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segunda-feira, 4 de abril de 2016

MTST denuncia ação contra Boulos como “ensaio de campanha macartista”

04.04.2016
Do blog VI O MUNDO, 02.04.15
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“Há setores do mercado que acham que vão tirar Dilma e vão fazer as “reformas estruturais” que se precisa para a sociedade brasileira. O escambau! Achar que vão fazer isso e depois vai reinar o silêncio e a paz de cemitério é uma ilusão de quem não conhece a história de movimento popular neste País. Este País vai ser incendiado por greves, por ocupações, mobilizações, travamentos”.
Esta é a fala que o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, MTST, pede a internautas e militantes que gravem em apoio a um de seus líderes, Guilherme Boulos.
Estimulado por editorial do Estadão, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) entrou com representação contra Boulos na Procuradoria Geral da República. Ele pede que o líder do MTST seja enquadrado nos artigos 286 e 288-A do Código Penal. Outro baiano, Antonio Imbassahy, do PSDB, também pediu investigação de Boulos por “incitação à violência”.
“Em entrevistas à imprensa, o senhor Boulos vem incitando o crime. Com os movimentos que se diz liderar, ele ameaça tirar a paz do país, incendiando-o com greves, ocupações e mobilizações, se houver o impeachment da presidente Dilma e for decretada a prisão de Lula. O senhor Boulos já anuncia atos desta natureza criminosa em várias cidades do país. Ele não pode ficar impune. O delito de incitação ao crime, de acordo com o Código Penal, prevê pena de três a seis meses de detenção ou multa. O Brasil não pode virar o paraíso dos foras da lei, como pretende esse senhor Boulos, que, desrespeitando as leis de nosso país, quer estabelecer sua vontade no grito, de maneira violenta, ilegal e autoritária. Ele precisa entender que vivemos sob o estado democrático de direito. O Brasil não é a Venezuela”.
Aleluia aparece na recém-divulgada lista de contribuições da empreiteira Odebrecht. Ele teria sido beneficiado com R$ 150 mil reais em 2012, durante a campanha para a Prefeitura de Salvador. Ao lado do nome dele aparece a sigla “cor”, que pode significar coordenador. Aleluia não era candidato e, portanto, não há declaração dele junto ao TSE.
Imbassahy, líder do PSDB na Câmara, aparece com o codinome de Almofadinha na lista de parceiros da Odebrecht dos anos 80. Na lista, o nome dele vem associado ao de uma obra, a barragem Pedra do Cavalo. Na época da construção, ele presidia a Companhia de Eletricidade da Bahia, a Coelba.
Em resposta à ação do deputado, o MTST já começou a divulgar as fotos e vídeos de apoio em sua página no Facebook
Em artigo no site da CartaCapital, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu em nome da Frente Parlamentar dos Direitos Humanos:
Nos últimos dias, diferentes porta-vozes da direita golpista pediram a prisão do dirigente do MTST Guilherme Boulous. Primeiro foi o jornal O Estado de S. Paulo, num editorial que lembra os piores tempos da nossa história, sugerindo o início de uma caça às bruxas, o primeiro passo de uma ofensiva macartista na qual Boulous seria uma espécie de ensaio, uma primeira tentativa para ver se cola.
A sugestão do jornal veio envolta em propaganda golpista, com a home do site do Estadão pintada de amarelo, com a imagem do pato do Skaf e uma enorme legenda a favor do impeachment. Talvez nunca a parcialidade tenha sido tão descarada: o próprio site do jornal era uma grande propaganda golpista.
Depois do Estadão vieram o PSDB e o DEM, esses dois partidos-paradoxo, os democratas que são filhos da ditadura e os social-democratas que querem acabar com a social-democracia instaurada na era Lula, aprofundando a guinada neoliberal do governo Dilma.
Os falsos democratas e os neoliberais disfarçados de progressistas, estes últimos especialistas em reprimir brutalmente manifestações e greves de professores e roubar dinheiro da merenda escolar, entraram com representações na justiça pedindo a prisão do dirigente dos sem-teto. Sim, é um ensaio, e precisamos impedi-lo!
Com cinismo, eles acusam Boulos de incitar à violência (por ter organizado manifestações pacíficas em defesa da democracia!), quando na verdade quem tem incitado reiteradamente à violência são os grupelhos fascistas vinculados à oposição de direita e seus simpatizantes: agrediram pessoas em lugares públicos pela cor da roupa, negaram assistência médica a crianças pelas opiniões políticas dos pais, espalharam calúnias nas redes sociais, disseminaram discursos de ódio contra minorias, organizaram linchamentos contra figuras públicas e não fazem outra coisa senão promover a polarização e a violência.
Quem financia e dá suporte político ao grupo fascista Revoltados Online? Quem tirou foto sorrindo no gabinete da presidência da Câmara dos Deputados com os analfabetos políticos do MBL? Quem paga os patos do gramado do Congresso? Quem bancou o “acampamento” de onde pessoas armadas se recusavam a sair? Quem financia as campanhas de ódio e calúnias nas redes?
A quebra da institucionalidade democrática é impossível sem repressão e violência. Nenhum golpe se faz em paz. Por isso eles precisam dar um primeiro passo, para medir o impacto, calcular as repercussões e provocar medo. Querem prender Boulous como um ensaio da repressão que precisarão iniciar depois, se tomarem o poder.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/campanha-denuncia-acao-contra-boulos-como-ensaio-de-campanha-macartista.html
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