quarta-feira, 1 de abril de 2015

Lula convoca PT a reagir contra cerco promovido pela direita fascista

01.04.2015
Do portal CORREIO DO BRASIL,31/3/15
Por Gilberto de Souza - do Rio de Janeiro

Ao lado de Lula (E), Falcão falou aos presidentes de diretórios regionais durante encontro, em São Paulo
Ao lado de Lula (E), Falcão falou aos presidentes de diretórios regionais durante encontro, em São Paulo
Ou o PT refaz sua aliança com os movimentos populares ou corre o risco de sofrer sua pior derrota nas eleições do ano que vem e em 2018. A assertiva foi repassada, na noite desta segunda-feira, em São Paulo, aos presidentes dos diretórios da legenda no governo federal e em cinco Estados da Federação, durante encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Rio, durante jantar promovido pela direção estadual do Partido Comunista do Brasil em comemoração aos 93 anos de atividades da legenda que integra a base aliada, o prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense, Washington Quaquá, transmitiu a preocupação de Lula quanto aos rumos políticos do país.
– Há uma campanha de ódio contra o PT e não vamos assistir, passivamente, ao avanço das forças da direita, contrárias aos avanços sociais conquistados ao longo dos últimos 12 anos. É preciso reunir os movimentos sociais, os partidos de esquerda, como o PCdoB, levantar a cabeça e ir à luta. Na reunião que tivemos com o ex-presidente Lula, há algumas horas, ele foi claro ao afirmar que o PT não pode ficar acuado diante dessa agressividade odiosa – disse, em entrevista exclusiva ao Correio do Brasil.
Quaquá, que conversa com o governador do Estado do Rio, Luiz Fernando Pezão, sobre uma nova aliança entre o PT e o PMDB, aposta na união das esquerdas como forma de combater o avanço do conservadorismo na sociedade brasileira.
– O momento é de conversarmos e tratar de uma agenda ampla, capaz de aglutinar a militância de esquerda para conter o movimento retrógrado que cresceu, no país, ao longo dos últimos meses – afirmou, durante a reunião do PCdoB, à qual compareceu logo após a chegada do encontro com o ex-presidente Lula.
De casa nova
Sorrentino, ao microfone,  com o presidente nacional do PSB, , Maria Prestes, viúva do legendário líder comunista Luiz Carloso Prestes, e Batista (D): "O país corre o risco de um golpe fascista"
Sorrentino, ao microfone, com o presidente nacional do PSB, , Maria Prestes, viúva do legendário líder comunista Luiz Carloso Prestes, e Batista (D, ao fundo): “O país corre o risco de um golpe fascista”
Entre os discursos após o jantar do PCdoB, no Rio, o líder socialista Roberto Amaral, convidado à reunião, foi direto ao identificar uma crise no país, “de dimensões maiores do que aquela que antecedeu o golpe de Estado, em 1964″. Em linha com o ex-presidente Lula, Amaral acredita que há um movimento concatenado por conservadores de vários matizes com o único objetivo de impedir que a presidenta Dilma Rousseff consiga governar o país. Amaral chegou a apontar a imposição de um “parlamentarismo de facto” no Congresso.
– Os principais líderes na Câmara e no Senado deram um golpe no presidencialismo ao impor o parlamentarismo à presidenta Dilma, que faz um governo fraco – afirmou.
Líderes do PCdoB, durante a reunião, também ressaltaram a importância de uma coesão entre as forças de esquerda no país, “sob pena de uma tentativa de golpe por parte da direita fascista”, como afirmou o médico Walter Sorrentino, secretário nacional de Organização do PCdoB. O ponto de vista de Sorrentino foi reforçado, ainda, no discurso do também dirigente nacional do Partido e presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Luis Manuel Rebelo Fernandes.
Na abertura do encontro, o presidente regional do PCdoB, João Batista Lemos, realçou a necessidade de se ampliar a base de atuação da legenda, no Estado do Rio com a aquisição de uma sede própria, destinada aos encontros da militância e fundamental para a realização de cursos e seminários políticos destinados à formação de novos quadros para o Partido.
– A entrada nós já temos, que é um apartamento doado ao Partido pela saudosa líder Elza Monerat. Agora vamos nos mobilizar para, após 93 anos de existência, conseguir atingir essa meta – afirmou Batista.
Pé na estrada
Aos dirigentes petistas, na capital paulista, Lula também argumentou que a legenda devem ampliar suas alianças com os movimentos de base e as centrais sindicais, em apoio às manifestações dos trabalhadores. Presidente estadual do PT paulista, Emídio de Souza, adiantou que Lula retomará suas viagens aos quatro cantos do país:
– Ele pediu para militar, buscar nos Estados e municípios o apoio. Pediu para cuidarmos da base social do partido, que é quem votou na gente.
Durante o encontro, os representantes estaduais do PT aprovaram o Manifesto dos Diretórios Regionais, que reforça a importância do 5º Congresso Nacional da agremiação política para o seu fortalecimento. No documento, os dirigentes estaduais petistas apoiam as bandeiras tradicionais da esquerda para reaproximar o partido, e consequentemente, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), à sua base social.
Em seu microblog, no Twitter, o presidente do PT, Rui Falcão, escreveu logo após o encontro: “Apesar do ódio que destilam contra nós, continuaremos a amar o Brasil e a lutar por um país melhor. #OrgulhodeserPT”.
Leia a seguir, na íntegra, o manifesto divulgado pelo PT:
Manifesto dos DRs
Nunca como antes, porém, a ofensiva de agora é uma campanha de cerco e aniquilamento. Como já propuseram no passado, é preciso acabar com a nossa raça. Para isso, vale tudo. Inclusive, criminalizar o PT — quem sabe até toda a esquerda e os movimentos sociais.
Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguemnos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.
Não toleram que, pela quarta vez consecutiva, nosso projeto de País tenha sido vitorioso nas urnas. Primeiro com um operário, rompendo um preconceito ideológico secular; em seguida, com uma mulher, que jogou sua vida contra a ditadura para devolver a democracia ao Brasil.
Maus perdedores no jogo democrático, tentam agora reverter, sem eleições, o resultado eleitoral. Em função dos escândalos da Petrobrás, denunciados e investigados sob nosso governo -– algo que não ocorria em governos anteriores –, querem fazer do PT bode expiatório da corrupção nacional e de dificuldades passageiras da economia, em um contexto adverso de crise mundial prolongada.
Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores, nos marcos do Estado Democrático de Direito. E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.
O PT precisa identificar melhor e enfrentar a maré conservadora em marcha. 
Combater, com argumentos e mobilização, a direita e a extrema-direita minoritárias que buscam converter-se em maioria todas as vezes que as 2 mudanças aparecem no horizonte. Para isso, para sair da defensiva e retomar a iniciativa política, devemos assumir responsabilidades e corrigir rumos. Com transparência e coragem. Com a retomada de valores de nossas origens, entre as quais a ideia fundadora da construção de uma nova sociedade.

Ao nosso 5º Congresso, já em andamento, caberá promover um reencontro com o PT dos anos 80, quando nos constituímos num partido com vocação democrática e transformação da sociedade – e não num partido do “melhorismo”. Quando lutávamos por formas de democracia participativa no Brasil, cuja ausência, entre nós também, é causa direta de alguns desvios que abalaram a confiança no PT.
Nosso 5º Congresso, cuja primeira etapa será aberta, a fim de recolher contribuições, críticas e novas energias de fora, deverá sacudir o PT. A fim de que retome sua radicalidade política, seu caráter plural e não- dogmático. Para que desmanche a teia burocrática que imobiliza direções em todos os níveis e nos acomoda ao status quo.
O PT não pode encerrar-se em si mesmo, numa rigidez conservadora que dificulta o acolhimento de novos filiados, ou de novos apoiadores que não necessariamente aderem às atuais formas de organização partidária.

Queremos um partido que pratique a política no quotidiano, presente na vida do povo, de suas agruras e vicissitudes, e não somente que sai a campo a cada dois anos, quando se realizam as eleições.
Um PT sintonizado com nosso histórico Manifesto de Fundação, para quem a política deve ser “ atividade própria das massas, que desejam participar, legal e legitimamente, de todas as decisões da sociedade”.
Por isso, “o PT deve atuar não apenas no momento das eleições, mas, principalmente, no dia-a-dia de todos os trabalhadores, pois só assim será possível construir uma 3 nova forma de democracia, cujas raízes estejam nas organizações de base da sociedade e cujas decisões sejam tomadas pelas maiorias”.
Tal retomada partidária há de ser conduzida pela política e não pela via administrativa. Ela impõe mudanças organizativas, formativas, de atitudes e culturais, necessárias para reatar com movimentos sociais, juventude, intelectuais, organizações da sociedade – todos inicialmente representados em nossas instâncias e hoje alheios, indiferentes ou, até, hostis em virtude de alguns erros políticos cometidos nesta trajetória de quase 35 anos.
Dar mais organicidade ao PT, maior consistência política e ideológica às direções e militantes de base, afastar um pragmatismo pernicioso, reforçar os valores da ética na política, não dar trégua ao “cretinismo” parlamentar – tudo isso é condição para atingir nossos objetivos intermediários e estratégicos.
Em concordância com este manifesto, nós, presidentes de Diretórios Regionais de 27 Estados, propomos:
1. Desencadear um amplo processo de debates, agitação e mobilização em defesa do PT e de nossas bandeiras históricas;
2. Defesa do nosso legado político-administrativo e do governo Dilma;
3. Participar e ajudar a articular uma ampla frente de partidos e setores partidários progressistas, centrais sindicais, movimentos sociais da cidade e do campo, unificados em torno de uma plataforma de mudanças, que tenha no cerne a ampliação dos direitos dos trabalhadores, da reforma política, da democratização da mídia e da reforma tributária;
4. Apoiar o aprofundamento da reforma agrária e do apoio à agricultura familiar;
5. Orientar nossa Bancada a votar o imposto sobre grandes fortunas e o projeto de direito de resposta do senador Roberto Requião, ambos em tramitação na Câmara dos Deputados;
6. Apoiar iniciativas para intensificar investimentos nas grandes e médias cidades, a fim de melhorar as condições de saneamento, habitação e mobilidade urbana;
7. Buscar novas fontes de financiamento para dar continuidade e fortalecimento ao Sistema Único de Saúde;
8. Apoiar uma reforma educacional que corresponda aos objetivos de transformar o Brasil numa verdadeira Pátria Educadora;
9. Levar o combate à corrupção a todos os partidos, a todos os Estados e Municípios da Federação, bem como aos setores privados da economia;
10. Lutar pela integração política, econômica e cultural dos povos da América, por um mundo multipolar e pela paz mundial. O momento não é de pessimismo; é de reavivar as esperanças. A hora não é de recuo; é de avançar com coragem e determinação. O ódio de classe não nos impedirá de continuar amando o Brasil e de continuar mudando junto com nosso povo. Esta é a nossa tarefa, a nossa missão. É só querer e, amanhã, assim será!
São Paulo, 30 de março de 2015
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Fonte:http://correiodobrasil.com.br/noticias/politica/lula-convoca-pt-a-reagir-contra-cerco-promovido-pela-direita-fascista/756526/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20150401
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