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sábado, 25 de julho de 2015

SERRA,O ENTREGUISTA DA PETROBRAS: Enganos na argumentação do senador José Serra

25.07.2015
Do blog PAULO METRI, 24.07.15*
Por Paulo Metri**

Este senador apresentou o projeto de lei 131, que retira da Petrobrás a condição de operadora única do Pré-Sal e a obrigatoriedade desta deter no mínimo 30% de qualquer consórcio que arremate bloco nesta área. Ambas as determinações estão estabelecidas na lei 12.351, que rege os contratos de partilha. Em defesa de seu projeto, escreveu o artigo “O petróleo e as moedas imaginárias”, publicado em O Globo, em 23/7/15, no qual agride a lógica e o interesse nacional com algumas bordoadas.

A primeira delas, que todo tucano costuma citar, porque convence o desavisado, é a seguinte: “Entre 1997 e 2010, sob o regime de concessão introduzido no governo FHC, a produção da Petrobras cresceu 2,5 vezes, de 800 mil para 2 milhões de barris/dia. Desde 2010, quando foi aprovado o regime de partilha, o aumento foi de pífios 18%, apesar de a companhia ter recebido a maior capitalização da história e ter contraído uma dívida equivalente a cinco vezes a sua geração anual de caixa ...

Esta afirmação do senador faz-me lembrar da percepção que algumas tribos de índios brasileiros tinham, assim que chegaram os colonizadores, sobre o nascimento de um bebê. Eles não associavam o nascimento com o ato sexual ocorrido nove meses antes. 

Não admitiam a existência de um tempo razoável entre uma causa e o seu efeito. Como a busca pelo petróleo e, no caso de haver descoberta, a execução dos estudos para sua recuperação e a implantação do campo levam, em média, oito anos, o acréscimo da produção de 2,5 vezes, creditada pelo senador às concessões de FHC, é em grande parte consequência da fase anterior às concessões, a do monopólio estatal do petróleo.

Depois o senador, estranhamente, quer comparar o crescimento em um período de 13 anos com outro correspondente a cinco anos. Donde se conclui que, para ganhar a aceitação do leitor, vale tudo, até torcer para que ele esteja desatento. Por outro lado, os 18% do período de 2010 a 2015 não foram pífios como citado, se forem comparados com os resultados das petrolíferas privadas estrangeiras. Nenhuma atingiu este acréscimo supostamente pífio. A Exxon e a Shell tiveram decréscimo das suas produções. Além de tudo, a consequência dos contratos de partilha só poderá ser sentida a partir do início da produção de Libra, cujo leilão ocorreu em 2013.

O senador continua, com seu artigo, lançando argumentos incompreensíveis. Em respeito ao leitor, mostro meu entendimento. Ele diz: “É triste que o óleo do pré-sal continue adormecido por mais algumas eras geológicas, enquanto o desemprego e o subemprego avançam em ritmo galopante no Brasil.” Implícito está, nesta frase, que com a aprovação do seu projeto de lei o desemprego e o subemprego serão combatidos, o que não é verdade. Ele não explica que, com as empresas estrangeiras sendo as novas operadoras do Pré-Sal, possivelmente nenhuma ou poucas plataformas serão compradas no país, assim como todos os desenvolvimentos tecnológicos serão encomendados fora. 

Consequentemente, não existirá grande número de empregos sendo ofertado no país. Notar que, quando se fala em empregos de um setor, inclui-se toda a cadeia produtiva do mesmo.

Serra usa o raciocínio simples que, quanto mais atividade existir em um setor, mais ele estará empregando pessoas. Em primeiro lugar, a própria petrolífera emprega muito poucas pessoas. A grande geração de empregos está na cadeia produtiva do setor. As petrolíferas estrangeiras têm interesse de satisfazer fornecedores do exterior, porque eles pertencem aos mesmos grupos econômicos delas, ou oferecem preços mais baixos ou as petrolíferas têm confiança quanto à qualidade dos produtos e cumprimento de prazo dos seus tradicionais fornecedores. A verdade, dolorosa para Serra, é que quem compra no país é a Petrobrás.

Outra observação sobre o mesmo trecho anterior do Serra é que está implícito na sua afirmação que, quanto mais rápido for explorado o Pré-Sal, melhor será para a sociedade brasileira, o que certamente não é verdadeiro. Quem mais irá se beneficiar com uma rápida produção do Pré-Sal serão, em primeiro lugar, os países importadores de petróleo, pois o Brasil estará ajudando a baixar ainda mais o preço do barril.

Com as produções do óleo e gás de xisto, o inexplicável aumento da oferta de alguns países árabes e a entrada no mercado do petróleo iraniano, que estava contido por bloqueio econômico, o preço do barril que já está baixo tenderá a baixar mais. Com isso, pode até ocorrer que a receita do petróleo venha a diminuir, mesmo com o acréscimo do volume das exportações brasileiras. Em segundo lugar, as petrolíferas estrangeiras, que comporão os novos consórcios do Pré-Sal, irão se beneficiar também, porque terão petróleo barato garantido para abastecer suas refinarias no exterior por cerca de 25 anos.

O ritmo de produção do Pré-Sal, ótimo para a sociedade brasileira, que Serra nunca fala, precisa:
1) deixar uma reserva estratégica para o abastecimento futuro do país;
2) nunca realizar exploração predatória e não abrir mão das exigências de segurança, mesmo que diminuam a rentabilidade (nunca fazer como a Chevron fez em Frade);

3) só produzir excedentes a serem exportados em épocas de alto valor do barril;

4) só produzir quando um planejamento de suprimento local recomendar, de forma que o setor possa contribuir ao máximo para o desenvolvimento nacional.

Estes objetivos de produção do Pré-Sal com compromisso social vetam a possibilidade de exploração rápida da área, como deseja Serra. Ele frisa que há necessidade de “atrair investimentos para o pré-sal”. Está certo, desde que os investidores aceitem cumprir os requisitos de produção citados acima.

O senador criou um índice, que não serve para nada, exceto permitir-lhe criticar a Petrobras, que é “a dívida por barril produzido”. O que é comumente usado é “a dívida por barril de reserva”. Neste caso, se o índice for menor que o preço internacional do barril, pode-se concluir que a empresa consegue pagar suas dívidas. Possivelmente, os assessores de Serra já devem ter lhe mostrado que a Petrobrás consegue pagar suas dívidas, por isso o índice não foi usado.

Porém, temos três pontos em que o Serra fala verdades e não posso deixar de transmitir minhas preocupações. O primeiro é: “Essa empresa (a Pré-Sal Petróleo S/A, que tem presença obrigatória em todos os consórcios) deve, entre outras atribuições: ‘avaliar, técnica e economicamente, os planos de exploração e monitorar e auditar a execução de projetos de exploração e dos custos e investimentos relacionados aos contratos de partilha de produção’. Alguém acha isso pouco?

Não seria pouco, Serra, se a presidente Dilma não tivesse nomeado para a direção desta empresa técnicos oriundos de empresas estrangeiras, que, a meu ver, só poderiam ser nomeados depois de um período de moratória. Assim, tenho dúvida com relação à isenção que esta empresa trabalhará. Notar que não há julgamento da integridade dos membros da diretoria. Há julgamento, sim, do processo de escolha de profissionais utilizado. Creio que esta não foi uma boa iniciativa de governança.

O outro ponto vem logo a seguir: “Lembre então do peso da ANP - Agência Nacional do Petróleo, que permanece intacto (no projeto dele)”. A ANP, realmente, teria um peso grande, se as pessoas nomeadas para sua direção não tivessem sido “aprovadas pelo mercado”. A presidente Dilma e o presidente Lula têm satisfeito o mercado nestas escolhas e têm tido pouca visão estratégica. Portanto, este é outro órgão com o qual não se pode contar. Aliás, Serra não faria estas citações se soubesse que os órgãos iriam agir em benefício da sociedade brasileira.

O terceiro ponto é sobre a nova diretoria da Petrobrás: “À atual diretoria (da Petrobrás) não restou senão promover imensos cortes nos investimentos e reduzir em 1/3 a meta de produção para 2020!” Mais uma vez, o presidente Bendine e a diretoria da empresa foram escolhidos para “satisfazer o mercado”. Divirjo frontalmente do programa de desinvestimentos proposto. Aliás, por isso, Serra trata esta diretoria com compreensão.

A crítica de Serra à fala do ministro Janine Ribeiro se baseia na suposição de que a Petrobras nunca irá sair da crise em que se encontra. E dá como solução escancarar o Pré-Sal para as petrolíferas estrangeiras. Sua proposta traz à minha mente a inscrição contida no portal do inferno, segundo a descrição de Dante em A Divina Comédia: “Ó, vós que entrais, abandonai toda a esperança...”

As petrolíferas estrangeiras podem, sim, contribuir para o desenvolvimento nacional, mas precisam ser fiscalizadas, porque, por iniciativa própria, elas visarão unicamente a maximização dos seus lucros. E, para serem fiscalizadas, é necessário que a sociedade brasileira seja bem informada, esteja consciente, politizada e exija tal fiscalização, o que não ocorrerá em curto prazo.

O senador continuou seu artigo, com mais argumentos julgados imprecisos. Irei cansar o leitor se for me contrapor a todos eles. Por isso, paro por aqui. Resta às pessoas socialmente comprometidas, nacionalistas, que tenham tido acesso às informações sobre o dano gigantesco que o projeto Serra acarreta, divulgar esta preocupação e buscar interferir, da melhor forma, para que o projeto entreguista não seja aprovado.

*(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 24/07/15)

**Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania
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Fonte:http://paulometri.blogspot.com.br/

O que devo fazer para ter vitória constante sobre a minha velha natureza?

25.07.2015
Do portal UNIVERSIDADE DA BÍBLIA, 17.07.15

“Graças a Deus que nos dá a vitória por intermédio do nosso Senhor Jesus Cristo.” 1 Coríntios 

“O que devo fazer para ter vitória constante sobre a minha velha natureza?”, perguntam muitos. Pois na prática diária muitas vezes se nota tão pouco dessa vida vitoriosa. Mas aqui é válida a pergunta:

Você crê que Jesus Cristo de fato morreu na cruz?

Em caso afirmativo, vale Romanos 6.6: “…sabendo isto, que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos.”

No momento em que o inimigo procura nos provocar por meio de pessoas que ofendem, caluniam ou cometem outras injustiças, temos a oportunidade de provar que cremos no poder da morte de Jesus. Justamente numa ocasião assim é que o “estar crucificado com Cristo” se mostra como o segredo da vitória sobre tudo o que é negativo.

Deus providencia para que no dia-a-dia sejamos constantemente confrontados com o Crucificado. Por toda parte nos deparamos com a cruz. Se não tivéssemos provações, não haveria oportunidade de praticar a vitória de Jesus Cristo conquistada na cruz. Por esse motivo, deveríamos amar aqueles que nos machucam em nossos pontos mais sensíveis, pois em cada tentação temos a possibilidade de exclamar o que está escrito em 2 Coríntios 2.14:

“Graças, porém, a Deus que em Cristo sempre nos conduz em triunfo.”

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Fonte:http://www.universidadedabiblia.com.br/o-que-devo-fazer-para-ter-vitoria-constante-sobre-a-minha-velha-natureza/

JORNALISTAS VENDIDOS:Jornalista da Globo quer ganhar menos

25.07.2015
Do BLOG DO MIRO, 24.07.15


Da coluna "Notas Vermelhas", no siteVermelho:

O jornal O Globo vem fazendo uma série de reportagens denunciando distorções no sindicalismo brasileiro. Na edição desta quinta-feira (23), O Globo publica, inclusive, um editorial dedicado ao tema, sobre o qual falaremos mais adiante. Desvios, abusos e roubos, é certo, existem no mundo sindical e os sindicalistas que lutam de verdade não só conhecem esta realidade como a combatem, assumindo todos os riscos que isto implica.

Seria, no entanto, excesso de ingenuidade acreditar que o sistema Globo estaria preocupado com o sindicalismo brasileiro. Lendo o relato que o jornalista Marcos Pereira faz para o Notas Vermelhas, sobre recentes acontecimentos no Sindicato dos Jornalistas do Rio, entendemos com que tipo de sindicalismo o sistema Globo sonha.

“Queremos receber menos” – O relato de Marcos Pereira

Realmente o mundo está de cabeça para baixo. Agora, trabalhadores querem receber menos do que deveriam. O que parece surreal está acontecendo entre os jornalistas do Rio de Janeiro, que estão em plena campanha salarial. Tudo começou quando foi aprovado o piso salarial no Estado, incluindo a profissão de jornalistas, de R$ 2.432,72, em jornadas de cinco horas. O governador do Rio aprovou o piso, mas excluiu os jornalistas. O projeto voltou para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que derrubou o veto, ou seja, o piso virou lei.

Foi então que o imbróglio tomou ares ainda mais surpreendentes. Em uma assembleia, jornalistas do sistema Globo, que nunca compareciam, desta vez foram e votaram em massa CONTRA o piso regional e aprovaram a proposta patronal de REDUÇÃO do valor, até o momento de R$ 1.600 para TV, de R$ 1.450 para rádio e de R$ 1.550 para jornais e revistas. A pressão dos chefes foi intensa, alguns até estavam presentes. Houve, inclusive, relatos do uso de carros da própria emissora. Vejam bem, quando é que o patrão deixaria o funcionário usar um veículo da empresa para uma assembleia sindical de trabalhadores?

Outros jornalistas se sentiram lesados e enviaram ofício ao Sindicato para que convocasse nova assembleia, quando foi decidido que o legislado é o patamar mínimo para negociação sobre o piso. A novela continua, pois a segunda assembleia desperta polêmica e persiste a confusão entre os jornalistas. De um lado aqueles capitaneados pelos patrões (Globo), de outro o Sindicato da categoria e os outros jornalistas.

Enquanto isso, as grandes redações de jornais e TVs continuam desrespeitando os trabalhadores, com o não pagamento de horas extras e outras irregularidades.

Os colegas dos Irmãos Marinho

O Marcos Pereira é mais prudente do que o redator destas Notas Vermelhas e preferiu, com louvável elegância, não dizer o óbvio: a rica Globo, cujos proprietários (irmãos Marinho) detêm a maior fortuna do Brasil, R$ 64 bilhões, coagiu seus profissionais da seguinte forma: “se formos obrigados a pagar o piso da lei (esta fortuna de R$ 2.432,72), vamos demitir vocês. O único jeito é o sindicato aprovar que aceita salários menores do que a lei obriga”.


Assim, jornalistas da empresa, na maioria jovens em início de carreira, se prestaram ao triste papel de representar os mesquinhos interesses dos patrões, votando contra seus colegas e contra toda a categoria. Isso só torna mais escandaloso o cinismo do editorial do jornal O Globo intitulado: “Mundo dos sindicatos é um desafio à transparência”.

Editorial de O Globo – Um magnífico exercício de hipocrisia

No citado editorial, vemos em destaque a seguinte frase “O país venceu a superinflação, a ditadura militar e gerenciou com habilidade a redemocratização. Mas não consegue modernizar os sindicatos deixados por Vargas”. Não existe palavra suficientemente dura para adjetivar tanta hipocrisia junta. O país venceu a ditadura a qual a Globo apoiou, da qual a Globo se serviu e pela qual a Globo lutou politicamente até quando deu. E o que existe hoje de roubo e distorção nos Sindicatos é, em boa parte, herança direta da intervenção militar que afastou, prendeu, torturou e assassinou diversos sindicalistas de luta, para - com o entusiasmado incentivo do Sistema Globo - colocar em seus lugares vendilhões, pelegos e corruptos. 

Em 1964, a edição do dia 27 de maio de O Globo registrava com satisfação o andamento das intervenções sindicais e dizia em reportagem que: “O Delegado Regional do Trabalho, Sr. Damiano Gullo, vem recebendo dezenas de relatórios remetidas pelas juntas governativas nomeadas para inúmeros sindicatos do Estado e que evidenciam as atividades subversivas a que as entidades de trabalhadores se vinham dedicando”. Alguns interventores (ou seus “herdeiros”) estão aí até hoje e milionários. Eles talvez pensem, ao lerem o editorial: “Ué, mas a gente só fez o que O Globo queria, na época, que a gente fizesse”. 

Editorial de O Globo – Um magnífico exercício de hipocrisia II

Diz também o editorial – pretextando criticar o arcabouço trabalhista da era Vargas - que em 1930 “O país era ainda agrário, a indústria, incipiente e os trabalhadores necessitavam mesmo ter uma representação para negociarem condições e contrato de trabalho com o patronato”. Da mesma forma que só condenou o regime militar depois que a ditadura estava morta e enterrada e já não era mais, portanto, capaz de lhe beneficiar, é quase comovedor ver O Globo reconhecer, com quase 90 anos de atraso, que os trabalhadores devem ter seus representantes para brigar por seus interesses. Logo o sistema Globo que historicamente se coloca contra toda e qualquer conquista trabalhista (vejam no início destas Notas Vermelhas o que disse o sistema Globo quando do surgimento do 13º salário). 

O Globo propõe agora a “modernização” dos sindicatos. Como vimos pelo relato que nos enviou Marcos Pereira, sabemos aonde os Irmãos Marinho querem chegar. O sistema Globo - que em nome da democracia defendeu a ditadura e em nome do sindicalismo quer instituir a peleguice - age com a mesma ética sorrateira de uma serpente. Se bem que isso pode ser uma ofensa para as serpentes, que merecem todo o respeito, afinal só atacam para se proteger ou se alimentar e, além disso, para o veneno do sistema Globo, ainda não se encontrou um soro antiofídico. Mas este dia vai chegar.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/07/jornalistas-da-globo-querem-ganhar-menos.html

Repórter da Veja admitiu que confrontou cubano por ordens de Augusto Nunes

25.07.2015
Do  portal CONEXÃO JORNALISMO, 24.07.15
Por Redação


O caso da jornalista da Veja que ouviu do escritor cubano, Leonardo Padura, que há mais miseráveis em uma quadra em São Paulo do que em toda Cuba, e que viralizou na Internet, foi algo planejado pelo apresentador do programa Roda Viva, Augusto Nunes, colunista da revista Veja. O comportamento da jornalista foi muito comentado por conta da deselegância dela e da resposta precisa do cubano. Leia reportagem do Pragmatismo Político.

Na entrevista do escritor cubano Leonardo Padura para o programa Roda Viva, da TV Cultura, na última semana, chamou a atenção o questionamento da repórter da Veja, Nathalia Watkins (relembre aqui). Em tom afirmativo, Nathalia garantiu que os cubanos morriam de fome na ilha caribenha - relatada pela jornalista como um local socialmente catastrófico.

Destaque da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Leonardo Padura rebateu as certezas de Nathalia com sobriedade: "Uma das coisas que tento evitar sempre, quando me perguntam sobre as realidades de um país que visito, é dar minha opinião. Porque uma realidade só pode ser conhecida por quem participa dela, vive nela. Em Cuba, é certo que há pobreza, não posso negar. Mas ninguém morre de fome em Cuba. De uma forma ou de outra, as pessoas comem e têm um teto. Há mais gente na rua em um quarteirão aqui de São Paulo do que em toda Cuba".

Após a enorme repercussão do episódio, sobretudo nas redes sociais, a editora do escritor cubano, Ivana Jenkins, revelou em sua conta pessoal do Facebook que Nathalia, ao final do Roda Viva e com as câmeras já desligadas, admitiu que fez apenas "as perguntas que o Augusto [apresentador] mandou".

"Cena do ótimo Roda-Viva com Leonardo Padura, exibido na última quinta-feira. O programa deveria ter girado em torno de seu livro 'O homem que amava os cachorros' (Boitempo Editorial), mas a bancada (com a honrosa exceção de Maringoni Gilberto e a surpresa que foi José Nêumane), preferiu exibir seu parco conhecimento da realidade cubana. Ao final da entrevista, ainda nas dependências da TV cultura, a jornalista da Veja contou - para o entrevistado, seus acompanhantes e demais jornalistas - que apenas cumpriu ordens, fez "as perguntas que o Augusto [o apresentador] mandou". liberdade de imprensa é isso aí.", publicou Ivana.

Augusto Nunes, atual mediador do Roda Viva, é um antigo colunista da revista Veja. Politicamente, se assemelha a Reinaldo Azevedo, que também trabalha para a mesma revista.

Interesses dos donos

O jornalista Paulo Nogueira considera patética a rotina que se criou na mídia convencional de profissionais obrigados a seguirem os interesses dos seus patrões.
"Não é fácil a vida nas redações hoje em dia. Você tem que reproduzir, apenas, os interesses dos donos. E essa rotina se torna patética quando, além do mais, você é obrigado a fingir que são suas perguntas elaboradas por gênios [como Augusto Nunes]", afirmou.

Nogueira criticou ainda o teor do questionamento elaborado por Nunes e reproduzido por Nathalia, repleto de desinformação.

"Se a repórter, ou melhor, se Augusto Nunes lesse o básico sobre Cuba não cometeria tal estupidez. Cuba tem múltiplos problemas, mas fome não é um deles. Prova disso são os indicadores de saúde do país, entre os melhores do mundo. Nenhum país faminto tem a expectativa de vida de Cuba, quase 80 anos para homens e 82 para mulheres. Isso é bem mais que o Brasil, na casa dos 70, e mais até que os Estados Unidos", concluiu.


Veja também:


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Fonte:http://www.conexaojornalismo.com.br/audiencia_na_tv/reporter-da-veja-admitiu-que-confrontou-cubano-por-ordens-de-augusto-nunes-video-86-39932

Cunha quer usar CPI para quebrar sigilo de Dilma Bolada

25.07.2015
Do blog O CAFEZINHO, 24.07.15
Por Miguel do Rosário

cunha
Quando você achava que a nossa direita cunho-midiática tinha atingido o ápice do ridículo, eis que ela bate um novo recorde.
Eduardo Cunha interveio na CPI dos Crimes Cibernéticos e nomeou uma tucana para a cúpula da comissão.
Segundo a Folha, o foco das investigações agora será a "guerrilha petista" na internet; informa ainda que a "CPI quer quebrar o sigilo" da Dilma Bolada.
A grande mídia inteira é contra o PT.
A grande mídia age como máfia, mentindo descaradamente sobre tudo e todos, patrocinando descaradamente tentativas de golpe, assassinando reputações, destruindo empresas.
Aécio Neves tem longo histórico de agressões à liberdade de expressão em Minas.
A NSA espionou a Petrobrás, a presidente da República, e sabe-se lá o seu papel na construção de crises políticas que enfraquecem a nossa soberania, nossas empresas estratégicas, e abrem espaço para entrada de norte-americanas.
E aí Cunha, com mil acusações de corrupção contra si, quer abrir CPI para investigar meia dúzia de militantes pé de chinelo do twitter, e quebrar o sigilo de um garoto do subúrbio do Rio de Janeiro...
Que ditadura petista fulera, hein?
dilma bolada
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Pela culatra A CPI dos Crimes Cibernéticos, proposta pelo PT, vai se tornar um tiro no pé do governo e do partido. Eduardo Cunha nomeará Mariana Carvalho (PSDB-RO) para a cúpula da comissão.
Não curtiu O foco das investigações será a chamada guerrilha petista na internet. A CPI quer quebrar o sigilo bancário do autor da personagem Dilma Bolada e vasculhar ações contra Aécio Neves na campanha de 2014.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/07/24/cunha-quer-usar-cpi-para-quebrar-sigilo-de-dilma-bolada/

Mino sobre dois “bancos”: o HSBC e o Opportunity! Quem são o “jornalista nativo” e o “site de origem obscura”?

25.07.2015
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Mino Carta escreveu irrespondível editorial sobre “os segredos do Brasil e a ilimitada felicidade da Casa Grande”.

Mino tem um estilo peculiar.

Incomparável.

Mino é perigosamente dissimulado.

Por exemplo, no seu excelente romance “O Brasil”, custa algumas páginas para chegar à conclusão de que o personagem principal, o jornalista que sonhava em fazer um terno no alfaiate do patrão, possa ser o Ataulpho Merval.

Alguns jornalistas que trabalharam com ele tentam imitá-lo, acabam enrolados nas próprias vírgulas e se tornam ininteligíveis – como acontece, frequentemente com oprofessor de manipulação.

No caso do “dos chapéus”, muitas vezes, não se entende nada do que escreve, porque ele não consegue equilibrar tantos chapéus ao mesmo tempo.

No editorial da Carta dessa semana, Mino se refere a um “jornalista nativo” que foi tragado pelas contas dos patrões no HSBC.

É possível que se trate de Fernando Rodrigues.

E dos Frias, que não sabiam que tinham uma conta secreta na Suíça !

Quá, quá, quá !

É possível.

Mino se refere também a um “site de obscura origem, que desconfio abastecido por dinheiro do inesgotável (Daniel) Dantas”.

Deve ser o 247, do “jornalista” Leonardo Attuch, que prestou relevantes serviços às empresas de Dantas, e foi depois grampeado num telefonema em que mandava alguém processar esses … do Mino e do Paulo Henrique Amorim !

Esse baluarte de livre expressão (no Brasil) mereceu uma entrevista exclusiva da Presidenta Dilma, provavelmente depois de expressa recomendação de um daqueles jenios do Palácio do Planalto!

Viva o Brasil !

Ao editorial do Mino, incomparável (o ansioso blogueiro lembra que seu livro “O Quarto Poder – uma outra história”, que breve se lançará, é dedicado ao Mino):


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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2015/07/25/mino-sobre-dois-bancos-o-hsbc-e-o-opportunity/

Lula sobe o tom contra a manipulação

25.07.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

lulaabc
Ontem, na posse da nova diretoria do Sindicato dos Bancários do ABC paulista, o ex-presidente Lula falou pouco, mas falou grosso.
Disse que está “de saco cheio” do que estão fazendo em matéria  “de perseguição e criminalização que fazem às esquerdas desse país” e comparou o noticiário de televisão ao que se fez na Alemanha, antes da 2a. Guerra: “parece os nazistas criminalizando o povo judeu”.
Lula atribuiu este comportamento à reação de “pessoas que se diziam democráticas e que não aceitaram até agora o resultado da eleição”. “Sei que é difícil para parte da elite brasileira aceitar certas coisas”, disse, porque “tudo que é conquista social incomoda uma elite perversa”.
-Eles não conseguem suportar o fato de que, em 12 anos, um presidente que tem apenas o diploma primário colocou mais estudantes na universidades do que eles colocaram em um século. Que esse presidente colocou três vezes e meia mais estudantes em escolas técnicas do que eles em 100 anos. Que levou energia elétrica de graça para 15 milhões de pessoas. Que não deixou eles privatizarem o Banco do Brasil, a Caixa e os bancos do Espírito Santo, de Santa Catarina e do Piauí. Que nos últimos 12 anos nós bancarizamos 70 milhões de pessoas, gente que entrou numa agência bancária pela primeira vez sem ser para pagar uma conta. Acho que isso explica o ódio e a mentira dessas pessoas.”
O ex-presidente reconheceu as dificuldades, mas se disse seguro de uma reversão da situação: “somos um país grande, com uma enorme capacidade de recuperação e um mercado interno de 204 milhões de consumidores. Quem apostar no fracasso deste país vai quebrar a cara”.
Pois é, Lula, foi assim na crise de 2008, quando o Governo aceitou o enfrentamento do “tsunami” com coragem. Será assim se enfrentarmos ondas menores com o mesmo discurso do inimigo?
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=28485

O crime e o homem: a Justiça está incitando um delito

24.07.2015
Do portal da Agência Carta Maior, 
Por Thiago Gomes Anastácio*, no portal Jota (via Vermelho.org)

A lei impõe ao advogado o sigilo para com seu cliente e o protege com firmeza. Mas e se alguém impele o advogado a violar esse sigilo?

reprodução
Essa é a gênese de todo e qualquer pré-julgamento e salve Umberto Eco por afirmar que as redes sociais deram voz a milhões de imbecis. Nos casos criminais, aquele que tem posição sobre culpa ou inocência do investigado (ou acusado), sem ter lido os procedimentos, é sempre um imbecil.

Vide o caso das delações.

Elas estão sendo alvo de desconfianças porque ou os delatores se contradizem ou se “lembram” só em seus terceiros ou quartos depoimentos sobre fatos importantíssimos e sobre figuras de grosso calibre, figuras, diríamos, inesquecíveis, que teriam recebido dinheiro em montantes também inesquecíveis; e também, porque, agora, erga omines, está se chegando a conclusão de que se aplaudiam os delatores quando apontavam o dedo para figuras da situação governamental e agora elas, essas esquizofrênicas delações, estão apontado os faróis para a oposição.

E os aplausos de ontem estão se tornando uma vergonha sem tamanho.

Muito se tem falado do bilhete de Marcelo Odebrecht… E tudo já foi dito.

Resumo simples: o sujeito, simplesmente o maior empresário do país, acusado de ser um Lex Luthor agindo contra a Petrobrás, seria burro de pedir para destruir uma prova que já estava com a Justiça (como o faria?) e mais, escreveria num bilhete e o entregaria aberto a um agente da PF?

Superado o óbvio, vamos lembrar que o motivo de sua prisão é, essencialmente, porque cometeu os crimes; ou seja, ele foi pré-julgado.

Curioso: se afirma que o sujeito, antes de apresentar defesa, cometeu os crimes, mas, malandramente, sempre se fundamenta com aquela afirmação “ao menos sob uma análise preliminar”.

O que significa isso? Um juiz afirmando que alguém é preliminarmente culpado? Preliminarmente culpado significa presumidamente culpado… Preliminarmente culpado e demonstrador de periculosidade porque saiu em sua própria defesa (esse é o principal fundamento da prisão)?

E agora, não bastasse tudo isso, que coloca em risco a operação e milhões e milhões de dinheiro gasto nessas investigações, chegamos à culminância do ridículo, pois sim, não estamos mais falando de Estado Policial, violação constitucional, violação de princípios do processo penal, juízes e super-heróis, marketing e política interna das instituições… Está-se falando de falta de senso de ridículo.


Simplesmente queriam impedir a advogada de advogar. E qual o fundamento? Ela não poderia participar de ato investigativo porque seria testemunha.


E testemunha do que?


Sobre o que ela deve manter em sigilo, mais especificamente, a relação (comunicação e confiança) entre ela e seu cliente.


Leitores: é consternado que escrevo o que escreverei, mas paciência.

Causa-me espécie que, dentre todas as opiniões publicadas e manifestações de apoio dirigidas à advogada, tenha-se esquecido do principal, mais útil e importante, e diria até, da mais óbvia constatação.

A lei impõe ao advogado o sigilo para com seu cliente e o protege com firmeza.

O Código de Ética da Ordem dos Advogados (artigos 25 a 27) estipula o sigilo como inerente a profissão e, para se tenha ideia de sua importância jurídica, o Código Penal afirma ser crime qualquer violação ao mesmo (art. 154).

Até aqui, tudo bem?

Mas e se alguém, em atuação por função pública, impele o advogado a violar esse sigilo?

O art. 286 do Código Penal traz a resposta.


É crime incitar alguém a cometê-lo!


Na modalidade instigação, o delegado da polícia federal, que fez ou fará indagações, pretendendo que a advogada simplesmente lance um “a” sobre sua relação (ou circunstâncias de sua relação) com o cliente, a está instigando (pois sabe que a relação é sigilosa) a praticar um crime.

Sim, a conduta é criminosa.


E agora, pasme-se, o juiz de direito, o Moro, intimou a defesa para se manifestar sobre o tal bilhete – que jamais poderia ter sido lido por terceiro, pois sigiloso por força de lei (esteja ela certa ou errada).


E então, o crime também é cometido pela toga. Qualquer resposta da defesa implicará, por força do art. 31 do CP, a responsabilização penal do juiz.


Ou será do homem?


*Thiago Gomes Anastácio é sócio do Chammas & Anastácio Advogados e diretor do IDDD.

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Principios-Fundamentais/O-crime-e-o-homem-a-Justica-esta-incitando-um-delito/40/34063

Marina Silva diz que “é conveniente culpar Dilma pela corrupção no Brasil”

24.07.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

“Todo mundo está feliz de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma”. Marina Silva critica aqueles que acham que a corrupção no Brasil é problema de uma pessoa ou de um único partido: “Quando a corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para coibi-la."

Marina Silva dilma corrupção
A ex-presidenciável Marina Silva
A ex-candidata presidencial Marina Silva criticou, nesta noite, 23, a postura da sociedade brasileira de culpar a presidente Dilma Rousseff pelas mazelas de corrupção no Brasil e discursou sobre a importância de a sociedade brasileira sair da posição de “espectadora da democracia” para passar a autora do processo democrático.
“Aqui no Brasil está todo mundo feliz de dizer que a culpada pela corrupção é a Dilma. Quando a corrupção virar um problema nosso, criaremos instituições para coibi-la”, disse Marina, defendendo que as pessoas tomem responsabilidade na política.
“Não é sustentável acharmos que a corrupção é o problema de uma pessoa, de um grupo ou de um partido”, prosseguiu a ex-candidata ao citar outros políticos que viram alvos de argumentações simplistas como culpados pela existência de corrupção no País, como os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Sarney (PMDB).
Marina argumentou que o Brasil só saiu da ditadura quando ela virou um problema de toda a sociedade e não apenas dos militares. “Enquanto a ditadura era um problema apenas dos militares, a coisa era feia.”
A ex-presidenciável pelo PSB também aproveitou a sua fala para tratar da Rede Sustentabilidade, partido que vem tentando criar como “uma alternativa aos políticos e empresários do país que caíram em descrédito”. Para Marina, a ideia da Rede é a de “democratizar a democracia”. “Esse mundo em crise não terá resposta se for para imaginar que os políticos ou empresários vão fazer as mudanças pela sociedade”, afirmou.
informações de Agência Estado
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Fonte:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/07/marina-silva-diz-que-e-conveniente-culpar-dilma-pela-corrupcao-no-brasil.html

Rennan Martins, sobre a Lava Jato: Arbitrariedades e ilegalidades só reforçam seus objetivos políticos

24.07.2015
Do blog VI O MUNDO
Lava Jato e Marcelo Odebrecht
O arbítrio da Lava Jato reforça seus objetivos políticos
O juiz Moro, os procuradores e delegados têm consciência de que violar direitos e garantias podem até mesmo anular a Operação, o que reforça a tese de que atuam politicamente
Apesar de espetacularizada e incensada pelos meios de comunicação, a Operação Lava Jato entrará para a história jurídica nacional como um verdadeiro circo de enviesamento e arbitrariedade. Os justamente indignados com a corrupção talvez ainda creiam que a gana da Polícia Federal e do juiz Moro se trata de combate à impunidade. O conjunto da obra, porém, dá fortes indícios de que os reais objetivos são políticos.
Começando pelos já costumeiros vazamentos, salta aos olhos o fato de envolverem sempre as figuras de um só lado político, e durante todos esses meses permanecerem impunes. Lembremos que nas vésperas do segundo turno a revista Veja adiantou publicação em que sustentava que o doleiro Youssef havia dito que Dilma e Lula “sabiam de tudo”. A capa virou panfleto eleitoral das campanhas tucanas, e o irônico é que meses depois o relator do caso no STF, ministro Teori Zavascki, divulgou lista dos políticos suspeitos e lá quem estava era justamente o neto de Tancredo, principal beneficiário do vazamento em questão.
Nesta semana, o documento trazido a público foi o relatório da PF em que é feita a análise das comunicações via celular do empresário Marcelo Odebrecht. Nele se constata que o empreiteiro tem amplo acesso entre a alta casta política, e que se referia aos indivíduos por meio de siglas, sendo MT para Michel Temer, GA para Geraldo Alckmin, e assim por diante.
Ocorre que a sigla “JS”, que por esse método obviamente trataria do senador José Serra, foi coberta por meio de tarjas pretas. A estranha explicação, dada pelo Estadão, dá conta de que a PF fez uso das tarjas no intuito de preservar a investigação e as figuras de foro privilegiado. Ora, causa espécie o súbito respeito ao foro justamente quando se refere a um cacique peessedebista, enquanto as figuras de maior proximidade ao governo são expostas.
O teor da nota, “adiantar 15 p/JS”, não despertou qualquer interesse das autoridades. Serra não consta na lista dos políticos investigados e os delegados não conseguem imaginar que adiantamento tratou Odebrecht com JS. Num país sério, a PF convocaria coletiva de imprensa para esclarecer tamanha confusão, enquanto o Congresso Nacional trataria de arquivar o PLS 131/2015, que propõe abrir o pré-sal para operação por companhias estrangeiras, cujo autor é o próprio senador paulista, que teria recebido adiantamento de 15 picolés, balinhas, ou sabe-se lá.
No que se refere ao desrespeito a prerrogativas e garantias dos suspeitos, o que se vê assombra qualquer um que tenha apreço pelo Estado Democrático de Direito. As delações tiveram como “incentivo” longos períodos de encarceramento injustificado, e foram usadas como moeda de troca, ou seja, quem colabora é solto. Os métodos do senhor Moro são tão escandalizantes que chamaram a atenção do STF. O ministro Zavascki taxou as prisões sem culpa formada de medievais, já seu colega Marco Aurélio Mello admitiu nunca ter visto “tanta delação”, acrescentando esperar que “todas elas tenham sido espontâneas”.
Os delegados da PF também deram sua cota de autoritarismo e ilegalidades. A cela do doleiro e delator reincidente, Alberto Yousseff, foi ilegalmente grampeada, o que provocou sindicância. Reportagem da Folha informa que no despacho interno referente a apuração, o delegado incumbido, Mário Fanton, sustenta que houve “uma participação direta do DPF [delegado de Polícia Federal] Igor [Romário de Paula]” e de outra delegada, que objetivaram “ter ciência e manipular as provas”, motivando Fanton a sugerir que o MPF conduzisse “diretamente a presente investigação”, por conta da falta de credibilidade das “provas antes constituídas”.
Eduardo Mauat Silva, delegado da PF em Curitiba, chegou ao cúmulo de alegar a possibilidade da OAB – entidade historicamente defensora da legalidade e democracia – ter sido cooptada pela Odebrecht “como parte da estratégia traçada pelo grupo empresarial”. A impressão que passam é que o mero exercício da defesa e discordância das acusações constitui reforço da culpabilidade do suspeito, o que configura ultrajante inversão do princípio da presunção de inocência.
Como se não bastasse, a revista Conjur informa que no último dia 16 a advogada Dora Cavalcanti não pôde acompanhar seu cliente, Marcelo Odebrecht, em depoimento, sob a alegação de que seria suspeita ou testemunha de possível fraude processual envolvendo um bilhete ilegalmente interceptado pela PF. O advogado Thiago Gomes Anastácio resume a medida kafkiana atestando que: “Simplesmente queriam impedir a advogada de advogar.”
Este articulista poderia continuar elencando outros absurdos por mais alguns parágrafos, mas seria chover no molhado. Somente descrever o enviesamento e violações, no entanto, não é o suficiente para crer que os agentes investigadores do esquema tem objetivos políticos. O que, então, faz essa hipótese ser suficientemente plausível? O simples fato de que o desrespeito ao devido processo e direitos podem culminar na anulação de provas importantes, ou até mesmo de toda a operação. Mas, até lá, os efeitos políticos dos vazamentos terão sido atingidos.
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/rennan-martins-arbitrariedades-e-ilegalidades-da-lava-jato-reforcam-seus-objetivos-politicos.html