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domingo, 7 de junho de 2015

Politização do Judiciário é ameaça à democracia

07.06.2015
Do portal BRASIL247

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"É cada vez mais freqüente que ministros do STF emitam opiniões sobre os assuntos mais diversos da vida política nacional. Não raro essas opiniões expressam críticas a poderes, censuras a instituições ou contêm até mesmo prognósticos políticos. Essas condutas não são ortodoxas, contrariam não apenas a tradição judiciária segundo a qual ao juiz compete uma atuação reservada aos feitos judiciais sob seus cuidados. É o que comumente se chama de liturgia do cargo", diz o jurista Luiz Moreira, em artigo exclusivo para o 247; "na medida em que magistrados angariam simpatia popular, imiscuindo-se em assuntos tradicionalmente reservados aos partidos, à sociedade organizada, aos poderes políticos e à construção das narrativas políticas, tornam-se atores políticos como os demais, não podendo mais desfrutar de papel de árbitros das disputas"; do STF, Joaquim Barbosa saiu para abraçar eventual carreira política; no tribunal, Gilmar Mendes tem realçado posições antipetistas

“O século do Poder Judiciário”
Luiz Moreira, especial para o 247

O Ministro Ricardo Lewandowski tem defendido a tese segundo a qual há uma hegemonia judiciária decorrente de um período que contempla tanto democracia quanto universalização de direitos. Segundo ele “estamos no século do Poder Judiciário”. 

Independentemente da validade dessa tese, cumpre-nos discutir com Lewandowski tanto a tarefa que cabe ao Judiciário em um cenário institucional em que há crescente demanda por participação popular nas instâncias decisórias, quanto possível subordinação do Judiciário aos interesses dos grupos que detêm hegemonia política e a maneira pela qual essas questões interferem na produção de um consenso expresso pela opinião pública, induzido ou formulado pela mídia.

Em primeiro lugar, surge a pergunta pela tarefa do Judiciário em uma democracia constitucional, na qual se exige das instituições uma rigorosa justificação de suas funções. 

Assim, não se atribui ao Poder Judiciário “fazer” justiça, pois o voluntarismo ou o decisionismo judicial cede lugar a uma atuação institucional em que o “fazer justiça” significa o cumprimento correto dos procedimentos estabelecidos pelo ordenamento jurídico. Portanto, fazer justiça é o desincumbir-se de uma correção procedimental em que há uma sucessão lógica de acontecimentos, não sujeita a humores, a arbitrariedades ou a caprichos. Desse modo, aliando-se um sistema coerente de direitos a uma lógica piramidal judiciária, com primazia das decisões colegiadas sobre as individuais, em que juízes mais experientes, reunidos em um colegiado, controlam as decisões dos demais juízes, há a institucionalização do judiciário como garantidor dos direitos fundamentais dos cidadãos. 

No entanto, na medida em esse sistema obtém sua legitimidade da política, passa ele a sofrer influência tanto de grupos capazes de representação quanto de consensos que traduzem modos de vida desses mesmos agrupamentos. Assim, se é verdade que o direito só é legítimo na medida em que é produzido pela democracia, também o é a necessidade de uma contenção, a fim de distinguir sistema de justiça de instituições políticas. Nesse contexto de divisão horizontal de tarefas é que a Constituição brasileira estabeleceu uma diferenciação entre poderes políticos, aos quais compete estabelecer as regras de conduta, pois regidos pelo princípio majoritário, e o poder judiciário, cuja tarefa é decidir os conflitos utilizando-se das regras anteriormente criadas, contrariando, se necessário, opinião dos grupos hegemônicos, econômicos, corporativos ou midiáticos.

Em segundo lugar, como em qualquer sistema no de justiça há uma falha estrutural que propicia o surgimento de um estado de exceção na democracia constitucional.  Essa exceção autoritária na democracia constitucional permite a institucionalização da violência, transformando cidadãos em inimigos. Na mídia, essa violência se cristaliza quando o cidadão é transformado em alvo de campanha jornalística cujo propósito é caracterizá-lo como inimigo do agrupamento hegemônico. Essa exposição midiática se caracteriza como justiçamento. A outra face desse justiçamento ocorre, no sistema de justiça, com a transformação do processo em pena, isto é, a pena a que o cidadão é submetido é justamente responder a um processo judicial, não importando se ele é culpado ou inocente. Afligido pelas peculiaridades burocráticas, pela linguagem própria e pela demora inerente ao processo judicial, o castigo do cidadão é responder ao processo judicial.

Tendo essa advertência como pano de fundo, cumpre-nos rapidamente analisar o papel conferido pela Constituição ao STF. Fundamentalmente possui o STF três tarefas: (I) funcionar com última instância recursal do judiciário brasileiro; (II) exercer jurisdição nas ações que lá se originam; e (III) exercer o papel de Tribunal Constitucional. 

Ora, resta saber se essa atividade jurisdicional conferida ao STF pela Constituição se coaduna com o protagonismo pretendido e como tal protagonismo será visto pelas demais instituições republicanas e pela sociedade brasileira.

É certo que o prestígio do Judiciário decorre da posição eqüidistante adotada ante os conflitos existentes na sociedade. Conflitos não apenas jurídicos. Qual a razão de os poderes políticos deferirem a um rival normativo o poder de arbitrar suas demandas? A sociedade conferirá a um membro das disputas partidárias a tarefa de arbitrá-las?

Convém recordar que a aferição dos aspectos constitucionais e legais da legislação é realizada tanto no Legislativo (pelas Comissões de Constituição e Justiça) quanto pelo Executivo. Assim, a expertise jurídica não é privativa do Judiciário. A constituição de quadro de pessoal com alta sofisticação jurídica é antes uma questão de remuneração do que vocacional. Assim, creio que a imparcialidade que se espera do Judiciário é a razão de seu prestígio e não o desbordamento de suas históricas atribuições.

No entanto, é cada vez mais freqüente que ministros do STF emitam opiniões sobre os assuntos mais diversos da vida política nacional. Não raro essas opiniões expressam críticas a poderes, censuras a instituições ou contêm até mesmo prognósticos políticos. Essas condutas não são ortodoxas, contrariam não apenas a tradição judiciária segundo a qual ao juiz compete uma atuação reservada aos feitos judiciais sob seus cuidados. É o que comumente se chama de liturgia do cargo. A fim de se manter eqüidistante das disputas, o magistrado não disputa a hegemonia política, não cria narrativas para que, assim, possa desfrutar do prestígio que a função de magistrado angariou.

Na medida em que magistrados angariam simpatia popular, imiscuindo-se em assuntos tradicionalmente reservados aos partidos, à sociedade organizada, aos poderes políticos e à construção das narrativas políticas, tornam-se atores políticos como os demais, não podendo mais desfrutar de papel de árbitros das disputas. Em um mundo em que não há mais oráculos a consultar nem tradições donde se obter normas, talvez seja conveniente reservar a alguma instituição a tarefa do distanciamento institucional dos negócios públicos. Espera-se que o Judiciário preserve para si tal incumbência. Caso contrário, outra surgirá. 

Luiz Moreira, Doutor em Direito pela UFMG, ex-Conselheiro Nacional do Ministério Público, é professor de Direito Constitucional.
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Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/183976/Politiza%C3%A7%C3%A3o-do-Judici%C3%A1rio-%C3%A9-amea%C3%A7a-%C3%A0-democracia.htm

A historia do helipó não terminou

07.06.2015
Do blog O CAFEZINHO, 06.06.15
Por Miguel do Rosário

O Estadão publicou três matérias sobre tráfico de cocaína, que envolvem o piloto daquele helicóptero dos Perrela, apreendido pela Polícia Federal com quase meia tonelada de pasta da droga.


Só que o título das matérias desvia a atenção do principal. Em duas das três matérias, aparece “cocaína das Farc”.

Não se apresenta, todavia, nenhuma prova ou indício de que a cocaína pertence às Farc; e mesmo se pertencesse, isso não tem relevância na matéria.

É apenas para dar uma cor ideológica à reportagem, e confundir o leitor.

A confusão é tanta que o texto quase dá a entender que as Farc são chavistas ou venezuelanas.

Não são. As Farc são um produto exclusivo da Colômbia. A Venezuela não tem Farc. Chávez defendia que as Farc abandonassem a luta armada.

A matéria trata como coisa menor as informações mais bombásticas:

1) Segundo um dos posts, Alexandre José de Oliveira Junior, piloto do famoso “helipó” dos Perrela, operava há tempos, antes de ser preso, para grandes traficantes internacionais. O Estadão não ficou curioso para saber se Oliveira usou antes o helicóptero do senador? Quer dizer então que o senador Perrela, um dos melhores amigos de Aécio Neves, tinha como piloto, há tempos, um operador a serviço dos maiores traficantes de cocaína do mundo? Isso não escandaliza o Estadão? Aécio andou nesse helicóptero?

2) O mesmo piloto havia sido pego pela polícia civil de São Paulo em janeiro de 2013, transportando 650 quilos de pó. Ao invés de ser preso, passou a ser achacado pelos policiais. Novamente o Estadão ignora o que deveria ser sua principal dúvida: ele usou o helicóptero de um senador da república para esse transporte?

Enfim, tudo é muito estranho.

O Estadão tenta jogar fumaça enchendo a matéria de referências às Farc, o que é o lado menos importante e com menos provas de toda essa história.

O que é mais estranho, porém, é a indiferença da imprensa para investigar um escândalo que liga os mais altos escalões da política mineira e brasileira ao tráfico internacional de cocaína.

A história tem várias pontas soltas, que a imprensa poderia muito bem investigar. Deixo aqui algumas delas:


É o bastante, não?

Agora imagina se Lula mandasse construir um aeroporto em terras de seu tio, se apenas o tio tivesse a chave, se o aeroporto ficasse ao lado de sua fazenda, se tivesse indicado um juiz que vendesse sentenças de soltura a traficante (com intermédio de seu primo), se houvesse um laboratório de refino de cocaína na cidade onde fica a fazenda de Lula (e o aeroporto) e, por fim, se um helicóptero de um senador grande amigo de Lula fosse apreendido com meia tonelada de pó?
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/06/06/a-historia-do-helipo-nao-terminou/

Mídia tenta abafar operação da PF contra médicos corruptos

07.06.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por Miguel do Rosário

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Se tivesse um médico cubano, unzinho só, nesse escândalo, ele teria enorme destaque em nossas mídias.

Mas não tem.

É um escândalo de médicos brasileiros coxinhas – e corruptos.

Provavelmente os mesmos que andaram se manifestando histericamente contra o Mais Médicos, e dizendo impropérios contra a presidenta.

As categorias da classe permanecem mudas contra crimes monstruosos.
Até agora, também não vimos nenhum editorial indignado na grande mídia contra desvios praticados por médicos na rede pública de saúde.

Os paneleiros e os movimentos anticorrupção de internet também sumiram misteriosamente.
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Mídia ignora operação da PF que prendeu ‘doutores’ ladrões do SUS

Apesar de emblemática, nova investida da PF contra desvios de recursos públicos por médicos e empresários entrou na categoria das operações “invisíveis” ao noticiário nacional, merecendo pouca atenção

por Helena Sthephanowitz, em seu blog na Rede Brasil Atual.
publicado 07/06/2015 11:15

A Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal realizou na semana passada(mais precisamente no dia 2, terça-feira) a operação Desiderato contra fraudes praticadas por médicos e empresários no SUS (Sistema Único de Saúde) em quatro estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

O centro da operação foi na cidade de Montes Claros (MG), onde três médicos cardiologistas foram presos por evidência de três tipos de crimes: receber propinas sobre equipamentos médicos comprados com verbas do SUS, desvio destes equipamentos do patrimônio público para uso em clínicas particulares, e cobrar “por fora” de pacientes atendidos pelo SUS.

Empresários e suas empresas que teriam corrompidos os médicos também foram alvos da operação. A Polícia Federal, como é de praxe no período de investigações, manteve os nomes em sigilo.

Apesar de emblemática e de servir de referência para reprimir estes crimes em unidades de saúde de todo o Brasil, esta operação da Polícia Federal entrou na categoria das operações “invisíveis” ao noticiário nacional, merecendo pouca atenção. O fato de os médicos presos terem se limitado à cidade de Montes Claros não torna a notícia regional, pois o delegado da PF Marcelo Freitas, que conduziu as investigações, afirma: “Acreditamos que o mesmo tipo de fraude se estenda por todo o território nacional, o que precisa ser investigado”.

A importância nacional foi reforçada pelo delegado ao dizer que atualmente os desvios são facilitados pela falta de controle sobre as próteses. A notas fiscais de venda investigadas informam apenas quantidade e número do lote, mas omitem os números de série. O Ministério Público encaminhará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recomendação para tornar obrigatória a discriminação deste verificador.

O delegado informou que o mesmo crime será investigado em outras especialidades, como próteses de ortopedia, de otorrinolaringologia e oncologia. As diligências feitas na sede das empresas fornecedoras que corrompiam médicos deixa claro que a investigação busca pegar delitos semelhantes em outras cidades do Brasil.

As investigações iniciadas em julho de 2014. Segundo os investigadores, stents (dispositivo para desobstruir artérias do coração) eram comprados para pacientes que não precisavam. Os maus médicos faziam um laudo realista para o paciente, sem referência ao stent. Faziam outro laudo – fraudulento – com a indicação de uso do aparelho para a coordenação do Sistema Único de Saúde. Assim, criavam um estoque paralelo dos dispositivos. Tudo pago com recursos do SUS, mas que eram desviados para uso em pacientes particulares e que pagava diretamente aos médicos pelo uso de itens comprados com dinheiro público.

Além dos desvios, os médicos recebiam propinas dos fornecedores. Os aparelhos custam aos cofres públicos entre R$ 2 mil e R$ 11 mil, conforme o modelo, e os médicos ganhavam propinas de R$ 500 a R$ 1.000 por unidade que pediam. Não precisa nem desenhar que, se não houvessem as propinas, o preço cobrado ao SUS poderia ser menor.
O grupo de médicos envolvidos chegou a receber R$ 110 mil por mês e criaram até uma empresa de fachada para receber a propina das distribuidoras simulando “prestação de serviços” para lavar o dinheiro sujo, segundo a PF.

Outra prática criminosa destes médicos foi, além de receber pelo procedimento através do SUS, cobrar “por fora” de pacientes. A Santa Casa de Montes Claros suspendeu um dos médicos da equipe de hemodinâmica, depois de saber que cobrou R$ 40 mil para um tratamento pelo SUS do paciente Vladiolano Moreira. Depois de receber a denúncia, abriu sindicância e constatou que o médico já tinha recebido R$ 20 mil. Com as investigações, a família recebeu o dinheiro de volta. Não foi o único caso constatado. Outra paciente, Maria Ferreira teve de pagar R$ 3 mil. Nilza Fagundes Silva pagou R$ 10 mil.

Os investigados foram indiciados pelos crimes de estelionato contra entidade pública, associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção passiva, corrupção ativa e organização criminosa. A Santa Casa e o Hospital Dilson Godinho, onde a quadrilha atuou, não participaram dos delitos e colaboraram com as investigações, de acordo com a PF.

A operação mobilizou 200 policiais federais para cumprir 8 mandados de prisão temporária, 7 conduções coercitivas, 21 mandados de busca e apreensão e 36 mandados de sequestro de bens. O diretor Daniel Eugênio dos Santos da empresa Biotronic, residente em São Paulo, escapuliu de ser preso porque está em viagem de férias com a família nos Estados Unidos.
 
Daniel dos Santos tem um antecedente semelhante. O Ministério Público Federal já o denunciou junto com outros seis empresários e os médicos Elias Ésber Kanaan e Petrônio Rangel Salvador Júnior do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por propinas para cirurgias de implantes de marcapassos e desfibriladores, entre o período de 2003 e 2008. Chamou atenção o número completamente desproporcional ao do restante do país e a denúncia afirma que haviam casos desnecessários. Apurou-se também a compra aparelhos em número maior do que o efetivamente implantado, com efetivo prejuízo aos cofres públicos.

Este antecedente comprova que as investigações sobre estes crimes precisam ir muito além de Montes Claros.

Não é só a imprensa oligopólica quem dá pouca visibilidade a estes delitos. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), por exemplo, que é médico (ortopedista) e empresário do setor, em vez de dedicar-se a perseguir médicos cubanos com proselitismo arcaico do tempo da guerra fria, deveria se dedicar a legislar e fiscalizar, nas comissões do Senado, estes malfeitos de sua classe profissional que tanto mal faz ao povo brasileiro.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=27363

Kenneth M. Quin: 'Lula é o maior lutador contra a fome no mundo'

07.06.2015
Do portal BRASIL247

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Frase foi dita por Kenneth M. Quinn, que atuou durante 32 anos no Departamento de Estado norte-americano e hoje preside a World Food Prize Foundation, instituição que premia cidadãos que mais contribuem para o combate à fome no mundo; “Repartir o pão é o primeiro passo para construir a paz" disse Lula na 39º Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma

247 – O ex-presidente Lula foi qualificado como "o maior e mais apaixonado lutador contra a fome no mundo" pelo norte-americano Kenneth M. Quinn, que foi embaixador dos EUA e trabalhou durante 32 anos no Departamento de Estado americano. 

Quinn hoje preside a World Food Prize Foundation, instituição cujo trabalho é premiar os indivíduos que contribuíram significativamente para o combate à fome no planeta. Na Itália, Lula teve atuação destacada na 39º Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma.

Leia, abaixo, reportagem publicada pelo Instituto Lula:

Lula abre conferência da FAO e diz que fim da fome é essencial para a construção da paz

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu neste sábado a 39º Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em Roma, que reelegeu como diretor-geral da entidade o brasileiro José Graziano. A fala de abertura é conhecida desde 1958 como Conferência McDougall e foi instituída em homenagem a Frank L. McDougall, um dos fundadores da organização. Também participaram da cerimônia o presidente da Itália, Sergio Mattarella, a presidente do Chile Michelle Bachelet, o presidente do Mali, Ibrahim Keita, além de representantes dos 194 países membros da entidade.

Em seu discurso, o ex-presidente citou outro brasileiro que colaborou com a FAO, o médico Josué de Castro, que estudou o problema da fome no mundo, e que cunhou a frase “fome e guerra são, na realidade, criações humanas”.

Lula lembrou que 12 anos atrás havia 11 milhões de famílias na extrema pobreza no Brasil. E falou dos avanços feitos no combate à fome e miséria desde 2003, quando foi assumida essa luta como prioridade de governo. “Estamos vendo crescer a primeira geração de brasileiros que não conheceram o drama da fome”.  E que o exemplo brasileiro mostra que “é possível superar a fome”. Para isso é necessário incluir os pobres no orçamento público, e não tratá-los como estatística, mas como seres humanos.

O ex-presidente citou a reunião, promovida pela FAO, Instituto Lula e União Africana em Adis Abeba (Etiópia), em 2013, quando foi assumido o compromisso de erradicar a fome na África até 2015. Compromisso este que foi confirmado pela Conferência de Chefes de Estado e de Governo da União Africana da União Africana em 2014.

Lula criticou setores da imprensa e da sociedade brasileira que tiveram preconceito contra programas de transferência de renda. “Eu nunca pensei que dar comida aos pobres causasse tanta indignação.” O tempo mostrou, com os resultados na melhoria das condições sociais, que os críticos estavam errados.

O Programa Luz Para Todos, criado pela presidente Dilma Rousseff quando era ministra, foi explicado para os diplomatas presentes. Além do desenvolvimento econômico trazido, o programa enfim permitiu que uma mãe tivesse o direito de ver seu filho dormindo, que uma criança tivesse o direito de estudar com o mínimo de conforto em sua casa.

O ex-presidente também homenageou em sua fala três pessoas pelo papel que tiveram no combate à fome no Brasil: José Graziano, diretor-geral da FAO; Patrus Ananias, ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e atual ministro do Desenvolvimento Agrário, e a ministra do Desenvolvimento Social Tereza Campello.

“Repartir o pão é o primeiro passo para construir a paz" foi a mensagem final do discurso do presidente para a Conferência.
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/183973/%27Lula-%C3%A9-o-maior-lutador-contra-a-fome-no-mundo%27.htm

Segurada postou “se sentindo feliz” nas redes sociais e perdeu o auxílio doença do INSS

07.06.2015
Do blog BRASIL29
 Segurada

O que era para ser o registro de um dia agradável, acabou sendo utilizado pelo INSS como prova contra ela

A Advocacia-Geral da União (AGU) usou postagens na rede social Facebook para provar que uma trabalhadora que recebia auxílio-doença concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não se encontrava incapacitada por quadro depressivo grave e tinha condições de retornar ao trabalho.

Entendemos que uma pessoa com um quadro depressivo grave não apresentaria condições psíquicas para realizar passeios, emitir frases de otimismo, entre outros. Portanto, consideramos que a paciente apresentou cessada sua incapacidade após o exame pericial  “, declarou o perito em comunicado.

O caso ocorreu em Ribeirão Preto/SP. A segurada conseguiu, no posto, provar que estava com depressão desde novembro de 2013 e, desde então recebia auxílio-doença por depressão grave.

Em janeiro do ano passado, o benefício foi cortado (após a segurada postar fotos de passeios no Facebook). Em abril, um novo laudo foi emitido, que confirmou o quadro, garantindo o auxílio por mais três meses.

Foi justamente de abril a julho de 2014 que os registros dos passeios em cachoeiras foram feitos.

As fotos eram ainda acompanhadas de frases como “não estou me aguentando de tanta felicidade”, “se sentindo animada” e “obrigada, Senhor, este ano está sendo mais que maravilhoso”.
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Fonte:http://br29.com.br/segurada-postou-se-sentindo-feliz-nas-redes-sociais-e-perdeu-o-auxilio-doenca-do-inss/

Marcelo Rubens Paiva analisa o fracasso dos coxinhas

07.06.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por Miguel do Rosário

Caminhada-dos-coxinhas-chega-a-Brasília
(Caminhada dos coxinhas chega a Brasília)
Marcelo Rubens Paiva: Por que o movimento pelo impeachment de Dilma micou

O movimento micou


Ações de março vieram com o selo “movimento espontâneo”, apesar da eficiência política e da mistureba ideológica questionáveis. Levaram crise e indagações ao Poder. Repensou-se o País e a inoperante democracia representativa sob regras de um sistema partidário falido, que não é teimosamente reformado.

Nas varandas, a bateção de lata em cada aparição ou menção da cúpula petista, a indignação pela monstruosidade da corrupção e fraudes contábeis, provava que, coxinha ou empada, bairro nobre ou plebeu, havia (há) insatisfação de um grupo social significativo com voz. A lista de paternidade se acotovelou na vitrine do berçário.

“Fora Dilma!” levou um milhão à Paulista (segundo contagem discutível da PM, “a polícia do Alckmin”) ou 210 mil (segundo o Datafolha). Cobriu a avenida de verde e amarelo e obrigou analistas a voltarem aos manuais de ciência política, para confirmar a maturação de uma nova direita.

Grupelhos e siglas até então desconhecidas, mais o desagrado generalizado com a crise econômica que saía do coma forçado, depois da retirada do soro de uma política populista de subsídio a eletrodomésticos, carros, luz e combustível, levaram microfones, celebridades e carros de som ao maior ato político desde as Diretas-Já.

Prometeram uma megamanifestação todos os meses. A de 12 de abril foi menor. A PM, depois de criticada por superestimar a anterior, calculou em 275 mil participantes. O Datafolha continuou apostando nos mesmos 210 mil. A de 17 de maio, micou. O cantor Lobão discursou no vão-livre do Masp para apenas 40 pessoas (segundo a PM), 50 (Datafolha). Dez dias antes, reclamara para Emanuel Bonfim, da Rádio Estadão, que 80% dos seus shows foram cancelados em retaliação à sua nova posição política.

O movimento com intrusos rachou. Corpos estranhos o esvaziaram. Parte do maior beneficiário, o PSDB, retirou o apoio. Seu porta-voz inconteste, o ex-presidente Fernando Henrique, se colocou contrário ao impeachment. Foi chamado de traidor.

As mesmas redes sociais que alavancaram o movimento e serviram de púlpito a um debate burro, polarizado e cheio de ódio, difundiram suas contradições. Um dos líderes do Vem Pra Rua, que defende o fim da corrupção, foi pego num vídeo fraudando o ponto e demitido. Outro manifestante, que foi à avenida em março vestido de amarelo, protestou contra a corrupção e postou “a sociedade não aguenta mais tanta mentira, corrupção, sacanagem, falta de respeito ao povo”, pediu ajuda a amigos 50 dias depois, para retirar da sua carteira infrações de trânsito (oito pontos por desobedecer ao rodízio, dez por estacionar em local proibido e sete por desrespeitar limites de velocidade). Dizia: “Pago bem. Contatos inbox urgente! Rsrsrs”.

Em abril, descobriu-se que Gravataí Merengue, do site Implicante, que publica e compartilha notícias, artigos e vídeos contra o PT, pseudônimo de um blogueiro ativista antipetista, ganhava R$ 70 mil por mês do governo Alckmin.

O “soldado Carvalhal” espalhou em áudio que uma tal inteligência das Forças Armadas recomendava o estoque de mantimentos para a luta que rolaria entre as forças da direita e esquerda na eminente intervenção militar. O Centro de Comunicação Social do Exército teve que vir a público informar que “os áudios veiculados nas mídias sociais não têm origem no Exército Brasileiro”.

Defensores da volta do regime militar podem ser enquadrados no artigo 23 da Lei de Segurança Nacional, ironicamente o suporte ideológico da ditadura militar, em que a própria Dilma foi enquadrada ao ser presa em São Paulo, em 1970. O artigo prevê pena de um a quatro anos de detenção a quem incitar “subversão da ordem política ou social” ou “animosidade entre as Forças Armadas ou entre estas e as classes sociais ou as instituições civis”.

Um dos líderes dos que pedem intervenção militar, capitão da reserva da Marinha, Sérgio Luiz Zorowich, foi intimado a depor em inquérito da Polícia Federal. Revelou-se que Zorowich, que vinculava a presidente Dilma ao Estado Islâmico e PCC, para quem o impeachment é pouco, era dono de empresas que prestavam serviços à Petrobrás e faliram.

No dia 27 de maio, uns 300 manifestantes concentrados em frente ao Congresso pediam o impeachment. Esperavam 30 mil. Numa faixa se lia “Anistia Nunca Mais!”, “Tortura na Hora Certa”. Recuperou-se um lema da ditadura: “Brasil Ame-o ou Deixe-o!”. Foi o dia em que chegou a Brasília a marcha organizada pelo Movimento Brasil Livre, que caminhou desde São Paulo até a Capital Federal. Tinha mais policiais do que manifestantes.

Seus líderes protocolaram o pedido de impeachment e posaram para uma foto com o presidente do Congresso, Eduardo Cunha, citado na Lava Jato, e Jair Bolsonaro, condenado pela 6.ª Vara Cível do Fórum de Madureira a indenizar em R$ 150 mil por danos morais o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, por causa de declarações contra homossexuais.

Aécio Neves não apareceu para saudar o movimento. Foi chamado de traidor.

Por fim, no dia seguinte, 28 de maio, foi a vez da Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos se reunir com políticos da oposição para pedir a rejeição à taxação de grandes fortunas e impostos sobre heranças. A pauta nunca entrou nas reivindicações dos grupos que foram às ruas. Dois outros grupos, Acorda Brasil e Quero Me Defender, não confirmaram o apoio à não-taxação. O principal grupo da Aliança é o Vem Pra Rua, de empresários e executivos do mercado financeiro.

Uma classe social perdeu privilégios. O que se viu foi um desejo de voltar ao passado, com lemas e temores engavetados na Guerra Fria, como o esquecido “Vai pra Cuba!”, e uma política de concentração de rendas. Mas grande parte sabe que a democracia não tem volta.

O movimento micou. Parte da culpa é dos intrusos. Outra parte percebeu que, na verdade, a direita e seus aliados estão espalhados pelo Poder. Nunca saíram dele. Não faria sentido tirar os empregadores dele, impeachar a patroa
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Fonte: http://tijolaco.com.br/blog/?p=27366