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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Escândalos na FIFA e na CBF: Agora falta explicar por que quem pagou menos transmitiu de forma exclusiva o futebol

03.06.2015
Do blog VI O MUNDO, 02.06.15

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Há mais em comum entre o ex-presidente do Clube dos 13 e o golfista Arnold Palmer do que você supõe, caro amigo navegante…

por Luiz Carlos Azenha

Joseph Blatter caiu. Não foi para preservar a FIFA ou o futebol, obviamente. Foi porque o braço direito dele, Jérôme Valcke — aquele que pretendia dar um pontapé no traseiro dos brasileiros — se viu enredado na investigação do FBI, como suposto remetente de uma propina de U$ 10 milhões disfarçada de projeto benemerente.

Blatter e o brasileiro João Havelange, flagrado no propinoduto da ISL para garantir à empresa exclusividade nos direitos de transmissão e marketing da Copa, são farinha do mesmo saco.

Ambos foram “depositados” na FIFA pelo dono da Adidas, Horst Dassler, que inventou a ISL e praticamente o marketing esportivo ao perceber que poderia promover eventos para grandes audiências na televisão ao mesmo tempo bombando sua marca.

Quando Havelange presidia a FIFA, Blatter era o secretário-geral. Embora recentemente, provavelmente orientado por alguma assessoria de imagem, tenha se dedicado à “transparência”, Blatter atuou eficazmente nestes anos todos para encobrir os malfeitos da cartolagem, como descrevemos minuciosamente em O Lado Sujo do Futebol.

Exemplo? Quando o promotor suiço Thomas Hildbrand pegou Havelange e seu ex-genro Ricardo Teixeira com a boca na botija, a FIFA fez tudo o que estava ao seu alcance institucional para livrar os cartolas brasileiros, chegando ao cúmulo de dizer que as propinas na verdade eram comissões perfeitamente legais. Tentou bloquear na Justiça a divulgação do devastador relatório do promotor que trouxe as propinas à luz, na casa dos milhões e milhões de dólares.

Hildbrand, a certa altura de seu relatório, diz que o papel de Teixeira era preservar o status quo no que se refere aos contratos. Como sabemos, no Brasil FIFA e CBF (Havelange e Teixeira) ajudavam a ISL, que vendia os direitos de transmissão à Globo, que nunca foi incomodada pela concorrência.

Como descrevemos na página 273 de nosso livro, na disputa pelas Copas de 2002 e 2006 a ISL enfrentou pela primeira vez a competição da empresa norte-americana IMG, do lendário golfista Arnold Palmer. Ele fez uma oferta muito maior e prometeu aumentar o valor — de U$ 1 bilhão — caso houvesse leilão. As duas propostas foram a votação no Comitê Executivo da FIFA: a ISL teve 9 votos a 6, com três abstenções e duas ausências.

Isso foi antes de se descobrir o imenso propinoduto da ISL, que irrigou inclusive as empresas de fachada de Ricardo Teixeira e João Havelange, Sanud e Renford.

E o que Palmer, afinal, tem a ver com Fábio Koff, o ex-presidente do Clube dos 13? Muito.
Koff, à frente da entidade, tentou promover no Brasil uma concorrência pública para vender os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro.

Em 2011, a RedeTV! venceu a concorrência com uma proposta de R$ 1.548.000,00 por três temporadas. Uma proposta que seria bem superior ao que a Globo vinha pagando. Como narramos detalhadamente em nosso livro, por conta disso Ricardo Teixeira se mexeu nos bastidores para destruir o Clube dos 13, o que efetivamente conseguiu. Em consequência, a Globo passou a negociar diretamente com os clubes. Teve de pagar mais do que pagava anteriormente, mas não correu o risco de perder os direitos.

Para quem despreza a RedeTV!, um lembrete: nos Estados Unidos, a Fox de Rupert Murdoch estabeleceu-se como rede nacional de TV, competindo com ABC, CBS e NBC, ao comprar por uma quantia estratosférica os direitos de transmissão do futebol americano.
Meu ponto: o esporte em geral — no Brasil, o futebol em particular — garante uma retorno econômico extraordinário a qualquer emissora.

Porém, aqui praticamos o capitalismo à brasileira: a Globo, campeã do discurso sobre o livre mercado, sufoca a competição nos bastidores.

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Na Argentina, o réu confesso J. Háwilla (de jaleco branco), o diretor da TV Globo Marcelo Campos Pinto e o indiciado Ricardo Teixeira: bons tempos

A pergunta que está na boca dos internautas: foi de graça?

Um deles, cujo nome decidimos manter no anonimato, nos escreveu:
Na Estrada do Mata Porcos, bairro de Correas, em Petrópolis, a família Marinho, mantém um sítio desde a década de 1950. O local foi transformado em um condomínio de luxo que só é possível acessar depois de se identificar na portaria. Um lugar idílico de poucas e refinadas Mansões.
Entre os vizinhos há nomes como Ricardo Teixeira, Kleber Leite e empreiteiros investigados pela Operação Lava-Jato que construíram estádios de futebol para a Copa do Mundo. Há também barões da Stock Car, sendo que um deles a filha á atriz global e namora um famoso jogador de futebol.
O mais interessante é que a família Marinho comprou algumas casas no local e as mantêm vazias, pois não gostam de vizinhos por perto. Será por medo dos vizinhos ou será por causa das testemunhas?
Aguinaldo Silva fez questão de fazer o homem de preto mergulhar em uma piscina de euros na novela Império tendo como cenário a cidade de Petrópolis. Será que não foi uma forma velada de falar de uma empresa lá nas Ilhas Virgens Britânicas?
Nada como uma passada pelo registro de imóveis para mostrar porque uma empresa que paga menos tem o direito de transmitir partidas de futebol, ao invés de quem paga mais. Afinal, por que brigar com os vizinhos por tão pouca coisa?
Notem que o internauta quer saber porque uma empresa que paga menos tem o direito de transmitir partidas de futebol, ao invés de quem paga mais. No caso da ISL, que atropelou Palmer, já sabemos.

Mas, e aqui? Que milagre brasileiro é este?

Não seria o caso do senador Romário convocar o ex-presidente do Clube dos 13 para depor na CPI da CBF?

PS do Viomundo: Dois dos autores do livro O Lado Sujo do Futebol, Leandro Cipoloni e Tony Chastinet, decidiram preparar um dossiê de documentos para encaminhar ao FBI. Vai que eles se interessam em traduzir a papelada do português!

Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/escandalos-na-fifa-e-na-cbf-agora-falta-explicar-porque-quem-pagou-menos-transmitiu-de-forma-exclusiva-o-futebol.html

CRPS/JUNTAS: Audiência Pública no Senado Federal sobre o CRPS e as Juntas de Recursos, foi adiada para 06 de julho

02.06.2015
Por Irineu Messias

O Senado Federal, irá realizar a  primeira audiência pública, em 06 de julho de 2015,  sobre “A Importância do Conselho Nacional e das Juntas de Recursos da Previdência Social para o trabalhador brasileiro e a situação funcional de seus servidores”,
A assessoria do senador Paulo Paim, comunicou. na manhã de hoje, que a audiência pública sobre a importância do Conselho e das Juntas , prevista para acontecer em 29 de junho, foi adiada para 06 de julho de 2015, às 09h, no mesmo local, ou seja, na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

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Senador Paim(PT/RS), irá participar em audiência pública em SP, sobre PL 4330, no dia 29.06.15. Esta a razão do adiamento da audiência sobre o CRPS e as Juntas de Recursos.
O adiamento se deu  por causa da participação do Senador Paim, em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, cujo tema será o PL 4330, que trata da terceirização, ora em tramitação no Senado,  e  que prejudica os direitos trabalhistas dos trabalhadores e é uma ameaça para a Adminstração Pública brasileira.

O senador Paim, poderia ter designado o vice-presidente da Comissão para realizar nossa audiência, contudo, em virtude do compromisso assumido com CNTSS e ANASPS, fez questão de está presente  na nossa audiência, por isso preferiu adiá-la para julho.

Devemos continuar nossa mobilização para a participação em nessa audiência,. Pedimos aos nossos companheiros e companheiras,  que enviem email para os senadores de seus estados convidando-os a se fazer presentes na audiência e assumir o compromisso pelo fortalecimento das instâncias de recursos da Previdência Social.  Clique  aqui  para acessar o endereço de todos os senadores.

Reiteiramos a importância da presença de muitos servidores nesta audiência, e para isso temo que fazer um esforço a mais para podermos participar de todas as mobilizações em defesa de nossa situação funcional e salarial; procurem suas entidades sindicais de base e peçam financiarem a ida para Brasília, em 06 de julho.

Neste sentido é importante que os servidores se reúnam em seus locais de trabalhos para debaterem sobre os textos, notícias relatórios postados aqui no Blog, principalmente sobre o teor desta audiência no Senado Federal.

Precisamos colher sugestões e contribuições para que possamos aborda-los nesta audiência como na Mesa de Negociação, instalada em 19.05.2015. Clique aqui e leia o relatório da primeira reunião da Mesa de Negociação.

Portanto, esperamos contar com um amplo apoio de todos servidores para potencializarmos esta audiência Pública, que pela primeira, no Congresso Nacional, o CRPS e as Juntas , estão alvo de debate e ganhando visibilidade nacioanal,uma vez que será transmitida ao vivo pela TV  e Rádio Senado, dia 06.07.15, às 09. Clique aqui e leia mais um post sobre a audiência.

Vamos à luta, com muita fé em Deus!
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Fonte:https://crpsjuntasderecursos.wordpress.com/2015/06/03/audiencia-publica-no-senado-federal-sobre-o-crps-e-as-juntas-de-recursos-foi-adiada-para-06-de-julho/

Imprensa internacional denuncia a “paladina” da ética e da moral: “Globo pagou propina”

03.06.2015
Do portal BRASIL29, 02.06.15

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Globo pagou propina a Ricardo Teixeira pela transmissão das copas de 2014 e 2018

Ouça com atenção a partir do minuto 2:20 do vídeo:
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Fonte:http://br29.com.br/imprensa-internacional-denuncia-a-paladina-da-etica-e-da-moral-globo-pagou-propina/

O neocolonialismo intelectual

03.06.2015
Do portal AGÊNCIA CARTA CAPITAL, 29.03.15
Por Emir Sader 
 
Uma certa esquerda europeia tem dificuldade de compreender o caráter nacionalista, antimperialista, popular, dos governos posneoliberais. 

Emir SaderA esquerda ocidental sempre teve um forte acento eurocentrista.  As próprias definições de esquerda e de direita nasceram na Europa e se propagaram pelo mundo.
 
A esquerda europeia foi basicamente socialista – ou social democrata – e comunista. Tinha como seus componentes essenciais sindicatos e partidos políticos – estes com representação parlamentar, disputando eleições. E grupos mais radicais – grande parte deles trotskistas – que faziam parte desse mesmo cenário politico e ideológico.
 
Como um dos seus componentes – que se tornaria um problema – o nacionalismo foi enquadrado como ideologia de direita, por sua modalidade chovinista na Europa. A própria responsabilidade atribuída aos nacionalismos nas duas guerras mundiais contribuía para consolidar essa classificação.
 
Em outros continentes, especialmente na América Latina, essa classificação se replicava, de forma esquemática, mecânica, com a multiplicação de partidos socialistas e comunistas, além de tendências trotskistas.
A inadequação desse esquema foi se tornando cada vez mais clara conforme surgiram forças e lideranças nacionalistas, além de uma parte dos partidos tradicionais da esquerda latino-americana também assumirem posições politicas nacionalistas. Ocorre que na Europa a ideologia da burguesia ascendente foi o liberalismo, opondo-se às travas feudais para a livre circulação do capital. O nacionalismo se situou à direita, exaltando os valores nacionais de cada pais, em oposição aos dos outros e, mais recentemente, se opondo à unificação europeia, porque enfraquece os Estados nacionais.
 
Enquanto que na periferia o nacionalismo e o liberalismo tem características diferentes. O liberalismo foi a ideologia dos setores primário exportadores, que viviam do livre comércio, expressando os interesses das oligarquias tradicionais, do conjunto da direita. O nacionalismo, ao contrário da Europa, sempre teve um componente antimperialista.
A esquerda europeia teve muitas dificuldades com o nacionalismo e o liberalismo em regiões como  a América Latina. Como um dos erros provenientes da visão eurocêntrica, lideres como Peron e Getúlio Vargas chegaram a ser comparados por PCs da America Latina com dirigentes fascistas europeus – como Hitler e Mussolini – por seu componente nacionalista e anti-liberal. Ao mesmo tempo, varias forças liberais latino-americanas foram aceitas na Internacional Socialista, porque defenderiam sistemas políticos “democráticos” (na verdade, liberais) contra “ditaduras”, que seriam encarnadas pelos lideres nacionalistas e seus carismas e suposta ideologia “populista” e autoritária.
 
Movimentos como as revoluções mexicana, cubana, sandinista, e lideranças nacionalistas como as apontadas acima, foram dificilmente assimiláveis pela esquerda tradicional. O mesmo acontece, de certa maneira, com as características da esquerda latino-americana do século XXI.
Essas mesmas limitações afetam a intelectualidade de esquerda europeia, que herdou o eurocentrismo e o adaptou às suas visões da América Latina. Por um lado, estão os intelectuais social democratas que, conforme essa corrente assumiu o neoliberalismo, que perderam qualquer possibilidade de entender a América Latina e a esquerda anti-neoliberal.
 
Mas há os intelectuais livre atiradores ou ligados a correntes de ultraesquerda, que desferem suas analises críticas sobre os governos progressistas latino-americanos, com enorme desenvoltura, dizendo o que esses governos fazem de errado, o que deveriam fazer, o que não deveriam fazer, etc. e tal. Falam como se suas teses tivessem sido confirmadas em algum lugar, sem poder apresentar nenhum exemplo concreto de que suas ideias tenham frutificado e demonstrado assim que se adequariam melhor à realidade do que os caminhos que esses governos seguem.
Se preocupam com tendências “caudilhistas”, “populistas”, de lideres latino-americanos, julgam processos conforme a situação de um que outro movimento social ou uma que outra temática. Têm dificuldade de compreender o caráter nacionalista, antimperialista, popular, dos governos posneoliberais. Sobrevoam como libélulas perdidas sobre esses processos, elogiam algo, logo criticam algo, sem se identificar profundamente com o conjunto desses processos, que representar a esquerda no século XXI. Isso tudo escapa a olhos acadêmicos, individualistas, que não participam no dia a dia da construção concreta de alternativas realmente existentes. Passa o tempo e essas visões eurocêntricas não desembocam em construção concreta alguma, impotentes para captar as nervuras contraditórias do real e, a partir delas, propor alternativas que possam ser assumidas pelas massas.
Atuam como se fossem “consciências criticas da esquerda latino-americana” e como se as necessitássemos, não tivéssemos suficiente consciência das razões dos nossos avanços, dos obstáculos que temos pela frente e das dificuldades para supera-los. Enquanto que essas vozes não apenas não podem apresentar resultados de suas pregações nos seus próprios países – que podem ser França, Portugal, Inglaterra ou outro qualquer -, em que se supõe que suas ideias deveriam frutificar com sucesso, como tampouco conseguem explicar – e nem se atrevem a abordar – o porquê nos seus próprios países a situação da esquerda é incomparavelmente pior do que nos países latino-americanos criticados por eles.
São posturas que carregam ainda o eurocentrismo e que se dirigem à América Latina com ar professoral, como se fossem portadores de um cabedal de conhecimento e de experiências vitoriosas, a partir da quais ditariam cátedra sobre nossos processos. Representam, na verdade, apesar das aparências, formas da velha esquerda, que não faz a devida autocritica sobre suas posturas, seus erros, suas derrotas e retrocessos. A aura acadêmica mal esconde as dificuldades de se comprometerem com processos concretos e, a partir deles, participarem da construção de alternativas.
Cada vez apresentam menos interesse análises que não desembocam em propostas alternativas de transformação da realidade. As posturas críticas fazem da sua teoria um instrumento intranscendente, sem nenhuma capacidade de captar a realidade concreta, como de transforma-la. Para retomar o velhos esquema: suas ideias jamais se transformam em força material, porque nunca penetram nas massas.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/O-neocolonialismo-intelectual/2/33153

O 'Cunha Shopping' é um acinte

03.06.2015
Do portal AGÊNCIA CARTA MAIOR, 25.05.15
Por Emir Sader

O shopping-center é a utopia neoliberal, o resumo de como eles gostariam que fosse a sociedade: só consumidores, nenhum cidadão. 

Emir SaderDepois de fazer aprovar uma série de iniciativas na Câmara, Eduardo Cunha se sente dono da Casa e capaz de passar qualquer proposta. Já há algum tempo, antes que estivesse envolvido na Lava-Jato, ele tinha decretado a concessão de passagens de avião para as esposas dos deputados. Diante da reação negativa generalizada a mais esse privilegio dos parlamentares, Eduardo Cunha teve que recuar e a suspendeu.
 
Agora ele volta à carta com uma medida ainda mais despropositada: a construção, por um valor calculado de um bilhão de reais, de um shopping center na Câmara de Deputados. A aprovação foi rápida, com a oposição apenas do PT, do PC do B, do Psol e do PDT.
 
Nada mais simbólico do que instalar um shopping-center em um Congresso eleito pelo poder do dinheiro, controlado pelos lobbies dos grandes negócios. O shopping-center é a utopia neoliberal, o resumo de como eles gostariam que fosse a sociedade: só consumidores comprando mercadorias das grandes marcar globalizadas. Um mundo em que tudo é mercadoria, tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra.
 
O shopping-center da Câmara – se chegar a ser instalado, com todas as dúvidas que pairam sobre que se tolere que exista – representa a continuidade, sob a forma de lojas, de grifes, - do toma-cá-dá-lá que impera no Congresso e de que Eduardo Cunho é o grande gerente. Se decide, se vota, de aprova, como quem entra em uma loja de uma grande marca globalizada e se arrematam mercadorias. Se paga com cartões de crédito, se pechincha os preços, se aproveitam liquidações. Eduardo Cunha pretende instaurar uma continuidade linear entre o plenário sob sua presidência e o desfile de marcas e suas ofertas.
 
O Cunha-shopping é um acinte. É a demonstração de que o presidente da Câmara pretende fazer o que pretenda dessa Casa, rebaixando-a a níveis como nunca haviam sido atingidos, fazendo com que chegue a um nível tal de degradação, de que o próximo passo seria instaurar um cassino, com roleta e tudo. No Shopping desaparece tudo o que é local, substituído pelas marcas globalizadas. No Shopping não se encontram pobres, cidadãos, apenas consumidores com grande poder aquisitivo.
 
Os Shopping não costumam ter janelas, para fechar-se sobre si mesmos, fazendo abstração da sociedade real que fica do lado de fora. O Shopping é todo feito em função da compra e da venda, a circulação por seus espaços é adaptada a isso.
 
O Congresso parece espelhar nos Shopping-Centers o seu funcionamento atual.  Atende os grandes interesses econômicos, privilegia o anti-nacional, faz abstração da sociedade real, se fecha sobre si mesmo, sem janelas para o mundo real. Só pretende responder às grandes marcas, às grandes empresas, aos interesses globalizados.
 
Mas entre tantas incertezas sobre o que passará no Congresso, esta é a maior delas. Apesar de aprovada na Câmara, a construção do Shopping-Center ainda vai ter que passar por várias provas. A primeira, a rejeição da opinião pública. Isso aconteceu com as passagens para as esposas dos deputados, sobre o que Eduardo Cunha teve que retroceder.
 
Caso passe por esse primeiro obstáculo, virão os outros: construção, inauguração e aí, caso chegue até esse momento, o maios obstáculo: o funcionamento. Vai ser objeto do repúdio da cidadania, do boicote, dos rolezinhos, das ocupações, das manifestações, até torná-lo inviável.
 
O Cunha-Shopping seria mais um passo no processo de mercantilização do Congresso, de gastos indevidos e acintosos em relação ao momento que vive o pais. Não passará.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/O-Cunha-Shopping-e-um-acinte/2/33566