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sábado, 28 de fevereiro de 2015

O papel de Lula contra o golpe

28.02.2015
Do BLOG DO MIRO, 27.02.15

Por Bepe Damasco, em seu blog:

De cara, reproduzo uma conversa presenciada por mim, na manhã tórrida de verão desta quinta-feira (26 de fevereiro) , entre um atendente de uma lanchonete da Zona do Sul do Rio e um típico representante da classe média antipetista e reacionária.

Trabalhador: Oi doutor, tudo bem? Este ano vai ser difícil para todo mundo, não é? Tem um professor da PUC que frequenta aqui que disse que quem tem algum dinheirinho não deve investir em nada. É melhor esperar para ver para aonde vai o país.

Coroa coxinha: É, com tanta roubalheira fica difícil. Os caras não têm limites para roubar. Nunca vi coisa igual. O resultado é que este ano as contas de luz vão disparar de preço.

Trabalhador: Eu sempre gostei e votei no PT, mas estou decepcionado. O partido virou uma quadrilha. Na Rocinha, onde eu moro, o pessoal até encarna em mim, me chamando de petista.

Coroa coxinha: Ainda bem que eu nunca votei.

Trabalhador: Também um partido que tem Palocci, Zé Dirceu e Dilma, tudo ladrão ...

Coroa coxinha: E todos eles nunca trabalharam antes de entrar para a política. Eram vagabundos.

Desisti, por motivos óbvios, de pedir uma água de coco neste estabelecimento e segui adiante na minha caminhada matinal. Impossível não refletir em seguida sobre o estrago causado na imagem do PT, do governo e da esquerda por anos a fio de não enfrentamento do monopólio midiático. O preço de os governos do PT não levarem a discussão da regulação da mídia para a sociedade em termos concretos e objetivos, de continuar financiando os inimigos com verbas publicitárias bilionárias, e de não ter uma política de comunicação organizada e contundente para se contrapor ao PIG, é alto. 

A direita está assanhada como há muito não se via, afiando as garras do golpe à luz do dia. O diálogo que reproduzi acima contribui para jogar por terra uma avaliação equivocada muito comum entre os analistas ligados à esquerda : não é verdade que o rombo na imagem do PT e do governo seja um fenômeno político limitado apenas aos estratos médios e abastados da sociedade. Infelizmente, como se viu na campanha eleitoral e agora se agrava, transbordou em direção à classe média baixa e aos pobres.

A crise é grave. Oxalá o grande ato em defesa da Petrobras sirva para alavancar os movimentos social e sindical. Que a manifestação seja apenas a primeira de uma série de mobilizações em defesa da maior empresa brasileira e da democracia. Essa campanha pode dar liga. Contudo, faz parte da cultura do nosso país a personificação da atividade política. No Brasil, não há movimentos vitoriosos sem lideranças fortes.

Por isso, se constitui um trunfo e tanto contar com um líder de massa como Lula, o melhor presidente da história do Brasil, segundo todas as pesquisas feitas desde que saiu do governo, do lado de cá da trincheira. Mas é preciso que o bravo Lula assuma de fato a liderança de um movimento nacional pela democracia. Talvez seja pedir demais para alguém que, aos 68 anos, dedicou uma vida inteira às boas causas do povo brasileiro.Sem falar que ainda tem de cuidar da saúde e se preservar para 2018.

Sem dúvida, é um sacrifício. Contudo, a liderança de Lula contra a sanha golpista é imprescindível, na linha do discurso feito por João Pedro Stédile na ABI : "Lula, retome as caravanas pelo país, nos lidere em defesa do Brasil que nós te seguiremos."

Ficaremos te devendo mais essa, presidente.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2015/02/o-papel-de-lula-contra-o-golpe.html

Por que mídia escondeu a sonegação de R$ 502 bilhões em 2014?

28.02.2015
Do blog O CAFEZINHO,27.02.15 
Por Miguel do Rosário

sn

A confirmação de abertura da CPI do Suiçalão no Senado pode ser uma grande oportunidade.

Aliás, doravante podemos até mudar o nome dela para CPI da Sonegação.

Há algumas semanas, o Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), divulgou um estudo em que estimava a sonegação tributária no ano passado em R$ 502 bilhões.

Para efeito de comparação, os estudos oficiais sobre a corrupção no Brasil costumam estimar um prejuízo em média de R$ 70 a 80 bilhões por ano.

Um estudo da Câmara Federal estimou precisamente em R$ 85 bilhões por ano.

A Veja, que tem interesse em apresentar o Brasil como o país mais corrupto do mundo, estima que a corrupção no Brasil atingiu R$ 82 bilhões por ano.

Procurei a informação sobre o estudo do Sinprofaz na grande mídia.

Nada.

Por que “sonegaram” essa informação?

Os procuradores estimam que a redução da sonegação poderia permitir uma queda brutal da carga tributária.

Eu prefiro nem pensar assim.

Prefiro pensar que poderíamos, ao invés de reduzir a carga tributária, aprimorar de maneira extraordinária a qualidade dos serviços públicos oferecidos aos brasileiros.

Esse mais de meio trilhão de reais por ano dá para bancar, para início de conversa, uma revolução na infra-estrutura, construindo metrôs, trens, vlts, novas estradas, portos, aeroportos em todo país.

Por que a mídia abafa obsessivamente as denúncias e os debates sobre a sonegação e evasão fiscal no país, notadamente a maior do mundo, segundo a ONG Tax Justice?

Diante deste quadro, que arrasa as contas públicas nacionais, o escândalo do HSBC oferece excelente oportunidade para combatermos a cultura da sonegação.

A mesma coisa vale para a sonegação da Globo.

As eleições do ano passado, extremamente turbulentas, sobretudo por causa da morte trágica de Eduardo Campos, abafaram um pouco a divulgação dos documentos completos da sonegação da Globo.

Entrem neste post do Cafezinho, baixem os arquivos e me ajudem a estudar o processo da Receita Federal contra a Globo.

Há vários documentos com as assinaturas dos irmãos Marinho, proprietários da Globo.
Não é nenhuma “delação premiada”.

São provas materiais, concretas, de crime contra o sistema tributário nacional.

Um crime cometido por uma concessão pública de TV que ganha bilhões e bilhões de recursos públicos, de todos os governos, municípios, estatais, e todo o tipo de órgão público nacional.

A Globo é a última empresa que poderia sonegar impostos e evadir recursos para o exterior ilegalmente.

E, no entanto, ela fez isso.

A Globo não pode sair impune tão facilmente de uma operação que envolveu a tentativa criminosa de escamotear recursos que pertencem ao povo brasileiro.
Não adianta falar que pagou o Darf.

Evasão fiscal e lavagem de dinheiro não podem ser perdoados porque se pagou uma dívida.

A Justiça e o Ministério Público não zelam, de maneira tão rígida, pelo bem público, a ponto de pretenderem fechar e quebrar todas as grandes empreiteiras nacionais em nome disso?

Por que um zelo obsessivo, até mesmo destruidor, de um lado, e nenhuma disposição para investigar os grandes sonegadores nacionais?

A nossa mídia faz uma campanha sistemática contra os impostos, sem jamais explicitar que a sonegação representa o crime mais lesivo aos cofres públicos.

Por que isso, se a sonegação é a seis vezes maior que a corrupção?

Queremos mais informações sobre o estranho roubo do processo da sonegação da Globo, um roubo que resultou em grande vantagem para a emissora, porque postergou a sua transferência para a esfera criminal do Ministério Público.

Esperemos que a CPI do Suiçação, enfim, abra uma brecha neste mórbido pacto de silêncio da mídia quando o assunto é o principal problema brasileiro, aquele que atinge diretamente as contas públicas nacionais.

Também estamos curiosos para entender porque o PSDB não assinou o requerimento da criação da CPI do Suiçalão?

O PSDB não acha que a sonegação brasileira seja um problema nacional?

E a mídia, por quanto tempo vai bloquear o debate sobre a evasão fiscal brasileira?
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/02/27/por-que-midia-escondeu-a-sonegacao-de-r-502-bilhoes-em-2014/#sthash.T3u9bjU0.dpuf

A crise de memória e a diferença que o PT pode fazer

28.02.2015
Do portal da Agência Carta Maior, 24.02.15
Por  Carlos Frederico Pereira da Silva Gama

Os algozes de Dilma hoje eram destaques no circo de Collor: Calheiros, líder de Collor na Câmara e Cunha, seu chefe de campanha no Rio

Senado Federal / Flickr
“(Luís Bonaparte) gostaria de roubar a França inteira a fim poder entregá-la de presente à França, ou melhor, a fim de poder comprar novamente a França com dinheiro francês”
 Karl Marx, O 18 de Brumário de Luís Bonaparte

"Pode ser que a continuidade da tradição seja uma aparência. Mas então é a permanência desta aparência de permanência que cria nela a continuidade"
Walter Benjamin, Passagens

“Somente um pensamento que faz violência contra si mesmo é resistente o bastante para quebrar os mitos”
Theodor Adorno & Max Horkheimer, A Dialética do Esclarecimento

Dois meses após a reeleição, a Presidência está acossada, sob bombardeio constante de denúncias de corrupção. Sua popularidade cai vertiginosamente. O dólar dispara. A economia patina. A oposição sugere o impeachment – ou a renúncia presidencial. Os partidos no poder condenam as acusações: golpismo. O impeachment não vai adiante. O segundo mandato se arrasta, até seu melancólico desenlace.

A ficha cai e a memória nos traz de volta a 1999. O presidente, Fernando Henrique Cardoso. As denúncias, referentes à privatização das teles. A oposição, liderada pelo PT de Luiz Inácio Lula da Silva. Os partidos no poder, o PSDB de FHC, o PFL e o PMDB. Na ocasião, o Presidente da Câmara é Michel Temer. O Ministro da Justiça, Renan Calheiros. E Eduardo Cunha, integrante da base aliada.

A repetição de personagens não é mera coincidência.

Semelhanças entre 2015 e 1999 fazem cair por terra dois mitos.

O Brasil não vive a pior crise política de sua história, ao contrário do que alardeia parte da mídia. Longe disso: vive incômoda repetição.

A crise atual não é uma crise exclusiva do PT. O partido está no centro das atenções, mas os elementos da crise antecederam sua chegada ao poder. A trajetória da repetição mantém o PMDB credor político dos governos eleitos, com força e desenvoltura para desequilibrar suas gestões.

Que diferença pode fazer o PT na crise atual, em meio à governamentalidade refém da repetição?

A disseminação de uma ideologia tecnocrática foi fundamental para a continuidade na política brasileira. Esta ideologia adota uma imagem do Brasil como empreendimento ineficiente perpetuamente a perigo. O Brasil em cíclico insucesso se sustenta precariamente à beira da falência, em contraste com um progresso sempre adiado entre crises.

Crises ocupam lugar central nessa ideologia, momentos em que o progresso adiado é “dado” aos brasileiros por um grupo de experts salvadores. A naturalização do progresso (o berço esplêndido, do país do futuro, onde se plantando tudo dá) ocupou papel central na legitimação de elites políticas brasileiras, da proto-tecnocracia da República Velha ao positivismo-em-armas das muitas ditaduras.

A última encarnação desse salvacionismo tecnocrático foi o Plano Real, ungido pela ekipekonômica de FHC em meio à inflação de quatro dígitos, à ressaca do impeachment de Fernando Collor e ao escândalo dos anões do Orçamento num Congresso composto, no dizer de Lula, por 300 picaretas (frase que permanece atualíssima). Um contexto bem mais dramático que o atual.

A lógica da governamentalidade promete a superação das crises, “solucionados” quebra-cabeças herdados de gestões anteriores mas mantendo o Brasil num futuro indeferido, obra ineficiente que demanda novas levas de intervenção iluminada. Ao lado de gestores salvadores, viceja o PMDB – o fisiologismo que se liquefaz nas alianças eleitorais e que se condensa, pós-eleições, em cobranças. Ambos, competentes em blindar a governabilidade de demandas e contestações dos cidadãos.

A construção da governamentalidade é simbolicamente retrospectiva: imagens do Brasil ineficiente se sucedem qual ondas, que sedimentam camadas de um relacionamento vertical entre Estado e Sociedade, renovado a cada crise e nova chegada de experts para levar doses homeopáticas de progresso à população “atolada” no mar de lama do atraso. O Estado seria o eixo de revitalização do Brasil. Suas decisões desaguariam nas manifestações da sociedade civil.

A ideologia tecnocrática afetou durante décadas a governança da Petrobrás e outras empresas; se repete, viciosamente, lastreada na reprodução de crises como “salvação”. Outro efeito tecnocrático é a estratificação social, nítida na propaganda eleitoral de 1998. FHC (que legou a direção-geral da Agência Nacional de Petróleo a seu genro) caracterizava o Real como melhoria na vida de todos os brasileiros: para uns melhorou mais, para outros melhorou menos, mas que melhorou, melhorou.

O progresso em doses homeopáticas e assimétricas não muda a pirâmide social. Seu apelo vem da utopia liberal da harmonia de classes, possibilitada por elites iluminadas que “criam” para a população estabilidade e prosperidade despolitizadas, apoiadas por um PMDB capaz de permanecer no poder sendo, simultaneamente, âncora da governamentalidade e algoz dos governos.

A eleição de Lula em 2002 foi uma inflexão na cascata tecnocrática de crises e salvacionismo. O PT chegou ao poder mantendo com a sociedade civil uma relação horizontal, a qual intensificava a relação representativa e criava expectativas dantes inauditas. Pela primeira vez, programas sociais do Estado brasileiro se tornavam mecanismo de empoderamento político de milhões de pessoas dantes invisíveis. O combate à fome e transferência de renda não apenas melhoraram a vida desses milhões e movimentaram a economia: levaram consigo o direito de ter direitos de Hannah Arendt.

A conjunção da horizontalidade da relação com a sociedade (que marcou a criação do partido há 35 anos) com o empoderamento inédito do andar de baixo (durante o governo Lula) rompeu laços de continuidade tecnocrática e a reprodução velada da pirâmide social. Polarização política se seguiu. O PT fez uso do PMDB para atravessar tempestades políticas do primeiro governo Lula. Depois das urnas, a ressaca. O PMDB cobraria seu apoio, obtendo a vice-presidência no governo Rousseff.

A chegada do PT à Presidência representou uma inflexão no ciclo da Nova República. Quebrou seu princípio de legitimação e radicalizou uma democracia até então sumamente formal. Uma consequência contraditória do processo foi o aumento do poder de barganha do PMDB. O peso do partido dentro da aliança formada pelo PT para viabilizar a governamentalidade diz mais sobre a crise atual do que os erros do PT ou as rupturas que o partido viveu até chegar à Presidência.

A tragédia cresce de vulto à luz das contradições da ascensão política do PT. O partido se tornou, a contragosto, guardião de três inovações políticas nos últimos 30 anos.

O PT foi o primeiro a demandar eleições diretas para a Presidência da República, nos estertores da ditadura civil-militar. O movimento ganhou ímpeto sob a alcunha das Diretas-Já e foi apropriado pelo PMDB (fundido ao PP de Tancredo Neves). Eventualmente, a Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada pelo congresso da ditadura.

Ao invés das Diretas-Já, tivemos uma eleição indireta no colégio eleitoral da ditadura, opondo o candidato governista Paulo Maluf (PDS) ao candidato da oposição consentida, Tancredo (PMDB), apoiado por uma dissidência do PDS, a Frente Liberal, liderada por José Sarney. O apoio de Sarney (que se filiou ao PMDB) foi decisivo para a vitória de Tancredo.

A ditadura findaria longe das urnas e pelas mãos de apoiadores seus de longa data. A Nova República vitoriosa reunia um conglomerado mais próximo da transição “lenta, gradual e segura” do general Geisel que da mobilização popular que impulsionou as Diretas. Morto Tancredo antes da posse, o governo Sarney deu contornos hegemônicos ao PMDB.

Essa hegemonia se manifestou num segundo desalento para o PT, a promulgação da Constituição de 1988. A luta do partido pelo fim do entulho autoritário foi atropelada pelo Plano Cruzado de Sarney. A euforia momentânea do Cruzado inaugurou as cruzadas progressistas das ekipekonômicas contra inimigos da economia brasileira (vide fiscais do Sarney). O Cruzado produziu vitória acachapante do PMDB nas eleições estaduais e confortável maioria na Assembleia Constituinte (o “Centrão” de Roberto Cardoso Alves). Embora traga inegáveis avanços democráticos frente aos instrumentos jurídicos de exceção, a Constituição-cidadã consagrou a governamentalidade da Nova República/PMDB. Ademais, garantiu para Sarney 5 anos de governo.

As primeiras eleições presidenciais pós-1988 sintomaticamente rejeitaram Sarney e reafirmaram o PMDB. Um aventureiro com discurso anti-Sarney foi eleito Presidente. Seu vice, um companheiro de partido de Sarney. Após o debacle da farsa collorida, o PMDB voltaria a ocupar a Presidência. A Nova República retornaria na “República do Pão-de-Queijo” de Itamar Franco.  

A terceira inflexão foi a ressignificação da agenda política do PT após o Real de Itamar catapultar seu ministro da economia, FHC, ao Planalto, com o PMDB a tiracolo (Calheiros foi ministro da Justiça de FHC). O Real permitiu 10 anos de reintegração entre PMDB e sua antiga dissidência, o PSDB.

Inicialmente crítico do Real como manobra eleitoral que “congelaria a miséria”, o PT foi pragmático e passou a aliar a estabilidade ao crescimento econômico. Os fundamentos do Real foram mantidos intactos desde 2003. Desde então, o Brasil cresceu mais do que na década de 1990.

Em meio ao revanchismo pós-eleitoral de manifestações de impeachment e com o PMDB a tiracolo, Dilma está em situação complexa. A data da próxima manifestação pró-impeachment não é inocente. Há 25 anos, Collor foi empossado num 15 de Março. Os algozes de Dilma eram destaques no circo collorido: Calheiros, líder de Collor na Câmara e Cunha, seu chefe de campanha no Rio.
 
O momento atual é trágico e decisivo. Não porque o Brasil viva uma onda conservadora. 2015 contém elementos impensáveis anos atrás (a adoção de crianças por casais homoafetivos e a PEC das domésticas, conquistas consolidadas no governo Dilma). A reação intensa e a polarização política indicam desconforto com transformações em curso, mais do que um refluxo conservador.

A tragédia do PT encontra o partido bloqueado por aliados e acossado por grupos oposicionistas acenando com “estabilidade" e “ordem”. A bandeira do combate à corrupção é hasteada por aqueles que, há pouco, enfrentavam acusações similares – contando com a cumplicidade do PMDB.

O discurso tecnocrático salvacionista abraçado por Aécio Neves não convém a Dilma e ao PT. O partido tem lidar com as contradições de sua caminhada vitoriosa. Não é possível transformar um sistema que não começou com o PT, mas que hoje o inclui, sem profunda e visceral autorreflexão.

Em 2013, após as maiores manifestações pós-Diretas, a Presidenta prometeu uma série de pactos. Um deles, a reforma política. Diante das negativas do PMDB, os pactos não duraram uma semana. O PT preferiu reformar a base aliada para as eleições de 2014. Destaque para o PMDB: recebeu mais ministérios, manteve a vice-presidência. Triste ironia: o PMDB em 2015 brande um espantalho de “reforma política” contra o governo Dilma. O PT perdeu a dianteira do processo (sobre isso o ex-ministro Tarso Genro nos alertara) sem que a população tenha sido ouvida. Tornada instrumento de governamentalidade, a reforma política foi blindada contra a participação política cidadã.

Consequências trágicas extraem sua força da dificuldade de se repensar criticamente a trajetória política. Disputar o discurso da salvação com as oposições produz inércia, mantém as contradições.

A cada inflexão tomada e pleito perdido, o PT viveu traumáticas separações – estas não impediram os rumos de mudança. Tendo em vista o apoio em massa de ex-integrantes do PT a Dilma no segundo turno de 2014, o partido não devia temer novas rupturas e levar a cabo a reflexão em toda sua extensão e severidade. Um item de primeira importância é uma reavaliação das alianças do PT.

O partido está a descobrir, em São Paulo, que é possível fazer alianças sem se render a elas. Fernando Haddad está a fazer inovadora limonada com os amargos limões legados pelos antecessores neoaliados Maluf (PP) e Gilberto Kassab (PSD). No processo de reverter a herança urbanística do malufismo tendo como apoiador seu expoente máximo, o PT aprende valiosa lição: é possível governar para além do PMDB.

Ao fazer o balanço dos seus 13 primeiros anos de governo, o PT possui diferencial decisivo frente ao salvacionismo. Uma grande transformação tirou milhões de brasileiros das portas dos fundos da democracia formal e os tornou protagonistas de mudanças em suas próprias vidas. O engajamento político dos responsáveis diretos pela reeleição de Dilma é capital político inestimável frente à reunião do fisiologismo com o elitismo, pretendendo desacelerar as transformações em curso.

O PT aprofundou a qualidade da democracia no Brasil. Pela via democrática, pode se fortalecer na crise. Quem recebeu 54 milhões de votos, como Dilma, tem enorme responsabilidade sobre os ombros e também gigantesca legitimidade para enfrentar grupos de interesse, mídia e “mercado'”.

O combate sem tréguas à corrupção é uma força de que Dilma dispõe, respaldada pelas urnas. Que não se deixe intimidar por fantasmas. O reconhecimento da Presidenta de que há graves problemas pressupõe humildade. O passo seguinte é fazer valer sua fala: “A impunidade leva água para o moinho da corrupção”. É preciso responsabilizar os envolvidos em ilegalidades inequivocamente, nos termos da lei, frustrando anseios salvacionistas e caça às bruxas.

Vitorioso nas urnas, o programa de Dilma (incluindo a reforma política) tem que reconquistar as ruas. Não para guiar cidadãos responsáveis diretos pela reeleição, mas para revigorar a representação democrática travada pela governamentalidade. Após contraditórias mudanças e afastamentos, PT e ruas precisam se reencontrar. O governo Dilma pode marcar esse reencontro dos espaços políticos nos quais o PMDB foi contestado nos últimos 30 anos. Dilma conquistou as urnas. Ao invés de disputar salvacionismo e estabilidade com a oposição, hora de ouvir as ruas.

Das ruas para as antessalas do poder, é possível evitar o cenário desastroso. Rejeitar a interlocução com Cunha e manter o PMDB como âncora do governo é postura fadada ao fracasso. Intensifica elementos da crise e dá fôlego extra a movimentações pelo impeachment eivadas de salvacionismo.
 
A Presidenta Dilma tem condições de transformar o quadro de crise em oportunidade para aprofundar a qualidade da democracia no Brasil. Que as alianças não envenenem esse potencial.

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-crise-de-memoria-e-a-diferenca-que-o-PT-pode-fazer/4/32937

PSDB QUER PRIVATIZAR A PETROBRAS: Serra quer para a Petrobras o que não quer para a Chevron

28.02.2015
Do blog VI O MUNDO, 25.02.15

Serra tira a fantasia: o negocio é fatiar e vender a Petrobras
A entrevista de José Serra ao “dono do lista do HSBC” no Brasil, Fernando Rodrigues, é um strip-tease.
O vendedor da Vale – título que lhe foi concedido pelo próprio ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – lista o que se tem de fazer com a maior empresa brasileira.
Vai falando meias-verdades, como a de dizer que a Petrobras está “produzindo fio têxtil”, vai circulando a presa, como um velho leão.
O “fio textil” é poliéster, derivado integral de petróleo, que é produzido em Suape, como parte da cadeia de valor gerada pela refinaria, junto com a resina PET, com a que se produz garrafas.
São plásticos, enfim, um dos frutos de maior valor da cadeia de refino de petróleo.
Depois, diz que a Petrobras “não tem que fabricar adubo”.
Parece que está falando de esterco, mas é, simplesmente, de um dos insumos mais importantes da imensa produção agropecuária brasileira: amônia, que é produzida a partir do gás extraído junto com o petróleo.
É o “N” da famosa fórmula NPK dos fertilizantes, que o Brasil, incrivelmente, importa às toneladas.
Depois, fala em vender as usinas termelétricas de eletricidade, que já foram das multis e que a Petrobras teve de assumir porque elas só queriam o negócio com os subsídios que lhes deu FHC na época do apagão de 2001, subsídios que, além disso, eram suportados por nossa petroleira.
A seguir, fala em vender a distribuição, os postos Petrobras.
Aqueles onde o dim-dim entra, sonante, chova ou faça sol.
E aí, finalmente, diz que a empresa deve se conservar na extração de petróleo, mas que este deve ser “aberto ao mercado”.
Como já é, deve-se ler isso como a entrega da parcela exclusiva, de 30%, das imensas jazidas do pré-sal.
Claro que, nos negócios da cadeia do refino de petróleo, a Petrobras pode comprar, vender, dividir, agir como age um empresa que busca concentrar recursos em suas prioridades.
Isso inclui, senador Serra, o tal “fio têxtil”.
É tão bom negócio que seus amigos da Chevron o produzem em larga escala através da Chevron-Phillips, em oito países.
Assim como a Chevron produz adubo e está cheia de passivos ambientais pela forma terrível que o faz, antes como Texaco e agora usando o “codinome” de Ortho.
E, claro, a Chevron não vai abrir mão de seus mais de 8 mil postos de abastecimento só nos Estados Unidos…
Quer dizer, as receitas de Serra para a Petrobras são exatamente o contrário do que fazem seus amigos da Chevron…
Senador, mas o que é bom para os Estados Unidos não é bom para o Brasil?
Leia também:
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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/serra-quer-para-petrobras-o-que-nao-quer-para-chevron.html

Para oposição e mídia, denúncias de corrupção são só marola

28.02.2015
Do portal da Agência Carta Maior, 25.02.15
Por Inês Nassif

Por que será que imprensa e oposição nunca tocam na raiz do problema do sistema político: O sequestro da democracia pelo grande capital econômico?    

Vitor Teixeira
O escândalo da Petrobras foi eleito pelos meios de comunicação e pela oposição à presidenta Dilma Rousseff como o terceiro turno, o episódio que, manipulado cotidianamente por informações de um juiz, do Ministério Público e da polícia veiculadas por uma mídia tradicional que tem lado – e não é o lado do governo – mostra-se capaz de alimentar uma espiral crescente de mal-estar com a política. Essa ação política, que ganhou força numa eleição particularmente radicalizada, é a primeira desde o chamado Mensalão que teve impacto de fato sobre a opinião pública.
 
Todavia, o que vem da tentativa de hiperdimensionar a responsabilidade de um único partido, o PT, sobre o episódio, tomando por base delações premiadas de dois réus que são figuras centrais – e podem ser considerados como chefes do esquema de corrupção incrustrado na Petrobras –, não fica em pé, se submetido a qualquer análise feita sob critérios de racionalidade. Na maioria dos casos, as “denúncias” constituem-se numa sucessão de hipocrisias que, se são capazes de manter um clima perigosamente crescente de aversão a todos os políticos, sequer tocam na raiz do problema do sistema político brasileiro: a captura do voto pelo poder econômico.
 
A Proposta de Emenda Constitucional de número 352, urdida pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o apoio da oposição, por exemplo, jamais poderia ser desvinculada desse debate, se ele fosse efetivamente sério, e nunca poderia ter sucesso no meio de um escândalo como o da Petrobras. A PEC 352, afinal, é a consagração de um sistema político que é caro e apoiado no financiamento eleitoral e partidário por grandes empresas com interesses no governo ou em assuntos em pauta no Legislativo, e cujo sucesso depende de uma eleição de governantes, sim, mas fundamentalmente de uma grande bancada de parlamentares, capazes de mobilizar mais rapidamente seus assuntos tanto no Legislativo como no Executivo, via pressão por liberação de emendas parlamentares ou aprovação de outras leis. A constitucionalização do financiamento privado de campanha pretendido por Cunha e seus seguidores eterniza esse sistema político totalmente vinculado ao poder econômico.
 
A notícia de que o presidente da CPI da Petrobras na Câmara, Hugo Motta (PMDB-PB), e o relator Luiz Sérgio (PT-RJ) receberam dinheiro de empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato, que investiga a corrupção na Petrobras, não deveria ter surpreendido ninguém. O sistema político brasileiro é assim. Aliás, a pergunta que se deveria fazer é: quantos parlamentares eleitos receberam dinheiro para campanha de empresas que têm profundos interesses na administração pública? Como isso não é crime, essas doações podem ser levantadas na prestação de contas das campanhas dos parlamentares.  E, como o interesse das empresas são nos votos que poderão ter no plenário do Congresso, supõe-se que existam financiados às pencas, tanto na oposição como no governo. As financiadoras certamente serão, em sua maioria, as encrencadas na Operação Lava Jato, pois são elas as poucas grandes empreiteiras nacionais aptas a ganhar grandes licitações, da Petrobras, do governo federal ou dos governos estaduais.
 
Aliás, se existe possibilidade legal de as empresas financiarem a eleição de parlamentares, pela lógica financiarão mais as que têm interesses mais arraigados na administração pública: grandes empreiteiras, que normalmente são as que vencem licitações para as grandes obras – que só se concretizam se houver liberação orçamentária para tanto; setor financeiro, para o qual qualquer decisão, por exemplo, sobre impostos, envolve giro diário de enormes fortunas (quem não se lembra da rejeição da CPMF?); setor agrícola, cuja articulação é crescentemente vitoriosa no Congresso em questões legais que dificultam a reforma agrária e aumentam o poder de negociação dos grandes empresários rurais com o governo em geral, e com o Banco do Brasil em particular.
 
Com fortes bancadas, grandes empresas têm mais poder no Congresso do que qualquer outro eleitor. O voto do eleitor vale um. O voto de uma empreiteira, ou do banco, vale os votos que conseguiu, com o seu dinheiro, para eleger um parlamentar. No final das eleições, o deputado ou senador que recebeu o dinheiro dessas empresas tem mais compromissos com elas do que com o eleitor que ganha salário mínimo e mora na periferia. Entre um e outro, certamente vai querer agradar o seu financiador.
 
Sob essa ótica, a onda de comoção que se pretende alimentar contra os políticos porque eles recebem financiamento de campanha de empresas poderosas perde qualquer racionalidade, se for considerado aceitável – ou desejável – manter o financiamento empresarial de campanhas políticas. A grande distorção gerada por essa permissividade do sistema político-eleitoral do país não desaparece se a justiça conseguir colocar na cadeia todas as empresas e todos os políticos que receberam propina no esquema da Petrobras. O sequestro da democracia pelo grande capital econômico apenas é contido se o financiamento empresarial for proibido.

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Para-oposicao-e-midia-denuncias-de-corrupcao-sao-so-marola/4/32951

OS DITADORES DE 64 E O PSDB QUEREM UM NOVO GOLPE NO BRASIL: O Brasil sabe o que os milicos fizeram, general Pimentel

28.02.2015
Do BLOG DA CIDADANIA, 
Por Eduardo Guimarães
milicos 2
Aos 68 anos, a jornalista Rose Nogueira é contemporânea do general Gilberto Pimentel, presidente do Clube Militar, reduto de militares de alta patente da reserva que integraram a ditadura militar que se abateu sobre o Brasil entre 1964 e 1985, ainda que este país só tenha começado a se redemocratizar mesmo a partir de 1989, quando pôde eleger livremente seu primeiro presidente após mais de um quarto de século.
Em dezembro do ano passado, no âmbito da divulgação final dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, Rose, de quem este blogueiro ficou amigo, deu entrevista ao diário espanhol El País na qual relatou os horrores que homens como seu contemporâneo Pimentel ajudaram a infligir a jovens idealistas que, como ela, lutavam contra o arbítrio, a censura, os horrores que aquele regime infame impôs ao país.
Em seu relato ao jornal estrangeiro, Rose revelou que ainda se preocupa se o filho Cacá, de 45 anos, está passando frio. Ainda acorda no meio da noite com pesadelos em que acredita estar sendo perseguida. E, depois de passar nove meses presa, entre os anos de 1969 e 1970, não conseguiu engravidar novamente.
Segundo relatou ao El País, Rose ficou no Dops por 50 dias. A todo momento ouvia dos policiais que buscariam seu filho recém-nascido para torturá-lo. Teve uma infecção que só foi tratada tarde, motivo pelo qual desconfia nunca mais ter podido engravidar. Bonita, foi apelidada pelos guardas de Miss Brasil. “Diziam: acabou de ter um filho e como tem esse corpo? É uma vaca. Uma vaca terrorista”, lembra.
Assim como muitas outras mulheres que passaram pelo Dops, Rose foi violentada. Por diversas vezes foi colocada em uma sala e despida. “O [policial João Carlos] Tralli me colocava debruçada e enfiava o dedo em mim. E como eu estava fedida por causa do leite ele me beliscava, me batia, por eu atrapalhar o prazer dele.” Algum tempo depois, um médico aplicou nela uma injeção que cortou o leite.
As investigações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) sobre os métodos de tortura durante o regime militar apontam que, além de usarem pedaços de madeira e choques elétricos, os torturadores chegaram a usar animais vivos para obter informações de militantes de esquerda. Os métodos de tortura mapeados nos últimos meses chocaram os membros da comissão. Pelas informações coletadas, animais como cobras, ratos e jacarés teriam sido utilizados nas casas da morte, entre outros locais de tortura no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo.
Trinta formas de tortura foram inventariadas pela Comissão Nacional da Verdade. A lista inclui violências já conhecidas, como a aplicação de choques elétricos e palmatórias, cadeira do dragão (assento que dava choque), “pau de arara”, afogamento, telefone (tapas nos dois ouvidos ao mesmo tempo), sufocamento e espancamentos. Muitas vezes eram combinados vários deles.
Integrantes de um regime que praticou todos esses crimes contra a humanidade, se tivessem um mínimo de decência seria esperável que ansiassem pelo ostracismo, no mínimo. Mas não é o que se vê. Além de pessoas como o general Pimentel negarem o que a CNV provou com centenas e centenas de depoimentos inclusive de integrantes da ditadura, bem como de suas vítimas, põem-se a vituperar, grandiloquentes, contra o governo de uma das mulheres que eles covardemente seviciaram e contra aquele que talvez mais tenha ajudado a livrar o país daquele regime infame: Luiz Inácio Lula da Silva.
Infame também é a nota que o general Pimentel assinou na última quarta-feira contra o discurso de Lula no ato em defesa da Petrobrás que os paus-mandados do clube de generais de pijama foram fustigar com provocações cuidadosamente planejadas.
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Em tom de ameaça, a nota assinada pelo general (eleitor declarado de Aécio Neves) em nome do Clube Militar não esbofeteia o país apenas por distorcer o fato de que seus correligionários premeditaram “não deixar Lula falar” e causarem confusão no ato público de trabalhadores diante da Associação Brasileira de Imprensa, na última terça-feira (24/2). 
A nota infame esbofeteia o país por aqueles que o calaram e torturaram durante duas décadas terem a coragem, a coragem suprema de abrirem a boca para acusar o governo Dilma de “incompetência” e Lula, um dos que mais lutaram para reinstalar a democracia brasileira, de “inconsequente”.
Se o general quiser falar de “incompetência” governamental, deveria falar do desastre econômico que os militares legaram ao deixarem o poder, em 1985. Quem viveu aquele período trágico da história nacional lembra da inflação galopante, do desemprego generalizado, dos baixíssimos indicadores sociais, da altíssima mortalidade infantil, da maior concentração de renda do mundo que aquela ditadura aterradora legou. Isso sem falar de uma dívida externa impagável, edificada ao longo dos vinte anos sombrios que se abateram sobre o país.
Em 1985, último ano da ditadura militar, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) foi de 242,23% e a dívida externa, então considerada “impagável”, bateu em 105 bilhões de dólares. A ditadura começou a cair em 1983, quando cerca de 5 mil desempregados marcharam sobre o Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo. Desesperados com a penúria social, derrubaram a grade que circunda o Palácio.
Naquele ano, nasceu o movimento Diretas Já, quando milhões de brasileiros foram às ruas pedir a volta da democracia.
Essa juventude que o general Pimentel e outros mistificadores como ele ludibriam e arrastam para movimentos que pedem a volta daquela era de horrores não lembra, pois não viveu tudo aquilo. Mas qualquer brasileiro que não tenha nascido ontem sabe muito bem quanto este povo sofria quando os militares, após afundarem o país, largaram o abacaxi para José Sarney, o PMDB e o PFL descascarem.
E o general Pimentel vem acusar o homem que tirou dezenas de milhões da pobreza, distribuiu renda como nunca ocorreu no país e pagou a dívida externa – já que temos mais reservas cambiais do que dívida – que os militares legaram e que era considerada “impagável”? Será que este mundo está de cabeça para baixo?
E ainda fazendo ameaças, pois é disso que se trata quando o general filhote da ditadura lembra que o Brasil “só tem um exército”. Graças a Deus que só tem um, apesar de que os militares da ativa são, quase todos, inocentes dos crimes pretéritos dessa corporação. Afinal, apesar de os militares de hoje não serem culpados, se o Brasil tivesse tido mais de um exército (incluindo Marinha e Aeronáutica) talvez não tivesse sobrado nada de si.
O Brasil sabe muito bem o que os milicos já fizeram neste país, general Pimentel. Os jovens não têm memória, alguns velhos – ou velhacos – fingem amnésia, mas a história está registrada. Todas as atrocidades e todos os erros crassos de governança que vocês cometeram estão eternizados. O senhor pode enganar alguns tolos, pouco instruídos ou muito cínicos, mas o regime que o senhor exalta está condenado à lata de lixo de história.
Os trabalhadores não se deixarão intimidar, general Pimentel. E muito menos Lula. Vocês não vão tomar as ruas sozinhos, sem resistência pacífica e democrática, e nunca mais vão impedir ninguém de falar, como exorta a convocação dos que foram provocar e insultar trabalhadores diante da sede da Associação Brasileira de Imprensa. Conforme-se com a democracia, general. É inexorável. Aceite que doerá menos.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/02/o-brasil-sabe-o-que-os-milicos-fizeram-general-pimentel/