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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Obsedado ou obcecado? O caso do MP com Lula, com ajuda do Veríssimo

14.12.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

verissimo

Momento Michel Temer de análise etimológica da Operação Lava-Jato em relação a Lula, se me perdoam.

Obsedado e  obcecado são palavras diferentes e, quase-quase, com o mesmo valor semântico.

O primeiro vem do latim obsidere, pelo francês  obséder, que é, segundo o Houaiss, “atormentar sem cessar”.  Pode ser, também, escrito como outras palavras quase iguais, mas com outras acepções: obsediar ou obsidiar, que equivalem a armar ciladas e espiar a vida doméstica de alguém.

Já obcecado é de outra raiz latina, occaecō ou oboccaecō, que é ficar cego, ter a razão obscurecida, desvairar-se.

Ambas servem para descrever o estado de ânimos  do Ministério Público em relação ao ex-presidente Lula.

Há mais de um ano, desde quando o “eu acho que ele sabia” de Alberto Youssef, produzido e vazado na hora certa para interferir no resultado eleitoral, este é o “grande prêmio”  pelo qual se compete em Curitiba.

Os “delatores” – que a esta altura já são em número capaz de lotar um ônibus, com gente sentada e em pé – também competem para ver quem pode oferecer “a cabeça” do ex-presidente e, na falta de quem tenha algo contra ele, pessoalmente, vale filho, nora, amigos.

Porque dar ao MP o que sabem que o MP quer passou a ser, também, o preço de sair da cadeia e arrumar uma pena “camarada” para seus crimes.

Ninguém, é claro, está livre da lei  por ser parente ou aderente de Lula.

Mas está evidente que não se está investigando fatos, mas pessoas e das pessoas é que se vão obter os fatos, sejam reais ou “ajeitáveis” à realidade.

Tudo o que está sendo provado até agora, porém, é que nenhum dos pesos-pesados  detidos pelo Dr. Sérgio Moro aos magotes pode dizer, para livrar-se, que Lula  lhe pediu dinheiro, para si ou para o PT.

O que, neste último caso, até poderia ter acontecido num país onde o financiamento eleitoral era feito por empresas, essencialmente, e devem ser contados nos dedos de uma só mão os políticos que não pediram ajudar financeira a eles.

Não passa pela cabeça obscurecida destes senhores – e nem na dos jornalistas  que se dedicam a reproduzir esta ideia fixa – que um  Presidente da República, com todo o seu poder, vá se corromper por um apartamento no Guarujá ou por um valor destes mixurucas  para a empresa de seu filho.

Mas tudo só mira neste objetivo.

Ou melhor, nesta obsessão, a dos obcecados.

Então, me socorro do texto “Segurança”, do mestre Luís Fernando Veríssimo – no seu popular “Comédias para se ler na escola” – para ilustrar o que faz com a liberdade a ideia fixa dos cegos.

“O ponto de venda mais forte do condomínio era a sua segurança. Havia as belas casas, os jardins, os playgrounds, as piscinas, mas havia, acima de tudo, segurança.

Toda a área era cercada por um muro alto. Havia um portão principal com muitos guardas que controlavam tudo por um circuito fechado de TV. Só entravam no condomínio os proprietários e visitantes devidamente identificados e crachados.

Mas os assaltos começaram assim mesmo. Ladrões pulavam os muros e assaltavam as casas.

Os condôminos decidiram colocar torres com guardas ao longo do muro alto. Nos quatro lados. As inspeções tornaram-se mais rigorosas no portão de entrada. Agora não só os visitantes eram obrigados a usar crachá. Os proprietários e seus familiares também. Não passava ninguém pelo portão sem se identificar para a guarda. Nem as babás. Nem os bebês.

Mas os assaltos continuaram.

Decidiram eletrificar os muros. Houve protestos, mas no fim todos concordaram. O mais importante era a segurança. Quem tocasse no fio de alta tensão em cima do muro morreria eletrocutado. Se não morresse, atrairia para o local um batalhão de guardas com ordens de atirar para matar.

Mas os assaltos continuaram.

Grades nas janelas de todas as casas. Era o jeito. Mesmo se os ladrões ultrapassassem os altos muros, e o fio de alta tensão, e as patrulhas, e os cachorros, e a segunda cerca, de arame farpado, erguida dentro do perímetro, não conseguiriam entrar nas casas. Todas as janelas foram engradadas.

Mas os assaltos continuaram.

Foi feito um apelo para que as pessoas saíssem de casa o mínimo possível. Dois assaltantes tinham entrado no condomínio no banco de trás do carro de um proprietário, com um revólver apontado para a sua nuca. Assaltaram a casa, depois saíram no carro roubado, com crachás roubados. Além do controle das entradas, passou a ser feito um rigoroso controle das saídas. Para sair, só com um exame demorado do crachá e com autorização expressa da guarda, que não queria conversa nem aceitava suborno.

Mas os assaltos continuaram.

Foi reforçada a guarda. Construíram uma terceira cerca. As famílias de mais posses, com mais coisas para serem roubadas, mudaram-se para uma chamada área de segurança máxima. E foi tomada uma medida extrema Ninguém pode entrar no condomínio. Ninguém. Visitas, só num local predeterminado pela guarda, sob sua severa vigilância e por curtos períodos.

E ninguém pode sair.

Agora, a segurança é completa. Não tem havido mais assaltos. Ninguém precisa temer pelo seu patrimônio. Os ladrões que passam pela calçada só conseguem espiar através do grande portão de ferro e talvez avistar um ou outro condômino agarrado às grades da sua casa, olhando melancolicamente para a rua.

Mas surgiu outro problema.

As tentativas de fuga. E há motins constantes de condôminos que tentam de qualquer maneira atingir a liberdade. A guarda tem sido obrigada a agir com energia.

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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/obsedado-ou-obcecado-no-caso-do-mp-com-lula-as-duas-formas-estao-corretas/

Cumplicidade explica silêncio de Aécio

14.12.2015
Do blog MEGACIDADANIA, 28.11.15

Aécio calado na prisão do Esteves
Amigo do Aécio, banqueiro dono do BTG Pactual, pagou suas suntuosas despesas pessoais.

Confira a seguir:

André Esteves pagou evento e lua de mel de Aécio Neves em Nova York

Preso na quarta-feira (25), na Operação Lava Jato, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, pagou as passagens para Nova York do presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e da ex-modelo Letícia Weber, logo após o casamento dos dois, em outubro de 2013, de acordo com notícias resgatadas pelo site Brasil 247 na época.

Além do transporte, Esteves providenciou para os dois uma suíte no luxuoso hotel Waldorf Astoria.

O BTG Pactual disse que as despesas custeavam uma palestra de Aécio num evento voltado para investidores estrangeiros.

Aécio não cobrou pela palestra.



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Fonte:http://www.megacidadania.com.br/cumplicidade-explica-silencio-de-aecio/

OS CORRUPTOS DE CUNHA: ‘Obrigado pelo que vem fazendo pelo Brasil’

15.12.2015
Do blog O CAFEZINHO

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por Mário Magalhães, no Blog do Mário Magalhães
Pra começo de conversa, não custa dizer que chiliques e ofensas contra políticos em restaurantes, mais ainda se eles se acompanham de suas famílias, e sobretudo se entre elas há crianças e adolescentes, constituem uma tremenda covardia.
O agressor verbal, por mais mentecapto que seja, sabe que o ofendido tende a não reagir, para evitar escândalo maior que a baixaria canalha.
Esse tipo de humilhação ignóbil lembra cenas da Alemanha dos anos 1930, se é que me entendem.
Dito isso, palmas para quem, não indo com a cara de Eduardo Cunha, ficou na sua quando o deputado  entrou para almoçar com a família domingo no Margutta, em Ipanema, quase Leblon.
Há muitas maneiras de protestar contra o deputado, sem constrangê-lo diante dos filhos.
O curioso é que um comensal levantou-se, dirigiu-se à mesa do presidente da Câmara e o reverenciou: “Obrigado pelo que o senhor vem fazendo pelo Brasil''.
Direito do fã, cada um na sua. Triste era o tempo em que quem manifestava opinião podia acabar no pau-de-arara ou sumido para sempre.
A propósito, enquanto Cunha festejava o aniversário de uma filha, rolavam país afora atos públicos pedindo o impeachment de Dilma Rousseff.
As informações sobre o almoço dominical são da coluna “Gente Boa'', como se lê aqui.
Ficamos com o retrato em preto e branco do Brasil.
Num restaurante, um cidadão aplaude os feitos de Eduardo Cunha.
Noutro, hostilizaram o ex-ministro Alexandre Padilha (veja o vídeo).
O motivo? Padilha ter implementado um programa que levou médicos a dezenas de milhões de pobres e miseráveis sem assistência de saúde.
Também chamaram Padilha, sem prova ou indício, de “ladrão'' (aqui).
Cunha, por sorte e civilidade, foi poupado.
Nota gastronômica: o Margutta foi um ótimo restaurante, especialmente em frutos do mar. Depois, decaiu demais. Até aí fui testemunha. Dizem que deu a volta por cima.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/12/15/no-restaurante-cunha-ouve-obrigado-pelo-que-vem-fazendo-pelo-brasil/

Corrupção de Cunha, em fotos

15.12.2015
Do portal do GOOGLE

Os amigos de Cunha....


Os coxinhas de Cunha...


Paulinho da Força, Cunhista fervoroso....


Os golpistas dizem: " Somos todos Cunha!






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Fonte:https://www.google.com.br/search?q=cunha+%C3%A9+corrupto+mas+est%C3%A1+do+nosso+lado&espv=2&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ved=0ahUKEwjx6Z7Cu97JAhWEj5AKHQrTACIQ7AkIKA#imgrc=u0Sjpj4DtNyTPM%3A

16.12: VAMOS DEFENDER A DEMOCRACIA, NÃO AO GOLPE!

15.12.2015
Do blog TIJOLAÇO

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/

Conselho de Ética aprova continuidade de processo de cassação contra Eduardo Cunha; veja como os deputados votaram

15.12.2015
Do blog VI O MUNDO

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Conselho de Ética vota a favor da admissibilidade do relatório preliminar do deputado Marcos Rogério (PDT-RO)Antonio Cruz/ Agência Brasil
Conselho de Ética rejeita pedido de vista e processo sobre Cunha continua
Brasília – O deputado Marcos Rogério faz a leitura do relatório favorável ao prosseguimento das investigações sobre a quebra de decoro parlamentar do presidente da Câmara.
Por 11 a 9, os deputados do do Conselho de Ética decidiram não aceitar o pedido de vista e dar sequencia à votação do parecer que vai definir o destino do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O presidente do Conselho, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), submeteu a voto a possibilidade de pedido de vista apresentado pelo deputado Genecias Noronha (SD-CE) que poderia adiar, pela oitava vez, a votação do relatório favorável ao prosseguimento da representação, contra Cunha, por quebra de decoro.
Araújo havia se manifestado contrário ao pedido do Solidariedade e gerou divergências. Diante das manifestações de aliados de Cunha, Araújo pediu para que o colegiado decidisse, e votou como integrante do Conselho, passando a presidência para o deputado Sandro Alex (PPS-PR).
Baseando-se em uma questão de ordem respondida por Cunha em março deste ano, sobre possibilidades de pedido de vista, Araújo alegou que não se trata de um novo parecer, mas de um complemento de voto ao relatório que já tinha sido lido e anunciou que daria início à votação. Parlamentares próximos de Cunha se revezaram em manifestações contrárias à decisão.
Aliado de Cunha, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) alertou que a sessão poderia ser anulada por um erro regimental de Araújo. “A questão de ordem versa sobre projeto de lei em tramitação na Casa. Quando o processo aqui foi anulado, vossa excelência procedeu novo sorteio [para escolha do novo relator], escolheu novo relator, e se copiou ou não copiou o relatório nulo, apelo para que não proceda a novo erro regimental”, alertou.
O novo relator do processo, Marcos Rogério (PDT-RO), defendeu que se trata do mesmo processo e que, por isso, não justifica retomar todo o trâmite desde o início. “A nulidade não impede a ratificação de atos. Estamos em fase preliminar. Estamos em juízo de admissibilidade. Não houve novo parecer. Os termos não alteram a decisão final deste relator. Não há mudança profunda capaz de causar insegurança jurídica”, defendeu.
Defesa
O Conselho de Ética está reunido desde as 9h35. Marcos Rogério já apresentou seu parecer ratificando a defesa para que o inquérito contra Cunha tenha sequência. O advogado do peemedebista, Marcelo Nobre, que já tinha declarado “preocupação” com possíveis impactos da Operação Catilinárias, deflagrada hoje (15) pela Polícia Federal, na decisão do Conselho, abriu seus argumentos com um “esclarecimento”.
“Isso [A busca e apreensão] só reforça nossa defesa. A defesa tem dito que não tem prova e o que decorre da busca e apreensão na casa do meu cliente? A busca de provas. A segunda [afirmação da defesa de Cunha] é que o conselho não tem o poder investigativo que este poder é do Supremo Tribunal Federal. Portanto, esses acontecimentos na casa do meu cliente só reforçam a defesa neste Conselho de Ética. Aqui estamos a tratar de quebra de decoro ou não”, afirmou.
Edição: Talita Cavalcante
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Abaixo, confira como votaram os deputados
Pela continuidade do processo contra Cunha (11)
Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP)
Fausto Pinato (PRB-SP)
Júlio Delgado (PSB-MG)
Leo de Brito (PT-AC)
Marcos Rogério (PDT-RO)
Nelson Marchezan (PSDB-RS)
Paulo Azi (DEM-BA)
Sandro Alex (PPS-PR)
Valmir Prascidelli (PT-SP)
Zé Geraldo (PT-PA)
Valdir Rossoni (PSDB-PR)

Contra a continuidade do processo contra Cunha (9)
Cacá Leão (PP-BA)
Erivelton Santana (PSC-BA)
Paulo Pereira da Silva (SD-SP)
Ricardo Barros (PP-PR)
Vinicius Gurgel (PR-AP)
Washington Reis (PMDB-RJ)
Wellington Roberto (PR-PB)
João Carlos Bacelar (PR-BA)
Manoel Júnior (PMDB-PB)

Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/conselho-de-etica-aprova-continuidade-de-processo-contra-eduardo-cunha-por-quebra-de-decoro-parlamentar.html

Da lama à ordem: Mariana e o jornalismo que não dá nome aos bois

15.12.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 11.11.15
Por Alceu Luís Castilho, Outras Palavras

Por trás da lama da Samarco afirma-se o gosto amargo de um jornalismo subserviente, a serviço do mercado. Ignoram-se os conflitos, minimizam-se as contradições e se assimilam os discursos cínicos. Primeiro enumeremos os donos: já se sabe que 50% da Samarco pertence à Vale. E a quem pertence à Vale? Esse capítulo, que costuma ser omitido, merece uma atenção especial

lama vale samarco mariana

A lama da Samarco e o jornalismo que não dá nome aos bois (Pragmatismo Político)
Por trás da lama da Samarco afirma-se o gosto amargo de um jornalismo subserviente, a serviço do mercado. Dezenas de pessoas estão desaparecidas em Mariana (MG). Entre elas, crianças. O vídeo abaixo mostra como era o cotidiano de um povoado destruído. Mas a maior tragédia socioambiental brasileira do século XXI  já começa a ser soterrada pelos jornais, após uma cobertura protocolar. Da lama à ordem: ignoram-se os conflitos, minimizam-se as contradições e se assimilam os discursos cínicos de executivos e de membros do governo. Com a clássica blindagem dos sócios da empresa.
Primeiro enumeremos os donos. Já se sabe que 50% da Samarco pertence à Vale, a Vale que tirou o Rio Doce de seu nome e nele despejou lama tóxica. A outra metade pertence à anglo-australiana BHP Billiton, uma fusão da australiana Broken Hill Proprietary Company com a inglesa (radicada na África do Sul) Billiton, atuante nas veias abertas do Chile, Colômbia e Peru (onde tomou uma multa ambiental de US$ 77 mil após contaminação por cobre), no Canadá, Reino Unido e nos Estados Unidos, na Argélia, no Paquistão e em Trinidad & Tobago. Já protagonizou na Papua Nova Guiné uma contaminação fluvial histórica. As maiores mineradoras do mundo.
E a quem pertence à Vale? Esse capítulo costuma ser omitido, quando se fala de impactos sociais e ambientais. A empresa é controlada pela Valepar, com 53,9% do capital votante (1/3 do capital total). Com 5,3% para o governo federal, 5,3% para o BNDESpar, 14,8% para investidores brasileiros, 16,9% na Bovespa e 46,2% de investidores estrangeiros (este percentual cai para 33,9% no caso do capital total). De qualquer forma já temos que a Samarco – com a metade anglo-australiana e com esses investidores estrangeiros da Vale – tem mais da metade de suas ações nas mãos de estrangeiros.
E quem manda na Valepar, que controla a Vale? 1) Fundos de investimentos administrados pela Previ, com 49% das ações; 2) A Bradespar, do Bradesco, com 17,4%; 3) A multinacional Mitsui, um dos maiores conglomerados japoneses, de bancos à petroquímica, com tentáculos na Sony, Yamaha, Toyota, com 15%; 4) O BNDESpar, com 9,5. (Ignoremos os 0,03% da Elétron, do Opportunity e seu onipresente Daniel Dantas. E registremos que, com a Mitsui, aumenta ainda mias a participação de estrangeiros na Samarco.)
BNDES? Previ? Mas por que, então, a imprensa acostumada a fustigar o governo federal não fiscaliza com mais atenção a Vale, símbolo da privatização a preço de banana? Simplesmente porque não tem o saudável hábito – a imprensa brasileira – de fiscalizar corporações. E porque essas instituições não estão sozinhas. Porque tem a Mitsui, o Bradesco – o bilionário Bradesco. Com um governador petista dando entrevista coletiva na sede da Samarco. (O capitalismo não é para amadores.) Não há um acompanhamento sistemático do custo social e ambiental das aventuras plutocratas, sob governos de siglas diversas. Pelo contrário: o que há é um marketing despudorado.

EXECUTANDO ADVÉRBIOS

Essa rede de donos da Samarco manifesta-se por meio de um jovem executivo, Ricardo Vescovi. Os gerentes de crise da empresa tiraram o site do ar (sabe-se lá com quais informações) e divulgaram esse vídeo do presidente no Facebook. Com seu milagre de multiplicação de advérbios insossos e pronomes totalizantes, insensíveis aos dramas dos mineiros. “Lamentavelmente”, “imediatamente”, “absolutamente todos os esforços” em relação ao “ocorrido”, “todas as ações”, “todos os esforços”, “igualmente não medindo esforços”, “todo apoio”, “toda solidariedade”, “lamentamos profundamente” o “acontecido”.
Os mais desavisados poderão até ficar com dó do pobre coitado. Ainda mais após as declarações do governo mineiro de que a Samarco foi “vítima” do rompimento da barragem. E após jornalistas irresponsáveis replicarem notícias sobre “tremores de terra” que acontecem todos os dias. Muito embora a empresa já soubesse, desde 2013, que a barragem – como outras pelo país que ainda não desabaram – estava condenada. E que essa não tenha sido a primeira tragédia em Minas Gerais. São esses mesmos jornais que não se furtam a cobrir, de forma reverente, o que as empresas chamam de “sustentabilidade”, “responsabilidade social e ambiental”.
Alguém poderá argumentar que um jornal da grande imprensa, o Estadão, divulgou notícia sobre o laudo de 2013 que mostrava os problemas estruturais na barragem. Sim. Em 2015. Mas cabe lembrar que uma ou outra notícia isolada após uma tragédia está longe de caracterizar a cobertura crítica de um setor econômico. Se o tema não se mantém na manchete (passou longe disso, neste domingo, nos principais jornais do país), em artigos recorrentes, editoriais sistemáticos, não há o agendamento político efetivo – e sim o convite ao esquecimento. E à impunidade. (Quem vai fazer uma Operação Lava Lama?)

IMPRENSA DOS VENCEDORES

Essa mesma imprensa se esquece também de contar ao leitor que existe um choque entre modelos de apropriação do território e dos recursos naturais. O vídeo da TV Cultura sobre a comunidade destruída mostra – ainda que com uma abordagem que privilegia o exótico – um modo de vida bem diferente, onde as moradoras vão na casa das outras, plantam-se pimentas no quintal e se produz geleia, coletivamente, em uma associação. Uma lógica econômica muito diversa da predação extrativista – e esgotável – protagonizada pela Samarco, esse nome amorfo emprestado a dois expoentes do capitalismo mundial. Quem disse que há consenso?
Existem movimentos sociais específicos de atingidos pela mineração, ou atingidos pelas barragens. Até mesmo de atingidos pela Vale. Por que não se dá voz a essas pessoas? Se nem após os desastres isso acontece, o que se dirá do dia a dia?  Porque os cadernos e até revistas especializadas são de “negócios”, como se esses negócios pudessem pairar (numa sociedade democrática) acima dos interesses dos cidadãos. Por que os calam? Por que essa censura? Por que a destruição de uma comunidade inteira e de um ecossistema não comovem? Porque esse jornalismo é situacionista, economicamente situacionista. Torce para os vencedores.
Os mais eugenistas nem se constrangem em dizer que aquelas populações não deviam estar ali – deviam abrir alas para a distinta mineradora. Como se fosse um bem infinito para o país o esgotamento de seus recursos minerais. Não se questiona o modelo e nem suas conexões com outros temas: a falta d’água, o crescimento e a falta de infraestrutura das periferias urbanas, inchadas também pela expulsão das populações tradicionais. Faz-se tudo menos um jornalismo sistêmico, que consiga olhar para temas simultâneos, para tendências econômicas e para o clima, para a desigualdade e os riscos ambientais. Com nome aos bois (ou aos caranguejos), o nome dos beneficiários. Quem ganha com isso?

NATURALIZAÇÃO

De um modo geral o efeito obtido no caso de Mariana é o de naturalização de uma matança e de um crime ambiental histórico. Como não houve chuvas, inventa-se um terremoto. A morte horrível de moradores e a destruição de um povoado por uma empresa ganham, no máximo, uma cobertura similar à das tragédias em São Luís do Paraitinga ou Petrópolis (fruto também da especulação imobiliária), ignorando a cadeia de sócios, os interesses políticos em torno das mineradoras ou o risco estrutural que esse tipo de exploração impõe ao ambiente, aos trabalhadores e vizinhos, bola pra frente que em janeiro teremos “outras enchentes”. Como se fizesse parte do sistema ser soterrado por uma lama tóxica enquanto se planta alface.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/11/da-lama-a-ordem-mariana-e-o-jornalismo-que-nao-da-nome-aos-bois.html

Ação da PF joga areia no golpe de Temer

15.12.2015
Do BLOG DO MIRO
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:


O ex vice decorativo Michel Temer foi o único grande líder do PMDB a não ser atingido pela operação Catilinárias, da Polícia Federal. Mas seu “projeto de poder”, se é que podemos chamar assim, fica ferido de morte.

Henrique Alves, Celso Pansera e ex-ministros Lobão e Fernando Bezerra estão na mira, além de Fábio Cleto (ex-Caixa) e Sergio Machado (ex-Transpetro).

A estrela é Eduardo Cunha, o psicopata oficial da república, que há meses lançou uma bravata sobre a visita da PF. “Eu não sei o que eles querem comigo, mas a porta da minha casa está aberta”, disse. “Vão a hora que quiser. Eu acordo às 6h. Que não cheguem antes das 6h para não me acordar”.

Bem, eles foram, mas quem acha que um malandro safo como EC deixaria alguma coisa que o incriminasse ao alcance de qualquer um que não seja ele mesmo não conhece o homem.

Em Alagoas, onde o presidente do partido é Renan Calheiros, o ex-vice governador José Wanderley Neto também teve a casa vasculhada. São ao todo 53 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF para investigação da Lava Jato – na Câmara dos Deputados, na residência dos investigados, em sedes de empresas, escritórios de advocacia e outros órgãos públicos expedidos pelo STF.

A casa caiu para o peemedebista Temer e para quem vendia a ideia de que Temer era uma alternativa, digamos, decente ao PT. O inacreditável Gilmar Mendes, por exemplo, falou que ele será um ótimo presidente.

Não é alternativa de nada, nunca foi, ele sabe disso e a polícia o deixa agora com a brocha na mão, a mesma mão que escreveu a carta que passou para a história como um monumento ao ridículo.

O nome da operação é emprestado dos discursos de Cícero no senado romano contra Catilina, que planejava tomar o poder. O trecho mais famoso é aquele que diz o seguinte:

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?

Em português, os golpistas entraram pelo cano.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/12/acao-da-pf-joga-areia-no-golpe-de-temer.html

#NÃOVAITERGOLPE: Entenda por que é um golpe o processo de impeachment contra Dilma

14.12.2015
Do site da BANCADA DO PT, NO SENADO FEDERAL, 08.12.15

Não vai ter golpe
Uma mobilização nacional contra o processo de golpe à presidenta Dilma Rousseff vem ganhando corpo não apenas no meio político, mas também no jurídico. Isso porque a presidenta Dilma Rousseff não cometeu nenhum ato ilícito durante o mandato em vigor, conferido pelos brasileiros no dia 26 de outubro. 

Mas como provar que não houve crime com argumentos? Para auxiliar, veja abaixo uma relação de perguntas e respostas sobre o movimento golpista. 
Do que Dilma está sendo acusada?
O processo em andamento contra a presidenta traz uma série de denúncias, sem provas. Para aprová-lo, Cunha aceitou argumentos sobre atos do Executivo em 2015, que supostamente ferem a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o que é proibido. Um deles é a edição de seis decretos de Dilma que autorizam a ampliação de despesas de órgãos públicos, totalizando R$ 2,5 bilhões. Outro motivo são as chamadas “pedaladas fiscais”, ou seja, atrasos de repasses do Tesouro aos bancos. 
Por que os decretos serviram como base para o impeachment?
Os gastos extras do governo precisam ser previamente aprovados pelo Congresso Nacional. 
Qual o crime na edição desses decretos?
Nenhum. O Congresso Nacional aprovou, neste mês, o aumento de gastos do governo federal para este ano, com a previsão de déficit de cerca de R$ 120 bilhões nas contas públicas. O valor é mais do que suficiente para garantir os gastos extras autorizados pela presidenta Dilma Rousseff. 
E as “pedaladas fiscais”, por que foram aceitas como argumento?
Em outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao Congresso Nacional a rejeição das contas do governo federal em 2014 devido a esse atraso nos repasses aos bancos. Esses atrasos, no entendimento dos ministros do TCU, serviram como “empréstimos” – o que é proibido pela LRF – ao governo para pagar benefícios como o Bolsa Família, por exemplo. 
Há crime nas chamadas “pedaladas”?
Não. E há três fatos que sustentam isso:
1) O governo deve regularizar os repasses este ano aos bancos. Isso será possível porque o Congresso aumentou o limite de gastos do governo este ano. Desta forma, não há nenhuma medida que sustente um processo contra Dilma em relação à responsabilidade fiscal em 2015. Aliás, as contas deste ano ainda não foram analisadas nem pelo TCU e, obviamente, nem pelo Congresso.
2) O parecer do TCU é uma recomendação aos parlamentares, não uma decisão. Somente o Congresso pode julgar se aprova ou não as contas do governo federal. E, até o momento, o parecer ainda nem sequer foi apreciado por deputados e senadores.
3) Mesmo que o Congresso reprove as contas do governo, o parecer do TCU refere-se às contas de 2014, ou seja, relativas ao mandato anterior da presidenta Dilma (de 2011 a 2014). Segundo a Constituição, “o presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”.
Como a presidenta teve que passar por um novo processo eleitoral – ou seja, seu mandato não foi automaticamente renovado após quatro anos, qualquer acusação contra ela deve ter como base as ações dela à frente do Poder Executivo entre 2015 e 2018, período para o qual foi eleita. 

Leia mais:
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Fonte:http://www.ptnosenado.org.br/site/noticias/ultimas/item/48754-entenda-por-que-e-um-golpe-o-processo-de-impeachment-contra-dilma

Autor do impeachment de Dilma diz que Cunha fez “chantagem explícita”

15.12.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 03.12.15

O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef, afirmou que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez “chantagem explícita” até decidir pela autorização

Miguel Reale impeachment Cunha
O jurista Miguel Reale Júnior é um dos autores do pedido de impeachment aceito por Eduardo Cunha
O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Roussef que foi aceito nesta quarta-feira (2) pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou que o deputado “escreveu certo por linhas tortas”. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
“Não foi coincidência que Cunha tenha decidido acolher o impeachment no momento em que deputados do PT decidiram votar favoravelmente à sua cassação no Conselho de Ética. Foi uma chantagem explícita, mas Cunha escreveu certo por linhas tortas”, afirmou o jurista, segundo o jornal.
Reale Júnior assina o pedido de impeachment com os também juristas Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. De acordo com o Estadão, Bicudo, ex-petista histórico, afirmou que Eduardo Cunha “não fez nada mais que sua obrigação”.
No pedido de impeachment, Reale Júnior, Bicudo e Janaína citam o escândalo de corrupção na Petrobras; a compra, pela empresa, da refinaria de Pasadena, e as pedaladas fiscais entre os motivos para o afastamento da presidente.
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/12/autor-do-impeachment-de-dilma-diz-que-cunha-fez-chantagem-explicita.html

Conselho decide enforcar Cunha

15.12.2015
Do blog CONVERSA AFIADA, 
Por  Paulo Henrique Amorim

Relator brizolista foi decisivo
jogos vorazes
Do amigo navegante Valdir Dantas no Facebook do C Af
Saiu no G1:

Deputado é acusado de manter contas secretas e mentir à CPI; ele nega. PF cumpriu mandados de busca na residência oficial de Cunha e na Câmara

 O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (15), or 11 votos a 9, o parecer preliminar do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) pela continuidade das investigações sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O processo poderá resultar em punição que varia desde censura até a cassação do mandato do peemedebista.

Alvo da Lava Jato, Cunha é acusado de manter contas secretas no exterior e de ter mentido sobre a existência delas em depoimento à CPI da Petrobras, em março. A votação aconteceu horas após uma operação da Polícia Federal que fez buscas e apreensões na residência oficial de Cunha em Brasília e na sua casa no Rio de Janeiro.

(...)

Antes, o Conversa Afiada tinha publicado:


Relator do PDT manda enforcar Cunha


A transparência tem que valer até para votar o impeachment!

O jovem e brilhante deputado Marcos Rogério (PDT-RO) mandou prosseguir com a investigação contra aquele que manda no Temer.

Ele se baseou nesses raciocínios:

- a rejeição do processo contra Cunha só poderia ocorrer se não houvesse como proceder à instalação do processo;

- ou que houvesse convicção segura de ausência de justa causa;

- em dúvida, nesses casos, a decisão tem que ser em favor da sociedade;

- não há como desprezar as provas contra Cunha;

- ao aceitar o prosseguimento do processo, o Cunha poderá se defender;

- as condutas imputadas ao (suposto) patrão do Temer são gravíssimas;

- instituições tem que se pautar pela absoluta transparência;

- em todos os âmbitos - inclusive na forma de votar o impeachment - a transparência tem que prevalecer!

Dilma, leva ele para o Ministério do terceiro mandato
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/politica/relator-do-pdt-manda-enforcar-cunha

“Ponte para o abismo” do Impeachment

15.12.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO
Por  Ana Luíza Matos de Oliveira, Pragmatismo Político
Dilma impeachment Michel Temer
Para além das inconsistências jurídicas (“‘Pedalada fiscal é desculpa’, diz autor de pedido de impeachment de Collor”) e do risco à democracia (“Nota: ABCP expressa preocupação e perplexidade com a aceitação do pedido de impeachment do mandato de Dilma Rousseff”), outro motivo deveria motivar as brasileiras e brasileiros a não apoiar o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.
Esse motivo foi divulgado há cerca de um mês, pelo próprio PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer e que poderia vir a assumir a presidência: o motivo é o documento “Ponte para o futuro”. No documento, são expostas propostas de políticas a serem aplicadas pelo partido, talvez motivados por dar uma resposta a outro conjunto – bem diverso – de propostas elencadas no documento “Por um Brasil justo e democrático”, lançado em agosto de 2015 por Brasil Debate, Centro Internacional Celso Furtado de Políticas Para o Desenvolvimento, Fundação Perseu Abramo, Fórum 21, Le Monde Diplomatique Brasil, Plataforma Política Social e Rede Desenvolvimentista.
Mas o documento “Ponte para o futuro” não foi escrito para que as cidadãs e cidadãos comuns do Brasil conheçamos as propostas do partido, mas sim para marcar o compromisso da legenda, caso passe a comandar o executivo, com certos interesses econômicos poderosos no país e no exterior.
Ponte para o futuro” começa por apontar as estratégias para a questão fiscal, que parece ser a prioridade inquestionável. Para isso, seria necessário “reconstituirmos o Estado brasileiro” a fim de colocar em prática uma política de “ajuste de caráter permanente”. O diagnóstico do documento é de que “o Governo Federal cometeu excessos, seja criando novos programas, seja ampliando os antigos, ou mesmo admitindo novos servidores ou assumindo investimentos acima da capacidade fiscal do Estado”. Afirma ainda que “algo muito errado está acontecendo com o nosso país nestes últimos anos”, ainda que o próprio PMDB tenha tido papel chave no Governo Federal. O documento é parcial ao não apontar as melhorias dos índices sociais ocorridas até 2014 no país, muito em decorrência das políticas públicas adotadas a nível nacional e do dinamismo do mercado de trabalho.
O documento em questão condena a criação de despesas obrigatórias, o “que tornou impossíveis ações de ajuste” e propõe, para atingir o equilíbrio das contas públicas, “devolver ao orçamento anual a sua autonomia”, acabando com as vinculações constitucionais e dando poder a que o parlamento eleja prioridades: ipsis literis, o documento propõe que “é necessário em primeiro lugar acabar com as vinculações constitucionais estabelecidas, como no caso dos gastos com saúde e com educação”. Assim, a proposta representa a possibilidade de redução dos já insuficientes gastos em tais áreas.
Ponte para o futuro” segue condenando o crescimento das despesas públicas primárias a partir da Constituição de 1988, que correspondem, por exemplo, a despesas com direitos sociais. O documento continua questionando a Constituição e a legislação brasileira, ignorando a luta de um dos fundadores do próprio PMDB pela chamada “Constituição Cidadã”, Ulysses Guimarães. Aliás, o documento tem o selo da Fundação Ulysses Guimarães.
Ainda, o documento parece ignorar a importância social do sistema de previdência social brasileiro e propõe uma reforma na previdência para a redução dos custos – elevados em especial para o setor privado, segundo o documento -, além de defender o Fator Previdenciário. Ignora ainda o papel crucial da política de valorização do salário mínimo na redução da desigualdade de renda no país, tratando da mesma somente para questionar o uso de mecanismos de indexação pelo salário mínimo, como é o caso dos benefícios sociais, que geram “graves distorções”.
Quanto à questão dos juros, o documento justifica que estejam altos agora porque “a inflação está muito acima da meta de 4,5% e ameaça sair de controle”, no entanto os juros altos no Brasil não vêm do período recente, mas são um problema histórico e que é um entrave para o crédito e o setor produtivo no Brasil. O documento, no entanto, justifica que os juros aqui são altos por um motivo fiscal (voltando à prioridade do documento): “o Brasil nunca exibiu uma garantia sólida de equilíbrio fiscal de longo prazo e os juros altos talvez sejam o preço que pagamos por isso”. Mas não trata dos interesses dos que ganham com a altíssima taxa de juros praticada no Brasil. Novamente, a questão fiscal (através das propostas de “reforma do orçamento, adaptação da previdência às mudanças demográficas e um esforço integrado de redução dos custos da dívida pública”) é tida como a chave para a queda dos juros, crescimento econômico etc.
Ficam de lado assim os objetivos sociais e o enfrentamento dos problemas históricos do país, como a alta informalidade e rotatividade do mercado de trabalho, as desigualdades no acesso à educação e saúde, a desigualdade tributária que penaliza os mais pobres, a violência contra a juventude negra, o problema da moradia e do saneamento básico, a mobilidade urbana, entre diversos outros fatores. Aliás, não ficam de lado, mas são usados como moeda de troca a fim de atingir o “equilíbrio fiscal”. Preservando quais interesses? Em detrimento de quantos milhões de brasileiros que sofrem com esses problemas históricos?
Que não permitamos que o ano que começou com o ajuste fiscal – e que transformou um problema fiscal em uma crise econômica e social – não termine com a “Ponte para o abismo” do PMDB, com o agravamento da nunca resolvida questão social brasileira.
Ana Luíza Matos de Oliveira é Economista, Doutoranda em Desenvolvimento Econômico e Consultora e colaborou para Pragmatismo Político
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/12/a-ponte-para-o-abismo-do-impeachment.html