domingo, 24 de maio de 2015

'Xoque de Jestão' tucano: dívida de R$ 80 bilhões e Estado quebrado

24.05.2015
Do portal BRASIL DE FATO, 06.10.2014

Reprodução

Economista explica como governo maquiou os números para esconder falência

06/10/2014
Thaíne Belissa,
Belo Horizonte (MG)

Uma dívida de quase R$ 80 bilhões e uma coleção de déficits históricos. Quem mora em Minas Gerais e está acostumado a ler apenas boas notícias sobre o governo estadual nem pode imaginar que esses números negativos são de seu Estado. Mas uma análise detalhada dos dados da Secretaria da Fazenda feita pelo doutor em economia e professor da Escola de Governo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais Fabrício Augusto de Oliveira aponta que, ao contrário do que dizem as propagandas sobre o Choque de Gestão, Minas Gerais está em maus lençóis em sua situação financeira.

O economista, que também foi professor da UFMG e da Fundação João Pinheiro, estudou a dívida mineira e escreveu diversos artigos sobre o assunto, além do livro “Dívida Pública do Estado de Minas Gerais: A Renegociação Necessária”. Para ele, o que acontece é um exemplo da prática da Contabilidade Criativa, técnica usada por empresas públicas e privadas, desde 1970, para mascarar números não favoráveis.

“Os governos começaram a usá-la principalmente depois da Lei de Responsabilidade Fiscal para não sofrerem punições. Eles fazem isso escondendo gastos, jogando despesas em outras rubricas, lançando no orçamento receitas não recorrentes, ou seja, que não vão ocorrer todo ano”, diz. Em Minas Gerais, ele afirma que a prática acontece desde 2003, no início da gestão de Aécio Neves. De acordo com o economista, o governo adotou o conceito de resultado orçamentário em suas contas, o que permitiu a maquiagem dos números.

“Na avaliação de finança pública esse conceito não tem significado e foi usado só para vender boa imagem. A questão é que ele inclui na conta a contratação de crédito, o que não é receita, mas um recurso para o pagamento de uma dívida. Além disso, ele não inclui os juros e amortização da dívida com a União”, explica. Segundo o professor, o conceito adequado para a avaliação das contas no Estado é o de resultado nominal, que inclui os juros da dívida pública. 

Peça de marketing

O economista afirma que, apesar de o governo ter divulgado que estava resolvendo o problema da dívida, a verdade é que o estado nunca deixou de ser deficitário e o Choque de Gestão foi muito mais uma peça de marketing do que uma estratégia eficiente. “Em Minas Gerais todo mundo tem medo de falar, seja imprensa ou consultores. Parece que estamos no paraíso, mas isso é uma ilusão. O governo fala muito em saúde e em educação, mas sempre foi devedor dessas áreas”, frisa.

Baseado em dados da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, o economista destaca que, no ano passado, o Estado teve déficits em todos os conceitos: orçamentário, nominal e primário. Ele chama a atenção para o déficit primário, de R$86 milhões, que não acontecia desde 1999. De acordo com o professor, esse número é preocupante, pois significa que o governo não está sendo capaz nem de pagar seus gastos básicos.

“Além de não dispor de recursos para pagar um centavo dos encargos da dívida, o governo ainda se vê obrigado a recorrer a novos empréstimos para honrar suas despesas primárias”, afirma. Ele também destaca o déficit nominal, de R$8,9 bilhões, que compromete 20% da receita líquida do Estado. Diante desse desequilíbrio orçamentário, a dívida consolidada líquida só aumenta, tendo saltado de R$70,4 bilhões em 2012 para R$79,7 bilhões no ano passado.

Ataque ao Funpemg

O economista afirma que a situação financeira do Estado ficou tão crítica que ele acabou sem caixa e precisou lançar um pacote de ajuste fiscal, em agosto de 2013. Mas, segundo o professor, como as pequenas intervenções não resolveram o problema imediato do governo, ele arriscou uma manobra maior, extinguindo o Fundo de Previdência do Estado de Minas Gerais (Funpemg) e lançando mão dos quase R$4 bilhões arrecadados pelos servidores.
Aprovadas em tempo recorde e de maneira eticamente condenável, as Leis Complementares 128 e 131, de 2013, não só garantiram o fim do Funpemg, como a transferência de todo seu dinheiro para o Fundo Financeiro da Previdência (Funfip). Para o diretor jurídico do Sindicato dos Servidores da Justiça de 2ª Instância de Minas Gerais (Sinjus-MG), Wagner de Jesus Ferreira, a manobra foi uma atitude desesperada do governo para cobrir seu rombo financeiro. 

“Diferente do Funpemg, no Fumpip não há representantes dos trabalhados e tudo fica no controle do Estado. Na prática, o governo se apropriou dos recursos do fundo, levando tudo para cobrir os déficits de seu caixa”, afirma. Ele explica que, justamente por não ter controle, o Funpip foi alvo de desvios históricos, chegando a uma dívida de R$10 bilhões. 

Agora, os servidores temem que o ataque à previdência prossiga, ameaçando suas aposentadorias.
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Fonte:http://www.brasildefato.com.br/node/30063

A Ferrovia TransOceânica e as tendências do PSDB

24.05.2015
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Moro e o entreguismo são o que une as Tendências do PSDB.



Longe do ansioso blogueiro a pretensão de competir com o dos chapéus (ver no ABC do C Af), que, entre outros atributos, exibe o de “correspondente da Amazon no Brasil”.

O ansioso blogueiro recomenda a leitura de “Nothing Like it in the World – The men who built the Transcontinental Railroad – 1863 – 1869”, da editora Simon & Schuster, New York, 2000, do reputado historiador americano Stephen E-Ambrose.

É a aventura fascinante da construção da ferrovia que foi de Chicago, Illinois, a Sacramento, na Califórnia, e uniu a carne, o trigo e o milho ao ouro da Califórnia.

Chicago a Sacramento é a distância que vai de São Paulo a Manaus !

E três vezes a distância entre Rio e São Paulo !

Tudo isso por dentro da Cordilheira das Rochosas, com a mão de obra em regime servil de milhões de operários chineses.

Com o Homestead Act, essa ferrovia integrou os Estados Unidos, criou uma nação de pequenos proprietários rurais e forjou a Economia mais poderosa do Mundo.

As duas gigantescas obras foram do presidente Abraham Lincoln, que, para manter a União – seu objetivo principal – e, secundariamente, acabar com a escravidão do Sul, promoveu um inconfessado mensalão e comprou votos no Congresso – como se viu, aqui, no Conversa Afiada, na “análise” do filme do Spielberg.

O Homestead Act, o Brasil não realizou, apesar de André Rebouças e Joaquim Nabuco: não promoveu a Reforma Agrária ao abolir (?) a Escravidão em 1888.

A TransPacific o Brasil também não fez, porque preferiu construir estradas de rodagem para a indústria automobilística – a equivocada opção,  entre muitas – do Governo JK.

A Reforma Agrária foi para o beleléu.

A Transoceânica, o Brasil só vai construir agora com a China e o Peru.

Para desespero dos micrologísticos que aparecem e escrevem no Globo.

É o caso do dos chapéus.

Como previsto nesse Conversa Afiada, o correspondente piguento do New York Times no Brasil prenunciou o que os colonistas pigais iam dizer.

A Transoceânica não sairá do papel !

Porque a China não construiu o Ninho das Águias, não fez uma Olimpíada impecável, não construiu a Muralha da China, não tem bomba atômica, não manda chinês à Lua – é um povo de fracassados, como o Henry Kissinger e os japoneses podem constatar.

O correspondente piguento do New York Times está no papel dele…

E, paradoxalmente, os colonistas pigais, também !

O dos chapéus pertence a uma Tendência cada vez menos relevante do PSDB.

A Tendência Cerrista.

Ou “Tendência os Fins Justificam os Meios”.

O dos chapéus compara a Ferrovia Transoceânica ao trem bala, provisoriamente adiado.

E decreta que um nem o outro sairá do papel.

Cerra confessou que decidiu incluir Campinas no projeto do Trem Bala com o objetivo de explodi-lo.

E quem foi o maior aliado do cerrismo contra o Trem Bala ?

O dos chapéus.

Quem perseguiu o Malan no Ministério da Fazenda com a acusação de praticar “peleguismo cambial” ?

O Cerra e seu diligente aliado colonismo, o dos chapéus.

Cerra queria tomar o lugar de Malan.

Breve, o Cerra vai criticar a TransOceânica.

O dos chapeus dá entender que o Primeiro Ministro chinês chegou aqui, de sopetão, não tinha mais nada da cartola e tirou o coelho da Ferrovia.

Quem manda só ler o New York Times e não ir aos sites (em inglês) da China ?

E não se informar sobre um projeto que brasileiros, peruanos e chineses estudam e negociam há pelo menos dois anos.

A Itália, Inglaterra, França, a Grécia, a Rússia, os países do Cáucaso aderiram ao novo Banco de Investimentos da China e à ferrovia chamada de “Nova Rota da Seda”, porque compõem um conjunto de Estados Parvos …

Porque não tem o privilegio de ler o dos chapéus … e seu pigal aliado no New York Times.

Outra Tendência – chamada de “Espelho, Espelho Meu !”- , também minoritária, do PSDB é a do Príncipe da Privataria, que não vai contar netinho como comprou a reeleição.

A essa tendência, se aliou, por motivos eleitorais, o Aecím – e, como todos os que se aliam ao FHC para fins eleitorais, deu com os burros n’água.

A Tendência predominante do PSDB é a do Governador Alckmin – a “Picolé de Chuchu”.

Ela está no Governo de São Paulo há trinta anos, não construiu uma ponte, mas tem as fichas do jogo de 2018.

O que une as três tendências ?

O entreguismo.

Entregar o pré-sal à Chevron.

E, no mesmo balaio, detonar o Mercosul e o acordo com a China, porque a Transoceânica significa, irremediavelmente, um caminho a competir com o Canal americano do Panamá.

O outro ponto de união das três tendências é o Moralismo farisaico da UDN, que hoje se pendurou na Vara de Guantánamo, a do Dr Moro.

E o melhor analista sutilezas das três Tendências é o … Bessinha !

Em tempo: o Ataulpho Merval se inscreve nas três Tendências, indistintamente. Embora, ultimamente, fale de uma Terceira Via.

Em tempo2: recentemente, o dos chapéus assumiu o primeiro lugar no pódio do Manchetômetro dos colonistas que detonam a Dilma. Ele deve estar muito orgulhoso. Os patrões também !

Paulo Henrique Amorim
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Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/economia/2015/05/24/a-ferrovia-transoceanica-e-as-tendencias-do-psdb/

Auditores da receita acusados de corrupção doaram à campanha do tucano Beto Richa

24።05።2015
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE  LULA 22።05።15

Auditores fiscais sob investigação fizeram doação eleitoral a Richa

Campanhas do governador tucano do PR e de aliados receberam R$ 1 mi de servidores; todos negam ilegalidade

Na mira do Ministério Público após a descoberta de um esquema de corrupção e pagamento de propina na Receita estadual, auditores fiscais do Paraná doaram à campanha do governador Beto Richa (PSDB) e a outros 25 aliados quase R$ 1 milhão no ano passado, de acordo com levantamento da Folha.
 Contribuíram para o caixa eleitoral 291 dos 933 auditores do Estado, com doações individuais. Desses, 219 foram promovidos pouco antes da campanha, em maio. A maioria foi elevada ao teto da categoria, com salários de aproximadamente R$ 30 mil.

O decreto que estabeleceu a promoção também é investigado pela Promotoria. Uma denúncia anônima sustenta que a mulher de Richa, Fernanda, teria condicionado as promoções às doações.

A Promotoria, porém, coloca parte delas em xeque, pois vieram de auditores de Londrina investigados sob suspeita de cobrar propina para reduzir ou até mesmo anular dívidas tributárias. Quinze já foram denunciados –todos fizeram doações, que somam R$ 41 mil, às campanhas.

Um dos fiscais mencionou, em colaboração com a Justiça, que a campanha de Richa recebeu R$ 2 milhões de propina da Receita, em caixa dois, no ano passado.Há suspeitas de que o mesmo esquema se replique em outras cidades do Paraná, e que as doações oficiais sejam uma forma de distribuir a propina, tal como aconteceu em obras da Petrobras.

Em Curitiba, outra operação já foi deflagrada em maio para combater o mesmo esquema. Um auditor foi preso.As doações dos auditores estão espalhadas pelo Estado, segundo as delegacias regionais em que atuam. Richa e aliados receberam 95% das contribuições da categoria. Dos 36 políticos beneficiados, 26 são da base do tucano.

A campanha dele arrecadou R$ 290 mil. Seu ex-secretário da Fazenda e ex-chefe dos auditores Luiz Carlos Hauly (PSDB), –eleito deputado federal– recebeu R$ 80 mil de 39 servidores.

Entre os que mais receberam estão o ex-subchefe da Casa Civil (R$ 107 mil), o líder do governo na Assembleia (R$ 40 mil) e o presidente do PSDB do Paraná (R$ 44 mil).Do total de doações, pouco mais de um terço foi feita em dinheiro vivo –R$ 390 mil.

Chama a atenção a repetição dos valores doados: 70 auditores fizeram uma doação exata de R$ 3.600; a maioria para o ex-secretário Hauly, outros para o deputado Marcio Pauliki, do oposicionista PDT.

Outros 20 doaram exatos R$ 4.800, nesse caso para políticos mais próximos de Richa –Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), atual líder do governo, e Valdir Rossoni (PSDB), deputado federal e presidente do partido.

Em Londrina, epicentro das investigações, o volume arrecadado para os políticos locais chega a R$ 170 mil (incluindo o ex-secretário Hauly, que também é da cidade).

Na região oeste, a candidata preferida dos auditores foi a mulher do prefeito de Foz do Iguaçu, Claudia Pereira (PSB), eleita deputada estadual. Ela arrecadou R$ 76 mil.

Aos adversários de Richa, foram destinados R$ 78 mil. Só um auditor doou (R$ 5.750) a Roberto Requião (PMDB), que disputou o governo. As informações são da Folha de São Paulo
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Fonte http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2015/05/auditores-da-receita-acusados-de.html

Solidariedade ao Embaixador Guilherme Patriota Guilherme Patriota reunia todas as condições para bem representar o País na OEA. Foi rejeitado pelo Senado por motivos menores e torpes

24.05.2015
Do portal da Agência Carta Maior, 22.05.15
Por Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI)

Geraldo Magela/Agência Senado
O GR-RI vem a público manifestar seu apoio e sua irrestrita solidariedade ao Embaixador Guilherme Patriota, injustificadamente rejeitado pelo Senado Federal para o posto de embaixador do Brasil junto à OEA.
 
Na opinião do GR-RI, Guilherme Patriota, um embaixador de carreira de destacado nível intelectual e moral, reunia todas as condições para bem representar o País na OEA.
 
O GR-RI lamenta que tão destacado diplomata tenha sua carreira tisnada por uma rejeição que só se explica por motivos políticos menores e torpes.
 
Deve-se considerar que se trata da primeira vez que um embaixador de carreira é rejeitado pelo Senado Federal. Isso cria um precedente muito perigoso para julgamentos partidarizados da carreira diplomática, uma burocracia de alto nível que sempre esteve, e está, a serviço do Estado e do País.
 
O GR-RI não contesta a prerrogativa constitucional exclusiva do Senado de aprovar ou rejeitar os chefes de missão diplomática e a considera peça fundamental da democratização da política externa do país. Contudo, o GR-RI pondera que, nesse caso específico, tal prerrogativa constitucional foi exercida de forma equivocada, obedecendo a interesses políticos paroquiais, e não contribuiu para o debate democrático da política externa do Brasil.
 
O GR-RI constata que o clima de revanche, que aparentemente se apossou de alguns setores do Senado Federal, vem colocando obstáculos à devida compreensão da política externa brasileira.
 
Guilherme Patriota, um homem de impecáveis serviços prestados ao Brasil, é vítima dessa incompreensão e joguete inocente de disputas políticas tacanhas.
 
O GR-RI expressa sua total solidariedade a Guilherme Patriota e sua certeza de que, nesse lamentável e vergonhoso episódio, sobressaltam a integridade e a honradez de um extraordinário diplomata.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Solidariedade-ao-Embaixador-Guilherme-Patriota/4/33547

A MULHER QUE FEZ OS RICOS PEGAREM EM PANELAS

24.05.2015
Do blog JOVENS DE ESQUERDA, 06.05.15

Brazil's President Dilma Rousseff blows a kiss to the public while giving a speech in front of Planalto Palace in Brasilia

Dilma está sendo conhecida internacionalmente como a mulher que está despertando a Ira dos ricos. Depois de 510 anos de Brasil, um país feito e planejado para os ricos, algo de muito intrínseco está ocorrendo. O fato dos negros e pobres terem acesso a universidades, supermercados e avião. O fato da mulher ter autonomia para gerir os recursos dos programas federais e que o Brasil não é mais o quintal do FMI e dos EUA tem feito muitos ricos pegarem em panelas.

Uma coisa que nunca mudou, foi a forma da crítica, sempre a desculpa de corrupção foi o bode expiatório da elite brasileira para atacar governos com traços populares. Como diz o ditado, cada um acha o defeito nos outros, aquilo que é mais alarmante em sí mesmo. A corrupção sempre foi patrimônio da elite que se aproveita do Estado para enriquecer, assim foi em todos os governos antes do Presidente Lula.

No entanto, o que realmente está despertando a ira dos ricos é que agora, quando voltarem a governar o Brasil, já não encontrarão uma terra sem lei. O que os Ricos vão encontrar é a Lei da Transparência, a corrupção como crime hediondo, um ministério público e uma polícia Federal  e com autonomia para investigar e punir. Vai dar trabalho destruir essa máquina caçadora de corruptos montadas pelos governos do PT, Partido dos Trabalhadores.
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Fonte:
https://jovensdesquerda.wordpress.com/2015/05/06/a-mulher-que-fez-os-ricos-pegarem-em-panelas/

A ameaça à liberdade de imprensa

24.05.2015
Do portal JORNAL GGN
LUIS NASSIF ON LINE

Doutrinariamente, a imprensa é vista como o instrumento de defesa da sociedade contra os esbirros do poder, seja ele o Executivo, outro poder institucional ou econômico.

Não se exija dos grupos de mídia a isenção. Desde os primórdios da democracia são grupos empresariais com interesses próprios, com posições políticas nítidas, explícitas ou sub-reptícias.
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Tome-se o caso brasileiro. É óbvio que os grupos de mídia têm lado. Denunciam o lado contrário e poupam os aliados.

Doutrinariamente, procuradores entendem que qualquer denúncia da imprensa deve virar uma representação. Mas só consideram imprensa o que sai na velha mídia. 

Doutrinariamente, o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) criou um grupo para impedir o uso de ações judiciais para calar a mídia. Mas só consideram jornalismo a velha mídia.

Cria-se, então, um amplo território de impunidade para aqueles personagens que se aliam aos interesses da velha mídia. E aí entra o papel da nova mídia, blogs e sites, fazendo o contraponto e estendendo a fiscalização àqueles que são blindados pela velha mídia.
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No entanto, sem o respaldo do Judiciário, sem a estrutura econômica dos grupos de mídia, blogs e sites independentes têm sido sufocados por uma avalanche de ações visando calá-los. E grande parte delas sendo oriunda da mesma velha mídia. 

Quando a velha mídia se vale dessas armas contra adversários, não entra na mira do CNJ.
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Tome-se o meu caso.

Sou alvo de seis ações cíveis de jornalistas, cinco delas de jornalistas da Veja, duas de não jornalistas. Os dois não jornalistas são os notáveis Gilmar Mendes, Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e Eduardo Cunha, presidente da Câmara. Além deles, sofro uma ação de Ali Kamel, o todo poderoso diretor da Globo.
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O que pretendem me sufocando financeiramente com essas ações?

Desde que se tornou personagem do jogo político, a Gilmar tudo foi permitido.

Em meu blog já apontei conflitos de interesse – com ele julgando ações de escritórios de advocacia em que sua mulher trabalha e de grandes grupos que patrocinam eventos do IPD (Instituto Brasiliense de Direito Público).

Apontei o inusitado do IDP conseguir um contrato de R$ 10 milhões para palestras para o Tribunal de Justiça da Bahia no momento em que este se encontrava sob a mira do CNJ. E critiquei a maneira como se valeu do pedido de vista para desrespeitar o STF e seus colegas.
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De Eduardo Cunha, é possível uma biografia ampla, desde os tempos em que fazia dobradinha com Paulo César Faria, no governo Collor, passando por episódios polêmicos no governo Garotinho e no próprio governo Lula.

No governo Collor ele conseguiu o apoio da Globo abrindo espaço para os cabos da Globo Cabo e dispondo-se a adquirir equipamentos da NEC (controlada por Roberto Marinho). 

Agora, ganha blindagem prometendo impedir o avanço da regulação da mídia.

 Sobre Kamel, relatei a maneira como avançou na guerra dos livros didáticos – um dos episódios mais controvertidos da mídia nos últimos anos, quando editoras se lançaram nesse mercado para ampliar seus negócios.
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Censurando os críticos, asfixiando-os economicamente, quem conterá os abusos de Gilmar, de Cunha e de Kamel?
Há uma ameaça concreta à liberdade de imprensa nessa enxurrada de ações.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/a-ameaca-a-liberdade-de-imprensa

Dilma redireciona ajuste fiscal para andar de cima

24.05.2015
Do blog O CAFEZINHO,21.05.15
Por Miguel do Rosário

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Poxa, por que demorou tanto?
 
Era óbvio que essa medida tinha de vir simultaneamente ao pacotão de maldades do ajuste fiscal.

Tudo bem, antes tarde do que nunca.


ERICH DECAT – O ESTADO DE S. PAULO
21 Maio 2015 | 19h 31

Palácio do Planalto já tem pronta uma MP que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de 15% para 20%

Em meio ao desgaste com ajuste fiscal, o Palácio do Planalto já tem pronto para despacho uma Medida Provisória que eleva a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras de 15% para 20%. A proposta, segundo interlocutores do governo, deve ser publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta sexta-feira. O texto, a que o Estado teve acesso, já passou pelo Ministério da Fazenda, pela Casa Civil e está pronto para ser assinado pela presidente Dilma. 

A MP estabelece mudança no artigo da Lei que institui a contribuição. Diz o texto que o valor passa a ser de: “20%, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, das de capitalização e das referidas nos incisos I a VII, IX e X” da Lei complementar de 2001.

Segundo interlocutores do governo ouvidos pela reportagem, a medida também tem como objetivo “pegar o andar de cima” e dar uma resposta aos mais críticos, que protestam contra o fato de as propostas do ajuste fiscal encaminhadas pelo Executivo ao Congresso Nacional atingirem essencialmente setores trabalhistas e previdenciários. 

O último aumento da CSLL ocorreu em 2008, no segundo mandado do presidente Lula, ocasião em que a econômica brasileira também passava por um cenário preocupante na área da política monetária. 

O ajuste da CSLL ocorre num momento em que o governo pretende combinar os cortes em gastos previstos no Orçamento deste ano com uma nova rodada de aumento de impostos.

O objetivo da medida, preparada pelo Ministério da Fazenda, é reforçar o ajuste fiscal e afastar o risco de rebaixamento da nota de crédito do Brasil. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy apresentou uma estimativa de corte aos congressista de R$ 78 bilhões. O montante compensaria as perdas promovidas pelos parlamentares no ajuste fiscal.

O governo estima poupar R$ 14 bilhões com as restrições aplicadas em benefícios trabalhistas e previdenciários que estão em discussão no Senado. Antes das alterações feitas na Câmara, as medidas provisórias que apertavam esses benefícios produziriam uma economia de R$ 18 bilhões, segundo o governo.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/05/21/dilma-redireciona-ajuste-fiscal-para-andar-de-cima/

Matemático de 'Uma Mente Brilhante' morre em acidente de carro

24.05.2015
Do portal BRASIL247

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O matemático John Nash, vencedor do Prêmio Nobel que inspirou o filme "Uma Mente Brilhante", foi morto em um acidente de carro com sua esposa em Nova Jersey, nos Estados Unidos; o casal estava em um táxi cujo motorista perdeu o controle e bateu em uma mureta; o filme vencedor do Oscar "Uma Mente Brilhante", estrelando Russell Crowe, é baseado na longa batalha de Nash contra a esquizofrenia 
 
(Reuters) - O matemático John Nash, vencedor do Prêmio Nobel que inspirou o filme "Uma Mente Brilhante", foi morto em um acidente de carro com sua esposa em Nova Jersey, nos Estados Unidos, informou a ABC News.

O casal estava em um táxi cujo motorista perdeu o controle e bateu em uma mureta, disse a emissora, citando a polícia do Estado.

O filme vencedor do Oscar "Uma Mente Brilhante", estrelando Russell Crowe, é baseado na longa batalha de Nash contra a esquizofrenia.

Crowe escreveu no Twitter neste domingo que estava aturdido pelas notícias sobre a morte de Nash e sua esposa, Alicia.

"Uma parceria fantástica. Belas mentes, belos corações", escreveu na rede social.

Nash, acadêmico da Universidade de Princeton, ganhou o Prêmio Nobel de economia em 1994.

John Nash tinha 86 anos e sua esposa 82, de acordo com a ABC News, segundo a qual o casal vivia em Princeton, Nova Jersey.

(Por Letitia Stein)

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/mundo/182142/Matem%C3%A1tico-de-%27Uma-Mente-Brilhante%27-morre-em-acidente-de-carro.htm

E O HELICÓPTERO DE COCAÍNA:A história completa do helicóptero do pó

25.05.2015
Do blog O CAFEZINHO, 17.01.2014
Por Miguel do Rosário

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Transcrevo abaixo um post que traz uma descrição detalhada da investigação e operação que apreendeu o famigerado “helicóptero do pó”. O responsável pela operação, o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli, o Pacheco, dá entrevista ao site Vice.com.

Pacheco age como um policial prudente e responsável, que se recusa a fazer qualquer acusação sem prova. Mas ele observa que há várias perguntas sem resposta. A fazenda onde o helicóptero pousou, no Espírito Santo, fora comprada há pouco por um laranja. É preciso saber pra quem o laranja trabalha. Pacheco observa ainda que a operação era um tanto tosca e amadora, apesar da quantidade incrível de dinheiro e droga envolvidos. A explicação, segundo ele, é que esse tipo de operação costuma acontecer de maneira “fragmentada”, com núcleos independentes que não se conhecem entre si. Daí acontece de se trabalhar com grupos amadores.
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Dica da @AgenciaPF_ e do Facebook do Agente Federal Neves.

POLICIAL CONTA COMO APREENDEU O HELICÓPTERO DO PÓ

By Roger Franchini; Ilustração por Daniel W., no site Vice.com

Ao longo de um mês, conversei com o agente federal Rafael Rodrigo Pacheco Salaroli — o Pacheco — sobre uma de suas rotineiras apreensões de cocaína no meio do mato.

Com 38 anos, lotado na Delegacia de Repressão à Entorpecentes de Vitória/ES, Pacheco é formado em Ciências Sociais, com mestrado em Inteligência Policial e Políticas Públicas. 

Trabalha como policial há 21 anos — sendo nove desses na Polícia Federal — e foi um dos responsáveis pela operação polêmica que apreendeu quase meia tonelada de pó no helicóptero do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), ambos aliados do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), em novembro do ano passado.

O objetivo da entrevista era reconstruir toda a investigação que culminou no flagrante, mas acabei por ter uma aula sobre como encontrar grandes quantidades de entorpecentes e aprender muita coisa sobre a hipócrita relação entre o imediatismo irresponsável da imprensa e os órgãos policiais. Um bate-papo na copa da delegacia.
*
cocaina apreendida (1)                     (Cocaína apreendida. Todas as fotos são cortesia do entrevistado.)

VICE: Como as investigações deste caso começaram?
 
Pacheco: Nós já tínhamos uma diversidade enorme de informes; você foi policial, então sabe o que é isso, ou seja, uma informação que chega até nós, mas que ainda não se confirmou. Um informante, aquela conversa com o preso depois do depoimento, mas que não se quer registrar… É aquele dado que você não confrontou com a realidade. Pois bem, tínhamos alguns informes aqui dando conta da utilização de pequenos aviões nessa região.

Quando foi isso?
 
Em meados de novembro [de 2013], a P2 [órgão interno das polícias militares, formado por homens à paisana e viaturas descaracterizadas, ligado à Corregedoria da instituição para fiscalizar infrações administrativas dos policiais, muito embora, às vezes, realizem trabalhos de polícia investigativa, tal qual a Polícia Civil e Federal, além de serviço de inteligência para os governos estaduais] da Polícia Militar do Espírito Santo nos perguntou se sabíamos algo de estranho envolvendo fazendas da região. Havia chegado até eles a notícia da compra de um imóvel de forma muito estranha: uma pequena propriedade, que não valeria mais do que R$ 200 mil reais, teria sido comprada por R$ 500 mil reais, à vista, na região de Brejetuba. Fomos a campo e começamos a coletar informações. E o que nos foi dito naquela comunidade? “Olha, os caras pagaram esse preço à vista, chamou muita atenção, chamou tanta atenção que até eu quis vender minha propriedade, porque o preço está muito acima do mercado”. Os caras compram essa fazenda e não a ocupam. São pessoas que não se identificavam com a atividade da agricultura. Os moradores locais nos diziam assim: “os caras são muito doidões”.

Vocês já sabiam o nome da pessoa que havia comprado a fazenda?
 
Não. A experiência que a gente traz de outras situações é que essa transação imobiliária não poderia ter passado por uma formalidade cartorial. Fazer um contrato de compra e venda sem registro…

Um contrato de gaveta?
 
Sim, de gaveta. Mas veja, hoje eu já tenho outra informação. Ele deu R$ 100 mil e ia dar outros R$ 400 mil em 15 dias.

detalhe da comunidade de Brejetuba-local da apreensao (1)                                  (Detalhe da comunidade de Brejetuba, local da apreensão.)
 
O cara quem? O Élio Rodrigues?
 
Como você sabe? Ah, claro. Já está na internet por conta dos advogados… Sim, o comprador foi o Élio Rodrigues.

Vocês chegaram a bater um papo com esse Élio? Ele é quente ou laranja?
 
Cara, ele teve a oportunidade de ser bem assessorado, ele tá com advogado constituído, é um direito dele. Você tem que jogar a regra do jogo e a regra do jogo é a democracia legal que diz que ele tem o direito de se defender e constituir um advogado.
O que o Élio disse sobre a compra do sítio?
 
Ele admite a compra, mas tudo o que ele admite não nos possibilita concluir nada em relação a ele.

Como assim?
 
Ah, eu perguntei a ele: “Você comprou a fazenda em dinheiro?”, “Comprei”. “De onde veio o dinheiro?”. “Eu guardo em casa”. “Você esteve lá?”, “Estive”, “Você conhece algum dos presos?”, “Conheço”, “De onde você os conhece?”, “Conheço da fazenda”. O que posso fazer diante de uma afirmação dessa?

E quando o sigilo bancário dele vai cair na imprensa?
 
Você tem uma bola de cristal aí?

Que a Polícia Federal vai pedir eu sei que vai, minha dúvida é quando isso vai cair na imprensa.
A minha duvida é quando o banco vai me entregar.

helicoptero apreendido - no detalhe, compartimento usado para esconder a droga       (Helicóptero apreendido. No detalhe, compartimento usado para esconder a droga.)

O que ele faz profissionalmente?
 
Ele é um empresário de Vitória.

E ele ostenta? Você acha que ele tem grana para dar meio milhão em dinheiro?
 
Se a gente tivesse a convicção suficiente para segurar ele, já teríamos pedido sua prisão. Mas a mecânica do processo penal não é tão simples, nem deve ser. Você sabe, a polícia, por viver o calor do evento, tende a ser arbitrária e dura. Por isso, em certos casos, a velocidade lenta do processo penal não é ruim. Daí a diferença entre o tempo da imprensa e do tempo da polícia investigativa.

Vocês chegaram ao Élio antes ou depois da apreensão?
 
Chegamos ao simples pré-nome Élio antes, e ao Élio qualificado (a saber: quem ele é e tal) logo depois. Um dia depois.

Como vocês descobriram que o helicóptero ia pousar naquele instante?
 
Quando chegamos, como disse, em meados de novembro, um vaqueiro deu uma informação importante pra gente. Ele disse o seguinte: “Olha, os caras chegaram aí, compraram a fazenda, se apresentaram como donos, fizeram churrasco durante dois dias inteiros e ficaram de voltar aqui no dia 23″, que era o sábado. Então, a gente se estabeleceu nessa região por seis ou sete dias, para fazer vigilância e observar a movimentação de pessoas que não têm identidade com aquela área. Já na sexta-feira, dois dias antes da apreensão, começamos a ver a movimentação de estranhos no local.

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(Momento da abordagem com helicóptero da PM dando cobertura para a equipe.)
 
Vocês já tinham notícia de que a aeronave havia pousado lá em outras vezes?
 
Não, curioso isso. A gente costuma dizer que a imprensa gera o efeito “facho de luz”, ou seja, ela ilumina um ator que antes ninguém via. Depois que nós apreendemos esse helicóptero, já recebi 15 ligações de 15 helicópteros carregando cocaína. Quer dizer, até prender o primeiro, nunca houve. Depois que prendemos esse, tem um monte. Não tínhamos noticia de pouso anterior, mas ficou muito evidente pra gente, em razão da logística da fazenda, que, se fosse o transporte e entrega de drogas, não poderia ser feita de outra forma. Por que você compra uma fazenda e não ocupa? Por que paga em dinheiro, por que paga o dobro do preço? Por que marca um dia para voltar e não está lá exercendo atividade de agricultor diariamente? Nós temos casos repetidos de aeronaves transportando drogas em outros estados, apostamos na vigilância e apostamos bem.
Quantos policiais estavam envolvidos nessa operação?
 
Ah… Foram poucos. Fizemos uma parceria com a Polícia Militar local, porque sem eles não saberíamos andar naquela região. Sem eles o resultado não aconteceria.
Quantos policiais ao todo?
 
Eram seis agentes federais e seis PMs.

Em um vídeo no Youtube mostra que só dava PM no momento da abordagem.
 
O que acontece é o seguinte: para conquistar o apoio da PM, a gente precisava colocar eles em evidência. Quem pede tem que oferecer. Nós não somos vaidosos, entende? Então, o acordo era bem simples: vocês ficam com a notícia e a gente fica com o resultado do trabalho. Pode capitalizar, pode ficar à vontade, não tem problema. Eles são de uma cidade pequena, para eles isso era um feito histórico. Os PMs que participaram também são policiais de perfil baixo, que não se apegam a isso. Então, na verdade, a operação foi atribuída quase que na totalidade à Polícia Militar, mas estávamos cientes.

veiculo em que a droga estava sendo descarregada                                 (Veículo em que a droga estava sendo descarregada.)

Alguns curiosos da internet disseram que a rota seguida pelo helicóptero não era bem aquela divulgado pela PF, pois não bateria com a autonomia de voo da aeronave. O tempo não é para tanto, que ela estava pesada demais, etc.
 
O curioso é que quem acha isso não sabe nada! Quando começamos a acreditar que poderia se tratar de uma entrega de drogas com um helicóptero, fui buscar apoio aéreo do helicóptero da PM para ajudar os policiais que estavam na vigilância em terra. Eu falava para eles da necessidade de estarmos a postos muito antes dos traficantes, mas eles respondiam: “Não dá. Ali, depois das quatro horas da tarde não tem jeito porque é serra, montanha, tem nuvem, é perigoso”. Eu falei: “Cara, é que você tá pensando como piloto, como alguém que segue regras, tá pensando como alguém que pensa em segurança, você não tá pensando como traficante que chega a ganhar um milhão de reais numa operação dessas”. Então, quer dizer, os caras da internet não sabem que os pilotos que se dedicam a essa atividade são malucos, ignoram perigos básicos, carregam combustível dentro da aeronave…

Mas o peso dele não influencia?
 
Influencia, mas nada impede que ele tivesse pontos de pouso intermediários para isso.

Essa é a dúvida que todos temos. Esses pontos de pouso intermediários. Suspeita-se de nomes de muitas pessoas que deram cobertura a esses pousos que ainda não vieram à tona e…
 
É possível, mas como te falei, a velocidade da imprensa não é nossa. O compromisso da internet é o curtir do Facebook e as piadas nos grupos de WhatsApp. Cadeia não é hotel, é coisa séria. Daqui a uns dias, os peritos vão me entregar as coordenadas, daí ótimo, beleza, tenho a coordenada e vou colocar no Google Earth. [Por exemplo] Bateu lá em Bauru. Porra, meu irmão, eu preciso de uma equipe que vá a Bauru, que vá ao cartório, que identifique a fazenda. Pode ser um produto de espólio, uma herança, pode ter herdeiro brigando, o pouso pode ter sido aleatório. Ou seja, nós não podemos ter aí a irresponsabilidade do cara da internet. E se ele pousou na fazenda do seu avô, seu avô é traficante, é isso? Muita calma nessa hora, parceiro, porque a internet não tem compromisso com porra nenhuma, mas eu tenho, meus colegas têm, o delegado tem! Respondi uma pergunta um dia desses sobre o deputado [Gustavo Perrella, dono do helicóptero apreendido]. O pessoal falou: “Porra, a cocaína é do deputado porque o helicóptero é dele!”. Eu falei: “Caralho, se eu pedir seu carro emprestado, e encher ele de cocaína, você é o traficante?”. Ou seja, não pode ter esse atropelo, isso atrapalha. A ânsia de querer inflar uma notícia, julgar alguém, colocar um senador, um deputado no rolo… 

Não tenho medo de político não, já prendi vários. Tô cagando pra esses caras, quero que se fodam. Mas quem vai sentar na frente do juiz e dizer “Foi ele!” sou eu, serão meus pares. Não pode ter essa pressa não, velho.

Você teve acesso às mensagens de celular trocadas entre o piloto e o deputado?
 
Ainda não. É isso que eu estou falando. Para você ver. O deputado vai lá e fala: “Eu não sabia de nada”. Aí depois ele mexe no próprio telefone e se dá conta que mandou uma mensagem para o piloto. Daí o que ele faz? Dá outra declaração desmentindo a anterior, porque ele sabe que na hora que sair o laudo eu vou ter essa mensagem. Mas se eu mexer nesse telefone antes da autorização judicial, o advogado vai falar: “Você conspurcou a prova, portanto, ela não vale mais nada”. Só vou ver essas mensagens quando o perito me entregar o laudo. Meu compromisso é com a sentença, não com a notícia.

Mas vocês não chegaram a pegar esse celular nas mãos? Não abriram, viram os números e tal?
 
Sim, os celulares foram todos apreendidos. Você tem que entender o seguinte: a necessidade de você obter uma informação é até você obter o que você quer. O que eu quero? Provar nosso ponto perante à justiça, curiosidade é coisa de menino.

É louvável tamanha frieza. Só acho estranho porque a Polícia Civil, no dia a dia, não é tão disciplinada assim.
 
Parceiro, é o seguinte: a gente trabalha nesse caso com a Justiça Federal e o MPF. Se a Polícia Civil lidasse com juízes e promotores federais, ela ia ficar disciplinada. O que acontece: o cachorro morde no tamanho da porrada do dono. Então, os juízes federais, no geral, são fodas. Não estou dizendo que a justiça estadual é pior, mas até em razão do volume absurdo de trabalho que eles têm, costumam ser mais tolerantes. O importante para nós era prender os caras e tirar meia tonelada de cocaína do mercado. Isso foi feito. E as respostas? Elas virão na velocidade da lei, não posso atropelar esse processo. Daí, depois, vêm as criticas da própria imprensa: “Ah, mas o Tribunal anulou a operação da Policia Federal inteira”. Anulou porque a gente fez merda, ou seja, não pode fazer assim velho, tem que ter calma.

Quando vocês tiveram a notícia que o helicóptero era do deputado?
 
O piloto falou ali mesmo na hora, ele abriu o jogo e disse: “Olha, eu piloto para o senador Perrella, ele não sabe que eu estou aqui e vai ficar muito ruim pra mim”. O colega que estava na condução disse: Foda-se, isso é um problema seu, não meu.

O piloto estava armado? Porque eu vi que a chegada foi muito calma, né?
 
Ninguém estava armado, não teve resistência. Foi muito calmo, cara. Você imagina que uma operação dessa, desse nível de investimento, 1kg dessa cocaína custa lá na fonte, no fornecedor, algo em torno de US$14 mil dólares. Isso é gente que anda de Mercedes. Eu mesmo, em todo momento, nunca apostei no confronto. Mandamos uma equipe pronta para o confronto, mas nunca apostei.

Qual foi a reação da equipe quando descobriu que o piloto era funcionário do deputado?
 
Indiferente. Quem trabalha com entorpecente não é ligado em glamour, velho, não tem isso. Quem trabalha com entorpecente é farol baixo. O tesão dos caras foi a carga. O tesão dos caras é “Puta que o pariu, 450 quilos, beleza, tô de pau duro e feliz”. Eles não têm tesão com mídia, com Fantástico… Não têm tesão por nada disso. Quando o cara falou de senador, de deputado, eles cagaram, velho, tão nem aí.

policiais no momento da apreensao da cocaina                                              (Policiais no momento da apreensão.)
     
Os presos tinham passagem pela polícia?
 
Só um, e não é folha corrida grande. Mas o que acontece nesse tipo de operação: os caras trabalham em células. Quem fornece não conhece quem transporta, que não conhece quem recebe, que não conhece quem revende. A vantagem disso é que, quando você pega um, o cara realmente não conhece o próximo. E qual é a desvantagem desse tipo de estrutura? O envolvimento de pessoas “não profissionais”. O que causa alarde nesse trabalho não é nem a droga. Se eu pegasse meia tonelada num caminhão de arroz vindo de Foz de Iguaçu, ganhava só uma notinha de jornal. O que chamou a atenção desse caso foi o helicóptero, o tipo do transporte.

E o dono dele, né…
 
Sim, aí potencializa.

Quando sua equipe chegou a Brejetuba para dar o bote?
 
Seis ou sete dias antes.

E onde eles ficaram hospedados?
 
No mato.

No mato? Dentro de uma casa, numa espécie de acampamento?
 
Usaram algumas casas para apoio e se revezavam eventualmente na cidade, mas na vigilância a gente fez acampamento mesmo.

Você participou da abordagem?
 
Não, eu estava no controle, estava em Vitória dando todo o apoio. Foram sete dias de comida de micro-ondas dormindo dentro do trabalho em colchão inflável. É preciso ter um cara distante para que possa suprir os meios. Os caras estão lá no mato, ele não tem condição de fazer isso. Então, porra, um colega passou mal, ficou doente, precisa ser substituído, uma viatura quebrou, precisa de dinheiro, precisa de armamento, você tem que ter um cara fazendo essa logística, fazendo isso. Eu fiz isso.

E como foi a rotina desses seis ou sete dias no mato?
 
Ah, complicado, né, cara, porque você tem que levar mantimento, tem que levar água, comida, você não pode cozinhar, leva muito biscoito, muito pão. Mija dentro de garrafa pet. Quando não pode ser na garrafa, arruma um matinho. Essas equipes têm que se revezar porque você tem limite de exaustão.

Quantas pessoas ficaram no acampamento?
Seis nossos e seis deles.

Os “eles” eram P2?
 
Só trabalho com P2, não trabalho com tropa regular.

Por quê? Vocês tem algum tipo de objeção para trabalhar com a Polícia Civil?
 
Não, nenhuma. Trabalho com vários deles, mas nesse caso a preferência é de natureza doutrinária, não de natureza ideológica. A Polícia Militar, apesar de ser mal afamada por ser militar, tem uma disciplina que a Polícia Civil não tem. Para esta ação, a P2 era a melhor opção, quando disse que não trabalho com tropa regular me refiro ao policiamento ostensivo que a PM faz com os homens de farda, a P2 é uma unidade especializada. E isso vale para qualquer polícia.

Como vocês descobriram que o helicóptero estava chegando? Viram ele se aproximar?
 
Como disse, nós tínhamos a referência do peão, que falou: “Eles disseram que vão voltar aí por volta do dia 23, 24″. Ele deu uma data aproximada. A gente não sabia muito bem o que ia acontecer. Se a droga viria de carro, cavalo, helicóptero… Terrestre a gente já sabia que não ia ser porque a região não permite isso. Havia uma única via de acesso… Não faria sentido. Para o cara levar a droga ali por terra, ele teria que se complicar, não se descomplicar. Porque ele teria que sair de uma rodovia federal para uma estadual e para uma vicinal… O caminho não é esse. O caminho é de uma vicinal para uma BR. Então, a gente não sabia muito bem o que ia acontecer, mas a gente sabia que não ia ser por terra. E se fosse por terra, nossa estrutura estava pronta para asfixiar.

Com 12 pessoas?
 
Era o suficiente. Com 12 pessoas você monta uma estrutura de observação e mais duas ou três equipes de intervenção com muita tranquilidade.

E que tipo de armas essas equipes de intervenção usavam?
 
Todas. Desde o armamento não letal, das granadas de luz e som, passando pelas pistolas e chegando aos fuzis. Não sabíamos quem era o inimigo, levamos tudo.

Quem eram as pessoas que estavam aguardando a chegada da droga em solo, no carro branco?
 
Era um garoto da área, de nome Everaldo, e um carioca de nome Robson.

E agora, Pacheco? O trabalho se encerra no dia 17. Tá tudo redondo?
 
Redondinho. Mas, cara, sinceramente, considero essa uma operação amadora. A forma como eles montaram a logística chamou atenção, com gente graúda seria mais sofisticado. 

E veja a chegada deles na região — é uma região de matutos. Os caras chegaram chamando muita atenção. Porra, chegaram com dinheiro em bolsa, pagaram valores fora de mercado. Fizeram churrasco, encheram de mulher. É uma sociedade pacata, o cara ali casa com 16 anos. Aí você faz um churrasco e leva um monte de mulher para lá? Chama atenção. Acho que a operação foi muito tosca para envolver um cara desse calibre.

Isso não está estranho, Pacheco? Afinal, é um investimento muito grande para três peões que parecem nunca ter feito isso na vida.
 
Não tenha dúvida, o problema é que esses caras trabalham em células. Fazem tarefas seccionadas para que, justamente, a gente tenha dificuldade em compreender todo o conjunto.

Fazendo uma especulação bem rústica, vocês já chegaram a cogitar a hipótese de que o piloto e os garotos foram colocados ali para serem presos?
 
É possível. Mas nossa experiência deixa claro que tem muito mais à frente e muito mais atrás, sim. Só temos que focar no que a gente tem em mãos nesse momento.

O carro estava no nome de quem?
 
Ainda não parei para olhar. Mas acho que é do Robson, um dos presos.

E eles falaram para onde levariam a droga?
 
Imagina…

Eles não abriram o bico?
 
Não, nada. Na Polícia Federal, o cara não apanha, não toma calor. Por favor, não estou dizendo que nas outras polícias se faça isso, mas aqui não se faz.

Ah, para com isso Pacheco…
 
Porra, cara, não apanha. Eu vou bater no cara? Tenho 20 anos de polícia, tenho dois filhos para criar, você já viu o contracheque da polícia, tem escrito lá auxílio-cacete? Não é uma questão de ideologia, é uma questão de inteligência. Não vou ficar dando porrada nos outros, por quê? Para ser demitido e depois o Ministro da Justiça tirar onda e dizer que não tolera isso?

uma das casas usadas como acampamento pela equipe
                    (Uma das casas usadas como acampamento pela equipe.)

Sabe o que levantaram na mídia, Pacheco? Que o Alexandre, o piloto, tem uma escola de aviação aqui em São Paulo. Disseram que o patrimônio dele deu um salto gigantesco em um ano.
 
É o que eu tô te falando. Defendo totalmente a liberdade de expressão, o caralho a quatro de asa roxa, porra! Mas a imprensa não tem compromisso com porra nenhuma, velho. O cara vai lá no Campo de Marte, filma uma escola de aviação, conversa com o porteiro, o porteiro diz que aquele patrimônio é enorme e ele joga isso na televisão. Nós não podemos fazer isso. Eu vou ter que falar na frente de um juiz, na frente de um promotor. Não posso fazer isso. Agora a Band foi lá, filmou, falou assim: “A escola do cara vale 200 milhões de dólares”. Eu não, preciso provar isso.

Ah, para com isso, sério, cara?
 
Você vai encontrar o flagrante na internet porque os advogados já deram para a Globo, já deram para todo mundo. Isso é informação pública, não tem por que eu te esconder isso.

Mas eles só mostram aquilo que interessa a eles, o que normalmente não me interessa.
 
Mas eu tô te falando, cara. Para mim, quando é prisão em flagrante, o tempo urge. Porque se o cara, por exemplo, foi numa lanchonete, foi num banco ou foi num hotel, esses registros vão se perder. Em um pequeno hotel, se ele tiver uma câmera de vigilância, ele grava cinco dias.

A região de Afonso Cláudio tem tradição em ser rota de tráfico?
 
Tivemos um caso antigo nos idos de 2003, 2004… Realmente, não me lembro muito bem. 

Prendemos uma gerente da Caixa Econômica que tinha envolvimento com o Fernandinho Beira-Mar. Então, a cidade não tem um histórico com a traficância de entorpecentes.

Essa foi a maior apreensão que a Polícia Federal fez?
 
Não. A Operação Monte Perdido que fizemos no Rio de Janeiro apreendeu 750 quilos na Austrália, teve uma acho que em 1997 que deu umas sete toneladas em Tocantins. Aqui no Espírito Santo foi a segunda maior apreensão de toda historia. A maior foi de 600 e poucos quilos, 630 quilos, em 1996, e agora nós temos essa aí totalizando 445 quilos.

A imprensa divulgou que já foi descartada a participação dos donos do helicóptero na apreensão da droga. É isso mesmo?
 
Já naquela época, tínhamos um monte de detalhes que os excluíam da situação. Agora, além disso, existe um conjunto enorme de mensagens de celular (saiu ontem o laudo, mas não vamos falar delas, OK?) entre o piloto do deputado e outro piloto. Eles conversam sobre o pagamento das horas ao deputado, que acertaram ser apenas 4h, visto que ele disse que iria até São Paulo e voltaria. Seriam dois mil reais a hora. Ocorre que já estavam voando há quase 28h e combinam então de enganar o deputado. Ou seja, o deputado pode ter envolvimento em ilícitos? Pode. Mas com o conteúdo destas conversas fica absolutamente excluída qualquer chance de ligá-lo a este evento.

Quais são as perguntas às quais você ainda não teve resposta?
 
De quem é a terra eu já sei, mas por que ele a comprou, qual o real desejo de comprar essa fazenda? É coincidência alguém ter comprado uma fazenda de forma lícita, e uma aeronave carregada de entorpecentes pousa nela dias depois? De quem era essa droga? Quem são os fornecedores? Quem são os financiadores dessa operação?

Muitas perguntas…
 
Vou te dizer, essas perguntas não vão ser respondidas, e não devem ser respondidas, porque você inviabiliza o processo penal. Porque o processo penal trabalha com verdade real, não fui eu quem inventou isso. Então, não adianta você querer expandir e ficar aberto. 

Se falar assim, “Não, doutor me espera, porque eu vou procurar quem vendeu a droga lá no Paraguai, na Bolívia, no Peru, sei lá onde foi”. Eu vou achar? “Então, por que você vai abrir isso? Não me interessa.” E o direito penal trabalha com conduta fechada.

Qual a conduta atribuída aos pilotos?
 
Sim e acabou! Saiu daí, é curiosidade policial. Nós vamos atrás dessas respostas? Vamos, mas não dentro desse processo.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/01/17/a-historia-completa-do-helicoptero-do-po/