quarta-feira, 20 de maio de 2015

O programa do PSDB não foi contra Dilma, foi contra Lula…O ódio emburrece tucanos

20.05.2015
Do blog TIJOLAÇO
Por  Fernando Brito

fhclula
Assisti, ontem, o programa do PSDB.
Ia, dentro da sempre limitada estratégia de apontar o mal e falar mal, o que teria, de fato, eficiência neste momento – no entanto menos que há dois ou três meses – trabalhando com eficiência.
Afinal, com o quadro de desgraça generalizada que diariamente a mídia pinta sobre o Brasil, que transforma problemas em desastres devastantes, não é difícil trabalhar com a estratégia do “estamos no caos”.
E o programa fez bem isso com falas editadas de Dilma, que impressionam.
É remar com a maré, ajudado por um governo que, em tudo, se priva de mostrar que os cortes – necessários – não se darão exclusivamente sobre os trabalhadores e, muito menos, de mostrar que certas restrições nestes são, essencialmente, combate a picaretagens e fraudes que pululam no seguro-desemprego e, em menor escala, na questão das pensões e no abono salarial  (quem duvidar, pergunte a um pequeno comerciante como ele já recebeu propostas de “contratar por fora” para não interromper o pagamento do beneficio a desempregados).
Esse é, porém, um detalhe que não marcou nem marca as medidas. Porque só agora, diante das ameaças de derrubada de parte de seus projetos, Levy começa a acenar com tesouras sobre os ricos (ou os riquíssimos), como a elevação do IOF e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (e ponha líquido nisso) do sistema bancário.
Mas, volto ao fio da meada.
Vinha lá o PSDB muito catita, depois de uma abertura “paneleira” primária, surge com um rapaz mulato quase em decepção amorosa com a malvada Dilma Rousseff, que tinha provocado sua paixão e, depois do voto, mostrou-se uma megera quando…
Ah, os tucanos e sua causa maldita…
Então, para representar o outro lado da vida, a fartura, o emprego, o progresso, o crescimento econômico, quem surge?
Sim, ele, Fernando Henrique Cardoso!
Como dizia a minha avó, nos tempos em que se a fazia em casa: “desandou a maionese”.
E desandou mesmo, porque o mais desprestigiado dos tucanos chama, diretamente, quem para a briga?
O mais prestigiados dos petistas: Lula, a quem acusou de ser o responsável pelas gatunagens da Petrobras, no mais puro estilo Veja.
A ansiedade eleitoreira que fez a turma tucana flertar descaradamente com o golpismo, com o impeachment de Dilma, agora, tomou o freio nos dentes e a fez antecipar 2018, atacando Lula.
No es lo mismo, pero es igual.
Não estamos no processo eleitoral.
E o que fizeram com Aécio? Ex-playboy, ex-barbado, apareceu com uma carinha de bundinha de bebê rechonchudo que não convence ninguém fora da “tchurma” dos bem-de-vida ou dos que, não sendo, a idolatram. E no meio do programa, aos seis de 10 minutos,  onde qualquer um que tenha feito propaganda eleitoral na TV sabe que a audiência caiu, normalmente.
Proclama-se, quase, o líder da oposição e mesmo com concessões ligeira, veste a faixa de “presidente do contra”, terminando sua fala com a exibição de rostos tristes de atores que fizeram um “povo fala” lá atrás.
Não há, no programa, uma imagem ou situação da “esperança” que dizem ter tirado dos brasileiros.
Aquela que é, ainda, representada pelo homem que o PSDB fez questão de atacar com FHC: Lula.
Cheguei a lembrar, asisstindo o programa, dos versos do Tom Jobim:

“Vai minha tristeza/ E diz a ela que sem ela não pode ser/Diz-lhe numa prece/Que ela regresse/Porque eu não posso mais sofrer/A realidade é que sem ela não há paz/Não há beleza/É só tristeza e a melancolia/Que não sai de mim, não sai de mim, não sai
Lula é um fantasma que assombra as noites tucanas.
PS. Tecnicamente o programa foi bem feito. Mas a produção bem que podia ter escolhido umas panelas que não fossem “virgens” e reluzentes e locações que não fossem varandas de bairos ricos de São Paulo, né? Minha avó também dizia que é desperdício querer convencer quem já está convencido. O jegue da campanha de Fernando Henrique foi muito mais publicitário.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=26864
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