terça-feira, 26 de maio de 2015

Não é BRT o sistema implantado nos corredores do Grande Recife

26.05.2015
Do BLOG MOBILIDADE URBANA, 22.05.15
Por Tânia Passos

Corredor BRT na Avenida Cruz Cabugá com velocidade de 4km/h Foto- Aline Soares Especial DP/D.A.Press
Corredor Norte/SUl com ônibus no tráfego misto na Avenida Cruz Cabugá a uma velocidade de 4km/h Foto- Aline Soares Especial DP/D.A.Press
O criador do sistema BRT, o urbanista Jaime Lerner, primeiro a implantar um modelo de transporte com corredores exclusivos e segregados para ônibus, estações em nível e pagamento antecipado, na década de 1970 em Curitiba, afirma que o sistema implantado no estado não condiz com as premissas de seu modelo.
Exportado para o mundo inteiro na sigla de Transporte Rápido por Ônibus (Bus Rapid Transit), foi também escolhido para dois corredores de transporte da RMR: Norte/Sul e Leste/Oeste. Previstos para serem entregues até a Copa, os dois corredores chegaram ao primeiro semestre de 2015 sem operar da forma prevista.
Sistema de BRT de Curitiba com faixa exclusiva e segregada em todo o seu percurso Foto: Hedelson Alves Especial DP/D.A.Press
Sistema de BRT de Curitiba com faixa exclusiva e segregada em todo o seu percurso Foto: Hedelson Alves Especial DP/D.A.Press
Sem faixa segregada ao longo do seu percurso, os ônibus do BRT ficam presos nos congestionamentos e até mesmo nos trechos onde a faixa é exclusiva ocorrem invasões por falta de segregação do espaço. Pelo menos duas estações de BRT (Tacaruna e Prefeitura) tiveram parte do teto danificado por caminhões na faixa destinada ao ônibus. “Não acompanhei as obras, mas isso não é BRT”, ressaltou Jaime Lerner em entrevista durante um seminário de mobilidade promovido, na última quarta-feira, pela Volvo, em Curitiba.
A Cruz Cabugá é um dos trechos mais complicados do Norte/Sul. O corredor tem nova promessa de ser entregue no fim de junho. Ainda faltam seis estações e o terminal de integração de Abreu e Lima. A operação chegou a Igarassu no sábado.
Já o Leste/Oeste não tem nem previsão de ficar pronto. Faltam os terminais da 2ª e 3ª perimetrais e das estações de Camaragibe e Conde da Boa Vista. Também não há faixa exclusiva em Camaragibe e alguns trechos da área central da cidade. “O sistema perdeu o R de rápido. Sem segregação não há confiabilidade. Ele precisa ser concluído”, apontou o professor da UFPE Leonardo Meira.
O gerente de operações do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano, André Melibeu, reconhece as dificuldades operacionais. “Enquanto o corredor de ônibus não estiver segregado, ele não será um BRT puro. Não sei quando haverá a segregação. Mas o corredor tem que operar como trem sem nada na frente. Mas a obra ainda não está pronta”, afirmou. A Secretaria das Cidades informou que a segregação dos corredores será feita após a conclusão das estações e que o projeto da circulação com intervenções necessárias depende de aprovação da CTTU. As obras foram iniciadas em 2012.
Saiba mais
As premissas básicas do BRT
Corredor exclusivo e segregado

Estações com pagamento antecipado
- Monitoramento dos ônibus no corredor por um central de controle
- Regularidade das viagens

As nossas premissas
- Corredor com parte da faixa exclusiva na PE-15 (Norte/Sul)

- Corredor com faixa exclusiva na Caxangá (Leste/Oeste)
- Estações com pagamento antecipado
- Ausência de monitoramento dos corredores
- Sem previsão de regularidade das viagens

Operação atual dos corredores
Norte/Sul

De 5 a 10 minutos de intervalo
Velocidade média de 16km/h

Leste/Norte

De 6 a 10 minutos de intervalo
Velocidade média de 20km/h

Projetado para o Norte/Sul
- 180 mil é a demanda estimada

- 26 estações previstas
- 15 em operação
- 6 sem operação
- 5 pendentes

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Fonte:http://blogs.diariodepernambuco.com.br/mobilidadeurbana/2015/05/nao-e-brt-o-sistema-implantado-nos-corredores-do-grande-recife/
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