não é isto que está acontecendo.

Quando nos apresentam a opção do aborto como “solução” para os casos de microcefalia (que logo será para a Síndrome de Down também), nos ensinam que acabar prematuramente com uma vida é a saída para muitos problemas. Nos ensinam que qualquer outra situação que não seja considerada “normal” deveria ser exterminada. Nos ensinam que a morte é a resposta para situações difíceis. A morte?

Além disso, outro ponto levantado por quem vê no aborto uma “escolha” para os casos de microcefalia é a nossa responsabilidade, como sociedade. Muitas pessoas acreditam que os filhos são responsabilidades apenas dos pais, principalmente da mulher.

Dessa forma, dizem, deveríamos oferecer a esta mãe o “direito” de poder matar o próprio filho, se assim quisesse. (Mesmo sabendo que o aborto só mascara os reais problemas que as mulheres enfrentam.) Quem defende tal ideia, geralmente, fica horrorizado em pensar que terá que se envolver com a questão de educar crianças e dar suporte em casos de doença, uma vez que, não sendo pai nem mãe, “nada disso lhe diz respeito”. Não mesmo?

As crianças de hoje serão os profissionais de amanhã. Muitos serão médicos, policiais ou políticos. Portanto, vão cuidar da saúde ou segurança da sociedade em que eu e você viveremos daqui a 25 anos. Sua formação vai passar pela maneira como são educados diretamente por seus pais, e, indiretamente, por nós, por meio das causas que apoiamos hoje e ajudamos a promover, bem como, por nossas “conquistas” junto à Suprema Corte.

Isto significa que as crianças estão, neste momento, interagindo com todas as ideias lançadas, como as defendidas pelo Instituto Anis. Se alguém apoia o “joga fora e faz outro” ou “cérebro veio com defeito, pode eliminar”, deve ser lembrado que provavelmente os jovens de hoje, convencidos por essas ideias, farão parte de uma nova geração que achará natural criar um Estado sem responsabilidades.

Um Estado que permitirá a carnificina de inocentes, porque é bem mais barato do que oferecer condições de uma vida digna a um bebê com microcefalia ou alguma outra diferença. Um Estado que pouco se importará com os mais fracos, ou com aqueles que ficarão assim. Que só dará valor aos mais fortes e “adaptados” até achar uma solução mais “prática” para os idosos, doentes e “diferentes” de amanhã. Em algum lugar da história, já vimos esse roteiro.
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Fonte:https://artigos.gospelprime.com.br/deveriamos-exterminar-os-bebes-com-microcefalia/

A ação política de procuradores pró-impeachment

06.02.2016
Do portal JORNAL GGN, 05.02.16
Por Luis Nassif

Ainda haverá uma nova enxurrada política este mês, tentando reavivar o fantasma do impeachment, antes que o país recobre a normalidade política e a disputa governo oposição volte ao trilho das críticas e propostas.

A estratégia é conhecida. 

De um lado, delegados e procuradores criam fatos políticos novos, através de novas ações, novas denúncias ou vazamentos. A imprensa ecoa. A parceria visa recriar o clima pró-impeachment com vistas às manifestações marcadas para inicio de março.
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Os dois focos principais dessa parceria oposição-procuradores são a Lava Jato e o Ministério Público Federal do Distrito Federal. Durante a julgamento do “mensalão”, como se recorda, entre outros feitos o MPF do Distrito Federal valeu-se do álibi de uma denúncia anônima para rastrear até os telefones do Palácio do Planalto.

Do lado da Lava Jato, o aquecimento atual são as notícias sobre o o tal tríplex de Guarujá e o sítio de Atibaia.

De Brasília, os procuradores agitaram a questão da Medida Provisória da indústria automobilística, uma prorrogação de prazo de outra MP, dos tempos de Fernando Henrique Cardoso, que contou com o endosso de todos os partidos políticos no Congresso.

Gastou-se esforço, recursos e tempo em uma clara mudança de foco, deixando para segundo plano o ponto central das denúncias, a corrupção no CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).
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A próxima ofensiva será sobre a licitação FX, na qual o governo optou pela sueca Saab-Scania, em detrimento da Dassault francesa e do F-18 norte-americano. Depois disso, provavelmente farão denúncias sobre a compra de submarinos, sobre acordos comerciais, sobre o Plano Brasil Maior, sobre o Bolsa Família, sobre a compra de flores pelo Palácio em uma lista infindável destinada a congestionar o debate político.

Pouco importa se o processo FX foi tratado pelas Três Armas, se a própria Força Aérea Brasileira havia optado pelos suecos. A exemplo da Medida Provisória, quem propõe a ação não visa resultados jurídicos, mas políticos.
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De representação em representação, de processo em processo vai-se ampliando a interferência do Ministério Público no jogo político, através da ação individual de procuradores militantes ou meramente exibicionistas.

Não se trata de uma ação de poder. Institucionalmente, desde a Constituição de 1988 o Ministério Público Federal foi responsável por grandes avanços civilizatórios, ajudando a concretizar princípios delineados na Carta Magna. Medidas relevantes em favor das minorias, dos direitos sociais, dos direitos humanos, contra a corrupção, em todos esses avanços identifica-se a ação institucional do MPF.

Mas em que pese a respeitabilidade de muitos de seus membros, não logrou impedir a ação aventureira de jovens procuradores, a partir do momento que a Lava Jato ganhou protagonismo político e que a cúpula do MPF passou a aceitar passivamente a parceria procuradores-mídia.

As prerrogativas dos procuradores acabaram sendo utilizadas para ingressarem de cabeça no jogo político.
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Trata-se de questão delicada para a própria independência futura do Ministério Público. Não é possível a qualquer democracia conviver com tal nível de interferência política, de facciosismo, que vai muito além da apuração da corrupção.

Mais cedo ou mais tarde, o MPF e o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) terão que encarar essa questão, antes que o tema seja apropriado por seus adversários.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/a-acao-politica-de-procuradores-pro-impeachment