quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

MÍDIA SELETIVA: O UOL escolhe quem pode e quem não pode ser investigado

18.02.2015
Do blog VI O MUNDO, 13.02.15

Octavio Frias FilhoO “dono” da informação escolhe quem pretende investigar

Depois do “vazamento seletivo”, temos o 
“jornalismo seletivo”


Muitos me perguntam porque não falei dos depósitos feitos por 8.667 brasileiros no HSBC da Suíça, revelado pelo chamado SwissLeaks.

Simples. Porque não sei quem são.

Só uma pessoa – o jornalista Fernando Rodrigues – e uma empresa – o UOL – sabem.

Hoje, ele publicou alguns, de donos da Odebrecht e de algumas pessoas citadas na tal Operação Lava Jato.

Evidente que, à exceção do gerente ladrão da Petrobras, Pedro Barusco, não se pode dizer que o dinheiro dos demais seja criminoso.

Embora, do ponto de vista moral, ter conta na Suíça – exceto para quem tem negócios por lá – já seja um indicador de muito pouca boa-fé.

O UOL publica uma “explicação” para o fato de estar publicando “em pílulas” os donos das contas.

A imensa maioria dos nomes contidos na listagem brasileira do HSBC da Suíça é desconhecida do grande público. Há uma minoria de pessoas conhecidas. Empresários, banqueiros, artistas, esportistas, intelectuais. Quais nomes e contas bancárias serão divulgados?

Em primeiro lugar, os que tiverem interesse público, e, portanto, jornalístico. Em segundo lugar, todos sobre os quais se puder provar que existe uma infração relacionada ao dinheiro depositado no HSBC na Suíça.

Baixou o espírito “Sérgio Moro” na empresa?

Primeiro, não foi essa a política adotada pelo consórcio de jornalistas que apurou os dados.

Como não se sabe, por exemplo, que o banqueiro Edmond Safra, de nacionalidade brasileira, tenha posto lá dinheiro de roubalheira, porque foi divulgado? E o piloto de F-1 Fernando Alonso, acaso andou metido com Paulo Roberto Costa?

Segundo, porque decide que “só serão publicados dados que tenham interesse público”.

O que é interesse público? Crime, fama, função pública? Não é do interesse público que o dono do supermercado, o síndico do prédio, o gerente da empresa têm conta na Suíça?

É violação do sigilo bancário saber-se que uma pessoa tem conta na Suíça ou apenas seria se eu informasse – como o UOL faz com quem decide ser de interesse público – dizer quanto eu movimentei nela?

Mas na explicação ética, o UOL faz pior.

Primeiro, compara o valor detido por estes brasileiros no HSBC (R$ 20 bilhões) com – vou citar literalmente – “um montante próximo ao que o governo da presidente Dilma Rousseff precisa economizar em 2015 para fazer o ajuste fiscal do país”.

Vejam, como se Dilma pudesse “meter a mão” nesta dinheirama e resolver os problemas nacionais.

Não beira a manipulação política. É a própria.

Vai adiante, porém. Acusa Dilma de desídia:“não há interesse da administração pública federal comandada pela presidente Dilma Rousseff em apurar o que ocorreu’.

Por que?

Governo não é uma quitanda e se rege de acordo com as leis.

As razões estão nas próprias “acusações” do UOL:

“Uma fração mínima de nomes sob os quais há alguma suspeita foram mostrados ao governo, de maneira reservada.”

E aí o governo faz o que? Abre uma investigação, com quebra de sigilo bancário e fiscal, sobre alguns nomes “selecionados” pelo UOL e já dá à empresa o resultado do que apurar?

“O Blog e o UOL entendem que o governo não pode revelar os nomes de quem cometeu crime fiscal. Mas pode dizer – e a sociedade tem o direito de saber – quantos são os que mantiveram dinheiro de forma irregular no HSBC da Suíça.”

Quantos de quantos? De todos? Ou dos que o UOL quer? Que diabos de ação pública seria essa de dizer: “olha, destes 18 que vocês trouxeram, 15 estão irregulares”.

Aliás, se o governo fizer isso, não sobra uma ação fiscal na Justiça contra eles. Caem todas, por obtenção ilícita de informações.

Se ter conta na Suíça é indício de crime – eu, particularmente, acho que é, pela ocultação de patrimônio que não pode ser checado pela autoridade fiscal – é para todos e o Ministério Público deve agir. E sem vazamentos seletivos.

Diante disso, fico com as palavras de meu professor de jornalismo, Nílson Laje, que tem mais de 50 anos de janela sobre a imprensa brasileira:

“Não existe mais repórter “do jornal”.

O que existe agora é repórter “da fonte”.

Atua em um ramo de publicidade não contabilizado – a “publicidade contra”.

Escolhido, pode ser ou não remunerado pela tarefa; atua com a concordância e apoio do veículo em que trabalha – e que este, sim, fatura de algum modo.

Assim é com os vazamentos do Lava-jato. E, agora, com os vazamentos de nomes de investidores brasileiros no HSBC.

O repórter incumbido da tarefa de “vazar” esses nomes alinha, um por um, os que interessam à fonte, com a qual é ou se faz solidário. Vaza aos poucos, por motivos mercadológicos e porque sabe que não há competição.

A garantia do negócio é a falta do contraditório ou da concorrência.

No caso, o interesse transparente da fonte, que coincide com o interesse do veículo, é o mesmo da orquestração midiática em curso: visa pessoas ligadas ao governo nacionalista e a empresas nacionais que se pretende desnacionalizar.

Os outros nomes não importam ou “ficam para depois”.

Chamam a isso de “furo”.

Leia também:

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Fonte:http://www.viomundo.com.br/denuncias/o-uol-da-familia-frias-aquela-que-apoiou-ditadura-militar-escolhe-quem-pode-e-quem-nao-pode-ser-investigado.html

Janot da Suíça vai atrás do HSBC. E o Janot daqui ?

18.02.2015
Do blog CONVERSA AFIADA
Por Paulo Henrique Amorim

Dr Janot, o HSBC pode desmoralizar a Lava Jato, não é isso ?

POLÍCIA SUÍÇA FAZ OPERAÇÃO NO HSBC E CASO PETROBRÁS É INCLUÍDO NO PROCESSO

Segundo um correspondente do Estadão na Suíça, dois procuradores suíços decidiram vasculhar todas as contas do HSBC na Suíça.

O correspondente do Estadão só se preocupou em perguntar a um dos procuradores se eles iam investigar envolvidos na Lava Jato.

O Procurador da Suíça, que deve ser uma pessoa séria, de uma instituição séria – o que não se aplica ao Estadão – respondeu que investigará todos os nomes que apareceram na imprensa.

Sem se referir aos da Lava Jato.

Logo, o procurador da Suíça vai investigar a família Steinbruch, que foi gentilmente mencionada no próprio site do SwissLeaks …

E um dos notáveis Steinbruch, o Benjamin, um dos notáveis de privataria, por coincidência, é colonista (ver no ABC do CAf) da Fel-lha (também no ABC), que detém o monopólio da lista dos brasileiros que se escondem no HSBC.

O Ministério Público daqui, o Dr Janot, vai ficar mudo ?

Não vai pedir ao Otavinho para dar uma olhada na lista ?

E se tiver um tucano gordo lá dentro, ou o filho de um tucano gordo ?

Já pensou ?

A Lava Jato ia para o saco, não é isso, Dr Janot ?

E o Ministro Levy, apologista da transparência, não vai pedir à COAF e à Receita para dar olhadinha na lista do Otavinho ?

Ou a transparência só presta se o banco Original, da Friboi,  e o BTG Pactual, do André Esteves  conseguem prever a próxima Selic ?

Em tempo: por falar nisso, Dr Janot. O senhor faz ideia de que vive o Cerra ?

Em tempo2: 
o Guardian da Inglaterra também diz que os Janots da Suíça vão arrombar o HSBC.A batata do Otavinho está assando …


Paulo Henrique Amorim

E vote na trepidante enquete do C Af:
Quem a Folha esconde no HSBC?
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Fonte:http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2015/02/18/janot-da-suica-vai-atras-do-hsbc-e-o-janot-daqui/

Entrevista: A Petrobrás, bem maior do que diz a mídia

18.02.2015
Do portal  da Agência Carta Maior, 17.02.15

 'Os ataques diários da mídia golpista e a falta de defesa da Petrobrás atingiram a moral e o orgulho do petroleiro, temos de resgatar este orgulho'

PAC / Flickr
A velha mídia brasileira execra a Petrobrás, já se sabe. E, portanto, omite que a empresa recebeu o Oscar da indústria de petróleo, o Offshore Tecnology Conference 2015 (OTC) e que o pré-sal já produz mais de 700 mil barris por dia - o suficiente para abastecer países como Uruguai, Paraguai, Bolívia e Peru, juntos. Mas para o baiano de 34 anos da cidade de Feira de Santana, onde mora, Deyvid Bacelar, "a Petrobras é maior do que tudo que está aí na mídia". Bacelar é representante da CUT, do CNPQ e da Federação Única de Petroleiros (FUP) na Comissão Nacional Permanente do Benzeno, e recém eleito representante dos funcionários da Companhia no seu Conselho de Administração com cerca 58% dos votos válidos.
 
O coordenador geral do Sindipetro da Bahia pertence à "geração Lula", como ele mesmo diz. Os funcionários que entraram a partir de 2003, quando os concursos foram retomados. Deyvid prestou cinco concursos. Um deles, de nível superior. É graduado em Administração com especializações em SMS (Saúde, Meio Ambiente e Segurança) e Gestão de Pessoas. Mas preferiu ficar em cargo técnico. Seu ingresso no CA representa um sopro de oxigênio e de energia, e uma renovação na administração da Petrobrás.
 
Na pauta da entrevista exclusiva de Bacelar à Carta Maior ele defende, com veemência, o patrimônio nacional que a empresa representa, pede a punição de corruptos e corruptores, e ressalva: "Este processo não pode significar a paralisia do setor mais dinâmico da economia brasileira". Invoca também maior transparência e participação do estado no lugar do “Deus mercado”.
A entrevista:
 
Sua trajetória na empresa? Quando começou?
 
Sou Técnico de Segurança na RLAM - Refinaria Landulpho Alves, Mataripe -, onde ingressei por concurso em 2006. Sou graduado em Administração pela UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana), com especializações em SMS no IFBA (Instituto Federal da Bahia) e em Gestão de Pessoas na UFBA (Universidade Federal da Bahia). Em Feira de Santana, sou Presidente da Associação de Moradores Morada das Árvores, onde empresto essa experiência de forma voluntária nas ações comunitárias da entidade.  
 
Você vê como “excessiva” a influência do governo na Petrobrás, como dizem os críticos e a oposição ao governo progressista?
 
Não vejo excessos porque o Governo Federal é o acionista majoritário e deve dar o tom nas decisões que afetam o Brasil e a sua economia. A Petrobrás é uma empresa que não visa o Lucro pelo Lucro. Ela tem o seu papel social que deve ser muito bem cumprido. Por sinal, o Governo, através do CA da Petrobrás, deveria aproveitar essa baixa no valor das ações dela para ampliar ainda mais a presença do Estado e adquirir ações de forma que a torne novamente  100% pública e estatal.
 
Percebe-se a necessidade urgente de a Petrobrás voltar a se comunicar com a sociedade informando seus feitos e seu significado para o país. Quais canais podem ser usados nesta comunicação? Você vai brigar por aperfeiçoá-los e dinamizá-los, no Conselho? Critica-se, por exemplo, a Companhia não responder à (velha) mídia e às acusações de delatores premiados que ela publica indiscriminadamente e com vontade.
 
Com certeza. Iremos utilizar essa representação que teremos no CA para cobrar da Petrobrás junto com os trabalhadores e movimento sindical as melhorias no processo de comunicação da Companhia com seu público interno e com a sociedade como um todo. Hoje, uma das maiores queixas dos trabalhadores dessa grande empresa é justamente a falta de respostas para os ataques diários da mídia golpista tanto para dentro como para fora. Há alguns anos atrás, ainda na gestão de Sérgio Gabrielli, o blog Fatos e Dados funcionava de uma maneira mais dinâmica e eficaz e os petroleiros e as petroleiras conseguiam obter da própria empresa informações para construir argumentos para defendê-la em outros grupos de relacionamentos como os familiares, de amigos, associações etc. A Comunicação Institucional da Petrobrás poderia, também, utilizar as novas ferramentas de comunicação (facebook, twiter, whatsapp, instagran) e as mídias alternativas da internet, em vez de alimentar o PIG com o pagamento de propagandas caríssimas e matérias pagas em revistas que sempre atacaram a Petrobrás e a soberania nacional.

Como você vê o vazamento de informações dos depoimentos das investigações da operação Lava Jato e as acusações feitas por delatores premiados?
 
A mídia golpista publica esses vazamentos, diariamente, sem a menor decência e responsabilidade. A Comunicação e o Jurídico da Petrobrás deveriam brigar para conseguir vários direitos de resposta que os detentores de uma concessão pública não dão com o objetivo escuso de criar no imaginário da população a imagem de uma empresa que precisa ser trocada por multinacionais estrangeiras da indústria do petróleo. Com certeza, vamos pressionar a Petrobrás para mudar a sua forma de se comunicar com a sociedade bem como utilizar os espaços que temos e que nos forem dados para demonstrar os fatos e os reais interesses que estão por detrás das palavras do PIG.

Qual é a sua pauta, as prioridades, para discutir no Conselho de Administração?
 
Eu me sinto muito honrado ao ser eleito pelos trabalhadores para o CA. Com isso, assumo mais um desafio em minha vida pessoal e profissional. Assumo compromissos com esta categoria que produz a riqueza do país e coloca a empresa como uma das mais importantes do mundo no setor petrolífero. Reafirmo aqui compromissos da transparência, da ética, da fiscalização rigorosa dos atos do CA e um canal direto de comunicação com os trabalhadores e trabalhadoras, em todas as unidades. No CA serei o porta-voz dos anseios da categoria sobre o trabalho e os problemas enfrentados pelo seu corpo funcional, maior patrimônio da empresa. No CA, repudiaremos essa prática dos corruptos e corruptores, continuaremos a exigir investigações e punições, doa a quem doer como bem o disse a presidenta Dilma em sua campanha eleitoral. No CA serei o porta-voz dos anseios da categoria sobre o trabalho e os problemas enfrentados pelo seu corpo funcional, maior patrimônio da empresa. Combateremos a política da rotina de acidentes que tantos males causam aos trabalhadores e seus familiares, em especial nas plataformas, sondas e refinarias. É preciso coragem também para avançar no Código de Ética e impedir os assédios e as perseguições.

E sobre a trava nos investimentos?

Continuam os problemas com o desinvestimento e suas consequências – a Bahia, Nordeste e Espírito Santo pagam um alto preço por essa política – e isso diz, sim, respeito a cada um dos empregados e das empregadas da Petrobrás. Continuaremos vigilantes ao desenvolvimento do pré-sal, dos campos maduros, Refino e Gás & Energia, bem como o uso de sondas próprias e combate ao afretamento de plataformas pela Petrobrás.

A importância do papel social da Petrobrás?
   
A Petrobrás é, com certeza, a alavanca mestra da economia do país. Representa 13% do PIB nacional e gera emprego em renda em todas as regiões do país com as suas atividades que vão desde a exploração, produção, refino, petroquímica, bicombustíveis, distribuição à venda direta para o consumidor; hoje, indo além "do poço ao posto". Empresa com inúmeros projetos sociais e culturais espalhados por todo país e com um corpo técnico de empregados elogiado e cobiçado por muitas concorrentes. Diferente do que a mídia golpista propala, a Petrobrás, que vinha sendo sucateada em toda década de 90 com os governos neoliberais, após a conquista de um governo popular e democrático que o povo ajudou a construir, melhorou significativamente em quase todos os seus resultados. E, hoje, mesmo com toda essa crise da indústria petrolífera, com a queda do valor do barril do petróleo, ainda possui um dos melhores números do setor. Aumentou seu Lucro Líquido, Valor de Mercado, Valor Patrimonial, Faturamento e tem um dos melhores resultados operacionais do mundo que geram inveja e cobiça das multinacionais petrolíferas. Ao ponto de hoje ser a maior empresa de capital aberto produtora de petróleo do mundo, batendo a americana Exxon-Mobil.

Os seus avanços beneficiaram os petroleiros?

Com todos esses avanços, desde 2003, os trabalhadores também foram beneficiados, sim, com o aumento do número de empregados de 36 mil para em torno de 86 mil e a conquista de inúmeros direitos com as mais de 40 novas cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho dos petroleiros, uma referência para inúmeras outras categorias. Infelizmente, o que ainda não conseguimos melhorar na Petrobrás foi a política e gestão de SMS - Saúde, Meio Ambiente e Segurança - com seus péssimos resultados diante das 15 mortes ocorridas em acidentes fatais e inúmeras doenças ocupacionais em 2014 e do trágico acidente ocorrido no dia 11 último, na Plataforma Cidade de São Mateus, no ES, que ceifou a vida de nove trabalhadores, até o momento. Esperamos que no comitê de SMS ligado ao CA da Petrobrás possamos ajudar a mudar essa triste realidade dando mais autonomia aos profissionais de SMS e fazendo com que a alta administração da empresa abra para os trabalhadores e movimento sindical a sua gestão para que seja mais participativa e democrática recebendo as contribuições de quem, realmente, conhece o chão da fábrica e seus riscos.

Há uma atmosfera, hoje, de apreensão entre os trabalhadores.

Infelizmente, os ataques diários da mídia golpista e a falta de defesa da Petrobrás atingiram a moral e o orgulho do petroleiro! Hoje, todos trabalhadores e trabalhadoras da empresa são colocados sob suspeição pela mídia irresponsável que controla os meios de comunicação de massa. Nossa representação no CA terá um papel fundamental para resgatar a moral e orgulho de  trabalharmos na maior empresa da América Latina, bem como para dar elementos e argumentos para os petroleiros e petroleiras também defenderem a Empresa como patrimônio do povo brasileiro nos espaços que cada um e cada uma ocupa formando opiniões junto à sociedade.

Há uma sensação forte de ressentimento originado no orgulho ferido  por parte dos petroleiros.  
 
Precisamos resgatar o orgulho que sempre tivemos de trabalhar na Petrobrás, hoje confundido pelas fraudes praticadas por um punhado de corruptos e corruptores, mas que a mídia conservadora e interesses nocivos ao nosso país tentam igualar a todos. Somos diferentes, somos trabalhadores e trabalhadoras e honramos o que fazemos. Nada temos a temer, pois a nossa categoria não tem as mãos sujas; nunca as tivemos.

Uma manchete do jornal Globo, recente, omitia e mentia. Dizia que ‘em quase’ dez anos a Petrobrás contratou 60% das suas obras por convite, sistema criado no governo FHC, em 98, com a justificativa de proporcionar agilidade aos trabalhos. Mas houve brechas, aproveitadas para fortalecer o cartel. Você, como representante dos seus companheiros, acha que esse sistema deve permanecer?
 
Sabe-se que o escândalo da Petrobrás envolvendo corruptos e corruptores foi gestado e cultivado no governo do PSDB com a Lei 9.478/97 idealizada pelo ex-presidente da Petrobras, David Zylbersztajn, e o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Lei regulamentada pelo Decreto 2.745, de 1998, do então Presidente FHC, que flexibilizou e escancarou as formas de contratação de bens e serviços na Companhia a qual seguia, antes, a rigorosa Lei 8.666, Lei de Licitações Públicas. Com certeza, além de cobrar a punição dos corruptos e corruptores, vamos trabalhar junto com os trabalhadores e o movimento sindical a fim de pressionar o Congresso Nacional para  revogar a chamada Lei do Petróleo e condicionar todas as contratações da Petrobrás, por exemplo, ao Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), instituído pela Lei 12.462, de 2011, conforme já indicou o Deputado Federal Zé Geraldo (PT-PA).

E sobre a necessidade urgente de pagamento de Lucros e Resultados (PRL). Ele será possível?

A FUP e sindicatos filiados, quando construíram o regramento da PLR, assinaram o ACT prevendo o pagamento em quaisquer das situações adversas, a exemplo de agora. A FUP inclusive já cobrou uma reunião com a Petrobrás para o cumprimento desse acordo. Com a divulgação do balanço financeiro do 3° trimestre – ele foi menor do que o trimestre anterior, sendo que os três primeiros trimestres de 2014 também foram menores do que os de 2013 – nós sabemos que isso dará um adiantamento da PLR menor do que o último recebido.  Mas, o que importa é que pelo acordo assinado o pagamento do adiantamento da PLR está assegurado e dele não abriremos mão. Com relação à possibilidade da empresa, no seu balanço final, não obter lucros, apesar de alcançar todos os demais resultados previstos no regramento em 2014 – e isto saberemos entre maio e junho – os trabalhadores têm, no acordo de regramento da PLR, assinado entre a FUP e a Petrobrás, a garantia de recebimento de um piso ou valor mínimo.

Você considera, Bacelar, que poderia ter havido maior participação na votação que o elegeu?

A baixa participação na votação deste ano se deu, eu acho, principalmente, pelo péssimo serviço prestado pelo atual representante dos empregados no CA, com a sua falta de transparência, não prestação de contas do mandato e a omissão em defender a Petrobrás e os seus trabalhadores perante a mídia golpista que ele muito ajudou e com a qual fez coro em suas mais de 40 entrevistas. Com certeza, faremos diferente e esperamos que na próxima eleição as petroleiras e os petroleiros compreendam a importância desse espaço conquistado, após muita luta, em 2010.

Mesmo antes da oficialização da sua eleição, em março, você pode votar e participar ativamente do CA?

Infelizmente, não poderei votar antes de ser empossado na Assembléia Geral dos Acionistas. Mas, com certeza, já estarei demonstrando aos petroleiros, às petroleiras e à sociedade brasileira quais as minhas intenções e forma de atuar no Conselho de Administração da Petrobrás.


Créditos da foto: PAC / Flickr

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Fonte:http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Entrevista-A-Petrobras-bem-maior-do-que-diz-a-midia/4/32889

BRIAN WILLIAMS: NBC suspende por seis meses âncora que mentiu

18.02.2015
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 17.02.15
Na edição 838
Tradução: Pedro Nabuco, edição de Leticia Nunes. Informações de Brian Stelter e Tom Kludt [“Brian Williams suspended for 6 months“, CNN Money, 11/2/2015] e Rory Carroll [“NBC suspends Brian Williams for six months over Iraq helicopter story“, The Guardian, 11/2/2015
A rede de TV americana NBC suspendeu por seis meses, sem pagamento, o âncora Brian Williams, estrela do telejornalismo do canal, depois que o jornalista admitiu ter se enganado sobre uma experiência durante o conflito no Iraque, em 2003. Williams, que inicialmente anunciou que se afastaria temporariamente do telejornal Nightly News, já foi substituído pelo jornalista Lester Holt.
O respeitado âncora alegava que, durante a cobertura no Iraque, esteve em um helicóptero que sofreu um pouso forçado após ser atingido por um lançador de granadas – o relato foi refutado no Facebook, recentemente, por soldados que estavam no tal helicóptero. Williams acabou admitindo que pode ter se enganado quanto a sua lembrança do episódio.
A presidente da NBC News, Deborah Turness, afirmou que o inquérito interno aberto para investigar as alegações de que Williams teria mentido sobre o caso mostrou que ele repetiu a mentira em outras ocasiões. “Isso foi errado e completamente inapropriado para alguém na posição de Brian. Como editor-chefe e âncora do Nightly News, ele tem a responsabilidade de ser fiel à verdade e manter os altos padrões de qualidade da divisão de notícias em todas as ocasiões”, declarou.
Brian Williams ancorava o telejornal mais assistido dos EUA e tinha recém assinado um novo contrato de mais de 10 milhões de dólares anuais com a NBC. Após a mentira ser desmascarada, o Nightly News teve uma queda na audiência.
Credibilidade
O âncora foi duramente criticado pelo executivo chefe da NBC Universal, Steve Burke, que afirmou que ele abalou a credibilidade da NBC News. “Suas ações colocaram em risco a confiança que milhões de americanos têm na NBC News. As ações são imperdoáveise a suspensão é dura e apropriada.”
Porém, apesar das duras críticas, Burke deixou as portas abertas para uma possível redenção do âncora. “Ele merece uma segunda chance e nós estamos torcendo por ele. Brian compartilhou comigo o seu profundo remorso e está comprometido a conquistar novamente a confiança das pessoas.”
Após o anúncio da suspensão, alguns funcionários da NBC News afirmaram – sem se identificar – que acreditam que Williams pode nunca mais retornar para a sua antiga função. O inquérito aberto pela NBC para investigar o caso ocorrido no Iraque irá analisar outras declarações de Williams para apurar dúvidas que surgiram sobre as coberturas do jornalista.
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed838_nbc_suspende_por_seis_meses_ancora_que_mentiu

ESPIONAGEM: Depois dos telefones, espionagem da NSA americana é detectada nos HD de computadores

18.02.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

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Aquela história do “império do mal”, usada por Ronald Reagan para se referir à então União Soviética está, cada vez mais, se tornando uma auto definição para os Estados Unidos.
A revelação, pela Reuters, de que é verdadeira a descoberta, feita pelo Kaspersky Lab, um fabricante de softwares russo, de que os discos rígidos de computador fabricados pelas maiores indústrias do setor já vêm, “de fábrica” com programas espiões, que permitem ao Governo americano bisbilhotar seu conteúdo, é mais um capítulo revelado do imenso sistema de espionagem montado no mundo.
E que não provoca reação à altura da comunidade internacional, como não provocou a revelação da espionagem da NSA americana sobre as telecomunicações internacionais, que não poupava sequer chefes de Estado “amigos” dos EUA.
Tal como ocorre aqui com o argumento da corrupção “justificar” as tropelias cometidas pelo poder, também em escala mundial o “terrorismo” (boa parte dele produzido com a influência dos próprios americanos) serve de razão do lobo para invadir, ciberneticamente, os países que não agradam aos donos do mundo.
Afinal de contas, a maioria dos HD infectados é usada no Irã, na China,na Rússia, no Paquistão, no Afeganistão além do Mali, Síria, Iêmen e Argélia. E em computadores dos “governos, de uso  militares, companhias de telecomunicação e eletricidade, bancos, pesquisadores de energia nuclear, meios de comunicação e (ah, sim…)ativistas islâmicos” , diz a Reuters.
Mais grave, porém, que a espionagem eletrônica é a crescente convicção de que isto é normal e faz mesmo parte das relações de poder e cobiça no mundo, desde que nasce a história humana.
O que não está longe da verdade.
Assim como a corrupção, milagrosamente recém-descoberta, faz parte das relações econômicas do mundo, desde quando é possível olhar para trás.
O que não as faz, nem a uma nem a outra, “normais” ou aceitáveis.
Embora a indignação e a revolta ocorram de maneira convenientemente seletiva.
Imaginem, por exemplo, se os programas de espionagem fossem iranianos, russos ou chineses…Que crise mundial, não é?
Agora, se quiser transpor esse mesmo contraste para a corrupção, fique livre para imaginar.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=24839

Contas secretas do HSBC paralisam o mundo, menos o Brasil

18.02.2015
Do portal da REDE BRASIL ATUAL, 17.02.15
Por Portal GGN 

Interesse no conteúdo das contas não é apenas curiosidade em conhecer segredos de milionários. O projeto de jornalismo internacional aborda irregularidades cometidas sob o manto do sistema financeiro 

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São Paulo – A lista de nomes de mais de 100 mil correntistas da filial do HSBC em Genebra, que construiu uma indústria de lavagem de dinheiro, intermediada por empresas offshore como forma de fugir da fiscalização dos países de origem, está correndo pelo mundo. Aos poucos, cada uma das pessoas e entidades estão sendo reveladas. França, Espanha, Suíça, Dinamarca, Índia, Angola, Bélgica, Chile, Argentina, e outros países, divulgam reportagens detalhadas a cada dia, com novas informações. Menos o Brasil.
O primeiro jornal a ter conhecimento foi o francês Le Monde. Ele teve acesso aos dados secretos de uma investigação iniciada em 2008, pelo governo da França, por meio de informações vazadas do ex-funcionário do HSBC, franco-italiano especialista em informática, Hervé Falciani.
Percebendo que o esquema envolvia mais de 200 países, o Le Monde decidiu compartilhar todo o material com o ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), uma rede que integra 185 jornalistas de mais de 65 países, que investigam casos em profundidade. Do Brasil, são cinco membros: Angelina Nunes, Amaury Ribeiro Jr., Fernando Rodrigues, Marcelo Soares e Claudio Tognolli.
Os cinco, portanto, teriam acesso à considerada maior base de investigações fiscais do mundo, até hoje, de posse inicial do Le Monde. Nesses arquivos estão os nomes, profissões e valores de ativos de todos os clientes da filial do HSBC na Suíça. O ponto fraco dos documentos é delimitar quando houve indícios de participação de ilegalidades, uma vez que não é proibido ter uma conta bancária na Suíça. Estão incluídos nomes da realeza, figuras públicas, políticos, celebridades, empresários.
O ICIJ formou um grupo menor de jornalistas para investigar os documentos do projeto denominado como Swiss Leaks. Participam todos os países do Consórcio. Do Brasil, Fernando Rodrigues, do Uol, é o único que tem em mãos as apurações dos clientes brasileiros.
Até o momento, as informações divulgadas pelo ex-repórter da Folha de S. Paulo são de que os dados do HSBC indicam 5.549 contas bancárias secretas de brasileiros, entre pessoas físicas e jurídicas, em um saldo total de US$ 7 bilhões. Nenhum nome. Fernando Rodrigues explica que entrou em contato com autoridades brasileiras, para saber se há ilegalidade nessas operações bancárias, ou se os valores foram declarados à Receita. E que estaria desde novembro aguardando a resposta.
Essa desculpa não bate com o histórico do jornalista. O fato de divulgar a existência da lista e segurar os nomes dá margem a toda sorte de interpretações.
Enquanto isso, o jornalista investigativo argentino, Daniel Santoro, também membro do ICIJ,publica nomes e sobrenomes: os empresários Juan Carlos Relats, Raúl Moneta, e pessoas próximas ao governo, como o grupo Werthein. Os chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, também jornalistas, divulgam os conhecidos de alto patrimônio local: Andrónico Luksic, José Yuraszeck, Ricardo Abumohor, Óscar Lería, Álvaro Saieh, José Miguel Gálmez e o clã Kreutzberger, com filhos e parentes do apresentador de televisão "Don Francisco".
REPRODUÇÃO
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O jornal argentino Clarín mostra claramente os envolvidos em irregularidades no HSBC suíco

"O Instituto de Religiosas de San José de Gerona chegou a ter 2,7 milhões na Suíça", foi a última manchete do jornal espanhol El Confidencial, que horas antes também publicou que a família de empresários Prado figuravam na lista. Nas reportagens, o jornal indica: "a lista Falciani foi descoberta".
Da Bélgica, o Mondiaal Nieuws mancheta: “entre os 722 belgas da lista do HSBC, estão novamente um monte de diamantes industriais bem conhecidos e descendentes de famílias nobres”. A mesma linha segue o folhetim indiano The Indian Express: “77 dos 1.195 indianos na lista suíça do HSBC estão ligados à indústria de diamantes. O jornalista Appu Esthose Suresh viajou à Mumbai para descobrir como uma pequena empresa familiar controla a indústria”.
O Paraguai denunciou o próprio presidente Horacio Cartes, que tem uma conta na filial do banco na Suíça. Egito, Dinamarca, Rússia, os países não param. O que pode ser o maior esquema de rombo fiscal está paralisando o noticiário mundial.
No Brasil, o jornalista que poderia trazer as melhores investigações publicou quatro reportagens em sua página do blog. Três delas (aquiaqui e aqui) são a tradução de artigos de outros jornalistas estrangeiros, sem nenhuma referência ao que ocorre aqui, e quem está envolvido.
Na quarta reportagem, enquanto aguarda a resposta das autoridades brasileiras, Fernando Rodrigues deu espaço a dados latino-americanos: “na América Latina, nacionais de vários países estão na lista do HSBC. (...) O saldo total máximo mantido nessas contas secretas de latino-americanos ultrapassa US$ 31 bilhões”.
O Brasil figura como o 9º no ranking de países com a maior remessa de dólares, de acordo com os arquivos vazados da Suíça. A quantia máxima de dinheiro associada a um cliente ligado ao Brasil foi de US$ 302 milhões. Foram abertas 5.549 contas de clientes brasileiros entre 1970 e 2006. Essas informações estão no site do ICIJ.
REPRODUÇÃO
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Documento elaborado pela investigação jornalística aponta o Brasil como fonte de recursos de origem pouco clara

Os documentos ainda mostram que 8.667 clientes são vinculados ao Brasil. Destes, 55% tem um passaporte brasileiro ou a nacionalidade. No gráfico, é destacada a distribuição entre os tipos de contas: 70% numeradas, 10% contas vinculadas a companhias Offshore, e 20% vinculadas a uma pessoa.
As investigações, partindo de jornalistas pelo mundo, está permitindo recuperar centenas de milhões de dólares em impostos não pagos.
Como bem frisaram os jornalistas chilenos Francisca Skoknic e Juan Andrés Guzmán, "o interesse em divulgar o conteúdo destas contas não é baseado na curiosidade em conhecer os segredos dos milionários. Este projeto de jornalismo internacional – que participam mais de 140 jornalistas de 45 países – busca trazer luz sobre o dinheiro depositado na Suíça, uma jurisdição utilizada pelo alto sigilo sobre os ativos, que os protege e, em particular, sobre os clientes do HSBC, o banco que já foi objeto de uma investigação do Senado dos EUA que revelou que tem sido usado para proteger os fundos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, entre outras irregularidades. Além disso, um grande número de contas – incluindo as de muitos chilenos – estão ligados ao uso de empresas sediadas em paraísos fiscais, uma das maneiras mais comuns de esconder quem são os verdadeiros donos".
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Fonte:http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2015/02/hsbc-contas-secretas-paralisam-o-mundo-menos-o-brasil-1806.html