quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Democracia sofre estupro coletivo ao som do hino nacional

31.08.2016
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
estupro

Ela é jovem e inexperiente.

Ainda está aprendendo a existir

Tão jovem, foi vítima de estupro coletivo.

O crime foi cometido por 61 estupradores.

A perversão contra a jovem indefesa se consumou com rapidez.

Os estupradores salivavam, ante a vítima impossibilitada de se defender.

Perfilaram-se, um a um, e a violaram sem demonstrar qualquer hesitação.

Após o ato pérfido, saíram sorrindo da cena do crime.

Enquanto saciavam seus instintos animalescos, os estupradores cantavam.

A democracia brasileira foi estuprada ao som do hino nacional.

Quem irá levar esses criminosos às barras da lei?

Se a Justiça não o fizer, a história o fará.

Vilões que violaram a nossa jovem democracia, vocês não perdem por esperar



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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2016/08/democracia-sofre-estupro-coletivo-ao-som-do-hino-nacional/

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

29.08.2016
Do blog CONVERSA AFIADA
Por   Paulo Henrique Amorim

Primeiro, quebrar a Petrobras!

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Por Paulo Metri, conselheiro do Clube de Engenharia:

Reunião na CIA em janeiro de 2015

Em uma sala de reuniões ampla, com cortinas fechadas em um de seus lados, vê-se no centro da sala, uma mesa retangular em torno da qual estão umas vinte pessoas acomodadas em cadeiras confortáveis. Cada pessoa tem à sua frente um mesmo dossiê. O cidadão da cabeceira começa a falar. 

- Não serão feitas apresentações e não precisam se identificar ao falar. Todos sabem do que iremos tratar. Por favor, comece.

Esta última frase é dita enquanto olha para o cidadão ao seu lado. Este toma a palavra. 

- Hoje, o Brasil não é somente um mercado para o consumo dos bens e serviços das nossas empresas, além de um grande fornecedor de grãos e minérios de baixo valor no mercado internacional. Com a descoberta por parte deles da enorme jazida do Pré-Sal, mais as novas províncias petrolíferas, que ainda irão ser descobertas, na área que os nacionalistas brasileiros chamam de território marítimo brasileiro, que vai além do seu mar territorial, o Brasil poderá se tornar o maior exportador mundial de petróleo, acima da Arábia Saudita e da Venezuela. 

- Os nativos sabem disso? 

- Não. A grande massa não sabe de nada. Pouquíssimos brasileiros nacionalistas sabem. Alguns dos nossos aliados no país sabem da possível extensão das províncias petrolíferas que o país possui, porque os informamos. Mas só demos estas informações aos confiáveis. Neste ponto, o coordenador interrompe a apresentação para dizer: 

- Seria melhor se as perguntas fossem anotadas e feitas no final. Continue, por favor. 

- Creio que todos aqui sabem que o petróleo ainda será vital para as economias mundiais por no mínimo uns 50 anos, os desenvolvimentos tecnológicos para fornecimento de calor e movimento para as sociedades não encontrarão competidores em custo com os derivados de petróleo, a menos que restrições ambientais sejam impostas. Sumariamente, o petróleo continuará sendo um insumo essencial para as economias mundiais. Além disso, o petróleo do Brasil terá papel primordial no futuro do mercado internacional de petróleo, porque no resto do globo só ocorrerão descobertas de petróleo caro e, quando for de petróleo acessível, elas serão em regiões conflituosas.

O coordenador da reunião agradece a exposição do último interlocutor e passa a palavra a outro presente, dizendo: 

- Assim, chegamos ao objetivo principal da nossa reunião. Tenha a palavra. 

- Ocorreu recentemente, no final de 2014, a eleição para presidente do Brasil e, apesar de todos os esforços por nós despendidos, que não foram poucos, a presidente Dilma foi reeleita. Não vou fazer uma análise profunda do que ocorreu, para não roubar tempo do que é principal para este reunião. Mas, faço questão de frisar, até porque será útil para qualquer ação futura nossa, que existe no Brasil hoje um fator que nos desestabiliza. 

Trata-se do ex-presidente Lula. Ele é um fenômeno na capacidade de comunicação com as massas e, hoje, é muito mais perigoso que no passado. Nós erramos em 2002, quando dissemos que não importaria, se ele ganhasse a Presidência naquele ano. Não imaginávamos que o Lula de 2002 evoluiria para um político que valoriza o nacionalismo. Possivelmente, o contato com lideres da China, Rússia, Índia e de outros países, a interferência do seu chanceler Celso Amorim e o entendimento da riqueza que representa o Pré-Sal o levaram a ser mais consciente da questão geopolítica. 

- Encaminhe a nossa proposta de reversão desta perda eleitoral. É preciso deixar claro que para nós é inconcebível o Pré-Sal não ficar aberto a nossas empresas. 

- Obviamente, temos que recuperar o poder para as nossas mãos. Um golpe através dos militares não é mais viável porque, primeiro, eles saíram muito marcados do período recente em que estiveram no poder, pois a população guarda lembrança de torturas e assassinatos de lideranças neste período e, em segundo lugar, não sabemos ao certo como pensa, atualmente, o militar brasileiro. Temos a nosso dispor para ajudar em qualquer projeto que decidirmos a mídia comercial local, que é nossa, o empresariado brasileiro, com raríssimas exceções, a grande maioria dos políticos do país, que são sem escrúpulos e corruptíveis. Temos também parcela do judiciário local, que é uma casta complexa em que residem egos avantajados. Temos uma arma secreta que é o treinamento de pessoal da Justiça e de ocupantes do Ministério da Justiça aqui, conosco. O mote para nossas ações a ser transmitido para todos os brasileiros será a luta contra a corrupção. 

A verdade é que a corrupção vem acontecendo no Brasil há anos. Por exemplo, somos conhecedores da corrupção dentro da Petrobras desde o governo de Fernando Henrique Cardoso, mas, se tivermos que entregar a nossos aliados no Brasil, divulgaremos só os fatos dos períodos Lula e Dilma. Aliás, um ponto que precisa ser providenciado urgentemente é quebrar esta empresa, por tudo que ela representa. Ela é o próprio “vírus” nacionalista. Não podemos deixar no Brasil uma concorrente das nossas empresas querendo roubar o Pré-Sal de nós. O pior que pode nos acontecer é nosso plano ser identificado como contrário aos interesses brasileiros. Não se pode deixar o sentimento nacionalista brotar. Por isso, é recomendável não se aliar a ninguém que tenha algum compromisso nacionalista por mínimo que seja, a menos de torcer pela seleção de futebol do Brasil. Devemos reconhecer que o período neoliberal globalizante, cujo auge foi durante o governo de Fernando Henrique, alijou quase por completo qualquer sentimento nacionalista. 

Trabalhamos bem, então. A partir daí, o nacionalismo foi vinculado ao atraso, ao passado distante e ao autoritarismo. Depois desta época, candidatos têm procurado reabilitar as teses nacionalistas, mas têm sido massacrados nas eleições. Naquela época, o brasileiro “foi conquistado”, em grande parte graças à nossa mídia “brasileira”, que nos ajuda muito. 

- Acabou, Greg? Porque creio que chegou a hora de falarmos dos suportes financeiros para as ações que desenvolveremos. Antes, é preciso deixar claro que todas as ações de inteligência e o suporte das embaixadas serão dados sem custo algum. Mesmo o custo para corromper será rateado entre as nossas empresas beneficiadas e o nosso governo. Falará, agora, nosso especialista em compor estruturas de financiamento de projetos. 

- Obrigado. Representantes de todas as grandes empresas com interesses econômicos no Brasil foram chamadas. Trata-se de investir neste projeto, agora, para podermos usufruir principalmente de recursos minerais a preços baixos por horizonte confortável, alem de usufruir com a venda de nossos produtos no mercado brasileiro. 

Obviamente, não há certeza absoluta do sucesso do projeto, mas se trabalharmos de forma inteligente sem nos atrapalharmos, a grande probabilidade é que, logo, logo, fecharemos contratos de 30 a 40 anos que serão usados para garantir o processo de dominação. A qualquer época, eles serão acenados como contratos juridicamente perfeitos que precisam ser honrados. As petrolíferas, por serem grandes beneficiárias, serão as que contribuirão com maiores parcelas. Não vamos entrar em detalhes agora. Mas este material está à disposição das empresas. A boa notícia é que os deputados e senadores brasileiros eleitos junto com a presidente Dilma, na sua maioria, são nossos e não foram baratos para nós. Inclusive esta “compra” já foi feita e os senhores não precisam mais contribuir. A partir de agora, sabemos que, para cada projeto específico, eles serão favoráveis, bastando acertar algum valor adicional.

O grande projeto de retirada do poder das mãos de Dilma e entrega a pessoa de nossa confiança ainda está sendo planejado. Tudo leva a crer que será uma obra intrincada envolvendo o Judiciário, Ministérios do governo, a mídia comercial, políticos das duas Casas do Congresso do Brasil e movimentos sociais financiados por nós. Contudo, a mídia terá o papel principal, pois irá gerar a novela da deposição da presidente, consistente e compreensível pelo grande público.

- Muito bem. Acho que chegamos ao fim da reunião. Comunicaremos sempre fatos relevantes. Quaisquer informações que tenham, por favor, nos passem. Este processo será um pouco demorado. Leiam os jornais e tudo que inocentemente acontecer podem ter certeza que foi providenciado.
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/economia/bomba-vazou-reuniao-da-cia-o-pre-sal-e-nosso

sábado, 27 de agosto de 2016

Para Cardozo, procurador levado pela acusação 'muda de opinião para condenar'

27.08.2016
Do portal REDE BRASIL ATUAL, 25.08.16
Por Redação RBA

Reclassificado de testemunha para informante, Júlio Marcelo de Oliveira adota "a mesma tese" de Anastasia, diz advogado de Dilma; Gleisi Hoffmann discute com Lewandowski: "Não vou retirar o que disse" 

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São Paulo – Em arguição ao informante Júlio Marcelo de Oliveira, procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), reclassificado da condição de testemunha para a de informante pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, no início da sessão de julgamento do impeachment, o advogado da presidenta Dilma Rousseff, José Eduardo Cardozo, acusou o depoente de mudar de opinião durante o processo, movido pelo “desejo de condenar” a presidenta. Para condenar, ele adequaria teses jurídicas aos desdobramentos do caso.
O final do depoimento de Júlio Marcelo de Oliveira foi marcado por um bate-boca entre a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lewandowski. Gleisi voltou a dizer que "o Senado não tem moral para julgar a presidenta Dilma Rousseff". Lewandowski disse que não admitiria mais tal termo. “Estamos em um julgamento”, afirmou. “Eu não vou retirar o que disse. Este Senado da República não tem moral para julgar a presidente”, repetiu Gleisi. Ela já havia feito esta afirmação pela manhã.
Lewandowski demonstrava disposição de terminar as oitivas da acusação madrugada adentro, com a oitiva do depoimento de Antonio Carlos Costa D’Ávila Carvalho Junior, auditor federal de Controle Externo do TCU. Mas o ministro do STF suspendeu a sessão à 0h22 desta sexta-feira (26).
O depoimento de Oliveira, considerado a mais importante das testemunhas de acusação no julgamento, consumiu toda a tarde e foi encerrado após as arguições de Cardozo e da advogada de acusação, Janaína Paschoal, que repetiu os argumentos de que as pedaladas fiscais e os decretos de crédito suplementares configuram crime.
Segundo Cardozo, o informante Oliveira admitia que a utilização de algumas receitas relativas aos decretos de créditos suplementares, que a acusação acusa de ilegais, eram “neutras”, e portanto os decretos podiam ser admitidos. “Era neutro e podia baixar decreto, mas depois mudou de opinião”, disse o advogado de Dilma. “Por que mudou?”
O depoente arrolado pela acusação rebateu dizendo que Cardozo estava adentrando pela psicologia ao falar em “desejo de condenar”. “Se equivoca quando diz que eu tenho desejo profundo de condenar.” Ele disse que passou a adotar posição “menos benevolente” do TCU. “O tribunal disse que o excesso de arrecadação não pode ser considerado fonte neutra. Adotei o posicionamento do tribunal de contas. Fiz uma análise mais exigente. A mudança de entendimento decorre do entendimento mais exigente do TCU”, justificou o procurador.
Cardozo devolveu o argumento de Oliveira de que usou a psicologia. “A intenção subjetiva ou psicológica não é estudada pelos psicólogos, mas pelos juristas: trata-se de um desvio de poder, o de querer condenar”, respondeu Cardozo.

Pedaladas

O advogado de Dilma se voltou à outra tese da acusação, a das pedaladas fiscais, citando o relatório do procurador da República Ivan Cláudio Marx, que considerou que as chamadas pedaladas não configuram crime. “O relatório do procurador desmonta a tese de vossa excelência”, disse Cardozo. Ele enfatizou que as ideias do relator do processo, Antonio Anastasia (PSDB-MG), e do depoente de acusação são as mesmas.
Afirmou ainda que Oliveira não admite a dúvida sobre as pedaladas serem ou não crime porque estaria absolvendo a presidenta, graças ao princípio jurídico segundo o qual, em caso de dúvida, beneficia-se o réu.
O informante usou várias vezes, durante o dia e em sua argumentação final, um termo muito difundido na época do julgamento do “mensalão”, dizendo que havia uma “cadeia comando” e que esta teria vínculo com a presidência da República. “É muito claro que, se eu não entendesse diante desses fatos tão graves que a presidente era responsável, então eu teria que concluir que ela não estava presidindo o país.”
Leia também:
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2016/08/cardozo-promotor-acusacao-condenar

Procurador e auditor montam farsa e desmascarados evidenciam que servidores são cúmplices de golpe contra Dilma

27.08.2016
Do portal BRASIL247, 26.08.16
Por Davis Sena Filho

:

"O golpe bananeiro de direita começou no TCU, a ter a Lava Jato como a chibata do PT e para o PT". (DSF)

Impressionam as ações do consórcio de direita formado e organizado para tirar o mandato da presidente Dilma Rousseff, por meio de um golpe de estado. Um golpe articulado e fundamentado juridicamente, a ter como alicerce para se efetivar a queda de Dilma os togados do sistema judiciário, a imprensa de mercado dos coronéis midiáticos e a oposição tucana, exemplificada em partidos como o PSDB, o DEM, o PPS, que receberam a companhia de partidos que estavam no poder há 12 anos.

Siglas a exemplo do PMDB, do PP e do PSB, que pularam o muro para trair e se juntaram aos tucanos e, consequentemente, armaram um golpe de estado travestido de legítimo e legal para derrubar uma presidente que não cometeu crimes de responsabilidade, além de ter sido eleita com 54,5 milhões de votos, que foram criminosamente rasgados por políticos eleitoralmente derrotados, que têm o apoio imprudente e irresponsável de juízes de várias instâncias, procuradores, promotores, delegados e ministros do TCU e do STF.

O golpe das oligarquias apoiadas por servidores públicos do Judiciário têm seis motivos básicos: 1) Inviabilizar o Lula como candidato às eleições em 2018, por meio de prisão ou torná-lo inelegível (ficha suja); 2) Desconstruir o PT como partido popular; 3) Reconquistar o poder por intermédio de um golpe para impor a agenda neoliberal do PSDB, derrotada eleitoralmente quatro vezes consecutivas; 4) Vender a toque de caixa as estatais brasileiras; e 6) Livrar os caciques golpistas do PSDB, do DEM, do PPS, do PP e do PMDB da cadeia, por causa da Lava Jato.

Aliás, o relógio dos golpistas tenta acompanhar o relógio do juiz Sérgio Moro, do PSDB do Paraná, e dos operadores da força tarefa da Lava Jato, coordenada pelos procuradores Carlos Fernando e Deltan Dallagnol, que se comportam como se fossem pop stars, sendo que o juiz Gilmar Mendes, do PSDB do Mato Grosso, prefere chamá-los de "cretinos", pois seu interesse é livrar José Serra, Aécio Neves e *michel temer de processos que possam levá-los a quedas das cadeiras que tais golpistas sentaram sem ter a autoridade e a legitimidade do voto popular, porque tomaram o poder de assalto e hoje mandam no Brasil sem ter o apoio do povo, como demonstram as pesquisas e as reações contrárias aos golpistas em âmbito nacional e internacional.

O Brasil, para sua vergonha, ficou muito menor, porque desditosamente voltou a ser um anão político e diplomático do tamanho de *michel temer, José Serra, Eliseu Padilha, Geddel Vieira, Moreira Franco, Cássio Cunha Lima, Ronaldo Caiado, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e toda a escumalha que os acompanha em prol de interesses inconfessáveis. É o retorno da "Diplomacia do Tirar os Sapatos" dos tempos sombrios dos governos de FHC — o Neoliberal I. Um período da história sem avanços e conquistas para os trabalhadores brasileiros e a classe média, que tinha dificuldade para comprar até passagens de avião. Eu sei. Eu vi.

Por sua vez, o mundo sabe o que esses golpistas provincianos de terceiro-mundo querem: o Brasil governado para poucos, a privilegiar e beneficiar os ricos, com um estado mínimo e impotente, para que a luta e as perspectivas para desenvolver o País sejam quase nulas, a impossibilitar a independência e a emancipação de seu povo. É o que a casa grande de índole e caráter escravocrata pensa; e, a pensar dessa forma, age e efetiva e concretiza seus programas e projetos de desconstrução que encarceram a grande maioria da sociedade e deixa de joelhos o Brasil, como nos tempos do FMI.

O principal inimigo do povo brasileiro é interno e não externo, bem como tem nome: casa grande — o logradouro e o CEP das oligarquias donas do status quo. Trata-se de um inimigo impiedoso e perigoso, pois antinacionalista, antidemocrático e antirrepublicano. Se duvida, leia o "programa" dos golpistas chamado de "Uma Ponte para o Futuro" e observe com mais atenção as ações do ministro golpista, José Serra, à frente do Itamaraty e no que tange ao Pré-Sal, quando tal tucano trata com a Shell e com outras corporações de petróleo, logo após ele ter conversado, a sós, com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

Enquanto Dilma Rousseff é traída e cassada por um Senado inconsequente e irresponsável dominado por políticos corruptos e conservadores, Serra, um interino golpista e traidor de marca maior, cassa o Pré-sal e o tira dos brasileiros, além de ser o chefe direto do presidente incompetente e entreguista da Petrobras, o tucano Pedro Parente, um "viciado" em privatizações, que, no decorrer da privataria de FHC, prejudicou seriamente a Petrobras, empresa indutora do desenvolvimento nacional, a enfraquecer o Estado, assim como contrário a seus interesses estratégicos. Eles são predadores, inclusive da autoestima da Nação.

O ex-auditor do TCU, Antônio Carlos D'Ávila Carvalho, e o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, representante do MP junto ao TCU, realizaram depoimentos no Senado, arrolados como testemunhas da acusação, ou seja, dos demotucanos, que exercem os papéis de juízes e lutam para golpear a presidente Dilma Rousseff. Tais depoentes foram duramente questionados pela defesa da mandatária afastada e, com efeito, tornaram-se exemplos prontos e acabados de como servidores públicos se transformaram em agentes políticos.

Mais do que isto, tais servidores se tornaram, sobretudo, militantes políticos e ideológicos alinhados à direita, a conspirar contra o Governo Dilma, além de em outra frente combaterem sem trégua o ex-presidente Lula. Está claro e estampado os procedimentos dessa gente que perdeu a noção do que é ser republicana, de forma que parte importante e organizada da sociedade perceba como é complexa a engrenagem de derrubada de uma mandatária constitucional e eleita democraticamente, conforme os ditames da Lei.

Entretanto, existe algo incontrolável, a despeito dos interesses do usurpador e traidor *michel temer e de seus acólitos de golpe, que é a verdade. Isto mesmo. A verdade, que sempre emerge quando menos se espera para desnudar os mentirosos e deixá-los sem voz e ação. E por que eu penso assim? Porque os servidores públicos Júlio Marcelo e D'Ávila, que obrigatoriamente teriam de ser republicanos, resolveram fazer política e se deram mal, porque caíram em contradições e foram pegos na mentira em pleno Senado, com transmissão para as televisões.

Tal fato e realidade, inquestionáveis, permitiram ao público perceber que o impeachment (golpe) sem crime de responsabilidade teve seu início por meio de uma farsa chamada de "pedaladas fiscais", porque o INÍCIO começou pela representação contra as "pedaladas", de autoria do procurador Júlio Marcelo, com a assessoria do ex-auditor de Controle Externo do TCU, Antônio D'Ávila.

Comprovou-se, no plenário do Senado, a ser presidido pelo juiz Ricardo Lewandowski, que os dois servidores se associaram para cometer uma farsa, pois a fraude se evidenciou e se notabilizou na forma do parecer de D"Ávila sobre a representação de Júlio Marcelo. Política baixa e rasteira, diga-se de passagem. Os "guardiães da moral e da moralidade" foram "detonados" como testemunhas dos golpistas no Senado por Lewandowski, que estão ensandecidos para que o golpe bananeiro, que tem a cara e a alma deles, seja, enfim, consolidado.

O que é farsa é farsa. O que é fraude é fraude. O golpe bananeiro é farsa ao tempo que fraude. Os servidores do público e muito bem pagos pelos contribuintes, que são os eleitores, pensam que estão à margem da lei, porque passaram em um concurso público que os alavancou para exercerem cargos de influência, que decidem sobre questões de alta importância para o Governo e o País, a exemplo como a representação do procurador Júlio Marcelo, contumaz militante da internet em favor da deposição de Dilma Rousseff.

Este fato lamentável fez com que Júlio Marcelo perdesse a condição de testemunha para ser apenas informante, ou seja, um balão sem ar. O golpe é escancarado. Júlio Marcelo e Antonio D'Ávila são apenas dois péssimos exemplos de servidores a se envolver com a derrubada criminosa de uma presidente eleita constitucionalmente pelo povo e que não cometeu crimes de responsabilidade. É um disparate. Insensatez e desfaçatez. É golpe de estado aplicado diretamente nas veias do Brasil, por uma "elite" decrépita e carcomida pelo tempo, que rouba e prejudica o Brasil e seu povo desde os tempos da escravidão.

Todos os setores golpistas armaram armadilhas em diversas situações, seja no campo do sistema judiciário (STF, PGR e PF) ou por parte de setores corruptos e golpistas como a imprensa de negócios privados, pertencente a meia dúzia de famílias plutocratas, além de segmentos como o liderado pela Fiesp e seu pato amarelo corrupto, sonegador de impostos e tão golpista como os empresários da Fiesp do passado, que financiaram o golpe de 1964 e continuaram, no decorrer dos anos, a financiar a repressão e a tortura, porque repassavam dinheiro para os caixas do Dops e do DOI-Codi.

Não sei como vai acabar a farsa do golpe de 2016, a maior da história do Brasil. Porém, compreendo e dimensiono que o poderoso País de língua portuguesa vai levar muitos anos para se recuperar. Milhões de brasileiros não votaram em Aécio Neves e certamente não estão felizes com o golpe que deram em suas autodeterminações e autonomias para escolher a candidata que elegeram, cujo nome é Dilma Rousseff.

O procurador Júlio Marcelo e o ex-auditor Antônio D'Ávila exemplificam, fidedignamente, o quanto o golpe bananeiro de terceiro-mundo e com a cara e o cheiro de coxinha é uma farsa armada nos bastidores do próprio Estado brasileiro. O STF é o maior responsável pelo golpe ter vicejado. Não é possível que a Corte mais importante do País se desmoralize porque alguns juízes estão diretamente envolvidos com tamanha patifaria.

A história reservará um lugar sombrio aos golpistas, bem como seus nomes serão eternamente publicados e divulgados pela história, como acontece com os golpistas de 1964 até hoje. Não tem jeito. Os homens e as mulheres são julgados pelos seus atos, por suas ações e por seus pensamentos. O Brasil não vai ter paz. Dilma Rousseff é a presidente legítima. Impeachment sem crime é golpe. É isso aí.

*michel temer - o nome de tal peçonha é sempre escrito em minúsculo, por se tratar de um pigmeu moral, político e citadino. Ele também é conhecido pelo vulgo Amigo da Onça.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/davissena/251948/Procurador-e-auditor-montam-farsa-e-desmascarados-evidenciam-que-servidores-s%C3%A3o-c%C3%BAmplices-de-golpe-contra-Dilma.htm

Petróleo de Carcará: o crime é ainda maior do que parecia

27.08.2016
Do blog TIJOLAÇO
Por FERNANDO BRITO 

grandeangular
Quando este blog disse que a venda do campo de Carcará, no pré-sal petrolífero da Bacia de Santos era um enorme crime contra o Brasil, do tamanho do rombo provocado pelos assaltantes da Lava Jato, cometeu uma imprecisão ao dizer apenas que ele poderia ser maior, bem maior, do que a vizinha acumulação de Sapinhoá, segunda maior área de produção brasileira.
Carcará, nos cálculos que estimara seu reservatório de 1,3 bilhão de barris de óleo recuperável (passível de ser extraído), ao preço de R$ 8,5 bilhões, metade a vista e metade condicionada à absorção de áreas vizinhas, e se afirmou aqui que ele poderia ter mais do que Sapinhoá, estimado em 2,1 bilhões de barris recuperáveis.
Na CartaCapital desta semana, o geólogo Luciano Seixas Chagas, coordenador do grupo de assuntos de petróleo da Federação Brasileira de Geólogos diz que o total de reservas de Carcará pode chegar a até 6 bilhões de barris recuperáveis.
E que, pelas condições de porosidade da rocha, de ligação entre as acumulações e pela dissolução de gás no óleo (que resulta em elevada pressão e, portanto, alta vazão), em condições que barateiam e aceleram sua capacidade de produção.
Porque exige menos poços de produção e injeção, estes são mais simples, baratos e rápidos de perfurar e, depois, de interligar.
Características assim, no campo de Lula, fizeram a Petrobras baixar a previsão de poços necessários para produção plena de cerca de mil para pouco mais de 150 perfurações.
Como cada poço custa dezenas de milhões de dólares, é fácil imaginar o que isso resulta em relação custo/rendimento.
Infelizmente, este prejuízo imenso é, ainda assim,  muito pequeno diante do que o pa´si vai perder com a criminosa abolição do regime de partilha pretendida – e quase implantada – pelo governo golpista.
Veja, no vídeo abaixo, em linguagem muito clara e simples, o que isso vai representar.
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Fonte:http://www.tijolaco.com.br/blog/petroleo-de-carcara-o-crime-e-ainda-maior-do-que-parecia/

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O projeto vira-lata desabilita o país para os Isaquias

24.08.2016
Do portal da Revista Carta Maior, 23.08.16
Por Saul Leblon

A ninguenzada preta, parda, favelada, periférica não cabe no olimpo dos mercados que o golpe quer impor ao Brasil. Daí a contrariedade com o êxito da Rio-2016.

Roberto Castro/ Brasil2016
Roberto Castro/ Brasil2016

Por trás do viralatismo há método  –e há teoria.

Se vingar seu projeto de país, o Brasil acaba enquanto possibilidade de um futuro ordenado pela democracia social.

A meta é fazer do país um frango desossado da sadia no cepo dos mercados.

E é esse o motor de um empenho que assumiu singular intensidade  nos dias que correm.


A engrenagem envolve uma lista robusta de alvos a desabilitar. 

Desde sediar uma Olimpíada a explorar o pré-sal, dispor de universidade pública e serviço digno de saúde ou resgatar a industrialização  --são variados os temas e princípios a compor  o sacramento de uma impossibilidade que se pretende tornar  inviolável.

O Brasil não sabe, não pode e, sobretudo, não deve mais afrontar os fundamentos de uma inabilitação essencial para o ajuste de virulência inédita, que deve ocorrer após o impeachment --sibila-se  nas entrelinhas e fora delas também.

Dissolver qualquer coágulo de nação como se dissolve os grumos do trigo na batedeira de bolo é a bússola de um golpe que não dispõe de estratégia alguma de desenvolvimento porque é justamente isso que se almeja eliminar.

Basta colar a inabilitação nacional aos mercados globais, esses que estrebucham sob o peso de uma desordem neoliberal irreversível.

As hélices cortantes  serão acionadas na velocidade máxima, assim que o Senado dê a derradeira cutelada no pescoço altivo da presidenta assertiva escolhida por 54,5 milhões de brasileiros, tão  teimosos quanto em rechaçar há quatro eleições o projeto que agora quer se impor com um golpe.

A advertência e as revogações encerram uma rígida contabilidade argentária: 70% a 80% do povaréu não cabe dentro da nação e precisa se convencer disso.

É incontida a contrariedade com a heresia levada às últimas consequências a partir da aposta feita há sete anos pelo então presidente Lula, de sediar os 31º Jogos Olímpicos na cidade do Rio de Janeiro.

A bizarra sucessão de dezesseis dias durante os quais emergiu  uma nação normal em seus acertos e falhas, mas predominantemente hospitaleira, aguerrida, criativa, admirada e capaz, abriu uma dissonância intolerável à narrativa de país capacho, cuja única opção consistiria em dobrar a espinha para sempre.

Garrafais e adversativas do dispositivo midiático conservador tentavam consertar o estrago nesta segunda-feira, mitigando o que deu certo para resgatar o bordão do fracasso:

Para ficar nas manchetes de quatros exemplares do canil, no day after do evento (22/08): 

‘Prazo, falta de foco e de base tiram o Brasil dos 10 mais’(Valor); ‘Brasil celebra sucesso dos jogos, mas não bate meta’ (Folha); ‘Brasil faz melhor campanha, mas não atinge meta’ (Estadão); ‘Mesmo com recorde de medalhas, meta do país não foi cumprida’ (O Globo).

Não foi, não será, nunca deveria ter sido tentado. 

O colunista da Folha que encarna um almanaque de faits divers, reclama nesta 3ª feira que os dezessete dias de jogos olímpicos custaram ao Tesouro R$ 17 bilhões -- R$ 1 bi ao dia, proclama. Depois de exibir a argúcia aritmética admite que metade disso foi em obras do metrô, que vieram para ficar. 

O artificioso empenho no desapreço pode ser medido pela atitude oposta de um concorrente estrangeiro na felicitação aos seus atletas.

O jornal El País, um dos mais importantes do mundo, longe de ser de esquerda,  saúda na delegação espanhola o feito épico capaz de sacudir o brio de um país necrosado pelo austericidio que se quer ministrar aqui: ‘España cierra los Juegos de Río con 17 medallas --7 de oro, 4 de plata y 6 de bronces. Los siete títulos olímpicos coronan a una generación que no se conforma con ser segunda y se sobrepone a la crisis economica’

Um detalhe ilustrativo: a campanha espanhola foi idêntica à do Brasil em ouros, (7 ) e ficou ligeiramente abaixo no computo total de medalhas (17, contra 19 dos brasileiros).

Com uma vantagem singular para o épico local.

O desempenho dos atletas anfitriões foi liderado predominantemente pela ‘ninguenzada’ de Darcy Ribeiro.

Sim, a ninguenzada preta, cafuza, parda, favelada, sertaneja, composta de pedreiros pobres, filhos de faxineiras, moleques da periferia, vidas que já nascem remando contra a corrente, dando murro em ponta de faca, chutando pedra, rebatendo o azar até um belo dia engancharem o país no olimpo do esporte mundial. 

Cruel é a palavra para uma elite que sonega esse orgulho às crianças de uma nação carentes de heróis que as livrem do traficante da comunidade.

Senhores senadores desta República que sucedeu ao regime escravocrata mais longevo da face da terra: essa é a natureza do golpe em curso.

Inabilitar o Brasil para a igualdade é o imperativo categórico de quem se propõe a regenerar o tecido econômico e político à imagem e semelhança dos interesses que secularmente barraram a ninguenzada  no  pódio da cidadania

Hoje, a maratona que verdadeiramente importa é fornecer aos mercados um substrato de país livre, leve e desimpedido de líderes, projetos, políticas, direitos, regulações e gastanças. 

Daí por que a conquista do ouro na modalidade em que o fracasso tido como certo trombou com o imprevisto brilho da organização deve ser esquecido.

‘Organização olímpica vence desorganização brasileira’, restringe a Folha sem dar chance a qualquer vínculo entre a nação e o evento irrealizável que deu certo.  

Para que não haja recidiva, o diário sangra a teimosia no subtítulo de misericórdia: ‘O melhor da Olimpíada deveria começar agora, mas não virá’ (Folha, 22/08/2016).

‘Não virá’.

O azedume reiterado em dezesseis dias de cobertura, segundo a ombudsman, gerou protestos até dos assinantes que escolheram o produto dos Frias como a sua janela para ver o país. 

Fosse mesmo para vituperar algo, seria preciso admitir que a tradição olímpica foi rompida justamente na vexatória descortesia do golpe apoiado pelo jornal, durante a cerimônia de transmissão simbólica da tocha ao Japão, sede dos jogos em 2020.

Shinzo Abe, o premiê japonês, viajou 18,5 mil quilômetros num túnel de animação compactado em vídeo – para irromper  no Maracanã, em meio à chuva que desabava na festa de encerramento, domingo.

Estava ali para erguer a ponte do espírito olímpico com seu homólogo brasileiro, como manda a tradição secular.

Só que não.

Ciente das vaias estocadas no Maracanã o golpista ficou em Brasília, para onde Abe se recusou a ir, demarcando a recusa no meio do gramado chuvoso, privado do respeito e da hospitalidade do anfitrião que encarna o espírito olímpico.

Nenhum jornal considerou esse fato mais grave do que o enfatizado fracasso de ‘não se atingir o objetivo olímpico’ –embora o 13º lugar destoe muito menos do almejado 10º posto do que deixar na mão um chefe de Estado em visita oficial. 

Desculpe o transtorno, premiê Shinzo Abe, estamos em fase de demolição.

Cai uma pátria em fraldas, para a instalação de um olimpo de capitais livres de encargos sociais. 

Breve, aqui.

Senhores senadores, olhem o rosto desses medalhistas antes de baixar o cutelo no pescoço da Presidenta impedida de recepcionar o premiê Abe no Maracanã. 

O do canoeiro Isaquias, talhado a machado, por exemplo.

Carrega-se ali um pedaço da história do Brasil  --essa que agora está em vossas mãos porque se estivesse de fato nas dele o barco não se renderia à correnteza regressiva.

Olhem o povo em nome do qual usurpadores querem estreitar mais uma vez o acesso às margens seguras da sociedade.

Fixem por um minuto os olhos em Isaquias. 

O canoeiro medalhista  traz na pele o saque ancestral a povos desse rincão reduzidos a legiões sem terra-sem floresta – sem teto-sem trabalho-sem direito.

Esse rosto guarda o horror das aldeias em chamas, da senzala claustrofóbica, da criança maltrapilha pasma pelo açoite a retalhar o lombo do pai feito toucinho cru.

Traz o rosto de Isaquias a noite insone do quilombo.

A meia liberdade sem acesso à terra está ali, assim como o estoque de gente banida pela lógica de batustões,  essa que agora os senhores estão prestes a consagrar mais uma vez como ‘sacrifício necessário’.

A prioridade do jornalismo passa ao largo da fuga ancestral dos isaquias  na contracorrente dos séculos até o pódio da Rio-2016.

Ao pauta é provar que o ocorrido é anômalo, descabido, irrepetível,  temerário -- inviável. 

Varrer a recidiva de autoconfiança e autoestima que possam inspirar esses dezesseis dias em que ‘a organização olímpica venceu a desorganização brasileira’ é imperativo para coibir paralelos com a vida real.

A mão pesada denuncia a inexatidão daquilo que se quer traduzir como  ‘a ruína da corrupção lulopetista’.

O rosto de Isaquias nos diz que o que está em jogo trata de coisa mais abrangente e conhecida

Trata de uma encruzilhada clássica na história das nações –o que não inocenta os erros dos seus protagonistas.

Mas o que a caracteriza, sobretudo, é a crispação de conflitos permanentes em luta de classes aberta e sangrenta.

A tempestade engata uma transição de ciclo de desenvolvimento à deriva internacional que se estende desde 2008, com o esgotamento da ordem neoliberal.

Os noticiosos a reduziram  a uma desfrutável faxina da direita no quintal da esquerda. 

A meia verdade brandida à exaustão pelo meio-juiz dissipa o principal no secundário. 

Por exemplo, a intensificação da disputa pela riqueza corrente; a exacerbação dos conflitos pela destinação dos fundos públicos; o braço de ferro pela repartição dos sacrifícios da travessia; o confronto pelo acesso ao estoque da riqueza capaz de mitigar a transição; o escrutínio das políticas e arcabouços institucionais –entre os quais a desdenhada reforma política-- que pavimentarão o passo seguinte da história.

No centro de tudo late a tese da inabilitação do Brasil para comandar democraticamente o seu desenvolvimento.

Construir uma nação é um ato de ruptura política  que a usurpação golpista quer terceirizar ao mercado, escorraçando a urna e suas escolhas do centro das decisões.

Delimitar um território, fincar estacas, declarar e exercer soberania não é coisa que se faça impunemente em tempo algum e em qualquer latitude.

Sobretudo quando se trata, como é o caso, da sorte de um povo e do destino do desenvolvimento em um  dos maiores territórios do globo, dotado das maiores reservas de água, minérios, petróleo, terras férteis, potencial hidrelétrico e solar; ademais de florestas e biodiversidade, tudo isso arrematado por um gigantesco mercado de isaquias.

O que significa ser tudo isso em uma mudança de época em que a civilização terá que se apoiar em recursos escassos que o Brasil dispõe em abundância?

Significa o desafio de combinar articulação internacional com soberania intransigente e justamente por isso enfrentar uma colisão sem trégua com a lógica dos capitais sem lei.

São essas correntezas violentas que movem as raízes estruturais da conjura na qual a mídia se aliou à escória e ao dinheiro  para derrubar uma Presidenta honesta, acusada de pedaladas fiscais.

Quem melhor encarna o elo entre a superfície e as profundezas desse ardil  é o chefe oculto das operações , o tucano Fernando Henrique Cardoso

O  ideólogo age movido por uma antiga certeza: não há espaço para um povo de isaquias comandar o seu destino no capitalismo do nosso tempo.

Menos ainda –diz -- para o ‘voluntarismo lulopetista’ construir uma democracia social tardia no coração da América Latina.

Isaquias, negro e cafuzo, recolha seu remo voluntarioso, a rota de um timoneiro mais alto se alevanta.

Os acontecimentos recentes resgataram  --no entender do viralatismo--  a pertinência da análise do sociólogo de 1967, ‘Dependência e desenvolvimento na América Latina’,  sobre a inviabilidade de um modelo de desenvolvimento soberano na região.

Pobres isaquias de todo o Brasil,  adernem ou rendam-se.

A dependência é estrutural, avisa FH desde 1967 .

A dependência é bela, adicionaria o  presidente tucano à classe média nos anos 90.

A dependência é inexorável, diz agora o ideólogo do golpe institucional contra Dilma e o PT.

FH partiu de um diagnóstico correto, ao apontar o equívoco de uma parte da esquerda brasileira em1964, que via na burguesia nacional um aliado dos trabalhadores na luta pelo desenvolvimento.

Mas extraiu daí conclusões equivocadas no extremo oposto.

O tucano  enxergou na complementariedade entre o capital local e o estrangeiro o reinado definitivo das elites: o desenvolvimento associado e dependente, no qual o consumo da classe média forneceria o amortecedor político ao sistema --e o fluxo de capitais externos lubrificaria o conjunto em um equilíbrio dinâmico.

Não importa que o pião precisasse girar cada vez mais depressa para não desabar –desde que girasse, tudo bem.

Faltou abordar o essencial, porém.

Os conflitos inerentes à associação entre o capital local e o internacional  e o seu custo em libras de carne humana.

Com quantos isaquias jogados ao mar se faz essa canoa?

A ausência do olhar dialético magnificaria aquilo que FHC criticara na esquerda dos anos 60: a troca do materialismo histórico por um wishful thinking.

No seu caso, um autoengano de cosmopolita provinciano, traduzido macroeconomicamente em uma ‘âncora cambial’ que se revelou desastrosa quando o pião parou de girar, os capitais inverteram o curso e a maré baixa revelou uma nação de industrialização destruída, reservas cambiais à míngua, refém do capital especulativo e de seu capitão do mato: as cartas de arrocho do FMI.

Enquanto durou, a aparente consagração da teoria deu estofo ao  projeto político do sociólogo, que a personificou  na Presidência como se não houvesse amanhã.

Sobretudo na sôfrega  dilapidação do patrimônio nacional.

O surgimento do PT e a vitória desconcertante do líder operário em 2002 e 2006 –que fez  a sucessora em 2010, reeleita em 2014--  introduziria um ruído insuportável no escopo desse conformismo estratégico.

Para revalidar a teoria  e os interesses aos quais ela consagra uma dominância perpétua era necessário desqualificar a heresia de forma exemplar.

Eis a essência da vendeta que hoje dá base teórica ao viralatismo e ressuscita como farsa a tragédia dos anos 90, adicionalmente comprometida pela inexistência das condições externas momentaneamente favoráveis então.

Para isso dar certo é necessário derreter e refundir o país como um corredor de vento dos capitais globalizados.

A aposta extremada explica a contrariedade com qualquer deslize que sugira a existência de vida fora da renúncia absoluta ao comando do desenvolvimento. 

Derrota-la, por sua vez, requer um grau de ousadia maior do que tem sido a disposição de libertar a democracia da passividade a que foi submetida pelo modelo político das últimas décadas.

É uma corrida contra o tempo.

O golpe espera cortar a cabeça de Dilma, e aleijar o seu entorno, antes que as contradições disseminem uma resistência para a qual não se preparou.

Assim como não contava com o sucesso improvável das Olimpíadas. 

E tampouco com a ameaça silenciosa do remo infatigável de Isaquias, que parece determinado a seguir em alta velocidade --e só parar quando atingir a margem firme do país secularmente sonegado à ninguenzada --da qual é parte e ruptura.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/O-projeto-vira-lata-desabilita-o-pais-para-os-Isaquias/36673

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

O Uruguai não está à venda: Serra precisa ser demitido antes que provoque um incidente diplomático insolúvel

18.08.2016
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO, 17.08.16
FHC e Serra com o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
FHC e Serra cercam o presidente do Uruguai Tabaré Vásquez
De todas as barbeiragens que o interino cometeu na montagem de sua equipe, a nomeação de José Serra deve lhe provocar as maiores urticárias.
Serra é uma bomba relógio de proporções continentais. A chamada liabilty.
Dias depois de ser citado na delação da Odebrecht, acusado de receber 23 milhões de reais em caixa 2, o chanceler se meteu — ou nos meteu — num incidente diplomático vergonhoso.
Seu homólogo uruguaio, Rodolfo Novoa, conta que ele tentou “comprar o voto” do Uruguai para impedir que a Venezuela assumisse a presidência pro tempore do Mercosul.
Serra, segundo ele, se ofereceu para levá-lo a negociações comerciais com países da África subsaariana e o Irã. Irrecusável.
A história foi publicada no jornal El Pais, que teve acesso ao conteúdo de uma reunião de Novoa com deputados. Novoa ainda reafirmou a posição de seu governo, de que a Venezuela ocupa legitimamente a presidência do Mercosul, e acusou Brasil e Paraguai de fazer “bullying” com aquele país.
O suborno teria sido proposto numa visita de Serra e Fernando Henrique Cardoso a Montevidéu no dia 5 de julho, quando a dupla foi se encontrar com o presidente Tabaré Vásquez.
Apanhado em flagrante, acusado por um colega que, provavelmente, considerava mais um mané, Serra reagiu atacando: convocou o embaixador uruguaio, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, a dar explicações.
Mas ele também terá que se explicar. Na Câmara, o líder do PT, Afonso Florence, protocolou um requerimento para que JS fale “pessoalmente”, no plenário, sobre o imbroglio.
Serra é um elemento desagradável e desagregador que sobrevive apenas graças a uma blindagem calamitosa da mídia e do Judiciário.
O absurdo do posto que ele ocupa pode ser resumido da seguinte maneira: como é que um sujeito que não tem amigos e não conhece seus vizinhos ocupa um cargo na diplomacia dessa magnitude?
Serra dividiu o PSDB com sua estratégia do tudo ou nada. Preparou dossiês, por exemplo, contra seu arqui inimigo Aécio Neves. É o mentor de um artigo clássico contra Aécio publicado no Estadão, chamado “Pó Pará, Governador”.
Um ex-assessor dele conta que, em campanha, Serra se recusava a pagar uma pizza para os motoristas que aguardavam os figurões nos comitês.
Montado na ilegitimidade do golpe e de quem o financia, Serra procura mostrar serviço cantando de galo com os “bolivarianos”. Enquanto late com eles, com a desculpa de realinhamento geopolítico ou uma idiotice do gênero, distribui passaportes diplomáticos para pastores evangélicos.
É inacreditável e, ao mesmo tempo, sintomático que esse bando desmoralizado internacionalmente ache que pode dar uma de gigante imperialista.
Serra e FHC quiseram usar o método que consagraram: a compra de votos. O Uruguai, infelizmente para eles, não está à venda.
Requião resumiu bem a palhaçada em discurso no Senado. “Quero pedir desculpas ao Uruguai pelo comportamento absolutamente indevido do chanceler e da chancelaria brasileira. Está transformando a política externa do Brasil em chacota com uma intervenção absolutamente sem sentido”, disse.
“É uma proeza. José Serra é um gênio: conseguiu brigar com o Uruguai. O Brasil não merece o que estamos vendo hoje na nossa política externa”.
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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-uruguai-nao-esta-a-venda-serra-precisa-ser-demitido-antes-que-provoque-um-incidente-diplomatico-insoluvel-por-kiko-nogueira/