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quinta-feira, 21 de maio de 2015

O papel da teologia na cultura

21.05.2015
Do portal GOSPEL PRIME,
Por Victor dos Santos

O papel da teologia na culturaQual deve ser o papel da Teologia na cultura? Qual relação o cristianismo deve ter com as diversas culturas nesse mundo plural que vivemos? Algumas pessoas dizem que é necessário se opor a todo o tipo de aculturação, será que isso é possível?

Outras dizem que as culturas são valiosas, algumas de fato não devem ser aderidas pois ferem os valores cristãos, mas a diversidade cultural nos faz crescer, aprender e agrega valores a própria vida cristã.

Outro grupo de pessoas acreditam que todos os “ismos” tem seu valor e merece nosso respeito, se opondo a singularidade ao que julga ser simplesmente “nossa opinião”. Dentre essas e muitas outras opiniões, qual o papel da teologia e qual sua relação com a cultura?
Em termos gerais, entendemos cultura como conjunto de crenças e práticas de uma sociedade em particular, que inclui artes, religião, ética, costumes e etc. O ocidente, por exemplo, é fruto de uma cultura judaico-cristã. Nascer no ocidente significa crescer com determinados valores, costumes e possíveis crenças de acordo com o meio em que você vive. Nascer na Índia, seria ter uma forma de vestimenta diferente do ocidente, ter uma crença diferente e assim por diante, isso devido a diversidade cultural.

Sanches afirma que “cada uma das grandes religiões surgiu dentro de um determinado contexto-sócio-cultural”¹. Tendo essas informações, a teologia tem uma tarefa a realizar, identificar a influência dessas culturas a sua fé. Em tempos de pluralismo cultural e relativismo, as pessoas se confundem diante da existência de qualquer absoluto. Por acaso as Escrituras não nos apresentam alguns valores absolutos? Como a teologia lida quando a cultura fere seus princípios?

No sermão do monte, Jesus fala dos hipócritas, pagãos e acrescenta: “Não vos assemelheis, pois, a eles” (cf. Mateus 6: 8). O apóstolo Paulo escreve aos romanos: “Não vos conformeis com este século, mas transformai-vos” (cf. Romanos 12: 2). De início, poderíamos dizer que o evangelho não é compatível com o relativismo, existem verdades absolutas onde a Teologia não pode abrir mão. John Stott explica: “Certamente não devemos ser totalmente inflexíveis em nossas decisões éticas, mas devemos procurar, com sensibilidade, aplicar princípios bíblicos a cada situação”².

Temos, por exemplo, o materialismo como uma cultura do nosso século. Quando as coisas materiais abafam a vida espiritual, é necessário a teologia aplicar a verdade das Escrituras, assim como Paulo nos incentiva a viver uma vida de simplicidade (cf. Filipenses 4: 11).

A respeito da ética sexual, a cultura moral judaico-cristã traz o casamento como uma união de monogamia, heterossexual, amorosa e vitalícia. Atualmente, existe o desprezo ao casamento autentico, o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo é uma alternativa legítima ao casamento heterossexual.  Pessoas dizem que a moralidade é totalmente arbitrária, mas a Teologia apresenta o senhorio de Jesus Cristo como fundamento do comportamento cristão. Assim sendo, o cristianismo tem um ponto de referência para viver, por isso, Jesus disse que os que o amam são aqueles que tem os seus mandamentos e o guarda (cf. João 14: 21).

É possível concluir que nem sempre os cristãos conseguiram perceber a distinção entre cultura e mundo. Historicamente muitos grupos cristãos estão sendo contra a arte, a ciência, a música e etc. Esses grupos são fundamentalistas e não refletem uma postura cristã. A teologia, tem o papel de “peneirar” os diversos “ismos” e agregar o que é valioso e coerente para o momento que vivemos, recusando aquilo que prejudica a fé genuína em Jesus Cristo e seus ensinos. Podemos encerrar com uma frase de John Stott: “A igreja tem uma dupla responsabilidade em relação ao mundo e seu redor. Por um lado, devemos viver, servir e testemunhar o mundo. Por outro, devemos evitar nos contaminar por ele. 

Assim, não devemos preservar nossa santidade fugindo do mundo, nem sacrificá-la nos conformando com ele”³.

Bibliografia:

¹SANCHES, Mário Antônio. Bioética: Ciência e transcendência -São Paulo: Loyola, 2004, p. 38.
²STOTT, John.  O discípulo radical. Viçosa-MG – Ultimato, 2011, p. 19.
³STOTT, John.  O discípulo radical – Viçosa-MG MG – Ultimato, 2011, p. 13.2011, p. 13
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Fonte:http://artigos.gospelprime.com.br/papel-teologia-cultura/

Paulo Pimenta: Folha de S. Paulo ataca quem investiga a Zelotes, operação da PF que flagrou empresas de mídia e patrocinadores

21.05.2015
Do blog VI O MUNDO

PIMENTA

Folha de S.Paulo ataca quem investiga a Zelotes
por Paulo Pimenta*, via e-mail

Para minha surpresa, nesta quinta-feira (21), o colunista da Folha de S.Paulo Leonardo Souza iniciou uma “cruzada” contra todos aqueles que lutam para que não haja uma operação abafa sobre a Operação Zelotes. Acuada que está, a mídia faz diversas tentativas para desqualificar tanto a Zelotes quanto o episódio das contas secretas do HSBC na Suíça, conhecido como escândalo Swissleaks, pois ela não sabe QUEM as investigações poderão “pegar”.

O que se sabe é que nesses dois escândalos bilionários de sonegação há empresas de mídia e nomes ligados a grupos de comunicação envolvidos. Como a imprensa não controla esses episódios, ela busca estratégias para retirar a autoridade do trabalho investigativo da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, ou daqueles que buscam dar visibilidade à Operação Zelotes.

A imprensa, basicamente, não se ocupa da Operação Zelotes por três motivos: o escândalo bilionário não envolve a classe política (os envolvidos são empresas privadas, anunciantes da própria mídia); há grupos de mídia investigados; e por que parte da imprensa sustenta que sonegar é um ato aceitável, e que não se trata, portanto, de corrupção.

Chama atenção que o colunista Leonardo Souza jamais se deteve em profundidade ao assunto para informar à sociedade o que é o Carf, o que é a Operação Zelotes, como é que agiam as quadrilhas que se apropriaram de uma estrutura como o Carf para defesa dos seus próprios interesses. Pelo que se sabe, o colunista não moveu até agora uma palha para tentar esmiuçar o assunto. Quando não cala sobre a Zelotes, o colunista Leonardo Souza prefere fazer juízo de valor sobre a minha atuação, tentando colocar sob suspeita as reais intenções do nosso trabalho.

Lamento que, mesmo tendo gasto grande quantidade de papel e tinta acompanhando a Operação Zelotes e a nossa atividade parlamentar, o colunista da Folha de S.Paulo o faça sem reconhecer a realidade dos fatos, sob a frágil alegação de que os esforços engendrados por nosso mandato tenham a única finalidade de desviar a publicidade da operação Lava Jato. Qual o motivo de tratar a Lava Jato e a Zelotes como concorrentes, e não como casos de corrupção de forma semelhante, respeitando o direito que a sociedade tem de ser informada? Se o raciocínio do tal colunista procedesse, seria possível afirmar que a mídia só cobre a Lava Jato com objetivo de ofuscar a Zelotes.

Sim, Leonardo, que as autoridades investiguem a fundo a Lava Jato, a Zelotes, o HSBC, o Mensalão Tucano, o Trensalão Tucano de São Paulo e todos os casos de corrupção do país, bem diferente do que ocorria até o final dos anos 1990, quando muitos casos de corrupção eram engavetados. E que a imprensa, por sua vez, noticie todos os casos de corrupção do país.

E quando for cobrada de que não está cumprindo com o papel de informar e servir ao cidadão, de que está agindo como a quadrilha que atuava no Carf defendendo apenas seus próprios interesses, que a imprensa não busque o caminho dos ataques, da desqualificação e das suposições baseadas em ufanismos editoriais ideológicos. Que não seja autoritária como os censores da ditadura! Que não tente calar e sufocar a voz daqueles que buscam chamar atenção para a roubalheira que foi feita no Carf. Que não censure! Que não faça o que justamente critica. Combata a censura, a si próprio, e não quem defende a liberdade para se falar da Zelotes e de todos escândalos de corrupção.

Por respeitar e confiar na independência do poder judiciário é que buscamos tratamento isonômico a todas as investigações criminais envolvendo o desvio de verbas públicas. Acreditamos que entre os excessos a Operação Lava Jato e a negligência dedicada à Operação Zelotes deve existir um caminho do meio.

As estratégias da mídia são velhas conhecidas. O que há de novo é que, agora, não há mais como impedir que o público tenha acesso às informações de que os grandes grupos de comunicação estão envolvidos tanto no Swissleaks quanto na Zelotes, que apuram sonegação fiscal, corrupção, tráfico de influência e lavagem de dinheiro.

Infelizmente, a imprensa brasileira trabalha os casos de corrupção não a partir do ato em si, mas, sim, a partir de quem praticou a corrupção e quem está envolvido nesses escândalos.

 Só depois desse filtro, dessa censura prévia, e só depois de verificar se não irá atingir interesses dos grupos econômicos influentes, é que a imprensa decide qual o tamanho da cobertura jornalística que dedicará, ou, então, se irá varrer os acontecimentos para debaixo do tapete, sumindo com esses fatos do noticiário.

A mídia conhece, mais do que ninguém, os limites da sua liberdade de expressão, até onde pode ir e sobre o quê e quem falar. Nesse sentido, e parafraseando o próprio colunista Leonardo Souza, “é uma pena que o ímpeto apurativo da imprensa brasileira não se dê pela vontade genuína de ver um Brasil limpo da corrupção”.

*Paulo Pimenta, jornalista e deputado federal pelo PT-RS.

O artigo acima também foi enviado à editoria de Opinião da Folha de S.Paulo. Abaixo o ataque da Folha ao deputado Paulo Pimenta e ao PT

PT quer inflar Zelotes para contrapor à Lava Jato, por Leonardo Souza

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) iniciou uma cruzada em defesa da Operação Zelotes, aberta pela Polícia Federal em março, num trabalho conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita, para apurar fraudes no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), espécie de tribunal superior para julgar autuações lançadas pelo fisco.

Pimenta é relator da submissão da Câmara criada para acompanhar o trabalho dos investigadores no curso da Operação Zelotes. Por iniciativa do deputado gaúcho, foram ouvidos nesta quarta-feira (20), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, presidida pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP), os delegados da PF encarregados da investigação. Na semana passada, fora a vez do procurador Frederico Paiva, chefe da força-tarefa do MPF para o caso.

A Zelotes merece toda a atenção do poder público. Estima-se que as fraudes no Carf alcancem R$ 19 bilhões. Segundo o MPF, há provas consistentes de ilegalidades cometidas no julgamento de autuações que somam mais de R$ 5 bilhões.

Os valores envolvidos são muito maiores do que qualquer outro escândalo do vasto noticiário da corrupção brasileira. Assim, a iniciativa de Pimenta e de outros petistas seria muito bem-vinda, não fosse a verdadeira motivação para tal empenho.

O deputado não esconde que deseja um contraponto à Lava Jato, operação que desvelou as barbáries cometidas na Petrobras na gestão petista e que já arrastou para o centro do escândalo alguns nomes estrelados do partido, como ex-tesoureiro João Vaccari Neto.

Pimenta já aventou a possibilidade de solicitar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que acompanhe os desdobramentos da Zelotes. Ao contrário da Lava Jato, que já levou à cadeia empresários, políticos, doleiros e lobistas, na Zelotes a Justiça negou os 26 pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público até aqui.

Pimenta acusa a imprensa de deliberadamente ofuscar a Zelotes, como num golpe para manter somente a Lava Jato e seus investigados sob os holofotes. “A sociedade não aceitará uma operação abafa sobre a Zelotes”, já bradou o deputado.

“Curiosamente, a Zelotes não é noticia, e a chamada grande mídia não demonstra nenhum interesse em ter acesso ao processo, em cobrar providências. Como explicar à sociedade brasileira que um esquema que causou um prejuízo aos cofres públicos de R$ 19 bilhões não seja de interesse público?”, questiona o congressista.

As afirmações do deputado não condizem com a realidade. Nesta Folha há vários repórteres escalados para cobrir o assunto, assim como em todos os grandes veículos de comunicação do país. Já foram consumidos muitos quilos de papel e litros de tinta (e incontáveis megabytes na internet) na cobertura do tema.

É uma pena que o ímpeto apurativo do deputado não se dê pela vontade genuína de ver um Brasil limpo da corrupção.

Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/politica/paulo-pimenta-folha-de-s-paulo-ataca-quem-investiga-a-zelotes-operacao-da-pf-que-flagrou-empresas-de-midia-e-patrocinadores.html

A polêmica da Ferrovia Transoceânica

21.05.2015
Do portal da Agência Carta Maior
Por BBC Brasil (via GGN) 

Folha de S.P 'Uma estrada no meio da Amazônia para atender ao mercado chinês (...) seria uma ilusão acreditar que não vai haver impacto', critica diretor do Greenpeace.

Uma ferrovia que começa no Rio de Janeiro banhada pelo Oceano Atlântico, atravessa a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes, e termina na costa peruana em pleno Oceano Pacífico: este é o ambicioso plano que a China quer consolidar na América do Sul.

O projeto ganhou novo impulso com a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à região, que começou na noite da última segunda-feira no Brasil e ainda inclui escalas na Colômbia, Peru e Chile.

Nesta terça-feira, Li Keqiang se encontrou com a presidente Dilma Rousseff em Brasília. Na ocasião, foram assinados 35 acordos de cooperação entre os dois países, englobando áreas como planejamento estratégico, transportes, infraestrutura, energia e agricultura.

Durante o encontro, a presidente Dilma declarou que Brasil, China e Peru iniciaram os estudos de viabilidade da conexão ferroviária entre o Atlântico e o Pacífico. "Trata-se da ferrovia transcontinental que vai cruzar o nosso país no sentido leste oeste cortando o continente sul-americano", disse a presidente que, logo depois, em conversa com repórteres, classificou a ferrovia como "estratégica para o Brasil".

De Brasília, Li Keqiang segue para o Rio de Janeiro, onde deve participar da inauguração de uma exposição de marcas chinesas e um passeio de barco pela baía de Guanabara. A agenda do premiê chinês no Brasil termina na próxima quinta-feira.

Ferrovia

Com o projeto da ferrovia, Pequim pretende aumentar sua presença econômica no continente e facilitar o acesso a matérias-primas, o que também gera interesse do Brasil e do Peru.

Em declaração no início da tarde desta terça-feira durante o encontro com Li Keqiang, a presidente Dilma Rousseff afirmou que, com a ferrovia, "um novo caminho para a Ásia se abrirá para o Brasil, reduzindo distâncias e custos".

Especialistas acreditam que a construção da estrada de ferro marcaria uma nova fase na relação da China com a região. No entanto, para que o projeto saia do papel, será necessário superar grandes desafios de engenharia, ambientais e políticos, dizem analistas ouvidos pela BBC.

"Seria uma grande conquista e uma peça-chave da relação da China com a América do Sul, se esse projeto realmente sair do papel", diz Kevin Gallagher, professor da Universidade de Boston e autor de estudos sobre a relação China-América Latina.

"Todo o projeto é uma grande promessa, mas deve ser bem feito ou pode se tornar um pesadelo", ressalva.

Intercâmbio

Keqiang começa sua visita ao Brasil em meio a um momento de desaceleração das economias chinesa e sul-americanas.

A região deve crescer neste ano menos de 1% de acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional), em parte por causa de uma atividade econômica mais fraca no Brasil. E a falta de infraestrutura continua a ser um de seus principais problemas.

A China, por sua vez, necessita de recursos naturais para sustentar sua expansão econômica e tem interesse primordial na construção de projetos ferroviários em outras regiões do globo.

Neste contexto, a Ferrovia Transoceânica, cujo custo é estimado em até US$ 10 bilhões (R$ 30 bilhões), poderia cobrir as necessidades dos vários países envolvidos.

"Próximo passo"

Com a popularidade em baixa e abalada por escândalos de corrupção, Dilma prepara um programa de concessão de infraestrutura previsto para ser lançado em junho.

Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, trechos da ferrovia até a fronteira com o Peru estariam contemplados na segunda etapa das licitações.

Estudos técnicos já foram iniciados em solo brasileiro para ligar o porto de Açu, no Rio de Janeiro, a Porto Velho, na bacia amazônica.

A ligação da capital de Rondônia ao Pacífico daria a produtores brasileiros uma alternativa sobre o Atlântico e o Canal do Panamá para enviar matérias-primas para a China.

"Há uma lógica econômica por trás do projeto", disse João Augusto Castro Neves, analista para América Latina da consultoria Eurasia Group.

Nos últimos anos, a relação entre a China e o Brasil é muito focada no aspecto comercial, com o aumento das exportações de produtos como soja e ferro para o gigante asiático.

Mas, segundo Castro Neves, obras como a da Ferrovia Transoceânica poderiam agregar valor a esse vínculo. "É o próximo passo no relacionamento", diz ele à BBC.

Protestos

O projeto exacerbou as já tensas relações entre o Peru e a Bolívia, cujo presidente, Evo Morales, protestou ao saber que a estrada de ferro passaria por fora do território boliviano.

"Não sei se o Peru está jogando sujo", disse Morales em outubro. Segundo ele, a ferrovia seria "mais curta, mais barata" se passasse pela Bolívia.

No entanto, o presidente peruano Ollanta Humala descartou essa possibilidade em novembro, comentando sobre um acordo com a China para iniciar os estudos do projeto.

O trem vai passar "pelo norte do Peru, por razões de interesse nacional", disse Humala.

Juan Carlos Zevallos, economista que presidiu a agência reguladora de transportes peruana OSITRAN argumenta que a região apresenta "desenvolvimento consolidado" de infraestrutura para explorar a estrada de ferro, incluindo o porto de Paita, ponto de chegada da ferrovia.

Na opinião de Zevallos, o projeto facilitaria a entrada de produtos peruanos no Brasil, o maior mercado regional. "Esse é o interesse", disse ele à BBC.

'Problemas'

Especialistas antecipam possíveis problemas com grupos indígenas e defensores do meio ambiente, dada a possibilidade de que o trem passe por áreas consideradas sensíveis.

"Uma estrada no meio da Amazônia para atender ao mercado chinês (...) seria uma ilusão acreditar que não vai haver impacto", critica Paulo Adario, diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace.

Adario observou, contudo, que "a ferrovia tem menor impacto do que a rodovia para o escoamento da produção" e defendeu que sejam feitos estudos para medir o impacto socioambiental da obra.

Também há desafios de engenharia e custos para a construção de um trem que cruze a Cordilheira dos Andes e desemboque no Pacífico.

Castro Neves alertou que, se não houver planejamento adequado, o projeto pode terminar paralisado, como outras grandes promessas de investimentos na infraestrutura da região.

"A questão não é apenas injetar dinheiro", diz ele.

Gallagher disse que o projeto vai representar "um verdadeiro teste para a relação" entre Pequim e da região.

"Se conseguir construir um trem de alta velocidade que funcione e facilite o comércio com a América Latina, de modo inclusivo e sem prejudicar o meio ambiente, a China tem tudo para se tornar a nova 'queridinha' da América Latina", conclui.
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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Meio-Ambiente/A-polemica-da-Ferrovia-Transoceanica/3/33535

As táticas sujas da mídia golpista para abafar a Zelotes

21.05.2015
Do blog O CAFEZINHO

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A Folha se tornou um jornal muito esquisito.
 
Fui dar uma olhada na capa do portal. Sem surpresa: só dá Lava Jato, Dirceu, o de sempre.

A manchete é sobre a prisão de um empresário que tinha feito pagamentos a Dirceu, pelos serviços de consultoria que o ex-ministro prestava, sem esconder isso de ninguém.

Claro, quando interessa, o sujeito não é mais empresário: vira “lobista”, “operador”.

A linguagem é muito importante para estabelecer a narrativa.

Sergio Moro incluiu no texto o seu estilo barbosiano: diz que acha “suspeito” que alguém tenha contratado Dirceu.

O empresário em questão já declarou em juízo que Dirceu prestou serviços prospectando negócios no exterior.

Não adianta.

Moro escreveu aquele texto de Rosa Weber, que condenou Dirceu usando a famigerada frase: “não tenho provas contra Dirceu, mas a literatura me permite condená-lo”.

Parece que Moro continua pensando do mesmo jeito.

Prende as pessoas porque acha “estranho”. É como se Dirceu tivesse se tornado um vampiro. Qualquer pessoa que tenha contratado seus serviços, se torna também vampiro aos olhos de Moro – e da mídia.

É uma maneira de um setor radicalizado da oposição se vingar dos empresários que não se juntaram ao coro midiático do “delenda Dirceu”.

Mas eu queria falar de outra coisa.

Logo abaixo da manchete, vemos uma chamadinha ultra discreta para a Operação Zelotes, que envolve valores bem mais altos que a Lava Jato, e não corresponde a nenhuma obra, nenhuma refinaria, plataforma, hidrelétrica. É a corrupção pura, aquela que talvez Merval 

Pereira chamasse “corrupção do bem”.

A chamada: “PT quer inflar Zelotes.”

Ah, bom!

O PSDB não quer “inflar a Lava Jato”, nunca quis “inflar o mensalão”, mas o PT quer “inflar a Zelotes”.

A matéria, assinada por Leonardo Souza, é completamente esquizofrênica, porque o seu teor, o seu tom, a sua linha editorial, confirmam exatamente o que o texto procura denunciar como “delírio” do deputado Paulo Pimenta (PT-RS): o de que a mídia quer abafar esse escândalo.

Ora, os últimos dias trouxeram várias novidades sobre a Zelotes. Paulo Pimenta trouxe os delegados responsáveis pela investigação, que deram depoimentos ricos em informação. 

Houve um debate interessante na Câmara sobre as insuficiências do sistema para reprimir os crimes tributários.

Foi criada uma CPI no Senado, há somente dois dias!

Não falta assunto.

O que a Folha podia fazer: entrevistar especialistas em direito tributário; ativistas pela justiça fiscal; pesquisar como é feito o combate ao crime tributário em outros países; correr atrás da repercussão da Zelotes na sociedade civil, política e empresarial.

Nada disso. A Folha não agrega informação nenhuma. Não ataca os sonegadores. Não repercute a denúncia do procurador e do deputado, de que o juiz da Zelotes não está ajudando.

Ao invés disso, a Folha publica um texto contra o parlamentar que lidera, há tempos, uma luta solitária contra os grandes esquemas de sonegação no país.

É muito cinismo.

E confirma que o Brasil, se quiser lutar contra a corrupção fiscal, não poderá contar esta mídia que aí está: vendida, partidária, e, mais que nunca, golpista.

Ah, e sonegadora também.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/05/21/as-taticas-sujas-da-midia-golpista-para-abafar-a-zelotes/

Essa guerra política está prejudicando a sua vida

21.05.2015
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
tiro no pé

Escrevo poucos minutos antes de ir para o aeroporto tomar um voo até Teresina (PI), onde participarei de um encontro local de blogueiros pelos próximos três dias – minha participação será no sábado (23), por volta das 13 horas.

O post da sexta-feira, portanto, será escrito de uma região do país que quero muito conhecer, pois tal conhecimento me faz falta. Acredito que a viagem me permitirá exterminar estereótipos erigidos contra uma das regiões mais estereotipadas do Brasil.

Até lá, quero deixar o leitor com um apelo. Chegou a hora de cada um, não importando qual for sua visão político-ideológica, começar a pensar um pouco em si mesmo. Claro que este chamado não visa os que lucram ou perdem com a política; dirijo-me ao cidadão comum.

Você, homem da multidão, que não integra grupos de interesse organizados, tem que refletir sobre essa guerra política incessante que o Brasil vem travando em um momento em que o país deveria estar voltado para reativar a sua economia.

Não será tirando o PT do poder ou elegendo medidas administrativo-econômicas como o grande satã que a economia voltará a andar – está paralisada por uma crise política que rouba confiança dos agentes econômicos.

Na terça-feira, o PSDB levou ao ar um programa eleitoral televisivo em que tentou vender ao brasileiro que sua vida não melhorou ao longo da última década e que o problema da corrupção no país é uma invenção do PT.

Vamos falar sério: isso é uma loucura.

Na quinta-feira, o partido entra com uma denúncia criminal contra o PT e diz que o impeachment “não é para agora”.

Interesses políticos à parte, essa Espada de Dâmocles foi colocada sobre a cabeça dos agentes econômicos por um partido político da importância do PSDB, que não apenas já governou o país por oito anos como tem chances consideráveis de voltar ao poder.

Você que apoia os panelaços e as manifestações antipetistas, e que vibra com iniciativas como essa do PSDB, ainda que não saiba está se prejudicando – a menos, é claro, que seja ligado a grupos políticos ou econômicos de oposição ao governo Dilma, que buscam lucro político-econômico decorrente do enfraquecimento da situação.

Se você, porém, tem apenas tendência político-ideológica mas depende do funcionamento do país – e, sobretudo, da economia – para viver bem, com tranquilidade e segurança, saiba que insuflar essa guerra política é um tiro no pé.

Essa paralisia que a política está impondo à economia a fará piorar muito antes de melhorar. E tudo por nada.

Não caia nessa esparrela de que a corrupção vai acabar se o PT for “exterminado”. Se fuzilassem todos os políticos, filiados e simpatizantes petistas, a corrupção não diminuiria um milésimo por cento.

Você odeia o PT? Ótimo, vote na oposição em 2018. Quer criticar, critique. Mas não apoie essa política de terra-arrasada que o PSDB e setores da imprensa estão fazendo. Não apoie os presidentes das duas Casas do Congresso usarem suas influências sobre a maioria dos congressistas em prol da “solução” dos rolos deles com a Justiça.

Essas trocas de insultos incessantes entre “petralhas” e “coxinhas”, esses protestos antipetistas que agridem pessoas na rua por parecerem – apenas parecerem – petistas é mais um fator de insegurança social e econômica.

Há milhões de brasileiros favoráveis ao PSDB, ao PT, ao PMDB etc. Não são todos bons ou ruins. Entre todos, há os bons, os maus e os que não são nem bons nem maus, mas, apenas, humanos.

Já ultrapassamos todos os limites da insensatez. Chegou a hora de refletir que o Brasil é uma grande nave e que estamos todos a bordo dela.

O país tem um governo democraticamente eleito que você pode até não gostar, mas que, se não conseguir governar, mesmo que seja derrubado antes da hora, lá na frente, até lá os efeitos desse processo vão fazer vítimas. Muitas vítimas.

Você pode ser uma delas.

A economia irá afundar, a intolerância e até a violência vão aumentar, enfim, a sua vida irá piorar. Poderá pagar com seu emprego e até com a sua vida, pois o clima de beligerância entre correntes políticas contrárias já começa a descambar para a violência.

Quanto mais crise, mais gente desesperada. Quanto mais gente desesperada, maior o contingente daqueles que buscam “soluções” erradas, muitas vezes até criminosas, no auge do desespero.

O Brasil vive um problema econômico que nem é de tão difícil solução, se as paixões político-ideológicas forem deixadas de lado. Imagine o país como uma família que está gastando mais do que a renda familiar e que precisa fazer cortes de gastos. Claro que é legítimo cada familiar lutar para ser menos atingido, mas essa disputa tem que se ater a essa questão sem que cada membro dessa família fique puxando a faca um para o outro.

Contudo, não é o que está acontecendo. Há uma guerra política que chega a flertar com a violência. Não é caso, ainda, de prever um confronto civil, mas essa intolerância, esse ódio todo que se vê por aí impede a economia de retomar seu funcionamento normal.

Como já foi dito, isso assusta os agentes econômicos; torna o futuro extremamente imprevisível e o que o capital mais almeja é previsibilidade.

A próxima eleição está logo aí. Você não gosta do PT, do PSDB, do PMDB? Seja qual for o partido – ou os partidos – do qual não gosta, em 2016 você poderá mandar seu recado votando em quem quiser. E 2018 vem logo depois.

Seria bom, também, lembrar que ninguém é seu inimigo mortal só por ver a política de forma diferente da sua. Os “petralhas” e “coxinhas” têm os mesmos interesses. Nenhum deles quer ver o país afundar.

Isso não significa que não se deve criticar o governo, mas essa visão de que é preciso arrumar um pretexto para depor ou manietar um governo legitimamente eleito, repito, é um tiro – de bazuca – no seu pé.

Trocando em miúdos: enquanto Dilma estiver no poder ela tem que ter condições de governar ou você se ferra. Simples assim.

Não pense que dá para entregar o Poder Executivo a outro; ele será exercido por quem o ocupar. Se essa pessoa estiver de mãos amarradas, quem sai perdendo é o povo – do mais rico ao mais pobre.

Um governante manietado não interessa nem a quem apoia nem a quem não apoia. Um processo fajuto de impeachment – do tipo que “não é para já” – tampouco interessa ao país. Nesse meio tempo, a economia sofrerá ainda mais e você é quem vai pagar o pato.

Claro que se existisse alguma razão legítima, não decorrente do mero inconformismo com a derrota eleitoral de 2014, o país teria que passar por esse trauma. Mas porque alguns políticos querem se fortalecer para 2018 você vai deixar que o governo não consiga governar?

Aí é roça. Para você

Ora, se você não tem perspectiva de uma boquinha no governo que vier a substituir o de Dilma, não vai ganhar nada com isso. Pense bem. Ponha suas paixões de lado e, pelo amor aos seus filhos, netos ou a você mesmo: reflita.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/05/essa-guerra-politica-esta-prejudicando-a-sua-vida/

Sindsprev realizou seminário para fortalecer campanha salarial

21.05.2015
Do portal SINDSPREV.PE, 15.0515
Por Edmundo Ribeiro

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        Economista Luiz Moura fez uma análise da conjuntura econômica no Brasil

No dia 15/05, pela manhã, no auditório do Centro de Formação e Lazer (CFL), o Sindsprev-PE realizou o Seminário Campanha Salarial 2015, com o objetivo de fortalecer a luta e construir vitórias. 
Estiveram presentes os servidores escolhidos pela categoria em seus locais de trabalho durante as diversas reuniões sobre a campanha salarial.  Nos locais onde ainda não aconteceram  esses encontros, foi convidado a participar do seminário o delegado sindical de base do Sindsprev Gestão 2011/2014.

No encontro foi feito um balanço do processo de negociação entre o Governo Federal e as entidades representativas dos servidores, com análises política e econômica dos possíveis cenários visando o atendimento das reivindicações da categoria. Coube ao economista do Dieese, Luiz Moura, apresentar uma análise da conjuntura econômica no Brasil e tirar as dúvidas dos participantes.
 

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                              Servidores atentos à explanação do economista

Durante o evento foram destacadas as discussões  sobre as principais reivindicações da campanha, entre elas o reajuste salarial e a incorporação de todas as gratificações. Na ocasião, os dirigentes do Sindicato ressaltaram a necessidade dos trabalhadores da nossa categoria participarem e fortalecerem as mobilizações programadas no estado.  


 CLIQUE PARA AMPLIAR
                               Seminário reuniu servidores do Recife e interior
Confira a pauta geral da Campanha Salarial 2015
 
- Índice linear de 27,3%
 
- Incorporação de todas as gratificações produtivistas

 
- Fim da terceirização que retira direito dos trabalhadores. Repudiar toda forma de terceirização, precarização e privatização

 
- Concurso público pelo RJU

 
- Isonomia salarial e de todos os benefícios entre os poderes
-  Extinção do fator previdenciário

 
- Pela aprovação da PEC 555 que extingue a cobrança previdenciária dos aposentados

 
- Pela aprovação do PL 4434 que recompõe as perdas salariais

 
- Regulamentação da jornada de trabalho para o máximo de 30 horas para o serviço público, sem redução salarial.

 
- Aprovação de aposentadoria integral por invalidez (PEC 170/2012)

 
- Implementação da paridade entre ativos, aposentados e pensionistas

 
- Combate a toda forma de privatização

 
- Liberação de dirigentes sindicais com ônus para o estado, sem prejuízo às carreiras

 
- Pela revogação do FUNPRESP e da EBSERH.
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Fonte:http://sindsprev.org.br/index.php?categoria=noticias_principais_01&codigo_noticia=0000003347&cat=noticias

Sindsprev e CNTSS apresentam pesquisa da UNb sobre gestão produtivista do INSS

21.05.2015
Do portal do SINDSPREV.PE

Na terça-feira (19/05), em Brasília, a CNTSS/CUT e o Sindsprev-PE reuniram-se com a presidenta do INSS, Elisete Berchiol e outros representantes do órgão. Participaram os dirigentes do Sindicato, Irineu Messias, Luiz Eustáquio, Leozina Barbosa e Antonio Paz, além do diretor da CNTSS, Célio dos Santos.

Inicialmente, dirigentes do Sindicato explicaram os objetivos da pesquisa sobre o modelo produtivista de gestão do INSS, baseado em metas inatingíveis, que vem provocando graves danos à saúde dos servidores. O que é agravado, em grande parte, pelas condições precárias de trabalho. O trabalho foi elaborado por especialistas da Universidade de Brasília (UNb), em parceria com o Sindsprev-PE.

Em seguida, a professora da Universidade de Brasília (UNb), Ana Magnólia, apresentou os resultados da pesquisa sobre “Gestão dos Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho”, realiza pela UNb e Sindsprev com servidores do INSS de Pernambuco.

Após as argumentações das duas partes envolvidas, trabalhadores e governo, foram obtidos os seguintes resultados:

- Participação da CNTSS no Fórum de Negociação sobre o modelo de gestão do INSS, onde deverão ser apresentadas soluções para os problemas que prejudicam a categoria e a qualidade do atendimento aos usuários.

Esta reunião faz parte de uma série de atividades políticas que o Sindsprev dará continuidade para conquistar um novo modelo de gestão humanizado para o INSS. Entre elas, o Sindicato vai lançar e divulgar uma cartilha sobre o tema no próximo mês de junho.

Também será realizada uma audiência pública na Câmara Federal para denunciar os problemas sofridos pelos servidores do INSS.

Pelo INSS, participaram também o diretor de Saúde do Trabalhador, Sérgio Carneiro; diretor de Gestão de Pessoas, José Nunes; auditor-geral substituto, Álvaro Gonçalves; procurador-chefe, Alessandro Stefanutto, entre outros.

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Fonte:http://sindsprev.org.br/index.php?categoria=noticias_principais_01&codigo_noticia=0000003351&cat=noticias

“Delação é chave de entrada e de saída da cadeia”, diz Mariz de Oliveira

21.05.2015
Do portal JORNAL GGN,19.05.15
Por Patricia Faermann

O criminalista e advogado do vice-presidente da Camargo Correa denuncia os rumos do uso de táticas de coerção na Lava Jato


Entrevista concedida a Luis Nassif e Patricia Faermann

Vídeo e edição: Pedro Garbellini

Jornal GGN - A delação premiada “pré julga, pré determina a culpa” e antecipa “limites para o cumprimento da pena, com condições e regimes”, ainda que o réu não tenha sido, sequer, interrogado. O olhar sobre a fragilidade na tramitação da Operação Lava Jato é do criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do vice-presidente da Camargo Correa, Eduardo Hermelino Leite.

Com mais de 50 anos de experiência na Justiça, em entrevista exclusiva ao GGN, Mariz anunciou estar diante de uma “inovação total” do direito penal. “A delação tem credibilidade antes de investigação qualquer sobre a veracidade”, explicou. A consequência do alto poder ofertado às declarações dos réus é a blindagem que abre espaço para a pouca apuração da Polícia Federal, disse o criminalista, ocasionando ainda na inversão da lógica de que o ônus da prova é de quem acusa. Ou seja, os denunciados passam a ser cobrados a provar que são inocentes.

“Eu fico me indagando qual é o meu papel doravante. Porque já há uma série de amarrações do acordo de delação que prejulgam no que diz respeito à culpa dele, já está determinada”, questionou Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, atentando para os consequentes cerceamentos de respostas do denunciado. “Ele vai ser interrogado e eu terei um prazo para oferecer alegações finais, que é o ponto culminante do processo: o que eu direi, o que eu falarei?”, perguntou, uma vez que seu cliente, Hermelino Leite, por firmar acordo de delação com a Força Tarefa da Lava Jato, automaticamente estaria consentindo com parcela de responsabilidade.


Mariz denuncia que a motivação destes fatos situa-se na Justiça Federal do Paraná, ao lado do seleto grupo de procuradores da República, que investigam os casos de corrupção da Petrobras. Para ele, hoje, os julgamentos e rumos que tomam a Lava Jato estão “submissos à vontade do Ministério Público”.  Ao invés de imperar “o processo do contraditório, a igualdade de tratamento entre as partes”, características do processo acusatório, o criminalista indica que há uma força que induz à submissão das vontades dos procuradores.

“Se eu não me submeter, eu não farei a delação e continuarei preso”, resumiu, em exemplo. “Se quiser sair de lá [das prisões temporárias], tem que fazer o acordo”, completou, indicando a coerção empregada pelos investigadores.

O apontamento reflete um segundo questionamento: o da legalidade das prisões preventivas. Para o advogado do vice-presidente da Camargo Correa, “foge a todos os parâmetros”. “A prisão preventiva é uma prisão excepcional, porque ela quebra o princípio da inocência, da presunção da inocência”, defendeu.

“Eu só posso prender se houver necessidade da prisão, para a instrução processual, para a ordem pública, para a aplicação da lei penal. E que necessidade é essa? É factual: se o sujeito fugiu do país, ameaçando testemunha, está em praça pública conclamando o povo a cometer crime”, ou em atos que a liberdade do réu está sendo nociva, explicou.


As duas medidas – delação premiada e prisões preventivas – tornaram-se poderosas ferramentas nas investigações da Lava Jato, à custo, por outro lado, de direitos constitucionais fundamentais, como o de liberdade e o de resposta, lembrou Mariz.

“É o seguinte: a delação transformou-se numa chave de entrada e numa chave de saída da cadeia. Prendo para delatar, solto porque delatou. O instrumento hoje da coerção para a delação é a prisão”, denunciou o criminalista.

Para ele, o instituto da delação premiada é “balela” e mesmo que “fosse um instituto importante para desbaratar o crime organizado, teria que ser normatizado, pensado, refletido”. O que manteria a utilização dessa ferramenta é a comodidade, entende Mariz.

“É que a delação é cômoda, a escuta telefônica é cômoda, não tem problema, são investigações incruentas, porque o sujeito não precisa trocar tiro com ninguém, não precisa fazer campana, enfim, a investigação hoje está cada vez mais reduzida a esses dois instrumentos”, concluiu.
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Fonte:http://jornalggn.com.br/noticia/%E2%80%9Cdelacao-e-chave-de-entrada-e-de-saida-da-cadeia%E2%80%9D-diz-mariz-de-oliveira