quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Vergonha e culpa

21.01.2016
Do portal ULTIMATO ON LINE
Por John Stott

quinta-feira
Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se. [Gênesis 3.7]
Vergonha e culpa foram duas consequências imediatas da queda de Adão e Eva. 
Primeiramente, eles sentiram vergonha. Por terem desobedecido à ordem de não comer do fruto proibido, como consequência “os olhos dos dois se abriram”. É claro que o texto não está se referindo aos olhos físicos, mas os olhos de suas consciências. Eles agora enxergavam claramente a tolice e o pecado que haviam cometido ao se rebelarem contra Deus. Além disso, sua nudez física, da qual não se envergonhavam anteriormente (2.25), agora os enchia de constrangimento, simbolizando seu sentimento de culpa diante de Deus. Mas, apesar de terem confessado seu pecado, aparentemente não perceberam as implicações disso tudo, já que acharam que poderiam cobrir sua vergonha com um patético avental de folhas de figueira (3.7)!
O segundo expediente a que Adão e Eva recorreram foi jogar a culpa um no outro. Adão culpou Eva por ter-lhe dado o fruto e foi mais longe, culpando também a Deus por ter-lhe dado Eva como companheira (v. 12). Quando Deus perguntou a Eva o que ela havia feito, ela culpou a serpente por tê-la enganado (v.13).
Vergonha e culpa são desculpas bastante atuais. Podemos nos tornar especialistas em arranjar desculpas para tentar diminuir nosso sentimento de vergonha e em culpar os outros. “Eu nasci assim”, dizemos, ou “meus pais me criaram assim” ou ainda, “minha família é assim, não é minha culpa”. Entretanto, uma característica essencial de nossa humanidade feita à imagem de Deus é que assumamos a responsabilidade pelas escolhas que fazemos.
Para saber mais: João 16.8-11 
>> Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.
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Fonte:http://ultimato.com.br/sites/devocional-diaria/2016/01/21/autor/john-stott/vergonha-e-culpa-2/

A fidelidade está fora de moda. “O tigre e a neve”

21.01.2016
Do portal ULTIMATO ON LINE, 04.2014
Por Carlos “Catito” e Dagmar Grzybowski

O termo “fidelidade” parece estar fora de moda em nossa sociedade do “relativo” e do “sensorial”. No consultório ouço, tanto de homens como de mulheres, a declaração de que o importante é “ser feliz” e se isso implica buscar relacionamentos extraconjugais ou relacionamentos múltiplos simultaneamente no caso dos solteiros, “tudo bem”.

O que se busca é a experiência sensorial e o insaciável “algo mais” fisiológico que se acredita que o outro não pode proporcionar-lhe. Então um olhar fugidio, uma exposição corporal intencional, uma conversa mais “quente”, ainda que de forma virtual, são as portas que se abrem para satisfazer essa busca.

Um dos personagens bíblicos que mais nos impressionam por sua fidelidade a Deus é Abraão, considerado o “pai da fé”. Abraão ouviu o chamado de Deus e deixou para trás a sua terra e foi para um lugar desconhecido, não porque queria experimentar sensações novas, mas porque era fiel àquele que lhe disse: “Deixa tudo e vai” (Gn 12.1). Abraão aguarda muitos anos sem esmorecer para que Deus concretize a promessa de dar-lhe um filho e depois se dispõe a sacrificar esse filho, crendo que Deus teria outra forma de cumprir suas promessas porque ele era fiel. Claro que ele passou por provas e em algumas foi reprovado, mas à medida que caminhava com Deus ia aprimorando sua fidelidade.

Todavia o que me chama a atenção em Abraão é que ele era fiel não somente a Deus, mas também à sua esposa, Sara. Tendo crescido em uma sociedade poligâmica e que entendia que a esterilidade era motivo mais que suficiente para repudiar a esposa e buscar outras, Abraão mantém-se casado por toda a sua vida com Sara, uma mulher estéril.

Percebo que Abraão cometeu erros em sua caminhada, como entregar Sara ao faraó por medo (Gn 12.15) ou mesmo ter um filho com Hagar por pressão da própria Sara (Gn 16.2). Porém ele não repudiou sua esposa nem buscou outras mulheres para satisfazer o desejo de ter um filho. Abraão foi fiel.

Hoje em dia há casais que vão à igreja, são bons membros em suas comunidades e alguns até lideram ministérios voltados para casais e família, mas que se divorciam ou traem seus cônjuges apenas por um busca de experiências sensoriais sexuais. Acreditam que a intensidade do prazer sexual que podem alcançar com seus amantes é superior ao que alcançam com seus cônjuges. Isso é um tremendo equívoco, pois o prazer na intimidade sexual depende muito mais da mente do que da pele ou dos hormônios. Quando não há prazer íntimo entre um casal é porque não há diálogo aberto e transparente sobre o tema. A relação sexual passa a ser algo mecânico e não mais uma expressão de ternura entre os cônjuges.

Um dos mais belos filmes que já vi na vida se intitula “O Tigre e a Neve”. Nele o personagem principal, De Giovanni (Roberto Benini), expressa todo o desejo que tem por uma mulher por meio da ternura, da doação e da poesia. Em seu jeito atrapalhado, ele “ama a ponto de dar a vida” por sua amada. Essa é a essência da fidelidade, muito em falta nos relacionamentos atuais.

Em uma sociedade do descartável, da troca fácil e do consumo de relacionamentos, que personagens como Abraão e De Giovanni nos ensinem o profundo significado de ser fiel “até que a morte nos separe”.

• Carlos “Catito” e Dagmar são casados, ambos psicólogos e terapeutas de casais e de família. São autores de Pais Santos, Filhos Nem Tanto e editores do blog Casamento e Família.

Leia mais

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Fonte:http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/347/o-tigre-e-a-neve

Lula falou a blogueiros com a serenidade dos que têm consciência limpa

21.01.2016
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
entrevista lula
 Foi a terceira entrevista coletiva concedida por Lula a blogueiros de que participei desde 2010. A primeira, foi em 24 de novembro de 2010 no Palácio do Planalto, quando ele ainda era presidente; a segunda, foi em 9 de abril de 2014.
Abaixo, as íntegras das duas primeiras entrevistas
24 de novembro de 2010
9 de abril de 2014
No último dia 20, Lula concedeu a terceira entrevista – como na segunda, no Instituto Lula. Alguns estão considerando essa como a melhor de três devido, acima de tudo, à descontração do ex-presidente em um momento em que muitos julgavam que estivesse combalido pela guerra de aniquilação que setores da grande mídia, do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e da oposição movem contra si.
Seria ocioso abordar a entrevista em si porque, a esta altura, o vídeo com a sua íntegra já está se espalhando – quem não assistiu poderá assistir ao fim deste post.
O que mais importa relatar, portanto, é o que a entrevista não diz e que só pode ser relatado por quem estava presente, que é o estado de espírito do ex-presidente em um momento como o atual.
O Lula que os blogueiros encontramos me surpreendeu pelo bom humor e pela tranquilidade. Aliás, a resposta que deu à pergunta que lhe fiz (assista ao vídeo a partir de 1:24:15) foi ainda mais surpreendente porque, perguntado por mim sobre a sabotagem do governo pela oposição, ele me respondeu, textualmente, o seguinte:
“(…) Olha, Eduardo, eu acredito que o povo brasileiro precisa repudiar, de forma veemente, todas aquelas pessoas que trabalham para atrapalhar, sabe, o desempenho do Brasil, porque quando alguém trabalha para evitar que as que as coisas que o governo faz deem certo, na verdade as pessoas não estão prejudicando o governo, as pessoas não estão prejudicando um empresário, não é um deputado, um senador, um ministro, quem sofre, na pele, é o povo mais necessitado desse país.
Então, eu dizia sempre: quando as pessoas tiraram a CPMF achando que ia me prejudicar, eu não fui prejudicado, mas o povo brasileiro foi, porque foram bilhões e bilhões que deixaram de entrar pra cuidar da saúde nesse país.
Então, quem precisa da saúde são as pessoas mais humildes. São eles que perdem. Então, quando alguém tenta sabotar a Dilma – como muita gente tucana está tentando sabotar a Dilma -, na verdade eles estão retardando, sabe, qualquer avanço social do povo brasileiro. Qualquer avanço social do povo brasileiro.
Teve até um que disse que ia tirar 10 bilhões do Bolsa Família, não é? Então, isso é grave. Mas o que é que a gente faz? A gente não pode ficar lamentando porque, também, a oposição existe pra isso. Você vê que nos Estados Unidos, o partido republicano judia dos democratas, quando estão no poder. E quando os democratas estão na oposição judiam dos republicanos. E o Obama sofre, chora, sabe, e os republicanos não têm piedade: “somos oposição pra isso”.
Aqui no Brasil, também é assim. O que nós precisamos – e acho que a Dilma tem que fazer isso com mais força -, é conversar mais com a sociedade. Conversar mais com os agentes vivos da política brasileira, sabe. Organizar melhor os partidos, assumir compromissos com seus aliados. Cada ministro tem que cobrar seus deputados se não votarem a favor das propostas do governo, porque política é assim, meu caro.
Eu vou lhe contar uma história: se tem uma coisa que o Congresso Nacional adora – e qualquer congresso do mundo – é presidente fraco. Eles não gostam de presidente forte porque quando o presidente é muito forte ele tem muita força pra muita coisa e ele [Congresso] não pode constestar. Mas quando está fraco eles contestam. É o papel do Eduardo Cunha. Ele se presta a criar uma “pauta-bomba” todo santo dia. Ele está pouco preocupado se vai retardar alguma de importância pro país – mas não é de importância pra Dilma, é de importância pro país (…)”
A resposta de Lula à minha questão ainda foi longe, como a todas as outras – quem quiser, repito, pode assistir a entrevista, na íntegra, no vídeo ao fim do texto, com minha participação, também repito, aos 1:24:15. Mas o fato é que ele demonstrou, com a sua resposta, serenidade e espírito democrático ante a realidade do nosso sistema político. Sem chorumelas, sem drama.
Lula, antes de tudo, entende que a democracia é, acima de qualquer coisa, um sistema pensado para fazer coexistirem as divergências naturais em qualquer sociedade e, desse modo, não adianta reclamar dos choques que essas divergências causam e da preponderância de quem está fora do governo quando esse governo se enfraquece por esta ou por aquela razão.
Nesse contexto, o ex-presidente demonstrou tranquilidade igualmente surpreendente com a tentativa de criminalizá-lo e até à sua família.
Demonstrou entender que ninguém está acima da lei e que foi exatamente isso que ele pretendeu quando, em seu governo (2003 – 2010), deu ao Ministério Público e à Polícia Federal liberdade que nunca tiveram, em governos anteriores, para investigarem a qualquer um.
Lula não tem medo das investigações. Está confiante, aliás, em que o PT e ele mesmo estão longe de estar “acabados”, como pregam alguns. Relatou, na entrevista, que um ano antes de ser eleito presidente pela primeira vez visitou Fidel Castro e ele lhe relatou que ficara “sabendo” que o PT estaria acabado. E um ano depois o PT chegou ao poder.
Aliás, Lula tem razão. Após perder as três primeiras eleições presidenciais para o PT, muitos acharam que o PSDB estaria “acabado” e, muito diferente disso, o partido interrompeu a redução de bancadas no Congresso que experimentou em 2002, 2006 e 2010 e, em 2014, voltou a crescer.
A política, assim como a economia, é cíclica. No mundo inteiro esquerda e direita se alternam no poder, assim como as economias experimentam ciclos de expansão e retração. Não há que se desesperar por isso, como Lula bem demonstrou. Faz parte…
Antes de concluir, vale conferir, mais uma vez, como a imprensa tratou essa terceira entrevista de Lula a blogueiros. Foi mais do mesmo.
Em abril de 2014, o jornal O Globo colocou seus repórteres para “caçarem” os blogueiros que entrevistaram Lula e, de forma bizarra, publicou matéria de uma página inteira com o “perfil” dos entrevistadores – você já viu alguma matéria na imprensa sobre o perfil de entrevistadores?
entrevista lula 1

Desta feita, até aqui não houve alguma coisa nesse sentido, mas reportagem da Folha de São Paulo, por exemplo, sobre a entrevista de Lula a blogueiros repisa a tese dessa “grande imprensa” de que o ex-presidente deu entrevista a pessoas “simpáticas ao PT”, como se isso contivesse algum demérito caso fosse verdade.
entrevista lula 2
O destaque na primeira página sugere algo de extraordinário em um ex-presidente da República dar entrevista a jornalistas-blogueiros. O texto em evidência diz o seguinte: “Em conversa ontem com blogueiros simpáticos ao PT (…)”
Nas páginas internas, a matéria de capa repisa essa “simpatia” dos seguintes entrevistadores pelo presidente. E quase os “denuncia”, citando-os um a um.
entrevista lula 3
Essa história de “blogueiros simpáticos ao PT” é uma piada. A mídia age como se todos tivessem o mesmo viés. Eu, por exemplo, nunca escondi minha simpatia por Lula, pelo PT, pelo governo Dilma. Mas eu não fui o único entrevistador.
As jornalistas Conceição Lemes, do blog Viomundo, e Laura Capriglione (ex-Folha), do grupo Jornalistas Livres, por exemplo, fizeram perguntas bastante incômdas ao ex-presidente. Lemes acusou o governo Dilma de fazer o ajuste fiscal “nas costas do trabalhador” e Capriglione questionou Lula sobre se o PT acha mesmo que não tem nenhuma culpa pelos escândalos envolvendo o partido.
Será que a Folha, O Globo, o Estadão ou a Veja assistiram mesmo à entrevista ou foram escrevendo seus ataques “no automático”?
Ainda assim, o jornal pegou muito mais leve com os blogueiros do que a Veja, por exemplo, que atiçou seus mastins contra nós. Um de seus pistoleiros, cupincha do PSDB, incapaz de fazer uma única crítica aos desvios éticos do partido ou às citações de FHC e Aécio Neves na Lava Jato, usou sua linguagem imunda para nos insultar em vez de argumentar contra o que dissemos.
entrevista lula 4
CONFIRA, ABAIXO, A ÍNTEGRA DA TERCEIRA ENTREVISTA DE LULA A BLOGUEIROS
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2016/01/lula-falou-a-blogueiros-com-a-serenidade-dos-que-tem-consciencia-limpa/

Leia o resumo da entrevista de Lula a Blogueiros

21.01.2016
Do BLOG DA CIDADANIA, 20.01.16
Por Eduardo Guimarães
lula entrevista 2
 Leia, abaixo, a matéria do site do Instituto Lula sobre a entrevista dele a blogueiros em 20 de janeiro de 2016. O vídeo da íntegra da entrevista e a avaliação do Blog sobre ela serão publicados juntos assim que o Instituto liberar a gravação.
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Do site do Instituto Lula
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de um café da manhã com blogueiros na manhã desta quarta-feira (20), em São Paulo, na sede de seu Instituto. Ao longo de cerca de três horas, Lula falou sobre combate à corrupção, a situação econômica do país e suas sugestões para superar a crise, o momento político da presidenta Dilma e do PT, entre outros temas.Participaram do encontro, que foi transmitido ao vivo pela internet, Altamiro Borges (Blog do Miro), Breno Altman (do Opera Mundi), Conceição Lemes (Viomundo), Conceição Oliveira (Maria Frô), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Gisele Federicce Francisco (Brasil 247), Joaquim Palhares (Agência Carta Maior), Kiko Nogueira (Diário do Centro do Mundo), Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Miguel do Rosário (O Cafezinho), Renato Rovai (Revista Fórum).
Confira, abaixo, alguns trechos da fala de Lula durante a coletiva.
Acusações e combate à corrupção

“Existe uma tese de que há uma quadrilha que foi montada [nos governos petistas] para roubar a Petrobras. É uma tese. Mas é engraçado que todos os funcionários envolvidos, são funcionários de carreira com mais de 30 anos de casa. Quando eles foram nomeados, não houve denúncia de nenhum trabalhador. Não houve denúncia de nenhum diretor.

Algum dia o Brasil vai reconhecer que esse processo de combate à corrupção só existe porque criamos as condições para isso. A Dilma será reconhecida e enaltecida neste país pelo que ela criou de condições para permitir que neste país todos saibam que tem de andar na linha, e se não andar na linha será punido, do mais humilde ao brasileiro de mais alto escalão.
Não tem neste país uma viva alma mais honesta do que eu, nem delegado, nem promotor do Ministério Público, nem empresário, nem na Igreja. Pode ter igual, isso sim. Aprendi com uma senhora analfabeta, que me disse: ‘meu filho, se você for honesto, poderá andar de cabeça erguida’.
Impera a tese de que não importa o que vão dizer os juízes, porque mesmo que a justiça absolva, o sujeito já está condenado pela imprensa. Quem é culpado tem de ser preso, mas, para isso, precisa ser julgado. Está na hora da sociedade brasileira acordar e exigir mais democracia, mais respeito pelos direitos humanos e mais fortalecimento das instituições.”
A perseguição ao PT e a Dilma

“Buscamos o objetivo de não permitir que ninguém neste país destrua o projeto de inclusão social que começamos a fazer a partir de janeiro de 2003. O que incomoda é isso. Pode dizer que não, mas desde o tempo do Império Romano a elite não gostava quem se aproximava do povo. Mas ninguém vai destruir este projeto. O povo aprendeu a conquistar coisas, aprendeu que pobre pode fazer universidade, que pode comer carne, que pode viajar de avião, e que pobre não nasceu pobre, ficou pobre por conta do sistema econômico deste país. Isso está em jogo, e os democratas não podem se conformar com essa tentativa de golpe explícito que tenta aplicar falando em impeachment da Dilma.

A democracia é séria, não se brinca com a democracia. Eles tentam destruir a democracia negando a política. Por isso eu vou fazer mais política, vou participar ativamente do processo eleitoral. Tem gente que acha que o PT acabou, e vocês vão ver. Eu acho que o Haddad vai ser reeleito em São Paulo, só pra falar a maior cidade.”
Processos contra caluniadores

“Eu comecei a processar, diferente do que eu fazia antes, porque diziam que não adiantava nada. Aí fui a uma audiência, onde processamos jornalistas do Globo… e comecei a processar porque o dono do jornal se livra botando a culpa no jornalista, então comecei a processar para ver se retomamos a dignidade profissional da categoria.

Nesse processo que fui, no Rio de Janeiro, quando o juiz fazia uma pergunta, o cara falava: “tem a fonte, não posso falar”. E eu pergunto: venho aqui, fico nu diante da Justiça, e vem um cidadão que diz: “olha, não posso falar, é segredo de fonte”. Assim é desproporcional. Não dá para ser assim.
A desfaçatez é tamanha… O que se faz com o meu filho Fabio é uma violência. Ontem mesmo fiquei sabendo de um lutador dessa luta que eu não gosto falando que meu filho tem um iate de 80 pés em Angra… como um cidadão tem a desfaçatez de mentir?
A gente começou a abrir processo agora, porque não interessava. Mas acho que tem que processar. Quando cheguei ao governo, a Fenaj apresentou um projeto para criar um tipo de OAB dos jornalistas. E o pessoal analisou, deu entrada, e quando chegou ao Congresso Nacional, foi um cacete que nem a Fenaj defendeu. Os jornalistas atacaram, reclamaram, e eu pensei: se nem o jornalista quer, tiramos o projeto.
Antigamente os jornais tinham dono, e você falava com o dono e tentava resolover alguma coisa. Hoje você tem executivo preposto. Não resolve mais nada.
A politização chegou a tal ordem… e eu admito a politização. Que eles peçam o voto que quiserem nos editoriais. O que não admito é mentira na informação. Daqui pra frente vou processar. Tem muitos, e vai ter cada vez mais. Eu não gostaria que fosse assim.
Há um abuso, uma falta de respeito com a Dilma. Achei que ela seria mais bem tratada por ser mulher, mas não tem isso. É uma coisa de pele. Se você não tem a minha pele, não te aceito no meu clube.
As pessoas podem não gostar do PT, sem problemas, mas se elas não reconhecerem o que seria este país sem o PT… Um homem sério ou uma mulher séria não pode admitir a execração das pessoas.”

Campanha em 2014 e ajuste fiscal em 2015

“O cidadão não pode gastar mais do que ganha. Se você quer ter uma capacidade de endividamento, tem que ser uma que dá para pagar. Acho que todos nós fazemos assim. Agora, a verdade é que a Dilma, no primeiro mandato, teve um mandato muito exitoso. Os problemas começaram quando a Dilma preocupada em prevenir a redução do crescimento, e ela não queria de jeito nenhum reduzir os programas sociais, ela fez um forte subsídio. E uma forte política de isenções que chegou a quase R$ 500 bilhões nos últimos anos.

Quando você faz subsídios e a economia não consegue se recuperar, você começa a arrecadar menos. E aí precisa fazer um corte. E para isso, precisa escolher o que é prioritário para a sociedade, no caso, a geração de emprego, o investimento nas universidades.
Ora, houve um equívoco político já reconhecido pela presidenta. Foi a gente ganhar as eleições com um discurso, com apoio do povo da PUC e da Zona Leste, de artistas, de gente que acreditou e foi para a rua defender um projeto de inclusão social, acreditando que é possível fazer um processo mais forte de democratização da mídia brasileira, de diversificação da cultura. Foi para isso que as pessoas foram para as ruas.
E a Dilma dizia que ajuste era coisa de tucano, não coisa dela, mas depois foi obrigada a fazer. E como estava num processo de diálogo com o movimento sindical e só anunciou em dezembro… criou um mal estar. Ela sabe disso. Agora, o que nós estamos vendo: se em algum momento se acreditou que fazendo discurso para o mercado a gente ia melhorar, o que a gente percebeu é que não conseguimos ganhar uma pessoa do mercado. Nem o Levy, que era representante do mercado no ministério da fazenda, não virou governo. Não ganhamos ninguém e perdemos a nossa gente. Então o desafio da Dilma, agora, e eu peço a Deus que a ilumine muito, o ministro Nelson Barbosa e todo o governo, é que em algum momento neste mês vão precisar anunciar alguma coisa para a sociedade brasileira. Então o Levy saiu, e o que vai mudar?
Uma forma de aumentar a capacidade de arrecadação do estado brasileiro é aumentar imposto, e está difícil no Congresso. A outra, é o crescimento econômico. A Dilma tem de ter como obsessão a retomada do crescimento e do emprego. Não é fácil, mas é a tarefa política.
Você precisa escolher o que fazer, com investimento público. Se o governo não está pondo dinheiro, porque o empresário vai por? O governo precisa tomar a iniciativa. Precisamos de uma forte política de financiamento, temos muitas obras inconclusas que precisam ser terminadas. A Dilma lançou o PIL, que é um programa de investimento em logística. E tem muita coisa por fazer.
Não existe nada mais edificante para um ser humano do que ser capaz de prover seu próprio sustento. O jovem está ansioso para trabalhar. O emprego precisa ser uma obsessão para nós.”
Recuperação da economia

“Nós estamos arrecadando pouco, e portanto não temos capacidade de investimento para induzir. Você não está fazendo as concessões de portos e aeroportos, e é importante fazer. O que a gente percebe é que tá faltando crédito, financiamento. Penso que apresidenta e o Barbosa precisam pensar, não sei pra quando, uma forte política de crédito para investimento e para consumo.

Em 2008, na época da crise, colocamos R$ 100 bilhões do Tesouro para financiar o desenvolvimento. Na primeira levada que colocamos, os bancos privados não criaram crédito a partir dos títulos do tesouro. Então fomos com os bancos públicos, compramos o Banco Votorantim para financiar carro, o Bradesco tinha parado de financiar motocicleta e nós fizemos o financiamento para motocicleta nos bancos públicos.
Nós temos 14 milhões de micro empresas e MEI, e que precisamos financiar, financiar a cadeia produtiva, por exemplo. Isso tem de ser feito com mais rapidez. Tem de ter uma política de financiamento de infraestrutura com mais rapidez, e o consumo. Se não tem consumo, ninguém investe. Poderia se tentar ver como está o crédito consignado e fazer uma forte política de crédito consignado, acertado com o movimento sindical e os empresários.
Se a gente fizer tudo isso, a gente faz a roda da economia girar. Aí o governo vai arrecadar mais, e ter mais capacidade de investimento.
O pessoal fala muito de dívida pública no Brasil… Depois de 2007, a dívida pública norte-americana foi de 74% para 105%; o Obama endividou o país, mas para fazer a economia girar. Você cria um ativo que vai dar retorno e vai te ajudar a arrecadar mais. Agora falam da nossa dívida, ela cresceu porque o PIB caiu. Se o PIB crescer, ela cai.
Então o jeito da gente consertar a economia, na minha opinião, é fazer a economia crescer. A Grécia começou com uma crise que 30 bilhões resolviam, mas depois de 10 anos de discussão, chegou a uma situação que 200 bilhões não resolviam.
Infraestrutura é central, não apenas ferrovias, mas muitas coisas que você precisa investir. Eu se fosse a Dilma, fazia como os russos: chamava a China e pactuava um grande projeto de investimentos e dava como garantia o petróleo. Eles precisam e nós temos. Uma crise cria a oportunidade que você faça tudo que não dá para fazer na normalidade”.
A turma do ‘quanto pior, melhor’

“O povo brasileiro precisa repudiar, veementemente, todas as pessoas que trabalham para atrapalhar o desempenho do Brasil. Quando alguém trabalha para impedir que o que o governo faz não dê certo, quem sofre na pele é o povo mais necessitado deste país. Quando as pessoas tiraram a CPMF achando que iam me prejudicar, eu não fui prejudicado. Mas o povo brasileiro foi. Quem precisa da saúde pública é o povo mais humilde.

Então quando as pessoas tentam prejudicar a Dilma, estão retardando o avanço social do povo brasileiro. Teve até um que disse outro dia que ia tirar R$ 10 bilhões do Bolsa Família.
A Dilma precisa conversar mais com a sociedade, organizar os partidos, assumir compromissos de seus aliados, porque… política é assim. Se tem uma coisa que o Congresso Nacional adora, e qualquer parlamento do mundo, é presidente fraco. Quando ele forte, o presidente faz muita coisa e eles não podem contestar. Veja o papel do Eduardo Cunha. Ele se presta a criar uma pauta bomba todo dia, sem se importar se tem algo pra votar que tenha importância para o país; não de importância para a Dilma, mas para o país.
Mas precisa, pelo amor de Deus, com a base aliada, pactuar que a minoria não paralise este país. O governo foi eleito para governar, e não pode permitir que a minoria, que a pauta negativa, paralise o país. O Jaques Wagner tem muita expertise política e vai trabalhar, com o Berzoini, para que a gente aprove o que for necessário para que a economia volte a crescer.”
A volta por cima do PT

“O PT errou, cometeu práticas que condenávamos. E o PT não nasceu para ser igual aos outros, nasceu para mudar a lógica dos partidos tradicionais. Mas uma coisa é o PT quando a gente dizia: “sua vez, sua voz”, o PT que fazia campanha vendendo macacão, estrela, bandeira… na medida que a família começa a crescer e o partido entra nas instituições e na briga institucional, o partido mudou. Lembro de um tempo que a gente sentava aqui na direção nacional e fechava política de alianças nacional. Mas aí o partido vai crescendo e começa aliança ora com um, ora com outro, aí precisa de dinheiro pra campanha, as campanhas de TV ficam cada vez mais caras, parecendo filme de Hollywood e, de repente, o PT ficou parecido a todos os outros. E isso levou a posturas equivocadas.

Agora, você conhece algum deputado deste país que vendeu seu patrimônio para ser deputado? O que acho grave é que todos os partidos pegaram dinheiro das mesmas fontes. Os empresários são os mesmos para todos os partidos, e só com o PT é crime? Por isso, sou favorável ao financiamento público de campanha.
As pessoas falam do PT e não conhecem o PT. Em 1989, eu tava pra desistir de ser candidato. Eu estava chegando a Balbina, no Amazonas, quando o Kotscho me trouxe um Estadão com o Ibope: “Lula cai de 3% para 2,75%”. E eu pensei em desistir, porque senão ia terminar a eleição devendo pro Ibope. Mas quando chego lá em Balbina, encontro 100 pessoas, crianças, famílias, com bandeirinha do PT esperando para nos ouvir. As pessoas pegavam dois dias de canoa, trazendo frango e farinha pra comer e vender, só pra ver o PT, então eu não podia desistir. Eu não tenho o direito de desistir. Esse partido é muito grande, não pode ser abandonado porque uma pessoa cometeu um erro.
Não é questão de voltar às origens, porque não podemos voltar a ser quem fomos. Mas voltar a ter os mesmos compromissos e práticas daquela época. Os erros não devem servir para execrar o PT, mas para nos ajudar a consertá-lo. Pode ficar certo: o PT vai ressurgir como fênix. Vai ressurgir das cinzas muito mais forte. Fecha os olhos trinta segundos e imagine o que este país seria sem o PT, o que seria a política deste país sem o PT. Eu não vou deixar, eu vou motivar nossos companheiros. Então, uni-vos petistas! Em torno da causa nobre da democracia e da inclusão social!”
Movimentos sociais são críticos demais?

“Eu nasci na política no movimento social. O legado que eu consegui construir neste país se deve muito à participação do movimento social, nos bons e nos maus momentos. Porque o movimento social tem uma característica: eles pedem menos que qualquer adversário e ajudam muito mais que qualquer adversário atendido. Sinto muito orgulho de ter estabelecido a melhor relação entre Estado e sociedade e movimento social neste país.

Às vezes, enche o saco, a gente não gosta… mas Deus há de fazer com que esse movimento continue cobrando do governo. Se o movimento não cobra do governo, o governo acha que tá tudo certinho. Eu prefiro o movimento cobrando e reivindicando que movimento social passivo. Eu tenho o mais profundo respeito e acho que a Dilma tem o mais profundo respeito. Com a diferença que eu vim dele, seja no sindicato, seja na igreja progressista, eu venho deles.”
Quem está mais à esquerda: Lula ou Dilma?

“A Dilma é muito mais à esquerda que eu. Ela tem uma formação ideológica mais consolidada. Eu sou um liberal… Veja, eu, na verdade, o que eu acho, eu sou um cidadão muito pragmático e muito realista entre aquilo que eu sonho e aquilo que é a política real.

Se um partido ganhasse as eleições sozinho, elegesse todo mundo, ia ser uma desgraça. Ia ter corrupção pra caramba. O ideal é ter as maiorias, mas não tendo forças, não tendo aliados de esquerda, você faz uma composição. E você faz com quem quer te apoiar. O PT negou muitos apoios. Quando fui presidente da República, eu tinha consciência de que eu era um estranho no ninho. Aquilo não foi feito para um operário chegar lá. O Congresso não tinha nem banheiro feminino.
Eu hoje acho que sou mais à esquerda do que eu era. Eu tenho lido mais, eu tenho visto que mesmo fazendo o que nós fizemos por este país, ganhando o dinheiro que ganharam em nosso governo, eles ainda não nos aceitam. Há um preconceito, que não sei se é de classe, mas é visível. E eu tento tratar isso democraticamente.
Os de cima não aceitam sequer um novo rico; se não for do meio deles, tá fora. Então te confesso que eu tenho uma coisa na minha vida que é minha coerência política. Um discurso de 1989 e um de 2009, tem coerência. O Lula nunca mudou de lado. Eu sei de onde eu vim. Fui presidente da República e voltei para o mesmo lugarzinho.”
Lei Antiterrorismo

“Eu sou contra a lei antiterrorismo. É uma loucura a gente fazer uma lei por conta dos black blocs. Este país não tem tradição de terrorismo. Nós fizemos os jogos Pan Americanos e não aconteceu absolutamente nada. Vamos fazer as olimpíadas e com o sistema de segurança que está sendo feito, não vai acontecer nada. Vamos envolver o povo brasileiro, com a quantidade de pessoas por aí que querem ser voluntárias. Não vamos trazer para cá um problema da França, americano ou do Oriente Médio. Somos outra nação.”
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2016/01/assista-agora-entrevista-de-lula-a-blogueiros/

Janio: decisão de Moro tem base só em sua própria vontade

21.01.2016
Do blog TIJOLAÇO
Por FERNANDO BRITO

moromanda
Janio de Freitas, em sua coluna de hoje na Folha, é rara exceção no coro de conformismo com o “direito” do Dr. Sérgio Moro conduza os casos da Lava Jato de forma atrabiliária e atropelando a higidez das provas, diante de uma evidente e inexplicável omissão em depoimento de delato, no caso Paulo Roberto Costa, contra réu, Marcelo Odebrecht.
Não há, no Brasil, jornalista com mais tradição e história no combate a abusos ou corrupção de empreiteiros. Foi dele, nos anos 80, a aplicação do “truque” de publicar, em anúncios classificados de jornal, resultados de concorrências “acertadas”, como forma de provar a sua desonestidade.
Quando chegamos ao ponto de um jornalista ter de dar aulas de prudência, ponderação e cuidado a um juiz, está evidente que há uma completa distorção do papel da Justiça, que passa a um ringue de “vale-tudo”, onde a regra única é satisfazer a sede de sangue da doentia plateia deste tipo de espetáculo.

Umas palavras (e outras)

Ainda com a carta pública dos 104 advogados fervilhando entre apoiadores e discordantes, a também discutida retenção de Marcelo Odebrecht na prisão dá margem a mais um incidente processual do gênero criticado na Lava Jato. Em princípio, trata-se de estranha omissão ao ser transcrita, da gravação para o processo, da parte da delação premiada de Paulo Roberto Costa que inocenta Marcelo de participação nos subornos ali delatados. Mas o problema extrapolou a omissão.
Já como transcrição na Lava Jato do que disse e gravou o delator muito premiado, consta o seguinte: “Paulo Roberto Costa, quando de seu depoimento perante as autoridades policiais em 14.7.15, consignou que, a despeito de não ter tratado diretamente o pagamento de vantagens indevidas com Marcelo Odebrecht” –e segue no que respeitaria a outros.
As palavras de Paulo Roberto que os procuradores assim transcreveram foram, na verdade, as seguintes: “Então, assim, eu conheço ele, mas nunca tratei de nenhum assunto desses com ele, nem põe o nome dele aí porque ele, não, ele não participava disso”.
É chocante a diferença entre a transcrição e o original, entre “não ter tratado diretamente com Marcelo Odebrecht” e “nem põe o nome dele aí por que ele, não, ele não participava disso”. A reformulação da frase e do seu vigor afirmativo só pode ter sido deliberada. E é muito difícil imaginar que não o fosse com dose forte de má-fé. Do contrário, por que alterá-la?
Não é o caso de esperar por esclarecimento da adulteração, seu autor e seu propósito. Seria muita concessão aos direitos dos cidadãos de serem informados pelos que falam em transparência. No plano do possível, a defesa de Marcelo Odebrecht, constatada a adulteração, requereu a volta à instrução processual, do seu início e com a inclusão de todos os vídeos da delação, na íntegra e não só em alegadas transcrições.
O juiz Sergio Moro decidiu contra o requerido. Considerou os pedidos “intempestivos, já que a instrução há muito se encerrou, além das provas pretendidas serem manifestamente desnecessárias ou irrelevantes, tendo caráter meramente protelatório”. E, definitivo: “O processo é uma marcha para frente. Não se retornam às fases já superadas”.
Não é a resposta própria de um magistrado com as qualificações do juiz Sergio Moro. É só uma decisão. Baseada em vontade. Resposta, mesmo reconhecendo-se a situação delicada do juiz Sergio Moro, seriam as razões propriamente jurídicas (se existem) para negar o pedido.
“Intempestivos” os pedidos não são. Se apenas agora foi constatada a transcrição inverdadeira, não havia como pedir antes qualquer medida a partir dela. Logo, tempestivo este pedido é. Uma instrução está “encerrada” quando não há mais o que precise ou possa ser apurado, como complemento ou aperfeiçoamento. Se há uma transcrição infiel, ou qualquer outro elemento incorreto, as provas que o corrijam são “necessárias e relevantes” porque o erro prejudica a acusação ou a defesa, ou seja, compromete o próprio julgamento de valor entre culpa e inocência. Se está demonstrada a necessidade objetiva de correção, não há “caráter protelatório”, há o indispensável caráter corretivo.
“Processo” é, por definição, um movimento que implica todas as variações, de ritmo, de sentido, de direção, de avanço ou recuo, e mesmo de intervalos de paralisação. Processo não é só “marcha para a frente”. E, no caso dos processos judiciais, se o fossem, não haveria –talvez para alegria da Lava Jato– segunda e terceira instâncias de julgamento, que são diferentes retornos às entranhas dos processos.
Como se tem visto, o decidido, decidido está. Mas o provável é que não sobreviva à instância superior, se lá chegar e seja qual for a posição de Marcelo Odebrecht entre a inocência e a culpa.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/janio-decisao-de-moro/

Merval é advogado de defesa do PSDB e promotor de acusação do PT

20.01.2016
Do portal da Agência Carta Maior, 14.01.16
Por Jeferson Miola

Merval produziu a diretriz editorial da Rede Globo: abafar no noticiário toda informação sobre propina recebida durante os governos do PSDB.

reprodução

No campeonato de jornalismo engajado, partidário e tendencioso, Merval Pereira é um candidato muito competitivo, talvez imbatível. Apesar da concorrência forte na praça, ele leva importante vantagem sobre os e as colegas que trabalham em outros veículos da imprensa brasileira.

Ele conta com a credencial de servir a uma das principais escolas de manipulação da opinião pública, que é a Rede Globo. O funcionário da família Marinho pratica o mau jornalismo, se é que se pode classificar aquele colunismo binário de opinião como jornalismo.  

No Jornal das Dez exibido pela Globo News no dia de 12/01, ao comentar a revelação da propina de 100 milhões de dólares recebida pelo governo FHC, Merval produziu a diretriz editorial da Rede Globo que passou a ser seguida por toda a mídia oposicionista: abafar no noticiário toda informação sobre propina recebida durante os governos do PSDB, e noticiar somente a parte do depoimento do Nestor Cerveró que menciona a corrupção que continuou mesmo depois do fim dos governos tucanos e adentrou o período petista.  

Merval desdenhou a revelação de propina recebida pelo governo FHC, entendendo não existir nenhuma prova na delação do ex-diretor. Como artifício para diminuir a importância da cópia do depoimento de Cerveró encontrado no escritório do senador Delcídio Amaral, Merval disse que a citação a FHC estava num suposto “rascunho” que seria uma anotação para ajudar a memória do próprio Cerveró, mas que a revelação nem sequer consta do depoimento [?!], porque – segundo Merval – o ex-diretor corrupto, que foi nomeado pelo governo FHC para exercer cargo de comando na Petrobrás, não tem provas [sic].  

Mas, quanto ao trecho da delação de Cerveró que incrimina os adversários do PSDB, Merval não se fez de rogado e disse enxergar provas, indícios, evidências “contundentes”, testes de DNA, impressões digitais etc.  

O Merval não tem solução. Além de repisar a falácia de que as doações eleitorais recebidas por Aécio são limpas e legais enquanto as recebidas por Dilma são sujas e criminosas, ele agora se supera na arte da manipulação dizendo que Cerveró mente quando acusa o PSDB, porém fala a verdade quando incrimina o PT.  

Este colunista é uma das principais vozes públicas da Rede Globo. No curso da Lava Jato, ele e a emissora constroem uma narrativa parcial, recortada e selecionada da realidade que esconde a verdade. Merval atua como advogado de defesa do PSDB e, ao mesmo tempo, promotor de acusação do PT. Falta-lhe imparcialidade e isenção. A corrupção do PSDB, assim como toda a corrupção descoberta, independentemente da autoria, não pode ser abafada [ler aqui], como faz o condomínio policial-jurídico-midiático de oposição, do qual Merval é um dos porta-vozes.

A censura e a seleção de fatos que serão ou não noticiados é procedimento recorrente na Rede Globo. Desde o início da cobertura da Lava Jato, a corrupção na época do FHC é censurada no noticiário.

No início de 2015 Pedro Barusco, outro corrupto que também foi nomeado para cargo diretivo na Petrobrás no governo FHC, delatou o esquema de propinas existente na empresa pelo menos desde 1997, na jovialidade do primeiro mandato de FHC. Organizando a estratégia de contenção da verdade, a diretora da Central Globo de Jornalismo, Silvia Faria, baixou a seguinte ordem interna na emissora: “Assunto: Tirar trecho que menciona FHC nos VTs sobre Lava a Jato. Atenção para a orientação Sergio e Mazza: revisem os vts com atenção! Não vamos deixar ir ao ar nenhum com citação ao Fernando Henrique” [Jornal GGN, 08/02/2015].

A manipulação político-ideológica do noticiário para atacar adversários convertidos em inimigos é um padrão de comportamento histórico da ultra-direita. Nos anos 1950 e 1960, a mídia com seus loquazes difamadores [Carlos Lacerda é o melhor exemplar desta espécime] empreendeu campanhas de desestabilização e radicalização política que culminaram no suicídio de Getúlio Vargas em 1954 e na instalação da ditadura civil-militar em 1964.

A falsificação da realidade, a eliminação do contraditório e a estigmatização de adversários são práticas totalitárias que adubam o terreno do ódio e da intolerância, e que abrem caminho para a fascistização da sociedade.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Merval-e-advogado-de-defesa-do-PSDB-e-promotor-de-acusacao-do-PT/4/35324

Redenção a partir da rendição

21.01.2016
Do portal ULTIMATO ON LINE, 04.01.16


“Pela revelação nós conhecemos a Deus;
pela rendição conhecemos seus caminhos”.
Watchman Nee

Se você aprendeu que o ato de adorar a Deus se restringe a cantar na igreja, esqueça. 

Para entendermos a essência da adoração devemos reler o diálogo entre Jesus e a mulher samaritana: “Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. Jesus declarou: Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (Jo 4.20-24). 

O que faz um adorador? Prostra-se. O que faz um verdadeiro adorador? Prostra-se somente diante daquele que é digno de receber toda honra e glória: o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Pedro nos ensina: "Humilhai-vos sob a poderosa mão de Deus, para que ele a seu tempo vos exalte." (I Pd. 5.6). O verdadeiro adorador se inclina, aproxima seu rosto do pó e reconhece sua miserabilidade. Em outras palavras, prostrar-se é se render. A rendição consiste numa entrega plena, numa atitude de não resistência. Veja este exemplo: a rendição de um malfeitor é acompanhada de uma demonstração de entrega total. Este se ajoelha e coloca as mãos sobre a cabeça ou deita-se com o rosto voltado para o chão e mãos para trás. Esta atitude demonstra uma não resistência. 

De igual modo, quando nos prostramos diante de Deus, demonstramos que nosso coração está rendido à sua vontade, não há resistência alguma de nossa parte. Um coração resistente não está apto a servir a Deus, ao contrário, sempre se mostrará rebelde. É importante frisar que a carne dificilmente se submeterá à vontade de Deus, logo só é possível servi-lo em espírito. “A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo” (Rm 8.6-7). Os verdadeiros adoradores são os que se rendem a Deus, os que não resistem ao Espírito Santo.

A mulher samaritana não resistiu ao chamado de Jesus: "Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem precise voltar aqui para tirar água" (Jo 4.15). A partir do exemplo desta mulher podemos perceber que a água da vida é um privilégio dos adoradores. Os que se curvam diante de outros deuses e bem de outras fontes nunca se saciam, mas os que se prostram diante de Jesus, os que se rendem ao seu chamado experimentam um vida abundante: “... quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna" (Jo 4.14). 

Posto isto, conclui-se que a redenção é fruto da rendição, como bem observou o salmista: 

“Não te deleitas em sacrifícios nem te comprazes em oferendas, pois se assim fosse, eu os ofereceria. O verdadeiro e aceitável sacrifício ao Eterno é o coração contrito; um coração quebrantado e arrependido jamais será desprezado por Deus!” (Sl 51.16-17).

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Fonte:http://www.ultimato.com.br/comunidade-conteudo/redencao-a-partir-da-rendicao

Aos 15 anos, "bovino" passa de novo em Medicina

21.01.2016
Do  blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Será que o Mainardi já recebeu aquele e-mail?
jose victor
Quanto mais o José Victor (na direita, com rosto pintado) estuda, mais ele tem sorte... (Foto: Jadilson Simões/UOL)
Saiu no UOL:

E a história se repete. O sergipano José Victor Menezes Teles, agora com 15 anos, está entre os aprovados do curso de medicina da UFS (Universidade Federal de Sergipe). No ano passado, ele conquistou a vaga no mesmo curso, aos 14 anos. O garoto, natural de Itabaiana, diz que resolveu fazer mais uma vez um Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), para mostrar que no primeiro sucesso não foi uma questão de sorte.

"O pessoal não disse que foi sorte? Então pensei: vamos ver se essa sorte acontece duas vezes. Ouvia piadas de que passei na sorte. Resolvi fazer e está aí o resultado e com mais intensidade", comemorou o garoto. No Enem 2015, José Victor obteve 767,74 pontos na média final contra 751,16 do ano passado. Na redação foram 940 pontos no Enem 2015 contra 960 pontos do ano anterior.

Com esta média final, José Victor obteria vaga nos cursos de medicina nas universidades federais do Ceará, de Goiás, de Viçosa (MG), e da própria UFS, porém descartou a possibilidade de se transferir para uma dessas universidades. "Como disse, só fiz para mostrar que minha aprovação no Enem do ano passado não foi uma questão de sorte. Fiz 16 pontos a mais", afirmou.

Junto com o resultado da aprovação do Enem 2015, José Victor iniciou na última segunda (18) as aulas do curso de Medicina na UFS. As aulas deveriam ser iniciadas em agosto do ano passado, mas a greve de quase cinco meses dos professores e de servidores técnicos administrativos da Universidade atrasaram o início do ano letivo. Mas isso não tirou a alegria do garoto. "Um desafio na minha vida. A turma é muito jovem e mostra que os jovens vêm conquistando espaço e isso mostra que não devemos julgar pela idade, mas pela maturidade", analisou.

Apesar da correria de se deslocar os cerca de 55 quilômetros entre Itabaiana e o Campus da UFS, na cidade de São Cristóvão, José Victor avisa que não deixará de realizar palestras que fez ao longo deste intervalo entre a aprovação no Enem e o início da aulas, como também pretende divulgar o livro lançado no final do ano passado "Como vencer aos 14". 
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/aos-15-anos-bovino-passa-de-novo-em-medicina