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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

ÓDIO, PRECONCEITO E FANATISMO QUE INFESTAM EUROPA, GERMINAM NO BRASIL

09.01.2015
Do portal BRASIL247
Por Eduardo Guimarães

A intolerância política, “racial”, cultural contra os nordestinos, assim como na Europa, vai crescendo também no Brasil, inclusive com outro ingrediente explosivo, a religião

Eduardo GuimarãesCostumamos olhar para tragédias como a que ceifou 12 vidas na cosmopolita Paris com um misto de alívio e distanciamento. Ao longo da vida, todos já ouviram e/ou proferiram a teoria de que “pelo menos não temos esse tipo de problema, no Brasil”.

Será mesmo?

Passeando pelas análises publicadas pela imprensa, pelas redes sociais e pela blogosfera brasileiras sobre o episódio Charlie Hebdo, pode-se extrair algumas conclusões básicas, necessárias a esta análise:

1 – A revista Charlie Hebdo, se não é de “extrema-esquerda”, ao menos é esquerdista.

2 – Apesar de “esquerdista”, a revista fustiga o Islã, cujo maior inimigo, atualmente, é a estrema-direita, inclusive a francesa, que quer expulsar os muçulmanos da França enquanto alardeia uma ridícula “islamização do Ocidente”.

3 – Apesar de as vítimas dos dois (?) fanáticos (pseudo) islâmicos serem esquerdistas, o atentado está favorecendo a extrema-direita europeia, talvez porque o anti-islamismo da revista se identifica com o da ultradireita francesa.

4 –  Muçulmanos de várias nacionalidades que hoje vivem na Europa acabam de se tornar alvos em potencial do extremismo xenófobo de direita que se agiganta no Velho Mundo – na França, por exemplo, Marine Le Pen, filha do líder de ultradireita Jean Marie Le Pen, da Frente Nacional (FN), lidera (!!) as pesquisas para a sucessão de François Hollande.

5 – Apesar de a Europa abrigar uma imensa população muçulmana, essa população vive acuada pelo ódio, pelo preconceito e pela intolerância de grande parte das populações europeias autóctones.

Foi justamente no continente europeu que eclodiram as piores guerras da era moderna, sendo, duas delas, guerras “mundiais”. E essas guerras que conflagraram as nações supostamente mais avançadas (socialmente) do planeta decorreram, em boa medida, da intolerância étnico-cultural-religiosa.

Desloquemo-nos, agora, milhares de milhas ao Sul do planeta, até uma nação imensa e ainda mais multiétnica do que as nações europeias. Uma nação onde o fascismo de ultradireita entrou em ascensão após os protestos tresloucados de junho de 2013.

O Brasil tem seus “muçulmanos”, ou seja, uma população “imigrante” e “estrangeira” em seu próprio país. O ódio aos nordestinos que viceja no Sul e no Sudeste do Brasil em muito se assemelha ao que vige contra muçulmanos na Europa.

A intolerância política, “racial”, cultural contra os nordestinos, assim como na Europa, vai crescendo também no Brasil, inclusive com outro ingrediente explosivo, a religião. Ainda que não tenhamos discriminação de religiões, no Brasil temos religiões que discriminam comportamentos e opções políticas.

Claro que ainda não chegamos ao ponto de graves confrontos físicos. Por conta disso, o título deste texto alude a que essas infestações ideológicas apenas “germinam” por aqui, mas germinam continuamente.

Grupos de ultradireita pregam o fim da democracia, proibição de partidos políticos, assassinatos e tortura de esquerdistas, repressão violenta a homossexuais, impunidade ao racismo etc., etc., etc.

Esse tipo de gente já foi minoria na Europa central moderna. Hoje, o mundo assiste, com preocupação, a possibilidade de a França eleger, para a sucessão de François Hollande, a filha de Jean Marie Le Pen…

O horror, o horror!

O ataque ao semanário Charlie Hebdo também providencia uma segunda reflexão: o papel da imprensa no aquecimento do ódio, do preconceito e do fanatismo. O poder da comunicação, acima de políticas de Estado, gerou a tragédia em Paris.

No Brasil, a comunicação tem sido responsável pelo recrudescimento do ódio político-ideológico. O vídeo abaixo revela um processo que germina no Brasil e que, para crescer ao ponto do europeu, precisa, apenas, de continuidade e tempo…

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/artigos/166132/Ódio-preconceito-e-fanatismo-que-infestam-Europa-germinam-no-Brasil.htm

Esquema de violência na Faculdade de Medicina da PUC envolve médicos formados

09.01.2015
Do blog PRAGMATISMO POLÍTICO

Estudantes detalham esquema de violência física e de humilhações na Faculdade de Medicina da PUC. Estrutura de poder baseada na hierarquia conta com a participação de médicos formados e alunos veteranos

trotes violentos puc campinas medicina
Alunos denunciam trotes violentos na Faculdade de Medicina da PUC-Campinas 
(Imagem: Pragmatismo Político)
 
Em longo depoimento na CPI instalada na Assembleia Legislativa para apurar violações dos direitos humanos e outras ilegalidades nas universidades de São Paulo, alunos da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica (PUC)-Campinas denunciaram hoje (7) um esquema de intimidação, ameaças, violências física e moral e trotes humilhantes.

O esquema tem a participação de alunos veteranos e mesmo médicos formados. Segundo os alunos, a Associação Atlética Acadêmica Samuel Pessoa é um dos pilares do esquema, cuja estrutura de poder seria baseada na hierarquia na qual a ponta superior teria a participação ou anuência de professores da instituição. A entidade destina-se a promover e coordenar eventos esportivos e “integração” dos alunos da faculdade, organizando festas e outras atividades.

Os veteranos e alunos, de modo geral, são submetidos a um sistema de hierarquia e a todos são atribuídos apelidos, que são dados numa data específica, o “Dia do Apelido”. “A pessoa ganha um apelido e perde a identidade”, disse um dos depoentes. O sistema de intimidações e trotes violentos envolve alguns veteranos conhecidos por alcunhas como Castor, Cebola, Xoxota e Boner, alguns dos citados na audiência. É comum que um veterano se especialize em um tipo de trote.

O apelidado Boner, por exemplo, é conhecido por ter preferência pela “esternada”: esse trote consiste simplesmente em um soco desferido no esterno, osso situado acima do estômago. De acordo com os alunos, o veterano conhecido como Castor tem o hábito de urinar nos calouros.

Um dos mais “respeitados” entre os veteranos – na verdade já formado – é o conhecido como Xoxota, que faz residência médica em pediatria, segundo os depoimentos. Embora já tenha terminado o curso, mesmo assim ele participa dos trotes. “Os trotes não são feitos só para humilhar, mas para a pessoa entrar na estrutura“, contou um dos depoentes. Afinal, os calouros serão os futuros veteranos responsáveis por aplicar o “batismo” às novas turmas.

No alto da hierarquia, segundo a reportagem apurou, estariam os médicos Carlos Osvaldo Teixeira, o Caiá, chefe do departamento de Clínica Médica da PUC-Campinas e fundador da Associação Atlética Acadêmica Samuel Pessoa, e Maria Aparecida Barone Teixeira, a Cidinha, responsável por indicar o formando que vai entrar na clínica médica. Caiá seria adepto de ter sua mão beijada. Os alunos contaram que “todo mundo da família tem que adorar Cidinha e Caiá”.

As violências não são fatos isolados. Os membros da “sociedade” formada a partir da Associação Atlética se autointitulam “a Família”. As meninas são submetidas a situações humilhantes, como ser obrigadas publicamente a simular sexo oral com bananas ou pedaços de pau. A “Família” obriga os alunos a decorarem hinos de teor misógino, machista e de estímulo à violência sexual. Eles são forçados a aprender esse hinário sob ameaças, como em exercícios militares.

Os alunos que se recusam a participar das atividades sofrem ameaças não apenas de violências física ou moral, mas de terem inclusive sua vida profissional prejudicada. O medo de retaliações faz com que os alunos evitem denunciar o esquema. Os alunos mais jovens costumam ouvir frases como: “se você não é da família, eu não vou poder te ajudar (quando o aluno se formar)”. “Isso assusta muito quem está no primeiro ano, começando uma vida na faculdade. O medo de ficar seis anos na faculdade e depois não conseguir trabalhar”, disse um dos depoentes.

Entre outras obrigações a que os “bixos” (calouros) são submetidos, está a de furtar lençóis do hospital (fornecidos pelo SUS) para serem usados em festas.

Não posso acreditar que numa universidade possa acontecer isso. A igreja católica não pode respaldar, acolher coisas que acontecem na Faculdade de Medicina da PUC de Campinas. Eu sou um homem de esquerda e minha formação é católica. Estou totalmente agredido, isso é uma barbárie”, disse o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da CPI da USP. A comissão vai convocar professores e membros da instituição da faculdade para depor. “Nosso objetivo aqui é formar médicos mais humanizados. Se as coisas não mudarem, daqui a dez anos vamos continuar ouvindo as mesmas histórias”, disse um dos alunos na CPI.

Por motivos de segurança, seus nomes não foram divulgados. As denúncias serão levadas ao Ministério Público.

Eduardo Maretti, RBA
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Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/01/esquema-de-violencia-na-faculdade-de-medicina-da-puc-envolve-medicos-formados.html