sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

O Evangelho Terapêutico:Os 5 componentes do falso evangelho da autoestima

05.02.2016
Do portal MINISTÉRIO FIEL, 01.02.16
Por David Powlinson   

Aquele que talvez seja o capítulo mais famoso em toda a literatura ocidental retrata o apelo do “evangelho terapêutico”.

 os-5-componentes-3
Em seu capítulo intitulado “O Grande Inquisidor”, Fyodor Dostoevsky imagina Jesus retornando à Espanha do século XVI (Os Irmãos Karamazov, II:5:v). No entanto, Jesus não é bem-vindo pelas autoridades da igreja. O cardeal de Sevilha, como cabeça da Inquisição, detém e aprisiona Jesus, condenando-o à morte. Por quê? Por que a igreja mudou o seu curso. Ela decidiu satisfazer os instintos impulsivos humanos, ao invés de convocar homens ao arrependimento. Ela decidiu flexibilizar a sua mensagem em favor das suas demandas, ao invés de proclamar aquilo que é superior, santo e a dura liberdade da fé que opera através do amor. O exemplo bíblico e a mensagem de Jesus são considerados muito duros para almas frágeis, e a igreja decidiu facilitar as coisas.

O Grande Inquisitor, representando a voz de uma igreja desorientada, interroga Jesus em sua cela de prisão. Ele se junta ao lado do tentador e das três perguntas que este fez a Jesus no deserto séculos atrás. Ele diz que a igreja dará pão terreno ao invés de pão celestial. Ela oferecerá mágica e milagres religiosos ao invés de fé na Palavra de Deus. Ela exercerá poder e autoridade temporais ao invés de servir ao chamado à liberdade. “Nós corrigimos a sua obra”, diz o inquisitor para Jesus.

O evangelho do Inquisitor é um evangelho terapêutico. Ele é estruturado para dar às pessoas o que elas querem, e não a mudar o que querem. Ele é centrado exclusivamente em torno do bem-estar do homem e de felicidade temporal. Ele descarta a glória de Deus em Cristo. Ele confisca a estreita e difícil estrada que traz profunda prosperidade e eterna alegria. Esse evangelho terapêutico aceita e cobre as fraquezas humanas, buscando amenizar os mais óbvios sintomas de angústia. Ele faz as pessoas se sentirem melhores. 

Ele respeita a natureza humana do jeito como é, pois a natureza humana é muito difícil de mudar. Ele não quer que o Rei dos Céus venha até nós. Ele não tenta transformar as pessoas em apaixonados por Deus, considerando a verdade sobre quem é Jesus, como ele é, o que ele fez.

O evangelho terapêutico moderno

As óbvias demandas instintivas da classe-média do século 21 são diferentes das demandas registradas por Dostoevsky. Fazemos pouco caso dos suprimentos alimentícios e da estabilidade política. Nós subtituímos milagres pelas maravilhas da tecnologia. As demandas da classe médias são bem menos primitivas. Elas transparecem um certo senso ou interesse por mais luxo e refinamento:
  • Eu quero me sentir amado pelo que eu sou, que tenham pena pelo que já sofri, sentir-me intimamente compreendido, ser incondicionalmente aceito;
  • Eu quero experimentar um senso de significado pessoal e relevância, ser bem sucedido na minha carreira, saber o que me move, deixar minha marca no mundo;
  • Eu quero aumentar a minha auto-estima, afirmar que está tudo bem comigo, estar hábil a articular as minhas opiniões e desejos;
  • Eu quero ser entretido, sentir prazer na infinita enxurrada de performances que deleitam os meus olhos e encantam os meus ouvidos;
  • Eu quero sentir aventura, excitação, ação e paixão pois quero experimentar a vida alucinada e dinamicamente.
A versão moderna do evangelho terapêutico da classe-média se inspira particularmente nesse conjunto de vontades. Poderíamos dizer que o seu público alvo são as demandas psicológicas, bem diferente das necessidades físicas que tipicamente surgem em condições sociais mais difíceis. (A versão moderna do evangelho da “saúde e da prosperidade” e a obsessão por “milagres” expressa algo semelhante à versão antiga do evangelho terapêutico do Grande Inquisitor).
 
Nesse novo evangelho, os grandes “males” a serem corrigidos não apelam por nenhuma mudança fundamental de direção no coração humano. Pelo contrário, o problema reside em sentir-me rejeitado pelos outros; em minha corrosiva experiência da vaidade da vida; em minha nervosa sensação de auto-condenação e embaraço; na iminente ameaça de tédio caso a música desligue;  nas inquietas reclamações quando uma dura e longa estrada surge em minha frente. Essas são as principais demandas modernas que o evangelho é torcido para servir. Jesus e a igreja existem para que você se senta amado, relevante, validado, entretido e com as baterias recarregadas. Esse evangelho anestesia os sintomas de angústia. Faz com que você se senta melhor. A lógica desse evangelho terapêutico é um jesus-por-Mim que vai ao encontro dos meus desejos individuais e ameniza as minhas dores psicológicas.
A perspectiva terapêutica não é por si só maligna quando em seu lugar apropriado. Por definição, um olhar médico-terapêutico contempla sofrimentos desarranjos físicos. Em intervenções literalmente médicas, uma terapia trata de doenças, traumas ou deficiências. 

Você não liga para alguém para que ela se arrependa de um câncer de cólon, uma perna quebrada ou beribéri. Você busca curar. Até aí tudo bem.

Porém no evangelho terapêutico moderno, o modo médico de lidar com o mundo é metafóricamente extendido para essas demandas psicológicas. Elas são definidas tal qual uma questão médica. Você sente que está mal; a terapia faz você se sentir bem. A definição da enfermidade passa longe do coração pecador humano. Você não é o causador dos seus problemas mais íntimos, mas meramente uma vítima sofredora das suas vontades não atendidas. A sugestão de uma cura passa longe de um Salvador que levou sobre si os nossos pecados. Arrependimento de incredulidade, teimosia e iniquidades não entram em questão. Pecadores não são encorajados à se converterem a uma nova vida que é vida de verdade. Tal evangelho massageia o amor-próprio. Não há nada dentro dessa lógica que o faz amar a Deus e qualquer outra pessoa além de você mesmo. Esse evangelho terapêutico pode até mencionar a palavra “Jesus” com frequência, porém modificada para a idéia de Realizador-das-minhas-vontades, e não a do Salvador dos nossos pecados. Ele corrije a obra de Jesus. O evangelho terapêutico confunde o evangelho.

O evangelho que uma vez por todas foi entregue

O verdadeiro evangelho são as boas novas do Verbo que se fez carne, o Salvador que levou sobre si as nossas trangressões, o resurreto Senhor dos senhores: “Eu sou o que vive; fui morto, mas agora estou aqui, vivo para todo o sempre” (Apocalipse 1.18). Esse Cristo vira o mundo de cabeça para baixo. O Espírito Santo reprograma, como um dos efeitos primários de sua poderosa obra e presencia interna, o nosso senso de demandas. Porque o temor do Senhor é princípio da sabedoria, nós sentimos profundamente um conjunto diferente de necessidades quando consideramos a Deus e quando entendemos que nós nos levantamos ou caímos diante de seus olhos. Os meus impulsos instintivos são substituídos (muitas vezes rapidamente, sempre progressivamente) por um crescente senso de alerta a necessidades verdadeiras e de vida e morte:
  • Eu preciso de misericórdia acima de tudo: “Senhor, tem misericórida de mim”; “Por causa do teu nome, SENHOR, perdoa a minha iniquidade, que é grande”;
  • Eu quero aprender sabedoria, e desaprender a auto-preocupação teimosa: “tudo o que podes desejar não é comparável a ela”;
  • Eu preciso aprender a amar tanto à Deus quanto ao meu próximo: “o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia”;
  • Eu anseio pelo nome de Deus ser honrado, por seu reino chegar até nós, por sua vontade ser feita na terra;
  • Eu desejo que a glória, a bondade, a benignidade de Cristo sejam vistas aqui na terra, enchendo a terra assim como as águas cobrem os oceanos;
  • Eu preciso que Deus me mude de quem eu decidi ser por instinto, escolha e prática;
  • Eu desejo que ele me livre da minha autojustificação compulsiva, mortificando a minha atitude defensiva, de modo que eu possa perceber a minha necessidade das misericóridias de Cristo, para que eu aprenda a tratar os outros gentilmente;
  • Eu preciso da ajuda poderosa e íntima de Deus para desejar e realizar as coisas que duram para a vida eterna, ao invés de desperdiçar a minha vida com futilidades;
  • Eu quero aprender a passar por provações e sofrimentos em esperança, simplificando, purificando e aprofundando a minha fé;
  • Eu preciso aprender a adorar, deleitar-me, confiar, dar graças, clamar, refugiar-me, ter esperança;
  • Eu desejo a ressureição da vida eterna: “gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo”;
  • Eu preciso do próprio Deus: “Mostra-me a tua glória”; “Maranata. Vem, Senhor Jesus.”
Faça assim, ó Pai das misericóridas. Faça assim, Redentor de tudo que está quebrado e em trevas.
A oração expressa desejo. A oração expressa o seu senso de dependência. Senhor, tenha misericórdia de nós. Os cânticos expressam alegria e gratidão pelo desejo atendido. As canções expressam o seu senso de necessidade a respeito de quem Deus é e de tudo que ele nos dá. Preciosa graça, quão doce é o som. Porém não há orações na Bíblia inspiradas nas demandas do atual evangelho terapêutico. Imagine: “Pai Celestial, ajuda-me a me sentir bem desse mesmo jeito que eu sou. Proteja-me hoje de ter que fazer qualquer coisa entediante. Aleluia, eu sou indispensável, e o que eu estou fazendo realmente está impactando a vida dos outros, e com isso consigo me sentir bem com a minha vida”. Que Deus tenha misericórdia de nós! Em contraste, encontramos em nossas Bíblias o som de milhares de clamores necessitados e brados de gozo que nos orientam de volta às nossas reais necessidades e ao nosso verdadeiro Salvador.


Coisas boas, deuses ruins

Propriamente entendidas e cuidadosamente interpretadas, as demandas produzem bons presentes. Porém, elas produzem deuses fracos. Priorize o prioritário. Busque primeiro o reino do Pai e a sua justiça, e toda boa dádida lhe será dada.

Isso é fácil de ver no caso de três particulares dádivas oferecidas pelo evangelho terapêutico do Grande Inquisitor. É uma boa coisa ter um manancial estável de alimento, “pão de amanhã” (Mateus 6.11, literalmente). Todo mundo está em busca de comida, água e roupas (Mateus 6:32). O nosso Pai sabe o que precisamos. Mas busque antes o seu reino. Você não vive só de pão, mas de toda palavra que sai da sua boca. Se você cultuar as suas necessidades físicas, só restará a morte para você. Porém se cultuar a Deus, o doador de tudo o que há de bom, você será grato pelo que ele dá; você ainda terá esperança ao sofrer necessidades; e você irá certamente desfrutar do seu eterno Banquete.

Um senso de admiração e mistério também é algo bom. Contudo, os mesmos critérios e condições se aplicam. Deus não é o Mágico de Oz, criando experiências impressionantes só para você experimentar coisas novas. Jesus disse “não” sobre fazer de si mesmo um espetáculo em meio ao público no templo. É a sua fidelidade dia após dia que se mostra mais e mais impressionante. Priorize o prioritário. Daí você irá apreciar a glória de Deus em grandes e pequenas coisas. No final, você verá tudo como extraordinário, seja no presente (Apocalipse 4) ou no passado (Apocalipse 5). Você conhecerá o Deus incompreensível, criador e redentor, cujo nome é Maravilhoso.

De modo semelhante, ordem política é uma boa dádiva. Nós devemos orar para que as autoridades governem bem, de modo que possamos viver em paz (1 Timóteo 2.2). Todavia, se você vive por uma sociedade justa, você ficará desapontado. Novamente, busque o reino de Deus. Você se esforçará em direção a uma ordem justa social, desfrutará dela num nível razoável e terá razões para suportar injustiças. No final, você conhecerá uma alegria inimaginável no dia em que todas as pessoas se curvarem diante do reino do verdadeiro Rei.

Claro, Deus concede boas dádivas. Contudo, ele também dá o melhor presente, o inefável Presente dos presentes. O Grande Inquisitor queimou Jesus no tronco pois queria eliminar a Dádiva e o Doador. Ele escolheu dar às pessoas boas coisas, no entanto descartou o que era prioritário.

As coisas ofertadas pelo evangelho terapêutico moderno são um pouco complicadas de se interpretar. O odor do egocentrismo e da obsessão por si mesmo é próximo ao daquela lista de vontades: “Eu quero ______”. No entanto essas vontades, cuidadosamente reestruturadas e reinterpretadas, podem sim apontar na direção de uma boa dádiva. O pacote de “vontades” como um todo é sistematicamente desalinhado, no entanto as peças podem ser propriamente entendidas. Qualquer “evangelho diferente” (Gálatas 1.6) se faz plausível oferecendo peças de Lego da realidade ajuntadas em uma estrutura que contradiz a verdade revelada. A tentação de Satanás a Adão e Eva foi plausível somente porque incorporava muitos elementos da realidade, continuamente apontando na direção da verdade, ainda quando persistia apontando para longe da verdade: “Veja, que árvore bela e desejável. E Deus disse que ao prová-la serão revelados tanto o bem quanto o mal, com a possibilidade da vida e não da morte resultar da sua escolha. Assim como Deus é sábio, vocês como escolhedores podem se tornar como Deus em sabedoria. Venham agora e comam”. Tão perto, e ao mesmo tempo tão longe. Quase lá, mas exatamente o oposto.
Considere os cinco componentes que identificamos como o evangelho terapêutico:

1. “Demanda por amor”? Certamente é algo bom saber que você é tanto conhecido quanto amado. O Deus que sonda os pensamentos e as intenções dos nossos corações também coloca o seu amor fiel sobre nós. Entretanto tudo isso é redicalmente diferente do instinto impulsivo de ser aceito por quem eu sou. O amor de Cristo vem precisamente e pessoalmente apesar de quem eu sou. Você é aceito por quem Cristo é, pelo que ele fez, faz e fará. Deus verdadeiramente o aceita, e se Deus é por você, quem será contra você? Mas ao fazer isso, ele não afirma nem endossa o que você é. Pelo contrário, ele determina a sua transformação em outro tipo de pessoa fundamentalmente diferente. No verdadeiro evangelho, você se sente profundamente reconhecido e amado, no entanto a sua insistente “demanda por amor” foi derrubada.

2. “Demanda for relevância”? Certamente é uma boa coisa que as obras das suas mãos durem para sempre, como ouro, prata e pedras preciosas, e não como madeira, feno e palha. É bom quando aquilo que você faz com a sua vida tenha realmente importância, e quando as suas obras seguem para a eternidade.  Vaidade, futilidade e insignificância apontam para a maldição que existe sobre nossa vida profissional – inclusive na meia-idade, não só ao aposentar ou morrer, ou no Dia do Julgamento. Entretanto, o verdadeiro evangelho inverte a ordem das coisas pressupostas pelo evangelho terapêutico.  
A ânsia por impacto e relevância – uma das típicas “paixões da juventude” que fervilha dentro de nós – é meramente idolatria quando isso opera como Diretor de Operações do coração humano. Deus não preenche a sua demanda por relevância; ele preenche a sua necessidade por misericórdia e libertação da sua obsessão por relevância pessoal. Quando você se volta da sua escravidão para Deus, então as suas obras começam a serem contadas como boas. O evangelho de Jesus e os frutos da fé não são desenhados para “satisfazer as suas vontades”. Ele liberta da tirania das demandas, refazendo você a temer a Deus e guardar os seus mandamentos (Eclesiastes 12.13). Dentro da divina ironia da graça, ela por si só torna de valor eterno aquilo que você faz com a sua vida.

3. “Demanda por autoestima, autoconfiança, e autoafirmação”? Adquirir um senso de confiança em sua identidade é um grande bem. A carta aos Efésios está cheia de várias dúzias de “declarações de identidade”, pois nelas o Espírito nos motiva à uma vida corajosa de fé e amor. Você é de Deus – dentre os santos, eleitos, filhos adotivos, filhos amados, cidadãos, escravos, soldados; parte de suas feituras, esposa e habitação – cada um desses em Cristo. Nenhum aspecto da sua identidade é autoreferencial, alimentando a sua “autoestima”. A sua opinião sobre si mesmo é muito menos importante do que a opinião de Deus sobre você, e uma autoavaliação precisa é derivada da avaliação de Deus. Uma verdadeira identidade tem Deus como referência. Uma verdadeira percepção sobre quem você é o aponta para uma alta estima a respeito de Cristo. Uma maior confiança em Cristo corresponde a um voto de plena ausência de confiança em e sobre si mesmo. Deus nunca substitui a timidez e bajulação por autoafirmação. Na verdade, afirmar as suas opiniões e demandas, tal qual são, fazem de você apenas um tolo. Ao se libertar da tirania de opiniões e desejos, você estará livre para avaliá-las precisamente e, então, expressá-las apropriadamente.

4. “Demanda por prazer”? De fato, o verdadeiro evangelho promete a experiência de infinita alegria, bebendo do seus rios de delícias (Salmo 36). Isso descreve a presença de Deus. Porém, como temos visto em cada caso, isso é chave para a reversão dos nossos impulsos instintivos, e não para a nossa satisfação. O caminho para a alegria é o caminho do sofrimento, perseverança, obediência nas mínimas coisas, disposição a se identificar com a miséria humana, disposição a descartar os seus persuasivos instintos e desejos. Eu não preciso ser entretido. Mas eu absolutamente PRECISO aprender a cultuar com todo o meu coração.

5. “Demanda por empolgação e aventura”? Participar do reino de Cristo é fazer parte da Maior História de Ação e Aventura Já Contada. Porém o paradoxo da redenção volta a virar o mundo de cabeça para baixo. A aventura real assume o caminho da fraqueza, luta, sofrimento, paciência e gentileza bem executadas nas mínimas oportunidades. A estrada para excelência em sabedoria não é nada glamorosa. Outras pessoas talvez tirem melhores férias e tenham um casamento mais emocionante do que o seu. O caminho de Jesus na verdade recebe mais pedras do que excitação. O seu reino talvez não guie os seus impulsos a buscar novos desafios e altas emoções, mas a uma “sólida alegria e duráveis tesouros que ninguém além dos filhos de Sião conhececem” 1.

Nós dizemos “sim”e “amém” para toda boa dádiva. Porém, priorize o prioritário. O evangelho terapêutico moderno, em suas múltiplas formas, satisfaz nossas vontades como são. Ele dá aquilo que queremos. Ele anula o culto ao Doador, cuja maior dádiva é a misericórdia em nosso favor ao invés daquilo que queremos por instinto, escolha, inculturação, e hábito. Ele nos chama ao arrependimento radical. Bob Dylan descreveu a alternativa terapêutica em um frase memorável: “Você acha que Ele é só um garoto de recados designado a satisfazer os seus desejos voláteis” 2. Coisas de segunda ordem são exaltadas como sujeitas ao Número Um.

Priorize o prioritário. Entenda o evangelho da encarnação, crucificação, ressureição e glória. Viva o evangelho do arrependimento, fé e transformação na imagem do Filho. Proclame o evangelho do Dia que se aproxima quando a vida eterna e morte eterna serão reveladas, o eminente Dia de Cristo.

Qual evangelho?

Qual evangelho você vai viver? Qual evangelho você vai pregar? Quais necessidades você vai trazer à tona e apresentar às pessoas? Qual Cristo será o Cristo do seu povo? Ele vai ser um “cristozinho” que vai massagear as suas demandas? Ou o Cristo que vira o mundo de cabeça para baixo e faz novas todas as coisas?

O Grande Inquisitor tinha o coração mole com respeito às demandas humanas – bastante empático com as coisas que todas as pessoas em todos os lugares buscam de todo o coração, bastante sensível à dificuldade de mudar as pessoas. No entante ele provou ser um monstro no final. Há uma frase em ministérios de misericórdia que diz assim: “Se você não atender as necessidades físicas das pessoas, não há compaixão. Porém, se você não der às pessoas o Cristo crucificado, ressurreto e que irá retornar, não há esperança”. Jesus alimentou pessoas famintas com pão, e ofereceu o seu corpo partido como o pão da vida eterna. É definitivamente cruel abandonar as pessoas em seus pecados, cativas em seus desejos instintivos, em desespero, debaixo de uma maldição. A ideia atual do evangelho terapêutico soa compassivo no primeiro momento. Mostra-se extremamente sensível aos pontos nos quais a dor e a decepção são mais acentuadas. Porém, no fim, é cruel e desprovida de Cristo. Ele não adota um autoconhecimento real. Não reescreve o roteiro do mundo. Não gera orações ou canções.

Nós não precisamos ser menos sensíveis, mas sim mais perspicazes. Jesus vira as demandas humanas de cabeça para baixo, gerando orações. Ele é a inefável Dádiva das dádivas, gerando canções. E ele concede todas as boas dádivas, tanto hoje como sempre. Que todo joelho se dobre e que tudo tem fôlego louve ao Senhor.

Tradução: Paulo Santos
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

*****
Fonte:http://ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/865/O_Evangelho_Terapeutico

A direita teme as urnas

05.02.2016
Do portal BRASIL247, 04.02.15
Por JANDIRA FEGHALI* 

:

A Direita passou a temer as urnas. Adquiriu verdadeiro pavor desde que os resultados não se mostraram mais favoráveis para si. A democracia exige, sim, de nossas forças políticas o respeito à vontade do povo expressa a cada eleição. De quatro em quatro anos votam no projeto e nos candidatos que consideram mais aptos a conduzir a nação, como ocorreu com Lula e Dilma Rousseff nas últimas eleições presidenciais. Por conta disso, iniciou-se uma caçada fora da lei contra seus possíveis futuros oponentes, que é o caso de Lula.

O que vem ocorrendo desde o resultado de 2014 é mais um capítulo da saga que domina as grandes corporações midiáticas e os núcleos de comando de vários partidos de oposição. Depois de anunciarem aos quatro ventos que queriam "ver Dilma sangrar", oficializando o quanto-pior-melhor, agora embarcam na tentativa de atingir o ex-presidente a qualquer custo. Primeiro o pedido desesperado da oposição em recontagem de votos, depois recorrem ao TCU, em segundo o TSE e aí, sim, o impeachment. Agora é o vale tudo mentiroso contra o ex-presidente.

A cada manchete, uma notícia mal explicada, denúncias sem provas e delações seletivas que vazam ao ritmo da sanha golpista. Do apartamento tríplex que comprovadamente nunca foi de Lula, a um pequeno barco de R$ 4 mil, reportagens tendenciosas pretendem desconstruir sua imagem e pavimentar o caminho da oposição até 2018.

O alvo é um homem público forjado na luta operária, que teve coragem para enfrentar de frente a pobreza no Brasil e com políticas públicas reconhecidas mundialmente. Um líder popular que mora no coração do povo, principalmente daqueles que tanto precisam. Tornou-se presidente do Brasil e maior liderança da História contemporânea.

Ao mirar suas armas para o ex-presidente, as forças da Direita querem minar um projeto à Esquerda e um possível oponente forte de 2018. Esculpido pela fome, criado com sólidos valores por Dona Lindu, e batizado politicamente no genuíno chão de fábrica, Luís Inácio Lula da Silva é um fenômeno que a oposição tenta a todo custo implodir. O único ex-presidente reverenciado mundo afora por grandes conquistas sociais e de reconhecimento histórico da ONU.

O luxuoso apartamento em Paris de FHC jamais atraiu tanta atenção como o "tríplex" de 80 m² que dizem ser de Lula. Os crimes públicos do Governo de São Paulo em seu metrô, em parceria com a francesa Alstom e alemã Siemens, nunca foram tão explorados como as sucessivas manchetes que usam o nome do ex-operário.

Assim como o promotor de Justiça de São Paulo Cássio Conserino interpelou Lula, porque o juiz Sérgio Moro não cobra respostas de FHC para as delações que surgem na Lava-Jato? É o caso das denúncias de beneficiamento de R$ 100 milhões em seu governo por propina na Petrobras. Ou então recorrer ao STF para fazer o mesmo com o senador Aécio Neves sobre as denúncias de R$ 300 mil em propina na UTC ou ouvir Alckmin pelo desvio de verba na merenda escolar.

As urnas de 2018 virão e conservadores se preparam para elas com a única arma que tem: a farsa, violações do Estado democrático de Direito, apoio às manifestações fascistas e de desqualificação da política. Tem razão em ter medo das urnas. Quem tem propostas de exclusão, retirada de direitos e redução da democracia só consegue um bom resultado eleitoral quando elimina os concorrentes previamente. Mesmo que às custas de artimanhas golpistas. A Direita tem todos os motivos para ter muito medo das urnas.

 *JANDIRA FEGHALI Médica, deputada federal (RJ) e líder do PCdoB
****
Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/jandirafeghali/215892/A-direita-teme-as-urnas.htm

Janio de Freitas: Corrupto Cunha sobrevive com apoio do PSDB e DEM

05.02.2016
Do blog VI O MUNDO, 04.02.16
Cunha, Aécio e Paulinho
O “time” é este: Cunha, Aécio, Paulinho e turma…

O Retorno
Eduardo Cunha recomeçou com a autenticidade conveniente: sua primeira decisão na reabertura da Câmara consiste em abuso de poder. E, de quebra, em desafio ao Supremo Tribunal Federal.
A presidência da Câmara não inclui o poder de impedir o funcionamento das comissões permanentes apenas por vontade pessoal – a rigor, vontade proveniente de interesse pessoal, o que caracteriza a decisão também como ato em causa própria.
A pré-estreia preparou e explica tudo: um golpe que invalidou o decidido pelo Conselho de Ética contra Eduardo Cunha, praticado pelo vassalo que o presidente da Câmara pôs como seu vice.
Sendo o conselho componente do conjunto de comissões permanentes, está impedido pelo próprio réu de reiniciar os trabalhos para concluir pelo afastamento, ou não, do presidente da Câmara.
Exigir, como mínimo para autorizar atividades nas comissões, que o Supremo decida sobre seu embargo ao rito de impeachment definido pelo tribunal, é o complemento de um abuso que se sobrepõe a dois dos três Poderes –o Legislativo e o Judiciário.
Se por essa atitude de Eduardo Cunha já se tem a negação de um regime político constitucional e democrático, ainda há mais na aberração política e moral: Eduardo Cunha está apoiado pelo PSDB e pelo DEM.
Os peessedebistas até examinam sua adesão solidária à ação de Eduardo Cunha no Supremo. A baixeza não tem fundo.
Mas tem sua lógica. De cada vez que Dilma Rousseff, ao discursar na reabertura do Congresso, defendeu medidas neoliberais e antissociais, o PSDB comandou a vaia.
Aécio Neves, em entrevistas de chefe da turma, logo depois verbalizou as vaias. Ou seja, em vez da inteligência de explorar a adesão de Dilma, o PSDB vaia as medidas de que é o representante.
À atual bancada do PSDB, que nasceu em recusa à degradação do PMDB, sem dúvida falta o que, quando existe, está na cara.
PS do Viomundo: Depois do recesso, PSOL, Rede, PT e PR pediram novamente ao STF o afastamento de Eduardo Cunha.
Leia também:
*****
Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/janio-de-freitas-corrupto-cunha-sobrevive-com-apoio-do-psdb-e-dem.html

Existe limite para a atuação da mídia?

05.02.2016
Do portal Agência Carta Maior, 02.02.16
Por Venício A. de Lima

Se torna claro o objetivo de construir uma opinião pública favorável a alguns políticos e partidos e desfavorável a outros políticos e partidos. 

Neto Sampaio

Tornou-se clássica a intervenção corajosa de Miguel de Unamuno, então reitor da Universidade de Salamanca, durante uma solenidade com a presença de importantes figuras do fascismo, na Espanha de 1936. Diante de oradores e de plateia hostil e predominante fascista, Unamuno tomou a palavra e iniciou sua fala em defesa da razão e da liberdade com a seguinte frase: “Todos me conhecem. Sabeis que sou incapaz de me calar. Há momentos em que permanecer calado é mentir. O silêncio pode ser interpretado como aquiescência”.

Unamuno foi imediatamente expulso da universidade e veio a falecer, menos de três meses depois, cumprindo prisão domiciliar. A Espanha, por sua vez, mergulhou numa Guerra Civil que passou para a História como um dos eventos mais traumáticos anteriores à II Grande Guerra.

Não se trata aqui, por óbvio, de qualquer comparação com o grande filósofo cristão e, claro, não chegamos (ainda?) à beira de uma Guerra Civil. Mas, certamente, o clima de intolerância e ódio que estamos atavessando nos permite evocar o exemplo espanhol.

Conluio explícito

Desde o início do processso eleitoral de 2014 e, sobretudo, depois que foram proclamados os resultados das últimas eleições presidenciais, instalou-se no Brasil uma crise política cujo ritmo e pauta pública são seletivamente determinados por um conluio explícito entre segmentos do Ministério Público, da Polícia Federal, do Judiciário e oligopólios de mídia que, em torno da justa causa do combate à corrupção, se uniram no objetivo não declarado – mas evidente – de destruir qualquer vestígio de ética e moralidade pública que possa existir no Partido dos Trabalhadores, seus lideres e militantes.

Trata-se de questão delicada, por isso mesmo difícil de ser enfrentada. Não se insinua aqui que não deva haver, como aliás tem havido, diga-se, sem qualquer interferência do Poder Executivo, combate diuturno à corrupção. Não. Trata-se de denunciar a estratégia política seletiva (e até mesmo, partidária) de fazer parecer que a corrupção no Brasil é prática que tem suas origens nos governos liderados pelo Partido dos Trabalhadores e que, ele, e somente ele, enfrenta acusações de corrupção.

Os vazamentos seletivos de informação sigilosa

Dito isso, não há qualquer segredo em relação a estratégia de vazamentos seletivos de informações sigilosas para imprensa executada pela Operação Lava Jato. Vale reproduzir aqui trecho de artigo  sobre a Operação Mani Pulite, na Itália, do juiz Sergio Fernando Moro, publicado ainda em 2004.

Moro cita texto de Mark Gilbert [Mark Gilbert. The italian revolution: the end of politics, Italian style? Colorado: Westview Press, 1995. P. 138-140] sobre a estratégia na Itália assim:

“Os responsáveis pela operação mani pulite ainda fizeram largo uso da imprensa. Com efeito: Para o desgosto dos líderes do PSI, que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da “mani pulite” vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no “L’Expresso”, no “La Republica” e outros jornais e revistas simpatizantes. Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva. ” (...)

Em seguida Moro comenta:

“A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados, o que, como visto, foi de fato tentado.

Há sempre o risco de lesão indevida à honra do investigado ou acusado. Cabe aqui, porém, o cuidado na desvelação (sic) de fatos relativos à investigação, e não a proibição abstrata de divulgação, pois a publicidade tem objetivos legítimos e que não podem ser alcançados por outros meios.

As prisões, confissões e a publicidade conferida às informações obtidas geraram um círculo virtuoso, consistindo na única explicação possível para a magnitude dos resultados obtidos pela operação mani pulite. ”

Os vazamentos e o seu timing, no Brasil, parecem – e muito provavelmente são – cuidadosamente planejados para provocar reações no Congresso Nacional, mas, sobretudo, para “manter o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva”. Por outro lado, tamanha é a seletividade das informações sigilosas que são vazadas e tamanha é a incapacidade do Ministério da Justiça e da Polícia Federal em identificar a origem de tais vazamentos, que se torna claro o objetivo não só de “manter o interesse”, mas de construir uma opinião pública favorável a alguns políticos e partidos e desfavorável a outros políticos e partidos.

A Carta Aberta dos advogados

Apesar da tentativa de membros da Justiça e, sobretudo, dos oligopólios de mídia de desacreditá-la e de reduzir sua significação à mera estratégia de defesa de um dos réus, a Carta Aberta assinada por 104 advogados e divulgada no dia 15 de janeiro adverte:

No plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato já ocupa um lugar de destaque na história do país. (...) O desrespeito à presunção de inocência, ao direito de defesa, à garantia da imparcialidade da jurisdição e ao princípio do juiz natural, o desvirtuamento do uso da prisão provisória, o vazamento seletivo de documentos e informações sigilosas, a sonegação de documentos às defesas dos acusados, a execração pública dos réus e o desrespeito às prerrogativas da advocacia, dentre outros graves vícios, estão se consolidando como marca da Lava Jato, com consequências nefastas para o presente e o futuro da justiça criminal brasileira [negrito meu].

Referindo-se a recente matéria de capa da revista Veja, a Carta Aberta dos advogados afirma:

Trata-se, sem dúvida, de mais uma manifestação da estratégia de uso irresponsável e inconsequente da mídia, não para informar, como deveria ser, mas para prejudicar o direito de defesa, criando uma imagem desfavorável dos acusados em prejuízo da presunção da inocência e da imparcialidade que haveria de imperar em seus julgamentos – o que tem marcado, desde o começo das investigações, o comportamento perverso e desvirtuado estabelecido entre os órgãos de persecução e alguns setores da imprensa.

Ainda que parcela significativa da população não se dê conta disso, esta estratégia de massacre midiático passou a fazer parte de um verdadeiro plano de comunicação, desenvolvido em conjunto e em paralelo às acusações formais, e que tem por espúrios objetivos incutir na coletividade a crença de que os acusados são culpados (mesmo antes deles serem julgados) e pressionar instâncias do Poder Judiciário a manter injustas e desnecessárias medidas restritivas de direitos e prisões provisórias, engrenagem fundamental do programa de coerção estatal à celebração de acordos de delação premiada [negrito meu].

O que está em jogo

Não é novidade para ninguém o comprometimento histórico dos oligopólios de mídia brasileiros com os golpes de estado e os regimes ditatoriais. O que talvez constitua novidade é a aparente ausência de limites para a ação destes oligopólios em conluio com segmentos do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário.

Diante da ridícula circulação/dia que os chamados jornalões atingiram no nosso país [Folha de São Paulo, 175.441; O Globo, 183.404; Estado de São Paulo, 149.241; dados para dezembro de 2014] parece estar em andamento uma estratégia de sobrevivência empresarial cuja opção é seduzir, ainda mais, nichos da direita do espectro político, sobretudo a classe média urbana. E aposta-se tudo para que o desfecho da crise – seja ele qual for – entregue o comando do país a forças e interesses aliados, vale dizer, aos partidos que hoje fazem oposição ao Planalto. Os sinais nesse sentido são evidentes.

A crise política  e econômica, um Congresso Nacional predominantemente conservador e orientado por interesses fisiológicos, combinados com a estratégia seletiva da “Mani Pulite” utilizada pela da Operação Lava Jato e o comprometimento descarado dos oligopólios de mídia, constituem um conjunto de circunstâncias inédito que assusta e amedronta.

Há um limite para tudo isso? Não seria hora de setores democráticos em posição institucional de decisão, aliados a movimentos sociais populares se darem conta de que os destinos da democracia brasileira estão sendo conduzidos pela lógica de um conluio entre segmentos do Ministério Público, da Polícia Federal, do Judiciário e os oligopólios de mídia?

Na reabertura dos trabalhos dos poderes Legislativo e Judiciário reside também alguma esperança de que a razão e o bom senso afinal prevaleçam. Ou, talvez, já seja tarde demais.

A ver.
*****
Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia/Existe-limite-para-a-atuacao-da-midia-/12/35420

SABOTAGEM: O cerco a Lula

05.02.2016
Do portal da Agência Carta Maior
Por Luiz Carlos Bresser-Pereira* - Facebook

O objetivo maior do establishment brasileiro: atingir o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas.

Heinrich Aikawa / Instituto Lula
Heinrich Aikawa / Instituto Lula

Há meses que eu ouço frases como: “Quando vão chegar no Lula?”, ou então, “Quando vão pegá-lo?”. Porque, afinal, este é o objetivo maior do establishment brasileiro: atingir o maior líder popular do Brasil desde Getúlio Vargas. Não porque ele seja desonesto, mas porque ele se manteve de esquerda, porque se manteve fiel à sua classe de origem não obstante o clássico processo de cooptação de que foi objeto. Pois bem, o establishment chegou ao Lula. Não para incriminá-lo, mas para tentar desmoralizá-lo.

As duas manchetes de primeira página dos dois principais jornais de São Paulo de hoje são significativas. Na Folha leio que “Lula é investigado por suposta venda de MPs”. Não há nada contra o ex-presidente na Operação Zelotes, a não ser a desconfiança de um delegado irresponsável. O que há nessa operação é o envolvimento de grandes empresas e de seus dirigentes em um escândalo de grandes proporções de pagamento de propinas para obterem MPs favoráveis.

No Estado, por sua vez, a manchete é “Compra de sítio foi lavrada no escritório de compadre de Lula”. Neste caso – o do uso por Lula e sua família de um sítio no qual construtoras se juntaram para realizar obras sem que houvesse pagamento – o caso é mais objetivo. Lula aceitou um presente que não deveria ter aceito. 

As contribuições de empresas a campanhas eleitorais (que até a decisão do Supremo eram legais) são afinal presentes. Mas é impressionante como empresas dão ou tentam dar presentes mesmo a políticos – presentes dos quais elas não esperam nada determinado em troca; fazem parte de suas relações públicas. Eu sempre me lembro de como tentaram reformar a piscina da casa do Ministro da Fazenda em Brasília quando ocupei esse cargo em 1987. Minha mulher os pôs para correr. Era o que devia ter feito Lula, que havia acabado de sair do governo. Não o fez, e isto foi um erro político. A reforma não aumentava seu patrimônio, apenas lhe proporcionava mais conforto. Ele não trocou o reforma do sítio por favores às duas construtoras. Não há nada sobre isto na investigação sobre o sítio.

O Estado brasileiro está revelando capacidade de se defender – de defender o patrimônio público – ao levar adiante as operações Lava Jato e Zelotes. Dirigentes de empresas, lobistas e políticos envolvidos estão sendo devidamente incriminados e processados.

A instituição da delação premiada revelou-se um bom instrumento de moralização. Mas está havendo abusos. Houve e estão havendo abusos na divulgação de delações sem provas, houve abuso em prisões cautelares ou provisórias quando não havia razão para elas. E não é razoável o que se está fazendo com Lula. Só um clima de intolerância e de ódio pode explicar o cerco de que está sendo vítima.

(Artigo inicialmente publicado no Facebook do economista Bresser-Pereira)

*Luiz Carlos Bresser Pereira é economista, fundador do PSDB, ex-ministro da Fazenda dos governos de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso
****
Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-cerco-a-Lula/4/35446

Irineu Messias repudia o aumento abusivo da Geap e as medidas prejudiciais da ANS

05.02.2016
Do portal do SINDSPREV/PE, 03.02.16

CLIQUE PARA AMPLIAR


Em entrevista à TV Sindsprev, o dirigente do Sindicato e membro do Conad (Conselho de Administração da Geap) critica o aumento de 37,55% nos planos de saúde e a investida da ANS (Agência Nacional de Saúde) para inviabilizar as entidades de autogestão, entre elas a Geap.

Inicialmente, Irineu falou das providências que estão sendo tomadas pelo Sindsprev-PE e pela CNTSS contra o aumento abusivo decidido pelo Conad no dia 17 de novembro. O dirigente informou que logo no dia seguinte, em Brasília, representantes da Anfip, Anasps, Anprev, CNTSS/CUT e Fenadados reuniram-se e divulgaram nota de repúdio contra o aumento absurdo.
Segundo o dirigente do Sindsprev-PE, “O aumento não resolve os problemas financeiros da Geap. Pelo contrário, agrava ainda mais, porque à medida que aumenta muito o valor das mensalidades, os assistidos não conseguem pagar, saem do plano e vai continuar o mesmo problema de sustentabilidade financeira. Em várias reuniões do Conad, argumentamos para que não fosse aplicado um reajuste tão elevado. Por isso, eu e os outros dois conselheiros eleitos pela categoria, votamos contra o reajuste.”
Outro aspecto importante abordado por Irineu foi a concepção de que “O pano de fundo para essa abusividade é que a ANS está sendo instrumento desse mercado voraz que não tem preocupação com a vida, com os idosos. Eles só querem gente nova que usa menos os planos.”
O dirigente do Sindsprev acrescentou que as entidades representativas dos servidores federais decidiram entrar com ações jurídicas contra o aumento de 37,55%. E informou que a Justiça já concedeu uma liminar à Anasps que suspende o aumento da Geap.

Essa foi uma orientação da reunião para que os sindicatos dos estados também ingressem com ações nos estados, o que o Sindsprev-PE está providenciando esta semana.
“Felizmente, o Poder Judiciário está reconhecendo esta injustiça, esta desumanidade. Nós somos do Conad, mas estamos lá para defender em primeiro lugar os interesses dos assistidos e também defender a Geap, porque sem ela a situação ficará pior.”

No final da entrevista, Irineu Messias solicitou cautela aos assistidos antes de tomar a decisão de sair da Geap, pois de acordo com o TCU, não poderão mais retornar ao plano. Ele argumentou que é melhor aguardar o andamento das ações jurídicas e políticas, pois acredita que a categoria poderá sair vitoriosa, como já aconteceu muitas vezes com a luta do Sindsprev-PE e das entidades nacionais.
Além das ações jurídicas, os sindicalistas estão organizando um ato público nacional de protesto contra o reajuste e contra a ANS, em Brasília, no dia 17/02, com participação do Sindsprev-PE.
Um dia antes (16/02), também na capital federal, as assessorias jurídicas da CNTSS e das outras entidades nacionais dos servidores federais vão se reunir para discutir uma ação contra a ANS. Deverá ser agendada ainda, uma audiência pública na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal.

Assista abaixo ao vídeo da entrevista feita por Wedja Gouveia 




******
Fonte:http://sindsprev.org.br/index.php?categoria=noticias_principais_01&codigo_noticia=0000003653&cat=noticias

“PF quer virar polícia política”, diz jurista

05.02.2016
Do portal BRASIL247
:
247 - Como entender a atuação da Polícia Federal contra Lula?

LUIZ MOREIRA -- A Polícia Federal está disputando a opinião pública para estabelecer-se como polícia política. Pretende conquistar uma hegemonia incompatível com uma democracia constitucional.Não por acaso assume, como método de atuação, uma performance cada vez mais teatral, que atribui títulos midiáticos a sua atuação e que opera como se estivesse em guerra com os cidadãos brasileiros. É claro o propósito de constituir ambiente de terror. Esse terror reforça o poder da Polícia Federal frente às demais instituições, que, por medo de represálias, tendem a ceder aos seus caprichos. Essa a finalidade dos vazamentos.

247 -- Mas por que transformar o presidente Lula em alvo? 

LUIZ MOREIRA -- Nessa cruzada por hegemonia política, é preciso escolher um antagonista ideal, que ao mesmo tempo tenha prestígio social e político e que seja amplamente conhecido. Nesse sentido, o Presidente Lula é usado como antagonista, pois, assim, a Polícia Federal procura demonstrar à população que ela tudo pode. Se até Lula é arbitrariamente investigado, ninguém estaria a salvo.

247 -- É possível sustentar essa hipótese com fatos? 

LUIZ MOREIRA -- Em pelo menos duas ocasiões essa hipótese se confirma. No título da “operação Triplo X” e na comunicação de delegado da PF à Justiça Federal, revelando ser Lula investigado. O que mais surpreende nessa cruzada é a falta de meios para acabar com o arbítrio. Se nem Lula consegue ver efetivados o devido processo legal e as demais garantias constitucionais, o que ocorrerá com os demais cidadãos?

247 --  Não existem regras para o controle da PF?  

LUIZ MOREIRA --  Nas democracias constitucionais, as polícias são submetidas a um controle rigoroso. No Brasil, foi justamente para se evitar que a Polícia Federal se transformasse em polícia política é que foram desenhados dois tipos de controle à sua atuação. O primeiro é político; o segundo, operacional.

247 -- Como isso deveria funcionar?

LUIZ MOREIRA -- Operacionalmente, a Polícia Federal é submetida, como polícia judiciária, à instrução processual e ao controle de outra instituição, o Ministério Público Federal, que exerce o controle externo de suas atividades.Já o controle político é exercido pela Presidência da República, mediante atuação de seu Ministro da Justiça. Assim, há uma subordinação hierárquica da Polícia Federal ao Poder Executivo. E o que significa essa subordinação hierárquica? Significa que a Policia Federal não comanda a si mesma; que suas diretrizes orçamentárias e que a organização de seus serviços subordinam-se ao governante eleito.

247 -- O que isso significa?

LUIZ MOREIRA -- Isso quer dizer que a Polícia Federal é um serviço e que sua atuação é controlada pela sociedade civil, mediante seu representante na Presidência da República. Nesse sentido, uma instituição a qual se confia o poder de investigar cidadãos, de portar armas de alto poder de destruição e de manipular dados e informações de pessoas precisa se submeter ao poder político. Por essa razão, nas democracias constitucionais, a chefia das polícias é exercida pela sociedade civil, por intermédio dos Governantes eleitos, para garantir que não produzirão sua própria agenda, nem que gozarão de autonomia ante o regime democrático.

247 -- Por que esses controles não funcionam? 

LUIZ MOREIRA --  A Corregedoria da Policia Federal não funciona, porque a lógica corporativa submeteu sua atuação. Assim, denúncias de faltas funcionais e de vazamentos não sejam apurados. A lógica de proteção aos iguais prospera, inibindo condutas que não sejam vistas como aptas a proteger o grupo. Desse modo, qualquer tentativa interna de estabelecer restrições aos desvios funcionais é vista como ato de traição à instituição e quem os executa é tido como inimigo da corporação. Para haver controle, é indispensável que as funções de corregedoria sejam desempenhadas por órgão externo, composto por servidores alheios à polícia federal, a fim de criar parâmetros republicanos para sua atuação.

247 -- Como se poderia evitar isso? 

LUIZ MOREIRA --  Para restringir a transformação da Polícia Federal em polícia política, uma boa saída seria transformar suas funções. Atualmente, há um equívoco em sua carreira. Há pelos menos três carreiras paralelas na PF (a de agente, a científica e a judiciária) e que se encontram em permanente disputa.

Os Agentes da Polícia Federal poderiam ser incorporados como membros permanentes da Força Nacional de Segurança; os que se dedicam à perícia forense constituiriam uma Polícia Científica e os Delegados, uma Polícia Judiciária.A atual especificidade funcional daria forma a três instituições, cada uma com sua especialização. Essa é uma conhecida fórmula utilizada nas modernas democracias constitucionais, com a qual os serviços estatais controlam uns aos outros, no que se convencionou chamar de freios e contrapesos.
****
Fonte: http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/216071/%E2%80%9CPF-quer-virar-pol%C3%ADcia-pol%C3%ADtica%E2%80%9D-diz-jurista.htm

NAZISMO MIDIÁTICO: A Gestapo em Atibaia

05.02.2016
Do blog TIJOLAÇO,
Por Fernando  Brito

gestapo

Vejam este trecho de texto – duro chamar de reportagem, perdoem – do Estadão de hoje sobre o fato de  –  como diariamente fazem milhares de compradores e vendedores – ter sido no escritório de um advogado amigo de Lula e sua família. Algo absolutamente corriqueiro, e eu mesmo fiz isso no final do ano passado, quando tive de vender um terreno que possuía há mais de 20 anos em Maricá, pois os compradores chamaram um oficial de cartório para fazer onde lhes convinha a venda.

No texto, porém, são apontados outros crimes:

“A chegada da Lava Jato mudou a rotina do bairro do Portão, em Atibaia, limite entre a cidade e a área rural onde fica o sítio usado pelo ex-presidente. Vizinhos e comerciantes da região têm sido questionados pelos procuradores do Ministério Público Federal sobre a frequência das visitas, rotina e companhias do petista no local.
No depósito Dias, que forneceu parte do material para a reforma do imóvel, em 2011, os procuradores realizaram duas buscas de documentos e notas fiscais da época. O atual dono, Nestor Neto, que assumiu a loja em 2014, afirmou que o objetivo era encontrar provas e buscar novas informações. Há suspeita de que a Odebrecht pagou parte da conta. “Os procuradores analisaram algumas documentações antigas, como notas e comprovantes, que ainda estavam na loja. Acessaram salas que estavam fechadas pelo dono do prédio e eu não tinha mais acesso”, disse Neto. Duas atendentes da padaria Iannuzzi, que fica no acesso ao sítio, dizem que a ex-primeira-dama Marisa Letícia comprava no local.

Observem o kafkiano do processo: “descobriram que D. Mariza fazia compras na padaria Ianuzzi”!

Qual é o problema de fazer compras nessa padaria ou na Panificação  Santo Antônio, do famoso “seu Manuel da padaria”? E  num lugar onde nunca negou frequentar?

O que é que alguém tem a ver com o número de vezes que Lula foi a um sítio onde ele próprio  diz que vai?

O que é que alguém tem a ver com quem vai?

E qual seria o problema se algum empresa tiver dado algum material para que se reformasse um sítio que ele frequenta?

Haveria problema, por exemplo, se uma delas desse a Lula, já fora do Governo,  uma garrafa de vinho Romaneé Conti (lembram do vinho do Duda Mendonça?) das 114 arrematadas há pouco tempo  num leilão da famosa Sotheby’s por US$ 1,62 milhão, o que dá um preço, por garrafa, de R$ 57 mil?

E se fosse uma caixa?

Falta a toda esta investida nazistóide o que justificaria uma investigação: a suspeita específica de algum ato de responsabilidade pessoal de Lula em alguma irregularidade que beneficiasse indevidamente alguma empresa ou pessoa.

Simples assim.

Mas não há. o que há é um troncho “domínio do fato” transposto à investigação policial que funciona na base do “ah, alguma ele fez e nós vamos descobrir o que foi”.

E por que? Porque é preciso usar polícia, Ministério Público e justiça (assim, com letra minúscula mesmo)  para cumprir o objetivo político que pela política não conseguem alcançar: destruir Lula eleitoralmente.

Com a certeza de que não haverá mídia ou tribunal que ponha freios a esse uso político desavergonhado das instituições públicas.

Como se sabe, o nazismo serviu-se da covardia dos democratas para se impor.
****
Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/a-gestapo-em-atibaia/