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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O Uber e o mito da panaceia tecnológica

28.12.2015
Do portal da Revista CARTACAPITAL, 19.07.15
Por Patrick Luiz Sullivan De Oliveira*

O Uber se apresenta como um fenômeno da “economia compartilhada”, mas a ideia é desonesta. O aplicativo nada mais é do que uma empresa agressiva tentando maximizar seus lucros

uber-taxistas
Protesto de taxistas em frente à Câmara Municipal de São Paulo contra a Uber
Recentemente, taxistas em cidades espalhadas pelo país foram às ruas protestar — em certos casos violentamente — contra a introdução do Uber no Brasil. Na França, a situação foi ainda mais extrema, com carros sendo destruídos e incendiados e a Uber por fim decidindo suspender o seu segmento mais low-cost no país dos gauleses.
Simpatizantes do Uber criticaram severamente os taxistas (e os reguladores, que não andam satisfeitos com o fato de que o serviço não cumpre as normas estabelecidas para o transporte de passageiros). Dizem que eles querem barrar a competição e manter o monopólio de passageiros, que não são nada mais do que uma classe corporativista reacionária com medo de perder os seus privilégios. Mas as coisas não são tão simples assim.
O Uber não é nenhuma panaceia, muito menos uma empresa beatificada. Através de um marketing engenhoso, companhias bilionárias do Silicon Valley apresentam para seus consumidores uma imagem positiva e utópica que é extremamente tentadora nestes tempos econômicos tenebrosos.
O Uber diz que faz parte de um novo fenômeno, o da “economia compartilhada” — termo que conjura a imagem de pessoas alegres e bem-dispostas ajudando umas às outras, todas ganhando uma parcela justa no processo. Mas a ideia de que o Uber se enquadra nesse conceito de “economia compartilhada” é desonesta, pois o aplicativo nada mais é do que uma empresa extremamente agressiva tentando de tudo para maximizar seus lucros.
uber-aplicativo-tecnologiaO aplicativo Uber oferece serviço de "carona paga" para usuários e pretende ser uma alternativa ao uso de táxis tradicionais.
Talvez seja até o melhor exemplo que temos atualmente de um capitalismo desenfreado abastecido por enormes reservas de capital que primeiro destroem a competição para depois monopolizar o mercado (o exemplo da Amazon). Com um exército de lobistas e de advogados, o Uber vem penetrando mercados de maneira beligerante, curvando governos municipais aos seus desejos e colecionando multas por não dar ouvidos aos reguladores.
Muitos já falaram sobre os benefícios que o Uber supostamente traz, então talvez seria hora de dar voz a algumas criticas que precisam ser tomadas em consideração para o debate progredir de uma forma realmente honesta.
Do lado do consumidor temos a questão da regulamentação, principalmente no quesito da segurança. Como a história dos séculos XIX e XX demonstra, não podemos contar com o “mercado” para arcar os custos sociais dos avanços industriais e tecnológicos. As condições de trabalho dos mineradores — com seus pulmões manchados de preto — não melhoraram pela livre e espontânea vontade das mineradoras. E as indústrias químicas não começaram a lidar com o lixo tóxico de uma maneira mais segura para o meio ambiente e para as seus vizinhos só porque são conscientes.
Seria ingênuo esperar que o Uber resolveria questões relativas a inspetorias de veículos, paliação do risco sofrido por passageiros, motoristas e pedestres e emissão de gases, entre outras.
Quem é legalmente responsável no caso de um acidente envolvendo um carro do Uber?
Fica também a dúvida quanto à ética do sistema de surge pricing (onde os preços aumentam simultaneamente com a demanda) adotado pela empresa. O Uber foi criticado severamente quando seus preços explodiram durante o sequestro em massa que ocorreu em dezembro de 2014 em Sydney  (o preço mínimo para usar o serviço subiu para 100 dólares australianos).
Tudo isso demonstra que o serviço se insere em um complexo sistema de transporte publico — problema de política urbana que deveria ser sujeito a deliberação de todos os partidos afetados.
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Taxista usa colete contra os motoristas da Uber
Podemos também analisar a situação pelo ângulo da classe trabalhadora. Nos Estados Unidos, a cada dia cresce o descontentamento dos motoristas do Uber. Eles têm visto o seus percentuais de lucro cair, mesmo continuando em ter que arcar com todos os riscos envolvidos em prestar um serviço de transporte.
Inclusive, essa exímia empresa da “economia compartilhada” foi acusada de surrupiar gorjetas que clientes deixavam aos motoristas. (Não menos preocupantes é como a empresa manuseia os dados privados de seus usuários, ainda mais depois que um de seus executivos sugeriu usar essas informações para vendetas contra jornalistas que fizeram reportagens que não foram favoráveis à imagem do Uber).
Esses fatores explicam porque nos EUA temos um crescente movimento para que os motoristas deixem de ser autônomos e virem empregados. Não podemos esquecer que o Uber é parte de um processo que anda ganhando força nessa economia global onde os termos são ditados pelo capital financeiro: a criação de uma classe maior desubempregados cada vez mais dependentes de bicos aqui e ali para sobreviver enquanto os lucros dos investidores crescem a níveis exorbitantes.
O CEO do Uber, Travis Kalanick, acusou os críticos do aplicativo de quererem “parar o progresso”. Isso nada mais é do que uma estratégia retórica que busca marginalizar aqueles que não compartilham a visão (e os lucros) das elites industriais, tecnológicas e financeiras.
Como o historiador François Jarrige demonstra em seu livro Techno-critiques: Du refus des machines à la contestation des technosciences (Paris: La Découverte, 2014), esse discurso marginalizador nasceu junto com a Revolução Industrial e consolidou-se na Belle Époque, justamente o período em que surgiram os grandes barões do industrialismo e um movimento trabalhista que buscava uma segurança social melhor e salários mais dignos ante uma desigualdade crescente.
Hoje, em 2015, temos a Uber estimada em mais de 40 bilhões de dólares, o seu CEO comseus 5.3 bilhões de patrimônio e seus motoristas autônomos (“driver partners”, de acordo com a “novilíngua” do Silicon Valley) — esses últimos cada vez mais desiludidos com o potencial econômico de um trabalho instável ao mesmo tempo em que ameaçam o ganha pão de milhões de taxistas pelo mundo.
São justamente as vozes mais criticas que demonstram que o “progresso” pode seguir caminhos diversificados. Podemos “des-inventar” certas inovações que se mostraram perigosas, como o DDT e o CFC, e podemos procurar maneiras de orientá-las em direções mais positivas e seguras, como vem sendo o caso da energia nuclear.
A ideologia que brota do Silicon Valley apresenta a tecnologia como uma coisa inerentemente positiva ou, na pior das hipóteses, neutra. Mas a tecnologia nunca é imune a dinâmicas de poder. O “progresso” não é alcançado através de inovações tecnológicas, mas sim graças a escolhas políticas de como (e se) incorporaremos essas inovações dentro do nosso complexo mundo social.
Se uma introdução ética de novas tecnologias na sociedade depende de um diálogo democrático, porque ao invés de aceitar o Uber como um fait accompli não considerarmos a ideia de Mike Konczal? Um Fellow no Roosevelt Institute, Konczal sugeriu socializar o aplicativo, lembrando que os populistas americanos criaram cooperativas para lidar com as mudanças tecnológicas no final do século XIX.
Afinal, os motoristas já são donos de quase todo o capital operacional (os seus carros), então porque não distribuir o lucro de maneira comparável? Aí sim, poderíamos dizer que o aplicativo fomenta uma verdadeira economia compartilhada. Mas se o Uber não quer empregar motoristas, que seja então apenas uma provedora de software.
* Patrick Luiz Sullivan De Oliveira é doutorando em História da Princeton University
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Assista a reportagem de CartaCapital sobre o embate entre taxistas e a Uber:

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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/sociedade/uber-taxistas-4216.html

ABAIXO OS FASCISTAS: Usaremos a força contra o levante fascista – a força da lei

28.12.2015
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
fascistas capa
Reza claramente o Artigo 5º da Constituição Federal brasileira que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”.
A partir daí, uma série de incisos protege os cidadãos brasileiros dos ataques verbais e até físicos que vem sendo praticados contra quem é suspeito ou notoriamente conhecido por ser petista ou simpatizar com o Partido dos Trabalhadores.
O inciso VIII, por exemplo, determina que “Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”
O inciso X determina que “São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”
O inciso XV determina que “É livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens”
O inciso XXXVII determina que “Não haverá juízo ou tribunal de exceção”
O inciso XXXIX Determina que “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”
Finalmente, a Lei Maior da Nação determina no inciso XLI do Artigo 5o que “A lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”
Ora, se transpusermos a lei para ocorrências que vêm sendo vistas por todo país contra os petistas notórios ou contra suspeitos de ser petista ou de simpatizar com o PT, os textos legais supracitados caem como uma luva e abrem uma avenida de possibilidades de a sociedade reagir contra os grupos que se utilizam de táticas fascistas para intimidar cidadãos que se enquandrem nos critérios insanos que vêm fustigando a liberdade de pensamento neste país.
Apesar de a lei ser clara como água, milícias organizadas ou não têm sido formadas para aplicar punições aos suspeitos de acalentar o que esses grupos transformaram em “pensamento político proibido”.

No âmbito dessa ideologia canhestra, ilegal e criminosa, vemos fenômenos como atentados a bomba contra escritórios do Partido dos Trabalhadores, agressões físicas até a deficientes físicos (cadeirantes) que usem símbolos do PT, violação de cerimônia fúnebre de petista com agressão aos familiares dele e até, acredite quem quiser, agressão a um cãozinho por usar um lenço vermelho no pescoço, pelo que foi acusado de ser “petralha”, sofrendo tentativa de linchamento por uma horda de antipetistas fantasiados com camisetas da Seleção brasileira.
O relato abaixo foi publicado no site de Associação de Proteção aos Animais em 15 de março deste ano, dia em que ocorreu a primeira grande manifestação contra Dilma Rousseff e o PT em São Paulo.
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 Os abusos chegaram ao ápice quando um dos maiores ícones da Cultura brasileira foi insultado ferozmente no Rio de Janeiro quando estava saindo de um bar com amigos. Apesar de não ser filiado ao Partido dos Trabalhadores, um grupo de moleques ricaços passou a insultar e contranger Chico Buarque de Hollanda por ser simpatizante do Partido dos Trabalhadores.
Esse episódio deu ânimo renovado a uma associação que este Blog já citou várias vezes, a Frente Antifascista, criada em novembro. Em reuniões virtuais, essa Frente entendeu que não há mais possibilidade de diálogo com os grupos que estimulam e/ou praticam essas agressões, violando a intimidade e o direito dos cidadãos de terem o pensamento político que quiserem e de externar suas posições.
Foi, então, pensada uma força-tarefa de advogados para acolher casos de centenas de cidadãos anônimos que estão sendo agredidos física e verbalmente em espaços públicos pelo uso de uma peça de roupa ou de qualquer outro símbolo que simbolize ou que possa ser confundido com simpatia pelo Partido dos Trabalhadores, e que não têm condições de contratar um advogado para se defenderem.
Este Blog tem defendido que as agressões a petistas ou simpatizantes do PT famosos são apenas a ponta do iceberg de vítimas dos ataques fascistas.
Além disso, vêm ocorrendo pressões até em ambientes de trabalho. Há relatos de pessoas que foram demitidas por serem consideradas “suspeitas” de simpatizarem com o PT. Há relatos impressionantes de crianças que praticam bullying contra colegas nas escolas por seus pais serem suspeitos de simpatizarem com o PT.
No âmbito da criação de uma força-tarefa advocatícia para reagir contra ataques fascistas, cerca de quarenta advogados de todo país já formalizaram adesão à iniciativa e, a partir de janeiro, este Blog passará a receber denúncias para que sejam selecionadas.
Após a seleção dessas denúncias, os denunciantes poderão contar com um advogado que ingressará com ação na Justiça sem cobrar nada. O denunciante terá apenas que abrir mão de indenizações que obtiver na Justiça, as quais integrarão um fundo que arcará com o custo das ações.
Novas adesões certamente sobrevirão, mas vale explicar que em São Paulo, onde há maior ocorrência de ataques fascistas, o contingente de advogados ainda é insuficiente. Exortamos os advogados paulistas a aderirem à iniciativa.
O Blog da Cidadania, porém, já tem condições de anunciar que juristas, advogados, jornalistas e parlamentares já estão trabalhando para começar a atuar em defesa de cidadãos que estão sendo vitimados por perseguição política.
Se a única linguagem que os fascistas entendem é a da força, a força será usada. A única diferença é que eles usam a força física ou da agressão moral, enquanto que os democratas usaremos a força da lei, que é muito clara quanto ao que esses grupos político-ideológicos estão fazendo.
Acompanhe a iniciativa encampada por este Blog. Divulgue-a. Deixe seu apoio. Se você ainda não foi vitimado pelo fascismo, sê-lo é questão de tempo. Os fascistas estão sentindo-se estimulados pela falta de reação, que é o principal alimento dessa ideologia nefanda que tanto mal já causou à humanidade.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/12/usaremos-a-forca-contra-o-levante-fascista-a-forca-da-lei/

MÍDIA MANIPULA: A capacidade da mídia de dizer asneiras terroristas é espetacular!

28.12.2015
Do blog TIJOLAÇO
DOLAR4
Uma semana atrás – ou melhor, três dias úteis atrás – a nossa sábia mídia berrava em suas páginas que a “disparada” do dólar era sinal de desconfiança e pessimismo dos investidores com a mudança no Ministério da Fazenda: Nélson Barbosa não agradava a turma da bufunfa.
O dólar havia subido de R$ 3,95 para R$ 4,02. Uma “disparada” de 1,31%!
Hoje, o mercado fechou a R$ 3,86. Uma queda de 4% que ninguém vai, por óbvio, chamar de “despencada”.
Muito menos que significa uma “demonstração de confiança” de confiança do mercado em Nélson Barbosa.
Oscilações de final de ano são comuns e valeu de tudo para “explicar” a queda do câmbio: desde o dinheiro dos chineses que venceram o leilão para uma linha de transmissão de energia até  (só rindo) os aportes que multinacionais teriam feito para cobrir “rombos” em suas subsidiárias brasileiras.
O nível de qualidade do jornalismo econômico brasileiro só não é pior que a sua capacidade de ser catastrofistas.
O Brasil está longe de sofrer problemas cambiais.
Tanto que fecha o ano com um espetacular saldo de perto de US$ 19 bilhões na balança comercial, apesar da crise.
Nossos problemas são de nível da atividade econômica aqui, com a overdose recessiva do período Levy.
E, claro, com uma mídia que empurra diariamente para baixo as expectativas econômicas, que são o combustível daquela atividade.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/a-capacidade-da-midia-de-dizer-asneiras-terroristas/

Tóquio e Seul chegam a acordo de reparação por escravas sexuais durante a Segunda Guerra

28.12.2015
Do portal OPERA MUNDI
Por Redação | São Paulo 

Acordo prevê auxílio a sul-coreanas escravizadas; para o chanceler japonês, é o 'começo de uma nova era das relações entre o Japão e a Coreia do Sul'

Um acordo firmado nesta segunda-feira (28/12) em Seul pelos governos do Japão e da Coreia do Sul prevê um pedido de desculpas oficial do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, por seu país ter forçado a prostituição de mulheres coreanas antes e depois da Segunda Guerra Mundial, entre 1932 e 1945, durante a ocupação da Coreia pelo Japão. No acordo, o governo japonês admitiu a participação de militares japoneses na escravização de mulheres.
EFE
Encontro realizado nesta segunda-feira (28/12) em Seul, capital da Coreia do Sul, foi anunciado na última sexta-feira (25/12)

Está prevista ainda uma quantia de 1 bilhão de ienes (R$ 32,8 milhões), paga por Tóquio, que irá para um fundo de reparação às vítimas. Segundo o ministro das Relações Exteriores do Japão, Fumio Kishida, o dinheiro não é uma compensação, e sim “um projeto para aliviar cicatrizes emocionais”. Ele afirmou que serão incluídos serviços médicos e apoio às vítimas, mas não especificou os detalhes do programa.
“Isso marca o começo de uma nova era das relações entre o Japão e a Coreia do Sul”, declarou Kishida à imprensa após o acordo ser firmado. Um comunicado conjunto dos dois governos diz que o premiê japonês “expressa outra vez suas mais sinceras desculpas às mulheres que foram submetidas a experiências dolorosas e sofreram incuráveis danos físicos e psicológicos como mulheres de conforto”. Kishida disse ainda que “o Japão sente fortemente a responsabilidade” por ter escravizado mulheres.

Japão e Coreia do Sul irão se reunir para discutir questão de escravas sexuais durante Segunda Guerra

Não foi esclarecido se Abe irá fornecer uma declaração própria, nem se ele irá se dirigir diretamente às vítimas. Das cerca de 200 mil mulheres que foram escravas sexuais do Exército japonês, 46 ainda estão vivas.
Wikicommons
As cerca de 200 mil escravas do Exército japonês eram obrigadas a manter até 50 relações sexuais por dia; 46 ainda estão vivas

Ao longo das últimas décadas, a questão das escravas sexuais foi um dos principais entraves diplomáticos entre os dois países. Apesar do apelo da Coreia do Sul para que o Japão pedisse desculpas formalmente, pagasse indenizações e reconhecesse responsabilidade legal, o governo japonês se negou a tratar o assunto em várias ocasiões, declarando que a questão estava resolvida com o tratado de 1965, que restabeleceu as relações diplomáticas entre os dois países e forneceu um aporte financeiro a Seul. Até 1993, o governo japonês não havia admitido a existência das escravas sexuais.
A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, já classificou a questão como “o maior obstáculo” para o estreitamento das relações com Tóquio. Após conversar ao telefone com Abe, Park disse esperar que os dois países construam uma confiança mútua e iniciem uma nova etapa nas relações bilaterais.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42749/toquio+e+seul+chegam+a+acordo+de+reparacao+por+escravas+sexuais+durante+a+segunda+guerra.shtml

PT, CUT E MST EMPURRAM DILMA PARA A ESQUERDA

28.12.2015
Do portal BRASIL247

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/211256/PT-CUT-e-MST-empurram-Dilma-para-a-esquerda.htm

FHC ou a tragédia da elite brasileira

28.12.2015
Do portal BRASIL247
Por EMIR SADER*

Emir SaderO Brasil saiu da ditadura como o pais mais desigual do continente mais desigual do mundo. O arrocho salarial, como o santo do “milagre econômico”, tinha promovido o mais acelerado processo de acumulação de capital e de desigualdade social que o pais ja havia conhecido em toda a sua historia.

Tivemos possibilidade de fazer com que a democratização não fosse simplesmente a restauração do sistema politico liberal, com a campanha das diretas. Tivesse triunfado, Ulysses Guimaraes teria grande possibilidade de, munido com o programa de reformas estruturais do PMDB, dar um conteúdo econômico e social à democratização.

A derrota da campanha, somada à eleição pelo Colégio Eleitoral de um candidato mais moderado – Tancredo -, além das contingencias que levaram a que Jose’ Sarney, em semanas, passasse de presidente do partido da ditadura a primeiro presidente civil da democracia, limitaram a democratização na direção do que a teoria do autoritarismo de FHC tinha pregado: apenas a desconcentração do poder politico em torno do executivo e a desconcentração do poder econômico em torno do Estado. Essa versão precoce do neoliberalismo transformou a teoria do autoritarismo – segundo a qual não tivemos ditadura, mas “situação autoritária, uma espécie de ditabranda – na ideologia da transição conservadora no Brasil.

O fracasso do governo Sarney esgotou o impulso democrático, levando consigo ao PMDB como partido da transição, seu programa de reformas e a liderança do doutor Ulysses, permitindo que um “filhote da ditadura” impusesse outra agenda ao pais. Carros produzidos no pais como “carroças” e funcionários públicos como “marajás” comandavam o marketing neoliberal do Collor.

Sua queda não impediu o triunfo desse novo consenso. Atribui-se a Roberto Marinho, naquele momento, a afirmação de que a direita não elegeria mais presidente, tendo portanto que busca-lo em outro lado. A escolha recaiu sobre FHC, que se prestou a renunciar ao programa social democrata originário dos tucanos, para seguir a trilha das suas referencias europeias: de François Mitterrand e de Felipe Gonzalez, na reconversão neoliberal da social democracia.

No pais mais desigual do continente mais desigual, FHC se elegeu e se reelegeu derrotando a centralidade da questão social proposta pelo Lula, pela do ajuste fiscal. Foi eleito e reeleito – como seus correligionários latino-americanos na mesma aventura: Carlos Menem, Alberto Fujimori, Carlos Andres Peres, Carlos Salinas de Gortari, Gonzalo Sanchez de Losada, entre outros, vários depostos por corrupção, alguns dos quais foram parar na prisão -, até que, como eles, FHC também se tornou o politico mais rejeitado do pais.

A trajetória de FHC reflete o desencontro definitivo das elites tradicionais brasileiras com o pais e com seu povo. A vitória do Lula e a construção de um governo centrado na afirmação dos direitos sociais da grande maioria da população, sempre marginalizada, tornou o pais menos injusto, menos desigual, menos imoral.

Mas reconhecer essas realizações por parte da elite tradicional seria reconhecer o seu fracasso, as suas responsabilidades na miséria e na pobreza acumuladas frente à riqueza nas suas mãos. Não tiveram a grandeza de reconhecer como a afirmação dos direitos das grandes maiorias pobres faz do Brasil um pais melhor, uma sociedade mais integrada e mais justa. Fizeram como se nada de importante estivesse passando no Brasil e se lançaram à tentativa de derrubar o Lula por um impeachment em 2005.

FHC estava à cabeça do golpe, pela sua incapacidade de reconhecer como seu projeto de estabilidade monetária tinha se esgotado sem desembocar na melhoria social do povo. Enquanto que o Lula teve a grandeza de reconhecer como a luta contra a inflação e a estabilidade das contas publicar haviam sido incluídas no consenso nacional e como deveriam ser incorporadas a seu programa de governo, mesmo se  em função da prioridade fundamental – as politicas sociais. A direita, ao invés de reconhecer os avanços do governo Lula e incorpora-los, tratou de desconhece-los, de nega-los, e assim se desencontrou do povo e do pais.

Foi assim se reconfigurando a tragédia da elite tradicional brasileira, tentando centrar no papel do Estado e na corrupção que traria, o centro dos problemas do pais, para acobertar os avanços sociais, tudo o que resta a fazer nesse campo e como a centralidade da especulação financeira tira do pais os recursos para voltar a crescer e promover os direitos sociais de todos.

FHC tornou-se a triste caricatura desse fracasso da velha elite brasileira. De teórico da transição conservadora e de presidente de uma nota só – a estabilidade monetária -, de social democrata a um reles neoliberal -, tornou-se um golpista sem ideias e sem apoio popular. Quando até seus gurus europeus da social democracia francesa e espanhola reconhecem os méritos do Lula e do PT, ele se isola na medíocre pregação golpista e no apoio às direitas trogloditas da Argentina e da Venezuela, ao lado dos seus aliados fieis, os decrépitos do DEM.

Preferem tentar destruir o pais, mediante um impossível golpe do impeachment ou faze-lo sangrar até a exaustão, a reconhecer seu fracasso. Fracasso na ditadura militar, fracasso na transição democrática conservadora, fracasso no neoliberalismo, fracasso nas tentativas de restauração conservadora.

A tragédia da trajetória de FHC resume, de forma exemplar, o fracasso da elite tradicional brasileira diante de um pais que teve revelado todo o seu potencial com o governo Lula e que busca seu reencontro com esse caminho, derrotando, uma vez mais, a FHC e a direita brasileira. 

*EMIR SADER Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/211170/FHC-ou-a-trag%C3%A9dia-da-elite-brasileira.htm

'Dói ver o panorama político do Mercosul', diz Evo Morales após vitória de Macri na Argentina

28.12.2015
Do portal OPERA MUNDI, 27.12.15
Por  Mercedes López San Miguel 
Página/12 | Buenos Aires 

Presidente da Bolívia afirma que ele e Nicolás Maduro estão sozinhos no bloco como líderes anti-imperialistas. Além disso, Evo diz ter “o desejo de criar confiança” com Mauricio Macri através do diálogo

Evo Morales esteve na despedida de Cristina Fernández de Kirchner no dia 9 de dezembro: junto à presidente que deixava o cargo, revelaram um busto de Néstor Kirchner na Casa Rosada, idêntico ao do ex-presidente, segundo diz com um sorriso o líder da Bolívia. Morales ressalta a confiança única que teve com ambos os políticos.
Mais tarde, o presidente do país vizinho fez o que tanto gosta: junto à sua equipe de governo, jogou futebol com bolivianos residentes na Argentina. Mauricio Macri também compareceu ao estádio do Boca Juniors e participou do jogo. Em política, os gestos falam por si próprios.
Divulgação/Prensa Palacio Bolivia

Evo: "Eu e Maduro nos sentimos sozinhos como líderes anti-imperialistas"


No dia 10 de dezembro, pela manhã, antes de chegar à cerimônia da posse de Macri, Morales concedeu uma entrevista ao Página/12 em uma sala de um hotel de Buenos Aires. Com um tratamento afável e tranquilo, o presidente diz que o seu desejo é criar confiança com o novo inquilino da Casa Rosada porque os povos argentino e boliviano precisam um do outro mutuamente.
Olhando em perspectiva ao Mercosul, Morales faz uma reclamação. “Eu e Maduro nos sentimos sozinhos como líderes anti-imperialistas... dói ver o panorama político regional.”
Página/12: Qual a avaliação que o senhor faz da chegada ao poder de Mauricio Macri na Argentina, após 12 anos de governos de esquerda?

Evo Morales: Na Unasul, nós temos uma cláusula em temas democráticos, por isso respeitamos o presidente que ganha as eleições e começamos a trabalhar em conjunto. Pode haver diferenças ideológicas ou programáticas, porém cada país tem a sua particularidade. Com Néstor e Cristina, criamos uma confiança única para trabalhar nos dois países, e, quando acontecia qualquer coisa, nós nos falávamos por telefone. Lembro-me que antes de Néstor não havia estabilidade econômica nem política, apenas se ouvia falar de mudança de presidentes e povo mobilizado. No entanto essa gestão deu estabilidade econômica, política e social. Tenho muitas lembranças de Néstor, de momentos difíceis que vivemos na Bolívia, por exemplo, com o processo constituinte. Com Cristina houve muita confiança, colaboração, investimento, coincidências em eventos internacionais, cúpulas e por isso vim acompanhá-la em sua despedida da presidência... dói, não é mesmo? Foi um ato importante. Com o novo presidente, tenho o desejo de criar confiança; a mesma será gestada com sinceridade e diálogo, pensando sempre em nossos povos. Nunca tive amizade com ele, e queremos construir uma amizade, porque nossos povos têm necessidades mútuas. Algo que podemos levar para a Argentina. A Bolívia depois de muito tempo se levantou. Estamos muito melhor do que antes, e não apenas podemos colaborar como países, mas também compartilhar experiências de trabalho.

Página/12: O senhor se preocupa que haja sinais de mudança na região, por exemplo, a derrota eleitoral de Maduro no congresso e o pedido de impeachment contra Dilma?

EM: Me preocupa e devemos nos ocupar para nos libertarmos da guerra econômica. A crise do sistema capitalista tem efeitos no mundo todo e devemos enfrentá-la em conjunto. A Bolívia enfrentou diversas guerras econômicas. Quando cheguei ao governo, permanentemente alguns meios de comunicação, que eu chamo de meios de conspiração, diziam na base de mentiras: ‘curralito’ [confisco de poupanças] ou corrida bancária. Também diziam que Evo iria apresentar seu plano de desenvolvimento com a poupança da população, e que seu dinheiro seria confiscado. Eu participei de reuniões com banqueiros e lhes explicava que eles poderiam causar uma convulsão social com mentiras. E que os empresários iriam perder, e a Bolívia iria perder afinal de contas.

Em 2008, alguns empresários de médio porte compravam arroz a preço baixo de pequenos produtores e faziam seus estoques com finalidades políticas. Estes senhores fizeram com que faltasse arroz. Em seguida fizeram a mesma coisa com a carne, o açúcar, a farinha. Antes, os Estados Unidos davam de presente farinha para a Bolívia, e depois eles quiseram vendê-la. Isso é uma agressão econômica. Os fundos abutres são uma agressão econômica do império. Uma vez, eu disse a Maduro que ele mantém dois países, a Venezuela e a Colômbia. O combustível é tão barato e sai de contrabando. Está bem, o subsídio é bom, mas com algum limite.

Com pedido de união e crítica aos Kirchner, Macri toma posse como presidente da Argentina

Protesto contra Macri e em defesa da Lei de Meios reúne 15 mil pessoas em Buenos Aires

'Enquanto o rico fala, o pobre compartilha': moradores se mobilizam para ajudar refugiados na rota dos Bálcãs


Página/12: O governo venezuelano fechou os postos das fronteiras. Porém o problema parece ser o cansaço da população ao fazer filas nos supermercados para conseguir produtos básicos, e a economia que não decola…

EM: Houve um 40% de votos duramente anti-imperialistas na Venezuela, apesar das filas, da falta de alimentos, da inflação. [Nota da redação: o chavismo obteve 40,8%, e a MUD, de oposição, 56,2% dos votos]. Agora os empresários estão reivindicando com os parlamentares mudar as leis trabalhistas para tirar os benefícios sociais. E aqui começa a luta dos trabalhadores. Porém, felizmente, nossos povos são anti-imperialistas.

EFE

Evo e Mauricio Macri, presidente da Argentina, jogaram futebol na véspera da posse deste

Página/12: Como o senhor vê o Mercosul com estas mudanças em andamento?

EM: Nos sentimos sozinhos com Maduro, me dói muito ver este panorama político regional. Porém eu sei que os trabalhadores, não apenas da Bolívia, mas também da América Latina, vão acompanhar. Tampouco estamos assustados. Olhe o exemplo de Cuba, que esteve décadas sozinha na América Latina. Se as guerras econômicas não dão resultado para o império, ele usa política de ameaças, porém, com sorte, já não há mais golpes de Estado. Há um confronto ideológico.

Página/12: O senhor mencionou Maduro, porém também há Correa. O Equador faz parte do Unasul.

EM: Apesar das diferenças ideológicas que há entre os presidentes do Unasur, primeiro devemos debater a economia regional. Compartilhar o que temos como países, porque não podemos depender totalmente da economia norte-americana ou do mercado europeu ou do asiático. Lembre-se de 2008, quando os Estados Unidos tinham sérios problemas financeiros. Então devemos ampliar nosso mercado regional.

Página/12: No caso do Brasil, a crise econômica se soma à crise política. Ou é o contrário?

EM: É um golpe parlamentar em etapas. Já houve um golpe no Congresso do Paraguai, e agora ele está acontecendo no Brasil. Respeitamos, são constituições diferentes, às vezes importadas; porém são grupos oligárquicos os que detêm o poder político.

Página/12: Alguns aliados de Dilma Rousseff parecem pouco confiáveis.

EM: Talvez em alguns países, para ganhar  as eleições, incorpora-se a chamada centro-direita ou a centro-esquerda. Para mim, ou se é anti-imperialista ou se é imperialista. Quando, para ganhar, incorporamos alguns centros, estes não têm definição ideológica nem disciplina orgânica.

Página/12: Qual é a contribuição dos meios de comunicação no confronto mencionado?

EM: Na Bolívia, eu não tenho oposição. Apenas dos meios de comunicação. A direita boliviana não tem nada para festejar no meu país, e vem festejar na Argentina, ou vai para a Venezuela.

Divulgação/Ministério de Cultura da Argentina

Evo, sobre Cristina: "Houve muita confiança, colaboração, investimento e por isso vim acompanhá-la em sua despedida da presidência... dói, não é mesmo?"

Página/12: Porém, surgiram novas lideranças, como, por exemplo, Soledad Chapetón, que tirou a prefeitura do Movimento ao Socialismo [partido de Evo] em El Alto.

EM: Entendo isso, nós também cometemos erros. Nosso candidato era ruim.

Página/12: Segundo uma pesquisa revelada há uma semana, 53% da população é contra alterar a Constituição para permitir uma nova reeleição presidencial. Qual será a resposta de seu governo se o referendo de fevereiro der errado?

EM: Nunca acreditei em pesquisas. Em 2005, quando ganhei as eleições presidenciais, todas as pesquisas diziam que eu iria ganhar com 32%. E ganhei com 54%. Em 2009, disseram que eu iria ganhar com 48%. E foi com 62%. Há uma contradição nas pesquisas de hoje: cerca de 68% apoia minha gestão, porém cerca de 53% recusa a reforma constitucional. Estamos seguros de que vamos vencer, porque queremos um período a mais para continuar com a agenda patriótica, garantindo os investimentos. O melhor é consultar a população: se o povo me quer, continuo. Se não quer, respeitamos. Isso é o mais democrático.


(*) Publicado em Página/12
Tradução: Mari-Jô Zilveti

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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/42713/doi+ver+o+panorama+politico+do+mercosul+diz+evo+morales+apos+vitoria+de+macri+na+argentina.shtml

Empresa do jovem que chamou Chico de 'bandido' contratou ladrão da Petrobras

28.12.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 24.12.15

Alvarinho, filho de Álvaro Garnero, chamou Chico Buarque de 'bandido' na noite da última segunda-feira. Curiosamente, um bandido confesso foi contratado para dirigir a área de petróleo e gás da empresa de sua família: Paulo Roberto Costa


Álvaro Garnero, seu filho Alvarinho e Paulo Roberto Costa, ladrão da Petrobras, contratado por eles

Fernando Brito, Tijolaço

O mais engraçado do mundo são as voltas que o mundo dá.

O playboy Álvaro Garnero Filho, filho do playboy Álvaro Garnero e neto do polêmico Mario Garnero – condenado a cinco anos de prisão por estelionato e fraude contra o sistema financeiro pela Justiça Federal, sentença depois anulada pelo STF – vive, ao que se saiba, da Brasilinvest.

E quem se tornou dirigente da Brasilinvest para a área de petróleo e gás, em 2012, logo depois de ter sido demitido por Dilma Rousseff da Petrobras, onde roubou aos montes?
Sim, ele mesmo, Paulo Roberto Costa.


Alvarinho é o jovem que foi tomar satisfações com Chico Buarque dizendo que este apóia bandidos.

Bandidos, como se vê, conseguem lugar na empresa que garante a boa vida do rapaz.
A elite brasileira é uma comédia pastelão.

Não é à-toa que o educadíssimo Chico postou hoje, no Facebook – assim, meio “sem querer, querendo” – a sua música “Vai Trabalhar, Vagabundo”.

Eles não vão, não…

Leia, abaixo, texto do jornalista Luis Nassif, originalmente publicado no Jornal GGN, que conta a história nebulosa do avô de Alvarinho:

A história do avô do rapaz que ofendeu Chico

O rapaz que ofendeu Chico Buarque é pouco informado sobre as aventuras de seu avô, Mário Garnero com o PT.

Garnero foi uma liderança estudantil importante. Depois, casou-se com uma herdeira do grupo Monteiro Aranha e passou a representar o sogro no capital da Volkswagen. Lá, como diretor de Recursos Humanos, conheceu e aproximou-se de Lula e dos sindicalistas do ABC.

Mas toda sua carreira foi pavimentada no regime militar.

Foi responsável por um seminário internacional em Salzburg, visando vender o país aos investidores externos no momento em que os ecos do Brasil Grande projetava a imagem do país no mundo.


Do seminário nasceu o Brasilinvest, um dos primeiros bancos de investimento do país tendo como acionistas diversos grupos internacionais. Garnero arrebentou com o banco desviando recursos para holdings fantasmas, como forma de se capitalizar para conquistar o controle absoluto da instituição. Quando terminou a operação, viu-se dono de um banco quebrado.

Antes disso, era o menino de ouro dos militares. Tornou-se num anfitrião de primeiríssima acolhendo em sua casa, ou em um almoço anual nas reuniões do FMI, a fina nata do capitalismo mundial. Tornou-se, de fato, um dos brasileiros mais bem relacionados do planeta. Mas jamais conseguiu transformar o relacionamento em negócios legítimos. Não tinha a visão do verdadeiro empreendedor. Terminou cercado por parceiros de negócio algo nebulosos, principalmente depois que passou a perna dos demais acionistas do Brasilinvest, grandes corporações internacionais.

Acabou se convertendo na bomba relógio que João Batista Figueiredo deixou para Tancredo Neves. A desmoralização final dos militares foram os escândalos da Capemi, brilhantemente cobertos para a Folha pelo nosso José Carlos de Assis.

Figueiredo impediu Delfim Netto de ajudar Garnero, vaticinando: o Brasilinvest será a Capemi do Tancredo (correção: o lobby de Garnero vinha de outros setores do governo; Delfim, mesmo, detestava-o) . A razão maior era a presença, no Conselho de Administração, de Aécio Cunha, pai de Aécio e genro de Tancredo (correção: foi outro genro de Tancredo, Ronaldo do Valle Simões, personagem muito mais polêmico do que Aecio Cunha) . E também de personagens de peso na vida nacional da época, como o presidente da Volskwagen Wolfgang Sauer, Helio Smidt, da Varig e o publicitário Mauro Salles.

Colhi depoimento de Sauer sobre o episódio e testemunhei o alemão de ferro chorar na minha frente pela traição do amigo Garnero.

Percebendo a armadilha, Tancredo incumbiu seu futuro Ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, de não facilitar em nada a vida da Brasilinvest. Sem o amparo do futuro presidente, o Brasilinvest afundou.

Já no governo Sarney, da derrocada de Garnero valeu-se Roberto Marinho para tomar-lhe o controle da NEC Telecomunicações.

Depois disso, continuou a vida tornando-se uma espécie de João Dória Junior internacional. Aos encontros anuais da Brasilinvest comparecia a fina flor do capitalismo – e modelos belíssimas. Aliás, a capacidade de selecionar mulheres para terceiros era uma das especialidades de Garnero, que conseguiu um encontro de Gina Lolobrigida para seu sogro. Ele mesmo tinha visa pessoal discreta.

No início do governo Lula, Garnero valeu-se da familiaridade dos tempos de ABC para se aproximar de José Dirceu, ainda poderoso Ministro da Casa Civil. A aproximação lhe rendeu prestígio e bons negócios.

Graças a ela, conseguiu levar o Instituto do Coração para Brasília, em um episódio controvertido que estourou tempos depois, com boa dose de escândalo. Aliás, até hoje respondo a um processo maluco do Mário Gorla, o sócio de Garnero no empreendimento. Esteve também por trás dos problemas do Instituto do Coração em São Paulo.

Quando os chineses começaram a desembarcar no Brasil, fui procurado por analistas da embaixada da China interessados em informações sobre o país. E me contaram que estavam conversando com um BNDES privado. Indaguei que história era essa. Era o Brasilinvest – na ocasião um mero banco desativado, localizado em uma das torres do conjunto Brasilinvest na Avenida Faria Lima. Não sabiam que Garnero já se desfizera totalmente do patrimônio representado pelas torres. E tinha um banco de fachada.

Garnero ajudou na aproximação de Dirceu com parte dos empresários norte-americanos. Na véspera do estouro do “mensalão” Dirceu já tinha uma viagem agendada para Nova York organizada por ele.

Sem conseguir se enganchar no governo Lula, Garnero acabou se dedicando ao setor imobiliário. Os filhos não seguiram sua carreira, internacionalmente brilhante, apesar dos tropeços. Ficaram mais conhecidos pelas conquistas e pela vida vazia.

Já o neto consegue seu segundo instante de celebridade. O primeiro foi em um vídeo polêmico, simulando um agarra com o ex-jogador Ronaldo.
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PS.:No comentário abaixo, na TV Gazeta, o jornalista Bob Fernandes identifica o jovem que chamou Chico Buarque de “um merda” como sendo Guilherme Junqueira Motta, herdeiro de usineiro que afirma trabalhar na Usina Guaira, em Guaíra, região de Barretos, no interior de São Paulo.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/12/empresa-do-jovem-que-chamou-chico-de-bandido-contratou-ladrao-da-petrobras.html