segunda-feira, 23 de março de 2015

Dirceu esclarece caráter público e legalidade de suas viagens de trabalho ao exterior

23.03.2015
Do BLOG DO DIRCEU, 19.03.15
O jornalista Fausto Macedo publicou em seu blog no jornal O Estado de S.Paulo reportagem sob o título “Passaporte de Dirceu revela viagens a paraíso fiscal”.  O blogueiro publicou a notícia, ontem, inicialmente sem os esclarecimentos do ex-ministro, prestados através de sua assessoria. Eles foram enviados ontem mesmo, mas só foram acrescentados à notícia depois numa atualização da reportagem.
Ainda assim, o blogueiro divulgou apenas parcialmente os esclarecimentos prestados pelo ex-ministro via assessoria. E mantém a versão de que Dirceu abriu uma filial de sua empresa, a JDA Consultoria, para operar no Panamá, o que não ocorreu. “O pedido de abertura de filial sequer chegou a ser registrado naquele país, sendo revogado, por decisão da própria empresa, que seguiu todos os trâmites da legislação brasileira”, diz a nota da assessoria encaminhada ao blogueiro. “Destacar o Panamá apenas como “paraíso fiscal”, colocando em suspeição a licitude das viagens do ex-ministro, leva a uma leitura enviesada da atuação da JD no mercado externo”, completa a nota.
Com relação ao Panamá, a assessoria do ex-ministro esclarece que ele esteve no país diversas vezes, sendo recebido por Martin Torrijos quando presidente da República e, depois, já como ex-presidente. Dirceu foi recebido, também, pelo ministro de Relações Exteriores Samuel Lewis e por Nils Castro, um veterano companheiro de lutas contra as ditaduras e que na ocasião era assessor especial da Presidência da República panamenha.
Dirceu voltou várias vezes ao Panamá, inclusive na companhia do presidente Lula, quando foram recebidos pelo novo presidente Ricardo Martinelli (sucessor de Torrijos), participando de atividades e inaugurações de obras construídas por empresas brasileiras. O trabalho do ex-ministro consistiu em lutar pela atuação de empresas brasileiras naquele país, inclusive em reformas no Canal do Panamá e em obras de infraestrutura. Todas as visitas de Dirceu e as atividades nela desenvolvidas foram públicas.
Leiam a íntegra da nota encaminhada ao jornalista Fausto Macedo:
“A JD Assessoria e Consultoria ressalta que o ex-executivo da Engevix, Gerson Almada, confirmou em seu depoimento que nunca conversou sobre Petrobras com o ex-ministro e que Dirceu nunca fez pedido à empresa para doações eleitorais. Almada também afirmou à Justiça que o contrato com a JD teve o objetivo de prospecção de negócios no exterior, sobretudo Peru e Cuba.
De 2006 a 2013, o ex-ministro José Dirceu fez cerca de 120 viagens ao exterior a trabalho, percorrendo cerca de 30 países – com frequentes viagens a Portugal, Venezuela, Estados Unidos, Peru, Panamá e República Dominicana. Destacar apenas o Panamá como “paraíso fiscal”, colocando em suspeição a licitude das viagens do ex-ministro, leva a uma leitura enviesada da atuação da JD no mercado externo.
A JD também reitera, conforme já informou em mais de uma oportunidade o jornal O Estado de S. Paulo, que nunca estruturou qualquer operação no Panamá. O pedido de abertura de filial sequer chegou a ser registrado naquele país, sendo revogado, por decisão da própria empresa, que seguiu todos os trâmites da legislação brasileira.
ENGEVIX NO PERU
No depoimento dado à Justiça do Paraná na última terça-feira, o executivo Gerson Almada, da Engevix, detalhou a relação com o ministro José Dirceu, desmentindo a ligação da JD com contratos da Petrobras.
“Ele (Dirceu) se colocou à disposição para fazer um trabalho junto à Engevix no exterior, basicamente voltando a vendas da empresa em toda a América Latina, Cuba e África, que é onde ele mantinha um capital humano de relacionamento muito forte”, disse o empresário. O ex-executivo da Engevix afirmou à Justiça que se reuniu com José Dirceu somente depois que o ex-ministro deixou o governo.
“Foi num hotel e, depois, tive duas reuniões no escritório do ministro José Dirceu e ali combinamos uma atuação voltada principalmente para o Peru e Cuba. Fizemos uma viagem para o Peru com o José Dirceu, onde ele tinha um excelente relacionamento. É o que a gente chama de open door, (Dirceu) fala com todo mundo, bota você nas melhores coisas, mas não resolve o close door. A gente tem que fechar contratos. Ele nos colocava em contato com vários tipos de relacionamentos.”
No período da prestação de serviços da JD Consultoria, a construtora atuou em estudos para construção de hidrelétrica, projetos de irrigação e linhas ferroviárias no Peru.
Durante a vigência do contrato, o ex-ministro José Dirceu fez viagens a Lima, no Peru, para tratar de interesses da Engevix – fato também confirmado pelo empresário Gerson Almada. Também fez diversas reuniões, aqui no Brasil, com executivos da companhia.”
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Fonte:http://www.zedirceu.com.br/dirceu-esclarece-carater-publico-e-legalidade-de-suas-viagens-de-trabalho-ao-exterior/

Carta Aberta do Grupo de Estudos e Pesquisas Paulo Freire

23.03.2015
Do blog MARIAFRÔ, 21.03.15
Por Maria Frô

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Prezados(as), O Grupo de Estudos e Pesquisas Paulo Freire (GEPPF), registrado no CNPq, e localizado no Centro de Educação da Universidade Federal do Espírito Santo, foi constituído recentemente com o objetivo de empreender estudos e pesquisas, e também de construir um espaço dialógico sobre a obra freireana no Espírito Santo, tendo em vista realizar aquilo que o professor nos pediu em vida: mais que divulgar e/ou “aplicar” suas ideias, discutir e recriar sua obra.
Infelizmente, nosso primeiro ato oficial, depois da certificação institucional, não foi um evento, curso ou pesquisa, mas uma carta que altivamente busca defender Paulo Freire, sua obra e memória de injustas acusações de setores conservadores que, no âmbito da luta de classes (como não nos deixava esquecer, nem nos enganar), ousam atacar publicamente nosso mestre Paulo Freire, aproveitando-se das manifestações de 15/03/2015.
Nossa carta foi construída pelas mãos dos professores pesquisadores que compõem o grupo (Itamar Mendes da Silva, Valter Martins Giovedi e Débora Monteiro do Amaral) e foi lida pelo professor Itamar (que é Conselheiro Estadual de Educação) na sessão plenária do Conselho Estadual de Educação do Espírito Santo no dia 18 de março, sendo aprovada por unanimidade e publicada na página do CEE-ES. Neste contexto queremos dividi-la com vocês.
Grupo de Estudos e Pesquisas Paulo Freire (GEPPF).
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Carta Aberta: Obrigado Paulo Freire!
Prezados(as),
Vimos à presença de vocês pedindo licença para nos posicionarmos, primeiramente enquanto educadores(as) capixabas e brasileiros, e depois como estudiosos/pesquisadores da educação, frente a algumas manifestações particulares no interior das manifestações do último domingo, dia 15/03/2015.
As declarações de ódio explícito a Paulo Freire e sua suposta “pedagogia de doutrinação comunista” foi uma das marcas dos protestos ocorridos no último domingo em vários lugares do Brasil.
Certamente, quem estendeu cartazes desse tipo atacando, senão o maior, um dos maiores educadores brasileiros de todos os tempos, reconhecido internacionalmente como autor de uma obra magnífica e também como símbolo de uma práxis pedagógica a serviço da construção de uma sociedade mais humana, justa e democrática, desconhece a sua história, não leu a sua obra ou, se leu, não a compreendeu.
Qualquer leitor atento da obra de Freire é obrigado a reconhecer que a sua Pedagogia é atravessada pelo princípio do diálogo como método essencial de construção do conhecimento. Não conseguimos entender como é possível que alguém que afirma e reafirma reiteradamente o diálogo como o caminho necessário para uma educação que respeita a autonomia dos educandos, pode ser rotulado de doutrinador.
A educação é por princípio uma atividade de difusão de valores políticos, axiológicos, estéticos, ideológicos etc. Freire insistia em nos alertar: NÃO EXISTE EDUCAÇÃO NEUTRA.
Transmitir conteúdos prontos sem problematizar os diferentes usos que se faz e que se pode fazer deles na vida concreta da sociedade tem sido a prática dominante da educação escolar brasileira há séculos. Tal processo tem ocorrido de modo dogmático, autoritário, antidialógico e antidemocrático. Ou seja, promovendo (aí sim) uma doutrinação política em favor de uma ordem autoritária, hierárquica, injusta, formadora de sujeitos submissos, incapazes de compreender o uso social do conhecimento que é sempre subordinado a algum interesse.
Freire explicitou que não existe conhecimento e professor que pairam acima das circunstâncias sociais. A educação não é neutra, ao contrário, é sempre a favor ou contra algo, a favor ou contra alguém, a favor ou contra uma dada realidade. Assumindo-se o caráter eminentemente político de qualquer ato educativo, o educador, de fato, não é aquele que se diz neutro, e sim aquele que abre o diálogo com os educandos a respeito das suas visões de mundo, problematizando-as e buscando seus fundamentos. Freire nos ensinou a fazer isso, ou seja, ensinou-nos a fazer uma educação adequada a uma sociedade democrática.
Tempos difíceis esses em que vivemos. Pessoas que não se importam de marchar junto com outras que pedem intervenção militar acusam Paulo Freire, um dos maiores símbolos da luta democrática do Brasil, de defender a doutrinação na educação. Se tivéssemos certeza de que esse tipo de deturpação e inversão da realidade não passasse de mera provocação sem maiores danos, nem precisaríamos nos dar ao trabalho de responder e comentar. Porém, infelizmente, não é assim. A história nos ensina que um povo movido por ódio, ignorância, irracionalidade e manipulação midiática pode provocar muitos estragos.
Pode, inclusive, manchar uma obra reconhecida mundialmente, independentemente do sistema político adotado, pois se trata de uma obra moderna, humanista, democrática e defensora do respeito aos seres humanos e seus direitos. Inclusive os que com honestidade intelectual e política discordam, reconhecem que é uma obra eminentemente dialógica.
O Brasil, com suas condições objetivas, produziu no decorrer do século XX este educador e pensador da educação reconhecido pelo mundo, que não sejamos nós, neste início de século XXI a desfazer esta lição de diálogo e democracia.
Freire nos ensinou a fazer da educação um instrumento de luta a favor dos mais vulneráveis da sociedade e revelou que a educação hegemônica tem servido aos poderosos. Seja por desonestidade, seja por ignorância, seja por manipulação, seja por cumplicidade com a ordem social vigente no planeta, os que levantam cartazes contra Paulo Freire fazem um desfavor à educação do Brasil e do mundo.
Diante de tudo o que dissemos anteriormente resta-nos concluir dizendo e conclamando a todos(as) educadores(as) deste país a se indignar, dizendo:
OBRIGADO PAULO FREIRE: por ter aberto os nossos olhos sobre o potencial da educação.
OBRIGADO PAULO FREIRE: por ter nos legado uma obra de tanto valor.
OBRIGADO PAULO FREIRE: por nos deixar orgulhosos por saber que um brasileiro é tão lido e respeitado no mundo inteiro, inspirando milhões de educadores e estudiosos, que veem em sua vida e em sua obra uma inspiração para continuar lutando contra todas as formas de opressão e para continuar desvendando as deturpações promovidas por aqueles que se acham os únicos merecedores de uma vida digna.
Grupo de Estudos e Pesquisas Paulo Freire (GEPPF) da Universidade Federal do Espírito Santo
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2015/03/21/carta-aberta-grupo-de-estudos-e-pesquisas-paulo-freire/