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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

O golpismo dos EUA contra Cuba

12.11.2014
Do BLOG DO MIRO, 11.11.14


Editorial do siteVermelho:

Pela quinta vez em menos de um mês, o jornal estadunidense The New York Times publicou neste domingo (9) um editorial sobre Cuba, desta vez criticando as tentativas dos Estados Unidos planejadas para provocar a derrubada do governo cubano. 

Sob o título “Em Cuba, desventuras ao tentar derrocar um regime”, o jornal faz uma retrospectiva, desde a aprovação da Lei Helms-Burton, em 1996, dos inúmeros planos forjados em Washington contra a Ilha revolucionária. Entre outras coisas, o jornal destaca que estes projetos só serviram como fundamento para que o governo estadunidense gastasse US$ 264 milhões durante os últimos 18 anos, no intento de estimular supostas reformas “democráticas” no país. 

O editorial do influente jornal nova-iorquino é um inevitável sinal dos tempos. No dia 28 de outubro, 188 países manifestaram-se, pelo 23º ano consecutivo, a favor da resolução contra o bloqueio, apresentada por Cuba na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Apenas os imperialistas estadunidenses e os sionistas israelenses votaram contra e três outros países – Ilhas Marshall, Micronesia e Palau – se abstiveram. Repetidamente, o mundo se pronuncia com a maior clareza pelo fim da odiosa medida que prejudica o desenvolvimento do país e afronta as normas de convivência democrática entre as nações. 

Os Estados Unidos estão cada vez mais isolados nesta questão, sustentando uma posição retrógrada e anacrônica, rechaçada não só no âmbito da Assembleia Geral da ONU, mas também nos grupos regionais da organização mundial, como o G-77+China, que reúne os países em desenvolvimento, o Caricom, que representa a comunidade caribenha, o Movimento dos Países não Alinhados, a União Africana e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), onde é amplo o consenso contra o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba.

O jornal aconselha o governo estadunidense a promover a “aproximação diplomática”, ao invés de lançar mão de “métodos artificiosos”, se quer exercer alguma influência em Cuba para que esta se torne uma “sociedade mais aberta”. 

Aqui o importante a reter não são as concepções e os fins que o diário nova-iorquino, em nome de importantes setores da sociedade estadunidense, pretende quando se refere a influir em Cuba e nas mudanças que a Ilha está promovendo, mas o insofismável fato de que o bloqueio sofre contestações cada vez mais amplas no interior dos Estados Unidos. Não são poucos os segmentos empresariais que nutrem a expectativa de fazer rentáveis negócios em Cuba. Também sob esse ponto de vista, a posição do Departamento de Estado, de setores do Congresso e da Casa Branca é obsoleta. 

Do ponto de vista dos direitos humanos e do direito internacional, para além do anacronismo, é uma política reveladora da crueldade do imperialismo. O chanceler Bruno Rodríguez, em sua alocução na ONU fundamentando a necessidade de pôr fim ao bloqueio, demonstrou que este afeta os setores mais vulneráveis da sociedade, a começar pelas mulheres, as crianças e os idosos. Internacionalmente, a posição estadunidense é insustentável, porquanto é uma manifestação de intolerância e agressividade em face de uma nação que tem o direito à autodeterminação e a viver em pé de igualdade com as demais.

Com o editorial crítico às aventuras golpistas dos Estados Unidos contra Cuba, o The New York Times demonstra que a política estadunidense de bloqueio e sanções está em flagrante contraste com a luta de muitos governos e povos pela cooperação internacional. 

O cenário é hoje mais favorável para demandar o fim do bloqueio.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/11/o-golpismo-dos-eua-contra-cuba.html

Leda Paulani rejeita terrorismo: “Economia brasileira não está à beira do precipício”

12.11.2014
12.11.2014
Do portal da Revista Forum,05.11.14
Por Bruno Pavan, em Brasil de Fato

Eleita sobre o discurso das “ideias novas”, a presidenta Dilma Rousseff terá que contrariar fortes pressões para man­ter uma política econômica progressis­ta. É o que acredita a professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA – USP) Leda Paulani.
Ela, que assinou o manifesto dos eco­nomistas em apoio a reeleição da presi­denta no segundo turno das eleições, é otimista e não acredita que Dilma recuará da guinada progressista que aconteceu na política econômica, durante o seu pri­meiro mandato e que a fez ser “odiada pelo mercado financeiro”.
“Ela começou com uma mudança no Banco Central, baixou os juros, enfren­tou corajosamente o lobby financeiro usando os bancos públicos para reduzir os spreads dos bancos privados, deu for­ça para o PAC e para o Minha Casa Mi­nha Vida, que é um grande pacote de in­vestimentos e tem um fator multiplica­dor muito alto na economia”, analisa.
Leda também conta um pouco sobre sua experiência como Secretaria de Pla­nejamento, Orçamento e Gestão da pre­feitura de São Paulo onde, entre outras coisas, ajudou na criação da Controla­doria Geral do Município, que ajudou a desmantelar a máfia do ISS na cidade. Nessa entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ela reforça que o foco do governo de Fernando Haddad é “devolver o pú­blico para o espaço público”.
Brasil de Fato – O que significou a vitória da Dilma nessas eleições?
Leda Paulani – Não sei se pode falar de um projeto novo, mas a presidenta re­presenta um conjunto de políticas públi­cas que buscaram reduzir as desigualda­des de renda tanto pessoal quanto regio­nal, ao passo que a outra candidatura ti­nha mais dificuldades em afirmar o com­promisso com esse tipo de política.
O momento econômico do Brasil é ruim?
Logicamente, existem algumas ques­tões que têm que ser resolvidas. A prin­cipal delas é a retomada do crescimento. Porém, nem de longe a economia pas­sa por uma situação tão ruim quanto a imprensa divulga e quer fazer crer. Eu escrevi um artigo durante a campanha chamado “terrorismo econômico” onde tento mostrar justamente isso. Muitos falaram que o país tinha perdido a credi­bilidade no mundo, só que isso não bate com o dado da entrada de capitais exter­nos na economia brasileira. São R$ 65 bilhões esse ano, a média no período Dil­ma é de R$ 64 bilhões. Então como as­sim? Sem credibilidade pra quem? On­de? Como?
Outro exagero é dizer que a inflação está fora do controle. Esse ano, na pior das hipóteses, ela vai fechar em 0,25% acima da meta. Se você pegar a média de inflação do período Dilma, ela é 6,2% considerando 6,75% para este ano, su­biu um pouco em comparação com o segundo mandato do Lula (5,2%), mas caiu se formos comparar com o pri­meiro governo Lula, e com os governos FHC. Então estão tentando criar um ambiente que é como se a economia es­tivesse à beira do precipício e que está muito longe de estar.
Falam do déficit público, porque o re­sultado primário vai ser inferior ao que se esperava etc. tudo bem, ele vai ser um pouquinho inferior , só que a ortodoxia e a mídia gostam de olhar só para o resultado primário, porque é o que impor­ta pra eles, é esse resultado primário que vai ser usado para pagar os recursos da dívida, fazem a política dos credores, não importa o crescimento, a continui­dade das políticas públicas, a redução da desigualdade, nada disso, importa a ga­rantia de que os credores serão remune­rados.
Mas quando você faz a conta com o resultado nominal e não com o resul­tado primário, ou seja, incluindo o que o governo gasta também com pagamentos de juros, esse resultado é muito melhor do que os resultados nos quadriênios an­teriores, e é melhor por uma razão muito simples: a queda dos juros que aconte­ceu em alguns períodos e reduziu o ser­viço da dívida e a necessidade de emis­são de novos títulos.
Vamos falar então da proporção da dí­vida pública em relação ao PIB. A nossa deve estar em volta de uns 30% a 40%. No Japão é 213%, alguém fala alguma coisa? Se a gente for pegar o período de 2010 a 2013, o nosso déficit foi de 2,7% do PIB, exatamente no mesmo período o déficit nominal dos países da zona do Euro foi de 4%, dos Estados Unidos foi 9,2%, o do Reino Unido foi de 8%, do Japão foi 9,4% e ninguém fala nesses países como tendo descontrole dos gas­tos públicos.
Por que a sociedade não tem essa compreensão?
Então se cria uma narrativa para os lei­gos e se monta uma imagem que nem de longe corresponde à realidade. Eu acho que o principal problema da economia hoje é que ela não cresce. Porque o ní­vel de emprego continua muito bom, o salário médio real continuou crescendo, o salário mínimo também cresceu, não há descontrole da inflação, não há per­da de credibilidade, não há descontrole dos gastos, não há nada disso.
Isso tudo é uma orquestração mesmo para fazer ver que tem um problema, porque a po­lítica econômica que a presidenta seguiu é baseada em alguns princípios que não são aceitos pelo mercado, principalmen­te a questão da política monetária. Eles fazem esse terrorismo pra tentar forçar a mudança da política.
Desde o primeiro turno, o mercado se mostrou hostil à reeleição de Dilma Rousseff. Na primeira entrevista da presidenta, ela disse que estava aberta à discussão com setores da sociedade, inclusive o mercado.
Você teme que exista um retrocesso conservador pra acalmar os ânimos?
Espero que não corramos esse risco e tendo a achar que não. Até pelo seu es­tilo, a presidenta gosta de enfrentar as boas brigas. Se você pegar os 12 anos de PT no governo, você vai ver que os dois mandatos de Lula tiveram diferenças. O primeiro mandato foi bastante ortodo­xo, o que me fez fazer muitas críticas e até escrever um livro por conta da mi­nha decepção. No segundo mandato de­le, a coisa mudou um pouco. Não na po­lítica monetária onde as taxas de juros continuaram muito elevadas, o Henri­que Meirelles continuou no Banco Cen­tral e os colegiados do Copom eram ab­solutamente conservadores. O que se alterou – por conta do cenário de crise mundial – foi a presença mais forte do Estado na economia.
E o governo Dilma?
Agora, no mandato da Dilma, essa prioridade começou a mudar. Ela foi se aproximando mais de uma política he­terodoxa, por exemplo, começou com a mudança no Banco Central e baixou os juros, enfrentou corajosamente o lo­bby financeiro usando os bancos públi­cos para reduzir os spreads dos bancos privados, deu força para o PAC, para o Minha Casa Minha Vida, que é um gran­de pacote de investimentos que tem um fator multiplicador muito alto na econo­mia. Isso fez com que ela fosse odiada pelo mercado financeiro.
Concluindo, até agora pelo que ela mostrou, acho que ela será mais resis­tente e não cederá completamente aos reclamos do mercado, que vai continu­ar fazendo o que fez no primeiro man­dato. Existe um mecanismo de chanta­gem muito pesado com eles em parce­ria com a mídia que aumenta esse tipo de discussão espúria. Mas espero since­ramente que ela não ceda, por exemplo, pondo o presidente do Bradesco no Mi­nistério da Fazenda.
Sobre essas especulações em cima do nome do futuro ministro da Fazenda, já apareceram nomes do mercado como Luis Carlos Trabuco e o Henrique Meirelles e nomes da academia como o Nelson Barbosa. O que você acha que isso pode significar?
Seria uma decepção a nomeação de fi­guras como Trabuco ou Henrique Mei­relles. Agora você tem nomes bons, o próprio professor Nelson Barbosa, que é heterodoxo, conhece muito o governo fe­deral, foi secretário de política econômi­ca e é um nome respeitado inclusive pe­lo mercado.
Esse tipo de discussão é complicada porque quando você contesta a ques­tão da inflação, imediatamente te acu­sam de ser irresponsável. É uma distân­cia tão abissal, tão cavalar, entre você ter uma inflação de 20%, 30%, 40% ao mês e ter uma que não é 6% mas é 6,75% ao ano. A questão da inflação, obviamen­te, é fundamental, ninguém está dizendo que você pode descuidar desse controle. Essa respeitabilidade e esse compromis­so com a estabilidade monetária o pró­prio mercado enxerga no Nelson Barbo­sa, não precisa pegar e colocar o presi­dente do Bradesco.
A presidenta se reelegeu com um discurso de mudança e praticamente demitiu o ministro Guido Mantega durante a campanha. Quais os tipos de mudança que vai precisar ocorrer na economia a partir do ano que vem para que o país volte a crescer?
Precisamos retomar um patamar de investimento público, porque a variável mais importante da demanda agregada é o investimento, se ele não é robusto, toda a economia acaba também tendo um desempenho ruim. No Brasil, é his­tórico que se o investimento público não marchar à frente o investimento privado não vem atrás. Todos os momentos em que o Brasil cresceu muito por um gran­de período de tempo foi porque o inves­timento público foi muito forte. Ele ser­ve como uma locomotiva, você abre ca­minhos para o investimento privado chegar depois.
Agora, achar que você vai desonerar a folha e que isso vai reproduzir uma retomada do investimento privado é uma to­lice! O que acaba acontecendo é que isso vira margem de lucro e eles acabam embolsando essa desoneração e não retomam o investimento para o país. Essa desonera­ção pode ter tido algum impacto positi­vo na manutenção do emprego, mas es­perar a retomada dos investimentos so­mente com esse tipo de política é uma bobagem, isso não acontece, a história mostra o contrário.
Temos uma série de setores que de­pendem do Estado para puxar o proces­so, áreas ligadas à infraestrutura e habi­tação são exemplos. Temos um déficit enorme de habitações no país e que se o Estado não entrar forte subsidiando, es­se problema durará para sempre. Fora que a construção civil é dos setores mais dinâmicos porque tem um efeito multi­plicador muito alto na economia.
A presidenta chegou a baixar a Selic durante vários meses consecutivos em seu primeiro governo, mas esse ciclo acabou se encerrando sem que resultados muito positivos tenham saído dele. Onde você acha que o governo errou?
Apesar de o governo ser, em princípio, de esquerda e com posições progressis­tas, existe uma guerra ideológica dentro dele e você acaba tendo espaço para po­sições mais conservadoras. Isso fez com que lá na decisão de se reduzir os juros, quase que como uma compensação se dissesse: “bem, nós vamos liberar mais a política monetária, mas vamos arrochar a política de gastos”. Com isso você teve uma desaceleração de programas como o PAC e o Minha Casa Minha Vida, so­mado à continuidade da crise no plano internacional, redução de preço de com­modities e redução do crescimento da China, acabou produzindo esse resulta­do ruim no plano do crescimento econô­mico.
Junto com isso, tivemos a infelici­dade de ter alguns choques de oferta de alimentos, então você fica numa situação que a economia cresceu 7,5% em 2010 e menos de 2% em 2011. Esses elementos acabaram significando uma pressão pra um retorno de uma política mais arro­chada, e o governo acabou elevando no­vamente a taxa.
Outro fator é que a expectativa de in­flação do mercado é uma das variáveis que eles olham na hora de decidir se vai manter, reduzir ou subir a Selic. Então se ele quer que a taxa de juros suba, co­meça a dizer que a inflação está fora de controle e essa expectativa sobe e obriga o Banco Central aumentar a taxa de ju­ros. Trata-se de um processo de autorre­ferência e que dá ao mercado uma arma muito poderosa. Esse conjunto de fato­res foi o que impediu que a po­lítica de redução de juros prevalecesse.
Falando um pouco sobre sua experiência na Secretaria de Planejamento da Prefeitura. Logo em seu primeiro ano, o governo Haddad sofreu com a falta de recursos que não vieram por conta do não reajuste no preço da tarifa de ônibus e no IPTU. Como vocês conseguiram compensar esse prejuízo?
O problema foi o seguinte: existe uma lei que foi aprovada no governo Kassab dizendo que a cada dois anos, a come­çar de 2013, a prefeitura tem que rever a Planta Genérica de Valores da cida­de. Essa planta é o valor que a prefei­tura atribui a cada imóvel pra efeito de cobrança de IPTU, revê-la é uma coisa custosa e demorada. Se você deixa mui­tos anos essa planta estacionada, sem atualizá-la, você vai perdendo imposto. Chegou 2013 e nós precisaríamos cum­prir a lei, então fizemos a atualização da planta, inclusive porque existe um processo forte de especulação imobi­liária na cidade que acabou refletindo esse aumento em geral dos preços dos imóveis.
A Câmara aprovou a lei a du­ras penas, mas a Justiça barrou. Nun­ca antes na história desse país alguém tinha proibido o município de rever a planta genérica de valores. Esse proce­dimento de revisão sempre foi feito pe­las prefeituras só que no caso de São Paulo, por exemplo, não havia nenhu­ma lei. De quando em quando, a cada quatro, cinco anos, um prefeito entra­va, fazia a revisão, passava a lei na Câmara e cobrava o tributo em cima dos novos valores.
De fato a gente teve em 2013 uma combinação de fatores que tornaram o orçamento de 2014 muito apertado. O primeiro ponto foi esse R$ 1 bilhão que a Justiça nos impediu de receber por­que a lei que a Câmara já tinha aprovado não poderia ser aplicada. O segundo foi o aumento do subsídio que a gente teve que fazer para o ônibus.
O custo do sis­tema cresce todo ano com o reajuste de salários para os motoristas, aumento no combustível entre outras coisas. A SP­Trans tem essa incumbência, de pagar o sistema, então ela recebe, você centrali­za todo o recurso, e paga as concessio­nárias. O que falta o governo munici­pal tem que cobrir e como não foi possí­vel aumentar a tarifa, essa parcela subiu muito. Isso nos levou mais R$ 800 mi­lhões.
Além disso, teve um crescimento no pagamentos dos precatórios, e a dívi­da com a união que acabou não sendo re­negociada como a gente esperava, e que inclusive esperamos que antes de acabar esse mandato da presidenta ela consiga votar e aprovar essa renegociação.
O orçamento, então, foi muito aper­tado inclusive quando contraposto com o programa de metas do governo. Mes­mo assim a gente conseguiu fazer investimentos tomando uma série de medidas pra reduzir gastos com as secretarias.
De qualquer forma, uma cidade como São Paulo precisa ter pelo menos R$ 6 bilhões de investimentos por ano. Hoje, a gente está conseguindo fazer R$ 4 bi­lhões. Se conseguirmos renegociar a dí­vida, essa situação vai melhorar.
A gente paga mais de R$ 4 bilhões e vamos con­tinuar pagando, mas reduzindo o esto­que da dívida com a mudança do inde­xador, vamos poder tomar empréstimos pra fazer investimentos, coisa que hoje a gente não pode.
Por outro lado, muitos consideram o governo Haddad uma administração moderna e ousada. Quais são os principais trunfos dessa gestão?
Resumindo tudo em uma frase só: de­volver o público para o espaço público. Temos uma série de alternativas que se combinam e que vão mudando a cara da cidade: o Plano Diretor, a melhoria do transporte público por conta das faixas de ônibus, as ciclovias, as praias urba­nas, os parklets, e agora vamos fazer um projeto longo para mudar todas as lâm­padas da cidade. A questão da ilumina­ção tem um impacto brutal na questão da violência, então em vez de você bo­tar mais rota na rua, você ilumina. É al­go mais civilizado.
Esse conjunto de coisas aponta para essa mesma direção: ao invés da cidade ser hostil, um lugar em que o cidadão põe o pé fora de casa e não reconhece aque­le espaço como dele, mas, sim, que ele fa­ça parte dela.
Lógico que também temos que pensar isso junto com a redução da desigualdade na cidade, isso também faz parte desse mesmo processo. Hoje, no entanto, eu acho que já tem um conjunto de iniciativas que renderam frutos e que já produzem essa mudança.
Nesse governo, foi criada a Controladoria Geral do Município, cuja ação já conseguiu recuperar milhões da máfia do ISS. Qual seria a principal importância dela para a cidade?
A criação da Controladoria está liga­da diretamente a um apreço muito gran­de que o prefeito tem com a questão da transparência. Isso vem junto com um efetivo combate à corrupção, pois caso contrário, ficaria só no discurso, e com uma série de iniciativas no sentido de aumentar o controle social e a partici­pação popular. São três coisas andan­do juntas: a participação, a transparên­cia e o combate à corrupção. No âmbi­to da participação, há uma série de ini­ciativas: o Conselho de Planejamento e Orçamento Participativo, o programa de metas, o Plano Diretor e, agora, a no­va lei de uso e ocupação do solo. Ago­ra, participação sem transparência vira uma farsa, e transparência sem partici­pação não existe. A população tem que poder controlar o poder público. Essa democracia direta não é incompatível com a democracia representativa como muitos querem crer. A direita não gosta disso, o espaço da participação é ignora­do por eles. A prefeitura está apostando em outro caminho, e a controladoria en­tra no bojo dessa visão e desse conjunto de iniciativas.
Com relação aos recursos, são duas coisas diferentes: uma delas é a gente conseguir, pela via judicial, recuperar o que foi roubado, que é uma coisa difí­cil porque tem todo o processo, o jul­gamento das pessoas, de quem vai co­brar, enfim, uma série de coisas. Ou­tro ponto é que houve um crescimento substantivo da arrecadação do ISS pelo desmonte dessa quadrilha, ela não po­dendo mais atuar, deixou de possibili­tar que aqueles que têm que pagar não paguem ou paguem menos do que de­vem. Com isso, a arrecadação cresceu comprovadamente nesse setor que atu­ava mais fortemente.
Leia Mais:
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/rodrigovianna/forca-da-grana/leda-paulani-economia-brasileira-nao-esta-beira-precipicio/

Aécio, isso não é conversa. São seus votos como deputado

12.11.2014
Do blog TIJOLAÇO, 17.10.14
Por Fernando Brito

diap
Por indicação do boletim da Federação dos Petroleiros, fui atrás do relatório do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) dos parlamentares da legislatura 1999-2003, a última da qual Aécio Neves participou como deputado, no Governo Fernando Henrique.
Em  10 matérias de interesse dos trabalhadores o senhor  votou contra eles em seis, viajou duas em missão oficial, fugiu de votar em uma e apenas em uma deu um voto favorável, assim mesmo hipócrita, porque foi a que proibia o nepotismo que, em Minas, praticaria a rodo.
Alguns dos seus votos, senador:
1 – Absteve-se na votação sobre flexibilização da CLT – uma lei altera o artigo 618 da CLT, estabelecendo a prevalência de convenção ou acordo coletivo de trabalho sobre a legislação infraconstitucional. Isto é, autorizando um sindicato “camarada” do patronato a abrir mão de direitos já conquistados em lei;
2-  Votou a favor da criação do Fator Previdenciário,  este mesmo que o senhor diz agora que vai “discutir” com os trabalhadores para ver abolido. Conversa mole, não é?
3- Votou pelo fim do Regime Jurídico Único no serviço público, para reabrir a possibilidade de regime de contratação pela CLT no serviço público, sem direito à negociação, estabilidade ou aposentadoria integral.
4 – Votou pela redução do prazo para trabalhadores rurais reclamarem seus direitos trabalhistas;
5- Votou  a favor de projeto que privilegia pagamento de juros em detrimento às despesas com pessoal, custeio, investimento em infra-estrutura e principalmente nas áreas sociais.
6 – Votou contra projeto que garantia critérios objetivos  de avaliação   para fins  de dispensa de servidor estável por insuficiência de desempenho e contra a garantia a ele de ampla defesa
Quem quiser ver os dez, clique aqui.
Foi feito dez anos antes de Aécio ser candidato à Presidência e é até generoso com suas qualidades de articulador. Não é campanha eleitoral, portanto.
São fatos. É história, não historinha.
Este é o Aécio de verdade, não o de mentirinha que os marqueteiros botam prometendo na televisão.
Ah, e vem mais aí, sempre com documentos, senador, porque este “blog sujo” é limpíssimo.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=22199

A fraude das pesquisas

12.11.2014
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 11.11.14
Por Lúcio Flávio Pinto, na edição 824  

Reproduzido do Jornal Pessoal nº 572, novembro de 2014, 1ª quinzena

Em algum outro Estado do Brasil houve tanta contratação de institutos de pesquisas para fazer sondagens eleitorais como no Pará? Uma ligeira verificação chega a resultado negativo. O Pará bateu todos os recordes nesta dupla eleição. O espantoso não foi só a quantidade dos institutos, mas os desacertos, confusões e singularidades no pedido dos contratantes e na prestação do serviço.
O grupo Liberal tinha a exclusividade do Ibope, o mais antigo e o de maior credibilidade, por isso o mais caro. No entanto, recorreu a entidades sem essa expressão, como o Doxa, e ainda sonegou no jornal a divulgação dos resultados, quando eles desagradaram os Maiorana. Por imposição da Globo à sua afiliada, a TV Liberal teve que fazer a divulgação. Na adversidade da empresa, sem o destaque e a extensão que o fato merecia.
O grupo RBA podia ter recorrido ao outro instituto de importância nacional, o Datafolha, mas como o objetivo não era espelhar a realidade no momento da pesquisa, preferiu trabalhar como entidade local, sujeita, como no âmbito dos Maiorana, aos humores do contratante.
Como resultado dessa leviandade, o eleitor chegou confuso para votar. Se alguém lhe pedia a opinião sobre o resultado, ele, sinceramente, não sabia o que dizer. Muitos apenas expressavam o seu desejo, não o esforço reflexivo de análise. Estavam demonstrados o zigue-zague das pesquisas na imprensa desnorteou a quase todos, exceto os que manobravam os cordéis nos bastidores, com as pesquisas qualitativas privativas.
A eleição vai se tornando assim uma manobra eleitoral, em que têm maiores possibilidades de êxito aqueles que dispõem de mais dinheiro para contratar as pesquisas privê, as agências, os marqueteiros e de órgãos de imprensa atrelados aos seus interesses.
A situação se tornou caso de política e de justiça. O TRE não pode ser mais o destinatário inerte, que se limita às formalidades ao fazer o registro das pesquisas. Deve saber-lhe o primeiro teste sobre a consistência do trabalho antes de sacramentá-lo. A justiça eleitoral tem que dispor de estrutura técnica permanente para fazer essa checagem, prevenindo o uso desonesto de um instrumento que pode fraudar o desejo e a aspiração do eleitor, viciando o processo eleitoral e sangrando a democracia.
Se constatada a má fé da pesquisa, esse fato deve dar início imediato a um processo criminal contra os responsáveis pelo Ministério Público, também um observador passivo das fraudes mais escandalosas apontadas no curso da campanha eleitoral deste ano. Assim, fica-se sem saber se essas manobras influíram no resultado da votação e em que profundidade. O regime democrático não tolera essas dúvidas.
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*Lúcio Flávio Pinto é jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)

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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed824_a_fraude_das_pesquisas

O porto de Mariel, Brasil, Cuba e o socialismo

12.11.2014
Do portal da Agência Carta Maior, 28.01.14
Por Beto Almeida (*)
Agência Brasil

Com Mariel, Brasil rompe concretamente o bloqueio imperialista contra Cuba, disse o marinheiro aposentado Jorge Luis, que já esteve em portos brasileiros.

Agência Brasil
Havana - Tem sido extremamente educativo registrar, aqui em Havana, a reação do povo cubano diante da inauguração do Porto de Mariel. Expressando um elevado nível cultural, uma mirada política aprofundada sobre os fenômenos destes tempos, especialmente sobre a Reunião de Cúpula da Celac que se realiza por estes dias aqui na Ilha, tendo como meta central, a redução da pobreza, os cubanos revelam, nestas análises feitas com desembaraço e naturalidade, todo o esforço de 55 anos da Revolução Cubana feita na educação e na cultura deste povo.

Mariel, uma bofetada no bloqueio 

Poderia citar muitas frases que colhi ao acaso, conversando com os mais diversos segmentos sociais, faixas etárias distintas, etc, mas, uma delas, merece ser difundida amplamente. O marinheiro aposentado Jorge Luis, que já esteve nos portos de Santos e Rio de Janeiro, que vibra com o samba carioca, foi agudo na sua avaliação sobre o significado da parceria do Brasil com Cuba para  construir o Complexo Portuário de Mariel. “ Com Mariel,  Brasil rompe concretamente o bloqueio imperialista contra Cuba”, disse. E adverte: “ Jamais os imperialistas vão perdoar Lula e Dilma”. Ele não disse, mas, no contexto do diálogo com este marinheiro negro, atento ao noticiário de televisão, leitor diário de jornal, informado sobre o que ocorre no Brasil e no mundo,  estava subentendido, por sua expressão facial, que ficava muito claro porque Dilma é alvo de espionagem dos EUA.

O tom da cobertura do oposicionismo impresso brasileiro, pré-pago, à inauguração do Porto de Mariel, não surpreende pela escassa informação que apresenta, muito menos pela abundante insinuação de que tratar-se-ia apenas  de um gasto sem   sentido,  indefensável, indevido.  Ademais, sobram  os  rançosos preconceitos de sempre, afirmando que o Brasil estaria financiando a “ditadura comunista”,  tal como este oposicionismo chegou a mencionar que seria esta a única razão para empreender um programa como o Mais Médicos, que salva vidas e que tem ampla  aprovação  da sociedade brasileira.

É necessário um jornalismo de integração

Informações objetivas sobre o significado e a transcendência do Complexo Portuário de Mariel certamente faltarão ao povo brasileiro. Primeiramente, porque o oposicionismo midiático não permitirá sua difusão, numa evidente prática de censura. E, por outro lado,  nem o PT ou as forças que sustentam politicamente   o governo Dilma e estas iniciativas robustas da política externa brasileira,  com tangíveis repercussões sobre a economia brasileira, possuem uma mídia própria para esclarecer o significado de Mariel, ante um provável dilúvio de   desinformações sobre a sociedade brasileira.

Primeiramente, deve-se informar que o financiamento feito pelo BNDES, algo em torno de um bilhão reais na primeira fase,  não se trata de uma doação a Cuba. É um empréstimo, que será pago. As relações bilaterais Brasil-Cuba registram crescimento contínuo nos últimos anos.

Além disso, está condicionado à contratação de bens e serviços na economia brasileira, além de envolver cerca de 400 empresas,  sendo, portanto, um dos fatores a mais que explicam porque há contínua expansão no mercado de trabalho brasileiro, com uma taxa de desemprego das mais baixas de sua história. Ao contrário do que ocorre, por exemplo,  na Europa, onde aumenta o desemprego e há eliminação de direitos trabalhistas e sociais conquistados décadas atrás.

Dinamização das forças produtivas

Além disso, Mariel vai ser  - por enquanto , Dilma inaugurou apenas a primeira fase  -  o maior porto do Caribe, com capacidade para atracar navios  de calado superior a 18 metros, e  também , podendo movimentar mais de 1 milhão de conteiners por ano. Terá um impacto especial para o comércio marítimo também direcionado ao Pacífico, via Canal de Panamá. Para isto, vale lembrar da importância da participação da China, crescente, na economia latino-americana, em especial  com o Brasil. Tanto o gigante asiático como empresas brasileiras, já manifestaram interesse em instalarem-se na Zona Econômica Especial a ser  implantada em Mariel, onde também já foi construída uma rodovia moderna, estando em construção, uma ferrovia.

De alguma maneira , Havana retoma uma posição de destaque no comércio marítimo internacional,  pois já foi o maior porto da América Latina,  ponto de conexão de várias rotas, tendo sido, por isso mesmo, uma cidade com mais de 70 por cento de habitantes portugueses,  quando Portugal era um grande protagonista na marinha mercante internacional. Havana já teve, também,  uma das maiores indústrias navais do mundo.

Cuba  sempre impulsionou a integração

O tirocínio do marinheiro negro Jorge Luis é perfeito. Depois de suportar décadas de um bloqueio que impediu os cubanos a compra de uma simples aspirina no maior e mais próximo mercado do mundo, os EUA, a Revolução Cubana, tendo resistido a ventos e tempestades, sobretudo às agressões  imperialistas, soube preparar-se para esta nova etapa da história, simbolizada pela existência de uma Celac que vai se consolidando, pouco a pouco. Não sem enfrentar ações desestabilizadoras, lançadas contra os países mais empenhados na integração regional latino-americana, como Venezuela, Bolívia, Equador, e, também, pelas evidentes ações hostis contra Brasil e Argentina. Cuba investiu parte de seus modestos recursos na solidariedade internacional. Seja no envio de 400 mil homens e mulheres para derrotar  o exército racista da África do Sul que havia invadido Angola, como também para promover , em vários quadrantes, com o envio de professores, métodos pedagógicos, médicos e vacinas, a eliminação do analfabetismo e o salvamento generalizado de vidas. É o caso, por exemplo,  do programa Mais Médicos, não por acaso tão injustamente desprezado pela oligarquia midiática, que vocaliza os laboratórios farmacêuticos multinacionais. 

Como defender que salvar vidas merece desprezo?

É certo que todas as economias caribenhas e latino-americanas  serão dinamizadas com a entrada em funcionamento do Porto de Mariel, gerando mais empregos, possibilitando novas opções comerciais. É emblemático que China esteja firmando um acordo estratégico de cooperação com a Celac. Para uma economia cercada de restrições, sem  capacidade de investimentos,  sem engenharia nacional para fazer esta obra por conta própria,  o Porto de Mariel, é um imenso  descortinar de possibilidades para Cuba. Os gigantescos navios chineses, de uma China que consolida sua posição como a segunda potência comercial mundial, não podiam mais aportar no velho Porto de Havana, o que resultava numa limitação operacional e logística, com impactos econômicos negativos de grande monta. O Porto de Havana será readaptado para o turismo e a economia cubana, no seu conjunto, recebe, com Mariel um enorme impulso para a dinamização de suas forças produtivas. A atendente do hotel onde estou instalado me confessava hoje o interesse de ir trabalhar em Mariel, porque, segundo disse, o futuro está por ali e são empregos mais promissores. 

Mariel e seus impactos internacionais

Realmente,  para um economia que perdeu a parceria que tinha com a União Soviética, que resistiu durante o período especial com as adaptações inevitáveis  para salvar o essencial das conquistas da Revolução,  o que Mariel significará é de extraordinária relevância. E é exatamente na dinamização das forças produtivas da Revolução Cubana que se localizam  as chaves para muitas portas que podem ser abertas para uma maior dedicação de meios , recursos e iniciativas visando a integração latino-americana. E,  neste quebra-cabeças, a política estratégica implantada por Lula, continuada por Dilma,  é ,inequivocamente, muito decisiva. Que outro país poderia fazer um financiamento deste porte para a construção de Mariel?

Por último, pode ser muito útil uma reflexão sobre os diversos pensadores, formuladores e também executores de políticas de integração. Desde Marti,  aquele analisou a importância da “nossa Grécia”, numa referência ao significado da civilização Inca, mas que também  formulou o conceito de Nuestra América,  até chegando ao pensamento de Getúlio Vargas, criador do BNDES, o banco estatal de fomento que está financiando a construção do Porto de Mariel, uma estupenda ferramenta integradora. Tudo converge para a abertura de uma nova avenida para dar trânsito à integração. Seja pela sabedoria dos povos da região que estão sabendo apoiar, com o seu voto,  os governos que mais impulsionam estas políticas, seja pelos avanços concretos que estas políticas integradoras têm registrados, apesar da insistência nada profissional do jornalismo de desintegração em reduzir tudo a zero.

Futuro socialista

A força e a necessidade histórica das ideias se vêm comprovadas nesta inauguração da primeira etapa do Porto de Mariel, em plena reunião da Celac, sem a presença de Estados Unidos e Canadá, patrocinadores históricos da desintegração entre os povos. A simbologia da justeza histórica do pensamento martiniano, nos permite, agora,  afirmar, também, que José Marti é um dos autores intelectuais de Mariel. E,  retomando o otimismo realista do marinheiro Jorge Luis, constatamos que  a dinamização das forças produtivas da Revolução Cubana que a parceria entre Cuba e Brasil possibilita, foi estampada na frase final do discurso do presidente cubano, General  Raul Castro: “Mariel e a poderosa infraestrutura que o acompanha são uma mostra concreta do otimismo e  da confiança  com que os cubamos  olham o futuro socialista e próspero da Pátria”. O marinheiro negro captou o significado essencial  destes dias. Não por acaso, a Marcha das Tochas, que celebra com chamas que não se apagam, as ideias de Marti, em seu aniversário, ontem - com mais de 500 mil manifestantes, maioria esmagadora de jovens - teve, na  primeira fila, além de Raul, os presidentes Evo Morales, Nicolás Maduro, Pepe Mujica,  Daniel Ortega. As ideias de Marti, materializadas nestes avanços produtivos e integradores, como Mariel, vão iluminando o futuro socialista de Cuba e, com isto, da integração latino-americana. 

(*) Beto Almeida, de Havana, Membro do Diretorio da Telesur
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/O-porto-de-Mariel-Brasil-Cuba-e-o-socialismo/6/30123

Deputado tucano exige que site anti-PT que atacou jornalistas seja punido

12.11.2014
Do BLOG DO SAKAMOTO, 08.11.14
Por Leonardo Sakamoto

O deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB) solicitou, nesta sexta (7), que a Assembleia Legislativa de São Paulo envolva a Polícia Federal, o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal na identificação e punição dos autores das ameaças contra jornalistas que cobriram a manifestação que pediu o impeachment de Dilma Rousseff no dia 1o de novembro.

O foco do pedido é o “Reaçonaria'', um site sem autor declarado, que foi um dos responsáveis por fomentar o assédio contra os repórteres. Bezerra também exigiu que sejam rastreadas as formas de financiamento da página.

A manifestação na avenida Paulista , em São Paulo, recebeu críticas de vários setores da sociedade, inclusive de lideranças do PSDB, como o governador Geraldo Alckmin e o senador Aécio Neves, que não concordam com pedido de impeachment, nem com uma intervenção militar – ação exigida por parte dos presentes no ato.

Os repórteres Gustavo Uribe, da Folha de S. Paulo, e Ricardo Chapola, do Estado de S.Paulo, foram vítimas de ataques e ameaças nas redes sociais de grupos que, contrários à cobertura realizada pelos jornais da manifestação, os acusaram de partidarismo e divulgaram na rede dados de suas vidas pessoais.

“A incitar um clima de ódio contra a cobertura de imprensa e promover assédio pessoal aos profissionais dela encarregados, o website apócrifo atenta contra a liberdade de expressão, afetando não apenas as pessoas assediadas e os jornais para os quais trabalham, mas também o direito que toda a sociedade tem de ser informada'', afirmou Bezerra, que foi liderança do PSDB na Assembleia e é vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais, no requerimento.

A Associação Brasileiro de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo divulgaram notas repudiando o assédio, classificando-o como um ataque à liberdade de expressão e pedindo a garantia de segurança para a atuação dos profissionais de imprensa.
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Fonte:http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2014/11/08/deputado-tucano-exige-que-site-anti-pt-que-atacou-jornalistas-seja-punido/