quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

"Lista de Furnas: O caso de corrupção que a mídia mais esconde"

30.12.2015
Do blog CONTRAPONTOPIG, 12.07.15

Tucano_Gangue
Quadrilha tucana: Todos os políticos dessa foto, sem exceção, estão na Lista de Furnas.


Como teriam sido desviados milhões de reais de estatais, bancos e fornecedores do Estado. Quais os indícios da PF? Quem os jornais procuram proteger?

Lúcia Rodrigues, via Viomundo e lido no Outras Palavras

Quem pensa que o mensalão do PSDB é o único esquema de corrupção do partido que está impune, se engana. A sigla está envolvida em pelo menos outro escândalo de desvio de recursos que não foi julgado até agora, apesar de a Polícia Federal ter atestado a autenticidade do documento-chave para a denúncia.

O mensalão tucano, recorde-se, ajudou a financiar a campanha de 1998, quando Fernando Henrique Cardoso se reelegeu ao Planalto e Eduardo Azeredo, do PSDB, foi derrotado na disputa pelo governo de Minas Gerais por Itamar Franco.

Nas eleições de 2002, os tucanos promoveram outra forma de arrecadação de recursos para financiar suas campanhas e as de seus aliados. O esquema previa o repasse de dinheiro por meio de licitações superfaturadas da empresa Furnas Centrais Elétricas S.A.

Na ocasião, Aécio Neves era candidato a governador de Minas, Geraldo Alckmin concorria em São Paulo – ambos foram eleitos – e José Serra disputava com Lula o Planalto.

A chamada Lista de Furnas, como ficou conhecida a estratégia de financiamento montada pelos tucanos, rendeu milhões de reais para financiar campanhas. Denúncia da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro classifica o esquema como criminoso.

O delator do mensalão tucano, Nilton Monteiro, que também é o responsável pelo vazamento de informações sobre a lista, informou à procuradora Andréa Bayão Pereira, autora da ação do MPF, que os recursos eram controlados em um fundo (caixa 2).

A Lista de Furnas, documento de cinco páginas assinado por Dimas Fabiano Toledo, à época diretor de Planejamento, Engenharia e Construção de Furnas e operador do esquema, traz os nomes de mais de 150 políticos beneficiários, assim como uma centena de empresas financiadoras. No alto de cada folha se lê a advertência: confidencial.

“Esses recursos eram controlados em um fundo formado com valores obtidos junto às diversas empresas que mantinham contratos com Furnas” afirma Nilton Monteiro em seu depoimento à procuradora. Ele explica que os empresários que queriam atuar em Furnas tinham de contribuir com esse fundo. “Caso contrário não conseguiriam realizar nenhum contrato na empresa estatal.”

O deputado estadual Rogério Correia (PT/MG), primeiro a entregar uma cópia da Lista de Furnas à Polícia Federal, conta como o esquema funcionava. Ele obteve o xerox do documento com o delator do mensalão tucano. “Quando ele me passou a Lista de Furnas, eu tomei um susto”, relata.

O laudo da Polícia Federal atesta que o documento é autêntico. O pedido de perícia foi feito pelo parlamentar. “Na época o Nilton Monteiro, e até hoje provavelmente, não ficou satisfeito comigo. A intenção dele não era entregar [a lista] à Polícia Federal. Ele tinha aquilo para fazer suas negociações com o lado de lá”, afirma ao se referir às tentativas do delator de arrancar vantagens dos ex-aliados tucanos.

Nilton Monteiro, que trabalhou com o empresário Sérgio Naya, ex-deputado federal por Minas Gerais, operava nos bastidores da política do estado e tinha intimidade com figuras importantes do ninho tucano nas Alterosas.


Furnas_Lista02_Grafico

Desvio de milhões de reais

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, então candidato ao cargo, o ex-governador José Serra, que disputava a Presidência da República, e o senador Aécio Neves, à época candidato ao governo de Minas Gerais, foram os principais beneficiários do esquema de corrupção milionário do PSDB.

Pela lista, Alckmin foi quem mais recebeu recursos: R$9,3 milhões, R$3,8 milhões distribuídos no primeiro turno e R$5,5 milhões repassados no segundo. Serra foi beneficiado com R$7 milhões, R$3,5 vieram no 1º turno e o restante no 2º. Aécio aparece como beneficiário de R$5,5 milhões, quantia repassada em uma única parcela. Alckmin e Aécio foram eleitos, Serra perdeu a eleição para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e o deputado federal José Aníbal (PSDB), que disputavam uma cadeira no Senado pelo Rio e por São Paulo, respectivamente, receberam R$500 mil cada um.

Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas e então candidato ao Senado, recebeu R$550 mil. Já o candidato a outra vaga no Senado por Minas, Zezé Perrella (PSDB/MG), pai do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD/MG), dono da empresa proprietária do helicóptero apreendidopela Polícia Federal, no Espírito Santo, com quase meia tonelada de cocaína, foi beneficiado com R$350 mil.

Ao lado do nome de Zezé Perrella e do montante repassado aparece a informação entre parênteses: autorização de Aécio Neves. Esse é o único caso em toda a lista em que se encontra esse tipo de anotação.

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSDB), candidato a deputado federal à época, foi beneficiário de R$250 mil. O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), que também disputava uma cadeira na Câmara dos Deputados, recebeu R$100 mil.

Luiz Antônio Fleury Filho, ex-governador de São Paulo, eleito na época deputado federal pelo PTB, também se beneficiou do mesmo valor. Quantia equivalente foi entregue ao filho do ex-delegado da Polícia Federal Romeu Tuma, o ex-deputado federal Robson Tuma (PTB/SP), assim como ao ex-presidente da Força Sindical e ex-deputado federal Luiz Antônio de Medeiros (PL/SP). Ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB/SP) foram destinados R$50 mil.

Antônio Carlos Pannunzio, eleito em 2012 prefeito de Sorocaba, aparece na lista como recebedor de R$100 mil para sua campanha a deputado federal.

O delator do “mensalão” petista, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB/RJ), também foi beneficiado pelo esquema de corrupção tucano. Recebeu R$75 mil. Valdemar Costa Neto, condenado no “mensalão” petista, recebeu R$250 mil do PSDB por meio do desvio fraudulento de recursos. O capitão do Exército e deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PP), crítico dos direitos humanos e árduo defensor da ditadura militar, foi beneficiado com R$50 mil do esquema corrupto desencadeado pelos tucanos. Andrea Neves, irmã do senador Aécio Neves, também recebeu R$695 mil, para repassar a comitês e prefeitos do interior do Estado de Minas Gerais.

O deputado Rogério Correia explica que além do laudo da Polícia Federal atestando a veracidade da Lista de Furnas, há também o relatório da Procuradoria da República no Estado do Rio de Janeiro, de janeiro de 2012, que chegou à mesma conclusão por outras vias.

Empreiteiras e bancos

As construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS e Odebrecht são algumas das empreiteiras que financiaram o esquema de corrupção do PSDB. O Banco do Brasil, Bank Boston, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Opportunity e Rural são algumas das instituições financeiras que, segundo a lista assinada por Dimas Toledo, injetaram dinheiro no esquema.
A Alstom e a Siemens, envolvidas mais recentemente no esquema de superfaturamento de trens do Metrô e da CPTM comprados pelo governo tucano paulista, são citadas na lista. As agências de publicidade de Marcos Valério, DNA e SMP&B, também contribuíram.

Petrobras, Vale do Rio Doce, CSN, Mitsubishi, Pirelli, Eletropaulo, Gerdau, Mendes Júnior Siderúrgica, General Eletric e Cemig figuram entre a centena de empresas públicas e privadas que aparecem como financiadoras.

Os fundos de previdência privada dos funcionários da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, respectivamente, Petros, Previ e Funcef também são mencionados. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan, foi outra que destinou recursos para o esquema tucano, de acordo com o documento.

O Tribunal de Contas da União analisou contratos de Furnas e detectou direcionamento em favor de determinadas empresas, além de superfaturamento nas licitações.

Uma auditoria da Controladoria Geral da União, realizada em 2006, constatou falhas no processo licitatório de Furnas: fraudes, desperdícios e abusos, além de projetos antieconômicos e inadequados às necessidades da empresa.

Mesmo com todas as evidências, o processo sobre a Lista de Furnas está parado, segundo o deputado Rogério Correia.

O esquema operado por Dimas Toledo o fazia tão poderoso que Aécio Neves, eleito governador de Minas em 2002, negociou com o então presidente Lula a permanência de Toledo na direção de Furnas.

“O que deixou a bancada do PT bastante insatisfeita, porque Dimas Toledo arquitetava tudo contra o PT, especialmente no sul de Minas”, frisa o deputado Correia.

Curiosamente, o filho de Dimas Toledo, Dimas Fabiano Toledo Jr., deputado estadual em Minas, aparece na lista como tendo recebido R$250 mil.

Gênese do “mensalão” petista

A Lista de Furnas revela financiamento “democrático”. Embora organizada por gente ligada ao PSDB, irrigou as campanhas de uma ampla base de políticos, de vários partidos. Em tese, seriam aqueles que dariam sustentação parlamentar a um eventual governo de José Serra, não tivesse o paulista sido derrotado por Lula em 2002.

Apesar da derrota de Serra, Alckmin e Aécio se elegeram governadores, garantindo a influência política dos tucanos em dois estados-chave da federação.

A “democracia” na hora de destinar verbas de campanha, expressa na Lista de Furnas, não era exatamente uma novidade nos esquemas de Minas Gerais.

Em 1998, mais de 30 candidatos do Partido dos Trabalhadores no estado foram beneficiados com recursos do outro esquema do PSDB, o “mensalão tucano” – que a mídia corporativa já chamou de “mensalão mineiro”.

Relatório da Polícia Federal, de 172 páginas, sobre o mensalão do PSDB aponta que os candidatos do PT receberam R$880 mil pelo esquema.

Rogério Correia é contundente na crítica aos colegas de partido. “Pra acertar contas de campanha, receberam recursos de Eduardo Azeredo, já no esquema do mensalão. Isso teria sido negociado via Walfrido dos Mares Guia… Achei isso lamentável. O PT já começava naquela época a ter uma relação com a instituição onde se confundia com as artimanhas que a institucionalidade coloca, com o cretinismo da institucionalidade”, alfineta.

Para Correia, o PT acreditou que a impunidade que existia para o PSDB iria existir também para o partido. “Isso é uma ilusão. A palavra melhor é ilusão de classes… O PT ‘quebrou a cara’ por uma visão errada do ponto de vista ideológico de setores do partido que acham que a luta de classes acabou… Isso é uma ilusão terrível que tem dentro do PT”, fustiga.

Pela semelhança entre o esquema do assim chamado “mensalão tucano” e o que seria revelado mais tarde, envolvendo o PT, Rogério Correia critica a atuação tanto do Supremo Tribunal Federal, quanto do Ministério Público Federal.

As duas instituições, diz o deputado, deram tratamento diferenciado aos partidos envolvidos. Rogério Correia exemplifica com o caso do publicitário Marcos Valério. No “mensalão” petista, foi julgado em Brasília, apesar de não ter mandato e, portanto, foro privilegiado. O julgamento conjunto teria facilitado a apresentação da tese de uma grande conspiração para comprar apoio político no Congresso, possibilitando assim condenar um número maior de réus, inclusive os acusados de liderarem o esquema: o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares.

Já no mensalão tucano o tratamento dispensado a Valério foi muito diferente. O absurdo maior é que, segundo Rogério Correia, Valério trabalhou ao mesmo tempo para os dois partidos.
“Operava para o PSDB em Minas e para o PT nacionalmente. O mesmo esquema de caixa dois era usado pelos dois partidos. Olha o absurdo”, afirma.

A opção ideológica do Supremo Tribunal Federal e do Ministério Público Federal é, na opinião de Rogério Correia, o fator que impediu a apreciação do relatório assinado pelo delegado da Polícia Federal Luís Flávio Zampronha de Oliveira, que investigou o mensalão tucano.

O relatório oferece, segundo Correia, provas muito mais contundentes de que, no caso do PSDB, houve uso de dinheiro público para financiar campanhas eleitorais.

O dinheiro saia de estatais mineiras como a empresa de energia Cemig e a de saneamento Copasa.
No “mensalão” petista até hoje se discute se o dinheiro da Visanet, que teria abastecido o esquema, era público ou privado.

Pior que isso foi o tratamento desigual para iguais.

No caso dos tucanos, o processo foi desmembrado. Os políticos que receberam dinheiro do esquema escaparam. Considerou-se que eram beneficiários de caixa dois.

Ficaram para julgamento em Brasília apenas os operadores que tinham foro privilegiado, dentre eles o ex-presidente do PSDB e hoje senador Eduardo Azeredo, que aguarda julgamento.

Também foram denunciados na capital federal o ex-vice governador de Minas e hoje senador, Clésio Andrade, e o ex-ministro do governo Lula Walfrido Mares Guia, que deve ser beneficiado por prescrição por causa da idade.

Rogério Correia refuta a expressão “mensalão”, cunhada por Roberto Jefferson, delator do esquema petista.

Para o deputado mineiro, os dois esquemas envolveram caixa dois para sustentação de campanhas eleitorais – e não para a compra de votos.

“Também eles [base aliada do PSDB] votavam com o governo, sempre votaram com o Azeredo, na Assembleia Legislativa, e com o Fernando Henrique, na Câmara Federal, como é o caso do Aécio Neves. Se é pra dizer que era compra de votos, todos seriam…”, ressalta.

Ele não nutre expectativa em relação à punição de políticos do PSDB.

Lembra que o ex-presidente da Câmara, deputado federal João Paulo Cunha (PT/SP) foi condenado pelo STF tendo como principal prova o fato de que a mulher do parlamentar fez um saque em dinheiro na boca do caixa; já políticos do PSDB que receberam dinheiro do mensalão tucano diretamente em suas contas, com comprovantes de depósito e tudo, ficaram livres do processo.

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A seguir, os nomes da Lista de Furnas

Furnas_Lista05_Nomes
Furnas_Lista06_Nomes
Furnas_Lista07_Nomes
Furnas_Lista08_Nomes
Furnas_Lista09_Nomes
Furnas_Lista10_Nomes
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Leia também:









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Fonte:http://contrapontopig.blogspot.com.br/2015/07/contraponto-17197-lista-de-furnas-o.html

CORRUPÇÃO SELETIVA:Que bom seria se a Lava Jato fosse para valer…

30.12.2015
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
farsa capa
A imagem que encima este texto vale por um tratado sobre política, mas, para os que têm dificuldade em enxergar realidade como ela é e não como a mídia mafiosa pinta, vamos desenhar a situação.
Todos deveríamos estar exultantes com a Operação Lava Jato e com as condenações de políticos importantes pelo Supremo Tribunal Federal, Corte que, até que o PT chegasse ao poder, jamais condenara político algum à prisão.
Afinal de contas, quem não sabe, desde que começou a se entender por gente, que empreiteiras fazem negociatas, corrompem políticos, crescem e enriquecem às custas de obras públicas?
E quem não fica satisfeito por ver banqueiros e políticos importantes indo para a prisão – e, ainda mais havendo provas, como no caso de Delcídio do Amaral e André Esteves, do banco Pactual?
Deveríamos, pois, estar soltando rojões. Finalmente no Brasil, em tese, não seriam mais, apenas, pretos, pobres e prostitutas que vão em cana. Em tese, as prisões de empreiteiros, políticos e banqueiros significaria que, agora, não são mais apenas os três Pês que podem ver o sol nascer quadrado.
Contudo, não é nada disso.
O que a imagem acima revela é, apenas, que apenas acrescentamos um Pê aos três Pês que simbolizavam os únicos tipos de cidadãos passíveis de prisão no Brasil; agora, apenas Pretos, Pobres, Prostituas e Petistas (e quem se meta com eles) são os que podem ser presos neste país.
Vamos, pois, explicar a imagem no alto da página para aqueles que não conseguem pensar sozinhos. A imagem contém 5 edições do jornal Folha de São Paulo. Vamos analisá-las uma a uma.
Da esquerda para a direita, a primeira edição do jornal noticia, em letras garrafais, a prisão de Delcídio do Amaral. Contudo, em vez da foto de quem foi preso a capa da Folha trás a foto de Lula, que nem a processo responde.
A segunda capa da Folha da esquerda para a direita relata, com o maior destaque possível, que “amigo de Lula” foi preso, apesar de que o arrestado tem muitas amizades e relações com expoentes da oposição.
A terceira capa do jornal, da esquerda para a direita, também com todo o destaque possível e imaginável relata acusação de um delator da Lava Jato a um familiar de Lula.
Na segunda fileira de capas da Folha, tudo muda. São capas que relatam problemas com a Justiça que têm altos membros do principal partido de oposição do país.
A primeira capa da segunda fileira de capas, a partir da esquerda, relata que o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo foi condenado a vinte anos de prisão. A notícia ganhou uma notinha discreta no canto inferior esquerdo da primeira página do jornal. E sem foto do condenado.
A segunda capa relata que o líder da oposição, senador Aécio Neves, segundo candidato mais votado na eleição presidencial de 2014 – e que vive condenando petistas sem julgamento por serem delatados – foi delatado por um envolvido na operação Lava Jato.
Essa justaposição da capaz da Folha simboliza, também, o que acontece na Justiça brasileira a depender de quem seja o acusado. E, mais do que isso, revela o que acontecerá com investigações como a Lava Jato depois que o PT deixar o poder – seja via golpe, seja por via eleitoral.
Tudo isso que está acontecendo e que, em tese, deveria dar esperança ao Brasil de que o país está mudando, vai simplesmente acabar. A Lava Jato, pois, é uma farsa política engendrada, única e exclusivamente, para derrubar um governo. E mais nada.
Se o PSDB volta ao poder (toc-toc-toc), acabam as Lava Jatos ou qualquer outro tipo de investigação. As empreteiras, os banqueiros, os políticos voltarão a roubar desbragadamente sem que ninguém seja sequer denunciado – como acontecia antes de o PT chegar ao poder.
Sempre digo que eu estaria exultante se a Lava Jato fosse para valer. Se corruptos de todas as correntes políticas estivessem sendo presos, seria maravilhoso. Este país se tornaria ético e começaria a civilizar-se rapidamente.
Mas não é nada disso o que está acontecendo. Com ou sem provas, apenas corruptos e supostos corruptos de um único grupo político estão sendo penalizados, enquanto que seus equivalentes à direita são vergonhosamente acobertados pela imprensa e pela Justiça.
Além de não estar havendo combate real algum à corrupção, o país está ficando pior porque, mais do que nunca, o que está valendo aqui é a máxima que permeia a história brasileira desde o descobrimento: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2015/12/que-bom-seria-se-a-lava-jato-fosse-para-valer/

PROS COXINHAS SABEREM...JÁ EM 1992:“Quão corrupto é o Brasil?”

30.12.2015
Do blog O CAFEZINHO, 22.12.15

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Esquemas na Petrobras e Odebrecht e relação de políticos com o narcotráfico foram citados em relatório americano de 1992
por Alex Bessas, no Medium
Datado em 27 de maio de 1992, período de crise do governo de Fernando Collor de Melo, o relatório americano How corrupt is Brazil tenta compreender o quão corrupto era o Brasil. Com 16 páginas — e alguns trechos censurados — , o cable americano já citava suspeita de conduta ilícita na Odebrecht, esquemas na Petrobras e até a relação de políticos com o narcotráfico.
“A classe política é corrupta”, é uma afirmação comum”, expõe o cable americano.
“Todo político é ladrão”. Por mais que não reproduza uma verdade, esta é uma expressão que faz parte do senso comum dos brasileiros. O dito popular, no entanto, esconde a profundidade do problema no país, já que a prática não se restringiria aos gabinetes políticos. É com o famoso “jeitinho” que o relatório americano — escrito há 23 anos — dá conta do quão popular é a corrupção no país. “Práticas consideradas corruptas por muitos americanos são culturalmente enraizadas no Brasil”, compara.
Dividindo os esquemas de corrupção em tópicos, a destaque, por exemplo, para a fraude eleitoral. A compra de votos, seja por meio de dinheiro, cestas básicas ou serviços era considerada uma prática comum. Há também destaque para o nepotismo, que em 1992 não era considerada uma prática criminosa — só passou a ser em 2010, durante o governo Lula. A relação de políticos com o narcotráfico é outro tema abordado.
De todos os tópicos, um dos aspectos mais impactantes é a afirmação de que a “licitação em contratos com o governo é provavelmente a forma mais comum de corrupção” no país. É neste ponto que há referências ao fundador da empreiteira Odebrecht, que figura na lista de empresas investigadas na operação Lava Jato.
“A premiação por uma conta de um projeto de tratamento de água e esgoto no Rio Branco, Acre, de Norberto Odebretch INC. está sob investigação pelo Congresso. Acredita-se que parte do financiamento veio ilegalmente de um fundo de compensação para desempregados (seguro-desemprego) administrado pelo Ministro Antônio Magri. O governador do Acre, Edmundo Pinto iria se pronunciar em público em 18 de maio em Brasília, mas foi morto em um quarto de hotel em São Paulo, em 17 de maio. Diretores da Odebrecht estavam também no hotel. Algumas semanas antes, evidências sobre o contrato da Odebretch foram consumidos por fogo na Assembléia Legislativa do Acre. Suspeita-se de incêndio criminoso”, descreve o documento há mais de duas décadas atrás.
Fundador do Grupo Odebrecht, Norberto faleceu aos 93 anos, em julho de 2014. Quase um ano depois de sua morte, em junho deste ano, seu neto e sucessor, Marcelo Odebrecht foi preso pela Polícia Federal. A acusação que pesa contra o presidente da multinacional envolve esquemas de corrupção e formação de cartel.
Hoje, o grupo Odebrecht atua nas áreas de construção, engenharia, saneamento, energia, entre outros.

23 ANOS DEPOIS, UM DOCUMENTO AINDA CONTEMPORÂNEO

Com uma possível referência ao período da Ditadura Militar, o documento afirma que “a corrupção provavelmente foi uma constante nas décadas passadas”. No entanto, sugere que o que estava mudando é que a prática passava a ser “considerada inaceitável e inconsistente com as, ainda em evolução, instituições democráticas”.
Em outro momento volta a ponderar: “A frequência dos relatórios de corrupção durante a administração Collor pode ser atribuído, em parte, a uma liberdade sem restrições da imprensa, portanto, não significa que o governo seja mais corrupto do que seus antecessores”.
Há trechos que fazem a leitura parecer contemporânea: citando casos de corrupção no Congresso e no Judiciário, o cable tenta demonstrar que todo sistema político do país está contaminado e sofre constantes escândalos. Há também referências quanto a um suposto esquema de repasse automático de percentuais dos lucros de operações internacionais da Petrobras .
A citação de esquemas na petroleira traz à memória os recentes casos expostos na Lava Jato e a informação de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi alertado pelo dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamim Steinbruch, que acontecia um “escândalo” na estatal, conforme descrito nos “Diários da Presidência — volume 1” (Companhia das Letras).
Outro trecho que soa atual sugere que o sentimento de indignação — observado naquela época — vêm acompanhado do ressentimento de ver pessoas públicas enriquecendo enquanto o resto do país sofre com a recessão.

MÃE DINAH GRINGA

O extenso e sistemático texto chega a ser profético ao indicar que tantos escândalos tencionariam para uma apatia política do brasileiro. No documento há a afirmação de que, apesar do voto ser obrigatório no país, a tendência era de um grande nível de abstenções nas eleições municipais de 1992.
A previsão do relatório se mostrou certeira até mesmo se considerada a corrida pela presidência da república de 2014, quando, no primeiro turno, os votos não validados — nulos, brancos e abstenções — chegaram a 38,7 milhões, superando a votação do segundo colocado, Aécio Neves, que somou 34,8 milhões de votos.
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 Clique aqui e leia o documento na íntegra:

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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2015/12/22/quao-corrupto-e-o-brasil/

DELATOR APONTA PROPINA PARA AÉCIO DE R$ 300 MIL

30.12.2015
Do portal MINAS247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/minas247/211408/Delator-aponta-propina-para-A%C3%A9cio-de-R$-300-mil.htm

NANCY PEARCEY: “Verdade Absoluta”, libertando o Cristianismo de seu cativeiro cultural

29.12.2015
Do blog PERIGRINANDO, 16.03.13
Por AFTERWHILE

Resenha

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PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta: libertando o Cristianismo de seu cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, 526 p.

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A autora, Nancy Randolph Pearcey, é reputada como uma das mentes mais brilhantes que servem ao cristianismo evangélico. Profundamente influenciada por Francis Schaffer, Nancy Pearcey é professora visitante no Torrey Honors Institute, na Biola University. Seu currículo inclui um mestrado em Ciências Humanas (M. A.) pelo Covenant Theological Seminary, e outros trabalhos de pós-graduação em filosofia no Institute for Christian Studies, em Toronto, no Canadá. Além da obra em questão, Pearcey é co-autora de outros livros vertidos para o português, como por exemplo: A Alma da Ciência (Cultura Cristã), O Cristão na Cultura de Hoje e E Agora, Como Viveremos? (CPAD).

Verdade Absoluta, não obstante sua profundidade, nada mais é do que uma introdução ao pensamento de cosmovisão cristã. Em todo o escopo da obra é possível perceber a influência de Schaeffer sobre a autora, principalmente na reiterada alusão à dicotomia representada pelos dois pavimentos (público e particular), algo presente nas obras de Schaeffer. Com isso em mente, percebe-se que a tese central do livro é mostrar que uma cosmovisão cristã é possível, pois o Cristianismo possui as respostas para todos os dilemas da existência humana.

Visando atingir o seu objetivo, que é “libertar o evangelho para se tornar a força redentora em todas as áreas da vida” (PEARCEY, 2004. p. 25), a autora estrutura o livro em quatro partes: 1) O que há numa Cosmovisão; 2) Começando do Começo; 3) Como Perdemos a Mente Cristã; e 4) E agora? Vivendo Intensamente. Na primeira parte, Pearcey introduz o conceito de cosmovisão e diagnostica a situação do pensamento cristão no mundo pós-moderno. Os cristãos pós-modernos absorveram a verdade em dois pavimentos, de maneira que a fé cristã tem ficado restrita à área das convicções pessoais, enquanto na esfera pública vivem de acordo com pressupostos claramente anticristãos. 

Ela demonstra, de forma magistral, que não há nenhum sistema de pensamento que seja produto puro da Razão. Pelo contrário, “todo sistema de pensamento inicia-se em algum princípio último. Se não começa com Deus, começa com uma dimensão da criação – o material, o espiritual, o biológico, o empírico ou o que quer que seja” (op. cit., p. 45). Em virtude disso, é extremamente necessário que os cristãos desenvolvam, de forma consciente uma abordagem bíblica para todos os assuntos. Com isso em mente, e visando destruir a grade secular/sagrado, Pearcey apresenta a estrutura da visão de mundo cristã, a tríade Criação-Queda-Redenção. De acordo com ela, todas as cosmovisões podem ser analisadas a partir destes grandes temas, pois todas elas oferecem uma teoria de como tudo veio a existir, o que deu errado, e como restaurar o que foi estragado. De modo prático, ela demonstra como os três grandes temas estão presentes no pensamento de Marx, Rousseau, Margaret Sanger e no budismo.

A segunda parte possui visa fornecer ferramentas para defender a fé cristã dos desafios do naturalismo darwinista e fornecer “argumentos positivos a favor do desígnio inteligente” (PEARCEY, op. cit., p. 168). O ponto a ser salientado é que, o darwinismo é o responsável por uma ampla gama de tendências sócio-culturais extremamente ruins. O primeiro passo nessa empreitada é invalidar a pretensa autonomia dos cientistas naturalistas, bem como a suposta veracidade das evidências apresentadas em favor do darwinismo. Sintomático é o compromisso religioso dos cientistas com o naturalismo, a despeito das falsificações apresentadas e desmascaradas. Como Pearcey coloca: “Pelo visto, até provas falsificadas são aceitáveis, caso reforcem a ortodoxia darwinista” (op. cit., p. 182). Fica claro, que o darwinismo, sim, é uma crena irracional, que se opõe à verdade dos fatos. O darwinista crê a despeito de suas fraudes. Como exemplo da influência desastrosa do naturalismo darwinista na cultura, Pearcey apresenta a reconstrução da psicologia, da educação, do direito e até mesmo da teologia em termos evolucionários.

A terceira parte apresenta a espiral descendente histórica do pensamento cristão americano a partir do século XIX. Fundamental para a perda da mente cristã na América foi o papel exercido pelo Evangelicalismo. Destaca-se o movimento reavivalista, com sua ênfase no individualismo em detrimento da confessionalidade. Uma das ênfases desse movimento era que o a fé cristã era algo para ser sentido, o que, por sua vez, levou a fé para o pavimento do privado. A fé passou a ser tratada como simples questão de preferência pessoal. O reavivalismo recebeu forte oposição da ala erudita do Evangelicalismo, que se esforçou para dar uma expressão filosófica à fé cristã, mas que, em virtude da influência da filosofia baconiana, acabou reforçando a ideia de que o conhecimento público deve ser livro de qualquer pressuposto religioso.

Já a quarta parte aborda a relação entre a verdadeira espiritualidade e a visão de mundo cristã. Pearcey intenta apontar o caminho para a aplicação dos princípios absolutos da Escritura à experiência cotidiana. Ela expõe: 1) o perigo dos chamados Ídolos do Coração, que são barreiras existentes no relacionamento entre Deus; 2) a Teologia da Cruz, que exige uma profunda identificação do cristão com o Cristo rejeitado, crucificado e ressurreto, além da “morte espiritual”, que no pensamento da autora, é a escolha pela obediência aos mandamentos de Deus em todas as áreas da vida. Como ela pontua muito bem: “Ter uma cosmovisão cristã não é só responder a perguntas intelectuais. Também significa seguir princípios bíblicos nas esferas pessoais e práticas da vida” (op. cit., p. 404).

Verdade Absoluta é um livro excelente. A sua principal contribuição está na convocação implícita para o engajamento cristão para que a cosmovisão bíblica seja desenvolvida e venha a produzir uma influência holística, nas áreas profissional, acadêmica, familiar e religiosa. Os cristãos devem compreender que possuem um papel ativo no cumprimento do mandato cultural. A fé cristã deve ser devidamente articulada e apresentada como relevante a todos os aspectos da realidade. Em uma era confusa, caracterizada pela associação entre antiintelectualismo e espiritualidade, Verdade Absoluta se constitui em uma leitura indispensável. De fato e de verdade, o Cristianismo é a “Verdade sobre a realidade total”. É preciso proclamar esta verdade.”

visto em 16.03.11 às 22:40 (moscou) – 

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Fonte:https://afterwhile.wordpress.com/2011/03/16/resenha-verdade-absoluta/