quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Impeachment é golpe porque fazem invenção de motivos, afirma Dilma

17.12.2015
Do BLOG DA FOLHA, 16.12.15

Líder petista esteve ao lado do ex-presidente do Uruguai, José Mujica, na Conferência Nacional da Juventude(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)
Da Folhapress
Em um duro discurso contra o processo de impeachment de seu mandato, a presidente Dilma Rousseff disse que a iniciativa é “golpe” porque não há motivos para afastá-la do Palácio do Planalto. A petista lembrou o período da ditadura militar (1964-1985), ao afirmar que o Brasil vive um momento de “batalha”, que “ditará os rumos do país por muito tempo”.
“A Constituição brasileira prevê sim esse processo [do impeachment]. O que ela não prevê é a invenção de motivos. Isso não está previsto em nenhuma Constituição”, afirmou na tarde desta quarta-feira (16) na 3ª Conferência Nacional da Juventude.
“Aqueles que tentam interromper um mandato popular conquistado legitimamente nas urnas não conseguem encontrar uma razão consistente para seus atos de tentar interromper o meu mandato. E é à falta de razão que nós chamamos de golpe”, emendou.
Dilma foi recebida por uma plateia de jovens aos gritos de “não vai ter golpe, vai ter luta” e ouviu um “Parabéns” atrasado do público -a petista fez aniversário nesta segunda-feira (14). Ela discursou durante cerca de 40 minutos, acompanhada de cinco ministros de seu governo, além do ex-presidente do Uruguai José Mujica.
“Neste momento, usando todos os instrumentos que o Estado democrático de direito me faculta, lutarei contra a interrupção ilegítima de meu mandato”, afirmou de forma enfática. Sem citar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que acatou o pedido de impeachment, Dilma ainda ironizou o fato de que é possível identificar, facilmente, falhas no currículo de seus opositores.
“[Eles] abem que têm de usar de artifícios, porque não conseguirão nada atacando minha biografia, que é conhecida. Sou uma mulher que lutou, amo o meu país. E eu sou honesta. O mais irônico é que muitos que querem interromper o meu mandato têm biografias que não resistem a uma rápida pesquisa no Google”, disse provocando risadas da plateia.
A fala foi seguida de gritos ‘ai ai ai, a Dilma fica, o Cunha sai’.

Ditadura
Torturada na ditadura militar, Dilma lembrou o “pesadelo” que esse período gerou no país diante da “luta” que o país vive no momento.
“Eu e muitos outros da minha geração (…) sabemos ao que levam os pequenos passos, que depois se transformam em grandes passos, e depois ainda em pesadelos, quando a ditadura se instala.” Para ela, é preciso impedir que a democracia do país seja “golpeada, agredida ou desrespeitada”.
Dilma ainda negou que a crise política pela qual passa o governo federal seja uma justificativa para sua destituição.
“Só no parlamentarismo a crise política é alegação para se afastar o governo. Porque no parlamentarismo, o chefe de governo não é eleito pelo voto direto majoritário e sim pelo voto proporcional. Assim, quando há alguma questão política, é possível dissolver o gabinete e convocar novas eleições. No presidencialismo, não. O voto é direto, é majoritário, foi dado nas urnas”.
Dilma voltou a criticar “atalhos” para se chegar ao poder, de forma a provocar uma “situação de instabilidade” no país. Ela ainda criticou em seu discurso a redução da maioridade penal, a repressão a “movimentos pacíficos com forças policiais” e defendeu a Petrobras, estatal alvo de operação da Lava Jato.
“Enganam-se aqueles que acham que a Petrobras não tem a força de antes. A Petrobras continua sendo a maior empresa deste país”,disse.
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Fonte:http://www.folhape.com.br/blogdafolha/?p=226163
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