sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tribunal de Haia pode julgar demanda da Bolívia contra Chile por saída ao mar, decidem juízes

25.09.2015
Do portal OPERA MUNDI, 24.09.15
Por Victor Farinelli | Santiago 

Resultado não é uma vitória definitiva, mas indica que processo continua: Chile e Bolívia terão que apresentar alegações sobre se Santiago tem que negociar saída ao mar com La Paz

Mapa mostra territórios pré-guerra (em cores) e pós-guerra (linhas em preto) na Guerra do Pacífico em 1879
Mapa mostra territórios pré-guerra (em cores) e pós-guerra (linhas em preto) na Guerra do Pacífico em 1879
A CIJ (Corte Internacional de Justiça de Haia) decidiu nesta quinta-feira (24/09) que é um tribunal competente para julgar a demanda que a Bolívia apresentou contra o Chile exigindo uma negociação para uma saída ao mar soberana para o país do altiplano.

Em 2014, Santiago havia questionado a pretensão de La Paz, afirmando que o caso não poderia ser julgado em Haia. Segundo os juízes que analisaram o caso, a objeção chilena não tem cabimento. Dos 16 magistrados que se pronunciaram, 14 disseram que sim, que a corte tem sim incidência sobre o caso.
O resultado era esperado com muita tensão por ambos os países, já que, em caso de vitória do Chile – se a CIJ se declarasse incompetente no caso – a demanda estaria concluída. A defesa chilena se baseava no fato em que os limites territoriais entre os dois países já haviam sido determinados em tratados reconhecidos por ambos e estabelecidos antes mesmo da criação da Corte. Além disso, o Tratado de Bogotá, assinado pela Bolívia em 1948, estabelece que os tratados limítrofes estabelecidos até então eram inquestionáveis – incluindo um assinado em 1904, com o qual o Chile assegura que os limites entre os países já estão definidos de forma perpétua.
Contudo, o resultado anunciado pelo juiz francês Ronny Abraham reconheceu o Tratado de Bogotá, e ainda assim deu vitória à postura boliviana, o que significa que não reconhece que o tratado de 1904 como um documento que determina de forma inquestionável os limites entre os dois países.
Ainda assim, o resultado não é uma vitória definitiva, mas indica que o processo continua, e, a partir de agora, os dois países terão que apresentar suas alegações a respeito do tema principal: que é se o Chile tem uma obrigação de negociar uma saída ao mar soberana para a Bolívia.
Agência Efe
Juízes em Haia se disseram competentes para julgar caso da Bolívia contra Chile

Nesse sentido, o Chile conseguiu uma pequena vitória, já que, em um dos parágrafos da decisão anunciada nesta quinta-feira, a Corte afirma que julgará, a partir de agora, se os dois países têm uma questão limítrofe pendente e se o Chile tem mesmo ou não obrigação de negociar esse conflito. Porém, diz no mesmo parágrafo que qualquer que seja a sua decisão final, ela não se comprometerá com os eventuais resultados posteriores dessas negociações.
Por essa razão, a presidente chilena Michelle Bachelet, a primeira em reagir à decisão da CIJ, afirmou que “o importante a se destacar é a Bolívia não ganhou nada, já que a decisão da CIJ não obriga o Chile a ceder território e que a própria corte afirma que, mesmo numa eventual negociação, ela não poderá influirá nos resultados da mesma”.

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Minutos depois, o presidente Evo Morales comemorou o resultado, enquanto uma multidão cercava a sede de governo para fazer o mesmo. Segundo o mandatário boliviano, que entregou sua declaração numa sala decorada com a bandeira especial da causa marítima boliviana, “o resultado é histórico, e nos dá a esperança de que em breve teremos novamente uma saída soberana ao Oceano Pacífico”. Morales também lembrou e agradeceu o apoio do papa Francisco, que chegou a ser proposto como mediador do caso, o que foi rechaçado pelo Chile posteriormente.

Próximos capítulos
A partir de agora, os dois países voltam a apresentar suas alegações. Nos próximos dias, serão estabelecidas as datas para que os dois países apresentem suas defesas, num processo que ainda poderá durar pelo menos mais dois anos. Nesse sentido, o chanceler chileno afirmou que a postura do Chile continuará sendo a mesma. “Mantemos a convicção que a demanda boliviana carece de base jurídica, já que confunde direitos e aspirações, e que o Chile e a Bolívia não têm nenhum conflito marítimo pendente”.
Por sua parte, o agente boliviano na CIJ de Haia, Eduardo Rodríguez, afirmou que vai apresentar agora os documentos com o qual pretende abrir espaço para negociações futuras. “Por isso, queremos destacar que essa não é uma atitude hostil para com o Chile, e sim uma postura de buscar uma solução em conjunta, para o qual estamos dispostos inclusive a conversar sobre um possível intercâmbio territorial”, disse.
Agência Efe
Para Bachelet, "Bolívia não ganhou nada" em Haia

Morales convidou o governo chileno a conversar sobre o tema. “Somos um país de diálogo e de paz, por isso buscamos nossos direitos através da Justiça, e também estamos abertos a buscá-los através do diálogo, e se o Chile também tem esse espírito, podemos avançar em um acordo independente da demanda na CIJ, o que seria ainda mais histórico para ambos os países”.
Enquanto os presidentes falavam em rede nacional aos seus países, uma pequena multidão se reunia na praça Murillo, em frente à sede de governo da Bolívia, aos gritos de “mar para Bolívia” e levando a bandeira azul estrelada que caracteriza a luta desse país por recuperar uma saída ao mar soberana.
A Bolívia perdeu o acesso ao mar após a derrota na Guerra do Pacífico, entre 1879 e 1883, que envolveu Chile, Bolívia e Peru, e na qual o Chile estabeleceu o domínio da província de Antofagasta, que pertencia à Bolívia, e as de Iquique e Arica, que pertenciam ao Peru.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/41754/tribunal+de+haia+pode+julgar+demanda+da+bolivia+contra+chile+por+saida+ao+mar+decidem+juizes.shtml

Tumulto em peregrinação religiosa deixa mais de 700 mortos na Arábia Saudita

25.09.2015
Do portal da Revista Fórum, 24.09.15

Tragédia ocorreu quando muçulmanos de diversas nacionalidades se deslocavam da cidade de Mina para Meca, para a celebração do Hajj, a maior peregrinação religiosa do mundo


Do Opera Mundi

Ao menos 717 pessoas morreram nesta quinta-feira (24) e mais de 805 ficaram feridas em um tumulto que envolveu peregrinos nos arredores da cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita.

A tragédia ocorreu às 7h05 locais (2h05 de Brasília) quando muçulmanos de diversas nacionalidades se deslocavam da cidade de Mina para Meca, para a celebração do Hajj, a maior peregrinação religiosa do mundo.

Segundo a Defesa Civil saudita, três milhões de pessoas participam do rito islâmico neste ano. Em virtude do grande número, o atendimento ainda está em curso e o número de mortos e feridos pode aumentar. Nessa circunstância, as autoridades orientam os peregrinos a escolher “rotas alternativas” para chegar a Meca.

Hoje é o primeiro dia da festa do Eid al-Adha, em que os peregrinos iniciam um ritual de apedrejamento simbólico do satanás, no vale de Mina, região oeste do reino saudita.

O ritual consiste no ato de lançar sete pedras contra uma grande pilastra que representa satanás e, no dia seguinte, contra três grandes pilastras (grande, média e pequena). Segundo os preceitos do islamismo, todos aqueles capazes devem realizar o Hajj ao menos uma vez na vida.

Há cerca de duas semanas, mais de 100 pessoas morreram e 238 ficaram feridas após o acidente envolvendo a queda de um guindaste dentro do complexo da principal mesquita de Meca.

Contudo, o último grande acidente durante o Hajj ocorreu em janeiro de 2006, quando 364 peregrinos morreram em virtude de um tumulto no mesmo local.

(Foto: KSA/998)

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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/09/tumulto-em-peregrinacao-religiosa-deixa-mais-de-700-mortos-na-arabia-saudita/

Como Aécio fez do avião oficial seu jatinho privê

25.09.2015
Do blog BALAIO DO KOTSCHO, 23.09.15
Por Ricardo Kotscho
aecio1 Como Aécio fez do avião oficial seu jatinho privê
A hipocrisia dos tucanos ao denunciarem o aparelhamento do Estado pelos governos petistas foi exposta mais uma vez com a revelação sobre o uso do avião oficial em viagens particulares de Aécio Neves nos sete anos e três meses em que foi governador de Minas Gerais.
Em levantamento feito pela Casa Civil do atual governo mineiro, comandado pelo PT, e revelado em reportagem de Ranier Bragon e Aguirre Talento na Folha desta quarta-feira, ficamos sabendo que o candidato do PSDB derrotado na última eleição presidencial viajou no avião oficial nada menos do que 124 vezes de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, onde gostava de passar os finais de semana.
Não por acaso a maioria destes voos foi feita entre as quintas-feiras e domingos. Transformado em jatinho privê, o avião pousou também em Angra dos Reis e Búzios, dois bucólicos balneários fluminenses, além de levar o governador por seis vezes a Florianópolis, onde morava a namorada dele, Létícia Weber, com quem se casou antes da campanha eleitoral.
A assessoria do ex-governador e atual senador apressou-se em informar que as viagens foram todas feitas dentro da lei, seguindo o manual tucano para explicar o inexplicável, como aconteceu com os dois aeroportos construídos por Aécio Neves em pequenas cidades próximas a fazendas da sua família.
De fato, nas notas oficiais os tucanos costumam sempre fazer tudo dentro da lei. Se for preciso, criam uma legislação própria como aconteceu nesse caso. Quem assinou o decreto autorizando o uso do avião oficial em compromissos particulares foi o próprio Aécio Neves, quando era governador, "em deslocamento de qualquer natureza, por questõres de segurança".
Na versão da assessoria de Aécio, em algumas destas viagens o então governador manteve encontros com Lula e Sergio Cabral, participou de uma homenagem na Academia Brasileira de Letras e de um encontro familiar em Búzios. Nas idas a Florianópolis, ainda segundo a nota oficial, o ex-governador manteve encontros com representantes do governo local "para discutir temas comuns aos Estados". Só não explicou quais temas eram estes nem o resultado das reuniões.
Os assessores tucanos também disseram que encontraram 30 erros na lista divulgada pela Casa Civil. "Segundo a planilha, o governador Aécio Neves estaria no Rio, quando ele se encontrava em audiência com o presidente Lula, em Brasília, e em reunião de governadores também naquela cidade, respectivamente", diz a nota, citando as datas de 27 de junho de 2005 e 29 de janeiro de 2007.
Até outubro, Marco Antonio de Rezende Teixeira, secretário da Casa Civil, pretende entregar à Assembléia Legislativa a planilha completa, os documentos referentes a estes deslocamentos no avião oficial e o custo das viagens. Entre uma denúncia e outra contra o PT, até lá Aécio poderá preparar as suas justificativas.
Vida que voa.
Em tempo: é primavera! A nova estação começou às 5h20 desta quarta-feira. 
Vida que segue.
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Fonte:http://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2015/09/23/como-aecio-fez-do-aviao-oficial-seu-jatinho-prive/

Economista vê ameaça em mega corporações digitais

25.09.2015
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 20.09.15
Por edição 868

As mega corporações da internet moldam a “liberdade de mercado” de acordo com os seus interesses colocando em risco toda a legislação anti-monopólios nos Estados Unidos. É o que garante o professor e economista norte-americano ,Robert Reich, no livro “Saving Capitalism: For the Many, Not the Few,” a ser lançado em breve.
Para Reich, apesar da explosão no número de páginas publicadas na internet, os visitantes se concentram quase todos em no máximo 10 endereços super frequentados como Google, Facebook, Amazon, Apple, Microsoft, Twitter e YouTube. Para o escritor, isto gera uma concentração de mercado que contraria toda a filosofia da livre concorrência, defendida pelos adeptos o liberalismo econômico.
Robert Reich afirma que é falsa a polarização entre defensores da ação governamental e os adeptos do liberalismo e garante que o Estado precisa organizar e disciplinar o mercado para que a concorrência possa acontecer. Caso contr[ario, a tendência das mega empresas digitais é usar o discurso do livre mercado para negá-lo na prática.
Seguem-se os quatro primeiros parágrafos ( em inglês) do artigo escrito por Robert Reich e publicado pelo jornal The New York Times:
Berkeley, Calif. — CONSERVATIVES and liberals interminably debate the merits of “the free market” versus “the government.” Which one you trust more delineates the main ideological divide in America.
In reality, they aren’t two separate things. There can’t be a market without government. Legislators, agency heads and judges decide the rules of the game. And, over time, they change the rules. The important question, too rarely discussed, is who has the most influence over these decisions and in that way wins the game.
Two centuries ago slaves were among the nation’s most valuable assets, and after the Civil War, perhaps land was. Then factories, machines, railroads and oil transformed America. By the 1920s most working Americans were employees, and the most contested property issue was their freedom to organize into unions.
Now information and ideas are the most valuable forms of property. Most of the cost of producing it goes into discovering it or making the first copy. After that, the additional production cost is often zero. Such “intellectual property” is the key building block of the new economy. Without government decisions over what it is, and who can own it and on what terms, the new economy could not exist.
O texto integral (após cadastramento) pode ser lido em :http://www.nytimes.com/2015/09/20/opinion/is-big-tech-too-powerful-ask-google.html?_r=0
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Fonte:http://observatoriodaimprensa.com.br/curadoria-de-noticias/economista-ve-ameaca-em-mega-corporacoes-digitais/

O significado político-jurídico da agressão sofrida por Stédile

25.09.2015
Do portal da AGÊNCIA CARTA MAIOR, 24.09.15
Por Jacques Távora Alfonsin

Insuflados por versões absolutamente parciais da mídia contra movimentos populares, passaram da hostilidade disfarçada para uma violência física.

reprodução
O atentado sofrido por João Pedro Stédile no aeroporto de Fortaleza, neste 22 de setembro, revela pelo menos três coisas.
 
A primeira é ideológico-cultural. Qualquer movimento popular de defesa de direitos humanos fundamentais de gente pobre, como é o MST, do qual ele é a principal liderança, não está mais sendo agredido apenas de forma disfarçada por aquela fração do poder econômico brasileiro hostil também a toda gente pobre, à dignidade humana, à cidadania e ao Estado Democrático de Direito.
 
Essa faz parte de um histórico preconceito cultural, de inspiração colonialista e escravocrata, enraizado numa convicção autossuficiente de superioridade, sensível ao ponto de reagir violentamente contra qualquer expressão contrária ao seu modo de pensar, agir e manifestar-se.
 
A segunda é ético-sociológica. Na precipitação, no açodamento de pessoas pertencentes à classe do Paulo Angelim, militante do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e empresário do ramo imobiliário que liderou a agressão – conforme se lê na carta de solidariedade a João Pedro circulando na internet – estão aproveitando o ambiente rasteira e hipocritamente moralista, atualmente atordoando o país. Insuflado por versões absolutamente parciais da mídia contra movimentos populares do tipo liderado por João Pedro, ele transfere aquela hostilidade disfarçada para uma violência física, no sentido de mostrar que “só a pau” esses movimentos e suas lideranças “tratem de conhecer o seu próprio lugar”...
 
O recurso à violência física contra alguém de quem se discorda ou se odeia, como se sabe, além de imoral, quase sempre revela um desespero demonstrativo de falência da razão. Por isso, ele não hesita em trocar o diálogo civilizado pela força bruta, já que, mesmo remotamente, no pouco grau de consciência que a paixão permite, não sabe mesmo como sustentar sua não razão.
 
A terceira, talvez a mais preocupante, é predominantemente jurídica. Constitui-se no regresso da ideia de que este tipo de violência é o único capaz de salvar o país da crise pela qual ele passa agora, acentuada de forma temerosa por parte da classe a qual pertence o agressor. Nem é necessário um esforço de memória meramente comparativa para se deduzir desse vergonhoso episódio, a saudade dos seus/suas promotores/as pelo que eles/as chamam de “garantia de segurança”, “disciplina e ordem”, “liberdade”, “respeito à propriedade” bem entendidas aquelas que são de exclusivo interesse dessa fração de gente.
 
Também não é necessário identificar-se aí a pregação do desrespeito às opiniões e organizações populares alheias, sobre as vantagens inerentes a violência do nosso passado ditatorial, como algumas faixas de manifestações públicas massivas estão fazendo, saudosas do golpe militar de 1964.
 
Essa espécie de doutrina defende ardentemente “o respeito devido à lei”, desde que essa, evidentemente, não ameace os conhecidos abusos e excessos derivados de “direitos”, mesmo aqueles cuja aquisição tenha sido feita na base do roubo e da corrupção contra outros direitos, como os sociais, já que roubo e corrupção são práticas criminosas sempre “dos outros”.  
 
Em casos tais, o problema é da Constituição, da lei. Nem a primeira, nem a segunda, se atrevam a colocar em causa “direitos” dessa ordem. A ditadura, por exemplo, não teve nem nunca terá nada de imparcial, mas ela, justamente por conhecer o seu lado, nunca o deixa descoberto. Se o regime democrático atual é garantido legalmente pela nossa Constituição, pior para ela e para o povo de cujos direitos ela se pretende garante.
 
Não é a primeira vez, e certamente não será a última, que João Pedro vai sofrer agressões desse tipo. No intuito de envergonhá-lo, ela só aumenta a sua honra, o mérito do seu testemunho de vida e dedicação ao povo brasileiro, especialmente às/aos sem terra, ao mesmo tempo em que cobre de vergonha, má fama e estultice os seus agressores.
 
Qual a liderança popular capaz de questionar as/os poderosas/os de suas épocas, no passado, não sofreu as mesmas humilhações? O cinismo inspirador do agora sofrido por João Pedro é igual aquele que, passadas as vitórias sociais alcançadas por pessoas como ele, em favor de gente oprimida contra gente opressora como a que o agrediu, vai ser objeto de rasgados elogios no futuro exatamente pela mesma classe opressora do passado. Até as lendas, como a do Negrinho do Pastoreio aqui no Rio Grande do Sul, confirmam isso.
 
O escandaloso atraso que o governo do país vem mostrando, há décadas, na implementação da política pública de reforma agrária, tem sido enfrentado pelo MST, sua principal liderança e todos aqueles movimentos populares e as muitas entidades e pessoas que estão assinando a carta de solidariedade a ela enviada, atualmente circulando na internet.
 
Talvez sejam poucos os imóveis desapropriados no Brasil para fins de reforma agrária – sabidamente insuficientes para a demanda das/os agricultoras/es sem terra – que não tenham sido precedidos de forte pressão delas/es organizadas/os em movimentos como o MST, Via Campesina, pastorais como a CPT, inclusive no que se refere a identificação das áreas passíveis de serem desapropriadas.
 
É claro que isso incomoda bastante estamentos sociais constituídos por quem vê na realidade injusta e opressora, própria da distribuição dos imóveis rurais no nosso país, nenhuma desigualdade censurável, nenhuma inconstitucionalidade, nenhuma ilegalidade, nenhuma agressão ao meio ambiente, já que o direito adquirido de propriedade sobre terra, por mais abusivo e antissocial que seja, tem de prevalecer até contra a vida de todas aquelas pessoas que esse modo de exercício e gozo de um “direito” pretende perenizar.
 
Pelo seu passado, pelo testemunho diário que dá em defesa das/os sem terra, pelos muitos prêmios e homenagens que tem recebido no Brasil e no exterior, João Pedro não precisaria da significativa solidariedade que está recebendo, mas ela ratifica o reconhecimento de uma vida toda posta a serviço das/os mais pobres, não simplesmente limitada a um paternalismo assistencialista, mas política e convenientemente mobilizada contra um alvo certamente inquestionável: a absurda injustiça social inerente ao sistema socioeconômico do país, copiada nesse lamentável incidente por quem o agrediu.
 
Mesmo assim, uma lição pode ser tirada disso: essa violência é muito covarde e o seu enfrentamento é muito corajoso. 
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FMovimentos-Sociais%2FO-significado-politico-juridico-da-agressao-sofrida-por-Stedile%2F2%2F34588

Aécio pagará os 124 voos para o RJ?

25.09.2015
Do portal da Agência Carta Maior, 24.09.15
Por Altamiro Borges, em seu Blog

A denúncia dos 124 voos de Aécio - que possui uma famosa carreira nas noitadas cariocas - pegou mal entre os tucanos de alta plumagem.

Soldadinho de Chumbo / Facebook
Sem maior estardalhaço, a Folha revelou nesta quarta-feira (23) mais uma sacanagem do cambaleante Aécio Neves, candidato derrotado do PSDB nas eleições presidenciais de outubro passado. Quando foi governador de Minas Gerais, ele usou o avião oficial para realizar 124 viagens ao Rio de Janeiro. Namorou e curtiu as noitadas cariocas com dinheiro dos contribuintes mineiros. O jornal não exigiu, como é do seu costume, a criação de mais uma CPI e nem cobrou a imediata devolução da grana aos cofres públicos. Mesmo assim, ajudou a tirar a máscara do falso moralista, o playboy que hoje posa de vestal da ética e rosna pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
 
Segundo a matéria, "o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, usou aeronaves oficiais para realizar 124 viagens ao Rio de Janeiro nos sete anos e três meses que governou Minas Gerais (2003-2010), de acordo com relatório produzido pelo atual governo mineiro, comandado pelo PT. O documento, feito para atender a requerimento originalmente realizado por um deputado estadual do PSDB, mostra uma média de 1,4 viagem por mês ao Rio e a outras cidades fluminenses, como Búzios e Angra dos Reis". Não dá nem para acusar os seus oponentes, já que o requerimento da investigação foi apresentado por um deputado tucano. Um verdadeiro tiro no pé!
 
Ainda segundo a reportagem, "a maioria das viagens foi entre quinta e domingo. Além disso, há em 2008 e 2009 seis passagens para Florianópolis, onde morava a namorada e hoje mulher do tucano, a ex-modelo Letícia Weber. A planilha informa, por exemplo, um deslocamento a São Paulo, Rio e Florianópolis em 19 de fevereiro, quinta da véspera do Carnaval. Colunas sociais de Florianópolis registraram fotos do então governador em uma festa acompanhado de Letícia. O relatório é assinado pelo atual secretário da Casa Civil de Minas, Marco Antonio de Rezende Teixeira. Ele afirma no texto que a pesquisa não encontrou justificativa para a realização das viagens".
 
A Folha tucana até tenta aliviar a barra do cambaleante, que possui uma famosa carreira nas noitadas cariocas - com direito, inclusive, a bafômetros e cenas de bebedeiras. "A assessoria do tucano diz ser normal o uso de avião oficial por governantes em compromisso pessoal, afirma haver inconsistências na listagem e diz que em alguns casos houve compromissos oficiais. O uso de aeronaves, durante a gestão de Aécio Neves, era regulado por decreto assinado pelo tucano. Ele permite o uso de aviões oficiais pelo governador 'em deslocamento de qualquer natureza, por questões de segurança'".
 
Apesar do "outro lado" - que o jornal não costuma usar quando se trata da crítica à presidenta Dilma -, a denúncia dos 124 voos do cambaleante pegou mal entre os tucanos de alta plumagem. O senador mineiro-carioca até hoje não convenceu parte da direção do PSDB, sediada em São Paulo. Há quem suspeite que a revelação da Folha faça parte destas bicadas sangrentas no ninho. Aécio Neves estaria sendo, aos poucos, depenado pelos tucanos paulistas. Seria o caso de aproveitar a guerra para exigir a convocação de uma CPI e também para pedir o retorno da grana aos cofres públicos de Minas Gerais. 
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Aecio-pagara-os-124-voos-para-o-RJ-/4/34581

Se o urbanismo é a ciência das ruas não estaria aí a resposta?

25.09.2015
Do portal FÓRUM
URBANIDADES, 17.05.15
Por Fernando Lara

Acordei na segunda dia 16 com ressaca intelectual. Foi difícil assistir ao festival de aberrações que passou pelas ruas do Brasil e confesso aqui a minha dificuldade em entender tanto ódio, e porque não dizer, tanta burrice.  O meu dia a dia como diretor do maior centro de estudos brasileiros dos EUA me obriga a explicar o Brasil várias vezes por semana. Mas como explicar milhares de cartazes contra a presidenta eleita quatro meses atrás e nada sobre governadores, senadores e deputados. Não vi um único cartaz sobre juízes andando com o Porsche alheio, muito menos cartazes pedindo investigação sobre as contas do HSBC. Difícil entender este país não?
Talvez a foto que resuma o 15 de março de 2015 seja a de uma família negra e pobre assistindo da calçada a marcha dos ricos brancos. Se serviu para alguma coisa este domingo de horrores foi para dar nome aos bois. O preconceito e o ódio de classe ficou estampado na tela da Globo. Em 1968 Nelson Rodrigues (que falta faz uma direita minimamente culta) reparou que não havia negros na Passeata dos 100 Mil e ele tinha razão. No domingo havia muito pouco de povo nas ruas do Brasil afora.  Mas também havia muito, mas muito pouca inteligência. Assistimos a um enorme desabafo de ódio e rancor que vai durar ainda muito tempo.
Um dia quem sabe eu consiga entender o que leva uma pessoa a pedir “menos Paulo Freire” num país que há muito pouco tempo pôs as crianças todas na escola. Não vai ser nada fácil educar este país mas o fato de Paulo Freire incomodar me diz que estamos no caminho certo, ainda que com passos de formiga e sem vontade.
Mas chega de depressão e vergonha alheia. A vida continua nesta segunda-feira e como diz um tio querido, a gente tem mais é que colocar a pastinha debaixo do braço e ir trabalhar. Assim eu deixo aqui minha pequena contribuição ao debate e uma proposta: usar do urbanismo para responder as ruas. Me explico:
Em 2005, diante do primeiro grande massacre midiático construído em torno das denúncias do mensalão o que fez o presidente Lula? Rifou o Ministério da Cidades. Entre preservar meios e fins e ser deposto pelas forças reacionárias Lula preservou os fins (promover alguma distribuição de renda) e abandonou os meios.  Vale lembrar que a melhor definição do mensalão foi a do Stédile: o governo estava usando métodos da direita para comprar deputados de direita para aprovar projetos de direita.
Ao demitir Olívio Dutra e instalar no Ministério das Cidades o PP, Lula ligou o PT às empreiteiras de forma a salvar seu projeto de justiça social. E deu certo no sentido de que 40 milhões saíram da pobreza, a economia cresceu agressivamente, o desemprego caiu e o país se transformou. Mas a conta veio na forma de um congresso cada vez mais fisiologista, uma esquerda perdida que abandonou os processos participativos e uma direita com sangue nos olhos. Em junho de 2013, o país foi às ruas protestar contra os gastos da copa comparados à ineficiência dos serviços públicos (principalmente o transporte). Dilma perdeu a chance de fazer ali a reforma política dado que todos estavam acuados: congresso, governadores, prefeitos e governo federal. E mais ainda, a causa era pela melhoria das cidades, algo concreto, palpável, mensurável.
Por isso acredito que hoje, mesmo estando a esquerda nas cordas, a resposta ainda pode ser dada pelo urbanismo e aqui vão algumas sugestões:
1.    Resgatar os processos participativos.  Não é difícil amarrar o financiamento do PAC a execução de debates e assembleias com as comunidades afetadas para aprimorar os projetos e diminuir o estresse que toda obra causa. Dilma tem o know-how e três anos e meio para fazer isto, é tempo mais do que suficiente. Não existe congressista que sobreviva sem verbas para seus municípios. Condicione estas verbas aos processos participativos e teremos tudo ao mesmo tempo: transparência, comunicação, cidadania e democracia direta.
2.    Investir mais em mobilidade urbana com ênfase no transporte público e menos no subsídio do automóvel. Haddad já mostrou como fazer faixas exclusivas de ônibus e ciclovias. Imagine o PAC financiando isto no Brasil inteiro.
3.    Pensar na energia e na mobilidade do século XXI. Entre para a história como a presidente que além de defender a Petrobras criou a Solarbras e a Éolobras. Invista na arborização de nascentes e na renaturalização dos rios urbanos. Faça as obras que o Brasil precisa para o século 21.
4.    Trazer os melhores pensadores do urbanismo brasileiro de volta para o Ministério das Cidades, desalojando a turma do PP que toma conta desde 2005. Deixar as cidades na mão do Maluf e do Dornelles (incrível ninguém lembrar que o dono do PP é tio do Aécio) só podia dar nisso. Chame o Nabil Bonduki, a Raquel Rolnik, o Renato Anelli, o Carlos Martins e o Edésio Fernandes. Quadros especializados em urbanismo é o que não falta na esquerda.
5.    Fazer o Minha Casa Minha Vida dentro das cidades. Invista em terrenos que já tem infraestrutura, que estão perto dos empregos e perto das redes de suporte. Nas grandes cidades isto pode ser caro mas o Estatuto das Cidades tem os instrumentos para transferência do direito de construir por exemplo. Dê uma olhada na quantidade de terreno que a união controla, seja de sua propriedade ou de propriedade das estatais e das Forças Armadas ou espólio da RFFSA. Nas pequenas e médias cidades os vazios são significativos. Investir em habitação de qualidade (o Kassab fez coisas interessantes em SP, converse com ele)
6.    Recuperar a capacidade do Estado de planejar e projetar. Regimes diferenciados de contratação são a raiz do problema da Petrobras que FHC deixou como herança maldita desde 1998. Estender o RDC como queria Gleisi Hoffmann ano passado é uma enorme besteira que transfere para as empreiteiras a capacidade de pensar o país. Tanto no MCidades quanto no Ipea existem jovens projetistas e planejadores prontos para pensar o país. Estas decisões de desenho não podem ficar na mão de diretorias da CEF que só pensam dentro dos limites da análise de riscos financeiro. Precisamos de um BNDES para financiar as cidades. O retorno em qualidade de vida da população será tremendo. Seja absolutamente transparente em cada projeto e cada decisão.
Em resumo Dilma, a direita está babando de ódio porque a esquerda ousou mudar os fins da política brasileira e transformar o país em algo melhor. Este congresso não vai fazer reforma política. O judiciário não vai deixar de ter dois pesos e duas medidas. A grande mídia não vai te dar nenhuma folga e se forem a falência vão ainda vão colocar os desempregados para bater na sua porta. Mas a caneta do orçamento ainda é sua e o presidencialismo ainda tem força no Brasil.
Mude os meios, seja transparente nas contas e implacável com a corrupção, mas faça as obras que o Brasil precisa para ter cidades melhores no século 21. Este imbróglio todo começou quando as cidades foram rifadas em 2005, junto com os processos participativos.  O Haddad já mostrou o quanto pode se fazer em apenas dois anos. Você tem três e meio pela frente.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/urbanidades/2015/03/17/se-o-urbanismo-e-ciencia-das-ruas-nao-estaria-ai-resposta/

Impeachment sem fatos agride o princípio fundante do Estado de Direito: a soberania popular

25.09.2015
Do portal AGÊNCIA CARTA MAIOR, 24.09.15
Por Paulo Teixeira*

Buscar o impeachment sem que haja fatos implica agressão grotesca ao princípio fundante do Estado de Direito, o da soberania popular.

Roberto Stuckert Filho/PR
Conceitos jurídicos muitas vezes são fluidos, indeterminados, gerando, portanto, certa margem de discricionariedade para quem os interpreta. Essa órbita discricionária, porém, não pode em qualquer hipótese traduzir uma espécie de “aleluia jurídico”, permitindo ao exegeta extrair desses conceitos o que bem lhes aprouver, acomodando-os às demandas do momento. Zonas de certeza, positiva ou negativa, são sempre limites interpretativos que não podem ser rompidos.
 
Um desses conceitos fluidos é o de “crime de responsabilidade”, acomodado nos artigos 52 e 85 da Constituição Federal como fato gerador do impeachment de autoridades, dentre as quais o Presidente ou a Presidenta da República.
 
O impeachment nasceu na Inglaterra, consubstanciando, à época, em um processo parlamentar voltado à responsabilização política e criminal de altas autoridades públicas. Ao longo dos anos, contudo, dentro dos padrões próprios de uma ordem jurídica estribada no direito costumeiro, foi substituído pela moção de desconfiança e caiu em desuso. Ressurgiu nos Estados Unidos da América, com o advento da Constituição de 1787, a qual, contudo, separou a responsabilidade política da criminal: esta a cargo de processos judiciais, aquela a cargo de processos parlamentares.
 
O Brasil, como se vê, é herdeiro dessa tradição. Assim, um intérprete afoito e pouco afeito às práticas democráticas iniciadas com o Estado de Direito criado pela Constituição de 1988 poderia sacar a conclusão: se o processo é parlamentar, não há limites, não há regras, não existem condições. Nada mais enganoso.
 
Conceitos fluidos não atribuem àqueles que o operam poder nenhum que se sobreponha à Constituição. E esta, ao abordar crimes de responsabilidade, desfiou um rol de hipóteses motivadoras, as quais, por sua vez, só podem ser consideradas à luz das demais cláusulas constitucionais, como, entre outras, o devido processo legal.
 
Explica-se. Os que cogitam a possibilidade de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff o fazem amparados nas causas constantes dos incisos V, VI e VII, do art. 85 da Constituição Federal, a saber:
 
V - a probidade na administração; 
 
VI - a lei orçamentária; 
 
VII - o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
 
Os conceitos incorporados pelas cláusulas constitucionais em apreço já não são tão vagos assim, ou seja, possuem uma carga semântica que lhes denota claramente o conteúdo. Probidade administrativa, a primeira delas, só pode significar a violação a um dos dispositivos da lei 8.429/92, que trata das “sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional e dá outras providências”. Ora, a Presidenta da República não foi, nem está sendo, sequer investigada pela prática de atos da espécie. Em outras palavras, não há, para o Direito, nem cogitação dessa possibilidade.
 
A hipótese do precitado inciso VI, da lei orçamentária, diz respeito às contas públicas, sendo certo que o art. 70 da Constituição prescreve que “a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional”, com auxílio do Tribunal de Contas. É bem de se ver: o Congresso Nacional não julgou as contas da Presidenta da República, em nenhum de seus exercícios, tornando, ainda uma vez, incogitável a possibilidade de impeachment com arrimo em tal previsão. Ademais, o sistema de controle de contas é amplo, contemplando diferentes possibilidades, como a sustação de contratos e a imputação de débitos, entre outras. Só uma coleção de condenações dessa natureza poderia render possibilidade de uma medida excepcional como o impeachment. É bom lembrar, a Presidenta Dilma Rousseff não foi condenada ou processada uma vez sequer.
 
A derradeira hipótese, de cumprimento das leis e decisões judiciais, abriga duas possibilidades. A primeira, de cumprimento das leis, que, à evidência, suporia, no mínimo, um processo judicial transitado em julgado em que se apontasse uma conduta presidencial eivada de ilegalidade. Esse processo não existe. A segunda, de cumprimento das decisões judiciais, pressuporia a condenação por um crime de desobediência a uma ordem judicial. Isso tampouco existe ou existiu.
 
O mandato político decorre de uma investidura popular, abrigada sob os influxos da previsão do parágrafo único do art. 1º da nossa Constituição, segundo o qual “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”
 
O impeachment tem, assim, caráter excepcionalíssimo, fazendo com que suas causas motivadoras devam sempre ser interpretadas restritivamente. Buscar o impeachment sem que haja fatos — não os produzidos midiaticamente, mas os demonstrados judicialmente — implica agressão grotesca ao princípio fundante do Estado de Direito, o da soberania popular.
 
*Paulo Teixeira é mestre em Direito do Estado pela USP, deputado federal (PT/SP) e vice-líder do Governo na Câmara dos Deputados.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Impeachment-sem-fatos-agride-o-principio-fundante-do-Estado-de-Direito-a-soberania-popular/4/34580

Vereador que protestou contra Dilma está preso há 10 dias em SC por corrupção

25.09.2015
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA 24.09.15

O vereador com a bandeira do Brasil e a família

O vereador Nabor Afonso Arruda (PMDB), defensor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e manifestante contra a corrupção política, está preso há dez dias no Complexo Penitenciário Canhanduba, em Itajaí (97,6 km de Florianópolis). Segundo seu chefe de gabinete, Luciano Sens, ele participou dos protestos contra o governo "como cidadão comum".

O parlamentar, que há 19 anos trabalha como auditor fiscal da Prefeitura de Itajaí, foi alvo de investigações da Operação Dupla Face do Gaeco (Grupo Especializado no Combate do Crime Organizado), que descobriu um esquema municipal no imposto de transação imobiliária, além da venda de facilidade às empresas que necessitassem de alvarás e licenças públicas. Antes de negociar facilidades, os envolvidos criariam as dificuldades nos licenciamentos.

Segundo o Gaego, eles também manipulavam as cobranças do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens de Imóveis). Os valores seriam reduzidos para aqueles que pagassem propina. A investigação aponta que o esquema era encabeçado pelo ex-procurador geral do município Rogério Nassif Ribas, pelo ex-secretário da Fazenda Marco de Andrade e por Afonso Arruda.

O Gaeco tem provas de 50 cobranças do ITBI engavetadas nos últimos três anos. Até o momento, foram expedidos 40 mandados de busca e apreensão e somadas 13 prisões, nove de servidores públicos. Além dos três possíveis mentores, foram presos o ex-secretário de Planejamento Orçamento e Gestão Douglas Cristino, o secretário de Urbanismo, Paulo Praun, o de Habitação, Sadi Antonio Pires, o coordenador de Urbanismo, Sérgio Ardigó, o técnico da Secretaria de Urbanismo Hemerson Ricardo da Fonseca e o irmão do vereador Afonso Arruda, o arquiteto Tito Arruda.  Os únicos afastados dos cargos foram o ex-secretários da Fazenda e o secretário de Obras, Tarcizio Zanelato.

O gabinete do vereador Arruda entregou na Câmara um pedido de afastamento de 31 dias. No último dia 17, a juíza titular da 1° Vara Criminal da Comarca de Itajaí, Sônia Moroso Terres negou o pedido de liberdade provisória ao vereador. As informações estão na Uol
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/09/vereador-que-protestou-contra-dilma.html

Janio de Freitas: Aécio passou mais de um ano de seu governo no Rio...Mas pago pelo povo

25.09.2015
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 24.09.15

 Sete anos e três meses fizeram 2.610 dias de governo de Aécio em Minas, entre 2003 e 2010. Seria indelicado, no Rio, vermos Aécio como um visitante. É de casa. Mas estar como governador o pôs na condição temporária de visitante de fim de semana, cujo período típico é de sexta ao final de domingo ou, também comum, até a manhã de segunda. O equivalente a três a quatro dias.

Especulemos com o período menor, cerca de três dias. Deixados de lado voos em aviões e helicópteros particulares e fretados, nas 124 viagens ao Rio em aviões oficiais –reveladas na Folha por Ranier Bragon e Aguirre Talento– Aécio passaria 372 dias no Rio. Na capital, em Angra, em Búzios, foi sempre foi muito solicitado, para bem mais de três a cada vez. Chamado, porém, de volta à responsabilidade de conduzir Minas e os mineiros.

Mas 372 dias, não importa se um pouco menos ou um tanto mais, perfazem um ano de governo passado no Rio.

Em uma outra reportagem da olha nessa quinta feira
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/09/janio-de-freitas-aecio-passou-mais-de.html

PSDB mineiro acusa PSDB paulista de “armar” contra Aécio

25.09.2015
Do BLOG DA CIDADANIA, 24.09.15
Por Eduardo Guimarães
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Na última quarta-feira, a Folha de São Paulo publicou manchete incomum em sua primeira página – ou não é incomum a imprensa paulista fazer “denúncia” contra um tucano? E, no caso, a denúncia foi contra o senador mineiro e presidente do PSDB, Aécio Neves.
aécio 1
A história foi requentada.  A reportagem anuncia o que todo mundo está careca de saber: que Aécio Neves, presidente do PSDB, líder da oposição, senador por Minas Gerais, usa dinheiro público para alimentar sua obsessão por aviões, que, além de uso de aeronaves oficiais, inclui até construção de aeroportos para uso particular, obviamente construídos com dinheiro público.
Aliás, a matéria da Folha saiu incompleta. Alude ao uso abusivo de aeronaves oficiais enquanto Aécio era governador de Minas, mas, para ser completa, deveria ter lembrado ao público que a farra aérea do tucano continuou após ele deixar o governo mineiro.
Reportagem do jornal O Estado de São Paulo de março de 2013 revelou que “O senador Aécio Neves (PSDB) fez para o Rio de Janeiro 63% das viagens bancadas pela verba de transporte aéreo (VTA) do Senado”.
Aécio é senador por Minas Gerais. Por que o Erário tem que bancar suas viagens de turismo ao Rio?
A matéria de 2013 do Estadão também informou que o então pré-candidato a presidente da República “Pagou com dinheiro público 83 voos, dos quais 52 começaram ou terminaram na capital fluminense (…) rumo ao Aeroporto Santos Dumont, o mais próximo da zona sul da cidade, onde [Aécio] passou parte da juventude, cursou a faculdade, mantém parentes e costuma ser visto em eventos sociais
Explica-se aquela inédita diligência do Estadão com dinheiro público mesmo não sendo o PT o alvo da acusação: havia uma disputa entre o PSDB de São Paulo e o de Minas para saber qual dos dois Estados teria a candidatura pela PSDB a presidente no ano seguinte.
Em 2009, o Estadão também atacou Aécio para que não ousasse enfrentar José Serra na disputa pela candidatura do PSDB a presidente. O falecido articulista e editorialista Mauro Chaves publicou o artigo “Pó pará, governador”, que insinuava que o então governador de Minas Gerais seria usuário de cocaína”.
Vale a pena rever aquela matéria para entender a eterna guerra através da imprensa que travam o PSDB de São Paulo e o de Minas.
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Pó pará, governador?
28 de fevereiro de 2009 | 0h 00
Mauro Chaves – O Estado de S.Paulo
Em conversa com o presidente Lula no dia 6 de fevereiro, uma sexta-feira, o governador Aécio Neves expôs-lhe a estratégia que iria adotar com o PSDB, com vista a obter a indicação de sua candidatura a presidente da República. Essa estratégia consistia num ultimato para que a cúpula tucana definisse a realização de prévias eleitorais presidenciais impreterivelmente até o dia 30 de março – “nem um dia a mais”. Era muito estranho, primeiro, que um candidato a candidato comunicasse sua estratégia eleitoral ao adversário político antes de fazê-lo a seus correligionários. Mais estranho ainda era o fato de uma proposta de procedimento jamais adotada por um partido desde sua fundação, há 20 anos — o que exigiria, no mínimo, uma ampla discussão partidária interna -, fosse introduzida por meio de um ultimato, uma “exigência” a ser cumprida em um mês e meio, sob pena de… De quê, mesmo?
O que Aécio fará se o PSDB não adotar as prévias presidenciais até 30 de março? Não foi dito pelo governador mineiro (certamente para não assinar oficialmente um termo de chantagem política), mas foi barulhentamente insinuado: em caso da não-aprovação das prévias, Aécio voaria para ser presidenciável do PMDB. É claro que para o presidente Lula e sua ungida presidenciável, a neomeiga mãe do PAC, não haveria melhor oportunidade de cindir as forças oposicionistas, deixando cada uma em um dos dois maiores colégios eleitorais do País. E é claro que para o PMDB, com tantos milhões de votos no País, mas sem ter quem os receba, como candidato a presidente da República, a adoção de Aécio como correligionário/candidato poderia significar um upgrade fisiológico capaz de lhe propiciar um não programado salto na conquista do poder maior — já que os menores acabou de conquistar.
Pela pesquisa nacional do Instituto Datafolha, os presidenciáveis tucanos têm os seguintes índices: José Serra, 41% (disparado na frente), e Aécio Neves, 17% (atrás de Ciro Gomes, com 25%, e de Heloisa Helena, com 19%). Por que, então, o governador de Minas se julga capaz de reverter espetacularmente esses índices, fazendo sua candidatura presidencial subir feito um foguete e a de seu colega e correligionário paulista despencar feito um viaduto? Que informações essenciais haveria, para se transmitirem aos cerca de 1 milhão e pouco de militantes tucanos — supondo-se que estes fossem os eleitores das “exigidas” prévias, que ninguém tem ideia de como devam ser –, para que pudesse ocorrer uma formidável inversão de avaliação eleitoral, que desse vitória a Aécio sobre Serra (supondo que o governador mineiro pretenda, de fato, vencê-las)?
Vejamos o modus faciendi de preparação das prévias, sugerido (ou “exigido”?) pelo governador mineiro: ele e Serra sairiam pelo Brasil afora apresentando suas “propostas” de governo, suas soluções para a crise econômica, as críticas cabíveis ao governo federal e coisas do tipo. Seriam diferentes ou semelhantes tais propostas, soluções e críticas? Se semelhantes, apresentadas em conjunto nos mesmos palanques “prévios”, para obter o voto do eleitor “prévio” cada um dos concorrentes tucanos teria de tentar mostrar alguma vantagem diferencial. Talvez Aécio apostasse em sua condição de mais moço, com bastante cabelo e imagem de “boa pinta”, só restando a Serra falar de sua maior experiência política, administrativa e seu preparo geral, em termos de conhecimento, cultura e traquejo internacional. Mas se falassem a mesma coisa, harmonizados e só com vozes diferentes, os dois correriam o risco de em algum lugar ermo do interior ser confundidos com dupla sertaneja — quem sabe Zé Serra e Ah é, sô.
Agora, se os discursos forem diferentes, em palanques “prévios” diferentes, haverá uma disputa de acirramento imprevisível. E no Brasil não temos a prática norte-americana das primárias — que uniu Obama e Hillary depois de se terem escalpelado. Por mais que disfarcem e até simulem alianças, aqui os concorrentes, após as eleições, sempre se tornam cordiais inimigos figadais. E aí as semelhanças políticas estão na razão direta das diferenças pessoais. Mas não há dúvida de que sob o ponto de vista político-administrativo Serra e Aécio são semelhantes, porque comandam administrações competentes.
Ressalvem-se apenas as profundas diferenças de cobrança de opinião pública entre Minas e São Paulo. Quem já leu os jornais mineiros fica impressionado com a absoluta falta de crítica em relação a tudo o que se relacione, direta ou indiretamente, ao governo ou ao governador.
O caso do “mensalão tucano” só foi publicado pelos jornais de Minas depois que a imprensa do País inteiro já tinha dele tratado — e que o governador se pronunciou a respeito. É que em Minas imprensa e governo são irmãos xifópagos. Em São Paulo, ao contrário, não só Serra como todos os governos e governadores anteriores sempre foram cobrados com força, cabresto curto, especialmente pelos dois jornais mais importantes. Neste aspecto a democracia em São Paulo é mais direta que a mineira (assim como a de Montoro era mais direta que a de Tancredo). Fora isso, os governadores dos dois Estados são, com justiça, bem avaliados por suas respectivas populações.
O problema tucano, na sucessão presidencial, é que na política cabocla as ambições pessoais têm razões que a razão da fidelidade política desconhece. Agora, quando a isso se junta o sebastianismo — a volta do rei que nunca foi –, haja pressa em restaurar o trono de São João Del Rey… Só que Aécio devia refletir sobre o que disse seu grande conterrâneo João Guimarães Rosa: “Deus é paciência. O diabo é o contrário.”
E hoje talvez ele advertisse: Pó pará, governador?
Mauro Chaves é jornalista, advogado, escritor,administrador de empresas e pintor.
*
O leitor poderá notar que no texto acima figura link para a matéria original do Estadão. Porém, se tentar acessá-la irá deparar com a seguinte mensagem
Aécio 2
Como se vê, o Estadão, por razões óbvias, sumiu com a matéria após ela ter cumprido seu objetivo – há cerca de seis anos. Porém, um leitor desta página descobriu como recuperá-la e fez até um vídeo explicando como é possível comprovar a veracidade do artigo do Estadão que acusou Aécio de ser usuário de cocaína.
Se alguém tinha dúvida da existência dessa guerra entre tucanos mineiros e paulistas, não deveria ter mais após tudo que acaba de ler e assistir. Porém, tem mais.
Na última quinta-feira, este blogueiro recebe ligação em seu celular de um “número privado”, ou seja, que o identificador de chamadas do aparelho não conseguiu identificar. Reproduzo de memória, abaixo, o teor da ligação.
— Eduardo Guimarães?
— Ele mesmo, pois não…
— Eduardo, liguei pra falar procê da matéria da Folha de ontem que acusa Aécio Neves de usar avião oficial pra ir pro Rio…
— Quem está falando, por favor?
— Foi o Alckmin que encomendou a matéria.
— Preciso saber com quem estou falando…
— Lembra das matérias do Estadão pó pará, governador – um ano antes da eleição de 2010 – e da de 2013 – um ano antes da eleição de 2014 – sobre uso de avião oficial no senado? Agora Alckmin usa a Folha pra atacar Aécio pelo lugar da Dilma
— Quem fala? Alô, alô…
A ligação foi cortada. Porém, concordo com o anônimo. Até porque, o Blog obteve informações de que o mundo caiu na cabeça da Folha ontem. Foram tantas as ligações de tucanos aecistas que, em sua edição seguinte (24/9), o jornal sai com um artigo igualmente incomum – mas, agora, contra Alckmin.
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FOLHA DE SÃO PAULO
24 de setembro de 2015
ROGÉRIO GENTILE
SÃO PAULO – Em meio a tanto problema, com presidente no limbo e dólar nas alturas, a Câmara, ao menos, tem-se esforçado para fazer humor. Sarcástico e debochado, mas humor. Decidiu conceder ao governador Alckmin (PSDB) um prêmio por sua atuação na crise hídrica.
O Prêmio Lúcio Costa foi criado com o objetivo de reconhecer iniciativas que buscam a melhora da qualidade de vida das pessoas. Segundo o Datafolha, 71% dos paulistanos já sofreram cortes no fornecimento de água. Será que ser obrigado a sair de casa sem tomar banho ou ter de manter um balde entre as pernas para captar água com sabão no chuveiro significa vida melhor?
Embora, de fato, São Paulo esteja passando pela maior estiagem em 85 anos, não há como elogiar a atuação do governador. Alckmin demorou conscientemente para agir. Retardou uma série de medidas contra a seca simplesmente porque temia seu impacto na eleição.
Em abril de 2014, anunciou que começaria a sobretaxar em 30% as pessoas que gastassem água em demasia. Desaconselhado por assessores políticos, recuou e só implantou a medida em janeiro de 2015. A redução da pressão nas torneiras, principal providência contra a crise, também foi ampliada após a eleição.
Reportagem da Folha mostrou que as represas poderiam ter 51% mais de água se valessem desde o início de 2014, quando a crise já era evidente, as medidas hoje em vigor.
Relatório do Tribunal de Contas do Estado diz que a crise hídrica “é resultado da falta de planejamento das ações do governo” e que alertas foram dados desde 2004.
O próprio Jerson Kelman, presidente da Sabesp, reconhece que a atuação não foi boa. Pouco antes de assumir o cargo, no fim de 2014, afirmou que, por conta da eleição, “desperdiçou-se água e os reservatórios estão mais vazios do que deveriam”.
Alckmin, porém, como disse ontem, considera que “o prêmio foi merecido”. Só pode mesmo ser piada.
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Foi uma espécie de “prova” que o jornal tentou dar aos aecistas de que não fez a denúncia contra Aécio a serviço de Alckmin. Mas, como ninguém é de ferro, a denúncia contra o governador paulista saiu sem destaque, escrita por um antipetista fanático que jamais dissera um A contra o PSDB antes.
Por que o PSDB paulista está atacando Aécio de novo? Novamente, o ataque ocorre porque Aécio quer derrubar Dilma e Temer já para que haja novas eleições já, pois, devido ao recall das eleições do ano passado, sua vitória, ao menos na visão dele, seria “certa”.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/09/psdb-mineiro-acusa-psdb-paulista-de-armar-contra-aecio/