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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

PML: Por que FHC cruzou os braços à denúncia de Paulo Francis?

02.09.2015
Do blog VI O MUNDO, 07.02.15
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 Por que FHC cruzou os braços?
Hoje capaz de pedir punição dos mais altos hierarcas na Lava Jato, Fernando Henrique cruzou os braços em 1996, quando Paulo Francis denunciou corrupção na Petrobrás e seu governo poderia virar alvo
Confesso que ando cada vez mais espantado diante das homenagens a Paulo Francis em função das acusações de corrupção na Petrobras, feitas em 1996, no programa Manhattan Conection.
A convicção generalizada é que Francis estava absolutamente correto em suas denúncias e, ameaçado por um processo de US$ 100 milhões na Justiça de Nova York, acabou sofrendo um enfarto que provocou sua morte. Em função disso, não paramos de ouvir elogios à sua visão como jornalista e à sua argúcia como analista. Mas se Francis falou a verdade, a pergunta real é saber por que nada se fez diante do que ele disse, o que transforma as homenagens de hoje num caso exemplar de silêncio e covardia, a espera de uma investigação responsável e exemplar.
Em 1996, o país tinha um presidente da República eleito, Fernando Henrique Cardoso, empossado há dois anos no Planalto, com apoio da mais fina flor do baronato brasileiro — e até uma fatia potentados internacionais. Tinha um vice, Marco Maciel, que trazia o apoio do mundo conservador do PFL e dos herdeiros da ditadura. Também tinha um ministro das Minas e Energia, Raimundo Mendes de Brito, afilhado de Antônio Carlos Magalhães, vice-Rei da Bahia. Na Polícia Federal, encontrava-se Vicente Chelloti como diretor. O procurador geral da República era Geraldo Brindeiro, que logo faria fama como engavetador.
Nenhuma dessas autoridades veio a público para esclarecer as acusações, fosse para mostrar que Paulo Francis tinha razão, ou para dizer que estava errado. Ninguém correu riscos, não fez perguntas, nem trouxe respostas, nem confrontou Joel Rennó, o presidente da Petrobras que entrou com ação na Justiça contra o jornalista porque se considerou ofendido pelas acusações.
Paulo Francis falou a verdade? Mentiu? Exagerou? Estava de porre? Não sabemos.
A gravação está disponível na internet. Referindo-se a contas secretas na Suíça, Paulo Francis fala com o desembaraço de quem está fazendo delação premiada para o juiz Sergio Moro. Diz que “todos os diretores da Petrobras têm conta lá.” Alguns jornalistas presentes dão sorrisos maliciosos. Nada que lembre a indignação de hoje. Um deles adverte, sem que se possa ver seu rosto: “olha que isso dá processo…” Em outro depoimento, também disponível na internet, Paulo Francis afirma que os diretores da Petrobras são muito queridos na Suíça, onde têm contas de 50 e 60 milhões de dólares.
Fernando Henrique Cardoso não deixou sequer um palpite sobre o caso. Estimulado por José Serra, o presidente mobilizou-se para convencer Joel Rennó para desistir da ação.
E a denúncia?
Se hoje FHC enche o peito para dizer que a Justiça deve fazer aquilo que os militares não podem mais, sem poupar os “mais altos hierarcas”, eufemismo para chegar a Dilma e Lula, não custa perguntar por que se calou quando tinha vários instrumentos do Estado na mão. Se hoje as denúncias são uma forma da oposição tentar atingir Dilma, em 1996 e 1997 era seu governo que poderia se tornar alvo.
Não havia nada para ser investigado, nem para com auxílio da Justiça da Suíça?
Soube-se ontem que, em 1997, o ano em que Paulo Francis morreu, o gerente da Petrobras Pedro Barusco, que, em 2015, se tornaria um dos personagens principais do inquérito da Lava Jato, já tinha um bom cargo na empresa. Naquele ano, passou a receber, além do salário e demais benefícios legais, uma propina mensal entre US$ 20 000 e US$ 50 000 de uma empresa holandesa com interesses específicos na área sob seus cuidados.
Em 1998, pouco depois dos primeiros pagamentos feitos a Barusco, os interesses privados, que no mundo inteiro são a mola principal de iniciativas de corrupção em empresas estatais, ganhavam novo impulso na Petrobrás. Neste caso, FHC teve um papel fundamental.
Num decreto assinado por Fernando Henrique Cardoso, e preparado pela subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, cujo titular era Gilmar Mendes, hoje ministro do STF, aprovou-se a criação de um “procedimento licitatório simplificado da Petrobrás”. O texto do decreto 2.745 pretendia agilizar os investimentos da empresa, o que não está errado, por princípio.
Mas o procedimento “simplificado” está na origem intelectual do hoje célebre “clube das empreiteiras,” denunciado em tom de escândalo.
Haviam se passado apenas dois anos da acusação de Paulo Francis e a alteração ocorrida não foi pequena. Em vez de submeter as obras milionárias da empresa as disputas duras e complicadas de uma licitação pública, autorizou-se a chamada de interessadas pelo sistema de carta-convite, o caminho mais fácil para a seleção de amigos e exclusão de inimigos. É uma situação tão escandalosa que nunca faltaram críticas ao decreto e mesmo ações questionando sua legalidade. O decreto do “clube das empreiteiras” mantém-se em vigor através de liminares. Uma delas, ironicamente, foi concedida pelo próprio Gilmar Mendes, que, já como ministro do STF, julgou o trabalho da subchefia que estava sob sua guarda quando servia ao governo FHC.
Em vários países, as empresas estatais, particularmente de petróleo, vivem uma situação contraditória. De um lado, expressam a vontade política de soberania nacional — que justifica sua existência — diante de reservas de valor estratégico. De outro, são alvo permanente de pressões do setor privado, interessado em transferir ganhos em escala formidável para seus cofres particulares. O resultado é um universo de muita tensão.
A PDVSA venezuelana foi ocupada, historicamente, pela elite econômica do país, aquela que é conhecida por manter um patrimônio maior em Miami do que em Caracas. Depois da posse de Hugo Chávez, cuja vitória criou uma situação política inédita, a alta burocracia da empresa tornou-se aliada da oposição conservadora e chegou a tentar promover um golpe de Estado, impedindo a distribuição de petróleo num país onde o mais refinado produto local é a cerveja e depois o refrigerante.
Na Itália, a estatal ENI servia para enriquecer as campanhas da Democracia Cristã e do Partido Socialista, num tempo em que o Partido Comunista era o demônio da Guerra Fria. Após a Mãos Limpas, ocorreu um desfecho que vale como advertência ao que pode se passar no Brasil, quando se recorda que o modelo de trabalho do juiz Sergio Moro foi a operação italiana: a ENI foi privatizada — e não há dúvida de que os escândalos e o trabalho de jornais e revistas ajudaram a adoçar a ideia.
Num país onde a Petrobras sempre foi alvo de ataque feroz por parte do empresariado conservador e seus aliados externos, após a democratização não houve um governo que não tivesse enfrentado uma investigação em torno de desvios e irregularidades. (É certo como 2+2=4 que havia esquemas sob a ditadura, mas nunca vieram a público).
Em 1989, no governo de José Sarney, a descoberta de um milionário esquema de desvios que levou ao afastamento do presidente da BR Distribuidora e seu principal auxiliar. Em 1992, uma tentativa de intervenção de PC Farias na direção da empresa levou à saída do advogado Luiz Octávio da Motta Veiga, que preferiu ir embora em vez de atender aos pedidos do tesoureiro de Fernando Collor.
A ideia de que os esquemas de corrupção na Petrobras nasceram a partir de 2003, com a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto, é falsa mas tem uma utilidade política óbvia: ajuda a transformar uma operação policial num instrumento de destruição política, cujo alvo final é o governo Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores. Também permite acobertar responsabilidades passadas, o que é sempre conveniente em campanhas de moralismo seletivo. Mas o preço é apagar a memória histórica, o que impede qualquer debate sensato sobre o caso.
 Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/paulo-moreira-leite-por-que-fhc-cruzou-os-bracos-quando-paulo-francis-denunciou-corrupcao-na-petrobras.html#at_pco=smlwn-1.0&at_si=55e7a2ebfa8d80c8&at_ab=per-3&at_pos=0&at_tot=1

AÉCIO, O SEMEADOR DE ÓDIO: Aécio é o ‘pai adotivo’ do advogado que ameaçou Dilma

02.09.2015
Do BLOG DO SARAIVA

Semeando ódio
Paulo Nogueira, DCM 

"Sabe aquele sujeito que enche as pessoas de cachaça numa festa e depois reclama que elas se comportaram como bêbabas?

É Aécio falando do advogado desvairado que gravou um vídeo no qual ameaça Dilma de morte.

Desde que perdeu as eleições Aécio vem distribuindo cachaça a analfabetos políticos e desvairados em geral com sua patética inconformidade em aceitar que foi batido nas urnas.

E agora mostra espanto, finge indignação?

O envenenamento do ambiente político pós-eleições, a divisão crescentemente explosiva entre brasileiros – tudo isso deve muito a Aécio com seu comportamento de Presidente de Manicômio.

Desde o começo ele insuflou os antipetistas, os antibolivarianos, os anticomunistas e os idiotas em geral com a mentira de que as eleições foram roubadas.

Até as urnas eletrônicas foram colocadas em questão.

É cachaça e mais cachaça para a tigrada, e agora Aécio se surpreende com o vídeo criminoso de um filiado do PSDB?

Mesmo o moderado Alckmin, que concedeu chamar Dilma de “presidenta”, deu agora para falar que o PT é uma “praga”. Isso foi repercutir do blogueiro da Globo Noblat, que num de seus frequentes momentos de desvario patronal escreveu que é preciso jogar “pesticida” no governo.

Aécio herdou o sobrenome, mas não a maior virtude de seu avô Tancredo, um conciliador de enorme talento.

Já caminhando para os 60 anos, fato que procura disfarçar com botox, implante de cabelo e embranquecimento de dentes, age como um adolescente irresponsável, com a cumplicidade sinistra do octogenário FHC.

Quer ser presidente?

Faça algo que nunca fez: vá trabalhar. Percorra o Brasil, os rincões nacionais, e não só as praias e bares cariocas. Mostre aos eleitores humildes, os 99%, que pode melhorar sua vida e, com isso, reduzir a vergonhosa desigualdade social que enlameia o Brasil.

Talvez obtenha votos.

Mas em vez disso ele dá cachaça à turma numa festa de desequibrados, e depois parece surpreender-se com o fato de que os bêbados agem como bêbados."

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Fontehttp://saraiva13.blogspot.com.br/2015/09/aecio-e-o-pai-adotivo-do-advogado-que.html

Por que o mundo precisa da fé cristã?

02.09.2015
Do portal ULTIMATO ON LINE, 31.08.15


No filme “Superman: o retorno”, a jornalista do Planeta Diário, Lois Lane, provocou os leitores céticos do seu tempo com uma pergunta ressentida: “Por que o mundo não precisa do Superman?” Por trás desta indagação, existia um contexto existencial em que esta questão se tornava justificável. A fragilização da vida humana, que se traduzia na forma de um “senso de desamparo ontológico”,1 era, por assim dizer, uma commodity (social) que estava em alta. Como efeito colateral relacionado, avançava também a “dessensibilização coletiva” ao problema do sofrimento alheio (“cada um por si”). A causa de tudo isso parecia estar associada à ausência do Superman do Planeta Terra, por ocasião de sua viagem a Krypton. Entendia-se, naquela conjuntura, que o salvador havia abandonado o ser humano. 

O momento era de um “pessimismo cosmológico”. A “incerteza ontológica” (Zygmunt Bauman) se tornara parte da “estrutura psíquico-funcional” da vida cotidiana dos cidadãos daquele contexto, e a vulnerabilidade (existencial) se transformara em uma espécie de componente fundacional de definição identitária da consciência coletiva. A pergunta de Lois Lane, portanto, sugere a preconização de um dilema ontossocial em seu substrato conjuntural: a liberdade (símbolo cultural mais emblemático da América), sem segurança, coloca em xeque o vicejar da esperança de um novo horizonte (psicológico) para os indivíduos. Ansiedade do não-destino (incerteza existencial) aumenta o capital do medo, o que pode redundar na “depressão coletiva” de uma geração, uma espécie de efeito cascata.

A destranscendentalização da esperança parece ser uma variável psíquica que indica a supressão ontológica do seu fundamento histórico-existencial: o Superman não estava mais à disposição de todos; ele não compartilhava mais do sofrimento humano (crenças matriciais). Agora, só restou a sua ausência. O mundo sem ele, contudo, se tornaria mais insalubre, haja vista que o “medo derivado” alteraria a percepção da vida em sociedade, tornando os indivíduos mais propensos a viverem desconfiados de tudo e de todos. Uma organização social que assume essas características acaba sendo compreendida como uma sociedade com forte “traço esquizofrênico”. A incapacidade de reconhecer e discernir o mundo que se vislumbra, revela, pois, uma configuração social de existência na qual se manifesta uma modalidade psíquica de “dementização” das consciências individuais.2 O medo socialmente compartilhado, em dimensões descomunais, obstrui a lucidez cognitiva da percepção antropológica de realidade-mundo. 

Sem o mínimo necessário de “capital esperante”, estruturado na psicologia da coletividade, as confianças interindividuais se precarizam, e o “outro” passa a ser entendido como um “demônio” (Jean-Paul Sartre), uma projeção alucinógena do significado que ao “tu” se atribui no processo de interação nessas condições. Com a ausência daquilo que sustenta a ontologia da confiança, pessoas de bem podem ser facilmente confundidas com demônios.

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Fonte:http://www.ultimato.com.br/conteudo/por-que-o-mundo-precisa-da-fe-crista

Imagine se um petista ameaçasse matar Aécio ou FHC

02.09.2015
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
maluco capa
Não posso dizer que fiquei realmente surpreso ao vasculhar em vão os principais jornais do país nesta quarta-feira (2/8) em busca de uma mísera nota sobre o advogado filiado ao PSDB que, no último dia 25 de agosto, divulgou vídeo na internet prometendo assassinar Dilma Rousseff e que, na última terça-feira (1º de setembro),refez a ameaça.
pirado capa
Nenhum dos três maiores periódicos do país – Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo – divulgou um único comentário, nem para dar a notícia de que o PSDB, tardiamente, decidiu expulsar o advogado de Brasília Matheus Sathler, ao qual o partido deu legenda para se candidatar a deputado federal no ano passado.
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Tampouco se viu alguma coisa na televisão – sobretudo no Jornal Nacional. E notícia nova havia, porque o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar o caso.
O problema é que, noticiando com destaque as barbaridades que esse sujeito cometeu haveria que contar ao público, também, que ele é filiado ao PSDB e que não é a primeira vez que ele promove alguma loucura – ano passado, propôs a criação de um “kit macho” para ser distribuído em escolas públicas com a finalidade de “ensinar” meninos a “gostarem” de meninas e vice-versa.
Mas não há razão para ninguém se surpreender. Se a mídia corporativa praticamente não deu destaque ao atentado a bomba ocorrido em julho contra o Instituto Lula, por que noticiaria uma simples ameaça à presidente da República?
Porém, coincidentemente um dos mentores intelectuais do surto de fascismo que campeia no país publicou uma matéria pseudo jornalística que mostra bem o que ocorreria se o demente que ameaçou Dilma, em vez de tucano, fosse petista, e se, em vez de ameaçar a presidente, ameaçasse um tucano graúdo.
Segundo o tal Sathler, ele é amiguinho de Reinaldo Azevedo, da Veja e da Folha de São Paulo. Não sei se é verdade, mas o fato é que o jornalista mais antipetista do país vociferou em seu blog contra um simples militante do PT – e não um ex-candidato a deputado federal pelo partido – que publicou em vídeo uma resposta inadequada ao tal Sathler por ele ter ameaçado a presidente da República.
O mais engraçado é que Azevedo não entendeu o vídeo e, assim, fez um escarcéu dizendo que aquele militante resumia “os petistas”, como se todos os tucanos pudessem ser resumidos pelo advogado demente que ameaçou a presidente da República.
Confira, abaixo, o post de Azevedo
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maluco 3
Note, leitor, que Azevedo critica o militante petista por ter dito o que faria com Sathler se ele tentasse cumprir a promessa de “arrancar a cabeça” de Dilma – o que, por certo, é reprovável, mas é reação a uma ameaça de violência –, mas não critica o amiguinho que ameaçou, de forma ainda mais virulenta, a primeira mandatária do país.
Alguém acredita que se um filiado ao PT ao qual o partido tivesse dado legenda para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados tivesse ameaçado arrancar a cabeça de Aécio Neves ou de FHC, a mídia não divulgaria em manchete de primeira página, em todos os telejornais e com dezenas de textos opinativos indignados vinculando o PT inteiro a quem ameaçou?
É óbvio que o tal Sathler não resume todo o PSDB e todos os tucanos – que atua com violência retórica, mas não física – assim como o militante petista do vídeo acima não resume todo o PT e todos os petistas, mas na cabecinha de Azevedo um militante tucano ameaçar a presidente ou jogar bombas é besteirinha, enquanto que um militante petista reagir (inadequadamente) a uma ameaça de violência é “prova” de que todos os petistas agem assim.
Notem que o post de Azevedo não diz uma palavra sobre a ameaça a Dilma. Como esse sujeito virou o Golden Boy da Veja, da Folha, da CBN e sabe lá Deus de onde mais, a gente entende por que a mídia fez de conta que não viu que o PSDB dá guarida às loucuras de Sathler até hoje, ou até o momento que vier a expulsá-lo – se é que o fará.
E o pior é que o blogueiro da Veja ainda mente. Diz que “defensor de Dilma ameaça manifestantes antigovernistas”, o que é mentira – ele ameaça reagir a Sathler e a ninguém mais. Será que Azevedo não assistiu ao vídeo que publicou?
Nenhum jornal ou telejornal noticiar esse caso e muito menos que o ministro da Justiça mandou abrir inquérito na PF deveria ser espantoso, se não conhecêssemos a imprensa que temos no país. Para proteger a imagem do PSDB, os veículos se autocensuraram. A mídia corporativa é cúmplice de Sathler e outros maníacos como ele.
Por fim, o vídeo do manifestante “petista” foi publicado no canal de Veja no You Tube. Ninguém sabe o nome do indivíduo e nem por que ele mesmo não publicou o vídeo em seu canal no You Tube. Terá mandado o arquivo para Veja publicar? Por que o faria? Ou será que Azevedo pegou alguém para atuar e gravou o vídeo?
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/09/imagine-se-um-petista-ameacasse-matar-aecio-ou-fhc/

Os migrantes e a tragédia do século

02.09.2015
Do portal da Agência Carta Maior,28.08.15
Por Flavio Aguiar, de Berlim.

Na Alemanha prossegue o novo 'esporte' neo-nazista: queimar abrigos destinados aos refugiados.
Fotos Públicas
A crise financeira que se espraiou a partir da China e de sua economia que revelou suas fraquezas.
 
O assassinato ao vivo de dois jornalistas nos EUA, reacendendo debate sobre posse de armas naquele pais.
 
A recuperação, ainda que parcial, dos preços do petróleo no mercado internacional e a decorrente valorização das ações da Petrobras (que está longe de ser a massa alquebrada que nossa velha mídia quer que ela seja).
 
Correu mundo e manchetes a denúncia feita pelo doleiro Alberto Yousseff na CPI, em Brasilia, sobre ter o senador Aecio Neves recebido propina de Furnas. A noticia só foi escondida pela velha mídia brasileira. Além da denúncia em si, que deve ser averiguada e provada, o ocorrido expôs a parcialidade da nossa velha mídia e a fragilidade dos vazamentos da Operação Lava Jato.
 
Mas as manchetes principais foram para a terrível tragédia dos migrantes na Europa. Mais de 70 corpos em decomposição foram encontrados dentro de um caminhão abandonado numa auto-estrada austríaca. Inicialmente a policia estimou os corpos em 20, depois em 50 e finalmente em “mais de 70”. A imprecisão das cifras deveu-se ao adiantado estado de decomposição dos corpos. O caminhão pertencera a uma empresa transportadora de galináceos da Eslováquia, que afirmou tê-lo vendido em 2014. Estava em nome de um cidadão romeno e tinha placa da Hungria. Na manhã da sexta-feira a policia húngara afirmou ter detido o motorista suspeito, além de alguns possíveis cúmplices.
 
Na quarta-feira foram encontrados 50 corpos no porão de um navio no Mediterrâneo, que tinha 450 pessoas a bordo.
 
na quinta-feira mais um naufrágio neste mar, desta vez ainda perto da costa da Líbia, provocou a morte de pelo menos 200 pessoas. Outras 200 conseguiram se salvar, socorridas por navios ou conseguindo chegar à terra firme.
 
Uma vaga de milhares de migrantes, vindos sobretudo da Síria e do Iraque, conseguiu “furar” o bloqueio do Exército da Macedônia junto à fronteira grega. A Macedônia acabou pondo trens á sua disposição, para que eles atravessassem em direção à Sérvia. Deste país eles pretendem passar à Hungria e dali para a Europa Ocidental. A Hungria está construindo um muro na fronteira com a Sérvia, mas até o momento os migrantes têm conseguido atravessar.
 
Houve uma mudança de rota no caso de muitas destas correntes migratórias. A Líbia continua sendo a rota preferida pelos que vêm da Nigéria, da Eritreia e da Somália e tentam ingressar na Europa pela costa italiana. Mas no momento a maior massa de migrantes vêm da Síria e do Iraque, preferindo estes o caminho da Turquia ou da Grécia. 
 
O fluxo de imigrantes provém de países desorganizados por guerras civis, em alguns casos com ajuda decisiva de potências ocidentais, como no caso da própria Líbia, do Iraque e da Síria. A emergência do Exército Islâmico na Síria e no Iraque só piorou a situação.
 
A chanceler Angela Merkel e o presidente François Hollande se reuniram durante a semana para concertar uma ação conjunta diante da questão. O maior problema está no convencimento de outros dirigentes em aceitar quotas de imigrantes refugiados.
 
Há forte resistência por parte de muitos europeus em assumir a responsabilidade diante do fenômeno. Nesta semana ouvi a entrevista de uma deputada polonesa, do campo conservador, junto ao Parlamento Europeu, dizendo que a Polônia não receberá estes imigrantes, porque são indesejáveis, na maioria só querem se beneficiar das vantagens europeias, muitos são terroristas, etc. Acrescentou ela que, caso recebesse imigrantes, o país só aceitaria “aqueles que fossem cristãos”. A deputada teve sorte de não ser eu o entrevistador, porque eu perguntaria a seguir, na lata, se esta afirmação implicava também a exclusão de judeus.
 
Na Alemanha prossegue o novo “esporte” neo-nazista: queimar abrigos presentes e futuros destinados aos refugiados. O incidente mais grave aconteceu na cidade de Heidenau, perto de Dresden, no estado da Saxônia, onde houve um confronto entre policiais e manifestantes que tentavam incediar um destes abrigos. Os manifestantes mais exaltados gritavam “Heil Hitler” e outros slogans nazistas. Também cantavam “Wir sind das Volk”, “Nós somos o povo”, slogan das manifestações que antecederam a queda do muro de Berlim em 1989, e que agora está sendo apropriado pela extrema-direita. O vice-chanceler Sigmar Gabriel, do SPD, e a chanceler Angela Merkel estiveram em Heidenau, condenando as manifestações. Depois disto a sede do SPD em Berlim recebeu uma ameaça telefônica dizendo que havia uma bomba no prédio, que foi evacuado. Além da ameaça a pessoa que telefonou também proferiu slogans racistas. Nenhuma bomba, no entanto, foi encontrada.
 
No fim de semana estava prevista uma festa para receber os refugiados em Heidenau. Diante da ameaça, por parte de elementos da extrema-direita, de atacar a festa, o governo do estado e a prefeitura proibiram qualquer manifestação ou festa até a segunda-feira. Os partidos de oposição no plano federal (Verdes e Linke) protestaram, alegando o direito constitucional à livre manifestação. O deputado verde Cem Özdemir declarou no rádio que iria a Heidenau no fim de semana e conclamou todos os que quisessem a segui-lo.
 
Do outro lado do Atlântico, o pré-candidato republicano Donald Trump afirmou que, se eleito, deportará dos EUA todos os imigrantes ilegais. Um jornalista perguntou como ele faria isto, uma vez que o número de “ilegais” chega a 11 milhões. Ele respondeu que tem muitas qualidades como “manager”, e que o processo de deportação seria “tranquilo” e “humanitário”. O último grande processo de deportação massiva nos EUA ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando 110 mil japoneses e descendentes foram confinados em casos de concentração dentro do pais, num processo que provocou traumas ainda vivos.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Os-migrantes-e-a-tragedia-do-seculo/6/34355

Os muitos tentáculos do Facebook

02.09.2015
Do portal da Revista Fórum, 01.09.15
Por Glauco Faria e Ivan Longo


Os dados coletados de seus usuários são o principal ativo da rede criada por Mark Zuckerberg. Algo precioso demais para estar nas mãos de um gigante corporativo

Os números são assustadores. De acordo com relatório divulgado no final de julho pelo Facebook Inc., a rede social tem cerca de 1,49 bilhão de usuários, aproximadamente metade dos internautas do planeta. A receita da empresa no segundo trimestre deste ano foi de R$ 13,5 bilhões, e seu fundador, Mark Zuckerberg, desfila ao lado de chefes de Estado como um dos homens mais poderosos do mundo. Mas quais os limites desse gigante que se pretende hegemônico e quais as implicações de sua atuação na vida de cada um?
Como toda companhia de porte global, a empresa tem buscado diversificar seus negócios para manter e ampliar seu poder econômico. Não é à toa que Zuckerberg esteve na Cúpula das Américas, realizada em abril no Panamá, tentando vender seu projeto de internet “gratuita” (assim, com aspas) a diversos países, entre eles o Brasil. O internet.org, na prática, garante acesso prioritariamente ao próprio Facebook, reproduzindo uma tática já utilizada pela Microsoft ao oferecer softwares de forma gratuita ou a preços mais baixos para governos.
A pretensão do Facebook em relação à implantação do projeto no Brasil causou uma reação do Proteste e de 33 entidades que, em maio, entregaram uma carta à presidenta Dilma Rousseff em repúdio ao Internet.org. Nesta segunda-feira (24), as mesmas organizações pediram, por meio de um documento, uma reunião aberta para retomar a discussão sobre o projeto no conselho do Comitê Gestor da Internet, cobrando uma manifestação do órgão. “O objetivo real da parceria firmada entre o Facebook e o governo, sob o pretexto de inclusão digital, é de fisgar usuários para a plataforma e para as empresas parceiras que atuam na camada de infraestrutura e na camada de conteúdos e aplicações”, diz o texto.
Também recentemente, outra iniciativa que causou polêmica foi a criação do Instant Articles, que tem como parceiras nove empresas de comunicação que realizam ostestes da plataforma, veículos como o The New York TimesNational Geographic The GuardianA ideia é que os leitores não saiam mais da rede social para ler o conteúdo destes veículos, que seria publicado diretamente no Facebook. Mais uma forma de concentrar a informação, em troca de partilha de receitas publicitárias.
Um dos grandes problemas que muitos enxergam na atuação da empresa é a estratégia de criar a dependência em relação aos seus serviços para se cobrar mais adiante. “Daqui a pouco, quando acabar a experiência, ou então um tempo depois para não criar tanto atrito, quando novas publicações forem admitidas e se animarem com a possibilidade de angariar mais receita com a publicidade comercializada lá dentro, o Facebook vai fechar a torneira e cobrar uma bela comissão – ou chegar com outra restrição qualquer. Exatamente como tem feito ao longo de sua história”, advertiu em artigo o jornalista professor do Comunicação e Informação na Era Digital da Escola de Propaganda e Marketing (ESPM) de São Paulo Caio Túlio Costa.
Costa relembra no texto ainda uma outra ação da empresa, que vem cerceando a visualização de páginas para os usuários da rede. “A restrição da visualização dos posts foi aplicada paulatinamente. Hoje, pasmem, somente de 2% a 4% dos seguidores ou amigos de cada página ou de cada perfil conseguem visualizar posts que não sejam ‘impulsionados’. Como o Facebook diz, é a forma de entregar para os usuários somente o conteúdo de ‘alta qualidade’. Qualidade segundo seus próprios critérios, obviamente.”
Esta ferramenta de controle que filtra e seleciona tudo aquilo que deve ou não circular de acordo com os interesses da companhia acaba, também, influenciando no tipo de debate que estará em voga e assim, definindo comportamentos. “Temos que cair na real e lembrar que o Facebook é uma empresa que atende a seus interesses, não os dos seus usuários. Se eles perceberem que você é muito antagonista, ou que você não compactua com os interesses deles ou dos patrocinadores, ou outros critérios, eles filtram sua publicação para que você ache que está fazendo ativismo, mas na verdade não está. Seu alcance limitado nunca será capaz de gerar uma onda forte ou significativa”, pontua Anahuac de Paula Gil, programador e ativista do Software Livre.

“Estas plataformas criam uma esfera pública de debate mediada por algoritmos privados. É como se tentássemos criar uma praça pública dentro de um terreno particular. Estamos sujeitos às regras do dono do terreno. Além disso, esses algoritmos, na medida em que filtram e selecionam o que nos é exibido, manipulam nossos comportamentos. Fazem isso a partir das análises de nossas interações pregressas, selecionando e mostrando-nos apenas o que provocará mais interações, para que permaneçamos mais tempo conectados em sua rede, aumentando ainda mais as receitas para a empresa”, detalha Tiago Pimentel, analista de redes e diretor da InterAgentes.
O dinheiro é deles, os dados são seus
Túlio Costa adverte no artigo que, apesar de seu grande sucesso de sua companhia, Zuckerberg tem um outro gigante poderoso como concorrente e, por enquanto, leva desvantagem. “O Facebook enfrenta problemas como o de continuar conquistando usuários jovens. Também precisa, desesperadamente, fazer crescer sua receita. Faturou US$ 7,8 bilhões em 2014 contra US$ 66 bilhões do Google, sua Nêmesis. Outro dado assustador para o Facebook é que, desde que suas receitas são conhecidas, ele levou oito anos para faturar US$ 7,8 bilhões enquanto que, respectivamente, em oito anos o Google estava faturando US$ 23,7 bi – três vezes mais.”
O Facebook e o Google têm algo em comum, embora forneçam serviços correlatos, mas distintos um do outro. Ambos extraem informações pessoais dos usuários para vender anúncios e produzir marketing de acordo com o modo de utilização de seus serviços. Em outras palavras, é com estes dados que as duas companhias acumulam lucros estratosféricos.
Em junho deste ano, a socióloga Zeynep Tufekci defendeu, no The New York Times, que ela pudesse pagar ao Facebook para poder utilizar o serviço. Em troca, queria o direito à privacidade. “O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, parece ter muito dinheiro, mas eu gostaria de lhe dar um pouco do meu. Quero pagar uma pequena taxa pelo direito de manter minhas informações privadas e ser capaz de ouvir as pessoas que quero – não os veiculadores de conteúdo patrocinado que procuro evitar. Quero ser uma cliente, não um produto”, disse. De acordo com ela, calcula-se que o lucro da companhia com cada usuário, por meio de anúncios direcionados, gire em torno de 20 centavos por mês, o que faz o negócio valer a pena somente para quem tem um contingente grande de usuários. Em suma, para oligopólios.
O professor da Columbia Law School, Tim Wu, destaca em artigo da New Yorker, remetendo à argumentação de Tufecki, que desde o final do século 18 os negócios das indústrias de entretenimento se baseiam em três pilares: pagamento direto/assinaturas, anúncios ou a mistura de ambos. Mas um quarto modelo surge a partir dos anos 1990: dar ao seu cliente um serviço em troca de suas informações pessoais, que serão utilizadas para se ganhar mais dinheiro.
O Facebook não é a única companhia que opera desta forma, mas é a campeã, por ter mais dados que qualquer outra. Eles são úteis para a publicidade, principal fonte de receitas do Facebook. Mas também são um ativo”, lembra Wu. “A avaliação de que o Facebook tenha um valor estimado em 270 bilhões de dólares, tendo obtido um lucro de três bilhões no ano passado, é baseada na fé de que todos os dados acumulados têm um valor em si mesmo. É como um Fort Knox virtual, com uma mina de ouro ligada a ele. Uma das razões para que Mark Zuckerberg seja tão rico é que o mercado de ações pressupõe que, em algum momento, ele vai descobrir uma nova maneira de obter lucro a partir de todas as informações que tem sobre nós.”
A falta de privacidade pode afetar mesmo a ação política. Embora o Facebook seja utilizado por militantes e movimentos para organização e discussão de iniciativas, seria mesmo o meio mais apropriado para isso? O grupo de esquerda tecno-ativista Nadir acha que não. “Ao usar o Facebook, os ativistas não só comunicam de forma transparente suas opiniões, seus “gostos” etc, mas também os deixam disponíveis para serem processados. Não só isto (e isto consideramos muito mais importante), como expõem estruturas e pessoas que têm pouco ou nada a ver com o Facebook. Sua capacidade de varrer a web buscando relações, similitudes etc é difícil de ser compreendida pelas pessoas comuns. Suas luzes hipnotizantes acabam nos fazendo reproduzir nossas estruturas políticas para as autoridades e companhias.”
Dados, elementos radioativos

Ao se debruçar em uma análise mais aprofundada de como a rede social de Zuckerberg funciona e quais são os reais interesses por trás dessa ‘liberdade’ que é vendida sob o jargão de “É gratuito e sempre será”, não é difícil perceber o quão desastrosas são as consequências de entregar a sua vida a uma empresa privada que, por estar no âmbito digital, passa a impressão de estarmos simplesmente em uma extensão de nossas vidas reais. A realidade não é essa. E o fato é que as informações sobre os usuários não servem apenas para dar lucro aos gigantes corporativos.

“São conhecidas as parcerias entre grandes corporações que concentram enormes quantidades de dados (caso de Google e Facebook) e agências de inteligência. Não estamos aqui no terreno da teoria da conspiração. A parceria entre Estados e essas corporações alimentam suas agências de espionagem. O outro lado dessa moeda é que essas corporações montam uma relação de todos os interesses de cada indivíduo, tornando-os mais previsíveis. São esses perfis que são vendidos a anunciantes, e é esse o negócio dessas corporações. Nós somos os produtos, nossos hábitos de consumo e preferências pessoais são os produtos que alimentam esse modelo de negócios”, explica Pimentel.

As consequências dessa concentração de dados em grande escala estão em um âmbito muito mais grave que o simples armazenamento individual das informações. Aglutinadas e catalogadas, passam a ditar hábitos, comportamentos e ideologias. Essa é a tese de Anahuac. “Os dados que você fornece, somados aos dados das outras pessoas, geram um volume de informações tamanho que permite não apenas fazer propaganda bem feita, mas fazer direcionamentos e influenciar comportamentos massivos. Então, dá pra definir tendências, dá pra definir qual a cor da moda etc. Em última estância, cria tendências de mercado e num outro nível tendências ideológicas, tendências bélicas, tendências religiosas…”, acredita.

“É preciso ter em mente que fazem isso não individualmente, mas em larga escala. Certa vez ouvi do professor Pedro Rezende, um grande criptógrafo brasileiro, uma metáfora interessante: dados pessoais são como elementos radioativos. Inofensivos se dispersos em estado natural, mas quando concentrados tornam-se urânio enriquecido”, completa Pimentel.

Essa criação de tendências por meio da espionagem e da concentração de dados, inclusive, extrapola os limites das legislações locais e atende única e exclusivamente aos interesses da empresa, que é norte-americana e por sua vez está sob a batuta da Constituição estadunidense. O risco mais direto dessa lógica é o de estar sujeito a censuras e bloqueios. Como exemplo, Anahuac citou a experiência da Marcha das Vadias no Brasil. O movimento, por usar o corpo e expor os seios como forma de protesto, é recorrentemente censurado pela rede social.

“Para o Facebook, toda e qualquer foto de seios é automaticamente identificada como erotismo ou pornografia. Então, olha só: nos temos uma entidade, em um espaço autônomo, com um único comandante, que criou uma comissão avaliadora daquilo que é ou não é permitido. Há poder de polícia, de censura, e essa censura se sobrepõe à constituição brasileira e aos direitos civis brasileiros de expor o corpo como maneira de protesto. Estamos falando de um mecanismo que vai taxar de pornografia aquilo que tem um cunho ideológico”, explica.
O futuro do Facebook
Diante de tamanho nível de invasão de privacidade, do armazenamento de dados, da venda de informações pessoais e da orientação de tendências e comportamentos exercidos pela rede, fica a pergunta: ao se darem conta dessas estratégias, as pessoas tenderiam, aos poucos, a abandonar o Facebook e migrar para outras redes, como aconteceu no passado com o Orkut?

Anahuac é pessimista. Para o ativista, não é que as pessoas, com o tempo, passarão a ter consciência dessas consequências desastrosas do uso da rede social, mas a verdade é que elas já tem esse conhecimento e não estão dispostas a abandonar sua zona de conforto. Didático, o programador usa outro paralelo para explicar essa lógica: o da consciência ambiental.

Praticamente todo mundo tem consciência ambiental. Obviamente, se você perguntar a uma pessoa se ela quer que seu lixo vá para um lixão a céu aberto ou um centro de tratamento, ela dirá que prefere que vá para o centro de tratamento. Ninguém quer o mal da natureza. Porém, essas pessoas em geral jamais exigirão dos seus governantes que os lixões sejam convertidos em centros de tratamento, jamais farão uma manifestação nas ruas em prol do fim dos lixões, por que é um problema que tá aparentemente longe. 

O mesmo acontece com o Facebook. Muitos ativistas acham que o governo tem que regular mas, enquanto isso, continuam ali, usando. É o ativista que é contra a sujeira da rua mas joga o lixo no chão por que quem tem que coletar o lixo é o governo”, compara.

Mesmo com tamanho poder, nem tudo são flores para a rede social de Zuckerberg, queenfrenta hoje o desafio de continuar despertando o interesse de novas gerações de usuários. Hoje, ela já sente de perto a força dos aplicativos de mensagens, que podem começar a mudar a forma com que as pessoas percebem as próprias redes sociais. De acordo com matéria do jornal Valor Econômico, seis dos dez aplicativos mais usados do mundo são serviços de mensagens e os usuários do Facebook recorrem ao WhatsApp e Messenger entre 25 a 30 vezes por dia, enquanto escrevem 15 vezes no “feed” principal do site, conforme estimativa do Deutsche Bank.
A expectativa é que o WhatsApp, adquirido pela empresa de Zuckerberg no ano passado, alcance 1 bilhão de usuários no início de 2016, sete anos após seu lançamento e dois anos menos do que o Facebook levou para chegar no mesmo contingente de usuários. 
No entanto, isso traz um dilema em relação ao modelo de negócios da companhia, que lucra por meio de anúncios próximos aos posts dos amigos dos usuários vistos em suas páginas.
Em entrevista ao Olhar Digital realizada em 2014, o empresário e economista Jack London, autor do livro Adeus, Facebook – O Mundo Pós-Digital, já dizia algo que a História recente tem demonstrado ser fato: as redes sociais vão se sobrepondo e, dado o panorama atual, provavelmente todas elas serão substituídas por aplicativos. “No caso do Facebook, é nítido o envelhecimento do site. Hoje, a maior parte dos usuários tem mais de 45 anos, então há um esforço grande do Facebook para tentar se atualizar, se renovar”, afirma. “Eles não estão conseguindo recuperar o público mais jovem que já migrou para os aplicativos.”
Para London, foi o WhatsApp que, simbolicamente, “comprou” o Facebook, pois ao fazer a aquisição, a corporação reconhece que seu modelo “não estava bem”. “Nunca nomeie para um cargo alguém que você não pode demitir depois”, compara. “O Facebook chegou ao limite do seu crescimento”, acredita. Isso não significa que vá acabar, mas certamente terá sua importância reduzida nos próximos anos, algo que a própria estratégia empresarial estaria apontando.

BOX – As alternativas de redes sociais

Há dez anos, ao menos no Brasil, o Orkut concentrava quase todos os usuários de internet do país. Com o surgimento de outras redes as pessoas, aos poucos, foram deixando a plataforma e hoje quem exerce esse monopólio e concentração é o Facebook. 

Nesse sentido, ainda que existam redes que garantam mais segurança, privacidade ou que atendam aos interesses dos usuários, como assegurar que ela não se torne um novo Facebook e que o problema não seja, simplesmente, transferido?

Segundo Anahuac, nas redes livres esse monopólio é impossível de ser exercido pois elas trabalham com o conceito de federalização de servidores. Isto é, qualquer pessoa pode ter seu servidor autônomo e dialogar com outros servidores em uma dinâmica que atenda aos seus próprios interesses. É a lógica da federalização de um país transferida para a esfera digital.

“Assim como o Brasil é um país federalizado, com vários estados autônomos, que juntos formam o país e que têm legislações específicas que respeitam a regionalidade e a cultura, os servidores federalizados funcionam assim também. Numa rede federada, qualquer um pode ser dono de um servidor que o conecta nessa rede. Imagina que você pudesse ter o seu próprio servidor de Facebook: quem vai bloquear sua conta? Você mesmo? Não, por que você é autônomo, tem liberdade para interagir nessa rede. Esses servidores são autônomos mas se comunicam entre si”, explica.

Nesse sentido, o usuário que não tiver conhecimento de como criar um servidor, pode simplesmente procurar uma rede livre e procurar um servidor, de qualquer país, que mais lhe agrade. Se você não concorda com a legislação brasileira, por exemplo, pode usar um servidor da Indonésia sem ter seu conteúdo censurado e ainda dialogar com milhares de servidores ao redor do mundo. A própria internet funciona assim e, por isso, não há como “derrubar” a internet: ela é composta por milhões de servidores autônomos ao redor do mundo que dialogam entre si.

Há ainda a possibilidade, caso o usuário não tenha conhecimento e queira, de contratar um profissional para que ele crie o seu próprio servidor com as suas regras e suas determinações. “A única maneira de você garantir que ninguém vai ter acesso a tudo é distribuindo. Essa é a essência da internet”, disse o ativista.

Atualmente já há alternativas bem viáveis de redes de comunicação livres e federadas que os usuários podem se cadastrar, utilizar e se comunicar com os amigos e o resto do mundo. Confira abaixo algumas delas:


Plataforma web para redes sociais que possui as funcionalidades de Blog, e-Portfolios, RSS, discussão temática e agenda de eventos num mesmo sistema.


Rede federada em que os servidores podem ser instalados em qualquer lugar do mundo, garantindo a descentralização de dados. No Brasil, há três servidores. O anonimato é garantido por que, diferentemente do Facebook, não é obrigatório que a pessoa utilize sua identidade real e há privacidade pois é o próprio usuário quem concentra seus conteúdos e define com que ele será compartilhado.

RedMatrix [https://redmatrix.me/&JS=1]

Plataforma de comunicação e publicação descentralizada que permite manter o controle das necessidades de comunicação com criptografia automática e um controle fino de acesso. Já funciona como uma rede global e distribuída.

Mensageiro instantâneo, criptografado e feito com base em Software Livre que funciona como alternativa ao Whatsapp.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/09/os-muitos-tentaculos-do-facebook-2/