quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

As dinastias da Câmara

04.02.2016
Do portal da Agência Carta Maio
Por Étore Medeiros 
Agência Pública | http://goo.gl/4sCKOu

Quase a metade dos deputados são herdeiros de familiares cujo poder político, em alguns casos, remonta ao período colonial

EBC

Conhecida por debates acalorados quando se trata de discussões sobre a “família tradicional”, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara foi cenário de um debate inusitado sobre outros tipos de famílias – as de políticos – no fim de outubro, durante a votação do Projeto de Lei nº 6.217, de 2013. Proposta pelo deputado Esperidião Amin (PP-SC), a iniciativa pretende chamar a BR-101 em Santa Catarina de Rodovia Doutora Zilda Arns, excluindo naquele trecho a homenagem ao ex-governador Mário Covas. O nome do paulista batiza todos os quase 5 mil quilômetros da estrada desde setembro de 2001, seis meses após o falecimento do político.

O clima ficou tenso na CCJ. Ninguém diminuía a importância de Zilda Arns, brasileira indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 1999, mas muitos se mostravam incomodados com a retirada do nome de um político de uma obra. Durante as discussões, houve exemplos – críticos ou elogiosos – de pontes no Piauí e em Santa Catarina com dois nomes: cada sentido da via para um cacique local. “Há certamente novas rodovias, novas obras que serão construídas em Santa Catarina e a que, de forma consensual, o nome da Zilda Arns poderia ser definido. Se começarmos a abrir aqui um precedente de ratear uma rodovia, uma estrada, para homenagear vários nomes, vai se criar, além de uma atitude desagradável, até um conflito para quem vai pegar o endereço”, protestou o deputado Mainha (SD-PI).

José de Andrade Maia Filho, o Mainha, é filho de José de Andrade Maia, que foi prefeito de municípios do Piauí e suplente de senador. Em Itainópolis, a herança paterna na prefeitura garantiu a Mainha o início da carreira política, em 1996, quando também se elegeu prefeito do município, aos 22 anos. Mas, justiça seja feita, ele não foi o único membro da CCJ a protestar, o que levou ao adiamento da apreciação do projeto. Deputado mais votado na Paraíba em 2014, aos 25 anos, Pedro Cunha Lima (PSDB-PB), filho do ex-governador e hoje senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), foi um dos que também se posicionaram contra a medida.

A discussão ilustra um mecanismo muito antigo da política nacional e especialmente significativo na atual legislatura na Câmara. De teor fortemente conservador, ela é também a que possui maior porcentual de deputados com familiares políticos desde as eleições de 2002. Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) publicado no segundo semestre de 2015 analisou os 983 deputados federais eleitos entre 2002 e 2010 para concluir que, no período, houve um crescimento de 10,7 pontos percentuais no número de deputados herdeiros de famílias de políticos, atingindo 46,6% em 2010 – número próximo aos 44% encontrados pela Transparência Brasil no mesmo ano. Logo após a última disputa eleitoral, a ONG divulgou outro levantamento que concluiu que 49% dos deputados federais eleitos em 2014 tinham pais, avôs, mães, primos, irmãos ou cônjuges com atuação política – o maior índice das quatro últimas eleições.

Atualmente, o estado que ilustra melhor o poder das dinastias nas eleições é o Rio Grande do Norte, onde 100% dos oito deputados eleitos se encaixam no perfil das pesquisas. A lista contempla Fábio Faria (PSD), filho do atual governador do estado, Robinson Faria (PSD); Felipe Maia (DEM), filho do senador José Agripino (DEM); Antônio Jácome (PMN), pai de Jacó Jácome (PMN), eleito deputado estadual em 2014 aos 22 anos; Rogério Marinho (PSDB), neto do ex-deputado federal Djalma Marinho (UDN, Arena, PDS); Zenaide Maia (PR), esposa do prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado (PR); Walter Alves (PMDB), de um dos clãs mais tradicionais do estado, com ex-ministros, ex-governador e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB); Rafael Motta (PSB), filho do deputado estadual Ricardo Motta (PROS); e Betinho Segundo (PP), da família Rosado, que domina a segunda maior cidade do estado, Mossoró, é neto de governador e bisneto de intendente – nome que se dava aos prefeitos até 1930. E os elos familiares com o poder podem ser, em alguns casos, ainda mais antigos. A descendência de José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), por exemplo, se sucede em postos nas estruturas de poder desde o período colonial e conta, até hoje, com um representante na Câmara, o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), no décimo mandato consecutivo.

Coordenador do levantamento que analisou as três primeiras eleições deste século, o professor de ciência política da UnB Luis Felipe Miguel observa que em diversas áreas é comum que os filhos sigam a carreira dos pais. O problema no caso da política é que ela não deveria ser considerada uma profissão. “Na política, isso é mais sério, pois ela deveria ser uma atividade aberta a todos os cidadãos”, diz. Diferentemente de outras áreas, continua o professor, nem sempre há isso de os filhos se aproximarem pela familiaridade com as profissões dos pais. “Há, sim, estratégias das próprias famílias para manter os espaços de poder, com filhos ou parentes que são muitas vezes empurrados para ocupar essas posições, quem sabe até contra as próprias inclinações. Isso é sim ruim pra democracia.”

Para Miguel, as estratégias de manutenção dos clãs no poder acabam por torná-los uma espécie de empreendimento – uma vez que a política também é vista em muitos casos como forma de enriquecimento pessoal –, com projetos bem definidos para a ocupação até mesmo de espaços que credenciam para a disputa eleitoral. Um exemplo é a carreira de Paulo Bornhausen (PSB-SC), filho do ex-governador e cacique do DEM catarinense Jorge Bornhausen. “O Paulo, que seria o herdeiro, foi deputado estadual, federal, candidato a senador [derrotado em 2014], mas antes de ser lançado candidato ele ocupou durante alguns anos um programa de rádio de apelo popular numa rádio de bastante audiência de Florianópolis”, explica Miguel.

Para o professor da UnB, como o processo eleitoral brasileiro é marcado pela desinformação e despolitização, pontos como o discurso e as propostas dos candidatos e mesmo a reputação ou a probidade do familiar que pede os votos não fazem diferença. “O que as famílias políticas controlam e legam na verdade são os contatos com financiadores, com controladores de currais eleitorais, com uma teia de apoiadores que disputam outros cargos, esse savoir-faire e esses recursos que dão aos herdeiros uma série de vantagens nas disputas eleitorais”, explica Miguel.

Conservadorismo

Nas eleições de 2002, 2006 e 2010, a diferença do número de beneficiados pelo parentesco na direita e na esquerda aumentou. Os herdeiros conservadores ampliaram a margem numérica sobre os progressistas, antes de 13 pontos percentuais, para quase o dobro (22,5 pontos porcentuais) em 2010, acompanhando o progressivo aumento de bancadas como a ruralista e a evangélica na Câmara no mesmo período. Em 2014, segundo uma análise feita pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), os brasileiros elegeram o Congresso Nacional mais conservador desde 1985 – o que acabou resultando, em 2015, no avançar de pautas como a redução da maioridade penal, o Estatuto da Família e a revogação do Estatuto do Desarmamento, todas na Câmara.

Para Ricardo Costa Oliveira, cientista político e sociólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), os elos de parentesco “são um fenômeno social e político do atraso” e estão intimamente ligados ao conservadorismo. “É uma relação direta. A maioria dos deputados federais com menos de 40 anos é de família política. Eles herdam não só o capital, mas a visão de mundo e as pautas conservadoras. Assim, temos jovens que defendem o que os avôs já defendiam”, explica. Em 2010, segundo o estudo da UnB, mais da metade (52,1%) dos deputados que ocuparam na Câmara o primeiro cargo público da carreira tinham o capital político familiar como herança. E, em 2014, apenas 15% dos deputados que chegaram à Câmara com até 35 anos não receberam o empurrãozinho de um sobrenome político, segundo a Transparência Brasil.

“Historicamente essas dinastias políticas tendem a se formar mais à direita do que à esquerda. Aqueles que ocupam posições na elite política pertencem aos segmentos privilegiados da sociedade, estão numa posição de elite, com as vantagens materiais e simbólicas associadas a isso, e quem ocupa essas posições tem mais incentivos para ser conservador”, analisa Miguel. Quando as novas gerações tentam se adaptar aos novos tempos, em geral não fazem nada mais do que modernizar velhos discursos. “Vamos supor que em 2018 elejamos uma Câmara mais arejada, mais progressista. Ela não terá metade dos integrantes oriundos de famílias políticas, como é hoje.”

Mais que isso, o sistema eleitoral e político é estruturado de tal forma que muitos partidos novos acabam se moldando ao modo de funcionamento das velhas oligarquias. “O perfil de representação parlamentar petista, por exemplo, mudou muito. As primeiras bancadas eram compostas em grande parte por lideranças vindas diretamente dos sindicatos. Depois, chegou o padrão de carreira eleitoral mais gradativa – com eleições sucessivas de um candidato a vereador, depois deputado estadual e federal. E já começam a surgir famílias políticas no PT.”

Entre as dinastias que começaram a se organizar no partido nas últimas décadas estão a dos irmãos Viana, no Acre, Jorge – duas vezes governador e hoje senador – e Tião, recém-reeleito para o governo estadual; do clã paulista dos Tatto, com Jilmar, Ênio, Arselino, Jair e Nilto, que acumulam cargos como vereadores, deputados estaduais e federais; dos Dirceu, com o ex-prefeito de Cruzeiro do Oeste (PR) e hoje deputado federal Zeca Dirceu, filho de José Dirceu, nome histórico do PT e condenado por integrar o núcleo político do mensalão; os Genro, com o ex-governador gaúcho Tarso Genro e a filha Luciana, que migrou para o Psol; os irmãos José Genoino, ex-deputado federal e ex-presidente da sigla, condenado no mensalão, e José Guimarães (CE), líder do governo federal na Câmara; e os Lula, com a neta do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, Bia Lula, na secretaria de juventude do PT em Maricá (RJ).

Na Câmara, ainda de acordo com o levantamento da Transparência Brasil, o Nordeste encabeça a lista das regiões com mais herdeiros (63%), seguida pelo Norte (52%), Centro-Oeste (44%), Sudeste (44%) e Sul (31%). No Senado, entretanto, Sul, Sudeste e Centro-Oeste estão à frente (67%), seguidos pelo Nordeste (59%) e Centro-Oeste (42%). “Esse é um fenômeno nacional. Tenho um doutorando pesquisando o poder no Paraná. Acham que aqui, como o estado é novo, de imigração europeia, poderia ser diferente; mas constatamos a mesma estrutura hereditária de mandonismos familiares que vemos na Paraíba ou no Maranhão”, comenta o professor Ricardo Oliveira, da UFPR.

Apesar de se evidenciar em locais de difícil acesso a posições eleitorais privilegiadas por outros meios – como a mídia, os sindicatos e as igrejas –, os índices de parentesco no Senado mostram que a transferência de votos entre familiares é um fenômeno generalizado. “Nos Estados Unidos, onde o sistema eleitoral é por voto distrital, as taxas de reeleição são altíssimas, na casa dos 90%. É muito frequente, quando um deputado morre, a vaga ser ocupada pela viúva. Também lá, tivemos pai e filho na Presidência nos últimos 30 anos [George H. W. Bush e George W. Bush] e agora uma candidata [Hillary Clinton] que é esposa de outro ex-presidente”, observa Miguel. 

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/As-dinastias-da-Camara/4/35435

CONLUIO MIDIÁTICO-JUDICIAL: O Troféu Framboesa do PiG!

04.02.2016
Do blog CONVERSA AFIADA

 Prêmio "Quem financia a baixaria?": a parceria pornográfica entre PF e o PiG
prenda-me se for capaz
O Conversa Afiada ajuda o deputado Paulo Pimenta (PR-RS) a divulgar o Prêmio Framboesa - 2016!

Muito legal!

E acrescenta um, já solenemente anunciado: o "Troféu Conexões Tigre", ao inigualável repórter do Estadão, Fausto Macedo!

E se oferece para receber o "Melhor Apelido do Ano" - ao chamar o Dr Moro de "Teólogo da Vazaçao"!

Não é perfeito?

Ao Pimenta:

As “flores do recesso” e as indicações ao Troféu Framboesa do jornalismo brasileiro*

O recesso Legislativo, encerrado ontem (2), costuma ser uma época em que os jornais têm dificuldade para encontrar pautas. Esse período é conhecido como "flores do recesso", quando, diante da falta de assuntos, factóides são transformados em notícias.

As "flores do recesso" de 2016 já têm lugar na história do que há de pior no jornalismo em termos de manipulação, mentiras e invenções.

Foram tantas as pérolas da imprensa brasileira, ao longo do mês de janeiro, que seria injusto se passassem despercebidas. Como é tempo de Globo de Ouro e Oscar, faço minhas indicações ao troféu Frambroesa de Ouro (prêmio que é uma paródia do Oscar e premia os piores) do jornalismo brasileiro. 

Pedimos para que os leitores e leitoras sintam-se à vontade para sugerir, também, suas próprias indicações. 

 
PIOR ANIMAÇÃO: ZERO HORA “SE CONFUNDE” E DESENHA LULA NO LUGAR DE FHC EM CHARGE 

O jornal gaúcho Zero Hora, do grupo RBS, é um forte candidato ao prêmio de "Pior Animação": fez charge sobre o pagamento de propina na compra da empresa argentina Pérez Companc (PeCom) pela Petrobras. Só tem um pequeno detalhe: o cartunista Marco Aurélio “confundiu-se” na hora de produzir a charge e, “por engano” desenhou Lula como receptor da propina, e não FHC – o verdadeiro receptor, segundo delação de Cerveró.  Depois do “equívoco”, o jornal pediu desculpas.  Lamentamos a ingenuidade do cartunista. Tão ingênuo que, ao se retratar, replicou a charge equivocada com uma nota minúscula, em letra menor ainda. Um leitor ironizou no twitter: “O @zerohora publicando novamente uma charge desonesta pra dizer que ela está errada parece o Didi Mocó dando a mão pro Sargento Pincel levantar". 

PIOR MONTAGEM: PF CHAMA LULA PARA DEPOR SOBRE MEDIDA PROVISÓRIA EDITADA POR FHC

Um delegado da Polícia Federal, da Operação Zelotes, é forte candidato ao prêmio de "Pior Montagem". Ele conseguiu o feito de inserir a figura de Lula em uma cena originalmente protagonizada por Fernando Henrique Cardoso. A montagem é impressionante, entre outros fatores, pelos aspectos temporais. A assinatura da Medida Provisória que beneficiava montadoras de automóveis, caminhões e tratores, é de 1997. Mesmo Lula tendo se tornado presidente apenas em 2003, esse delegado da PF conseguiu inseri-lo como personagem nesse filme.  E foi um grande sucesso!  A grande mídia explica que a imagem de Lula em casos de corrupção “vende bem”, embora se use sempre o mesmo roteiro de ficção. Segundo eles, os tucanos, embora sejam a fonte de inspiração dos fatos reais, não são os preferidos do PIG para estampar as capas dos jornais e os holofotes do show midiático.  

PIOR ATOR COADJUVANTE: FOLHA CONTRATA KIM KATAGURI COMO COLUNISTA

Autor do célebre pensamento do século XXI: “Sabem as semelhanças entre as feministas e o miojo? Ficam prontas em 3 minutos e são comida de universitário”, o experiente Kim Kataguri, de 19 anos, ganhou uma coluna no jornal Folha de São Paulo.  O único requisito para o cargo é ser contra o PT. Profissionais sérios e qualificados afirmam que, apesar de as pessoas terem se escandalizado apenas agora, esse tipo de contratação não é uma novidade. 

PIOR ROTEIRO ADAPTADO: MPF OMITE TRECHO DE DELAÇÃO QUE INOCENTA MARCELO ODEBRECHT

O talento do Ministério Público Federal na adaptação do roteiro da Operação Lava Jato é inquestionável. A fim de produzir um filme mais palatável para os interesses da grande mídia, escondeu trecho da delação de Paulo Roberto Costa que inocentava Marcelo Odebrecht, em setembro de 2014. Na transcrição do vídeo da delação, omitiram-se trechos como “ele não participava disso” e “nunca tratamos de nenhum assunto desses diretamente com ele”, referentes a Marcelo Odebrecht. Na ocasião, a justiça preferiu reinterpretar a fala do delator no momento da transcrição. A verdade veio à tona. O advogado da empresa pediu para ter acesso a todos os vídeos das delações premiadas que não foram anexados aos autos nem entregues às defesas dos réus. Pode ser que encontre mais um sucesso de adaptação de roteiro e edição por lá!

PIOR THRILLER POLÍTICO: DELEGADO VISITA LOBISTA E OFERECE LIBERDADE DE SUA ESPOSA EM TROCA DE DELAÇÃO CONTRA LULA

Mais uma vez, o mesmo delegado da PF, que conseguiu colocar Lula como personagem de uma MP editada por FHC, é cotado para um prêmio. Nessa ocasião, entretanto, temos um roteiro com elementos mais psicológicos que o anterior. Como todo bom thriller, o filme em questão envolve muita chantagem, sofrimento e mentiras. O lobista Mauro Marcondes, coadjuvante da história, é chantageado pelo delegado a fazer uma delação que incrimine um ex-presidente que está retornando à cena política, o Lula. A ameaça é que, caso o lobista se recuse a fazer a delação, sua esposa, no momento numa cadeira de rodas, será tirada da prisão domiciliar e levada à Papuda. Na turma, a grande mídia – dominada por interesses de grandes corporações – age coordenadamente com diversas autoridades na tentativa de destruir a imagem de Lula. O ex-presidente precisa ser derrotado a qualquer custo. Caso contrário, as elites passarão a dividir diversos espaços com as classes mais populares, como aeroportos, universidades, empregos. Para uma parcela muito peculiar da população, isso seria inaceitável. Curiosamente, como na maioria dos thrillers políticos no Brasil, o lado que tem o apoio da mídia venceu o primeiro episódio da história. Cristina Mautoni, apesar de estar convalescendo em uma cadeira de rodas e se recuperando de uma cirurgia, terminou levada à Superintendência da PF. Ela se encontra numa cela inadequada e sem agentes mulheres à disposição integralmente nem para prestar assistência quanto a suas necessidades fisiológicas. 

PIOR EFEITOS ESPECIAIS: JORNAL NACIONAL OMITE NOME DOS GOVERNADORES TUCANOS QUE ASSINARAM LICENÇAS DE OPERAÇÃO DA SAMARCO 

Com muita maestria, o Jornal Nacional “sumiu” com o nome dos governadores que assinaram as licenças de operação da Samarco em 2007 e em 2013, os tucanos Aécio Neves e Antônio Anastasia, respectivamente. Temos que reconhecer a engenharia de efeitos necessária para desparecer com essas figuras da cena do maior desastre ambiental da história do Brasil. A tragédia devastou a biodiversidade e a água potável nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Diante da eficiência da Rede Globo em desaparecer com os responsáveis pelo crime ambiental em MG, muitos telespectadores ficaram se questionando se as licenças para a construção das barragens que romperam teriam sido assinado não pelos ex-governadores do PSDB de Minas Gerais, mas sim pelo “Espírito Santo”.

PIOR REMAKE: FALAÇÃO PREMIADA E VAZA JATO: OS PROMOTORES PERMANECERÃO INTOCÁVEIS?

Remake da Operação Vaza Jato, digo, Lava Jato é campeão de bilheteria no recesso. Mais uma vez, informações sigilosas da investigação caem direto nas mãos da imprensa. Em todos os jornalões, estampou-se o conteúdo da falação, digo, delação premiada do ex-presidente do Partido Progressista (PP), Pedro Corrêa. E, assim como no caso do filme em que Lula é substituído por montagem pelo protagonista da cena de assinatura de medida provisória, FHC, podemos deduzir que Jaques Wagner também “vende bem” nos holofotes. Talvez seja uma sina petista ser sucesso midiático. Mesmo no caso de nenhuma informação delatada por Corrêa constituir crime, ainda assim Jaques Wagner estourou na mídia, e certamente não podia ser no papel de mocinho. A mídia repete a receita infalível ao unir PT e ficção. Já vimos esse filme várias vezes, editado em outras épocas. Mas ele é tão insistentemente repetido que o público já nem distingue mais a realidade do ficcional. Aguardamos ansiosamente o próximo episódio: afinal, o crime de vazamento praticado pelos promotores envolvidos permanece impune, não é mesmo?  

PRÊMIO “QUEM FINANCIA A BAIXARIA?”: PARCERIA PORNOGRÁFICA ENTRE PF E GRANDE MÍDIA

A atuação de setores da PF na Operação Lava-Jato em conjunto com a grande mídia já resultou em várias indicações ao que há de pior no jornalismo. O que não esperávamos, entretanto, era que essa parceria fosse dar demonstrações de vocação para categorias, por assim dizer, mais promíscuas. O talento para baixaria despontou. A PF vazou e a imprensa, por sua vez, divulgou que “ao fazer uma busca e apreensão na casa de Fernando Collor, policiais apreenderam uma mala contendo brinquedos eróticos”. A vida íntima de Collor e o que não diz respeito às investigações da Lava Jata não são de interesse público. Qual a relevância dessa maleta para as investigações da Lava Jato? O colunista e o jornal que financiaram a disseminação dessa baixaria, que em nada acrescenta ao jornalismo e à população, merecem esse prêmio.

PIOR FILME DO ANO: A CANOA DE LULA

A tentativa de criminalizar qualquer ato de Lula e desgastar a imagem do Presidente mais popular da história do nosso país levou a grande mídia à produção de factoides em série ao longo desse janeiro de 2016. Foi um bombardeio diário, acusações sem provas, todas rebatidas, de pronto, com documentação e transparência pelo Instituto Lula. Mas nenhum episódio da imprensa brasileira foi mais patético do que a compra de uma canoa por familiares de Lula pelo valor de R$ 4 mil, obviamente, uma aquisição incompatível para a renda de um ex-Presidente da República. “A canoa de Lula” é a síntese da decadência e da falta de credibilidade da “grande imprensa brasileira”, e a obsessão dos jornalões pela figura de Lula é motivo de piada desde as rodas de bar até às redes sociais na internet.


E para finalizar, as indicações para “Pior Ator”.

- Aécio Neves em “À Espera de um Milagre”

- Beto Richa e Geraldo Alckmin em “Onde os pobres não têm vez”

- Fernando Henrique em “Prenda-me se for capaz”

- Geraldo Alckmin em “Querida encolhi as escolas”

- Eduardo Cunha em “Meu Malvado Favorito”


Na categoria “comédia”, sugerimos ainda:

- Geraldo Alckmin em “Prêmio de Gestão Hídrica da Câmara dos Deputados”;

- Beto Richa e Geraldo Alckimin em “Prêmio Veja de Educação”

Faça sua lista. 

*Deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS)

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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/o-trofeu-framboesa-do-pig

Os microcéfalos

04.02.2016
Do blog TIJOLAÇO
Por FERNANDO BRITO

aedes
O “panelaço” contra a fala de Dilma Rousseff na TV – mesmo dizendo que não iria falar de política ou economia, mas apenas do combate ao vírus zika que, segundo os Centros de Controle e Prevenção do Governo Ameicano, atinge 30 países e agora, possivelmente, o próprio território americano, com um possível caso de transmissão sexual – foi tão pequeno quanto a capacidade intelectual dos que o promoveram.
A epidemia, disse hoje Alejandro Gaviria, o ministro da Saúde da Colômbia, devidamente direitista e ex-ministro do Planejamento  do “governo-modelo” do conservadorismo, o de Álvaro Uribe diz hoje que a expansão da doença nada tem  a ver com os sistemas de saúde dos países atingidos.
Não têm, mas terão, porque o tamanho da epidemia terá a ver com a capacidade dos governos e da população de combaterem a proliferação do mosquito, do atendimento primário e  – imaginem se é uma autoridade brasileira que diga isso – diz o que falou o ministro colombiano Uribe ao Estadão:
“Gaviria sugeriu que os casais que estejam pensando em filhos adiem o plano, orientou habitantes das áreas mais altas a não visitarem a regiões mais baixas e desaconselhou viagens a outros países com focos da infecção. Defendeu que uma gestante tem direito de abortar, em decisão conjunta com um médico, se enxergar na gravidez de uma criança com microcefalia um risco para sua saúde mental.”
Estaríamos em um clima de galhofa, de um lado, com piadas sobre sexo, bloqueios na Rio-Teresópolis e, de outro lado, uma ofensiva de pastores desejando obrigar mulheres a darem a luz – que é, aliás, um direito delas –  a crianças microcéfalas.
Há, porém, outro tipo de microcéfalos, não no sentido da atrofia física da massa cinzenta,  mas da amputação de capacidade de pensar  o suficiente para deixar os ódios políticos fora das questões de saúde pública.
Foi o que fizeram na noite de ontem, felizmente em proporções não de epidemia, mas apenas de surto.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/os-microcefalos/

Por que os machos de Direita não vaiam o Cunha?

04.02.2016
Do blog CONVERSA AFIADA, 03.02.16
Por Paulo Henrique Amorim

Wyllys: 'avacalharam' a liturgia porque ela é mulher
bessinha 100% neymar tucano
Saiu na Rede Brasil Atual:


Presidenta enfrentou protestos ensaiados de parlamentares. "Motivos das vaias não são erros de Dilma, mas o fato de ser mulher", disse deputado. "Nenhum macho da oposição de direita ensaiou vaias a Cunha"

Brasília – O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) criticou acidamente os parlamentares da bancada oposicionista que vaiaram a presidenta Dilma Rousseff, hoje (2) à tarde, no Congresso. Em um gesto de interesse na aproximação entre Executivo e Legislativo, Dilma decidiu enfrentar pessoalmente o clima de hostilidade instalado desde o início de seu segundo mandato.

Em sua página na rede social, o parlamentar fluminense – que não integra a base governista – descreveu que os "aplausos efusivos" da maioria dos presentes ao plenário da Câmara "engoliram a fracassada tentativa da oposição de direita (PSDB, DEM e PPS) de iniciar uma vaia contra a presidenta". Segundo Wyllys, a oposição não desistiu. "Esta oposição mal disfarça sua misoginia, machismo e falta de educação em relação a Dilma", disse.

"Acabou há pouco a sessão solene de abertura dos trabalhos do Congresso Nacional em 2016 com a entrega da mensagem feita pela presidenta Dilma. Já na chegada, ela firmou posição: cumprimentou friamente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, ao passo que foi carinhosa com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski", descreveu Wyllys para em seguida observar que nenhum presidente ("Todos homens até a chegada de Dilma") foi tão hostilizado em sessão de abertura do ano legislativo.

"Logo, o motivo dessa tentativa de 'avacalhar' a liturgia, antes sempre respeitada, não são os erros de Dilma, mas o fato de ela ser mulher. Nenhum dos machos da oposição de direita ensaiou vaias a Cunha, formalmente denunciado por crime de corrupção e lavagem de dinheiro... Dá vergonha de ver esses homens de terno preto e cabelos brancos se comportando como alunos do fundão do Ensino Fundamental. Vergonha!", reiterou o parlamentar.

Durante a sessão, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) enviou mensagem também pela redes sociais em que ressaltou a importância da presença da presidenta. “Quebrando uma tradição de anos, que os presidentes não comparecem, ela veio pessoalmente mostrando coragem, altivez e afirmação de sua liderança”, disse. Jandira registrou com perplexidade “algumas figuras da oposição que não conseguem perceber a relação institucional (…) com alguns cartazes panfletários contra a CPMF e pessoas vaiando o Minha Casa, Minha Vida e tentativas de desqualificar a presidenta”.

Dilma fez questão de ir e ler a mensagem do Executivo ao Congresso, como forma de demonstrar sua intenção de estreitar o diálogo com os parlamentares e a sociedade civil. Chegou a – num gesto de descontração poucas vezes visto no plenário Ulysses Guimarães – distribuir beijinhos e em seu discurso pediu parceria e apoio ao Legislativo. Mas também teve de encarar o outro lado dessa receptividade, protagonizado pelos oposicionistas.

O gesto dos opositores instalou um ambiente poucas vezes observado com um presidente da República dentro do Congresso, quando pediu apoio para a votação das propostas de prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e da recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Neste momento, cartazes com a frase “Xô CPMF” foram levantados e vários deputados se posicionaram de costas para ela, numa cena visivelmente ensaiada.

Sem se deixar abater, embora deixando de lado o semblante risonho que apresentou na entrada do Congresso, a presidenta prosseguiu afirmando que espera contar com o Legislativo para fazer o Brasil chegar a patamares mais altos, de forma a alcançar a estabilidade fiscal que assegure a retomada de investimentos. “Este ano queremos construir uma agenda com o Congresso que priorize o ajuste fiscal e leve o país a um cenário de maior confiança na economia brasileira”, ressaltou.

Dilma também destacou que este ano proporá ao Congresso reformas para aumento do gasto primário e que combinem metas mais flexíveis de resultados com limites mais restritivos de gastos. Ela enfatizou que esse processo já foi iniciado no ano passado, com as mudanças nas regras de seguro-desemprego e do abono salarial, entre outras medidas. De acordo com a presidenta, nesse ajuste, os programas prioritários estão garantidos e a visão do Executivo é reformar, mas ao mesmo tempo preservar mais os programas sociais, o que levou a vários aplausos dos deputados e senadores de apoio ao governo.
Previdência futuro

“Uma crise é um momento muito doloroso para ser perdido. Neste momento nos cabe buscar a sustentabilidade da Previdência Social dentro de um contexto de futuro para a população. Em 2050, teremos uma população em idade ativa similar à atual, mas a população com idade acima de 60 anos será três vezes maior do que hoje. E precisamos pensar nessa perspectiva de futuro”, destacou Dilma.

Ao mesmo tempo em que tocou num ponto considerado polêmico, a presidenta acrescentou que uma eventual reforma só sairá após ser “amplamente discutida com todos os setores da sociedade, os parlamentares e o fórum dos trabalhadores que trata do tema”.

“Não queremos tirar qualquer direito dos brasileiros, mas é preciso dizer para todos que a reforma da Previdência não é uma questão de governo e sim de Estado”, afirmou.

Ao falar na proposta de recriação da CPMF, Dilma fez um apelo para que os parlamentares que se posicionam contrários à matéria “procurem pensar no país e se ater aos dados, uma vez que a arrecadação da União tem apresentado quedas nos últimos anos”. “Debateremos o quanto for necessário este assunto com a sociedade. Muita gente tem dúvidas e argumenta suas posições, mas o que peço é que levem em conta dados e não opiniões."

A presidenta concluiu o seu discurso externando a preocupação do governo com medidas de estímulo e incremento ao setor energético e o combate firme que fará ao longo do ano para acabar com a epidemia do Zika vírus e a microcefalia. Saiu conduzida, como é de praxe, pelo presidente do Congresso Nacional, senador Renan Calheiros (PMDB-AL).

Renan e o presidente do Judiciário, ministro Ricardo Lewandowski, ganharam beijos de cumprimento da presidenta. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara e desafeto declarado do Palácio do Planalto, recebeu um cumprimento de mão.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/por-que-os-machos-de-direita-nao-vaiam-o-cunha

MORO E O PSDB, TUDO A VER:PT e Governo estão convencidos de que Moro e auxiliares estão alinhados com oposição, por Tales Faria

04.02.2016
Do portal JORNAL GGN, 30.01.16
LUÍS NASSIF ON LINE

Enviado por José Carlos Lima
Do Fato Online
Ex-presidente Lula convenceu Dilma e até o ministro da Justiça de que os movimentos do chamado "Grupo do Paraná" de procuradores e delegados são estrategicamente alinhados com a oposição ao PT e ao governo.
 
Tales Faria

Já é convicção na cúpula do PT e no governo que procuradores no Paraná, delegados da Polícia Federal e até o juiz Sérgio Moro estão alinhados com os partidos de oposição, especialmente o PSDB.
Essa análise tornou-se consensual depois da Operação Triplo X, que tem como alvo o condomínio no Guarujá (SP), em que o ex-presidente Lula seria proprietário de um triplex. O nome da operação foi considerado por Lula uma verdadeira provocação. 
Lula, como se sabe, argumentou em nota que nunca foi proprietário do triplex, mas de uma cota do condomínio que lhe permitiria exercer o direito de compra, o que não se efetivou.
Mas as suspeitas do ex-presidente são anteriores a essa operação. 
O ex-presidente já havia dito à presidente Dilma Rousseff e ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, de suas suspeitas de que o "Grupo do Paraná" - que é como delegados e procuradores comandados pelo juiz Moro são chamados - havia passado a trabalhar com uma estratégia política nas suas investigações.
Em suas conversas com Dilma, Cardozo e outros interlocutores, Lula tem dito que o Grupo do Paraná tem claramente uma estratégia de vazamento de informações, associada a momentos políticos e uso da mídia como antecipação de operações.
A diferença agora é que sua opinião tornou-se consenso entre os petistas.
Até mesmo o ministro José Eduardo Cardozo, que internamente vinha se opondo às avaliações de que haveria um movimento programado do Grupo do Paraná, já deu o braço a torcer.
Cardozo ficou especialmente convencido na virada do ano, quando policiais federais divulgaram que os cortes de verbas na PF atingiriam a Operação Lava Jato e que teria havido até ajuda financeira da Justiça do Paraná à PF - leia-se Sérgio Moro - para pagar a conta de luz da Superintendência.
No Palácio do Planalto, a luz vermelha contra o Grupo do Paraná acendeu-se com o vazamento de citações contra o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, na Operação Lava-Jato.
O vazamento ocorreu exatamente no momento em que Wagner havia crescido como negociador do governo junto ao Congresso e ao empresariado, esfriando as articulações pró-impeachment. Desde então, ele viu-se obrigado a sair um pouco de cena.
Essa convicção da cúpula petista - incluindo o ex-presidente Lula - e da cúpula do governo, incluindo a presidente Dilma, tem boas chances de se transformar em alguma atitude contra o chamado Grupo do Paraná.
Mas não se sabe ainda o que fazer, na medida em que o juiz Sérgio Moro e seus auxiliares estão fortalecidos pela mídia e pela opinião pública.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/pt-e-governo-estao-convencidos-de-que-moro-e-auxiliares-estao-alinhados-com-oposicao-por-tales-faria#at_pco=cfd-1.0&at_ab=-&at_pos=4&at_tot=5&at_si=56b2c4f82a3df633

As mentiras sobre a quadrilha da merenda que atuava no Palácio dos Bandeirantes

04.02.2016
Do blog VI O MUNDO, 03.02.16
Captura de Tela 2016-02-03 às 11.47.32
Alckmin com o secretário Voorwald e o presidente da Alesp, Fernando Capez: todos tucanos graúdos de alto escalão
Isso é uma quadrilha que começou em outros Estados e chegou a São Paulo. Quem diz se a cooperativa que fornece os itens para a merenda está habilitada é o Ministério do Desenvolvimento Agrário. (Geraldo Alckmin)
A emissão da Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) Jurídica à Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar foi realizada pela Secretaria Estadual da Agricultura do Governo de São Paulo em 25 de junho de 2014, o que torna enganosa qualquer eventual alusão à participação do Ministério do Desenvolvimento Agrário nesse processo. (Nota do Ministério do Desenvolvimento Agrário)
Grampos mostram que ‘Moita’, do PSDB, operava ‘do Palácio’ para quadrilha da merenda
01.02.2016
Luiz Roberto dos Santos, ex-chefe de gabinete da Casa Civil de Alckmin, caiu na interceptação telefônica da Operação Alba Branca orientando parceiros sobre contratos
A Operação Alba Branca revela que Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, então braço direito do secretário-chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, operava para a quadrilha da merenda escolar de sua sala no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. “Moita” caiu no grampo da Polícia Civil várias vezes dizendo a interlocutores “tô no Palácio”.
Relatório policial mostra que ele mantinha sucessivos contatos ao celular, de seu próprio gabinete, com integrantes da organização sob suspeita de fraudar licitações e superfaturar produtos agrícolas e suco de laranja destinados à merenda.
Um dia antes da deflagração da Alba Branca, “Moita” foi demitido do cargo de confiança que ocupava. O secretário Edson Aparecido o devolveu à função de origem na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Boa parte dos grampos pega “Moita” orientando o lobista Marcel Ferreira Júlio, apontado como operador de propinas da organização que se infiltrou em pelo menos 22 prefeituras paulistas e mirava em contratos da Secretaria da Educação do Estado. “Moita” fala sempre de um número de celular e diz que está “no Palácio”.
O dossiê Alba Branca indica o campo de ação de “Moita”. Ele age diretamente para atender aos interesses da Coaf (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), apontada como carro-chefe da fraude.
O presidente da Coaf, Cássio Chebabi, confessou à polícia e ao Ministério Público como era o trabalho de “cooptação” de gestores municipais e que as propinas pagas eram equivalentes a 10% sobre o valor dos contratos. Segundo ele, “quando a Coaf atrasava (as comissões), devido a dificuldades financeiras, eram feitas retaliações e ameaças”.
“As apurações demonstraram que Marcel trabalhou em duas frentes para a Coaf. A primeira, num contrato firmado com a Secretaria de Educação do Estado, onde aparentemente se deu a participação de “Moita” e, a segunda, “em contratos firmados com Prefeituras”, diz o relatório policial.
A atuação de “Moita” é incisiva, atestam os investigadores. Uma interceptação pegou o então assessor de Edson Aparecido sugerindo ao lobista Marcel Ferreira Júlio que pedisse reequilíbrio financeiro de contrato de merenda, e não aditamento. “Moita” contou que tinha falado antes com Fernando Padula, na época chefe de gabinete da Educação, de quem disse ter recebido a orientação.
OS DIÁLOGOS DE ‘MOITA’ 
“As interceptações trouxeram a lume a participação no esquema dos indivíduos apontados como ‘Moita’ e Alex”, destaca o inquérito. “Marcel menciona mais de uma vez que Alex, que seria da Executiva do PMDB, iria fazer o primeiro contato com prefeitos para depois a prefeitura ser visitada pelos vendedores da Coaf. A partir daí, o órgão público é visitado, já com a proposta da comissão, negociada de acordo com o valor do contrato pactuado.”
O relatório assinala que “os valores enviados em espécie para Marcel pelo vendedor César (Bertholino) se deu em razão do contrato firmado entre a Coaf e a Secretaria de Educação”.
O documento, de 7 de janeiro, é subscrito pelos delegados de polícia Mário José Gonçalves, presidente do inquérito, Paulo Roberto Montelli e João Vitor Silvério.
“Sobre este tema o investigado Marcel se refere diretamente ao indivíduo apontado como ‘Moita’ e conversa com ele sobre o assunto. As informações trazidas por eles mesmos nas conversas se trata de Luiz Roberto dos Santos, atual chefe de Gabinete da Casa Civil de São Paulo, conhecido também por ‘Luiz Moita’, o qual demonstra nas conversas interceptadas saber e interferir nos assuntos de interesse da Coaf e que estaria agindo diretamente num contrato da cooperativa com o Estado, cujo reajuste de preço deveria ser tratado como ‘reequilíbrio financeiro’.”
Segundo a Polícia, os grampos “demonstram que ‘Moita’ mostra claramente estar íntimo de César e que se imiscui, profundamente, nos assuntos da Coaf”.
No dia 4 de dezembro de 2015, às 12h34, “Moita” liga para Marcel.
“Moita”: Eu tava enrolado com esse negócio de escola prá cima e prá baixo, não dá nem prá eu pensar nas minhas coisas, mil e duzentos, mil e trezentos, mil e quatrocentos, mil e quinhentos o mínimo.
Marcel: Ah, então não é melhor eu te mandar isso aí prá segunda, você tá hoje trabalhando?
“Moita”: Eu tô no Palácio.
Marcel: Até que horas você fica?
“Moita”: Até as 6, eu não saio antes.
Marcel: Fica tranquilo, pelo menos a gente já matamos os dois, e o da Coaf. Eles estão chegando na terça-feira aqui com o freezer da Coaf e eu já te cobro também.
“Moita”: Tá bom, valeu.

No mesmo dia, às 15h09, “Moita” informa o lobista sobre a queda do então secretário da Educação, Herman Voorwald – na ocasião, o governo Alckmin vivia uma etapa de grande tensão com os estudantes que ocupavam dezenas de escolas em protesto contra projeto de reorganização do ensino.
Na conversa, “Moita” citou o nome de Fernando Padula, então chefe de gabinete da Educação.
Os dois falam sobre um contrato da Coaf com a pasta.
“Moita”: Tudo bem graças a Deus acabei de falar com o Padula.
Marcel: Opa.
“Moita”: E ele entende, assim como eu, que não é aditivo tá, é reequilíbrio financeiro.
Marcel: Ah, então tem que pedir por reequilíbrio né.
“Moita”: É, não põe aditivo porque você não tá mantendo o preço. Cê tá pedindo a atualização monetária de dólar, aquelas coisas entendeu. Então, tem que tirar aditivo lá, ele falou que vai mandar pro departamento, tá, ele não garantia porque também tá pendurado lá agora, você sabe né.
Marcel: Eu sei isso.
“Moita”: Caiu o Herman, viu.
Marcel: Não sabia, não sabia.
“Moita”: Então, ele é o cara que tava na frente com isso, eu nem sei se continua, então protocola logo.

O ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo Alckmin Luiz Roberto dos Santos “Moita” não respondeu aos contatos da reportagem.
Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/as-mentiras-sobre-a-quadrilha-da-merenda-que-atuava-no-palacio-dos-bandeirantes.html

'Operação Abafa': como o tucanato se mantém no poder

03.02.2016
Do blog VI O MUNDO
PorTatiana Carlotti

Desde o propinoduto e o caso Alstom até a 'máfia da merenda', reportagem lista 16 escândalos que os tucanos habilmente abafaram na imprensa e na Câmara.

Cacalos Garrastazu / ObritoNews

Mais um escândalo envolvendo governos tucanos veio à tona. Desta vez, a acusação é o superfaturamento em contratos para o fornecimento de merenda escolar à Secretaria de Educação e mais 22 prefeituras do estado de São Paulo. Em delação, na “Operação Alba Branca”, dirigentes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (COAF) citaram o deputado Fernando Capez (PSDB-SP), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do Governo Alckmin, Luiz Roberto dos Santos, o Moita, como participantes do esquema. Ambos negam.

Segundo denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), o superfaturamento chegava a 25% no valor de cada contrato firmado entre a cooperativa e o setor público. O dinheiro era escoado do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). O MPE aponta, ainda, o pagamento de propina pela Coaf para burlar a disputa com outras cooperativas no fornecimento da merenda. A fragilidade na fiscalização do Governo Alckmin já havia sido denunciada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em artigo publicado no Diário do Centro do Mundo e republicado aqui, na Carta Maior, Mauro Donato detalha o esquema.

Denúncias relativas à “Máfia da Merenda” não são de hoje. Em 2000, as empresas de Sérgio de Nadai, De Nadai Alimentação e Convida Alimentação, foram tema de investigação por contratos sem licitação durante o Governo Covas. Em 2009, a Convida Alimentação estava na lista das empresas do cartel para o fornecimento de alimentos. Aliás, a denúncia citava até mesmo a participação do cunhado de Alckmin, Paulo César Ribeiro, no direcionamento de contratos de uma das empresas envolvidas no cartel, a Verdurama.

 Em 2012, o MPE denunciou o cartel da merenda à Justiça, apontando fraudes em licitação em 57 municípios paulistas, entre 2001 e 2011. Apesar de todas as denúncias, como destaca a  reportagem da Carta Capital, de 14.01.2016, nos últimos anos (2001 a 2015) foram fechados vários contratos entre a empresa de Sérgio de Nadai e as secretarias do Governo Alckmin - Educação, Planejamento e Saúde – totalizando R$ 75 milhões em vendas.

Com apoio da mídia e folgada maioria entre os parlamentares na Alesp, os tucanos têm trânsito livre para comandar e derrubar investigações e CPIs na Casa legislativa. Uma verdadeira “operação abafa” como comprova o destino dos principais escândalos envolvendo os governos de Mário Covas (1995 a 2001), Geraldo Alckmin (2001-2006 / 2011 até hoje) e José Serra (2007 a 2011). Confiram alguns:

1 - Crise no abastecimento de água. Ocultamento de informações e da real situação da crise de abastecimento de água em São Paulo, durante a disputa eleitoral de 2014. Os gastos com publicidade saltaram, enquanto se mantinha o discurso da ausência de racionamento, à revelia do que atestava a população nas periferias. Ficou patente a má gestão e a omissão dos governos Alckmin e Serra diante dos alertas sobre riscos no Sistema Cantareira, como, por exemplo, o alerta da Fundação de Apoio à USP, em 2009 (FSP, 13.03.2014). Em meio à crise, também foi denunciado, pelo MPE, o favorecimento de 13 empresas de engenharia em contratos realizados pela Sabesp, entre 2008 a 2013, no escopo do programa de redução de perdas de água no estado (OESP, 21.05.2014).

Com ativos privatizados na Bovespa e na Bolsa de Nova York, em março de 2015, Alckmin anunciou o pagamento de uma dívida de R$ 1 bilhão para cobrir os rombos financeiros da "estatal". A crise escancarou a quem realmente serve a “estatal” tucana. Criada na Câmara Municipal de São Paulo, a CPI da Sabesp defendeu a necessidade de criação de uma autoridade fiscalizadora municipal para monitorar a política de saneamento básico. Autoridades tucanas permanecem intocáveis. Alckmin, inclusive, foi agraciado com o “Prêmio Lucio Costa de Mobilidade, Saneamento e Habitação”. O documentário “O escândalo da Sabesp” produzido pelo Diário do Centro do Mundo detalha as irregularidades na “estatal” tucana.

2 - Socorro à Folha, Estadão e Veja. Gastos de mais de R$ 3,8 milhões na compra de 15.600 assinaturas da Folha, Estadão e Veja, utilizando-se verbas do orçamento da Secretaria de Educação. As assinaturas foram destinadas às escolas da rede estadual de ensino em um projeto chamado “sala de leitura”, como mostra a  reportagem publicada por Altamiro Borges do Centro de Mídia Barão de Itararé.

3 - Propinoduto tucano. O esquema envolvendo multinacionais da área de transporte sobre trilhos em sucessivos governos tucanos – desde 1998 - veio à tona em meados de 2012. Documentos encaminhados pela Justiça Suíça ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) apontavam fraudes em licitações de trens e metrôs, pagamento de propina, superfaturamento de obras e subcontratação de empresas derrotadas em concorrências. O escândalo só foi descoberto porque a Siemens estava sendo investigada pela Justiça suíça.Reportagem da Isto É (16.08.2013) apontava que na delação da multinacional, foram citados nomes de várias autoridades tucanas, como os secretários de Transporte Metropolitano, José Luiz Portella (Governo Serra) e Jurandir Fernandes (Governo Alckmin). Entre 2008 e 2013, segundo reportagem da Rede Brasil Atual, mais de 15 representações haviam sido encaminhadas aos ministérios públicos Estadual e Federal pela oposição paulista. Entre os indiciados até agora estão os executivos das empresas envolvidas.

4- Pedágios abusivos e concessões de Rodovias. Irregularidades e distorções nos contratos de concessão das rodovias de São Paulo, gerando preços exorbitantes na cobrança dos pedágios – o estado cobre a mais alta taxa no país. Em maio de 2014, durante a CPI dos Pedágios na Alesp, além dos preços elevados, a oposição colocou em suspeita contrações de consultorias pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), que representavam 2/3 da receita da agência. Também foi questionada a prorrogação de contratos firmados em 1998 - assinada em aditivos no final de 2006 - permitindo às concessionárias o direito de estenderem concessões, com base em novos tributos que passaram a incidir após a assinatura dos contratos. Presidida pelo tucano Bruno Covas (PSDB-SP) - e com maioria da base aliada - a CPI foi esvaziada e concluiu não haver nenhuma irregularidade nos contratos.

5 - Nova Marginal Tietê.  Em 2012, no escopo das investigações sobre o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, mais conhecido como Paulo Preto, tornou-se suspeito por contratos firmados entre a Dersa e a Delta Construções. Quando da denúncia, Alckmin afirmou sobre os contratos  à Folha: “Nem sei se tem, se tem são ínfimos”. Porém, levantamento do blog  Transparência SP apontava que, de 2002 a 2011, a Delta Construções havia fechado pelo menos 27 contratos com empresas e órgãos públicos do governo do Estado de São Paulo.

Entre os contratos suspeitos: a ampliação da Nova Marginal Tietê. Com valor previsto em R$ 1 bilhão, em 2008; a obra superou o valor de 1,75 bilhão, sem estar concluída. A Delta venceu a concorrência do segundo lote da Nova Marginal Tietê, recebendo aditivos de R$ 71 milhões que despertaram denúncias no MPE. Entre os suspeitos, estava seu ex-diretor-executivo Fernando Cavendish, suspeito de ter fraudado a concorrência. Parlamentares da oposição ao governo paulista também  protocolaram um requerimento no Ministério Público para investigar o aumento dos valores na obra da empreiteira, denunciando outros consórcios entre órgãos públicos do estado e a Delta: um total de R$ 800 milhões – R$ 664 milhões celebrados na gestão Serra e R$ 140 milhões na gestão Alckmin.

6 - Rodoanel 1. Em 2010, durante as investigações da Construtora Camargo Corrêa, no escopo da Operação Castelo de Areia, a PF encontrou um pen drive e documentos que indicavam o pagamento de propina pela empreiteira a autoridades tucanas. Reportagem da  revista Época (14.05.2010) apontava que entre os nomes citados pela PF estavam Arnaldo Madeira, ex-chefe da Casa Civil (Governo Alckmin), responsável pela checagem das obras do Rodoanel e do Metrô; Luiz Carlos Frayze David, presidente do Metrô entre 2003 e 2007; e o ex-diretor da Dersa, Paulo Preto. Coordenador do programa de governo de Aécio Neves na última eleição, Madeira negou ter recebido dinheiro ou doações de campanha da empreiteira. Luiz Carlos saiu do governo 40 dias após o acidente nas obras da Estação Pinheiros. Já o ex-diretor da Dersa, Paulo Preto – acusado naquele ano de ter desaparecido com cerca de R$ 4 milhões da campanha de Serra - foi demitido oito dias após a inauguração do trecho sul do Rodoanel. No dia 5 de abril de 2011 a operação Castelo de Areia foi anulada pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça.

7 - Rodoanel 2. Em novembro de 2009, três vigas de um viaduto em obras no trecho sul do Rodoanel caíram sobre a Rodovia Régis Bittencourt, na cidade de Embu. Técnicos do TCU haviam soltado um laudo, em abril daquele ano, denunciando superfaturamento na construção do trecho sul do Rodoanel, incluindo compras com valores, em média 30% acima do orçamento. O laudo apontava, também, alteração de métodos construtivos pelas empresas para reduzir custos: por exemplo, a diminuição do número de vigas utilizadas. A oposição tentou emplacar uma investigação, denunciando a “pressa” do então governador José Serra em inaugurar o Rodoanel em março de 2010, ano eleitoral.Dois anos depois, o TCU aceitou as explicações dadas pelo Governo do Estado e pela Dersa, comandada à época, por Paulo Preto.

8 - Caso Alstom. Em 2008, documentos da Justiça suíça, enviados ao Ministério da Justiça do Brasil, evidenciavam o pagamento sistemático de propinas pela empresa francesa a autoridades dos governos tucanos. Entre 1998 a 2001, o dinheiro foi repassado por empresas offshore (paraísos fiscais), em troca da assinatura de contratos no setor energético paulista. Um dos engenheiros da Siemens apontava o sociólogo  Claudio Mendes, assessor de Covas e secretário-adjunto de Robson Marinho (Casa Civil), como intermediário nas negociações. À frente da Secretaria de Energia, na época dos contratos, estiveram David Zylbersztajn, genro do ex-presidente FHC; o deputado Andrea Matarazzo; e Mauro Arce, ex-secretário estadual dos Transportes. José Serra se esmerou para bloquear a CPI, impedindo que as ligações entre Alstom e Governo fossem investigadas ou mesmo discutidas.

A multinacional francesa fechou um acordo na Justiça, aceitando pagar R$ 60 milhões para se livrar do processo. Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB e chefe da Casa Civil de Covas, permanece como o réu na ação do Ministério Público, como destaca a Folha de S. Paulo(22.12.2015).

9 - CPI da Eletropaulo. Privatizada em 1998, a Eletropaulo foi vendida para o consórcio Lightgás, liderado pela AES Corporation, por R$ 2 bilhões - parte do valor financiado pelo BNDES. À frente da negociação, estava o governador Geraldo Alckmin, na época presidente do Programa Estadual de Desestatização (PED) do Governo Covas. Após a demissão de metade dos funcionários da estatal e das suspeitas sobre o baixo valor da venda, parlamentares da oposição tentaram instalar uma CPI. Apenas em 2008, após o escândalo Alstom vir à tona, ela pode ser instalada. Além do baixo preço da venda, os deputados denunciavam (veja aqui) ilegalidades formais e improbidade administrativa praticada pelo BNDES na concessão do empréstimo. Os parlamentares também pediam que se incluísse a Alstom no bojo das investigações. A CPI foi encerrada naquele, sem mencionar a multinacional francesa em seu relatório. Em 2013, nova tentativa de investigação foi enterrada pelos deputados da situação na Alesp.

10 - Cartões de Pagamento. Em 2008, no auge das denúncias sobre cartões corporativos do Governo Federal, a Folha de S. Paulo trouxe uma matéria apontando que o Governo Serra havia gastado  R$ 108,3 milhões em cartões de pagamento de despesas .A denúncia motivou o primeiro pedido de CPI da bancada petista naquele ano, enterrada pela situação na Alesp. Três anos depois, outrareportagem do jornal, afirmava que em dez anos, o Governo paulista gastara R$ 609 milhões em cartões de pagamento. “O valor é 70% maior que o registrado pelo governo federal no período”, afirmava o texto.

11 - Cratera do Metro. Em novembro de 2004, começaram as obras da Linha 4 – Amarela do Metrô, com previsão de inauguração em 2008. Em janeiro de 2007, porém, ocorreu um desmoronamento vitimando sete pessoas e abalando a estrutura de vários imóveis na região. Dados do Sindicato dos Metroviários, à época, apontavam a existência de 11 acidentes desde o início das obras na Linha 4, um deles com vítima fatal. Em junho de 2008, laudo do Instituto de Pesquisa Tecnológicas (IPT)denunciava a execução inadequada do projeto, culpando o Consórcio Via Amarela pelo acidente. Em agosto de 2008, o laudo final do Instituto de Criminalística (IC) apontava falhas na fiscalização do Metrô. O processo foi lentamente arrastado pela Justiça paulista. Reportagem da Rede Brasil Atual em 2014, denunciava a impunidade e o fato de ninguém ter sido julgado pelas mortes.

12 - Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU). A Operação Pomar, deflagrada em 2007, apontava um esquema de superfaturamento e fraudes em licitações para construção de casas em 23 municípios paulistas. A partir do exame do livro-caixa da empreiteira FT Construções entre os suspeitos estavam prefeitos, vereadores, empresários, diretores da CDHU e o ex-secretário de Habitação de Alckmin, Mauro Bragato, absolvido pelo Conselho de Ética da Alesp.

Em novembro de 2007, o Legislativo paulista chegou, inclusive, a mudar pareceres do TCE que indicava irregularidades em quatro obras das gestões Alckmin e Covas. O novo parecer do TCE  foi elaborado por Bruno Covas (PSDB), neto do ex-governador que afirmara ser obrigação do Legislativo analisar os casos julgador irregulares pelo TCE, referendando ou reformando a decisão. Houve uma CPI da CDHU, mas sob a presidência do deputado José Augusto (PSDB) e sem dar o prazo necessário às investigações, como demandavam os parlamentares da oposição, ela foi encerrada em 2009.

13 - CPI das obras do Tietê. Em 2005, o rebaixamento da calha do Tietê foi tema de várias reportagens questionando os gastos acima de R$ 1 bilhão, a partir de aditivos e acréscimos aos valores iniciais do empreendimento. O acerto prévio pelo financiamento do JBIC (banco japonês), garantia que não seriam toleradas elevações de preços superiores ao limite legal de 25%. O Governo Alckmin, porém, fez alterações no contrato da obra, contratou consultorias, aumentando os valores iniciais em 148%, como denunciava  reportagem da FSP.  A oposição tentou instaurar uma CPI, mas jamais conseguiram.

Além das suspeitas de irregularidades, como detalha Henrique Costa, no artigo.  As tragédias anunciadas do Rio Tietê, neste site (15.05.2011), após a entrega da obra de ampliação da calha do Tietê, técnicos alertaram que a eficiência da obra (que custou quase R$ 2 bilhões) dependia, fundamentalmente, da limpeza da calha do rio. O sucessor de Alckmin no Estado, José Serra não deu atenção ao alerta: retirou do rio apenas 200 mil m3 de resíduos, quando a média anual necessária deveria ficar entre 400 e 600 mil m2.

14 - Nossa Caixa. Esquema de favorecimento da Nossa Caixa – banco estadual na época e terceiro maior banco público do país – para distribuição de verbas públicas para deputados ligados à base aliada do Governo Alckmin. A denúncia dizia respeito a irregularidades nas verbas publicitárias do banco, que operou por um ano e meio com contratos vencidos (R$ 28 milhões no total) com duas agências de publicidade: Colucci & Associados Propaganda Ltda. e Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. O gerente de marketing Jaime de Castro Júnior foi afastado e uma sindicância interna encaminhada ao Tribunal de Contas Estadual. Em posse dos documentos, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem – Banco estatal beneficiou aliados de Alckmin (23.03.2006) – afirmando que o Palácio dos Bandeirantes “interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios” deputados da base aliada na Assembleia Legislativa. Com a quebra do sigilo da correspondência de Castro Júnior, foi revelado que os pedidos de benefício haviam partido de Roger Ferreira, então assessor-chefe de comunicação de Geraldo Alckmin, e também assessor da presidência da Nossa Caixa. Ele atuou nas equipes de marketing das campanhas presidenciais de Fernando Henrique Cardoso e José Serra. Geraldo Alckmin exonerou Roger Ferreira após as denúncias. Duas tentativas de se convocar uma CPI sobre o assunto foram  abafadas.

15 - Aeroporto Fantasma. Em 2005, o governo Alckmin investiu pesado em obras no aeroporto Antônio Nogueira Junior, em Itanhaém, com 85 mil habitantes à época. Batizado de “aeroporto fantasma", o movimento médio de passageiros naquele ano não ultrapassou 5 pessoas por dia. O total gasto pelo governador na obra chegou a R$5,5 milhões, com direito a uma pista capaz de receber até mesmo um Boeing 737, como denunciava a Folha de São Paulo.Tentativa de investigações foram abafadas pelos tucanos.

16 - Compra de votos. Em julho de 2005,  reportagem da Folha de S. Paulo trazia à tona uma conversa telefônica entre os deputados estaduais Romeu Tuma Jr. (PMDB-SP) e Paschoal Thomeu (PTB-SP), às vésperas da eleição do novo presidente da Alesp. Entre os candidatos estava Rodrigo Garcia (PFL), apoiado por Tuma Jr. e Edson Aparecido (PSDB), apoiado por Alckmin. Na gravação, Thomeu afirmava que votaria em Edson Aparecido, alegando que suas "seis firmas" estavam em situação muito difícil e mencionava a venda de terras para a CDHU. Dizia ainda que o governador em pessoa havia lhe prometido ajuda. Confrontado com a gravação, o deputado afirmou que a conversa foi uma desculpa que  inventou para não magoar Tuma, como apontava a reportagem do jornal.

Dada a quantidade de escândalos, a reportagem continua.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/-Operacao-Abafa-como-o-tucanato-se-manteve-no-poder/4/35428