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domingo, 6 de setembro de 2015

O pau que dá em Chico e em Francisco açoitará Aécio Neves?

06.09.2015
Do blog BRASIL29, 03.09.15

AecioJanot030915
(Frederico A. Passos para o BR29)  
Terça-feira, 25/09/2015, dia ensolarado em Brasília, com aquele céu inconfundível, traço do arquiteto, como diria Djavan e, na Câmara, o doleiro delator mais querido do Brasil, Alberto Youssef, prestava depoimento na CPI da Petrobras.
E ele falou aquilo que a revista Veja, grupo Folha, Estadão e Globo não queriam ouvir: Youssef delatou o candidato derrotado Aécio Neves, acusando-o de ter recebido propina de Furnas. Como disse José Simão: Aécio perdeu na urna e se afundou em Furnas!
Neves recebia uma propina de U$$ 120 mil todo mês de Furnas, por meio da empresa Bauruense. A propina foi recebida durante todo o mandato de FHC. Na eleição de 2002, o PSDB e outros partidos receberam R$ 39,9 milhões para as campanhas direto de Furnas. Esse dinheiro abasteceu as campanhas de Alckmin, Serra e de outros 156 candidatos a deputados federais e senadores de vários partidos (PSDB, PMDB, PL, PFL, PP e outros).
Domingo, 30/08/2015. Foi divulgado que a ministra do TSE, Thereza de Assis Moura, havia solicitado esclarecimentos sobre 15 irregularidades detectadas na prestação de contas de Aécio Neves. Dentre elas, uma doação de R$ 2 milhões da empreiteira Odebrecht que não foi contabilizada na prestação de contas. Em outras palavras, Aécio fez desaparecer R$ 2 milhões!
O interessante, nos dois casos, a delação e o sumiço do dinheiro da contabilidade de Aécio, foi a blindagem da mídia, que omitiu o nome do candidato nas chamadas das matérias. O pior de todos foi o portal UOL, que retificou a manchete em menos de uma hora!
No caso da delação de Youssef, o que fará o Procurador Janot? Prosseguirá com a denúncia ou irá arquivá-la?
No caso do sumiço de R$ 2 milhões da Odebrecht, o que dirá o “advogado” dos tucanos no TSE, ministro Gilmar Mendes ? Pedirá vistas do processo ou irá, pela primeira vez na vida, condenar um tucano?
Afinal, procurador Janot e ministro Mendes, pau que dá em Chico e em Francisco açoitará Aécio Neves?
(Frederico A. Passos para o BR29 –  fred_pasos@yahoo.com.br)
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Fonte:http://br29.com.br/o-pau-que-da-em-chico-e-em-francisco-acoitara-aecio-neves/

A tirania dos salvadores da pátria

06.09.2015
Do portal AGÊNCIA CARTA MAIOR, 30.07.15
Por Saul Leblon

O mérito elogiável do combate ao desvio de dinheiro derrete na seletividade das ações e evidencia um fanatismo ideológico raso.  

EBC
A lógica que produz um ambiente fascista nem sempre é feita de inciativas coordenadas por um diretório central, mas de arranques impunes, que amaciam a rota para esse segundo momento.

 
Ordenadas pela dinâmica cega de interesses graúdos, ações aparentemente dispersas conduzirão a avalanche pulverizada até o seu arremate totalitário.
 
O contrapiso do caminho consiste, entre outras coisas, em raspar do imaginário social suas referências reais e simbólicas, numa espiral erosiva de desamparo que desidrata o futuro, desqualifica o passado e leva à exasperação do presente.
 
Sedimenta-se aí o território dos salvadores da pátria.
 
O surgimento de candidaturas municipais atreladas ao bordão da ‘segurança’ nas eleições de 2016, caso da do apresentador Datena, cogitada em São Paulo, prefigura o ovo que choca nessa incubadora de boas e más intenções.
 
Na história de uma sociedade, as intenções são soterradas pela articulação objetiva dos fatos que as precedem e as sucedem.
 
Quem não entende isso presta-se ao papel de um joguete de suas próprias ações.
 
Nunca esquecer: a ‘Operação Mãos Limpas’, em 1992, figurava como o golpe definitivo no combate à endogamia entre o dinheiro privado e a podridão da política italiana.
 
Lá como cá o núcleo dos ilícitos começava nas distorções de financiamento do sistema eleitoral.
 
E terminava sabe-se onde.
 
A devassa ocupou dois anos e expediu 2.993 mandados de prisão; 6.059 figurões tiveram as contas e patrimônios dissecados -- entre eles, 872 empresários , 438 parlamentares, quatro ex-primeiros-ministros.
 
Não terminou em pizza.
 
Cerca de 1.300 réus foram condenados; apenas 150 absolvidos.
 
Suicídios, assassinatos, fugas e humilhações pontuaram a faxina.
 
O furacão jurídico destruiu a Primeira República Italiana.
 
Cinco grandes partidos, incluindo-se a Democracia Cristã, o Partido Socialista e o Partido Comunista, o maior e mais estruturado do ocidente, viraram poeira da história.
 
Na Itália não se viu a  seletividade partidária, quase obscena, que goteja nas ações dos promotores do Paraná.
 
O espaço que se abriu, porém, não encontrou forças mobilizadas, tampouco projetos organizados, nem propostas críveis para catalisar a revolta e a desilusão da sociedade.
 
Vale repetir o que já se observou nesse espaço: tragicamente, o que se pretendia combater, ganhou impulso avassalador.
 
A independência entre o poder político e o poder econômico   derreteu completamente.
 
Um país desprovido de partidos fortes, desiludido de suas lideranças, virou refém direto do dinheiro grosso, na figura de um de seus detentores caricaturais, Il Cavaliere.
 
Silvio Berlusconi, um produto despudoramente representativo do vazio chocado em uma sociedade atomizada, feita em estilhaços políticos, emergiu solitariamente como il capo, ancorado em um sistema de comunicação pautado por valores sabidos.
 
O desfecho da Mãos Limpas foi o horror na forma de uma liderança bufa, que substituiu a hegemonia de Gramsci pela indigência ubíqua de sua própria rede de televisão.
 
Não, não foi uma ressaca passageira.
 
Foi o desdobramento de uma sangria estrutural da política sacrificada na unidimensional lógica da faxina policial.
 
Silvio Berlusconi e sua fortuna de US$ 6 bilhões ficaram nove anos no poder.
 
A Itália de apequenou em todas as frentes; hoje patina à beira de um poliprecipício, candidata a se tornar a próxima Grécia.
 
O enredo brasileiro agrega novidades a esse horizonte.
 
As características rebaixadas  e despudoradamente contaminadas de partidarismo dos condutores da ‘faxina’ local, amplificam os riscos e os seus desdobramentos.
 
De um lado, arquiteta-se um politicídio seletivo engatado na ostensiva caça ao PT; de outro, o engessamento de um projeto incômodo à agenda conservadora, o pré-sal, ameaçando de obsoletismo uma das poucas alavancas de irradiação de um novo ciclo de desenvolvimento.
 
O desdém manifesto pela república de Moro em relação ao interesse público neste tema dá a medida da indigência histórica e geopolítica que move as ações em curso da assepsia policial que paralisa o país.
 
Diante da liquefação econômica, social e política, as ferramentas de resposta são sonegadas aos alvos da ofensiva tosca e incapaz de enxergar a nação em meio ao vendaval.
 
A ferramenta da comunicação com a sociedade, por exemplo.
 
Monopolizada nas mãos de anões cívicos e predadores ideológicos, resume-se cada vez mais a um press release de porta de cadeia.
 
Instala-se assim a lógica da voz única, que costuma arrematar a chacina de uma época e acionar o ciclo das manifestações mórbidas em uma sociedade sem forças para se reinventar.
 
Na Itália, o limbo foi preenchido pelo fascismo bufo de Berlusconi.
 
Um breve apanhado do rufar dos tambores por aqui sugere que avançamos bem em direção ao desconhecido.
 
As prisões de suspeitos, adrede condenados por uma instância jurídico-policial que vaza ‘pronunciamentos’, cegamente reiterados pelo jornalismo parceiro, compõem o relógio da vida brasileira.
 
Assiste-se a uma troca: a tirania da corrupção cede espaço à tirania do combate à corrupção.
 
O mérito elogiável do combate ao desvio do dinheiro público derrete no método e seletividade das ações.
 
O descompromisso com o custo a ser pago pela sociedade e o seu desenvolvimento evidencia o fanatismo ideológico raso, a visão ordinária de país que ordena todo o processo.
 
O acoelhamento diante das tiranias ancora-se na expectativa de que as coletas de cabeças restringir-se-ão às casas marcadas com a estrela, ou às mansões capazes de girar a rosca em torno dos alvos perseguidos.
 
No caso brasileiro, o tempo político, como bem caracterizou o cientista político Marcos Nobre, foi capturado pelos ponteiros da ação jurídico policial.
 
Amanhece a nação com a manchete da nova captura e adormece na incerteza da próxima detenção.
 
Tudo recoberto pelo mutismo do mundo político, intelectual e –com raras exceções— do ambiente jurídico.
 
Disso para um Estado de exceção, quanto falta?
 
Nesta 2ª feira, um almirante ligado ao projeto nuclear brasileiro foi preso.
 
Contra ele pesa a delação de um empreiteiro.
 
Extraída pelo método Paraná, que alguns preferem denominar de delação chantageada, consiste em um processo indutivo simples: ‘você me entrega, eu te dou uma domiciliar; você se cala eu te faço apodrecer aqui..’
 
Simples assim. E às vezes lubrificado pelo trabalho de convencimento de advogados que vendem catta por lebre às famílias dos detidos, em endogâmica parceria com o juiz Moro.
 
A prisão de um militar de alta patente, como Othon Luiz Pinheiro da Silva, considerado o pai do projeto nuclear brasileiro sugere um ‘ecumenismo justiceiro’ logo arguido por antecedentes sugestivos.
 
O almirante sempre foi um ferrenho adversário da assinatura de protocolos adicionais, destinados a aumentar o controle norte-americano sobre o programa nuclear brasileiro.
 
Em 2004, em entrevista ao Diário do Paraná, fez grave alerta.
 
Denunciou a espionagem dos EUA sobre o processo de enriquecimento de urânio em centrífugas, desenvolvidas no país sob a sua teimosia e liderança. ‘O Brasil é um país infestado de espiões americanos, atentos a todos os movimentos que faz para ser mais independente. Os EUA não têm o menor interesse em que o Brasil seja autônomo em termos de defesa. Para um país agressivo, como os EUA’, explicou, ‘é muito mais difícil invadir um país capaz de desenvolver um artefato nuclear de pequeno porte’.
 
Passemos.
 
Almirantes, empreiteiros, tesoureiros, políticos vão se empilhando no saco sem fundo de ações que irradiam o clima sufocante de uma sociedade à mercê de um poder paralelo que a devora por dentro.
 
A alternativa, reiterada diuturnamente pela mídia, é entregar-se à cirúrgica extirpação do câncer, em operação sem prazo para terminar, nem limites para agir.
 
A história está coalhada de exemplos, recentes até, de ‘operações de libertação’ em sociedades ‘salvas de demônios’ para serem entregues ao inferno da anomia.
 
A mobilização para exterminar o PT da sociedade brasileira, a começar pela sua presença no imaginário popular, guarda semelhanças com essas guerras fraudulentas.
 
Erradicar o PT da vida política nacional é um sonho antigo das elites que, finalmente, farejam o cheiro do abate próximo.
 
Em 2005,  nos albores do chamado ‘mensalão’, já se preconizava livrar o Brasil ‘ dessa raça pelos próximos trinta anos’.
 
A novidade agora é a forma passiva como um pedaço da própria intelectualidade progressista passou a reagir diante da renovada determinação.
 
Doze anos de presença do PT no aparelho de Estado, sem maioria no Congresso, por conta do estilhaçamento intrínseco ao sistema político, explicam um pedaço do desencanto.
 
O partido que venceu três eleições presidenciais nunca elegeu nem 20% dos deputados federais para uma governabilidade mínima.
 
Deriva daí o mecanismo através do qual o sistema de financiamento de campanha alimenta a chantagem do Congresso e do capital privado contra o Executivo e pulveriza a máquina pública em uma constelação de micro interesses dificilmente compatíveis com a coerência, as urgências e prioridades da nação.
 
O back vocal a serviço dos promotores vazadores faz o resto agora ao descarregar nos erros do partido  –que não são poucos--  a tragédia da democracia brasileira.
 
Espetar nos seus dirigentes --‘chefes de quadrilha’--  a responsabilidade pela teia que restringe a soberania do voto é o ponto alto da asfixia do esclarecimento em curso.
 
A hipocrisia se mede pela pouca atenção dispensada ao debate de uma verdadeira reforma política e partidária.
 
Por trás das ideias, melhor dizendo, à frente delas, caminham os interesses.
 
Cortar a ‘gastança’ é a contrapartida econômica das mutilações e dissimulações em curso na esfera política.
 
Vocalizadores dos apetites dos mercados anunciam o ingresso do país no mais longo ciclo de recessão de sua história.
 
Antes de enxergar a luz no fim do túnel, vaticina o colunismo dos plantonistas de bancos, a sociedade brasileira terá que ficar mais pobre, amargar um exército maior de desemprego, submeter-se a uma corrosão superlativa dos salários, vender ‘ativos’ (leia-se, o pre-sal, já apregoado por Serra no grande leilão patrocinado por Moro)
 
Interditado o mercado interno e o investimento público, destroça-se o pouco da capacidade autônoma do Estado de coordenar a economia, que havia sido restaurada na última década.
 
É a purga corretiva pelo ‘erro’ cometido nos últimos doze anos.
 
Desde 2003, uma política de desenvolvimento associada à expansão do emprego, do salários e dos direitos sociais ousou triscar –sim, triscar--  interesses estabelecidos.
 
O rufar dos tambores da salvação nacional pela purga desembestada de direitos e referências não é incomum na história dos povos.
 
O mais famoso, talvez, o Tratado de Versalhes, de 1919, colocou a derrotada Alemanha da Primeira Guerra de joelhos, impondo-lhe reparações equivalentes a 3% de um PIB em frangalhos, ademais de autorizar o saques de fábricas e da então poderosa marinha mercante germânica.
 
A pilhagem associada à crise mundial de 29 esfarelou a moeda alemã e exauriu a poupança e o emprego das famílias.
 
O desamparo pavimentou a chegada de um salvador da pátria que promoveu a mutação do desespero em ódio coletivo contra um segmento social. O resto é sabido. E temido.
 
Mas o flerte com graduações mais ou menos letais do mesmo veneno nunca foi abandonado integralmente pelos guardiões do dinheiro e da pureza das nações. A ver
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editorial/A-tirania-dos-salvadores-da-patria/34119

Dinheiro público para aeroporto da família de Aécio ajudará tio de Aécio a quitar dívida

06.09.2015
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 05.09.15


A Justiça de Minas Gerais autorizou um parente do senador Aécio Neves (PSDB-MG) a quitar uma antiga pendência judicial sem desembolsar um centavo, graças a uma indenização que ele receberá do Estado pela desapropriação do terreno onde o aeroporto da cidade de Cláudio (MG) foi construído quando Aécio era o governador. - Aeroporto particular da família de Aécio

Tio-avô do senador tucano, o fazendeiro Múcio Tolentino, 90, foi condenado em maio deste ano a devolver aos cofres públicos o dinheiro gasto para fazer uma pista de pouso que existia no local antes da construção do aeródromo do município.


A pista antiga, de terra batida, foi construída pela prefeitura de Cláudio em 1983, quando o próprio Múcio era o prefeito da cidade, e com dinheiro do Estado, que na época era governado por Tancredo Neves (1910-1985), de quem o fazendeiro era cunhado.

Como a pista ficava dentro da fazenda de Múcio, o Ministério Público entendeu que ele se apropriou de um bem público e entrou com ação civil contra ele. Por causa dessa ação, a área foi bloqueada pela Justiça e Múcio ficou impedido de vendê-la.

Em 2008, o governo estadual decidiu construir um aeródromo no lugar e desapropriou a área, depositando R$ 1 milhão numa conta judicial para garantir o pagamento da indenização. A Justiça determinou que o pagamento só fosse feito após a conclusão da ação civil movida antes contra Múcio.

A sentença com a condenação do fazendeiro foi publicada no dia 20 de maio deste ano. Em valores atualizados, o tio-avô de Aécio terá que restituir aos cofres públicos cerca de R$ 250 mil.

Em sua decisão, o juiz Jacinto Copatto Costa reconheceu a dívida como quitada, após o valor ter sido separado da indenização que o fazendeiro ainda tem a receber pela desapropriação do terreno.

Se a Justiça mantiver o valor da indenização proposta pelo Estado, de R$ 1 milhão, Múcio receberá pelo menos R$ 750 mil pela área, já descontado o valor que ele foi condenado a devolver por causa da outra ação. No processo, o fazendeiro chegou a pedir R$ 9 milhões pelo terreno.

ESCOLHA

A Folha revelou em julho do ano passado que o governo Aécio construíra o aeroporto dentro da fazenda do tio. O senador tucano e o governo mineiro disseram na época que a área foi escolhida por ser a opção mais econômica para o Estado, e não para beneficiar o parente de Aécio.
 O Ministério Público Estadual abriu no ano passado um inquérito sobre a obra, mas em agosto deste ano arquivou o caso. Os promotores concluíram que não houve nenhuma irregularidade na escolha do terreno e na construção do aeroporto de Cláudio.
O governador tucano de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) (Aécio  governou Minas Gerais de 2003 a 2010), gastou quase R$ 14 milhões para construir um aeroporto dentro de uma fazenda de um  de seu tio, durante seu   segundo mandato de Aécio como governador de Minas.

Cara de pau. A resposta de Aécio chama o povo brasileiro de burros

Em nota enviada à Folha, o diretório do PSDB de Minas Gerais afirmou que não houve "artifício para beneficiar Aécio e familia" e disse que a decisão do governo estadual de construir o aeroporto no local foi tomada por ser a mais econômica para o Estado, em razão da existência da antiga pista de terra batida no lugar.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/09/dinheiro-publico-para-aeroporto-da.html

Nassif: Janot patina ao investir contra Dilma e Lula e poupar Aécio, Serra e Alckmin

06.09.2015
Do blog VI O MUNDO
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Fotomontagem do GGN

A visão seletiva da Lava Jato sobre o “estorvo do processo”
Em direito existe o que se chama de “estorvo do processo”. Todo cidadão está sujeito a ser processado, do mais humilde ao presidente da República.
Mas existe também o conceito da repercussão política do processo, princípio que rege muitas decisões judiciais.
Por exemplo, por mais justo que seja determinado pleito, nenhum Ministro do STF vai votar a favor de uma ação que implique na quebra do país.
O mesmo princípio vale para processos com repercussão política. Um juiz deverá tomar duas vezes mais cuidado para expor o presidente da República ao “estorvo do processo”. Não significa que deva poupá-lo, mas que tomará cuidado redobrado antes de expô-lo e com a própria exposição em si. Porque expor a presidência da República significa expor o país.
O Procurador Geral da República tomou a decisão de expor ao “estorvo do processo” campanhas de Lula e Dilma. Dilma é a presidente da República.
Lula é um ativo nacional, o político que representa a esperança de milhões de brasileiros e – queiram ou não os opositores – o brasileiro que melhor representa a face legítima do país perante o mundo. Ele está para o Brasil como Mandela para a África do Sul, Ghandi para a Índia, Luther King para os Estados Unidos.
Já Aécio Neves é um senador, candidato derrotado a presidente da República. Geraldo Alckmin é o governador de um estado importante, assim como José Serra,  um ex-governador, os três sem um centésimo da representatividade de uma presidente da República ou de uma personalidade internacional como Lula.
Todas as empreiteiras citadas na Lava Jato colaboraram com a campanha de Aécio, seja por dívidas passadas, seja por promessas futuras. A não ser que se acredite que empreiteiro pague dízimo para ir para o céu.
Contra Aécio pesa uma delação premiada com todas as peças de esquemas de financiamento eleitoral ou de enriquecimento pessoal: os valores recebidos (US$ 150 mil mensais), a ponta pagadora (Furnas), a empresa que lavava o dinheiro (a Bauruense) e a destinatária (a irmã de Aécio).
Mesmo assim, Janot não julgou adequado expor Aécio ao “estorvo do processo”.
As empreiteiras implicadas na Lava Jato têm obras em Minas Gerais e São Paulo. Algumas delas têm mais obras com os respectivos governos estaduais do que com a própria Petrobras. No caso paulista, há em curso uma denúncia de suborno do cartel dos trens abafada pela cúpula do Ministério Público Estadual.
No entanto, Janot teve cuidado para não submeter ao “estorvo do processo” os ex-governadores Aécio Neves, José Serra e o governador Geraldo Alckmin.
No caso mineiro, Janot aceitou a denúncia contra o mais insuspeito dos políticos: o ex-governador Antonio Anastasia. Aparentou uma neutralidade discutível, porque quem conhece Minas, Aécio e Anastasia sabe onde o calo pega – e não é em Anastasia.
Que a lava Jato faça o PT purgar seus erros, sim. Arreglos políticos que permitiram descontroles de tal ordem, a ponto de um mero gerente acumular mais de US$ 100 milhões em dinheiro desviado, merece toda punição do mundo. E se o partido não tem a mínima capacidade de se defender de manobras políticas, problema dele.
Quando investe contra o instituto da presidência e contra o brasileiro mais reputado do planeta e, ao mesmo tempo, poupa todos os próceres do PSDB do “estorvo do processo”, Janot patina.
Não adianta alegar que o inquérito será isento, dando todas as oportunidades para as partes se defenderem. O efeito político é imediato. O “estorvo do processo” é combustível para campanhas de impeachment, para desestabilizações políticas mesmo que, ao final, absolva o investigado. Ao poupar Aécio, a Lava Jato abre espaço para que a oposição amplie a campanha do impeachment, com Aécio posando de grande cruzado da ética.
A opinião pública que conta – aquela realmente bem informada – sabe que o rei está nu. O que se pretende com essa blindagem?
Não adianta os bravos Intocáveis da Lava Jato sustentarem que seu foco são apenas os malfeitos na Petrobras. Não faz lógica que, tendo à mão a possibilidade de interrogar os maiores financiadores de campanha do país, aceitem ouvir apenas as denúncias contra um lado. Se podem passar o país inteiro à limpo, porque não aproveitam a possibilidade? De posse da denúncia, que se abram novos inquéritos para outros procuradores tocarem, permitindo à Lava Jato manter o foco.
Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/nassif-janot-patina-ao-investir-contra-dilma-e-lula-e-poupar-aecio-serra-e-alckmin.html

O FABRICADOR DE GOLPES: Curuguaty, julgamento-farsa é novamente suspenso

06.09.2015
Do portal AGÊNCIA CARTA, 02.09.15
Por Leonardo Wexell Severo, de Assunção - Paraguai

A participação dos EUA e da própria CIA está mais do que comprovada numa tragédia para expulsar um presidente que vinha materializando avanços sociais  

Cony Oviedo
Os advogados dos trabalhadores sem-terra julgados pela morte de seis policiais em Marina Kue, no município de Curuguaty, conseguiram novamente nesta quarta-feira, em Assunção, suspender o processo, que se cala a respeito dos 11 camponeses que também perderam a vida na tragédia. Desta vez, o julgamento foi paralisado devido à postura arbitrária dos juízes do Tribunal de Sentença do Paraguai, que sequer disponibilizaram tradutores para o guarani – a língua dos acusados – como já havia sido determinado previamente.  

“Libertad, libertad, a los presos por luchar” comemoraram as dezenas de militantes dos movimentos sociais, intelectuais e familiares dos sem-terra, que tomaram o plenário acompanhados por “pyragues” – espiões do governo de Horacio Cartes.

“Queriam pisotear até mesmo o direito linguístico dos camponeses, mais um atropelo feito por esta justiça politizada, paga, que está recebendo ordens de fora e tem de desaparecer”, declarou Pablo Aguayo, advogado dos sem-terra, rechaçando o elitismo de um setor considerável do judiciário paraguaio, que quer silenciar a língua da grande maioria do seu próprio povo.

De acordo com Pelao Carvallo, da Articulação Curuguaty, que engloba várias entidades populares solidárias à luta pela terra, “o fato é que, para os juízes, falar em guarani nesse ambiente refinado representaria um desprestígio. “Para a elite, a formulação é feita em castelhano ou inglês, o apego ao guarani é somente para que suas decisões sejam entendidas e suas ordens cumpridas. Ou para ganhar votos”, frisou.

TIERRAS MAL HABIDAS

No dia 15 de junho de 2012, lembrou Margarita Duran, professora de História e intelectual, houve um confronto em Marina Kue, nas terras “mal habidas” – que pertencem ao Estado, entregues pelo poder público a apaniguados ou simplesmente tomadas por latifundiários. Sendo assim, o local não poderia ter sido objeto de “despejo” para satisfazer a um grande proprietário – como Blas Riquelme – que chegou a comandar o partido do ex-ditador Alfredo Stroessner, da mesma forma como o pai do promotor Jalil Rachid, que trabalha incansavelmente pela condenação das vítimas.

“Há um julgamento absurdo, como se apenas os policiais mortos fossem pessoas, desconsiderando totalmente os camponeses. Estão vomitando uma sentença de 25 anos de prisão. O promotor Rachid não quer perder tempo, pois pretende criminalizar a luta pela terra, a fim de que o caso sirva de exemplo”, assinalou Margarita Duran. Segundo a professora da Universidade Católica de Assunção, “embora seja lastimável, acabamos sendo privilegiados por assistir a um caso que será estudado durante anos, da mesma forma como o de Gastón Gadín”.

DEFENDER OS DIREITOS HUMANOS

Último fuzilamento ocorrido no Paraguai, em 1917, o francês Gastón Gadín era menor de idade quando foi condenado à morte pelo assassinato dos pais. A lei paraguaia não permitia a execução da sentença contra um menor. Sem a certidão de nascimento, a lei estabelecia que um médico fosse convocado para “comprovar” quantos anos tinha. Sob a pressão da opinião pública, foi sentenciado. “A certidão finalmente apareceu: Gadín era menor de idade. Como cidadãos preocupados com os direitos humanos isso deve nos fazer refletir”, disse Durán.

De acordo com Clyde Soto Badaui, do Centro de Documentação e Estudos (CDE), de uma forma evidente, “o julgamento de Marina Kue foi armado para condenar os camponeses”. “Aos poucos, pelo ativismo nacional e internacional, fomos desarmando, desmontando os argumentos da acusação, demonstrando que há um padrão de atuação da repressão contra os movimentos sociais que exibe todo o seu esplendor neste massacre. A partir daí há um processo político que está sendo freado pela determinação e valentia dos acusados”, destacou.

O advogado Aguayo reitera a inocência dos camponeses: “isso é comprovado pelo vídeo do ABC Color, que mostra que não foram eles que iniciaram os disparos”. “Mais do que nunca é preciso investigar a fundo para saber quem foram os responsáveis, para castigar os mandantes. Temos o dever moral de salvar a Justiça e para isso fazemos um apelo à Corte Suprema”, enfatizou.

A participação dos Estados Unidos e da própria CIA, conforme a professora Margarita Duran, “está mais do que comprovada”, não só pelo envolvimento dos franco-atiradores como de todo a extensa e complexa rede armada. Uma intervenção de 324 soldados contra menos de 60 sem-terra - metade deles mulheres, crianças e anciãos - desemboca rapidamente numa tragédia para expulsar um presidente que vinha materializando avanços sociais, e isso não é investigado, mas banalizado, porque abriu espaço ao impeachment. “Não pensaram nas consequências, que as pessoas iam se perguntar. O helicóptero militar sobrevoou para filmar e fotografar o acampamento. Onde está a filmagem? Agora o piloto, que era uma testemunha chave, morre. É muita sujeira”, assinalou.

Para Marta Almada, representante do Serviço de Paz e Justiça (Serpaj) na Articulação Curuguaty, o julgamento escancarou a existência de um sistema de justiça que viola todos os direitos humanos e que é altamente excludente, uma vez que só foca na morte dos policiais sem dar o mínimo espaço ao contraditório. No vídeo Desmontando Curuguaty, conta Marta com orgulho, contribuímos para a “desconstrução comunicacional que havia contra os camponeses, apontando as inúmeras irregularidades do processo”.

Os grandes conglomerados de mídia, assinalou Liz Torres, da coordenação do Serpaj, “tentam construir no imaginário coletivo uma verdade com toda a montagem do julgamento”. Mas aos poucos, pondera, o cenário de mentiras e manipulações vai se decompondo, pois “a força da articulação entre as vítimas diretas construiu uma unidade muito forte de enfrentamento ao sistema, e conseguiu calar fundo”. “Agora, até mesmo os familiares dos policiais não fazem acusação direta aos camponeses”, asseverou.

No entendimento de Cristina Coronel, também coordenadora do Serpaj, a verdade “única e oficializada”, que coloca os camponeses como vagabundos e delinquentes, vai se dissipando e dando lugar a visões cada vez mais críticas. “O trabalho cuidadoso e sério desenvolvido pela Articulação Curuguaty e pelas entidades populares que se somaram ao movimento de solidariedade se instalou na agenda social e política do Paraguai para que o julgamento não passasse despercebido. Não é fácil, mas com a ação nacional e o apoio internacional começamos a enfrentar este fato emblemático da nossa história, apontando seus vícios e iniciando seu desmantelamento, o que fez com que a própria imprensa também começasse a duvidar. É uma ação rigorosa, que representa uma ameaça ao sistema”, concluiu Cristina.



Créditos da foto: Cony Oviedo
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Curuguaty-Julgamento-farsa-e-novamente-suspenso/6/34399

Zelotes chega a graúdos do Congresso

06.09.2015
Do blog O CAFEZINHO, 05.09.15
Por Miguel do Rosário

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Engraçado ver como a Lava Jato merece páginas, páginas e páginas em nossos jornalões, com infográficos gigantes, animações, longos minutos no Jornal Nacional. O Ministério Público Federal montou uma força-tarefa que só cuida disso, e até manda missões para os Estados Unidos.
O responsável pela Lava Jato tem tempo para dar entrevistas em todos os jornais, revistas e programas de TV.
Já as investigações da Zelotes, contra o principal problema de corrupção no país, a corrupção fiscal, encontra todo tipo de dificuldade: segredo absoluto de justiça, força-tarefa sem recursos, judiciário preguiçoso, mídia desinteressada.
O Brasil perde mais de R$ 500 bilhões por ano em sonegação. É o país com as maiores taxas de evasão fiscal do mundo. O que se sonega, por ano, no país, é quase vinte vezes superior ao déficit orçamentário de R$ 30 bilhões estimado para o ano que vem.
E ninguém vai às ruas protestar contra isso.
Aliás, vai sim, os marchadeiros empunham cartazes defendendo a corrupção fiscal.
Não era hora de uma grande campanha contra a sonegação? Uma campanha que, ao invés de truculência judicial e criminalização do pequeno e médio empreendedor, centrasse em ações de desburocratização, centralização, simplificação e esclarecimento?
Uma campanha que reunisse todas as iniciativas oficiais de transparência, de todos os órgãos públicos, municipais, estaduais e federais, para estimular as pessoas a identificarem e monitorarem o uso de seus tributos?
Uma campanha que, ao mesmo tempo, deixasse claro, junto à população, que a sonegação é uma das mais perniciosas formas de corrupção?
A cobertura midiática da Operação Zelotes deixa bem claro que esse tipo de iniciativa não virá da grande imprensa, até porque ela mesmo está envolvida, até o pescoço, nesses crimes.
A iniciativa tinha de vir dos governos, em parceria com Ministério Público, Judiciário, Polícia Federal, organizações não-governamentais, movimentos sociais e imprensa alternativa.
Acompanhe abaixo algumas novidades sobre a Operação Zelotes, através de texto do deputado Paulo Pimenta, presidente de uma subcomissão na Câmara que acompanha os desdobramentos das investigações.
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Texto do gabinete do Deputado Federal Paulo Pimenta (PT-RS)
Zelotes chega a nomes com foro privilegiado; temor é de que “Operação Abafa” seja colocada em curso, denuncia deputado Pimenta
Parte da Operação Zelotes terá que ser enviada ao Supremo Tribunal Federal, isso porque as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal chegaram a nomes que detêm foro privilegiado. Pelo esquema de corrupção, grandes empresas, escritórios de advocacia e membros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) são suspeitos de desviar cerca de R$ 20 bilhões dos cofres públicos, com a compra e venda de sentenças e pagamento de propina.
Relator dos trabalhos que acompanha os desdobramentos da Zelotes na Câmara Federal, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) alerta para uma possível “operação abafa” . Segundo o parlamentar, quando grandes empresas e pessoas com alto poder de influência aparecem em esquemas de corrupção, o poder econômico se movimenta e a mídia silencia. “Nenhuma tentativa de intimidação nos impedirá de continuar acompanhando a Zelotes e fazer com que toda a verdade venha à tona. O fato de existirem suspeitas de nomes com foro privilegiado só aumenta nossa determinação e a nossa responsabilidade para cobrar que os culpados sejam identificados e punidos”, garantiu o parlamentar.
Em comparação com a Lava-Jato, a Operação Zelotes tem recebido críticas por receber tratamento diferenciado por parte do Poder Judiciário. O processo corre em segredo de justiça, as prisões preventivas solicitadas pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal foram todas negadas, assim como não foram autorizadas as solicitações de monitoramento por escutas telefônicas.
Diante das dificuldades relatadas pelas autoridades federais que investigam a Operação Zelotes, em junho, o deputado Pimenta representou contra o juiz Ricardo Augusto Soares Leite no Conselho Nacional de Justiça, que acabou sendo afastado do caso. A atuação do magistrado também foi objeto de representação pelo MPF na Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª região. No lugar dele, assumiu a juíza Marianne Borré, que autorizou pedidos de busca e apreensão em escritórios das empresas envolvidas, em uma nova fase das investigações.
Provocada também por uma representação do deputado Pimenta, a Controladoria-Geral da União realiza uma auditoria no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). No requerimento, o deputado Pimenta pediu análise sobre as “escolhas dos conselheiros”, a “distribuição dos processos”, os “procedimentos relacionados ao trâmite e regras de julgamento, incluídos os pedidos de preferência” e até os motivos para os “eventuais impedimentos de conselheiros” no julgamento dos processos.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/09/05/zelotes-chega-a-graudos-do-congresso/