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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O verdadeiro monstro da primeira página dos jornais

08.12.2015
Do portal da Agência Carta Maior
Por Léa Maria Aarão Reis*

É impressionante como um dos grandes filmes políticos italianos, produzido em 1972, pode muito bem explicar como funciona a mídia brasileira de hoje.

reprodução
Há pouco menos de meio século o cineasta italiano Marco Bellochio já dava uma aula cinematográfica incisiva, no seu filme Sbatti il mostro in prima pagina, de 1972, sobre o conluio criminoso e corrosivo criado, em tempos de crise e de decisões democráticas formais (época de eleições, por exemplo) pelos principais poderes reais que afinal regem a vida cotidiana, a sobrevivência dos cidadãos e a política: os grandes grupos econômicos, locais - hoje, também os globalizados -, a magistratura e a mídia corporativa.
 
Bellochio é autor de outra produção de grande repercussão no mundo inteiro, na sua época, e foi exibido no Brasil com alarde, dez anos antes, em 62, intitulado Pugni in Tasca. É um dos cem filmes italianos escolhidos para serem preservados pela Cinemateca de Bolonha, da qual ele é o presidente, e que antecipa os grandes movimentos dos estudantes, em 68. Este Sbatti il  mostro  teria, em tradução livre, o título de ...o monstro na primeira página. É um espécime exemplar e corajoso do vigoroso cinema político italiano da época, um cinema direto até hoje incomparável, e ao qual se pode assistir na internet.
 
A produção é estrelada pelo brilhante ator Gian Maria Volonté vivendo o editor-chefe carreirista e manipulador de um poderoso jornal de Milão. Um cão de guarda, chien de garde conforme a feliz expressão cunhada pelos franceses, a propósito dos jornalistas que se transformam em meros porta-vozes dos interesses dos patrões.
 
Ela é marcante na sua semelhança com o difícil momento que o Brasil vive hoje, iniciado com a vitória do Partido dos Trabalhadores, pela quarta vez reeleito, há um ano, e com a campanha deflagrada pelo segundo lugar, para enfraquecê-lo, a qualquer custo, pelo conjunto dos poderes reais regentes inconformados com a derrota nas urnas: poder econômico, policial autoritário, poder midiático e magistratura – a política a reboque.
 
Aprende-se no filme, com toda clareza, como se procede à manipulação escandalosa da informação nos desdobramentos de eventos locais. As famosas suítes jornalísticas produzidas, quando se deseja, para induzir leitores e eleitores a determinadas reações e conduzi-los a posições políticas convenientes e coniventes com os tais interesses antes obscuros, hoje cada vez mais escancarados.
 
O filme é didático, segura um ritmo empolgante, e mistura a narrativa ficcional com sequências de documentários filmados nas ruas da Itália, nos anos 70, nas campanhas apaixonadas da coligação das esquerdas contra grupos fascistas, liberais e monarquistas que procuravam chegar ao poder.
 
A história é esta:  Rizanti é o editor-chefe-cão-de-guarda, fascista falsamente elegante, irônico, sempre vestido num paletó jaquetão/símbolo do novo rico. Dirige o dia-a-dia do Il Giornale (nome de um jornal milanês criado anos depois da estreia do filme), e decide explorar, politicamente, por determinação do engenheiro Morelli, financista que lidera grupos industriais de extrema direita, um fait divers policial – o assassinato com conotações sexuais (um fato verídico; crime que na realidade existiu), de uma garota estudante, filha da alta burguesia, Milena Sutter, ocorrido na mesma época das manifestações políticas. A vítima escolhida é um dos jovens líderes das passeatas. Preso, ele acaba vítima de uma campanha para desqualificar as esquerdas na qual é apresentado, durante semanas seguidas, na primeira página do jornal de Rizanti, como o monstro estuprador da menina. A campanha tem seu efeito e o rapaz é condenado nessa primeira página pela opinião pública. Uma condenação moral do monstro militante que vai desacreditar a candidatura das forças populares.
 
Mas o jovem repórter Roveda, o encarregado de produzir as suítes do caso, a certa altura de suas investigações, avisa Bizanti que o verdadeiro assassino é o zelador da escola da garota. Nada a ver com o líder militante. O jornalista e o financista, no entanto, decidem continuar a farsa até, pelo menos, o resultado das eleições, que estão próximas. Decidem manter o segredo sobre o assunto e depois ver o que fazer com o ‘monstro’ oficial, detido.  


Há diálogos primorosos em Sbatti il mostro. Rizanti dizendo alegremente, por exemplo, nas reuniões de pauta com os editores:  ”Os protagonistas do estado de direito, afinal,  são a justiça, a magistratura, a mídia, a polícia. Os trabalhadores estão fora deste jogo. ” Ou, irritado, para a sua mulher, leitora e telespectadora contumaz: ”Quando as pessoas vão entender a diferença entre aquilo que se pensa e aquilo que se diz ?” E com ironia cínica :” Milão é a capital moral do país.”
 
E a sua mais importante tirada, na discussão com o repórter que procura convencê-lo a parar com a farsa do ‘monstro de esquerda’. Do alto da onipotência devastadora (ela poderia ser colocada na boca de qualquer personagem jornalístico, vendido, atual): “Nós, jornalistas, não somos mais observadores; somos protagonistas; entenda que hoje a luta de classes é uma guerra. Entenda também que as pessoas leem o jornal como se ele fosse o evangelho...”
 
Tristes trópicos, melancólicos tempos para uma profissão e para um país em que um filme como este, de Bellochio, cai como um manto em nós. O seu recado é este: o verdadeiro monstro é Rizanti. Imperturbável monstro agindo nas capas de revistas, nas primeiras páginas e nas chamadas e escaladas, nos telejornais, e produzindo-as, diariamente, sob a máscara de ‘normalidade’. É urgente, assistir este filme. Público e estudantes de comunicação.

*Jornalista


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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Cultura/O-verdadeiro-monstro-da-primeira-pagina-dos-jornais/39/35127

Jean Wyllys: A destinatária da carta do Temer nunca foi a Dilma, mas a redação dos jornais

08.12.2015
Do blog VI O MUNDO
temer e dilma
Foto: Ed Ferreira / Estadão Conteúdo
O golpe da carta (temos algo a Temer?)
A carta que “vazou” para a imprensa teria sido escrita, supostamente, do vice-presidente Michel Temer para a presidenta Dilma Rousseff, um documento “confidencial e pessoal”. Mas, vejam só, macacos velhos na comunicação nunca viram uma carta pessoal feita para ser manchete se o objetivo não fosse esse.
A carta não tem nada de pessoal e confidencial; muito pelo contrário, é “bombástica” no estilo, conteúdo e formato, exatamente como aquelas em geral abertas para a imprensa.
Leiam e percebam a construção do texto, claramente feita para exposição e consumo midiático. A destinatária da carta nunca foi a Dilma, mas a redação dos jornais! O nome disso é cinismo!
O vice-presidente, um velho operador político do PMDB que estes anos todos foi muito bem pago pelo poder público para atuar como garantia da coligação desse partido com o PT (coligação cujo custo o PT está pagando), acha que ninguém vai perceber que, se o problema dele fosse a “desconfiança” da chefe Dilma com relação a ele e ao PMDB, seu partido, ele deveria ter enviado essa carta há uns bons anos, né não?
Ela está chegando muito atrasada porque tem, na verdade, outro objetivo: deixar bem claro que Temer está disposto a assumir a Presidência.
É uma mensagem para a bancada do PMDB no Congresso, para a oposição de direita que poderia compor um governo de transição com ele, para os jornais, para os mercados e, talvez, para o próprio PT, que entenderá que o preço para evitar tudo isso será caro, muito mais caro ainda do que foi, até agora, a “lealdade” dos seus supostos aliados.
Percebam que Temer “corta na carne” e cita negativamente Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara, que se aproximou do governo do PT e se coloca cada vez mais frontalmente contra Eduardo Cunha (PMDB), desde que o presidente da Câmara tentou cortar suas asas no seu reinado.
A luta interna do PMDB — desesperados brigando pelo queijo — está afundando o Brasil!
O jornal O Globo, insuspeito de governismo, admitiu pela boca de Waack que o governo está “destruindo o que há de base jurídica para o impeachment”.
Mas a questão não é essa: esse impeachment não tem a ver com as pedaladas fiscais (e muito menos com os verdadeiros defeitos desse governo, que provocaram sua perda de popularidade); não é isso que o motiva, mas apenas uma luta pelo poder protagonizada por uma facção política que despreza a democracia, liderada por um bandido com contas na Suíça.
Em entrevista nessa segunda-feira, Cunha disse que o Brasil passa por um problema grave e relacionou isso com o fato de que há “crises internas nos partidos”.
Essas crises internas (a luta descontrolada pelo poder que ele, Temer e outros protagonizam) estão passando por cima das instituições, da Constituição e das regras de jogo democráticas.
Será que, depois de chantagear o governo do PT para evitar sua cassação no Conselho de Ética da Câmara, ele resolveu chantagear os próprios parlamentares do PMDB que estão se dividindo quanto à ideia de emplacar um impeachment a qualquer custo? (leia-se: um golpe branco, pressionado pelo poder das grandes corporações e do grande capital).
O cenário político inspira estado de alerta para movimentos sociais, ONGs, associações políticas, sindicais e para a população em geral.
Precisamos ficar atentos à manutenção inegociável das instituições democráticas.
Não se trata de defender o governo Dilma, que é indefensável por muitos motivos.
Trata-se de defender a democracia e de impedir que a quadrilha que já tomou o parlamento, impondo uma agenda conservadora e fascista de retrocesso civilizatório e perda de direitos, tome totalmente o poder institucional e nos afunde num período sombrio e perigoso no qual todas as liberdades e todas as conquistas sociais do Brasil pós-ditadura podem estar em perigo.
Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/jean-wyllys-a-destinataria-da-carta-do-temer-nunca-foi-a-dilma-mas-a-redacao-dos-jornais.html

Canalhice e corrupção no Golpe Cunhaguaio

08.12.2015
Do BLOG DO MIRO

Por Marcelo Zero, no site Brasil Debate:

A tentativa de golpe iniciada por Cunha é de tal forma cínica, hipócrita, suja e inconsistente que precisa de um neologismo: cunhaguaio. Uma mistura, em doses iguais e cavalares, de canalhice e corrupção com inconsistência jurídica e atitude antidemocrática.

Cunha acusar Dilma é, como já se disse alhures, um sujeito acusado de tudo acusar uma presidente acusada de nada. É como se o Estado Islâmico acusasse o Dalai Lama de terrorismo. É como se Hitler acusasse Roosevelt de genocídio. É como se Judas acusasse Jesus Cristo de traição. É uma total e surreal inversão de valores.

Max Horkheimer, um dos melhores pensadores da mal chamada Escola de Frankfurt, dizia que o nazismo é a “verdade” do capitalismo, no sentido de que aquele movimento político desnudava as entranhas do sistema capitalista. Nesse mesmo sentido, Cunha é a “verdade” da nossa oposição ou de parte expressiva dela: golpista, irresponsável, antidemocrática, hipócrita e corrupta. Simbiose caricata de Carlos Lacerda com Adhemar de Barros. Entranhas malcheirosas.

A manobra chantagista de Cunha desnudou as intenções dos golpistas. Caíram as máscaras. Ninguém ali está pensando em combater a corrupção. Ninguém ali está preocupado com o Brasil. Muito menos com seu povo. Todos, como Cunha, estão ali por uma única razão: proteger seus interesses rasos e mesquinhos.

Querem simplesmente voltar ao poder a qualquer custo. Ao custo do voto popular. A expensas da democracia. Ao custo da decência. Ao custo até das aparências.

Sonham com ganhos que obterão quando privatizarem o pré-sal e a Petrobras. Salivam imaginando os lucros com futuras vendas de bancos públicos. Deleitam-se especulando sobre as taxas de lucro majoradas com quedas de salário e aumento do desemprego que promoveriam com seus ajustes draconianos e definitivos.

Fantasiam seu mundo ideal: um Brasil submisso, desigual, reacionário, autoritário, impune e pequeno. Pequeno como eles. Rasteiro como eles.

Um Brasil que dê mais lucro para uns poucos e permita mais negociatas para os privilegiados.

Um Brasil de impunidade, de engavetadores, com era antes de Dilma.

Um Brasil que feche escolas. Um Brasil que bata em estudantes. Um Brasil que coloque trabalhadores e negros em seu devido lugar. Com balas e porretes.

Um Brasil homofóbico e racista. Um país que sacrifique até gastos constitucionais com Educação e Saúde, em nome da austeridade suicida que elevará as taxas de lucro.

Um Brasil sem Bolsa Família e sem salário mínimo. Um país sem proteção trabalhista. Um Brasil sem regras e políticas que protejam os mais fracos. Um Brasil sem controle sobre os que despejam sua sujeira em nossas instituições e em nossos rios. Um país de Marianas anunciadas. Um Brasil de Doces amargos e contaminados.

Um Brasil sem pudor de ser desigual, excludente, preconceituoso e autoritário. Como era, antes de Lula e Dilma.

Um Brasil sem-vergonha. Um Brasil dos sem-vergonha para os sem-vergonha.

Um Brasil de Cunhas.

* Publicado originalmente no site Brasil-247.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/12/canalhice-e-corrupcao-no-golpe.html

TEMER, O RANÇO DE UM TRAIDOR

08.12.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

latim
O vice-presidente Michel Temer escreveu à Presidenta Dilma Rousseff uma carta que foi publicada pelo Blog do Moreno, em O Globo.
Ela se inicia com uma frase em latim: “verba volant, scripta manent” – algo como “as palavras se esvaem, o escrito permanece”.
A cítara latina, porém, deriva de outra: “verba volant, exempla trahunt”.
As palavras se esvaem, os exemplos arrastam.
É mais ou menos o que o nosso povo pensa, ao dizer que é na hora da necessidade que se vê quem é amigo, mesmo. Se prefere em latim, ” Amicum certum in re incerta cerni”.
Li seu rosário de queixas, e é mesmo provável que possa ter razão em várias delas.
Dilma não é propriamente uma mulher “macia”, muito menos dada a rapapés e rasgações de seda.
Mas não estamos diante de uma discussão de divã, não é, Dr. Temer?
Estamos diante de uma acusação criminal e, pior, diante de uma acusação criminal que vai ser resolvida politicamente, na Câmara e, se chegar lá, no Senado.
E de uma ameaça à ordem democrática e ao respeito ao resultado eleitoral, do qual o senhor é beneficiário.
O que importa aqui é o que cada um faz, na prática, diante dela.
É inevitável que se pergunte, sendo o senhor o ex-professor de Direito que é, qual o julgamento moral sobre alguém que, apenas por não gostar do comportamento pessoal e até de uma eventual falta de delicadeza política, se dispõe a deixar que alguém seja condenado por uma acusação que sabe inverídica, apenas por suas mágoas e ressentimentos?
O senhor fala “nos seus”: Moreira Franco e Eliseu Padilha.
Abstraia-se o fato de serem dois políticos sem voto e que, no governo Fernando Henrique Cardoso, também era com os dois que o senhor se ocupava.
Nenhuma palavra sobre a atitude mesquinha e chantagista de Eduardo Cunha, que está diante dos olhos de todo o país como uma chantagem e uma vingança sórdida.
O senhor se cala.
E quem cala, consente. Qui tacet, consentire videtur, como gosta seu latim.
Ainda a velha língua tem mais: “Agentes et consentientes pari poena puniuntur”, quem faz e quem consente, o mesmo castigo merecem.
Desde o processo que levou este facínora à presidência da Câmara, o senhor calou-se.
Aliás, mais que isso, o senhor o apoiou expressamente, em nome da mesma “unidade do PMDB” que agora invoca.
Embora “unidade do PMDB” já seja, em si, uma licença de má poesia, aceite-se.
Basta um cartesiano raciocínio para verificar-se que, se Cunha era “a unidade do PMDB” e não era o seu candidato, isso significa que sua opinião não unifica o PMDB.
Que dirá o país, como o senhor, vaidosamente, oferece-se a fazer.
E se era seu candidato, poupe-se todo este latim que o senhor tanto aprecia.
Cada palavra em sua carta, Dr. Temer, revela rancor e pequenez. E mais: sua adesão ao golpismo.
Voluntas pro facto reputatur, Dr. Temer,  intenção faz a ação.
Em seu comportamento, sobram o latim e a pose, apenas.
Falta o caráter.
Porque, senhor Vice-Presidente, veritatis simplex oratio: a verdade dispensa enfeites.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/resposta-ao-latim-de-temer/

Porta-voz de juristas anti golpe desdenha carta de Temer e confia no STF

08.12.2015
Do portal BRASIL247
Por EDUARDO GUIMARÃES

: Conforme esta página antecipou no domingo (6), na segunda-feira (7) Dilma recebeu no Palácio do Planalto 30 juristas contrários ao processo de impeachment aberto na Câmara dos Deputados.

Intitulado “Juristas em Defesa da Democracia”, o grupo apresentou pareceres contrários ao processo supracitado.

Ao fim do encontro, o jurista Luiz Moreira, doutor em Direito pela UFMG, professor da PUC Rio e ex Conselheiro Nacional do Ministério Público atuou como porta-voz do grupo em entrevista coletiva.

Confira, abaixo, trecho da entrevista.


No mesmo dia, após o evento, o vice-presidente da República, Michel Temer, divulgou carta atacando a presidente da República, com o óbvio intuito de enfraquecê-la politicamente.

Este Blog considera exagerada a fulanização do processo golpista através da figura previsivelmente conspiradora do vice-presidente e considera que esse embate político no qual Temer tomou partido tem menos importância do que o aspecto jurídico do processo, pois a tendência é a de que venha a naufragar quando sua legalidade vier a ser julgada.

Desse modo, o Blog oferece entrevista que lhe concedeu o porta-voz dos juristas em questão, que emula a quase unanimidade da comunidade jurídica em relação à legalidade do processo desencadeado pelo já ilegítimo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Confira, abaixo, a entrevista

***

Blog da Cidadania – Primeiramente, quero perguntar como você percebeu o estado de espírito da presidente.

Luiz Moreira – Ela tem consciência de que não cometeu nenhuma ilicitude, ela tem consciência, também, de que a manutenção dos programas sociais e o esforço que o governo faz para manter a economia girando são o que está por trás do processo contra si.

Blog da Cidadania – Em poucas palavras, qual foi a natureza do encontro que você e mais 29 colegas seus tiveram com a presidente?

Luiz Moreira – Os juristas foram dar substrato ao necessário esvaziamento do processo de impeachment.

Blog da Cidadania – Você sentiu a presidente abalada por esse processo?

Luiz Moreira – A presidente está muito bem, psicologicamente. Para ser sincero, acho que a presidente da República nunca esteve tão bem. Em minha opinião, ela cresce em momentos de tensão.

Dilma demonstra que entende que a permanência dela no cargo representa a manutenção da ordem constitucional do Brasil e é por isso que ela luta, mais pela manutenção da democracia do que por seu mandato.

A presidente também demonstra acreditar que esse caos que está sendo elaborado está sendo gestado pelas instituições às quais caberia estabilizar a República e acho que ela sairá fortalecida desse processo.

A derrota que tal processo deverá sofrer representará a convalidação do mandato presidencial que ela obteve nas urnas. Ela terá o terreno livre para governar os brasileiros.

Blog da Cidadania – Foi dito por aí que a iniciativa de reunir esse corpo jurídico no Palácio do Planalto visaria mais influir na percepção dos deputados que analisarão o impeachment do que na Justiça em si, que, eventualmente, pode vir a ser chamada para tomar uma decisão sobre o processo. Vocês, juristas, estão questionando a higidez desse processo.

Pergunto: acreditam que os deputados vão considerar esses pareceres que deram? E, dois, vocês acreditam que se esse processo for analisado pela Justiça ela irá considerá-lo como vocês?

Luiz Moreira – O Congresso irá deliberar sobre medida acolhida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O início desse processo de impeachment terá dois desdobramentos. Primeiro, a Câmara terá que decidir se recebe ou não o despacho de seu presidente.

Embora o impeachment seja um processo político, o que será analisado pela comissão que esta sendo formada naquela Casa é se há materialidade jurídica para que a Câmara dos Deputados receba o processo de impeachment. Ou seja: houve crime de responsabildiade?

O que os juristas demonstramos – e a comunidade jurídica brasileira é absolutamente consciente disso – é que não há crime de responsabilidade. A comunidade jurídica brasileira entende que não há qualquer “justa causa” – esse é o termo jurídico – a fundamentar o processo de impeachment.

O que é que os juristas faremos? Tentaremos elaborar documentos que reflitam os pareceres de modo que os deputados possam, com base nesses fundamentos jurídicos, arquivar, já na Câmara, na Comissão Especial que analisará o mérito do pedido de impeachment, essa tentativa de golpe parlamentar.

Blog da Cidadania – A mídia tem insistido que esse processo é político e que, portanto, dispensaria fundamentos jurídicos. Por absurdo que possa ser, sabe-se que a realidade no Congresso é outra.Os deputados têm a prerrogativa de ignorar essa visão da comunidade jurídica.

Pergunto: na hipótese de que o Congresso não se paute pela Lei, mas pelos seus interesses e visões políticos, que possibilidade você vê de o Judiciário atuar como defensor da Constituição nesse processo? Pode sustá-lo?

Luiz Moreira – Se o processo constitucional for violado – e ele já o foi pelo presidente da Câmara quando ela aceitou o pedido de impeachment -, o STF deverá sustar o processo pela falta de “justa causa”. Aliás, já deveria tê-lo feito. Porém, o Supremo foi dotado, pela Constituição, de todas as prerrogativas para fazer o que deve ser feito.

Blog da Cidadania – Mas isso não aconteceria por moto próprio do Supremo.

Luiz Moreira – O procurador-geral da República pode interferir, alguns dos deputados que analisarão o processo poderão recorrer ao Supremo e mesmo a Presidência da República pode solicitar que a Corte corrija as ilegalidades.

Blog da Cidadania – Apesar da ilegitimidade de Eduardo Cunha para ter aceito esse processo e, mais do que isso, para conduzi-lo – por tudo que já se sabe sobre ele -, o que se diz, por aí, é que o fato de o presidente da Câmara ter todos esses problemas, não se mistura isso com o que está sendo imputado à presidente. Então suponhamos que a Procuradoria, por exemplo, afaste Cunha. Ainda assim, o processo contra Dilma prosseguiria. Nesse caso, o Supremo Tribunal Federal pode sustar esse processo por falta da “justa causa”, pura e simplesmente?

Luiz Moreira – Esse argumento que tentam construir de que o recebimento do impeachment foi simplesmente um ato técnico esbarra nos vícios inerentes a quem o desencadeou. Além disso, o pedido de impeachment deriva das tais “pedaladas fiscais”, o que foi sobejamente demonstrado pelos diversos pareceres entregues à presidente da República que constituíram apenas, Eduardo, mero atraso das verbas para financiamento de programas sociais.

O que está em questão, é o seguinte: a presidente da República deveria ter atrasado o pagamento do Bolsa Família, por exemplo? O fenômeno das “pedaladas fiscais” nunca significou desvio de dinheiro público, significou que o governo federal atrasou o repasse aos bancos que pagam benefícios sociais. Ora, cinco, seis dias depois de a Caixa Econômica Federal ter adiantado os recursos, o governo fez os pagamentos devidos.

Eu acredito que o Supremo está aguardando atitude da Procuradora Geral da República contra Eduardo Cunha, de afastá-lo, para tomar uma atitude relativa ao processo de impeachment, desencadeado de forma ilegal.

Blog da Cidadania – Qual é sua visão sobre a carta emitida e divulgada na segunda-feira pelo vice-presidente, Michel Temer? Que consequência você acha que essa carta pode ter no processo político em curso?

Luiz Moreira – Entendo a carta apenas como uma manifestação pessoal. Não tem nenhum caráter institucional. É uma queixa, nada mais. Deixemos a carta apenas como uma queixa pública de uma autoridade da República que a sociedade não pode perder um minuto para apreciar. É apenas manifestação de alguém carente de atenção. Não tem peso no processo.

Fofoca, malquerença, fragilidade, incapacidades pessoais não podem contribuir para a instabilidade jurídico-política. A sociedade espera que instabilidades emocionais como a de Michel Temer não contribuam para inflar a crise econômica e política em detrimento dos interesses de todos.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/colunistas/eduardoguimaraes/208646/Porta-voz-de-juristas-anti-golpe-desdenha-carta-de-Temer-e-confia-no-STF.htm

Cunha & Delcídio: de novo, dois tratamentos

08.12.2015
Do portal BRASIL247
Por Paulo Moreira Leite

:

      A disposição do PGR Rodrigo Janot em apresentar denúncia contra Delcídio do Amaral no Supremo Tribunal Federal leva a uma pergunta obrigatória: e Eduardo Cunha?

      Os jornais já trazem, hoje, que o senador -- preso no exercício do mandato, numa decisão vetada pela Constituição -- pode ser condenado a uma pena superior a quatro anos de prisão.

      Vamos combinar. Quem acusa Delcídio de fazer um plano para obstruir a Justiça, a partir de um episódio que ainda precisa ser investigado e esclarecido, não pode ficar de braços cruzados diante da reação de Eduardo Cunha decisão do Partido dos Trabalhadores em exigir que responda no Conselho de Ética pelas contas na Suíça. 

      Não há como negar que o presidente da Câmara tornou-se um perigo público para a democracia e que sua forma de “ obstruir a Justiça” é muito mais grave do que uma promessa de mesada de R$ 50 000 para a família de um corrupto confesso como Nestor Cerveró, certo? Fuga para o Paraguai? Viagem de Falcon? 

      Se a acusação contra Delcídio se baseia numa gravação, sempre complicada, cujas circunstâncias ainda não foram totalmente esclarecidas, nem todas as dúvidas foram sanadas, a ação de Cunha fala por si.

      Seu caso foi investigado em profundidade pelo ministério público, do Brasil e da Suíça. As conexões e ilegalidades estão estabelecidas. Várias testemunhas explicam a origem do dinheiro, contam casos, dão detalhes. Os fatos são coerentes. As contas secretas foram rastreadas e não há dúvida sobre sua origem. 

      Lembrando que a mais frequente das razões para se pedir a prisão preventiva de um cidadão é a ameaça a ordem pública, ninguém seria capaz de negar o alto nível de periculosidade assumido pelas ações de Eduardo Cunha. Você pode achar, erradamente em minha opinião, que há algum fundamento para se investigar a presidente.

      Mas nenhuma pessoa pode negar que Eduardo Cunha só entrou em ação contra Dilma quando se tornou claro que esta era uma forma de tumultuar o exame de seu caso no Conselho de Ética. Ao fazer isso – mesmo que pudesse ter razão, o que não é o caso – ele está impedindo a Câmara e a Justiça de encontrar mais provas contra ele.

      O plano é confundir, adiar, atrasar, adiar de novo, de novo, de novo...para ver se alguma coisa muda na paisagem política. Será impossível pensar numa recompensa por serviços prestados pela manobra contra a presidente?

      Delcídio foi preso e encarcerado. Até hoje, não foi ouvido por seus pares, questão que tem incomodado o senador João Alberto, presidente da Comissão de Ética do Senado, que já demonstrou interesse em convocar Delcídio para prestar depoimento quando seu caso for discutido. " Eu votei contra a prisão porque acho que ele tem o direito de defesa," diz João Alberto, um senador maranhense orgulhoso pela disposição em dizer o que pensa.

       "Já perdi votação em que eu era o único voto contra todos no plenário. Não me importei. No fim, um colega me abraçou e disse que eu tinha uma coragem que ele não teve."

     João Alberto acha, por exemplo, que há pontos a favor de Delcídio. Um deles envolve a questão que muitos apontam como a mais grave da conversa gravada. . João Alberto recorda que, enquanto o senador disse que seria capaz de encontrar ministros do Supremo e convencê-los a dar um habeas corpus a Cerveró, os próprios juízes mencionados negaram peremptoriamente que essa conversa tenha ocorrido. "Essa negativa é boa para a defesa," diz João Alberto. " Mostra que o Delcídio não estava falando a verdade quando sugeriu que poderia ter influencia sobre o Supremo."

    Enquanto Delcídio cumpre um silêncio forçado, Cunha faz o que quer, diz o que quer, quando quer. Não acho que deva ser preso.

    Só questiono por que as injustiças -- como uma prisão que não atende requisitos constitucionais -- sempre ocorrem contra um lado só. 
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/208522/Cunha--Delc%C3%ADdio-de-novo-dois-tratamentos.htm

O impeachment e a divisão da oposição

08.12.2015
Do BLOG DO MIRO
Por Mauro Santayana, em seu blog:

Quando ainda se fazia política no país, antes do vale tudo em que se transformou a luta pelo poder nesta nação, havia um velho homem público mineiro que, no rastro de Salomão, gostava de dizer que a política é como as estações do ano.

Há o tempo de semear e o tempo de ceifar.

O tempo de colher e o tempo de moer.

O tempo de misturar e bater a massa.

E o de acender o forno para assar e comer o que se preparou.

O bom da democracia, é que, a não ser que ocorram tragédias de grandes proporções, ela, como o clima, oferece um calendário próprio, que pode servir de parâmetro, para os mais argutos e prudentes, no estabelecimento de um necessário e cada vez mais desprezado - como meio - plano de rota, que possa levar ao objetivo que se pretende alcançar.

O aumento da temperatura, ou efeito estufa, na cena política, que pode acabar prejudicando tanto a gregos como troianos, ocorre quando o papel dos partidos – espera-se que cada um tenha sua própria visão e seu próprio projeto para o país – é substituído por uma briga de foice em que um monte de cidadãos, individualmente, acredita que pode alcançar a Presidência da República, não interessando o momento ou o meio que vai utilizar para chegar lá.

Há impeachments e impeachments.

Na época do impedimento do Presidente Fernando Collor, havia um vice-presidente conciliador, em torno do qual se reuniu uma ampla aliança nacional, que era tão correto que se recusou a forjar uma alteração na Constituição que lhe permitisse manter-se no poder por mais um mandato, e cujo maior erro - como depois admitiria mais tarde - foi escolher como sucessor um indivíduo que usurparia a maior conquista de seu governo, o Plano Real, e que, no lugar de cumprir o compromisso que tinha com ele de apoiá-lo para o pleito seguinte, tanto fez para não largar a rapadura que chegou até mesmo a ser acusado de comprar votos no Congresso para aprovar a lei que permitiu sua reeleição.

Hoje, em caso do impedimento da Presidente Dilma, não há, como havia à época de Itamar Franco, o mesmo consenso em torno da figura do Vice-Presidente Michel Temer.

O maior partido de oposição – teoricamente o mais interessado na saída de Dilma – apresentou, no TSE, pedido de cassação da chapa Dilma-Temer, vitoriosa nas eleições de um ano atrás, propondo a anulação do resultado e requerendo que se lhe entregue o poder, como coligação mais votada.

Os tucanos querem a saída de Dilma, mas cada um em seu tempo e a seu modo.

Se pudessem, prefeririam evitar a substituição da presidente por um vice que tem tudo para articular rapidamente a simpatia e as boas graças do “mercado”.

Que depois poderia ser apresentado, contando com a estrutura de um dos maiores partidos do país, como um fortíssimo candidato nas eleições de 2018.

Para Alckmin, e para José Serra, que estão de olho no Planalto, isso não seria bom.

Alguns jornais informam que Serra pretende ser o Ministro da Fazenda de Temer, e seu candidato a Presidente, pelo PMDB.

Mas aquele que já foi por duas vezes candidato pelo PSDB, como diria Garrincha, ainda não “combinou com os russos”, e muita água tende a rolar debaixo das pontes do Tietê antes que isso venha a ocorrer.

Serra teria que vencer a resistência da ala mais nacionalista do partido, de construir algum tipo de liderança nele, sobrepondo-se a possíveis rivais, além de contar com a recusa de Michel Temer de continuar ocupando um lugar no qual já estará há algum tempo, com todas as prerrogativas que lhe reserva o cargo mais importante da República.

Temer na Presidência, aliado a Serra, não seria desejável para Aécio Neves, que está na frente nas pesquisas de intenção de voto, entre os eventuais pré-candidatos.

E, muito menos, ainda, para eventuais concorrentes “independentes” que aparentemente correm “por fora”, mas que têm um enorme apelo para o voto conservador e de extrema-direita nascido da campanha anti-petista dos últimos anos.

Entre eles, pode-se nomear - por enquanto - Jair Bolsonaro e o próprio Juiz Sérgio Moro, que dividem os apelos “Bolsomito 2018”, e “Moro Presidente”, no espaço de comentários dos grandes portais nacionais, de onde a militância do PT desapareceu.

Para muitas lideranças anti-petistas, ou com aspirações a sentar na principal cadeira do Palácio do Planalto, ideal seria que o governo Dilma “sangrasse”, atacado pela mídia conservadora nacional e estrangeira, pelos internautas fascistas, pela sabotagem econômica e no contexto judicial, pelos entreguistas e privatistas, e pelos oportunistas de todo tipo, até o último dia de seu mandato.

Assim, eles teriam tempo para o fortalecimento de seus respectivos cacifes com vista a 2018, disputando entre si a preferência dos neoliberais, dos neo-anticomunistas, dos anti-petistas, dos anti-“bolivarianos”, dos anti-estatistas, dos anti-desenvolvimentistas e dos anti-nacionalistas de plantão.

Um público cada vez mais radical, manipulado e desinformado que tem tudo para crescer como fungo, já que não existe nenhuma oposição ou reação estratégica, judicial, ou na área de comunicação minimamente detectáveis, por parte da esquerda – reunida quase que exclusivamente em seus próprios blogs, grupos e páginas de redes sociais - ou do Partido dos Trabalhadores em portais de maior audiência, como o UOL, o IG, o Terra, o MSN e o G1.

O grande problema do PT no Brasil é a internet, onde perdeu, sem esboçar qualquer reação coordenada – a batalha da comunicação.
  
De nada adianta o ex-presidente Lula processar na justiça certo "historiador" de oposição por calúnias proferidas em uma entrevista, se dezenas, centenas, de internautas continuam a atirar contra ele os mesmos insultos e as mesmas mentiras, impunemente, todos os dias, sem serem interpelados judicialmente da mesma maneira. Se o primeiro deles tivesse sido impedido, na forma da lei, desde o início, o PT - e a própria Democracia, vilipendiada com pedidos de "intervenção militar" e a defesa pública da volta da ditadura e da tortura - não estariam na situação institucional em que se encontram. 
O grande drama da oposição no Brasil é o que fazer com o impeachment.

Se Dilma sair do Palácio do Planalto agora, ficará difícil manter, contra Temer, a mesma campanha uníssona que existe, hoje, na imprensa e nos maiores portais da internet – por parte dos internautas de direita - contra o PT.

Os ataques sofridos pela Presidência da República tenderiam a diminuir, e a enfraquecer em seu ódio e veneno, já que não daria, simplesmente, para transferir para esse novo Presidente da República, o papel de Geni encarnado pelo PT até agora. 

Finalmente, com Dilma fora do Planalto, será praticamente impossível manter a unidade das forças anti-petistas, que tendem a se lançar em uma guerra fratricida pelo Palácio do Planalto, que Michel Temer, do alto da cadeira presidencial, em caso do enfraquecimento de Lula, e de fragmentação da oposição, teria grande chance de vencer em 2018.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/12/o-impeachment-e-divisao-da-oposicao.html#more

Carta ‘foi vazada’ por Temer

08.12.2015
Do blog DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO

"Vamos precisar de uma pintada naquela parece quando você assumir, Michel"
Michel Temer e Eduardo Cunha
 Uma fonte do DCM em Brasília afirmou esta manhã que a carta escrita pelo vice-presidente da república Michel Temer à presidente Dilma Rousseff foi vazada pelo próprio autor.
O motivo da afirmação é que a carta teria chegado ao Palácio do Planalto aproximadamente às 22h, horário em que o blogueiro Jorge Bastos Moreno, do O Globo, já tinha posse de uma cópia.
Embora a íntegra da carta tenha sido publicada às 22h56, uma primeira prévia, em que o blogueiro descreve que Temer “enumera uma série de fatos” e diz que a presidente não confia nele, foi publicada às 21h24, indicando que Moreno já conhecia seu conteúdo neste horário e, portanto, antes de Dilma.
Ontem, Temer afirmou para o mesmo Moreno que o Planalto vazou a carta.
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Fonte:http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/carta-foi-vazada-por-temer/

Temer, o capitão do golpe, partiu pro tudo ou nada: a carta de um conspirador

08.12.2015
Do blog ESCREVINHADOR
Por Rodrigo Vianna 

Temer é um “profissional”, que se preparou a vida toda pra ter o poder total. Só pensa nisso, só respira poder. Agora, Temer e Serra jogam juntos e percebem a chance de subir no cavalo do golpe – sem conseguir um voto popular. Usando o atabalhoado e vingativo Eduardo Cunha…
Quem é o verdadeiro Underwood?
Quem é o verdadeiro Underwood?
por Rodrigo Vianna
O ritmo da política se acelera. Nos últimos cinco dias, era evidente que Michel Temer conspirava. Pra não falar dos últimos cinco meses…
Em meio ao pedido de impeachment contra Dilma, feito por um aliado dele (Eduardo Cunha), Temer correu para o berço do golpe: São Paulo.
Encontrou-se com Alckmin, e conspirou com Serra – que hoje deu entrevista à “Folha” dizendo que tudo ficará mais fácil se o PSDB for para um governo Temer e se o mesmo prometer que, em 2018, não tentará a presidência de novo (deixando caminho livre para os tucanos).
Já era visível que Temer era o capitão do golpe – como disse Ciro Gomes. Mas, no PT e no governo, alguns ainda se iludiam: “não podemos ter o Temer contra nós, precisamos trazê-lo pro nosso lado”. Ah, quanta credulidade.
"A carta está bonita, mas faltou uma frase em latim, bem aqui"
“A carta está bonita, mas faltou uma frase em latim, bem aqui”
Temer é um “profissional”, que se preparou a vida toda pra ter o poder total. Só pensa nisso, só respira poder. Agora, Temer e Serra jogam juntos e percebem a chance de subir no cavalo do golpe – sem conseguir um voto popular.
O vice Michel Temer enviou hoje para a presidenta Dilma uma “carta pessoal”. Cheia de mágoas. Carta de pré-rompimento. Uma espécie de “carta-testamento” do golpe (clique aqui para ler a carta na íntegra.)
Na verdade, um sinal claro que ele envia ao PSDB de um lado (“sigam na aventura”) e ao PMDB de outro (“chutem o Picciani que apóia a Dilma, e façam o impeachment”).
A carta de Temer é o pulo do gato de um vice “constitucionalista”, que se transformou em golpista barato. É a ante-sala do golpe.
Nos últimos dias, começava a vingar a imagem de Temer como um oportunista e conspirador. A carta, escrita por ele, e provavelmente vazada por seus assessores para a imprensa, é agora usada para que Temer faça biquinho: “escrevi carta privada, e ela vaza; Planalto feio e malvado”.
Mas o vice tem outros motivos para dar o pulo do gato agora. Em menos de 3 meses, a Lava-Jato pode abrir espaço para novas delações de empreiteiros que “confessariam” ter doado dinheiro à chapa Dilma/Temer pra garantir no futuro contratos com estatais. É o que se diz nos bastidores da operação.
Essas delações abririam espaço para a contestação da chapa Dilma/Temer (e não só de Dilma) no TSE. É esse o caminho que interessa a Aécio e Marina: cassação no TSE de Dilma/Temer, seguida de novas eleições. Se isso ocorrer, Temer deixará de ser “alternativa de poder”, e precisará se defender em parceria com Dilma. Ou se safa junto com a Dilma, ou cai junto com ela.
Portanto, a hora de Temer é agora. Ou Temer age agora e dá o golpe contra Dilma, ou perde o bonde.
Muita gente via em Eduardo Cunha a personificação de Underwood (o ambicioso da série “House of Cards”, capaz de qualquer coisa pra chegar ao poder).
Mas o Underwood  tupiniquim talvez seja outro. O Underwood parece ser aquele a quem uma vez ACM chamou de “porteiro de hotel em filme de terror”.
O filme de terror começou. Mas o papel de Temer não é mais de porteiro. Ele quer o estrelato. Com os votos de Dilma, virou vice. Traindo a presidenta, pode ficar com a cadeira para a qual não foi eleito.
As próximas horas serão decisivas para se saber se Temer deu o bote na hora certa, e se conseguirá derrubar o líder do PMDB Picciani, e assim abrir caminho para aprovar o impeachment.
Muita gente no PT se apavorou com a carta do vice. Mas a hora não é de medo.
Do outro lado, há dois “profissionais”: um, atabalhoado e afoito, é o Cunha; o outro, discreto e muito mais perigoso, é o Temer.
Temer e Cunha são hoje um único corpo.
O golpe de Cunha é hoje o golpe de Temer e do PSDB.
Como disse hoje uma amiga bem-humorada: o Brasil está prestes a virar a “House of Temer”
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/palavra-minha/temer-o-capitao-golpe-partiu-pro-tudo-ou-nada-carta-d-e-um-conspirador/