quinta-feira, 14 de maio de 2015

Bachelet troca ministro suspeito de corrupção e dá mais um cargo aos Comunistas em reforma

14.05.2015
Do portal OPERA MUNDI,11/05/15
Por Victor Farinelli | Santiago 

Anunciada de surpresa na semana passada para tentar contornar crise no governo, mudanças em ministérios realocaram ocupantes de pastas

A reforma ministerial de Michelle Bachelet, anunciada nesta segunda-feira (11/05), teve ritmo de “dança das cadeiras”. Os principais cargos foram ocupados por figuras que já estavam no gabinete e trocaram de pasta. A mudança mais esperada foi um exemplo disso: no Ministério do Interior, saiu Rodrigo Peñailillo, envolvido em suspeitas de corrupção, para a chegada de Jorge Burgos, até então ministro da Defesa.
A reforma ministerial acontece depois do anúncio de Bachelet, na quarta-feira passada (06/05), de que havia pedido a renúncia de todos os seus ministros e que avaliaria cada caso nos dias seguintes – na manhã de quinta, anunciou uma única decisão, a de ratificar o chanceler Heraldo Muñoz, que estava em Haia, liderando a delegação chilena na apresentação da tese chilena na Corte Internacional de Justiça para a demanda boliviana pela recuperação de uma saída marítima soberana.
Agência Efe
Bachelet deu posse aos novos ministros nesta segunda-feira

A chegada de Burgos, um democrata-cristão que significa maior moderação no ministério político mais importante do país – em comparação com o agora antecessor Peñailillo, do PPD (Partido Pela Democracia, de discurso mais progressista) –, abriu uma dúvida a respeito das reformas impulsadas pela presidente. Depois de aprovar a reforma tributária (em 2014) e a primeira parte da reforma educacional, o governo se dedicará, a partir deste ano, à segunda etapa da reforma educacional, ao primeiro trâmite legislativo da reforma trabalhista e o início do processo de elaboração da reforma constitucional – agendado por Bachelet para setembro deste ano.
Nesse sentido, a primeira declaração de Burgos ao assumir o novo cargo tocou levemente no tema. “As reformas são parte do programa que foi eleito em 2013 e é a missão pela qual trabalhamos todos e nosso compromisso com elas se mantém; a mudança de gabinete marca uma nova etapa no trabalho em busca desse objetivo e temos que nos fazer cargo disso também.”
A partir da troca de Peñailillo por Burgos, se iniciou a tendência de reacomodação no gabinete. Para o seu lugar, no Ministério da Defesa, o escolhido foi José Antonio Gómez, social-democrata que estava no Ministério da Justiça. A pasta deixada por Gómez passou a ser de Javiera Blanco, que era ministra do Trabalho, que por sua vez dará lugar a Ximena Rincón, que passa da Secretaria Geral da Presidência para o novo cargo – sua antiga pasta será ocupada pelo até então deputado Jorge Insunza.
Outra mudança marcante é a saída do ministro da Fazenda, o socialista Alberto Arenas, que em 2104 liderou o processo da reforma tributária – a primeira das grandes reformas propostas pela presidente que concluiu seu trâmite parlamentar. Além disso, é a primeira queda de um ministro da Fazenda no Chile depois do retorno da democracia – em 1999, Eduardo Aninat deixou a pasta faltando quatro meses para o fim do mandato de Eduardo Frei Ruiz-Tagle, para assumir um cargo no FMI (Fundo Monetário Internacional), sendo substituído por Manuel Marfán. Para o lugar de Arenas, foi escolhido o economista Rodrigo Valdéz, que ocupava a presidência do Banco del Estado (único banco estatal chileno).
Casos de corrupção
As saídas de Peñailillo e Arenas também significam uma resposta da presidente aos casos suspeitos de corrupção que vêm dominando o noticiário do país desde o começo do ano.
Agência Efe
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Na semana passada, o diretor-geral do SII (Serviço de Impostos Internos, a Receita Federal do Chile), Michel Jorratt, decidiu se afastar do cargo depois que a imprensa divulgou supostas pressões dos ministérios do Interior e da Fazenda para não apresentar denúncias contra empresas que financiaram campanhas de políticos da Nova Maioria (coalizão de Bachelet) e da UDI (oposição).

Além da remoção dos ministros das pastas envolvidas, a mudança mostrou um efeito imediato, já que o SII apresentou ao Ministério Público uma denúncia contra as empresas que financiaram as campanhas mencionadas horas depois do anúncio do novo gabinete. Ainda assim, não foi confirmada a saída definitiva de Jorratt e quem seria seu substituto.
Horas depois do anúncio, em seu discurso oficial, Bachelet deu ênfase ao lançamento do trâmite legislativo da chamada “agenda de probidade” anunciada há duas semanas, cujo foco é a nova lei de financiamento exclusivamente estatal das campanhas e a criação de um novo organismo de supervisão das licitações e fiscalização das concessões públicas, o que a presidente classificou como “a necessidade de fomentar uma relação de maior transparência entre a política e o mundo dos negócios, com maior ética nos dois âmbitos”.
Peñailillo, agora ex-ministro do Interior: denúncias de corrupção contribuíram para queda do cargo
Peñailillo, agora ex-ministro do Interior: denúncias de corrupção contribuíram para queda do cargo
Simultaneamente a esse discurso, porém, o website chileno El Mostrador divulgava notícia relatando a ligação do novo ministro da Secretaria Geral da Presidência, o deputado Jorge Insunza, com a empresa Soquimich, uma das envolvidas nas denúncias de financiamento ilegal de campanha. Insunza seria, segundo a nota, lobista da consultoria do economista Enrique Correa, que realiza trabalhos de assessoria para a Soquimich.

PC ganha novo cargo
O Partido Comunista, que já tinha um cargo, ganhou nova pasta. Além do Ministério da Mulher, sob comando da ratificada Claudia Pascual, o PC também terá em suas mãos o Ministério do Desenvolvimento Social, através de Marcos Barraza, que substitui a socialista María Fernanda Villegas.
Também houve uma mudança no cargo de ministro porta-voz, com a saída de Álvaro Elizalde para a chegada do ex-deputado Marcelo Díaz, que desde 2014 exercia o cargo de embaixador na Argentina. A última mudança realizada foi no Ministério da Cultura, onde Claudia Barattini deu lugar a Ernesto Ottone.
Esta não é a primeira mudança ministerial realizada por Michelle Bachelet em seu segundo mandato. Em dezembro, a então ministra da Saúde, a médica Helia Molina, foi demitida após uma entrevista na que dizia que as grandes clínicas privadas realizavam abortos clandestinos de mulheres, sendo substituída por Carmen Castillo.
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40372/bachelet+troca+ministro+suspeito+de+corrupcao+e+da+mais+um+cargo+aos+comunistas+em+reforma.shtml
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