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domingo, 9 de agosto de 2015

A Lava Jato e o Partido dos Trabalhadores

09.08.2015
Do  portal da AGÊNCIA CARTA MAIOR
Por Wanderley Guilherme dos Santos

Roubo e as relações ilegítimas entre agentes privados e públicos não são novidade, mas a entrada do PT como sócio sim. O partido candidatou-se ao suicídio

reprodução PT
A novidade política da Operação Lava Jato é a revelação de que o Partido dos Trabalhadores cedeu à tentação de patrocinar e se beneficiar das relações espúrias entre interesses de grupos privados e iniciativas públicas. Faz parte da história intestina de todas as sociedades acumulativas o vírus da predação, do suborno, do saque, da extorsão e da violência em busca de vantagens além dos méritos competitivos.
 
O Império inglês foi assim construído, incluindo associações clandestinas com piratas e corsários, no século XVIII, e escândalos internos sem fim desde o XIX; a riqueza das cidades hanseáticas e italianas que financiaram os jardins artísticos do Renascimento, seus pintores, arquitetos e escultores, essa riqueza foi obtida mediante fraude e corrupção de bandidos inescrupulosos e violentos, organizados em poderosas companhias de negócios. A grande arte flamenga e espanhola é rebento da generosa dissipação de recursos de ladrões e assassinos em versão marqueteira de mecenas. O extraordinário progresso material norte-americano a partir de meados do XIX colocou na galeria cívica do país os “robber barons”, sabidos e consabidos corruptos, genocidas, paradigmas das administrações libertinas e extorsivas das grandes cidades contemporâneas como Chicago, Nova York, Los Angeles ou Kansas City, sempre com a cobertura midiática de campanhas moralizadoras.
 
As fraudes eleitorais são discutidas tão abertamente quanto o financiamento de campanha e não é segredo que a vitória democrata de John Kennedy contra Richard Nixon nada teve de católica (acobertada pela patranha midiática de que Nixon perdeu por causa do último debate na televisão), com os Republicanos dando troco na roubalheira da Flórida que deu a vitória a Bush Junior sobre Al Gore. Tudo supervisionado pelas autoridades eleitorais. Ninguém chia, trata-se de assunto exclusivo entre eles: dos roubos econômicos aos roubos eleitorais. O vírus está lá, agora protegido nos portfólios do sistema financeiro mundial.
 
A história recente do Brasil não fica a dever. A começar pelas obras marcantes da ditadura, de onde brotaram progresso material, liquidação física dos opositores e mágicos milionários, de sucesso inexplicável. Da tolerância democrática de José Sarney restou a criminosa entrega da propriedade pública das comunicações a um prático monopólio de golpistas centenários, corruptor de jornalistas, escritores, artistas, políticos. O monopólio das comunicações é atualmente o único poder irresponsável no País, exercido com brutalidade e a ele se curvam os demais, inclusive o poder judiciário. Fonte de corrupção permanente, manteve como assunto inter pares os escândalos financeiros do governo Fenando Henrique Cardoso, as trapaças das privatizações e a meteórica transformação de bancários em banqueiros, tendo o BNDES como rampa de lançamento. Assim como guarda no porão do noticiário a ser mobilizado, caso necessário, os rastilhos da política tucana em Minas Gerais e em São Paulo. Todos, juízes, ministros, políticos, procuradores, cantores, atrizes, narradores de futebol, são todos terceirizados do Sistema Globo de Comunicação.
 
Nesse País, por surpreendentes acasos, todas as investigações envolvendo os companheiros da boa mesa, pecaram por vícios de origem e devidamente esquecidas. Menos a Lava Jato, que segue aparentemente de acordo com as rigorosas regras judiciais, de que dá testemunho o Ministro Teori Zavaski. Qual é a novidade?
 
A novidade não é o roubo nem as relações ilegítimas entre agentes privados e públicos. Todos os consultores, projetistas, jornalistas, escritórios de advocacia econômica, todos que fingem ultraje ao pudor sempre foram não só cientes como, no todo ou em parte, beneficiados pelo sistema virótico da sociedade acumulativa brasileira. Enriqueceram e vivem como parasitas do sistema nacional de corrupção. A novidade é que o Partido dos Trabalhadores entrou como sócio, apresentando como cacife os milhões de votos daqueles que nunca foram objeto de atenção. Candidatou-se ao suicídio.
 
A caça ao intruso foi imediata. A cada política em benefício dos miseráveis, mais se acentuava a perseguição ao novo jogador, insistindo em reclamar parte do botim tradicional da economia brasileira. A penetração do PT na associação das elites predadoras era encoberta pelo compromisso real de muitos de seus quadros com o destino dos carentes. E assim como os grandes capitães de indústria, pelo mundo a fora, os nossos também cobraram uma exploração extra, uma vantagem desmerecida, uma nova conta na Suiça em troca dos empregos criados, da produção aumentada, do salário menos vil. Mas assim também como os operadores tradicionais, os petistas se entregaram à sedução da sociedade acumulativa: o roubo com perspectiva de impunidade.
 
A Lava Jato revelou a tragédia da vitória do capitalismo sobre a liderança dos trabalhadores. Os grandes empresários e as grandes empresas, ao fim e ao cabo, vão se safar, com os acordos de leniência e as delações premiadas, reservas que fazem parte de suas mochilas de sobrevivência. Serão nossos “robber barons” do futuro. Não assim a destroçada elite petista, à qual não resta senão acrescentar o opróbrio da traição à vergonha da confissão.
 
A vítima ensanguentada dessa caçada é o eleitorado petista. Muito além dos militantes, todos aqueles que saudaram e apoiaram a trajetória de crescimento de um partido que, claramente, era o deles. Os que suportaram os preconceitos, que resistiram às pressões e difamações e que viam nas políticas sociais o cumprimento de promessas nunca realizadas. Esses estão hoje expostos à brutalidade dos reacionários e fascistas, ao escárnio, aos xingamentos e ofensas. O eleitorado petista não é criminoso, criminosos são os fascistas que os perseguem nas ruas, nos lugares públicos, sem que as autoridades responsáveis tenham a decência de garantir-lhes a inocência.
 
Presidente Dilma Rousseff: é de sua responsabilidade e de seu Ministro da Justiça sair desse palácio de burocratas e meliantes suspeitos e garantir, e fazer governadores e prefeitos garantirem, por atos enérgicos, a integridade física e moral dos milhões de brasileiros inocentes que acreditaram na sinceridade dos membros do seu Partido. Os ladrões estão no seu Partido, não entre os eleitores que a elegeram.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-Lava-Jato-e-o-Partido-dos-Trabalhadores/4/34198

Abraço ao Instituto Lula foi um sucesso e iniciou reação ao golpe

09.08.2015
Do BLOG DA CIDADANIA, 08.08.15
Por Eduardo Guimarães
Abraço 4
 Cheguei pontualmente às 12 horas da última sexta-feira (7/8) à esquina da rua Pouso Alegre com o nascedouro da avenida Nazaré, no bairro do Ipiranga, onde situa-se o Instituto Lula. Apesar de o “abraço” ao prédio – uma resposta ao atentado a bomba ocorrido ali no dia 30 de julho – ter sido convocado para aquele horário, percebi que as pessoas começaram a chegar muito antes, pois já havia centenas.
Diante do Instituto, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro da Saúde e ex-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, falavam à imprensa e foram extremamente atenciosos com o leitorado deste Blog. Confira, abaixo, as declarações que nos deram.
Mais tarde, conversei detidamente com Padilha e, a convite dele, no fim da tarde fui à sede estadual do PT para falar sobre comunicação pelas redes a algumas dezenas de dirigentes regionais do partido e acabei saindo de lá quase no fim da noite, razão pela qual esta matéria não saiu antes.
Voltando ao ato de apoio a Lula levado à cabo diante do Instituto que leva seu nome, meia hora após a minha chegada já havia quase o triplo de pessoas no local. E continuavam chegando. Calculo que, no total, passaram cerca de três mil pessoas por ali.
Abaixo, um mapa do Google Earth do local da manifestação. A área ocupada pelos manifestantes, delimitada por linhas vermelhas na imagem, tem cerca de 700 metros quadrados, segundo medições que fiz no local. Veja a imagem.
Abraço 5
Como o leitor poderá constatar nos próximos vídeos, as pessoas estavam tão espremidas no local que pode-se dizer que, no mínimo, havia um adensamento de 4 pessoas por metro quadrado. Por essa conta, havia, pelo menos, cerca de 3 mil manifestantes no local.
Abraço 2
O clima festivo e a quantidade de manifestantes sugerem que a disposição para a reação está crescendo entre movimentos sociais e sindicais, além de entre a militância petista.
Devemos nos lembrar de que o ato foi (mal) convocado para um dia útil na hora do almoço. Tivesse ocorrido no fim de semana, é fácil imaginar que haveria um número exponencialmente maior de pessoas no local. Perdi a conta de quantas pessoas me disseram, pelas redes sociais e até no Blog, que não poderiam comparecer porque estariam trabalhando na hora do ato.
Havia um clima de euforia no ar. As pessoas estavam bem-humoradas e pareciam aliviadas ao ver que, apesar da dificuldade de comparecer a um evento daqueles no meio de um dia útil, fora possível reunir um número expressivo de pessoas em um local que não poderia ser mais inadequado a manifestações – o Instituto Lula fica em uma ladeira com pouco espaço na rua, na esquina de uma via expressa de tráfego.
Por volta das 13 horas, chega o presidente Lula. Eu o recebi à porta do veículo que o transportava. Quando saiu, juntamente com dona Mariza, desliguei a câmera, dei-lhe um abraço e sussurrei: “Força, presidente!”. Ele me olhou por alguns segundos, deu-me uma piscada, um sorriso e caiu nos braços da galera, que se aglomerou em torno dele com uma velocidade impressionante.
Enquanto isso, as pessoas continuavam chegando. Lula demorou ao menos uns 15 minutos para caminhar poucos metros entre o carro que o conduzia e a porta do Instituto. Houve uma comoção. As pessoas se espremiam para tentar fotografá-lo. O empurra-empurra que se estabeleceu dificultou a captação de imagens.
Conversando com várias lideranças sindicais e de movimentos sociais presentes, fui informado de que esse foi apenas o primeiro ato de vários que serão feitos nos próximos meses.
No dia 16 de agosto, por exemplo, quando a manifestação fascista pró golpe ocorrer, haverá uma vigília muito maior diante do Instituto Lula. Como será em um fim de semana, é quase certo que 10, até 20 mil pessoas poderão se reunir para proteger o Instituto de algum ataque que os fascistas possam estar planejando.
Outra informação que obtive junto aos diversos movimentos sociais e sindicais presentes é a de que já há um consenso de que haverá que defender a legalidade democrática e, assim, movimentos organizados reagirão por todos os meios possíveis à tentativa de golpe.
Saí do ato de apoio ao presidente Lula com a certeza de que aquele movimento irá crescer juntamente com o ímpeto golpista e antidemocrático de fascistas que querem transformar o Brasil em uma republiqueta bananeira ao tentarem simplesmente anular uma eleição que lhes foi desfavorável. Agora, mais do que nunca, tenho confiança em que os golpistas, os estafetas do atraso NÃO PASSARÃO.

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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/08/abraco-ao-instituto-lula-foi-um-sucesso-e-iniciou-reacao-ao-golpe/