quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Argentina: neto 119 é recuperado pelas Avós da Praça de Maio; é 1º caso em que mãe ainda está viva

03.12.2015
Do portal OPERA MUNDI, 30.11.15
Por Redação | São Paulo

Homem de 38 anos nasceu em cativeiro na cidade de Tucumán e hoje vive na Província de Santa Fé; amanhã será realizada entrevista coletiva para explicar caso

As Avós da Praça de Maio anunciaram, nesta segunda-feira (30/11), a recuperação de mais um neto sequestrado durante a ditadura militar do país (1976 a 1983). Trata-se do 119º encontro e é a primeira vez que a mãe biológica ainda está viva.
Mario Bravo e está a caminho de Buenos Aires, onde se encontrará com sua mãe; na foto, avós anunciam recuperação da neta 110

Mãe e filho se encontrarão pela primeira vez nesta terça-feira (01/12) em Buenos Aires, quando serão oferecidos mais detalhes sobre o caso, em uma entrevista coletiva de imprensa na sede das Avós da Praça de Maio.
“Felizmente outro homem conheceu a verdade sobre sua origem e os convidamos a compartilhar a feliz notícia conosco”, manifestou a organização de direitos humanos no país por meio de um comunicado.
De acordo com a imprensa argentina, trata-se de Mario Bravo, que hoje vive em Santa Fé. Ele nasceu em cativeiro em Tucumán em 1977.
Primeiro contato
“Não há registros de que filhos e mães tenham se encontrado nesses casos de desaparecimento forçados durante a ditadura”, disse Bravo, em entrevista concedida à rádio Renacer Regional de Santa Fé.
O primeiro contato entre mãe e filho foi realizado por telefone, contou. Nas conversas, a mãe, cuja identidade ainda não foi revelada, lembrou “momentos muito difíceis que sofreu” durante a prisão.
Após o nascimento de Mario, sua mãe ficou dois anos presa “sempre ameaçada e com o agravante de que depois esteve no governo de Tucumán o repressor Antonio Domingo Bussi (1995-1999)”.
Assim, ela começou a busca por ele em 2007, quando se cadastrou no Banco de Dados Genéticos. Ele foi comunicado do resultado há dez dias.
“Hoje escuto sua voz, quando nasceu apenas escutei seu choro, não sabia se era menino ou menina, porque estava de olhos vendados”, contou Bravo em referência às declarações da mãe.
Em sua conta no Twitter, Ignacio Montoya Carlotto, neto de Estela Carlotto, comemorou o encontro: “como sempre a grata e maravilhosa notícia de encontrar outro neto. O 119!”.
O último encontro ocorreu em 5 de novembro, quando foi restituído o neto 118, de Delia Giovanola de Califano.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42456/argentina+neto+119+e+recuperado+pelas+avos+da+praca+de+maio+e+1+caso+em+que+mae+ainda+esta+viva.shtml

O que é e como se proteger do Zika vírus

03.12.2015
Do portal JORNAL GGN

Do Science Blogs
Em um dos posts mais técnicos que não faço há bastante tempo, vamos dar uma olhada no que é o Zika, tanto a febre quanto o vírus. Para acesso rápido ao tópico, basta clicar na lista abaixo.
O que é o vírus Zika
O Zika vírus é um Flavivírus, pertence a uma família de vírus que infectam artrópodes (como insetos) e mamíferos. O que quer dizer que podem infectar um macaco ou uma pessoa, infectar o pernilongo ou o carrapato que suga o sangue deles e com isso saltar para outros mamíferos. Outros vírus da mesma família são o vírus da Dengue, da febre amarela, Barkedji, da encefalite japonesa, Kedougu, Koutango e vários outros – se quiser ver como a família se organiza, essa figura pode ajudar. Boa parte deles são pouco conhecidos, circulam em regiões restritas e não infectam humanos.
O Zika também estava restrito e infectava principalmente macacos e só algumas pessoas até bem pouco tempo. Ele foi isolado de um macaco mantido na floresta de Zika, em Uganda, em 1947. Nove anos depois, em 1956, em uma época onde esse tipo de experimento ainda era feito, um voluntário se infectou com o vírus para acompanhamento. Teve sintomas parecidos com os da dengue, com febre. E, o mais importante, quando foi picado por um mosquito Aedes aegypti, o mosquito não passou a infecção adiante. O que quer dizer que nessa época, o Zika vírus provavelmente não estava muito adaptado para infecções em humanos.
De onde vêm o Zika vírus?
Até 2007, o Zika continuou causando alguns casos humanos na África e na Ásia, sem grandes consequências. Sabemos de apenas 14 casos, no total. Mesmo circulando entre macacos e mosquitos Aedes silvestres, a maior parte das infecções humanas não continuavam sendo transmitidas. Até 2007, quando a variante asiática do vírus causou um surto na ilha de Yap, na Micronésia, onde se estima que mais de 70% da população da ilha foi infectada. Pela primeira vez surgiram sintomas como conjuntivite, mas não houve manifestações graves que precisassem de hospitalização. O estudo descrevendo a circulação do vírus pela África, em que participei, ainda o tratava como um vírus principalmente silvestre.
De 2007 a 2014, o vírus seguiu pelo Pacífico e Oceania, causando uma epidemia na Polinésia Francesa entre 2013 e 2014 e chegando até a Ilha de Páscoa. Uma das maiores causas para isso parece ser o espalhamento dos mosquitos A. aegyptiAedes albopicuts, além da otimização do vírus para estes mosquitos e para humanos – mais sobre isso em outro post. Dados os sintomas parecidos com os de febre de dengue, o Zika provavelmente se espalhou por vários outros países mas não foi diagnosticado. Em Abril de 2015, foi detectado pela primeira vez no Brasil, na Bahia, em pacientes com sintomas de dengue que testaram negativos para o vírus da Dengue. E agora em novembro apareceram os primeiros casos na América do Sul e Central, em países como Colômbia, México, Paraguai e Venezuela (ver mapa abaixo).
Porque o Zika está se espalhando tanto no Brasil?
Vivemos uma infestação de mosquitos Aedes no país (e no mundo). O A. aegypti já foi quase expulso do país, como o vídeo sobre dengue abaixo explica, mas voltou para cá com força total. Como se não bastasse, outro Aedes, o A. albopicutstambém se espalhou recentemente. Com tantos mosquitos que podem transmitir vírus (chamamos de vetores), tivemos surtos crescentes de dengue nos últimos anos. Não só crescentes como variados, agora temos no país os 4 tipos de dengue conhecidos em humanos, o que quer dizer que ele circula muito bem por aqui, o ano todo. Mas os Aedes não são vetores apenas do vírus da Dengue, também podem transmitir vários outros Flavivírus como o Zika. Além do Chikungunya, que pertence a outra família viral. Era uma questão de tempo até que eles aparecessem por aqui. E, se não controlarmos as populações de Aedes, é uma questão de tempo até que outros como o Barkedji venham.
Para uma explicação rápida sobre como a dengue causa doença, o que em parte também explica a febre por zika, veja o vídeo que os alunos de BioMed da USP fizeram.
Porque os novos sintomas da febre de zika?
Não é raro uma doença começar a manifestar novos sintomas conforme o número de casos aumenta. Até bem pouco tempo, o número de casos humanos de zika eram mínimos. Mesmo nas epidemias recentes a população que se sabe que foi infectada é menor do que os números de casos de zika só na Bahia. De maneira que se ele causa manifestações mais graves apenas em alguns casos, só agora temos o suficiente para perceber. Além de tudo, patógenos podem mudar conforme se espalham e se adaptam a um novo hospedeiro, como pode ser o caso agora – novamente, mais sobre isso em um post futuro. Só descobrimos recentemente, por exemplo, que o Chikungunya pode causar inflamação no cérebro.
Além disso, ainda temos o problema da resposta imune contra o Zika em regiões onde ocorre dengue. A imunidade que fazemos contra o vírus da Dengue não protege completamente as pessoas, podemos ser re-infectados por outros tipos de dengue nos anos seguintes, como o vídeo acima explica. Essa parece inclusive ser uma das causas do choque da dengue. Como o Zika é um vírus próximo ao Dengue, a resposta imune contra um pode reconhecer o outro e exacerbar a doença. Ainda não sabemos as complicações que isso gera, mas pelo menos na Polinésia Francesa e na Bahia, junto com os casos de febre zika houve um aumento dos casos de uma reação auto-imune contra o sistema nervoso chamada síndrome de Guillain-Barré, que causa paralisia flácida.
Sobre a microcefalia
Mapa de notificações de Zika na América do Sul. Mapa extraído do HealthMap.org
Mapa de notificações de Zika na América do Sul. Mapa extraído do HealthMap.org
Já temos o Zika notificado em pelo menos 18 estados, marcados na figura de cima. Agora, novas complicações começaram a aparecer em populações onde o Zika está se espalhando – não conseguimos dizer se são apenas em pessoas infectadas por causa da falta de teste diagnóstico.
Vários fatores contribuíram para o governo e a Organização Mundial de Saúde (OMS) ligarem o Zika à microcefalia [pdf]. No dia em que este post está sendo escrito, já foram registrados mais de 1248 casos de microcefalianos mesmos estados onde o Zika está explodindo, além de duas mortes confirmadas. O vírus também foi encontrado no líquido amniótico (que protege o bebê) de duas grávidas com ultrassom indicativo de microcefalia. E no sangue e tecidos de uma bebê com microcefalia falecida no Ceará. Ainda mais revelador, a Polinésia Francesa revisou os dados de microcefalia no país e concluiu que também tiveram pelo menos 18 casos durante o surto local de Zika, o que reforça a ligação.
A microcefalia é uma má-formação do sistema nervoso central, onde órgãos como o cérebro não se formam corretamente. Sabemos de vírus como rubéola que causam microcefalia e outras complicações do sistema nervoso durante a gravidez, além de aborto, surdez, má-formação cardíaca e de artérias e retardamento mental. No caso da síndrome da rubéola a gestante está exposta às complicações nos três primeiros meses da gestação. Se a infecção por Zika causar algo próximo, o que ainda não sabemos, esse pode ser o período mais preocupante. – Esta é uma situação ótima para ilustrar a importância de experimentos com animais: ter um modelo animal que reproduz as manifestações humanas da infecção pelo Zika seria essencial para testar como o vírus poderia causar complicações na gestação.
O que fazer para se proteger?
Como o Zika é uma doença muito recente, ainda não há vacina. O melhor a se fazer ainda é o controle do vetor, ou seja, acabar com reservatórios onde o mosquito pode se reproduzir. Além disso, grávidas devem usar repelente e roupas compridas, para evitar infecção, e fazer o pré-natal. E, por mais triste que seja ter que escrever isso, se possível, evitar engravidar enquanto a relação e as causas da microcefalia não estão claras, é o melhor a se fazer.
Fontes:
Vlachakis, Dimitrios, Vassiliki Lila Koumandou, and Sophia Kossida. “A holistic evolutionary and structural study of flaviviridae provides insights into the function and inhibition of HCV helicase.” PeerJ 1 (2013): e74.
Bearcroft, W. G. C. “Zika virus infection experimentally induced in a human volunteer.” Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene 50, no. 5 (1956): 438-441.
Faye, Oumar, Iamarino, Atila, Freire, Caio C M, Diallo, Mawlouth, Sall, Amadou Alpha, Zanotto, Paolo Marinho de Andrade, Ousmane Faye, and Juliana Velasco C de Oliveira. 2014. “Molecular Evolution of Zika Virus During Its Emergence in the 20(Th) Century..” Edited by Brian Bird. PLoS Neglected Tropical Diseases 8 (1). Public Library of Science: e2636. doi:10.1371/journal.pntd.0002636.
Duffy, Mark R, Tai-Ho Chen, W Thane Hancock, Ann M Powers, Jacob L Kool, Robert S Lanciotti, Moses Pretrick, et al. 2009. “Zika Virus Outbreak on Yap Island, Federated States of Micronesia.” New England Journal of Medicine 360 (24): 2536–43.doi:10.1056/NEJMoa0805715.
Musso, Didier, Van-Mai Cao-Lormeau, and Duane J Gubler. 2015. “Zika Virus: Following the Path of Dengue and Chikungunya?.” The Lancet 386 (9990). Elsevier: 243–44. doi:10.1016/S0140-6736(15)61273-9.
Campos, Gubio S, Antonio C Bandeira, and Silvia I Sardi. 2015. “Zika Virus Outbreak, Bahia, Brazil.” Emerging Infectious Diseases 21 (10). Centers for Disease Control and Prevention: 1885–86. doi:10.3201/eid2110.150847.
Musso, D, E J Nilles, and V M Cao-Lormeau. 2014. “Rapid Spread of Emerging Zika Virus in the Pacific Area.” Clinical Microbiology and Infection 20 (10): O595–96. doi:10.1111/1469-0691.12707.
Banatvala, J. E., and D. W. G. Brown. “Rubella.” The Lancet 363, no. 9415 (2004): 1127-1137.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/o-que-e-e-como-se-proteger-do-zika-virus

Rede da dignidade contra o golpe e a vigarice

03.12.2015
Do portal da AGÊNCIA CARTA MAIOR
Por Saul Leblon

O governo, emparedado pela lógica conservadora, paradoxalmente, passou a ter escolhas. Como disse a própria Dilma, 'não era mais possível viver chantageada' 

Lula Marques



A história apertou o passo e quando sacode a poeira ela derrama transparência por onde passa.
 
A retaliação de Eduardo Cunha contra o governo e contra o PT guarda semelhanças com uma cena recorrente da crônica policial.
 
Enredado em evidências grotescas de ilícitos e falcatruas, o presidente da Câmara sacou um processo de impeachment contra a Presidenta Dilma, depois que o PT –graças à corajosa decisão de seu presidente, Rui Falcão, determinou que o partido não acobertasse o delinquente no Conselho de Ética.
 
Cunha age como o sequestrador que saca o revólver e o coloca na cabeça do refém, exigindo salvo conduto para si e para o malote de dinheiro.
 
Eduardo Cunha aposta que os comparsas do lado de fora lhe darão cobertura na fuga cinematográfica para frente.
 
Talvez tenha razão a julgar pela adesão de pronto de tucanos, como os rapinosos Aécio e Serra, por exemplo.
 
Outros, aqueles que entendem a política como oportunismo, endossarão igualmente o meliante em nome da honradez.
 
Ou não é essa –há meses—a especialidade do colunismo isento na sua seletiva campanha anti-corrupção?
 
A cumplicidade desses comparsas está precificada no metabolismo político brasileiro desde 2005/2006.
 
Não se espere grandeza de onde impera a mediocridade básica das elites latino-americanas.
 
Aquela que sonega ao próprio país e ao povo o direito e a competência para se erguer como nação justa e soberana.
 
O vento implacável da história desnuda em 2015 os novos atores do velho enredo em cartaz em 1932, 1954, 1962, 1964, 1989, 2002, 2005, 2006, 2010 e 2014.
 
Com um agravante: há um pedaço da sociedade que se descolou definitivamente do país e tem como pátria o capital flutuante que não quer pertencer ao destino de nenhum povo.
 
Seu interesse e visão de mundo, portanto, são imiscíveis com a ideia de um regime do povo, para o povo e pelo povo.
 
E isso não é retórica, mas uma ameaça: eles consideram que a Constituição de 1988 prometeu mais do que é justo o dinheiro grosso ceder e que o PT teima em lembrar.
 
São aliados naturais do assaltante que ameaça agora um  mandato subscrito por 54 milhões de brasileiros.
 
Daí não sai nada a não ser golpe e dilapidação.
 
A mudança terá que vir do outro lado.
 
O lado do país que se avoca o direito de enxergar na justiça social a finalidade e o motor da luta pelo desenvolvimento brasileiro. E que tem na democracia a principal garantia de que esse processo é crível e consistente porque negociado, repactuado e legitimado nas diferentes manifestações de liberdade de um povo --nas lutas, nos escrutínios e nas mobilizações históricas de uma nação.
 
Estamos diante de um desses momentos que Celso Furtado denominava de ‘provas cruciais de uma nação’.
 
É, sobretudo, no caso brasileiro, a hora da verdade para as forças progressistas.
 
Cabe-lhes superar o empate corrosivo que paralisa a sociedade e desacredita a democracia.
 
Trata-se de vencer a prostração e o sectarismo, fazendo da mobilização contra o golpe o impulso que faltava para uma repactuação do país em torno dos interesses majoritários de seu povo.
 
Lideranças políticas e sociais não podem piscar.
 
O enclausuramento ideológico, o acanhamento organizativo e a indiferenciação, diante  da qual a juventude não se reconhece e a militância se recolhe-- devem ser dispensados de uma vez por todas.
 
Que ninguém se iluda: o apoio ao impeachment tem por trás um projeto econômico devastador
 
Nele não cabem as urgências e direitos da maioria da população brasileira.
 
Um notável volume de investimentos é requerido nesse momento para adequar a logística social e a infraestrutura às dimensões de uma nação que incorporou milhões de pobres ao mercado de consumo nos últimos anos.
 
Agora lhes deve a cidadania plena.
 
O novo giro da engrenagem terá que ocorrer num momento paradoxal.
 
Uma tempestade perfeita cobra respostas em várias frentes: prover a infraestrutura, combater a inflação, resgatar a industrialização, dar progressividade ao sistema tributário, ajustar o câmbio, modular o consumo.
 
Tudo junto e com a mesma prioridade.
 
Ao mesmo tempo, porém, o labirinto encerra a oportunidade histórica de inovar  metas e métodos.
 
A plataforma do arrocho, com a qual o conservadorismo capturou o governo  --e agora pretende concluir o assalto tomando-lhe o mandato,  envelheceu miseravelmente ao escancarar  sua incapacidade  para ir além de uma recessão destrutiva.
 
PIB, emprego, investimento e consumo despencam sob o timão de um ajuste que desajusta o bolso do povo pobre e agrava as contas fiscais da nação.
 
O interesse conservador que antes pretendia usar o governo para escalpelar as ruas, subtraindo-lhe conquistas e recursos, agora quer usar as ruas e o impeachment para derrubar o governo.
 
A bipolaridade reflete a ansiedade típica de quem sabe que tem pouco tempo porque aquilo que a rua exige e espera colide com o que o mercado pretende.
 
Quem dará coerência ao desenvolvimento brasileiro nessa encruzilhada?
 
Antes turva, a resposta emerge límpida após o assaltante colocar a arma na cabeça do refém nesta tarde da terça-feira, 2 de dezembro de 2015.
 
A nova coerência macroeconômica terá que ser buscada na correlação de forças redesenhada pela divisão entre os que se alinharão na cumplicidade ao chantagista e os que vão se juntar ao governo para ampliar o espaço  de um novo contrato de crescimento para a nação brasileira.
 
Emparedado pela lógica conservadora o governo Dilma, paradoxalmente, passou a ter escolhas.
 
Como disse a própria Presidenta, em desabafo, ’não era mais possível viver chantageada’.
 
Dilma deve, sim, negociar. Com o Brasil que trabalha e quer trabalhar. Com o capital que produz e quer produzir.
 
Isso define uma límpida conduta para as próximas horas, os próximos dias, meses e, sobretudo uma próxima reforma ministerial definidora de uma verdadeira governabilidade, com o direito de recorrer ao povo para construir o passo seguinte do crescimento.
 
O bônus não autoriza o conjunto das forças progressistas a adotar a agenda da fragmentação suicida.
 
O discurso cego às interações estruturais é confortável . Mas leva ao impasse autodestrutivo e à inconsequência histórica.
 
A responsabilidade de interferir num processo histórico pressupõe a adoção de balizas que impeçam o retrocesso e assegurem coerência às mudanças.
 
O jogo é pesado.
 
Avançar à bordo da composição de forças que delimitou a ação progressista até aqui tornou-se cada dia mais penoso.
 
Esgotou-se um capítulo.
 
Não apenas por conta da saturação de um ciclo econômico.
 
Mas também porque se descuidou de prover a sociedade de canais democráticos para viabilizar o passo seguinte do processo.
 
Faltava a locomotiva da história apitar outra vez para esticar os limites do possível na repactuação do novo capítulo do crescimento brasileiro.
 
Foi o que o assalto à mão armada de Cunha desencadeou nas últimas horas.
 
A presidenta Dilma viu o bonde passar e não hesitou.
 
 
Antes dela, Rui Falcão, Pimenta e outros tiveram a coragem de rechaçar o chantagista e alinhar o PT  ao clamor dos milhões de brasileiros que não aceitam mais compactuar com um sistema político que se tornou um biombo desmoralizado do poder econômico, a serviço de banqueiros e bandidos.
 
Ao assumir o risco de uma represália que se confirmou, o PT indiretamente reaproximou-se dos que entendem que a soberania popular é  o único impulso capaz de harmonizar os conflitos e sacolejos de uma transição de ciclo de desenvolvimento.
 
O tempo urge.
 
O assalto conservador ao mandato de Dilma  joga uma cartada de vida ou morte contra o relógio político.
 
À medida que apodrece a reputação de seus centuriões, e os savorolas da ética entram em combustão explosiva, restou-lhes apostar tudo no estreito espaço de tempo entre a desmoralização absoluta e a capacidade residual de articular o golpe.
 
A coragem de Dilma e do PT, a solidariedade do PSOL logo na primeira hora da escalada, o levante maciço nas redes sociais ensejam esperança e legitimidade.
 
Em 1962 Brizola opôs ao golpe contra Jango uma bem-sucedida mobilização nacional liderada pela Rede da Legalidade.
 
Que Lula, Luciana, Boulos, Stédile, Vagner Freitas, intelectuais, estudantes, empresários produtivos, personalidades e democratas em geral se unam e se organizem.
 
Essa é a hora e ninguém fará isso por nós.
 
Que Dilma recorra diariamente, se preciso, à cadeia nacional para afrontar o monólogo golpista e liderar a resistência nacional.
 
É o seu mandato que está em jogo.
 
E que disso nasça uma gigantesca rede da dignidade contra o golpe e a vigarice.
 
Com ela, e somente com ela, emergirá o impulso que falta para abrir passagem ao país que o Brasil poderia ser, mas que ainda não é –e que interesses poderosos não querem que venha a ser.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Rede-da-dignidade-contra-o-golpe-e-a-vigarice/35096


Moro engaveta há 3 anos denúncia de corrupção contra golpista tucano

03.12.2015
Do blog O CAFEZINHO, 16/07/15

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Segundo o presidente estadual do PT da Paraíba, o juiz Sergio Moro senta em cima, desde dezembro de 2012, de um caso de corrupção contra o senador Cassio Cunha Lima, um dos golpistas tucanos que conspiram abertamente para derrubar a presidenta da república.
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PT cobra do juiz Sérgio Moro agilidade nas investigações do "Caso Concorde"
14.07.2015 - 10:18:08
O presidente estadual do PT na Paraíba, Charliton Machado, encaminhou documento ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barro, solicitando providências do Ministério Público Federal visando agilizar as investigações em relação ao inquérito 3404 que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e que tem como um dos investigados o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), no episódio que ficou conhecido no estado como "Caso Concorde".
No documento, Charliton destaca que o estado aguarda, há vários anos, o desfecho do inquérito movido pelo Ministério Público Federal. O processo, segundo o texto, foi distribuído ao juiz Sérgio Moro desde dezembro de 2012 pela ministra relatora Rosa Weber, com a finalidade de que o magistrado realizasse audiências de interrogatório, inquirição de testemunhas, inspeções, entre outros afazeres.
"Ocorre que, até a presente data, o magistrado não apresentou progresso quanto às incubências regimentais atribuídas pela ministra relatora, de modo que se faz necessário que este órgão ministerial federal diligencie para que haja o prosseguimento do feito, de forma célere, com a devida apuração dos fatos narrados, que além de graves, contrangem toda a sociedade paraibana, haja vista que pairam sobre um representado do estado no Senado da República".
O documento foi registrado no último dia 10 pelo próprio dirigente petista.
Sobre o caso - Na noite do dia 27 de outubro de 2006, antevéspera do segundo turno das eleições, fiscais da Justiça Eleitoral compareceram ao Edifício Concorde, localizado na Avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa, com o intuito de verificar a denúncia de distribuição de dinheiro para compra de votos. Quando estavam deixando o prédio, os fiscais da Justiça Eleitoral foram informados por populares que alguém da sala 103 havia jogado alguns materiais para fora da janela, que acabaram caindo no telhado de proteção do estacionamento externo do Edifício Concorde. Ao subirem ao telhado do estacionamento, fiscais da Justiça Eleitoral e agentes da Polícia Federal encontraram uma caixa e um saco contendo várias contas de água e energia elétrica quitadas, títulos eleitorais, camisetas amarelas, além de vários maços de cédulas de R$ 50,00, totalizando R$ 304.050,00.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/07/16/moro-engaveta-ha-3-anos-denuncia-de-corrupcao-contra-golpista-tucano/

CUNHA,MENTIROSO E CHANTAGISTA:Wagner dá o troco a Cunha

03.12.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por FERNANDO BRITO

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Enquanto eu escrevia o post anterior, o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, devolveu a pancada
Disse que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, mentiu ao dizer que o deputado André Moura teria encontrado a presidenta Dilma ontem.
“Quem mentiu foi Cunha. André Moura esteve comigo, e uma única vez”, disse Wagner em entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira. Ainda segundo ele, o presidente da Câmara deverá enfrentar sem ameaça o processo no Conselho de Ética. conforma O Globo.
“Sou da tese que não podemos sustentar um governo o tempo todo ameaçado, chantageado por pedido de impeachment”, disse ele e, na Folha, que “Acho ótimo que saímos da coxia [parte do teatro invisível para o público] e viemos para palco, o que acaba com qualquer chantagem”.
É a primeira vez, em muito tempo, que a gente vê o Governo começar a reagir com rapidez e dureza…
Como isso fez falta…
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/wagner-da-o-troco-a-cunha/

‘É uma palhaçada’, diz Bandeira de Mello sobre abertura de impeachment

03.12.2015
Do blog O CAFEZINHO
Por Carlos Eduardo

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O JB conversou com o jurista Celso Antônio Bandeira de Mello na noite desta quarta feira (2), logo após o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciar que abrirá o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Para Bandeira de Mello, “não há base jurídica alguma para a abertura do processo”, se tratando de uma ação tomada unicamente com “objetivos políticos”.

“É uma palhaçada [a abertura do impeachment]. Pelo que tudo indica, e o que a gente vê na imprensa, a razão foi exclusivamente política, sem nenhum embasamento na lei”, afirma o jurista, que concorda que a decisão de Cunha foi consequência do fato de os deputados petistas terem garantido votos a favor da admissibilidade do perecer que pede a abertura do processo de cassação do presidente da Câmara, a ser votada no Conselho de Ética.

Também de acordo com Bandeira de Mello, mesmo com o processo já aberto, a presidente não corre grandes riscos de cassação: “Eu não acredito [na cassação]. Seria uma enorme falta de dignidade por parte dos congressistas”.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/12/03/e-uma-palhacada-diz-bandeira-de-mello-sobre-abertura-de-impeachment/

Marcelo Nobre, o elo oculto entre Eduardo Cunha e Hélio Bicudo

03.12.2015
Do portal JORNAL GGN

A ligação entre Hélio Bicudo e Eduardo Cunha tem nome: é o advogado Marcelo Nobre, a face jurídica pública de Cunha. Na parte jurídica, a defesa técnica é do ex-Procurador Geral Antônio Fernando de Souza. A defesa pública agressiva é de Nobre.
Há mais pontos em comum entre eles.
Os propósitos políticos de Bicudo são publicamente questionados pelo seu filho, José Eduardo Bicudo. Os de Marcelo Nobre provavelmente seriam por seu pai, se vivo fosse. Trata-se do notável político e democrata Freitas Nobre, da melhor tradição democrata-cristã. O filho intelectual de Freitas Nobre, cientista político Marcos Nobre, já se posicionou publicamente contra o impeachment.
Marcelo é o filho que não estudou. Fez carreira graças ao duplo relacionamento. Junto ao PT, como chefe de gabinete de Hélio Bicudo, então vice-prefeito de Marta. Depois, aproximou-se do PMDB e conseguiu, graças ao sobrenome ilustre e a um trabalho pertinaz de relações públicas, ser indicado para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), substituindo o atual Secretário de Segurança de São Paulo Alexandre de Moraes.
Lá, tornou-se o mais insistente louvaminhas do então presidente Gilmar Mendes. A ponto de dividir a história do CNJ entre AG e DG - Antes de Gilmar e Depois de Gilmar, para gáudio dos observadores mais críticos, que se divertem com demonstrações explícitas de puxa-saquismo, próprias da corte.
Considerado algo vaidoso e vingativo, atribuem-se a ele as manifestações mais agressivas de Eduardo Cunha. E também à ligação umbilical estabelecida entre Cunha e Bicudo.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/marcelo-nobre-o-elo-oculto-entre-eduardo-cunha-e-helio-bicudo

Impeachment: PT recorre ao STF contra decisão de Eduardo Cunha

03.12.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

PT vai acionar STF contra abertura de impeachment. Partido pretende questionar o conteúdo do pedido encabeçado pelo ex-petista Hélio Bicudo e a decisão do presidente da Câmara de dar início a processo de afastamento de Dilma

Eduardo Cunha impeachment Dilma
Eduardo Cunha autorizou nesta quarta-feira (2) abertura de processo de impeachment contra Dilma Rousseff (reprodução)
O PT pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) e protelar a instalação da comissão processante para tentar barrar a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, determinada nesta quarta-feira (2) pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Os petistas vão questionar o conteúdo do pedido assinado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal e se a decisão do peemedebista foi legal ou não.
Uma segunda estratégia é convencer os partidos da base aliada a não indicarem representantes para a comissão especial que analisará inicialmente o processo. O colegiado será composto por 66 titulares e 66 suplentes de todas as legendas, indicados conforme o tamanho de cada bancada. O prazo inicial para as indicações é de 48 horas.
A oposição deve indicar seus representantes para a comissão processante já nesta quinta-feira (3), conforme combinaram, ainda no plenário da Câmara, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), e o líder do Solidariedade Arthur de Oliveira Maia (BA).

Cunha irritado

Segundo aliados, Eduardo Cunha ficou muito irritado com a decisão da bancada do PT de votar pela abertura do processo de cassação contra ele, no Conselho de Ética. No PT, por outro lado, tanto parlamentares quanto a cúpula partidária concluíram que qualquer proteção ao presidente da Câmara desmoralizaria a agremiação de uma vez por todas, além de dar margem para o deputado peemedebista no futuro voltar com a “chantagem do impeachment” sempre que se visse em dificuldades.
Leonel Rocha, Congresso em Foco
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/12/impeachment-pt-recorre-ao-stf-contra-decisao-de-eduardo-cunha.html

Cunha cometeu crime ao acolher impeachment de Dilma para se proteger

03.12.2015
Do BLOG DA CIDADANIA, 02.12.15
Por Eduardo Guimarães
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 O presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acolheu um dos vários pedidos de impeachment protocolados naquela Casa por partidos da oposição contra a presidente Dilma Rousseff. “Proferi a decisão com o acolhimento da denúncia”, disse em entrevista coletiva na Câmara na tarde desta quarta-feira (2).
Cunha já havia prometido que faria isso se os três deputados do PT no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados não votassem contra a admissibilidade do processo de cassação de seu mandato.
Além disso, o presidente da Câmara usa o cargo para coagir testemunhas e atrapalhar as investigações de que é alvo no STF. Matéria da jornalista Monica Bergamo na Folha de São Paulo, em julho, já dava conta das ações criminosas que Cunha vem praticando para se proteger da Lei.
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A desculpa da Procuradoria Geral da República e do STF para não terem aberto até agora um processo pela perda do cargo de Cunha caiu por terra após a prisão do senador Delcídio do Amaral; dificilmente, em votação aberta, o presidente da Câmara escaparia de uma ordem da Justiça para ser afastado do cargo.
A decisão de Cunha de acolher pedido de impeachment contra Dilma no mesmo dia em que o PT anuncia que votará pela admissibilidade do processo contra ele na Câmara coroa a conduta criminosa do presidente da Casa de usar o cargo que ocupa para se defender.
Se isso não é crime, nada mais é.
Por esse cometimento de crime, Procuradoria e STF não podem deixar de agir contra Eduardo Cunha. Ele atua de forma escandalosa, afrontando a lei, zombando da sociedade, que exige que ele seja punido, pois, à diferença da presidente da República, ele é acusado de vários crimes de corrupção, os quais já têm até provas materiais.
Nesta quarta-feira, o PT deu uma prova de desassombro ao desafiar Cunha a cumprir sua ameaça. Até porque, cumpri-la materializaria crime. Cunha cumpriu a ameaça, usou o cargo para se proteger, usou o cargo em benefício próprio, coagiu testemunhas, usou os poderes de que dispõe em benefício pessoal.
As ações de Cunha para obstruir investigações contra si superam em muito as de Delcídio do Amaral. O STF e a Procuradoria Geral da República não têm mais desculpas para não agir contra ele, como já foi dito, pois agiram contra o senador petista e foram bem sucedidos.
O que impede que o STF e a PGR atuem? O que temem que Cunha possa fazer se cumprirem a Lei? Haverá alguma relação entre essa conduta das duas instituições e as gravações em que Delcídio cita ministros do Supremo?
Qualquer cidadão brasileiro pode representar ao STF ou à PGR contra Eduardo Cunha. Porém, as duas instituições não agirem por moto próprio levanta uma inaceitável suspeição de que o presidente da Câmara possa saber de coisas que essas instituições temem.
Após o PT demonstrar coragem e senso ético ao anunciar que votará contra Cunha, chegou a hora de o partido denunciar o presidente da Câmara por usar o cargo em proveito próprio. As evidências são gritantes.
Agora que o Partido resolveu enfrentar a chantagem de Cunha, não há retorno. E se não há retorno, que vá para cima dele com todas as armas possíveis. E o recurso à Justiça contra o crime de usar o cargo de presidente da Câmara em benefício próprio é uma dessas armas. Essa é a hora de o PT mostrar toda a coragem de que é acusado de não ter.
Vá à guerra, PT!
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/12/cunha-cometeu-crime-ao-acolher-impeachment-de-dilma-para-se-proteger/