terça-feira, 28 de julho de 2015

Seja a favor da mulher sendo contra o aborto

28.07.2015
Do portal ULTIMATO ON LINE
Por Elisa Robson

Seja a favor da mulher sendo contra o abortoSempre que me posicionei contra o aborto, o mais insistente argumento que ouvi foi de que esta era uma postura contra a mulher e seus direitos. Fui questionada como eu, mulher, mãe, defensora da igualdade salarial entre homens e mulheres, a favor da paridade política e contra toda sorte de discriminação por gênero, poderia me opor ao “direito” de uma mulher, desesperada por uma gravidez indesejada, fazer um aborto se assim quisesse?

No dia 20 de setembro de 2014, Elizangela Barbosa, de 32 anos, morreu após uma cirurgia clandestina, em Niterói (RJ). Ela deixou três filhos e estava grávida de cinco meses quando decidiu não ter o quarto filho. Na operação, um tubo de plástico foi deixado dentro do útero, fato que foi comprovado pelos legistas. Na delegacia, o marido dela disse que deixou a esposa na periferia de São Gonçalo, onde ela se encontrou com um homem que a levaria à clínica de aborto. Na bolsa, a vítima levava R$ 2,8 mil para pagar pelo procedimento. Três pessoas foram presas.

Para os defensores da legalização do aborto esta história revela o pior dos problemas que enfrentamos hoje quando se fala neste tema: as mulheres abortam de qualquer jeito, independente se a prática é ou não crime. Existe até um número extraordinário circulando entre acadêmicos e em matérias da imprensa cuja fonte é a PNA – Pesquisa Nacional do Aborto, publicada pela Universidade de Brasília (UnB).

Os dados apontam que, até 2014, 7,4 milhões de mulheres de até 40 anos já teriam feito o procedimento no país. Por isso, segundo tais defensores – incluindo a ministra Eleonora Menicucci (PT), responsável pela Secretaria de Políticas para Mulheres – seria uma questão de saúde pública oferecer um médico confiável e uma boa clínica de aborto a estas grávidas.

Bem, no Brasil, a mulher já tem o direito de não prosseguir com a gravidez em três situações: violência sexual, risco de vida e anencefalia. Nesses casos, a mulher deve procurar o serviço de aborto legal mais próximo, para se consultar com a equipe multiprofissional.

Situações além disso, ou seja, como a de ampliar a lei para o aborto geral e irrestrito, garantiriam (somente) que as instalações médicas e profissionais da saúde estejam preparados para atender qualquer caso de aborto.

Mas o que isto prova? Que estamos ignorando as causas de todos os problemas das mulheres e tratando unicamente o sintoma, que é o aborto. Não estamos concentrando nossas forças em oferecer um caminho alternativo à isolação que muitas mães enfrentam, juntamente em momentos de desespero.

Veja quais são as razões, de uma forma geral, que levam um a mulher ao aborto: porque são muito pobres e não têm condições de arcar com uma gravidez; porque precisam trabalhar e o mercado de trabalho rejeita mulheres grávidas; porque sofrem violência doméstica e não querem expor mais um filho à violência ou porque a gravidez a prenderia em um relacionamento abusivo (e estudos mostram que mulheres que procuram por aborto têm sete vezes mais chances de ter experimentado violência doméstica) e, entre outros motivos, simplesmente porque não querem levar a gravidez adiante.

Quando pensamos objetivamente nestas razões, uma coisa fica evidente: apoiar o aborto não significa defender a mulher, nem seus direitos, nem o respeito a ela, e muito menos lutar contra a discriminação do gênero feminino. Ao despenalizar totalmente o aborto, atestamos nosso fracasso como sociedade em atender às reais necessidades das mulheres.

Se as mulheres devem se submeter ao aborto para preservar seu estilo de vida, seu status socio-econômico, elas estão sendo enredadas em um sistema elaborado para a conveniência masculina. De todas as coisas feitas às mulheres para ajustá-las em uma sociedade, o aborto é a mais violenta invasão da sua integridade física e psíquica. O aborto é nada mais que um método inventado para manter um perverso sistema.

Quando o aborto está disponível a todas as mulheres, enfraquecemos a pressão sobre a responsabilidade masculina para o controle da fertilidade. Um homem só precisará oferecer a uma mulher o dinheiro para o aborto e pronto. Ou nem isso. Sem responsabilidade, sem relacionamento, sem compromisso. E lá estaremos nós, sendo recicladas e usadas novamente.

O aborto, sobretudo para as mulheres pobres, não resolve nada. Depois de um aborto, ela vai voltar exatamente para as mesmas circunstâncias que a levou a este tipo de violência, em primeiro lugar, e o ciclo começa novamente.

A verdadeira batalha, que realmente deseja o melhor para as mulheres, não é pelo aborto, mas pela mudança na forma como tratamos nossas mulheres.

Precisamos nos dedicar a eliminar sistematicamente as CAUSAS que levam as mulheres ao aborto, principalmente a falta de recursos práticos e suporte. Porque as mulheres merecem mais do que um aborto. Precisamos trabalhar para que nenhuma mulher seja impulsionada ao aborto pelo desespero.

O aborto é um sintoma, não uma solução para as lutas contínuas que as mulheres enfrentam nos relacionamentos abusivos, nos locais de trabalho, no meio estudantil, em casa, e, sobretudo, o aborto não é uma solução para os casos de violência sexual contra a mulher. O aborto é rápido e uma saída fácil… para os homens violentos, funcionando como uma vantagem para eles.

“Mulheres que são estupradas ficam grávidas; mulheres famintas ficam grávidas; mulheres vítimas de relacionamentos abusivos ficam grávidas – o problema não é o fato de estas mulheres ficarem grávidas, o problema está no fato de haver mulheres estupradas, famintas e vítimas de relacionamentos abusivos”, Megan Clancy.

Ou seja, o direito ao aborto não corrigirá estes problemas, ao contrário, apenas diminuirá a pressão para resolvê-los. Um mundo que precisa do aborto é, certamente, um mundo hostil às mulheres, e a última coisa que o direito ao aborto corrigirá é esta hostilidade.
As mulheres merecem mais que o aborto!
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Fonte:http://artigos.gospelprime.com.br/seja-a-favor-da-mulher-sendo-contra-o-aborto/
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