sábado, 22 de novembro de 2014

UM TUCANO QUE DEU RAZÃO A DILMA: O tucano que iluminou o Brasil

22.11.2014
Do BLOG DA CIDADANIA
Por Eduardo Guimarães
Semler
Ricardo Semler tem o perfil tucano padrão. Rico, 55 anos, paulista, empresário de renome, é hoje vice-presidente da Fiesp, além de CEO (executivo-chefe) e sócio majoritário da empresa Semco S/A. E não tem apenas perfil tucano; é filiado ao PSDB. E das antigas. Filiou-se quando Franco Montoro presidia o partido.
Semler tornou-se conhecido por ter implantado em sua empresa fórmulas inovadoras de gestão empresarial. Sob sua gestão, o faturamento da empresa subiu de quatro milhões de dólares em 1982 para 212 milhões de dólares em 2003.
A revista TIME elegeu o executivo paulista como um dos “100 Jovens Líderes Globais”, em 1994. O Fórum Econômico Mundial também o apontou em trabalhos semelhantes. Foi exaltado como gestor pelo Wall Street Journal – como “Empresário do Ano na América Latina”, em 1990, e “Empresário do Ano no Brasil”, em 1992.
Semler formou-se em Direito na USP e estudou Administração em Harvard. Além disso, escreveu livros que se tornaram sucesso em vendas no Brasil e exterior.
Na última sexta-feira (21), o empresário surpreendeu o país com um artigo no jornal Folha de São Paulo na linha super sincero. No texto, reconheceu que, apesar da gritaria hipócrita entoada hoje sobre corrupção – sobretudo na imprensa –, nunca se roubou tão pouco neste país.
O artigo em questão se espalhou como fogo e provocou polêmica apesar de não conter novidade. Tivesse sido escrito por um petista ou mesmo por um cidadão sem coloração partidária, teria passado batido. O que fez o texto repercutir tanto foi o fato de seu autor, declaradamente tucano, contrariar o discurso de seu partido.
O artigo de Semler gerou polêmica a partir do título: “Nunca se roubou tão pouco”. Dali em diante, sem abrir mão do discurso tucano contra o PT – de que, ao longo dos governos Lula e Dilma, houve corrupção e barbeiragens na economia –, o empresário tucano demonstrou que é possível defender as próprias bandeiras políticas e ideológicas sem cair no mau-caratismo.
O discurso de Semler em um texto literalmente antológico e que, a esta altura, quem se interessa por política com certeza já leu, se fosse entoado por Fernando Henrique Cardoso faria dele alguém que seria respeitado pela maioria, em vez de repudiado.
Infelizmente, à diferença do correligionário no PSDB, FHC se entregou à politicagem mais barata que se possa conceber, causando surtos de indignação quando se dá ao desfrute de fazer acusações de corrupção aos adversários políticos. Justamente ele, FHC…
Alguns dirão que Semler se contradiz porque reconhece que a corrupção desbragada que existia antes de o PT chegar ao Poder também existiu no governo federal de seu partido e, à diferença de hoje, não foi investigada.
Pela lógica binária, portanto, se o empresário reconhece que sob o PT a corrupção diminuiu, em vez de ter votado em Aécio Neves deveria ter votado em Dilma Rousseff. Este blogueiro, porém, entende que cada um tem o direito de votar de acordo com seus próprios interesses.
Explico: apesar de achar que os empresários brasileiros estarão mais bem-servidos por um governo que não joga nas costas do povo o preço da crise internacional, pois assim esse povo continuará movimentando a economia, Semler vive entre os ricos empresários paulistas, relaciona-se com eles, faz negócios com eles e com o resto do mundo capitalista. Por certo, não seria bem aceito em seu meio se fosse filiado ao PT, ao invés de ao PSDB.
Também dirão que Semler poderia não integrar partido algum. Mas como, se tem uma visão política tão clara e saudável como a que demonstrou em seu artigo?
Em minha visão, Semler é mais útil ao país sendo filiado ao PSDB do que ao PT. Por que? Simplesmente porque constitui uma reserva de sensatez e espírito público em uma agremiação que vem se perdendo em hipocrisia e cegueira política, ideológica e social.
Trocando em miúdos: ter gente como Semler dentro do PSDB ajuda a impedir que o partido piore ainda mais, mesmo que esse empresário provavelmente tenha pouca influência junto às hostes tucanas.
Ao ler o artigo de Semler, é quase impossível não sentir-se tentado a ser tão sincero e isento quanto ele. Aliás, sempre digo que isenção é para poucos – e sempre para os mais lúcidos e inteligentes.
Nesse aspecto, nós – blogueiro e leitores concordantes ou discordantes – que vivemos a política tão intensamente sentimos uma ponta de constrangimento porque estamos a anos-luz de sermos capazes de gesto igual ao de Semler.
Aliás, para um simpatizante ou um filiado tucano é muito mais fácil ser sincero, neste momento, do que para um equivalente petista, pois o governo recém-eleito de Dilma Rousseff está sob ameaça de golpe “paraguaio”, de modo que quem não se dá ao luxo da sinceridade de reconhecer as falhas do PT, como o empresário reconheceu as do PSDB, é porque sabe que não dá para ficar criticando o partido do governo sem ajudar aqueles que querem estuprar a democracia e jogar fora os votos de 54 milhões de eleitores.
Contudo, façamos uma concessão ao que chamo de o bom PSDB, ou seja, o PSDB que não existe mais, o PSDB daquele que Semler disse que assinou sua ficha de filiação ao partido, Franco Montoro, ou o PSDB do inesquecível Mario Covas.
Lembro-me de Montoro em 1982, lutando contra Reinaldo de Barros, candidato de Paulo Maluf ao governo de São Paulo, em um debate da campanha eleitoral para governador, naquele ano – a primeira eleição de governador após a ditadura.
O filho de Montoro André, é uma decepção. Politiqueiro, incapaz de um mísero gesto de sinceridade. Mas o pai, ah, o pai… Franco Montoro era daqueles políticos que já não se faz mais, assim como Mario Covas.
Mesmo os mais jovens devem se lembrar de Covas, em 2000, quase consumido pelo câncer interrompendo o tratamento derradeiro para apoiar Marta Suplicy contra Paulo Maluf no segundo turno da eleição para prefeito de São Paulo apesar de seu candidato, Geraldo Alckmin, ter sido derrotado no primeiro turno.
Aliás, lembro-me de Covas, na campanha a governador de São Paulo em 1998, sendo traído por FHC, que apoiou Maluf escancaradamente contra um correligionário. Quanta diferença entre Covas e FHC…
FHC Maluf
Aliás, votei em Mario Covas algumas vezes. No primeiro turno de 1989, pois então eu achava Lula “muito radical” – apesar de que votei no petista no segundo turno, contra Collor –, e quando a escolha foi entre o mesmo Covas e Maluf.
E, em 1982, é claro que votei em Montoro contra Reinaldo de Barros.
Semler resgatou o PSDB decente e social-democrata que poderia existir, mas que foi corrompido por FHC e se tornou a excrescência que é hoje. Um partido ligado à extrema-direita e povoado por ricaços insensíveis, racistas e egocêntricos.
Quanto ao PT, Semler tem lá sua dose de razão. Rendeu-se ao establishment, em grande parte. Mas enxergo que o fez porque não havia alternativa – ou melhor, havia: entregar o país a uma direita das piores que há no mundo.
Apesar de o PT ter admitido gente como um André Vargas em suas fileiras, apesar de ter apelado ao mesmo caixa 2 que o PSDB e todos os outros partidos sempre apelaram, ainda é o partido que tem a proposta mais aceitável para o país.
O que me leva a apoiar o PT tão decididamente – e estou certo de que Semler entende motivos como o meu – é que, apesar dos pesares, o partido tem uma proposta invencível: divide melhor os sacrifícios que o país tem que fazer.
Por fim, um tucano iluminar de forma tão digna e decente o país, como fez Semler, permite-me fazer uma concessão à sinceridade: talvez devamos, tucanos, petistas etc., refletir que ninguém é necessariamente bom ou mau só por ser petista, tucano, corintiano ou palmeirense.
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Leia, abaixo, o artigo antológico de Ricardo Semler publicado na Folha de São Paulo de 21 de novembro de 2014
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2014/11/o-tucano-que-iluminou-o-brasil/

A brincadeira do impeachment e os desvios de Aécio

22.11.2014
Do BLOG DO SARAIVA
Por JornalGGN 
Oito anos antes de dizer que o escandalo das denúncias de propina na Petrobras irá transformar o mensalão em caso para juizado de pequenas causas, o ministro Gilmar Mendes deixou sua assinatura num dos momentos decisivos para definir as regras de concorrência na maior estatal brasileira.

Em 2006, julgando um mandado de segurança sobre o regime de licitações da Petrobras, cuja frouxidão é vista como uma porta aberta para o impressionante conjunto de práticas escandalosas que tem sido denunciadas pela Operação Lava Jato, Gilmar assinou decisão liminar que autorizava a empresa a usufruir das imensas liberalidades do regime especial de licitações.

Vista em retrospecto, pode-se  dizer que com a decisão Gilmar perdeu uma excelente oportunidade para dificultar o trabalho dos empreiteiros e executivos acusados de manipular cofres da Petrobras.

Normalmente usado para contratações de valor irrisório quando se pensa nos investimentos da industria do petróleo — o teto é R$ 150 000 pelos critérios da época — a empresa foi incluída no regime especial em 1998, por um decreto (número 2745) do governo de Fernando Henrique Cardoso. Com isso, em vez de abrir seus investimentos para concorrência pública, como determina a Constituição em seu artigo 173, a Petrobras passava a distribuir bilhões de reais pelo sistema de carta-convite. Cada diretor anunciava sua obra e mandava convites para possíveis interessadas.

Não era muito difícil imaginar o que poderia acontecer, certo? Na mesma época, convém não esquecer, o jornalista Paulo Francis, de irretocada crediblidade nos círculos do governo FHC, não se cansava de denunciar que dirigentes da empresa tinham contas secretas na Suiça.

Para muitos críticos, o decreto anunciava uma decisão polêmica demais, tanto pela dimensão dos investimentos da empresa, como por sua natureza jurídica intrínseca. Quando debateu o caso, o plenário do Tribunal de Contas deixou uma avaliação cáustica. Disse que “nem os princípios básicos que deveriam reger os processos licitatórios da estatal constaram da lei.”

Na súmula que registra o caso, o TCU declarou o decreto inconstitucional e permitiu-se uma ironia. Disse que ao aprovar o ingresso da Petrobrás no Procedimento Simplicado, o 2745 “inovou no mundo jurídico, ao trazer comandos e princípios que deveriam constar de lei. Pode-se dizer então que o Decreto não regulamentou dispositivos: os criou.”

Quando foi proibida de manter o sistema de cartas-convite, a Petrobras entrou com mandado no Supremo Tribunal Federal — que recebeu pareceu favorável de Gilmar, em liminar que nos anos seguintes não seria avaliada pelo Supremo.

O ministro escreveu: “a submissão da Petrobras a um regime diferenciado de licitação parece estar justificada pelo fato de que, com a relativização do monopolio de petróleo, a empresa passou a exercer a atividade de exploração de petróleo em regime de livre competição com empresas privadas concessionárias, as quais, frise-se, não estão submetidas às regras rígidas de licitaçãi e contratação da lei 8666. Lembre-se que a livre concorrência pressupõe a igualdade de condições entre concorrentes.”

De lá para cá, o caso voltou a ser apreciado pelo Supremo, sempre através de mandados de segurança. Ma o plenário do Supremo nunca examinou o caso. Comparando com a situação de hoje, estudiosos lembram que as condições que levaram Gilmar a assinar a liminar se modificaram bastante. A Petrobras passou a ter o monopólio operacional do Pré-Sal e de áreas estratégicas. Outro dado é que a Petrobras sempre deteve o monopólio do refino de petróleo, o que permite lembrar que nunca houve uma verdadeira livre concorrência no país.
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Fonte:http://saraiva13.blogspot.com.br/2014/11/a-brincadeira-do-impeachment-e-os_22.html

“Dr. Freitas” tucano nas empreiteiras…

22.11.2014
Do BLOG DO MIRO, 21.11.2014

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Com a participação de Rubens Valente, o repórter que desvendou os segredos da Operação Banqueiro de Daniel Dantas, ficamos sabendo que a UTC, uma das empreiteiras acusadas na Operação Lava-Jato,recebia visitas do “Dr. Freitas”, emissário do PSDB, em busca de contribuições eleitorais.

E as conseguia, com fartura.

A reportagem – coisa rara no Brasil – vai atrás de quem seria o operador tucano e traz-nos sua identidade: é Sérgio Freitas, ex-executivo do Banco Itaú, ” que atuou na arrecadação de recursos de campanhas de políticos do PSDB em 2010 e 2014″.

E atuou bem: captou R$ 2,5 milhões ao comitê de Aécio Neves e mais R$ 4,1 milhões aos comitês tucanos em São Paulo e em Minas Gerais, além de R$ 400 mil para outros candidatos tucanos, dados pela empreiteira, que doou também ao PT e a outros partidos e candidatos, entre eles Ronaldo Caiado (DEM).

Freitas havia desempenhado o mesmo papel na campanha de Serra, em 2010, época em que o esquema de Paulo Roberto Costa andava de vento em pôpa.

Para além dos fatos, a matéria revela a imensa hipocrisia do que vem sendo a cobertura desta história.

Todos (ou quase todos) os candidatos, num sistema eleitoral corrompido pelas doações empresariais legais como é o nosso, precisam recorrer ao dinheiro das empresas, se tiveram pretensão de serem eleitos.

É evidente que a política, se depende de pessoas que sabem procurar empreiteiras para pedir dinheiro “por dentro”, se sujeita à obvia possibilidade de que se peça – para si ou para alguém – o “por fora”.

É por isso que que Reinaldo Azevedo chama de “ideia asnal” a de “banir o mercado do financiamento de campanhas eleitorais”.

Porque o financiamento privado de campanhas é a grande corrupção.

O resto é o varejo dos ratinhos que tomam um aqui e outro ali, como infelizmente acontece no mundo inteiro, até no comunismo chinês.

Aliás, e a propósito, porque é que não se fala que o tal Pedro Barusco, que rapidinho se ofereceu para devolver R$ 250 milhões depositados no exterior, trabalha para André Esteves, dono do banco BTG Pactual, e que se tornou habitué na campanha de Aécio Neves?

Ou será que estamos ainda no Brasil em que a moral e a lei servem para uns, mas não para outros?
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/11/dr-freitas-tucano-nas-empreiteiras.html

Mega-ladrão da Petrobras é “de carreira” e rouba desde 96, na era FHC

22.11.2014
Do blog TIJOLAÇO
Por Fernando Brito

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Segundo “O Globo”, o maior dos corruptos até agora descobertos na Operação Lava-Jato – ao menos em volume de dinheiro desviado – o senhor Pedro Barusco, confessou que rouba a petroleira há 18 anos.
1996, portanto, período do “império ético” de Fernando Henrique Cardoso.
Barusco nega que roubasse para partidos políticos: roubava para si mesmo, muito obrigado.
Das duas uma: ou mente ou diz a verdade.
Se diz a verdade, é um caso policial, apenas e algo para questionar as regras de controle interno da Petrobras , de há quase 20 anos.
Se mente e roubava para esquemas políticos é o caso de perguntar se é crível que roubasse para o PT em 96,97,98,99, 2000,2001 e 2002.
Barusco entrou na companhia em 1978 e é conhecido lá dentro como tucanérrimo.
Mas, como é funcionário de carreira, e ficou em postos-chave, pois a tal “meritocracia”, se tem virtudes, também cria dentro de empresas e instituições uma casta de “intocáveis” que, quando estão como este comprometidos até a medula em roubalheiras, segue roubando com José, João ou Antonio no poder.
Agora o senhor Barusco negocia uma “delação premiada”.
Delação premiada de si mesmo ou para levar consigo quem “interessar”?
Será interessante saber também se recentemente, nos anos em que serve ao Banco BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, “amigão” de Aécio Neves e seu cicerone junto aos financistas americanos, na reunião que o tucano fez em Nova York, Barusco converteu-se à honestidade e largou de roubar como alguém larga de fumar.
PS. E a Veja, hein? O que tem um e-mail falando de problemas de uma obra no Tribunal de Contas do diretor responsável por esta obra à Presidente do Conselho de Administração da Empresa, posição que Dilma ocupava à época, 2009?  E que ela tenha feito o que deveria fazer: encaminhas para os orgãos de controle para que examinassem o relatado e fizessem o que é obrigação deles fazer?Aliás, pelo que se vê na ilustração da revista, um e-mail que passa pelas mãos de várias pessoas, sem nada de ultrassecreto?  Imagino a satisfação dos “delegados de facebook” quando acharam um e-mail que tivesse o nome de Dilma, correndo atrás dos “repórteres” da Veja: achei, pessoal, achei! 
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=23211

Não há mais clima para golpe

22.11.2014
Do BLOG DO MIRO
Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Hoje eu vinha com a faca nos dentes, mas mudei de ideia.

Cansei de falar em golpe, e tenho a impressão que a atmosfera de terceiro turno arrefeceu.

O fantasma do golpe foi esmagado pelo próprio desespero da mídia.

A tese que ventilei por aqui, de que Dilma sairia fortalecida desse escândalo, como a presidenta republicana que permitiu a investigação a fundo de problemas históricos de corrupção em nossa maior estatal, está se confirmando.

A mídia bem que tentou, mas não conseguiu colar no escândalo o carimbo “Exclusivo PT”.

Ele atinge todos os partidos e todas as grandes empreiteiras.

Empreiteiras estas que fazem obras em todas as prefeituras e em todos os estados brasileiros, governados por todos os partidos.

Empreiteiras que também financiam a grande mídia.

A imprensa alternativa, os blogs, nunca levaram um centavo das empreiteiras.

A grande imprensa levou bilhões.

O escândalo da Petrobrás atinge toda a classe política, e em especial os principais partidos, a começar pelo PSDB.

Por exemplo, o maior corrupto do “petrolão”, até o momento, é um senhor chamado Pedro Barusco, que prometeu devolver US$ 100 milhões aos cofres públicos.

Ele era subordinado a Henrique Duque, que a imprensa quer vender apenas como “ligado ao PT”.

Ora, Duque está na Petrobrás desde 1978. Desde 2000, era Gerente de Contratos da área de Exploração e Produção.


Sobre Barusco, não encontrei sua biografia, mas é sintomático que ele, logo após se aposentar, tenha ido dirigir a área de operações da Sete Brasil, a poderosa companhia responsável por fornecer sondas de exploração para a Petrobrás.

Quem é o principal acionista da Sete Brasil? O banco BTG Pactual, cujo dono é o tucano André Esteves, o qual, segundo reportagem do Globo, pagou a viagem de lua de mel de Aécio Neves e esposa.

Descobriu-se também que Gilmar Mendes, quando advogado geral da União, nomeado por FHC, defendeu exatamente o que se tornou a fonte maior de corrupção na Petrobrás: a realização de contratos sem licitação. Mendes também não ofereceu nenhuma proposta para aumento da transparência.

Hoje Mendes posa de paladino da ética na grande imprensa, bravateando frases de efeito.

Não é possível partidarizar o escândalo.

A ladainha da mídia, de que tudo é culpa de PT, não cola mais.

Não se combaterá a impunidade no país prendendo-se exclusivamente petistas.

Que se condene e prenda os petistas corruptos!

Mas será que nunca veremos um tucano preso?

Até quando o PSDB seguirá sendo blindado pela mídia, pelo Judiciário e pelo Ministério Público?

Sonegação, helicóptero com meia tonelada de pó, assassinato de modelo, afundamento de plataforma, compra de reeleição, privataria, construção de aeroporto em terras da família, ossada humana em fazenda.

Não faltam escândalos tucanos!

Mesmo o que a mídia chama de “petrolão”, tentando quase infantilmente repetir o case de sucesso do “mensalão”, começou em 1999, ou seja, logo após a reeleição comprada de FHC!

Por isso, é tão bem vindo o artigo do empresário tucano Ricardo Semler, publicado na Folhade hoje.

Semler reitera que o mérito pelas investigações atingirem a profundidade que se vê, pegando peixes graúdos da estatal e do setor privado, é da presidenta Dilma.

“É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.”

(…) Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.”

O tucano, num corajoso ataque à hipocrisia da nossa mídia, afirma ainda que a corrupção não se limita a empresas públicas.

“O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.”

O que se espera das pessoas cujo bom senso ainda não foi devastado pelo ódio partidário, é um pacto pela democracia, dando tempo e espaço para a presidenta Dilma concluir o processo de depuração da Petrobrás.

Ela prometeu em sua campanha que não “sobraria pedra sobre pedra”.

É o que está acontecendo.

Passada a tempestade, o Brasil sairá mais forte e mais limpo.

A Petrobrás adotará protocolos mais transparentes e seguros para impedir a corrupção, deixando para trás o afrouxamento das regras imposto por FHC e defendido por Gilmar Mendes.

Não há mais clima para golpe.

Até mesmo as paranoias sobre um suposto golpe no tribunal eleitoral, a ser dado por Gilmar Mendes, me parecem agora infundadas.

Agora só falta o governo fazer as mudanças que todos esperam, a começar pela comunicação.

Ontem o presidente Obama anunciou medidas que protegerão mais de 5 milhões de imigrantes ilegais nos EUA.

Assistindo a alguns canais de TV fechada, zapeei pela Fox, onde âncoras republicanos atacavam a iniciativa, e pela MSNBC, onde analistas democratas a defendiam.

Em todos os canais, porém, o presidente Obama tinha espaço. Ele aparece falando, longamente, explicando sua política.

Na MSNBC, a âncora entrevista um dos secretários de imprensa da Casa Branca, um gordinho simpático e bem humorado.

Aí eu fiquei pensando novamente que o governo brasileiro deve ser o único do mundo que não tem um porta-voz, não tem um secretário de imprensa, não tem ministros políticos, não tem um relações públicas.

E a imprensa brasileira é a única do mundo que censura o próprio governo do país.

A quem interessa esse tenebroso apagão político do governo?

Esperemos que o escândalo da Petrobrás, onde a mídia, em especial a Globo, ainda tenta construir uma narrativa diabólica, sirva ao menos para que o Executivo acorde para a necessidade de construir canais mais democráticos de comunicação com a sociedade.

Informação de qualidade e acesso ao governo eleito são direitos humanos e políticos de todo o brasileiro.

Não adianta o Mercadante dar entrevista à Miriam Leitão, na Globonews, uma TV fechada à qual poucos brasileiros tem acesso.

É preciso ocupar, democraticamente, as TVs abertas, as rádios, e as redes sociais, e combater o mal do novo século: a desinformação.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/11/nao-ha-mais-clima-para-golpe.html

VEJA GOLPISTA ATACA DE NOVO: VEJA GOLPEIA E PLANALTO REAGE: IRÁ FRACASSAR

22.11.2014
Do portal BRASIL247
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/161304/Veja-golpeia-e-Planalto-reage-ir%C3%A1-fracassar.htm