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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quem é o tio dos agressores de jornalistas?

20.11.2014
Do portal da Revista Forum, 19.11.14
Por Renato Rovai

guga noblat
Se você não assistiu os vídeos em que os repórteres Guga Noblat, do CQC, e Marlene Bergamo, da Folha são atacados pelos manifestantes que acreditam estar defendendo nas ruas o Estado democrático, assista. Eles estão aí embaixo do texto e somados permitem uma aula em qualquer curso e para estudantes de qualquer idade. Pode-se falar de democracia, de liberdade de imprensa, de cultura do ódio, entre outras coisas.

O fato é que ao estimularem seus pit-bananas a ladrarem contra o que chamam de aparelhamento do Estado, golpe comunista, falta de liberdade de expressão e outras cositas mais, alguns velhacos da mídia chocaram o chamado ovo da serpente. E colocaram parte das pessoas que hoje dormem e acordam xingando o PT contra seus colegas de profissão.
Aliás, alguns deles, como o blogueiro da Veja e agora apresentador (só um minutinho que eu preciso dar uma sonora risada) de programa de rádio na Jovem Pan, Reinaldo Azevedo, utilizam seus espaços para criticar os jornalismo aparelhado o tempo todo.
Segundo eles, petistas das redações degradam a cobertura dos atos da bananada e tratam democratas que pretendem libertar o país como golpistas.
Como esse pessoal é limítrofe, a ordem lhes parece algo como: “ataquem os jornalistas que estiverem cobrindo os atos, eles também são seus inimigos”. E de alguma forma, não estão completamente enganados. Porque foram alimentados pelo ódio contra tudo e contra todos que não concordam com o ódio que seus tios da mídia destilam.
Os jornalistas sérios (e são muitos) que trabalham em veículos da mídia tradicional precisam reagir não só produzindo textos condenando essas ações, como se diferenciando daqueles que se tornaram seus capitães do mato.
O macartismo que foi tratado por alguns como algo inofensivo agora se tornou um monstro. Pode-se deixar o monstro à vontade por aí fazendo das suas, mas pode-se também buscar derrotá-lo.
O que não dá mais é fazer de conta que ele não existe. E que não é alguém que às vezes você acha até engraçadinho.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2014/11/19/quem-e-o-tio-dos-agressores-de-jornalistas/

Desonestidade é com a Folha, mesmo…

21.11.2014
Do blog TIJOLAÇO, 20.11.14
Por Fernando Brito

duasmanch
O UOL, empresa do grupo Folha, dá a manchete:
Mas na Folha, o título sofre uma metamorfose e fica assim:
Coisa de bandido, como se vê.
Lendo a matéria, vê-se que muita gente “boa” da oposição recebeu doações – legalmente declaradas, não se faz exploração torpe aqui –  das empreiteiras investigadas.
A começar por José Serra e Antonio Anastasia, braço direito de Aécio Neves.
O resultado são acachapantes R$ 160,7 milhões doados aos principais partidos de oposição: R$ 129,34 milhões ao PSDB, R$ 15,85 milhões ao DEM e R$ 15,57 milhões, ao PSB.
No primeiro turno, e aí não estão incluídas as doações “avulsas” a candidatos ao parlamento.
Daí se vê como a imprensa brasileira está interessada na moralização da política.
Aquela, que está há oito meses dependendo da “vista” de Gilmar Mendes no processo – já decidido – que proíbe doação de empresas a partidos e candidatos.
Que país, aquele em que fica difícil definir o que é pior, se empreiteira ou a “imprenseira”.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=23179

Desempenho de Aécio é pífio na formulação e debate de proposições

20.11.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 19.11.14
Por Najla Passos

O senador tucano Aécio Neves conta com prestígio e popularidade inversamente proporcional à eficácia do seu desempenho como parlamentar.

Arquivo
Brasília - Alçado ao posto de maior líder da oposição após ser derrotado na corrida presidencial deste ano, o senador tucano Aécio Neves conta com prestígio e popularidade inversamente proporcional à eficácia do seu desempenho como formulador e debatedor de propostas para solucionar os problemas nacionais.

Eleito senador para o mandato que começou em 2011 e termina em 2018, surfa na popularidade obtida pelo seu histórico familiar de neto e sucessor do ex-presidente Tancredo Neves. Agrega crescente número de apoiadores, primeiro como presidente da Câmara Federal, depois como governador de Minas Gerais e, já eleito senador, como presidente do PSDB e, por fim, como candidato à presidência pelo maior partido de oposição.

Isso faz com que, desde que foi eleito senador, Aécio frequente os vários rankings dos parlamentares mais influentes do país e desfrute de espaço privilegiado na mídia. Entretanto, nas atividades estritamente legislativas, seu desempenho é pífio. Em quatro anos no cargo, só assinou 163 proposições, sendo 142 delas requerimentos, ou seja, meros pedidos de informação.

Entre as proposições mais importantes constam apenas duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs). E ambas coletivas, formuladas por dezenas de parlamentares. Já os Projetos de Lei do Senado (PLS) foram apenas 16, sendo três deles coletivos. Dos 13 restantes, um foi retirado de pauta pelo próprio autor. Aécio, portanto, elaborou uma média de três projetos por ano.

As PECS coletivas tratam de mudanças no pacto federativo, com o aumento no repasse que a União faz para estados e municípios. Ambas foram assinadas pela maioria dos senadores da casa. Dois dos PLSs dizem respeito ao projeto de reformulação do Bolsa Família, que ele apresentou ao país durante a última corrida eleitoral. Os outros 11 cuidam de outras mudanças no pacto federativo e de isenções para categorias especificas, como o setor elétrico.

A título de comparação, o senador Humberto Costa (PT- PE) apresentou dez PECs e 62 PLSs no mesmo período. Já a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) assina 19 PECs e 75 PLSs. A produtividade parlamentar do ex-candidato tucano à presidência é superada até mesmo pelo seu ex-candidato à vice, Aloysio Nunes (PSDB-SP), que apresentou nove PECs e 22 PLSs.

Os números da atuação política de Aécio Neves também não são expressivos nos debates em plenário. Nesses primeiros anos de mandato, fez somente 141 pronunciamentos, uma média de 2,9 por mês, e 21 apartes, menos de um a cada dois meses.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), por exemplo, fez 576 pronunciamentos e 137 apartes. Eduardo Suplicy (PT-SP), 718 pronunciamentos e 214 apartes. Ana Amélia, 926 pronunciamentos e 356 apartes.

Seu desempenho é um pouco melhor na relatoria de propostas de outros parlamentares. Participa como titular da comissão mais prestigiada da casa, a de Constituição e Justiça, e é suplente da de Assuntos Sociais. De 2011 até hoje, foi relator de cinco PECs e é ou foi relator de 40 projetos de lei da Câmara e do Sendo.

Perfil “articulador”

De acordo com o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Antônio Augusto de Queiroz, responsável pela divulgação anual da lista dos “Cabeças do Congresso Nacional”, o tucano tem grande influência política devido ao histórico familiar, à projeção que alcançou como presidente da Câmara e posteriormente do PSDB e, é claro, ao espaço positivo que conquista na mídia. “As pessoas vão ouvi-lo quando ele faz um pronunciamento. Aécio tem prestígio”, afirma.

Queiroz esclarece que a pesquisa detectou que Aécio tem perfil “articulador”, definido como um parlamentar cuja facilidade de interpretar o pensamento da maioria os credencia a ordenar e criar as condições para o consenso.  Outros exemplos de articuladores são Humberto Costa (PT-PE) e Fernando Collor (PTB-AL).

“Normalmente, têm livre acesso aos bastidores, ao poder institucional e alto grau de fidelidade às diretrizes partidárias ou ideológicas do grupo político que integram. Não são necessariamente eruditos, intelectuais, mas possuem instinto político e o dom da síntese”, diz o documento do Diap.

Outras perfis dos “cabeças”

O Diap também classifica os “cabeças” do Congresso em outras quatro categorias.  Os mais produtivos são os formuladores, que se dedicam à elaboração de textos com propostas para deliberação: as PECs, Pls e outros. Exemplos são Romero Jucá (PMDB-RR) e Claudio Puty (PT-PA).

Os mais poderosos são os “formadores de opinião”, parlamentares que, por sua respeitabilidade, credibilidade e prudência, são chamados a arbitrar conflitos ou conduzir negociações políticas de grande relevância. Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Sarney (PMDB-AC) são exemplos desta categoria.

Há também os “negociadores”, aqueles parlamentares que, investidos de autoridade para firmar e honrar compromissos, se sentam à mesa de negociação respaldados para tomar decisões. Walter Pinheiro (PT-BA) e Beto Albuquerque (PSB-RS ), que foi candidato a vice pela chapa de Marina Silva.

E, por fim, os “debatedores”, parlamentares ativos, atentos aos acontecimentos e principalmente com grande senso de oportunidade e capacidade de repercutir, seja no plenário ou na imprensa, os fatos políticos  gerados dentro ou fora do Congresso. Exemplos são Randolfe Rodrigues (PSOL-AC) e Ana Amélia (PP-RS).
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Desempenho-de-Aecio-e-pifio-na-formulacao-e-debate-de-proposicoes/4/32266

O Caso Banestado, a Petrobras e o feitiço do tempo

20.11.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 19.11.14
Por Iriny Lopes*

A Lava Jato tem ligação com o Caso Banestado mais do que se possa imaginar. Caso se tivesse ido até as últimas consequências, a situação poderia ser outra.

“Foi o maior roubo de dinheiro público que eu já vi”. A declaração do deputado federal oposicionista Fernando Francischini, do PSDB, não é sobre a Petrobras, ou o que a mídia convencionou chamar de Mensalão, mas sobre o Escândalo do Banestado (Banco do Estado do Paraná). O Banestado, por meio de contas CC5, facilitou a evasão de divisas do Brasil para paraísos fiscais, entre 1996 e 2002, na ordem de R$ 150 bilhões. O caso se transformou em na CPMI do Banestado, em 2003, da qual fui integrante em meu primeiro mandato.

Foi uma longa investigação que resultou no relatório final com pedidos de indiciamento de 91 pessoas pelo envio irregular de dinheiro a paraísos fiscais, dentre eles o ex-presidente do Banco Central do governo FHC, Gustavo Franco, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, Ricardo Sérgio de Oliveira, que foi arrecadador de fundos para campanhas de FHC e José Serra, funcionários do Banestado, doleiros e empresários.
 
Na época da CPMI, o presidente da comissão, o então senador tucano Antero Paes de Barros, encerrou os trabalhos da CPMI antes que o relatório fosse apresentado. O motivo principal era poupar seus pares, sobretudo Gustavo Franco e Ricardo Sérgio de Oliveira. A ação do PSDB para soterrar o relatório tinha como objetivo impedir que a sociedade tomasse conhecimento de um amplo esquema de desvios de recursos públicos, sobretudo vindos das privatizações do período FHC, para contas em paraísos fiscais. A história que não saiu na mídia está contada no livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Jr., lançado em 2011.

O desfecho das investigações levadas adiante pela Polícia Federal e mesmo de parte do Ministério Público Federal morreu na praia. Algumas pessoas, é verdade, foram condenadas, mas só laranjas, gente muito pequena perto do enorme esquema de corrupção.

O enredo do Banestado parece semelhante ao caso Petrobras, mas tem uma diferença: neste momento há uma determinação da presidenta Dilma em não deixar “pedra sobre pedra” sobre o caso da petrolífera, algo que não aconteceu no governo FHC - o Procurador da República na gestão tucana, Geraldo Brindeiro, mesmo sabendo dos malfeitos desde 1998, só decidiu pela abertura de processo quando estava de saída, no apagar das luzes da gestão tucana e pressionado pela abertura de uma CPMI.

A importância de o governo federal demonstrar empenho para que tudo fique esclarecido é determinante para se erradicar um mecanismo perverso de desvios de dinheiro público, de relações entre a iniciativa privada e o universo político e que determina, inclusive o perfil dos eleitos, principalmente no Congresso Nacional.

A Operação Lava Jato tem ligação com o Caso Banestado mais do que se possa imaginar. Se no caso Banestado se tivesse ido até as últimas consequências, provavelmente estaríamos hoje em outro patamar. As condenações necessárias a políticos, grandes empresários e doleiros, teria evitado a dilapidação de recursos públicos em todas as instâncias. A impunidade amplia os limites de corruptos e corruptores. Basta lembrar do esquema de licitação fraudulenta dos metrôs e trens de São Paulo, que atravessou mais de uma década de governos do PSDB, e a ausência de investigação e punição para entender do que estamos falando.

Os personagens do enredo da Lava Jato remetem, não por acaso, a muitos do Banestado, inclusive Alberto Youssef, que conseguiu não responder pelos crimes de corrupção ativa e de participação em gestão fraudulenta de instituição financeira (Banestado), por acordo, com MPF de delação premiada, em 2004.
 
Youssef entregou o que quis e continuou sua vida criminal sem ser incomodado até este ano, quando o juiz federal Sérgio Fernando Moro, responsável pelas prisões da Operação Lava Jato – este também outro personagem coincidente com Banestado, resolveu que o doleiro cumpriria quatro anos e quatro meses de cadeia, por uma sentença transitada em julgado.
 
“Após a quebra do acordo de delação premiada, este Juízo decretou, a pedido do MPF, a prisão preventiva de Alberto Youssef em decisão de 23/05/2014 no processo 2009.7000019131-5 (decisão de 23/05/2014 naqueles autos, cópia no evento 1, auto2)”, diz o despacho de Sergio Moro, datado de 17 de setembro deste ano. (ver mais emhttp://jornalggn.com.br/sites/default/files/documentos/acao_penal_no_5035707_sentenca_youssef.pdf).

Além de Youssef, do juiz Sérgio Moro, as operações de investigação do Banestado e da Lava Jato tem como lugar comum o Paraná. Apesar do Banestado ter sido privatizado, Youssef e outros encontraram caminhos que drenaram recursos públicos para paraísos fiscais a partir de lá.

Se no caso Banestado foram remetidos R$ 150 bilhões de recursos públicos adquiridos nas privatizações da era FHC para contas fantasmas em paraísos fiscais, na Petrobrás a estimativa da Polícia Federal até o momento é que tenham sido desviados R$ 10 bilhões.

Importante ressaltar que pouco importa os valores. A verdade é que estamos pagando uma conta do passado, em que parte das instituições fez corpo mole e deixou crimes dessa natureza prescreverem. Essa omissão (deliberada ou não) nos trouxe até aqui. Não por acaso, Alberto Youssef está de novo em cena. Sua punição no caso Banestado foi extinta em 2004 e quando revogada, neste ano, foi apenas para que MPF e Judiciário não passassem recibo de seus erros anteriores. Deram um benefício a alguém que mentiu e continuou sua trajetória criminosa.

Por isso tudo é admirável a disposição da presidenta Dilma, em encarar um esquema que mistura grandes empresários multinacionais, políticos e criminosos de porte. Afinal, que ninguém se iluda: numa dessas pontas tem o narcotráfico, o tráfico internacional de armas e toda ordem de ilícitos que se alimenta e retroalimenta a lavagem de dinheiro.

Dito isso, acho importante destacar o que é fundamental ser feito a partir da Operação Lava Jato:

1- Apoiar todas as ações que visam investigar, julgar e condenar corruptos e corruptores;

2- Constatar que as investigações comprovam que o financiamento empresarial das campanhas eleitorais, supostamente baseado em doações de empresas privadas, na verdade está apoiada, ao menos parcialmente, em desvio de recursos públicos;

3- Que portanto, para além de atos criminosos, estamos diante de um mecanismo sistêmico que corrompe cotidianamente as liberdades democráticas, pois no lugar do voto cidadão o financiamento privado reintroduz de fato o voto censitário;

4- Que este é mais um motivo para apoiarmos a reforma política, especialmente a proibição de todo e qualquer financiamento empresarial;

5- Por fim, conclamar os funcionários das empresas corruptoras a virem a público contar o que sabem, para que se possa colaborar com a Justiça. E vigiar para que as instituições envolvidas não se deixem manipular, no processo de investigação e julgamento, pelos mesmos interesses políticos e empresariais que se faz necessário punir.

Todo o Brasil sabe, afinal, que a corrupção institucionalizada esteve presente na história do Brasil, nos períodos democráticos e especialmente nos períodos ditatoriais. O desafio proposto pela presidenta Dilma, de não deixar “pedra sobre pedra” é imenso e depende das instituições cumprirem o seu dever.

O que Dilma quer, o que eu quero e toda a sociedade brasileira deseja é não ver a repetição dessa história e seus velhos personagens livres para reprisar o mesmo roteiro policial. Concordo com a frase do deputado oposicionista Francischini, que o Banestado foi o maior escândalo de corrupção de que se teve notícia no país.
 
Portanto, tenhamos memória e que ela não seja seletiva e nem refém do feitiço do tempo.
 
(*) Deputada federal (PT/ES)
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/O-Caso-Banestado-a-Petrobras-e-o-feitico-do-tempo/4/32268

Globo e advogado de Youssef combinam narrativa

20.11.2014
Do blog O CAFEZINHO
Por Miguel do Rosário

O PIG - Neto Sampaio _ O homem bomba da velha mídia escândalo de boca de urnasDias atrás, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, confirmou que houve golpe eleitoral contra Dilma Rousseff, perpetrado através do advogado de Alberto Youssef, o doutor Antonio Figueiredo Basto.

Janot lembrou que Basto era ligado intimamente aos tucanos.

Como era o golpe?

Não apenas Basto vazava trechos dos depoimentos de Youssef, como o advogado orientava o doleiro para fazer um recorte político de sua delação premiada.

Um recorte cuidadosamente elaborado para gerar impacto político contra o PT.

Entretanto, a mídia não conseguirá esconder que Alberto Youssef é uma cria essencialmente tucana, conforme eu já escrevi no post A história do doleiro que a mídia não contou“.

Há documentos e reportagens mostrando que ele operou para as campanhas de FHC e Serra. Essa é uma informação importante para entender a teia de relações construída pelo doleiro, e explicar o que ele é hoje.

Ora, se ele quer delatar, então terá de contar também o que sabe sobre as falcatruas tucanas que ele operou.

Se olharmos a manchete do site do Globo de hoje, a coluna de Merval e a entrevista do advogado do doleiro, constata-se facilmente que a armação midiática já encontrou uma linha de ação bem definida.

O advogado do doleiro posa, na entrevista concedida ao Globo, de “analista político”.

Pior, de “indignado”!

Segundo ele, assim como para Merval, não se trata apenas de corrupção, mas de uma estratégia para se manter no poder.

Igualzinho fizeram com o mensalão.

Ao invés de tratarem o caso como ele era, um esquema de caixa 2, o que permitiria ao 
Brasil, desde aquela época, discutir a questão do financiamento de campanha, inventaram um monstro que desmoralizou o STF e criou dois palhaços: Ayres Brito, hoje com uma sinecura de luxo na Globo, e Joaquim Barbosa, cujo filho ganhou emprego também na 
Globo.

O PT achava que enfiando a cabeça bem fundo num buraco, no caso mensalão, poderia virar a página.

Não é assim.

A mídia tenta agora repetir a farsa.

Não é corrupção, diz Merval. Corrupção é normal, acontece todo dia, explica ele.

O que acontece é algo muito pior. É o PT do mal, o PT dos infernos, em ação novamente.

É o mensalão 2, insistirá a Globo, com ajuda de um novo Roberto Jefferson, encarnado agora na figura do doleiro e seu esperto advogado.

O juiz Sergio Moro, que escreveu a decisão de Rosa Weber na Ação Penal 470, que impressionou o mundo jurídico pela sua desfaçatez (“não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura assim me permite”), também não parece nada preocupado em evitar a politização do processo.

Os vazamentos saem de sua vara aos montes, sem que ele faça uma admoestação contra delegados, promotores ou advogados que possam estar por trás dos mesmos.

Uma reportagem investigativa da Agência Pública, publicada em junho deste ano, mostrava que as quatro principais empreiteiras do país, as “quatro irmãs”, operam juntas, em cartel, desde a ditadura militar. Assim como a Globo, elas se consolidaram durante o período autoritário, que favoreceu concentração do capital, num ritmo maior do que o mercado naturalmente faria, e na contramão de qualquer orientação anticartel ou anti-oligopólio que toda democracia deve assumir.

As empreiteiras dão financiamentos a campanhas eleitorais, favorecendo sempre os times vencedores, quaisquer que eles sejam, em busca de blindagem contra investigações que possam criar obstáculos à manutenção de seu cartel.

Que se entenda bem: acabar com o cartel não é acabar com as empresas, que são importantes para o país, e sim dar fim a um esquema de combinação de preços e pagamento de propina a servidores e partidos, que sangra os cofres e prejudica a democracia.

É evidente que a Globo fará de tudo para transformar o escândalo da Petrobrás num jogo político para ampliar seu próprio poder.

O cálculo é fácil. Se as instituições políticas estão desmoralizadas, em quem o brasileiro poderá confiar?

Na mídia, claro!

Só que a mídia fará isso não para melhorar o tratamento à coisa pública, mas para chantagear a democracia e ganhar mais dinheiro.

Ela quer um governo fraco e acuado, para que ele não tenha condições de aprovar as reformas necessárias, as quais são as seguintes:

1) Uma reforma política, que não precisa reinventar a roda, até porque isso representaria um perigo de retrocesso. Cumpre, sobretudo, propor mudanças no sistema de financiamento de campanha, chancelando politicamente e aprimorando a decisão que sairá em breve do STF, de proibir doação de empresas. Outros pontos interessantes que podem ser discutidos são a ampliação da participação social junto às decisões de Estado. Criação de ouvidorias, ombudsmans, referendos, orçamentos participativos, etc.

2) A reforma tributária, reduzindo impostos que incidem sobre os mais pobres e aumentando as alíquotas máximas sobre os mais ricos. Deve-se discutir também um imposto sobre a herança, nos moldes do modelo norte-americano, e o aumento dos tributos sobre o consumo de luxo.

3) A reforma agrária. Uma série de medidas para democratizar a terra no Brasil teria um profundo impacto psicológico e político em nosso país, ativando entusiasmos e forças que andam paradas.

4) A reforma urbana. Os brasileiros nas cidades grandes estão acuados por grandes empresas, que tomaram o setor imobiliário e de transportes. É preciso discutir regras, como fazem todas as metrópoles modernas do mundo, mais democráticas para a questão dos aluguéis e dos financiamentos à casa própria nas áreas urbanas. A mobilidade urbana, outro tema essencial, entra nesse capítulo.

5) A reforma da mídia. O governo tem de entrar nisso de cabeça erguida e língua afiada. A mídia já começou, desde o final da eleição, ou mesmo antes dela, uma campanha de mentiras que não tem sido rebatida pelas forças políticas eleitas pelo povo justamente para fazer isso: para responder.
*
O governo não foi eleito apenas para administrar. Elege-se o governo também para ser um representante político. Por isso, a sociedade lhe dá tantos instrumentos e recursos. Para que ele possa participar do debate público como um de seus atores mais influentes.

Onde estão os ministros políticos do governo? Onde está seu porta-voz?

Onde está o blog do Planalto, ou da Petrobrás?

Mercadante, ao qual já fiz tantas críticas, mostrou, em entrevista recente, que tem a língua afiada, e pode fazer uma contraponto importante em matéria de debate econômico.

Por que não faz mais? Porque se limita a aparecer na TV fechada do programa da Miriam Leitão?

Um ministro pertence ao povo, não à Globo!

Falta encontrar quadros que possam fazer o mesmo, no campo da comunicação, da política propriamente dita, e, agora, do combate à corrupção.

Os setores progressistas dentro e fora do governo não poderão agora fugir à luta de construir uma contranarrativa à mídia corporativa.

No caso do Brasil, a questão tornou-se mais importante que a política.

É uma questão de honra!

A campanha golpista da mídia atinge a honra de milhões de eleitores que votam na esquerda com orgulho, e não querem, novamente, passar pela humilhação de serem associados à falta de ética.

A construção dessa contranarrativa passa também por continuar a rever os erros da Ação Penal 470.

De qualquer forma, não será possível, à mídia, repetir o que fez no mensalão: achacar ministros do STF, não importa se indicados pelo PT ou não, criar uma atmosfera de linchamento, bancar erros e crimes de procuradores, e forçar condenações sem provas.

Por outro lado, a direita é criativa. Já está desenhado como será conduzido o golpe do “petrolão”: forçar delações premiadas, sempre orientadas politicamente; e, sobretudo, produzir muita mentira.

Fernando Brito, do Tijolaço, já andou se perguntando, com propriedade: não é estranho que Alberto Yousseff tenha adquirido essa importância toda junto às empreiteiras e à Petrobrás? Ele não tinha sido preso poucos anos antes, não estava sob investigação da justiça desde o início dos anos 2000?

Quem seria maluco de entregar milhões em mãos de uma figura totalmente queimada como Alberto Youssef?

Essa história está mal contada.

Porventura estão tentando transformar Youssef em algo maior do que ele era? E por que? 

Seria porque o vêem como um “aliado”, como alguém disposto a mergulhar de cabeça no jogo da mídia e da direita?

Enfim, temos uma situação infernal, que nos exigirá a convocação de muitos Virgílios para nos conduzir à saída.

Uma investigação dessa magnitude teria de ser conduzida sem politização, com total objetividade, o qu será impossível diante do processo político brasileiro, que é fundamentalmente midiático.

De um lado, temos um PT com suas lideranças sempre meio apalermadas pelo barulho, 
mas sustentadas politicamente por uma base social ainda traumatizada com lembranças ruins de governos anteriores.

De outro, uma mídia com forte penetração no Judiciário, no Ministério Público e, agora descobrimos, também na Polícia Federal. Uma mídia extremamente astuta, absolutamente inescrupulosa, e detentora de uma máquina demolidora e quase indestrutível de moer reputações e sustentar teorias mentirosas.

A primeira grande batalha, as eleições, impôs uma dura derrota à mídia e seus lacaios golpistas.

Não dá mais, porém, para governar em silêncio.

Agora mesmo, por exemplo, fala-se que o novo ministro da Fazenda será Luiz Carlos Trabuco, o presidente do Bradesco, ou alguém parecido.
Trata-se de algo que havíamos previsto: um movimento estratégico de recuo em relação ao mercado.

Ótimo, a gente compreende. Política é o campo onde nos sentimos mais à vontade, e gostamos quando o governo entra no jogo com astúcia.

Só que esse movimento, sem um outro, paralelo e simultâneo, de mais ousadia em política e comunicação, sem um gesto à esquerda, provocará dano ao governo, que, mais que nunca, precisa de apoio de suas bases sociais.

Para isso, bastaria haver um porta-voz, um blog, qualquer coisa, que pudesse ao menos emitir um sinal político!

“Olha gente, estou nomeando um ministro da Fazenda vindo do lado de lá, mas não esqueci o lado de cá, tanto que pensei nisso e naquilo que podemos fazer”.

Qualquer coisa que sugerisse que o governo não depende da mídia para se comunicar! E que não esquece a sua base de apoio!

Depois do que aconteceu com Sérgio Cabral e quase aconteceu com a própria Dilma, após junho de 2013, ficou bem claro que popularidade de instituto de pesquisa não adianta nada.

Quando não se tem apoio da grande mídia, é preciso ter base orgânica, popular, para poder ir adiante e não ser tragado pela primeira crise.

O jogo já começou, e as peças estão se movendo muito rápido.

Um dia de silêncio corresponde a um dia de derrota.
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Fonte:http://www.ocafezinho.com/2014/11/20/globo-e-advogado-de-youssef-combinam-narrativa/#sthash.m44eUoat.dpuf