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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O Uruguai não está à venda: Serra precisa ser demitido antes que provoque um incidente diplomático insolúvel

18.08.2016
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, 17.08.16
FHC e Serra com o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
FHC e Serra cercam o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
De todas as barbeiragens que o interino cometeu na montagem de sua equipe, a nomeação de José Serra deve lhe provocar as maiores urticárias.
Serra é uma bomba relógio de proporções continentais. A chamada liabilty.
Dias depois de ser citado na delação da Odebrecht, acusado de receber 23 milhões de reais em caixa 2, o chanceler se meteu — ou nos meteu — num incidente diplomático vergonhoso.
Seu homólogo uruguaio, Rodolfo Novoa, conta que ele tentou “comprar o voto” do Uruguai para impedir que a Venezuela assumisse a presidência pro tempore do Mercosul.
Serra, segundo ele, se ofereceu para levá-lo a negociações comerciais com países da África subsaariana e o Irã. Irrecusável.
A história foi publicada no jornal El Pais, que teve acesso ao conteúdo de uma reunião de Novoa com deputados. Novoa ainda reafirmou a posição de seu governo, de que a Venezuela ocupa legitimamente a presidência do Mercosul, e acusou Brasil e Paraguai de fazer “bullying” com aquele país.
O suborno teria sido proposto numa visita de Serra e Fernando Henrique Cardoso a Montevidéu no dia 5 de julho, quando a dupla foi se encontrar com o presidente Tabaré Vásquez.
Apanhado em flagrante, acusado por um colega que, provavelmente, considerava mais um mané, Serra reagiu atacando: convocou o embaixador uruguaio, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, a dar explicações.
Mas ele também terá que se explicar. Na Câmara, o líder do PT, Afonso Florence, protocolou um requerimento para que JS fale “pessoalmente”, no plenário, sobre o imbroglio.
Serra é um elemento desagradável e desagregador que sobrevive apenas graças a uma blindagem calamitosa da mídia e do Judiciário.
O absurdo do posto que ele ocupa pode ser resumido da seguinte maneira: como é que um sujeito que não tem amigos e não conhece seus vizinhos ocupa um cargo na diplomacia dessa magnitude?
Serra dividiu o PSDB com sua estratégia do tudo ou nada. Preparou dossiês, por exemplo, contra seu arqui inimigo Aécio Neves. É o mentor de um artigo clássico contra Aécio publicado no Estadão, chamado “Pó Pará, Governador”.
Um ex-assessor dele conta que, em campanha, Serra se recusava a pagar uma pizza para os motoristas que aguardavam os figurões nos comitês.
Montado na ilegitimidade do golpe e de quem o financia, Serra procura mostrar serviço cantando de galo com os “bolivarianos”. Enquanto late com eles, com a desculpa de realinhamento geopolítico ou uma idiotice do gênero, distribui passaportes diplomáticos para pastores evangélicos.
É inacreditável e, ao mesmo tempo, sintomático que esse bando desmoralizado internacionalmente ache que pode dar uma de gigante imperialista.
Serra e FHC quiseram usar o método que consagraram: a compra de votos. O Uruguai, infelizmente para eles, não está à venda.
Requião resumiu bem a palhaçada em discurso no Senado. “Quero pedir desculpas ao Uruguai pelo comportamento absolutamente indevido do chanceler e da chancelaria brasileira. Está transformando a política externa do Brasil em chacota com uma intervenção absolutamente sem sentido”, disse.
“É uma proeza. José Serra é um gênio: conseguiu brigar com o Uruguai. O Brasil não merece o que estamos vendo hoje na nossa política externa”.
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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-uruguai-nao-esta-a-venda-serra-precisa-ser-demitido-antes-que-provoque-um-incidente-diplomatico-insoluvel-por-kiko-nogueira/
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