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domingo, 23 de agosto de 2015

GASPARI ARRASA FHC E AÉCIO PELA BLINDAGEM A CUNHA

23.08.2015
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/193996/Gaspari-arrasa-FHC-e-A%C3%A9cio-pela-blindagem-a-Cunha.htm

Apocalipse grego: Versalhes ou Brest-Litovsk?

23.08.2015
Do portal da Agência Carta Maior, 20.08.15
Por Slavoj Zizek

Existe um risco de que a humilhação do Syriza termine levando o partido a ficar sozinho em sua luta, sem conseguir avançar em seu projeto

Andrea Bonetti
Quando o breve ensaio“A coragem da desesperança”, sobre a Grécia pós referendo, foi reproduzido pelo In These Times, mudaram o título para “Como Alexis Tsipras e o Syriza ganharam a partida contra Angela Merkel e os eurocratas”. Embora eu efetivamente acredite que a aceitação das condições da União Europeia (UE) não foi uma simples derrota, estou longe de uma visão tão otimista. Abdicar do NÃO no referendo para dar um SIM às exigências de Bruxelas representou uma comoção verdadeiramente devastadora, uma dolorosa e frustrante catástrofe. Para ser mais preciso, foi um apocalipse nos dois sentidos da palavra, a habitual (catástrofe) e a original literal (descobrimento, revelação): o antagonismo básico da situação, o beco sem saída ficou claramente exposto.
 
Muitos comentaristas de esquerda se equivocaram ao ler o conflito entre a UE e a Grécia como o conflito entre a tecnocracia e a política: o tratamento da UE à Grécia não é tecnocracia, e sim política, em seu estado mais puro, uma política que age contra os interesses econômicos – como ficou estabelecido claramente pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), um autêntico representante da fria racionalidade econômica, que declarou o plano de resgate inviável). Em todo caso, foi a Grécia que representou a racionalidade econômica e a UE a que representou a paixão político-ideológica. Depois que reabriram os bancos e a bolsa do país, se produziu uma tremenda fuga de capitais e uma queda das reservas, que não foram simplesmente um sinal de desconfiança com o governo do Syriza, e sim de desconfiança com as medidas impostas pela UE, uma mensagem descarnadamente clara de que (tal como estamos acostumados a dizer) o próprio capital não acredita no plano de resgate da UE – e, aliás, a maior parte do dinheiro emprestado à Grécia irá aos bancos privados ocidentais, o que significa que a Alemanha e outras potências da UE estão gastando o dinheiro dos contribuintes para salvar a seus próprios bancos, que cometeram o erro de conceder empréstimos impossíveis de cobrar, para não falar do fato de que a Alemanha se beneficiou bastante da fuga de capital grego da Grécia à Alemanha.
 
Quando Varoufakis justificou seu voto contra as medidas impostas por Bruxelas, comparou o acordo com o Tratado de Versalhes, que era injusto e que levava em seu seio uma nova guerra. Embora o paralelo seja correto, eu preferiria fazê-lo com o Tratado de Brest-Litovsk, entre a Rússia soviética e a Alemanha, nos princípios de 1918, no qual, para consternação de muitos de seus partidários, o governo bolchevique cedeu às exorbitantes demandas da Alemanha. Certo, se retiraram, mas isso lhes deu um respiro para fortalecer seu poder e esperar. O mesmo acontece com a Grécia hoje em dia: não estamos no final, a retirada grega não é a última palavra, pela simples razão de que a crise vai voltar, em dois anos mais, ou antes, e não só na Grécia. A missão do governo do Syriza é se preparar para esse momento, para ocupar posições e planejar as opções pacientemente. Manter o poder político nessas condições impossíveis, porém, oferece um espaço mínimo para preparar o terreno para a ação futura, e para a educação política.
 
Aí está o paradoxo da situação: se, por um lado, o plano de resgate não vai a funcionar, não há porque perder os nervos e sair correndo, mas sim segui-lo até a próxima explosão. Por que? Por causa da evidente falta de preparação da Grécia para o grexit (uma saída da Zona Euro). Não há um plano B para esta dificílima e complexa operação. Até agora, o governo do Syriza funcionou sem controlar realmente o aparato do Estado, com seus dois milhões de funcionários: a polícia e o poder judiciário pertencem, em sua maioria, à direita política, a administração é parte integrante da corrompida máquina clientelista, etc. E terá que depender precisamente dessa vasta máquina estatal no caso de ter que enfrentar o enorme desafio do grexit (definamos que o grexit era o plano do inimigo, inclusive há rumores de que Schäuble (ministro da Fazenda alemão) ofereceu cinquenta bilhões de euros à Grécia para abandonar a Zona Euro). O que torna esse governo tão irritante é o fato de ser de um país da Zona Euro: “a veemência com a que se opõem se deve precisamente à presença da Grécia no euro. Realmente, a quem lhe importaria se chegasse ao poder num pequeno país, com o dracma como divisa?”.
 
Que espaço de manobra o Syriza tem, se aceita se reduzir a promulgar a política do seu inimigo? Deveria se demitir e convocar novas eleições, em vez de promulgar a política que se opõe diretamente ao seu programa? Uma decisão assim é muito fácil e, em última instância, é uma nova versão do que Hegel chamava de “a beleza do espírito”. Como explica Étienne Balibar, antes de tudo, o Syriza necessita ganhar tempo, e as potências da UE estão fazendo todo o possível para privar o Syriza de tempo, tratando de colocar o partido contra as cordas, de forçá-lo a uma decisão rápida: ou a rendição total (sua demissão) ou o grexit. Tempo, para que? Não só para se preparar para a próxima crise. Devemos lembrar sempre que a meta básica do governo do Syriza não é nem o euro nem a exigência de saldar suas contas com a UE, mas sim, sobretudo, a reorganização radical das instituições sociais e políticas corruptas da Grécia a longo prazo: “O mais complicado problema do Syriza, que não foi enfrentado por nenhum outro partido político no governo, é o de modificar as estruturas institucionais internas, em condições de assalto institucional externo” (como fez a Alemanha, no começo do Século XIX, sob a ocupação francesa).
 
O problema que a Grécia está enfrentando agora é o da “governabilidade da esquerda”: a dura realidade do que significa para a esquerda radical governar no mundo do capitalismo global. Que opções terá o governo? As alternativas óbvias (a simples social democratização, o socialismo de Estado, a retirada do Estado e a dependência dos movimentos sociais) não são suficientes, evidentemente. A verdadeira novidade do governo do Syriza é que supõe um acontecimento de governo: é a primeira vez que uma esquerda radical ocidental (não o velho estilo comunista) chega ao poder do Estado.
 
Toda essa retórica de atuar distanciando-se do Estado, tão querida pela nova esquerda, não pode se impor sobre um elemento central: é preciso assumir heroicamente toda a responsabilidade pelo bem-estar de toda a população e deixar para trás a atitude crítica básica da esquerda, de encontrar uma perversa satisfação em proporcionar explicações sofisticadas sobre porque as coisas tiveram que tomar um rumo equivocado.
 
O dilema ao que o governo grego se enfrenta é uma difícil escolha, que deve ser abordada em termos pragmáticos, não é uma questão de princípios entre a ação real (de governo) e a traição oportunista. As acusações de “traição” dirigidas ao governo do Syriza se formulam para evitar a pergunta realmente importante: como enfrentar o capital em sua forma atual? Como governar, como fazer um Estado funcionar “com gente”? É muito fácil dizer que o Syriza não é simplesmente um partido de governo, mas sim tem suas raízes na mobilização popular e nos movimentos sociais: o Syriza “é uma coalizão pouco rígida, contraditória em si mesma e internamente antagônica, de pensamento e prática esquerdistas, enormemente dependente da capacidade dos movimentos sociais de todos os tipos, totalmente descentralizada e impulsada pelo ativismo de redes de solidariedade num amplo campo de ação, através de linhas de conflito de classe, de ativismo de gênero e de sexualidade, de questões de imigração, de movimentos antiglobalização, de defesa dos direitos civis e humanos, etc”. Entretanto, a pergunta continua de pé: como essa dependência da auto-organização popular afeta, ou como deveria afetar, a direção de um governo?
 
Sobre a Grécia traída, Tariq Ali escreveu: “no começo do mês de julho, estavam celebrando o voto pelo NÃO. Estavam dispostos a fazer mais sacrifícios, a se arriscar a viver fora da Zona Euro. O Syriza lhes deu as costas. A data, 12 de julho de 2015, quando Tsipras aceitou as condições que a UE impôs, chegará a ser tão infame como o 21 de abril de 1967. Os tanques foram substituídos pelos bancos, como expressou Varoufakis, depois de ser nomeado ministro da Fazenda”. Considero convincente esse paralelo entre 2015 e 1967 mas, ao mesmo tempo, profundamente enganoso. É verdade, tanques rimam com bancos em alguns idiomas (em inglês, tanks rima efetivamente com banks), o que significa que a Grécia agora está de fato sob ocupação financeira, com a soberania fortemente restringida, todas as propostas do governo têm que ser aprovadas pela troica antes de se submeter ao Parlamento, não só as decisões financeiras mas inclusive de dados que estão sob controle estrangeiro (Varoufakis não tinha acesso aos dados de seu próprio ministério, e foi acusado de traição por tentar obtê-los) e, o cúmulo dos males, na medida em que o governo democraticamente eleito obedece essas regras, proporciona voluntariamente uma máscara democrática a essa ditadura financeira (enquanto as acusações recentes contra Varoufakis, por traição, são uma mostra de obscenidade em seu estado mais puro: nas últimas décadas, desapareceriam bilhões e o Estado manipulava informes financeiros falsificados, o único acusado foi o jornalista que tornou públicos os nomes dos titulares das contas ilegais nos bancos estrangeiros, contudo, agora Varoufakis é acusado, a partir de um pretexto ridículo. Se houve um herói de verdade em toda a história da crise grega, esse herói é Varoufakis).
 
Deve se assumir então o risco de um grexit? Nos enfrentamos aqui a uma tentation événementielle, ou seja, à tentação de seguir o curso dos acontecimentos: a tentação, numa situação difícil, de cometer uma loucura, de fazer o impossível, de assumir o risco e sair correndo, quaisquer que sejam os custos, sob a lógica subjacente de que “as coisas não podem estar pior do que estão agora”. O problema é que, com toda a certeza, as coisas podem ir ficar muito pior, até mesmo explodir, numa crise social e humanitária total. A pergunta principal é: houve realmente alguma possibilidade objetiva de um ato autenticamente emancipador que extraísse todas as consequências políticas e econômicas do NÃO no referendo? Quando (o filósofo Alain) Badiou fala de um acontecimento emancipador, sempre enfatiza num fato que não é um ato em si mesmo: só se converte em tal com o carácter retroativo, mediante esforçada e paciente obra de amor de quem luta por ele, que professa fidelidade a ele. A questão da oposição entre o curso normal das cosas e o estado de exceção caracterizado pela fidelidade a um acontecimento que interrompe o curso normal das coisas deveria, portanto, ser abandonada (desconstruída, inclusive). No curso normal das coisas, a vida simplesmente continua por sua própria inércia, estamos absortos em nossas preocupações e rituais diários. Então, algo sucede, um despertar causado por algum acontecimento, uma versão secular de um milagre (uma explosão social emancipadora, um encontro amoroso traumático…), se optamos pela fidelidade a esse acontecimento, toda nossa vida muda, nos dedicamos à obra do amor e nos esforçamos por inscrever o acontecimento em nossa realidade, e depois, em algum momento, a sequência do acontecimento se esgota e voltamos ao fluxo normal das coisas…
 
E se o verdadeiro poder de um acontecimento deveria se medir precisamente por sua desaparição, quando o acontecimento fica desconectado do seu resultado, da mudança da vida normal? Vejamos um acontecimento sociopolítico: o que fica de suas consequências quando sua energia estática está esgotada e as coisas voltam à normalidade? Até que ponto essa normalidade é diferente da prévia do acontecimento?
 
Voltando à Grécia, é fácil contar com o gesto heroico de prometer sangue, suor e lágrimas, de repetir el mantra de que a política autêntica significa que não se deve aceitar os limites do possível, e sim se arriscar ao impossível, mas o que seria isso no caso do grexit? Em primeiro lugar, não esqueçamos que o referendo não era nem sobre o euro (75% dos gregos preferem seguir com o euro) nem sobre a permanência ou não na UE. A pergunta era: “Quer que esta situação continue ou não?”, o que significa que o resultado tampouco pode ser lido como um sinal de que o povo grego está disposto a suportar sacrifícios e mais sofrimento para afirmar sua soberania. O NÃO foi um NÃO à sua situação sem saída, que era a situação da austeridade, pobreza, etc. Foi uma demanda de uma vida melhor, não uma disposição a mais sofrimento e sacrifício (em geral, os motivos de uma disposição a um sofrimento exagerado são extremamente problemáticos). Em segundo lugar, no caso do grexit, o Estado grego não se veria obrigado a adotar uma série de medidas (nacionalização dos bancos, impostos mais altos, etc.) que são simplesmente uma reedição da velha política econômica socialista-estatal-nacional-soberana? Não há nada contra este tipo de política, mas teria sucesso na Grécia de hoje, nas condiciones específicas que o país enfrenta, com seu aparato estatal ineficaz e dentro de uma economia global? Aqui estão os três pontos principais do plano antiausteridade da Plataforma de Esquerda, enumerando medidas “perfeitamente realizáveis”:
 
“1– A reorganização radical do sistema bancário, sua nacionalização sob controle social e sua reorientação voltada ao crescimento.
 
2 – A rejeição total da austeridade fiscal (superavits primários e orçamentos equilibrados), para enfrentar a crise humanitária de forma eficaz, cobrindo as necessidades sociais, reconstruir o Estado social e tirar a economia do círculo vicioso da recessão.
 
3 – A aplicação de procedimentos preliminares que levem a saída do euro e ao cancelamento da maior parte da dívida. Há opções perfeitamente realizáveis que podem conduzir a um novo modelo econômico orientado à produção, ao crescimento e à mudança no equilíbrio social de forças em benefício da classe trabalhadora e da população”.
 
Além disso, duas especificações adicionais:
 
“A elaboração de um plano de desenvolvimento baseado no investimento público, permitindo também o investimento privado em paralelo. A Grécia necessita uma relação nova e produtiva entre os setores público e privado, para entrar numa via de desenvolvimento sustentável. A realização desse projeto será possível uma vez que se restabeleça a liquidez, combinada com a capacidade do país economizar.
 
Retomar o controle do mercado interno, diante da disputa com os produtos importados, revitalizará e reforçará o papel das pequenas e médias empresas, que seguem sendo a coluna vertebral da economia grega. Ao mesmo tempo, as exportações serão estimuladas pela introdução de uma moeda nacional”.
 
É difícil de ver nisso tudo algo mais que o conjunto habitual de medidas intervencionistas do Estado: retorno à moeda nacional, impressão de dinheiro, financiamento de grandes obras públicas, apoio à indústria nacional… Medidas como essas, adequadamente calibradas, podem funcionar, mas funcionariam na Grécia de hoje, com um enorme endividamento externo de indivíduos e empresas privadas (que não podem ser pagos), com uma economia plenamente integrada à Europa Ocidental e dependente dela, por exemplo, para importar alimentos e produtos industriais e médicos? Em outras palavras, onde, em que outro lugar, a Grécia veria a si mesma? Em que outro lugar da Bielorrússia e de Cuba? Como Paul Krugman escreveu recentemente que é preciso admitir que ninguém sabe realmente quais seriam as consequências do grexit. É um território inexplorado.
 
Uma coisa está clara: “O grexit significa uma política de independência nacional”, por isso não é de se estranhar que alguns partidários da Plataforma de Esquerda prefiram inclusive à extremamente problemática e (para mim) totalmente inaceitável definição dessa como “populismo nacional” (por certo, deve-se rejeitar ambos os mitos otimistas, o mito da Plataforma de Esquerda, de que há um claro procedimento racional de empreender um grexit que traga uma nova prosperidade e sua contrapartida – defendida por Jeffrey Frankel, entre outros – de que, ao executar fielmente o plano de resgate, Tsipras pode chegar a se tornar um novo Lula).
 
Portanto, a eleição já não é simplesmente entre um grexit, a saída da Zona Euro, ou capitulação: o governo do Syriza se encontra numa situação única, obrigado a fazer aquilo ao que se opõe. Persistir numa situação tão difícil e não jogar a toalha é autêntico valor. Neste momento, o inimigo do governo do Syriza não é, em primeiro lugar, a plataforma de esquerda, e sim os que aceitam sinceramente a derrota, e o que na verdade querem é jogar o jogo da UE. Esse perigo parece evidente quando temos em conta o efeito da rendição do Syriza: pelo que Varoufakis m confessou numa conversa privada, “moderou as posições daqueles que ficaram nos ministérios, que ou são incapazes de realizar o projeto original ou não têm nenhum desejo (para não incomodar a troica) de planificar a próxima ruptura. É mais, a troica os usa como cobaias numa roda, fazendo-os correr cada vez mais rápido, para pôr em prática as medidas tóxicas. Foram cooptados em poucos dias, se tornaram incapazes de planejar algo próximo àquilo que foi proposto. Para finalizar esse processo, o movimento decisivo da troica é o de forçar, inteligentemente, que a normativa governamental inclua mais, e consolide alguns feudos próprios dentro do Estado. Assim, por exemplo, as unidades de luta contra a fraude fiscal acabaram sendo absorvidas pela Secretaria Geral de Ingressos Públicos (cuja dependência da troica já foi denunciada), de forma que o governo não conta com instrumentos ao seu alcance para combater a evasão fiscal da oligarquia. O mesmo ocorre com as privatizações. A troica está estabelecendo novos órgãos que controlam totalmente”.
 
Fica, então, algum resquício de esperança? O verdadeiro milagre da situação, e uma das poucas fontes de moderada esperança, é que, apesar de Bruxelas ter imposto suas exigências, parece que cerca de 70% dos votantes gregos ainda apoiam o governo do Syriza. A explicação é que a maioria percebe que o Syriza está fazendo o que tem que fazer numa situação impossível.
 
Existe um risco de que a humilhação do Syriza termine levando o partido a ficar sozinho em sua luta, sem conseguir avançar em seu projeto, o que permitirá a reintegração plena de Grécia na UE como um humilde membro em quebra, da mesma forma que há um risco de que um grexit se transforme numa catástrofe em grande escala. Sobre esse ponto não há uma resposta clara a priori, qualquer decisão só se justificará com carácter retroativo, em função de suas consequências. O que há que temer é não só a perspectiva de um maior sofrimento do povo grego, mas também a perspectiva de outro fiasco que desacredite a esquerda para os anos vindouros, enquanto os esquerdistas sobreviventes argumentarão que sua derrota demonstra uma vez mais a perfídia do sistema capitalista…
 
* Filósofo e crítico cultural esloveno, é professor da European Graduate School, diretor internacional do Birkbeck Institute for the Humanities (Universidade de Londres) e investigador senior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana.
 
Tradução: Victor Farinelli
 
Link: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/A-coragem-da-desesperanca/6/34142

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Apocalipse-grego-Versalhes-ou-Brest-Litovsk-/6/34299

Adesão do Itaú ao “não vai ter golpe” encerra agosto

23.08.2015
Do blog TIJOLAÇO

Em post anterior, o internauta André Araújo menciona Alexis de Montesquieu, que, além de autor do clássico Democracia na América, também foi um genial intérprete das crises políticas que assolaram a França durante mais de 50 anos, a partir da revolução de 1789.

Em “Souvenirs”, Tocqueville discorre especificamente sobre a grande crise política que vai de 1830 até 1848, quando uma nova revolução acontece, a monarquia cai pela segunda e última vez, e se instaura a segunda república.

entrevista do presidente do Itaú, Roberto Setúbal, à Folha, me fez lembrar esse livro, porque a técnica do autor é de ilustrar, em grandes linhas, os movimentos das novas classes sociais que emergiram após a revolução.

É uma técnica da qual precisamos hoje.

Também vivemos, como a França após a tumultuosa revolução, um momento de reação conservadora. Assim como na França, o país será salvo, porém, por seus elementos mais prudentes, mais racionais, mais moderados, conscientes de que nenhuma reação poderá pôr de lado as conquistas sociais já alcançadas.

Hoje, por exemplo, testemunhamos uma situação curiosa. As elites brasileiras estão se insurgindo contra a postura carbonária do PSDB e de setores da classe média.

Fiesp, Firjan, CNI, CNA, CNT, e agora o presidente do Itaú, maior banco privado nacional, fincam pé em busca de uma solução para a crise política que não passe por um golpe, mesmo que o golpe venha com um disfarce “institucional” (leia-se impeachment). Um disfarce com o qual se procura vestir, aliás, todos os golpes.

O poder emana do povo, ou seja, do sufrágio universal.

As elites se posicionam contra o impeachment não por amor ao PT, naturalmente, mas porque temem que um golpe teria consequências imprevisíveis, deflagrando um processo de instabilidade ao cabo da qual não se sabe o que viria.

Pode vir um aventureiro de direita ou pode vir um governo radicalizado à esquerda. Quem pode prever?

Muitos autores clássicos das ciências políticas, como o próprio Tocqueville e, mais tarde, Max Weber, mencionam esse fenômenos constante nas repúblicas ou monarquias constitucionais: o Estado passa a ser dominado não mais por um soberano absoluto, também não por representantes do povo vistos com desconfiança. O poder é cada vez mais transferido para uma classe de altos servidores públicos, com os quais se identificam as camadas médias de sociedades ainda muito desiguais.

O assunto mereceria estudos sociopolíticos urgentes. Quem são os novos herois da nossa classe média?

São os políticos, envolvidos numa situação de concorrência eleitoral que os levam, forçosamente, se envolver com grandes quantidades de dinheiro, e ao mesmo tempo a cultivar uma sintaxe popular?

Ou são os altos servidores públicos, que ganham salários muito acima da média, além de uma quantidade tão incrível de adicionais que se transformara, de fato, numa elite econômica?

Quem transmite mais confiança à classe média brasileira: o político ou o juiz?

Há tempos percebíamos esse fenômenos se avolumando. O PT crescia com o voto popular, de um lado, e com o apoio dos grandes grupos econômicos, de outro. Isso criava uma situação que fez o PT negligenciar a construção de uma teoria política voltada especificamente para a classe média. Mas essas coisas são difíceis. Partidos políticos se comportam por instinto. Sobretudo o PT, partido sem tradição de formação de quadros. E que se acostumou mal ao fenômeno Lula, um homem do povo que soube construir, empiricamente, uma teoria política originalíssima. A genialidade do Lula fez o PT esquecer a necessidade de produzir uma densidade crítica necessária para sustar os inevitáveis movimentos de sedução e corrupção que o capital faria em sua direção.

Daí que temos o PT fazendo um discurso social para sua base, e implementando políticas sociais de impacto profundo junto às camadas baixas, e ao mesmo tempo firmando aliança com os setores da elite que ele entendia serem os mais progressistas (embora mais corruptos) das elites econômicas: os empreiteiros e a mídia.

Durante a gestão Lula, a classe média, ainda traumatizada pela truculência dos governos neoliberais, ainda se mantinha fiel ao projeto petista, embora já torcendo o nariz para essa prioridade dúbia de Lula: mais política social para os mais pobres, mais lucro para bancos, fazendeiros, mídia e empresas da construção civil.

Era o momento do crescimento econômico, quando todos ganham.

Na era Dilma, acabou-se o carnaval. As dificuldades econômicas rasgaram a fantasia de um país de todos.

As profundas desigualdades econômicas só poderão ser superadas se as elites aceitarem perder um pouco. E as classes médias, que são muitas, e inimigas entre si, passaram a brigar por espaço.

Então o apoio da classe média ao PT começou a ruir rapidamente, explodindo a partir de 2013. E agora com uma fragilidade ainda mais grave: o apoio declinante dos mais pobres, em função do desgaste natural do poder, de um lado, e pela completa ausência de uma política de comunicação.

O povo precisa de comunicação. Não produzir uma política de comunicação original, que pudesse romper a censura privada de meios de comunicação não comprometidos com o interesse nacional, foi uma agressão que os governos do PT fizeram ao povo brasileiro. O preço político que o PT – e com ele, todo o campo popular progressista – paga por isso é altíssimo, mas era previsível.

Sem apoio na classe média, sem apoio popular, Dilma está sendo salva pela prudência das elites brasileiras, como mostra a entrevista com o presidente do Itaú.

Claro que as elites estão cobrando e irão cobrar um preço altíssimo por este apoio.

Mas não só elas.

É o tempo das grandes chantagens em detrimento do povo.

As altas classes médias, incrustadas nas carreiras de Estado, também se aproveitam da fragilidade do poder político, e usam de todo o tipo de chantagem para consolidarem seus ganhos.

Crise econômica, ajuste fiscal, queda de arrecadação? Nada disso importa para juízes que ganham, como Sergio Moro, quase R$ 80 mil por mês.

Temos o Judiciário e o Ministério Público mais caro e mais bem pago do mundo, e eles ainda querem mais. E se o poder político não ceder, eles brandem terríveis ameaças: mandaremos prender todo mundo!

Juízes, promotores, delegados federais, altos servidores das carreiras “estáveis” do Estado, passaram a se ver, desde algum tempo, como uma só classe.

Diante do estreitíssimo topo da elite econômica, é capaz desses servidores se verem como parte do “povo”.

No caso do Brasil, isso está cada vez mais claro. Os estamentos incrustados no Ministério Público e no Judiciário parecem ter desenvolvido uma mentalidade quase messiânica em relação ao poder. Como os pobres ainda não tiveram tempo de “invadir”, como fizeram com os aeroportos, esses últimos bastiões da burguesia tradicional, esses estamentos parecem ser unir numa dura reação aos movimentos de transformação que o país tem vivido.

A instauração de severos concursos públicos, um processo ainda profundamente elitizado, ao invés de ter democratizado o acesso a esses cargos, conferiu a seus ocupantes um sentimento de superioridade cultural que os fazem se comportar como verdadeiros mandarins da república.

Interessante observar que, entre as reações da elite em prol da estabilidade e contra o impeachment, todos defendem ainda mais transferência de poder para as instâncias repressivas.

O endeusamento de um juiz, a onipresença dos procuradores, em entrevistas infinitas, na mídia, mostra que este é o principal movimento por trás do que chamamos “golpe”.

Num país em crise política e já sofrendo abalos econômicos em decorrência dela, os estamentos que gozam de mais estabilidade, livre das amarras instáveis do sufrágio popular, ganham cada vez mais poder político e econômico.

A Polícia Federal, por sua vez, desligou-se do Executivo e tornou-se uma instância sob controle do Judiciário, como se disse no post anterior. Isso é muito mais terrível, muito mais autoritário, do que uma PF completamente subserviente ao poder político, porque este último, ao menos, pode ser mediado de quatro em quatro anos pelo povo, e seus membros não tem, jamais, cargo vitalício.

Todos aceitam, portanto, numa postura quase fatalista, que a melhor maneira de evitar um golpe é, na verdade, permitindo que as forças que se articulam pelo golpe, mesmo que sem clara consciência disso, a saber, Judiciário, Ministério Público, e uma PF transformada em guarda pretoriana do Judiciário, assumam de vez o poder.

Eu não quero encerrar o post, porém, com um tom tão negativo, porque não podemos deixar de enxergar, nos últimos acontecimentos, três pontos profundamente positivos:

1) a desmoralização nacional e internacional dos setores políticos e sociais que pregam um golpe de Estado.

2) não foi somente o movimento de elite que enterrou o golpe. As movimentações populares, como as centenas de milhares que foram às ruas no último dia 20, contra o impeachment, tiveram importância fundamental. Atos como o encontro de governadores no Nordeste, contra o golpe, também ajudaram.

3) A política é um processo vivo e dinâmico. A partir do momento em que o governo não cai, mesmo que cedendo em vários pontos, ele ganha uma força particular. É um governo que resiste, vencendo quatro pleitos consecutivos, a um processo de massacre que dura, em verdade, há muitos anos. O que está vivo pode se transformar. O que pode se transformar, pode acumular forças. O que pode acumular forças, pode voltar a vencer.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=29188

Por que o PSDB está em silêncio diante das denúncias contra Eduardo Cunha?

23.08.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO, 22.08.15

 "A moral e a coerência tucanas são mesmo um primor", diz Jean Wyllys, em crítica ao "silêncio constrangedor" dos parlamentares do PSDB em relação à denúncia contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e o fato de o líder da bancada ter participado de reunião com o peemedebista "a portas fechadas"

psdb eduardo cunha denúncia corrupção
O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou, nas redes sociais, o comportamento de parlamentares tucanos em relação à denúncia contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por corrupção e lavagem de dinheiro ao STF nesta quinta-feira 20. A PGR pede restituição de mais de U$ 80 milhões, além de prisão de 184 anos para o atual presidente da Câmara.
Nesta quinta, Wyllys postou em sua página no Facebook: “A bancada do PSDB na Câmara Federal – também conhecida como o ninho dos tucanos – não só mergulhou em silêncio constrangedor em relação à denúncia da PGR contra Eduardo Cunha (acusado de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro), como o deputado Carlos Sampaio, líder da bancada do PSDB, participou de reunião a portas fechadas com Eduardo Cunha (da qual participaram também o líder do DEM, Mendonça Filho, e do PSC, André Moura) para ver meios de blindar o denunciado e o manter na presidência da Câmara”.
“Ah, a moral e a coerência tucanas são mesmo um primor, né? FHC também ainda não abriu o bico. Por quê? Quanto ao DEM e ao PSC, nós já sabemos a que valores servem esses partidos”, continuou o deputado do PSOL. Seu partido, sob liderança do deputado Ivan Valente (SP), pede a saída de Cunha da presidência da Casa e ainda a abertura de um processo de investigação na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, o que abre caminho para a cassação de seu mandato.
Em uma nota pluripartidária assinada ontem, deputados pediram o afastamento de Cunha do comando da Casa. Confira abaixo o manifesto de deputados de dez partidos contra Cunha:
A denúncia contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, por corrupção e lavagem de dinheiro, apresentada pela Procuradoria Geral da República, é gravíssima. Com robusto conjunto probatório, ela não apenas reforça as informações sobre o envolvimento de Cunha no esquema criminoso investigado pela Operação Lava Jato, como expõe o Parlamento brasileiro e torna insustentável a sua permanência na Presidência da Casa.
O Ministério Público acusa Eduardo Cunha de corrupção e lavagem de dinheiro – referente ao recebimento de US$ 5 milhões de um lobista e outras milionárias transações. Apurou-se também que Cunha se utilizou de requerimentos de informação para chantagear empresários que estariam com parcelas de propina em atraso – requerimentos esses originados em seu gabinete e assinados pela então deputada Solange Almeida.
A diferença da condição de um investigado em inquérito para a de um denunciado é notória. Neste caso, Cunha é formalmente acusado de ter praticado crimes. Com a denúncia do Ministério Público, a situação torna-se insustentável para o deputado, que já demonstrou utilizar o poder derivado do cargo em sua própria defesa.
Exercer a Presidência da Câmara dos Deputados exige equilíbrio, postura ética e credibilidade. A responsabilidade de dirigente maior de uma das casas do Poder Legislativo é incompatível com a condição de denunciado. Em defesa do Parlamento, clamamos pelo afastamento imediato de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara dos Deputados. Parlamentares do PSOL, PSB, PT, PPS, PDT, PMDB, PR, PSC, PROS, PTB.
informações de Congresso em Foco e 247
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/por-que-o-psdb-esta-em-silencio-diante-das-denuncias-contra-eduardo-cunha.html

DENÚNCIA CONTRA CUNHA PODE LIGAR LAVA JATO À PRIVATARIA TUCANA

23.08.2015
Do BRASIL247, 22.08.15

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/193989/Den%C3%BAncia-contra-Cunha-pode-ligar-Lava-Jato-%C3%A0-privataria-tucana.htm