quarta-feira, 20 de maio de 2015

Tsipras: "os trabalhadores e aposentados já sofreram demais"

20.05.2015
Do portal Agência Carta Maior,18.05.15
Por Esquerda.net

 Na conferência organizada pela revista Economist em Atenas, primeiro-ministro grego garantiu que não irá recuar na defesa dos salários e aposentadorias.

Lorenzo Gaudenzi/Flickr
Para uma plateia de convidados da revista Economist, o primeiro-minstro grego falou da situação de emergência em que encontrou as finanças públicas do país em janeiro e dos resultados que o seu governo tem para apresentar em abril, mês em que as receitas dos cofres públicos aumentaram 15,3% em relação ao previsto.

“Nos quatro meses do nosso governo, o saldo orçamental primário atingiu 2.164 bilhões de euros, comparado com 1.046 bilhões no mesmo período do ano anterior, e com a previsão de um déficit de 287 milhões de euros”, sublinhou Tsipras.

Tsipras afirmou o seu empenho em alcançar um acordo “justo e econômica e socialmente viável” com os credores, responsabilizando “as constantes exigências para implementar as medidas da lógica do Memorando” como um fator que “não ajuda as negociações em curso”.

E colocou quatro condições para que esse acordo seja bem sucedido e possa ajudar a Grécia a sair da atual crise: metas mais baixas para os saldos orçamentais primários, em especial este ano e no próximo, nenhum corte nos salários e pensões, restruturação da dívida e um programa de investimento direcionado sobretudo a infraestruturas e novas tecnologias.

O primeiro-ministro grego deixou um aviso “aos que pensam que à medida que o tempo passa, a resistência do lado grego vai sendo testada e as linhas vermelhas se vão apagando”. “Que se desenganem, porque isso terá o efeito contrário”, alertou. “Os trabalhadores e aposentados já sofreram demais” nos últimos anos, acrescentou.

Os credores foram os principais alvos das críticas do líder do governo grego, que considerou ser imoral a situação em que colocaram o país. Tsipras lembrou que dos 7,2 bilhões bloqueados desde agosto de 2014 pelos credores, há 1,9 bilhão que são a parte da Grécia nos lucros do BCE e outro 1,2 bilhão em obrigações pagas com dinheiro do orçamento grego e transferidas para o Mecanismo Europeu de Estabilidade.

“Contudo, desde essa altura, mesmo não recebendo o dinheiro a que temos direito, pagamos reembolsos de 17,5 bilhões a essas mesmas instituições”, denunciou Tsipras.

“Se alguém acredita que isto é legal, eu compreendo esse ponto de vista. Vão dizer que essa lei está do lado dos credores. Mas quem considerar isto moral, certamente não é imparcial”, acrescentou.

Neste discurso, Alexis Tsipras descreveu algumas das medidas mais emblemáticas dos primeiros cem dias de governo, procurando responder à oposição, que acusa de estar num estado de “completa frustração” e de apenas acusar o governo por abandonar o Programa de Salônica. “Os fatos falam por si”, prosseguiu Tsipras antes de enumerar as medidas concretas para responder à crise humanitária, introduzir justiça fiscal e reanimar a economia.

Entre os resultados já visíveis das medidas recém aprovadas, Tsipras destacou os processos de regularização de dívidas ao fisco e à Segurança Social, aos quais já tinham aderido até à semana passada 380 mil e 144 mil pessoas, respetivamente.
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Fonte;http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Tsipras-os-trabalhadores-e-aposentados-ja-sofreram-demais-/6/33516
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