segunda-feira, 20 de outubro de 2014

PSDB , UM PARTIDO GOLPISTA: Tucanos flertam com o golpismo

20.10.2014
Do BLOG DO MIRO
Por  Breno Altman, em seu blog:

O ex-governador Alberto Goldman, coordenador da campanha de Aécio Neves em São Paulo, leva seu ódio antipetista ao paroxismo.

Leiam com atenção o título de seu artigo mais recente, no site do PSDB: “O Brasil rejeitou o PT. Dilma não teria condições de governar o Brasil.”

Do que está falando esse cavalheiro que um dia já foi de esquerda?

Que o resultado eleitoral não deve ser acolhido? Que os tucanos irão desconhecer a vontade das urnas, a partir da noite do dia 26, agindo como a pior parte da oposição venezuelana e tentando virar a mesa?

Goldman parece ter finalmente concluído sua adesão ao lacerdismo e seu bordões.

O que pensa parece inspirado no que foi escrito sobre Getúlio Vargas nos anos 50. Dilma não pode vencer. Se vencer, não pode governar. Se governar tem que cair.

Esta é a linha do prócer tucano?

O álibi para tal raciocínio é aberração que fere a Constituição. “Dilma recebeu 41,5% dos votos válidos no primeiro turno das eleições. Os restantes são 58,5%”, diz o ex-comunista.

Ora, por esta tese, qualquer vitória em segunda volta é ilegítima. Afinal, só há nova votação quando o primeiro colocado recebe menos sufrágios que a soma de seus adversários.

Vejam, por exemplo, a situação de Aécio Neves. Teve apenas 33,55% dos votos válidos na primeira rodada. Os demais foram 66,45%. Sua eventual vitória em segundo escrutínio, portanto, deveria ser politicamente impugnada?

Se Dilma vencer no próximo dia 26, com 50% mais um dos votos, como manda a carta maior, terá sido eleita pela aliança entre os petistas e o veto ao retrocesso conservador, e seu mandato terá plena legitimidade.

Caso venha a ser Aécio o vitorioso, na união entre os votos tucanos e a rejeição antipetista, seu triunfo também será legítimo e o neto de Tancredo teria “condições de governar”.

O resto é conversa golpista.

Mas Goldman vai além.

“A votação do PT se sobrepõe”, afirma, “quase que com absoluta perfeição, no mapa da distribuição dos programas assistenciais, em especial do bolsa família. Abstraídos os votos dessas áreas, que deram a Dilma mais de 50% dos votos, a derrota para a oposição é muito mais expressiva”.

O impressionante é sua conclusão. “O Brasil do trabalho formal, produtivo, dos seus trabalhadores e empresários, no campo e na cidade, o Brasil da cultura e da tecnologia – essa é, de fato, a elite brasileira – rejeitou, por ampla maioria, o PT e sua candidata.”

Quer dizer que o voto dos brasileiros que ganham menos de dois salários mínimos, entre os quais Dilma teve 52%, vale menos que a “elite brasileira” identificada pelo ex-governador?

Qual seria a sugestão de Goldman para resolver esta situação que o incomoda? O voto censitário? A concessão do título de eleitor apenas aos cidadãos do que considera ser “o Brasil da cultura e da tecnologia”?

Seu discurso não é apenas antidemocrático. Apela também para o preconceito social e a fúria de classe contra os pobres. Na pior tradição da direita brasileira.

Vergonhoso outono de um homem público que caminhou entre as forças progressistas antes de saltar o alambrado.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/10/tucanos-flertam-com-o-golpismo.html

PSDB SEMPRE QUIS PRIVATIZAR A PETROBRAS

20.10.2014
Do Twitter de


LEIA MAIS|:

https://docs.google.com/viewer?url=http://sindipetroalse.org.br/site/images/stories/Geometria/pre_sal.pdf&embedded=false&chrome=false&dov=1
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Entenda como funciona o Bolsa Família

20.10.2014
Do portal da REVISTA CARTA CAPITAL,13.05.14
Por Redação

Criticado por Ney Matogrosso e peça da campanha de Aécio e Dilma, o benefício é pago para 14 milhões de famílias; valor básico é de 70 reais 

Elza Fiúza/ABr
O catador de lixo Luiz Monteiro da Silva, 52 anos, sustenta as filhas e netos com a ajuda do que retira nas ruas e do Bolsa Família

Uma das principais bandeiras dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, o programa de transferência de renda Bolsa Família entrou na pauta eleitoral de 2014.

O anúncio do reajuste de 10% em cadeia nacional, feito às vésperas do 1º de maio pela presidenta Dilma Rousseff, e as críticas de seu opositor Aécio Neves – de que o aumento é insuficiente e não atende às recomendações das Nações Unidas sobre o combate à pobreza - mostram que o benefício dado pelo governo federal será alvo de debate e disputa durante a campanha eleitoral. Recentemente, o cantor Ney Matogrosso também desqualificou o governo, ao tecer críticas ao programa social.
Conheça mais sobre o Bolsa Família e veja quais as respostas às perguntas mais frequentes sobre ele:

O que é o Bolsa Família?
 
O Programa Bolsa Família é um programa de transferência direta de renda que beneficia famílias em situação de pobreza e de extrema pobreza do País. O Bolsa Família integra o Plano Brasil Sem Miséria, que tem como foco de atuação brasileiros com renda familiar per capita inferior a 70 reais mensais.

Quantas pessoas são atingidas pelo Bolsa Família?

De acordo com o governo, no mês de abril de 2014 o Bolsa Família foi pago a 14.145.274 famílias, atingido cerca de 50 milhões de pessoas.

Qual o valor que cada família recebe e como ele é calculado?
 
O programa oferece às famílias quatro tipos de benefícios: o Básico, o Variável, o Variável para Jovem e o para Superação da Extrema Pobreza.

O Básico, concedido às famílias em situação de extrema pobreza, é de 70 reais mensais, independentemente da composição familiar. Já o Variável, no valor de 32 reais, é concedido às famílias pobres e extremamente pobres que tenham crianças e adolescentes entre 0 e 15 anos, gestantes ou nutrizes, e pode chegar ao teto de cinco benefícios por família, ou seja 160 reais. As famílias em situação de extrema pobreza podem acumular o benefício Básico e o Variável, até o máximo de 230 reais por mês.

O benefício Variável para Jovem, de 38 reais, é concedido às famílias pobres e extremamente pobres que tenham adolescentes entre 16 e 17 anos, matriculados na escola. A família pode acumular até dois benefícios, ou seja, 76 reais.

Já o para Superação da Extrema Pobreza é concedido às famílias em situação de pobreza extrema. Cada família pode ter direito a um benefício. O valor varia em razão do cálculo realizado a partir da renda per capita da família e do benefício já recebido no programa.

As famílias em situação de extrema pobreza podem acumular o benefício Básico, o Variável e o Variável para Jovem, até o máximo de 306 reais por mês, como também podem acumular um benefício para Superação da Extrema Pobreza.

Qual o máximo que uma família já recebeu?
 
O benefício do Bolsa Família é variável, uma vez que é pago o valor suficiente para que uma família possua uma renda per capita mensal mínima de 70 reais (77 reais, a partir de junho de 2014).

No entanto, um dos valores mais altos pagos a uma família, de 19 membros, foi de 1.332 reais. A quantia repassada pelo Bolsa Família, no ano de 2012, teve valores combinados através do Brasil Carinhoso.

Como o governo sabe quem tem que receber o Bolsa Família?
 
A seleção das famílias para o Bolsa Família é feita com base nas informações registradas pelo município no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal, instrumento de coleta e gestão de dados que tem como objetivo identificar as famílias de baixa renda existentes no Brasil. Com base nesses dados, o Ministério do Desenvolvimento Social seleciona as famílias que receberão o benefício.

Quais são as regras para poder receber o benefício?
 
Podem receber o benefício as famílias em situação de extrema pobreza, com renda per capita de até 70 reais por mês; aquelas que são consideradas pobres, renda per capita entre 70,01 reais e 140 reais por mês; e as que são pobres ou extremamente pobres e tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos (sendo nesses últimos casos um valor maior do que o fornecido às famílias sem crianças, adolescentes ou gestantes).

Para ser beneficiário, será preciso apresentar um documento de identificação, como o CPF, por exemplo, entrar no Cadastro Único. O cadastramento, no entanto, não significa que o recebimento será imediato. Quem seleciona as famílias que receberão o Bolsa Família é o Ministério do Desenvolvimento Social, com base na renda per capita.

As prefeituras municipais são responsáveis por cadastrar, digitar, transmitir, manter e atualizar a base de dados, acompanhar as condições do benefício e articular e promover as ações complementares destinadas ao desenvolvimento autônomo das famílias pobres do município.

Quais as contrapartidas que a família precisa dar?
 
Na área de saúde, as famílias devem acompanhar o cartão de vacinação e o crescimento e desenvolvimento das crianças menores de 7 anos. As mulheres na faixa de 14 a 44 anos também devem fazer o acompanhamento médico. Quando gestantes ou lactantes devem realizar o pré-natal e o acompanhamento de sua saúde e do bebê.

No que diz respeito a educação, todas as crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos devem estar matriculados e ter frequência escolar mensal mínima de 85% da carga horária. Já os estudantes entre 16 e 17 anos devem ter frequência de, no mínimo, 75%.

Na área de assistência social, crianças e adolescentes com até 15 anos em risco ou retiradas do trabalho infantil devem participar dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e obter frequência mínima de 85% da carga horária mensal.

De que maneira as contrapartidas são checadas?
 
Cabe ao poder público fazer o acompanhamento gerencial para identificar os motivos do não cumprimento das condicionalidades. A partir daí, são implementadas ações de acompanhamento das famílias em descumprimento, consideradas em situação de maior vulnerabilidade social.

A família que encontra dificuldades em cumprir as contrapartidas deve procurar o Centro de Referência de Assistência Social (Cras), o Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) ou a equipe de assistência social do município.
Caso não tome nenhuma dessas atitudes, corre o risco de ter o benefício bloqueado, suspenso ou até mesmo cancelado.

Dos brasileiros que recebem o Bolsa Família, qual a porcentagem de mulheres e de homens?
 
Entre os titulares responsáveis pelas famílias que recebem, 93% são mulheres. Do total de pessoas que são beneficiadas pelo programa, 56% são mulheres e 44% são homens.

Qual o número de brasileiros que deixaram de precisar do programa e abriram mão do benefício?
 
Desde o início do programa, em 2003, 1,7 milhão de famílias deixaram o programa por informarem renda per capita mensal superior aos limites estabelecidos.
 
Há outras iniciativas neste sentido?
 O Brasil Sem Miséria lançou a Ação Brasil Carinhoso Para atender as crianças de zero a seis anos – fase crucial do desenvolvimento físico e intelectual. A Ação Brasil Carinhoso foi concebida numa perspectiva de atenção integral que também articula reforço de políticas ligadas à saúde e à educação. Por isso, envolve o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação (MEC).
Em um primeiro momento, foi criado um complemento do benefício do Bolsa Família, que garante que todos os beneficiários tenham uma renda mensal de pelo menos 70 reais, saindo da situação da extrema pobreza. Atualmente, entretanto, esse complemento foi estendido para as famílias com crianças e jovens de até 15 anos e a todas as famílias em situação de extrema pobreza.

Segundo o governo, entretanto, hoje não é mais possível considerar que o complemento do Bolsa Família para famílias em extrema pobreza seja parte do Brasil Carinhoso. Ele é nominado como complemento do Brasil Sem Miséria.

Recentemente, a presidenta Dilma Rousseff anunciou um reajuste de 10% no Bolsa Família. Como ele será feito?
 
De acordo com o Decreto nº 8.232, de 30 de abril de 2014, esse aumento terá efeitos a partir de 1º junho de 2014. Assim, o programa passará a atender famílias que tenham renda mensal por pessoa de até 77 reais (extrema pobreza) e famílias com renda per capita entre 77,01 reais e 154 reais (pobreza), desde que, nesse caso, haja crianças, adolescentes, gestantes ou nutrizes.

Assim, os valores mensais pagos às famílias também terão aumento. Enquanto o benefício Básico passa a ser de 77 reais, o Variável aumentará para 35 reais e o Variável Jovem passa a ser 42 reais. Já o para Superação da Extrema Pobreza terá aumento caso a caso, pois deverá ser concedido para famílias que, mesmo após receber os demais benefícios do Bolsa Família permaneçam com renda por pessoa de até 77 reais.

O que garante o Bolsa Família? Uma lei?

O Bolsa Família foi criado por meio da Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004. Sua regulamentação se deu por meio do Decreto nº 5.209, de 17/09/2004.

Como o programa poderia vir a se tornar um direito constitucional?

Criado para atender aos direitos sociais expressos no artigo 6º da Constituição (a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados), o Bolsa Família não é um direito constitucional. No entanto, projeto de lei do pré-candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, prevê que o programa seja incorporado à Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) com objetivo de assegurar o benefício como política pública. Já o presidenciável pelo PSB, Eduardo Campos, prometeu incluir mais famílias no benefício do governo federal.

Há estudiosos do programa que defendem que se o benefício se tornar um direito constitucionalizado deixará de ser uma política pública de governo – ou atrelada a um partido – para se tornar de Estado.

Fontes: MDS e Caixa Econômica Federal
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Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/entenda-como-funciona-o-bolsa-familia-248.html

ROBERTO AMARAL: “O PSB decidiu abraçar o atraso”

20.10.2014
Do portal da REVISTA CARTA CAPITAL, 19.10.14
Por Rodrigo Martins

O ex-presidente Roberto Amaral critica as escolhas da legenda, entre elas o apoio a Aécio Neves (PSDB)
Roberto Amaral
"A fusão com o PPS vai criar um partido sem espinha dorsal, conteúdo e projeto. Uma ameba"

Botão Eleições 2014Ao aliar-se acriticamente aos tucanos, o PSB “jogou no lixo o legado de seus fundadores” e “renunciou ao seu futuro”. Essa é a dura avaliação feita por Roberto Amaral, que acaba de deixar o comando do partido. Ao invés de construir um socialismo democrático, libertário, contemporâneo, o PSB optou por abraçar o passado, o atraso, representado pela socialdemocracia de direita. Um revival da tragédia do neoliberalismo de FHC sob o comando de mãos mais incompetentes”, afirma Amaral, ex-ministro da Ciência e Tecnologia de Lula e um dos principais responsáveis pela refundação do PSB, em 1985. Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida a CartaCapital.


Carta Capital: Foi uma surpresa o apoio do PSB a Aécio Neves?

Roberto Amaral: Na verdade, a atual direção está coerente com uma tendência que vinha se consolidando no partido há algum tempo, e contra a qual muitos de nós vínhamos lutando sem êxito. O PSB renasceu em 1985 como uma opção socialista e democrática no campo da esquerda. Este era o projeto original comandado por Jamil Haddad e consolidado a partir dos anos 1990 por Miguel Arraes. De uns anos para cá, contaminado pelo vírus do pragmatismo, o PSB adotou a estratégia do crescimento a qualquer custo, como via do poder pelo poder. Da esquerda transitou para a centro esquerda e, com a última decisão, de apoiar o candidato da direita, optou claramente pelo campo do centro-direita. Esse novo partido não pode mais dizer-se herdeiro de João Mangabeira, nosso fundador em 1947, ou de Miguel Arraes, de cujo pensamento comum transformou-se numa contrafação. O PSB de hoje repudia tudo o que seus fundadores representam.


CC: Por que o senhor faz essa avaliação?

RA: Na verdade, a recente nomeação dos novos dirigentes, com as exclusões que honram os ausentes, é clímax de um processo de recuo ideológico que não é de agora. Quem acompanhou a atuação da bancada do PSB na Câmara nos últimos anos já percebeu uma inclinação conservadora, agravada nas últimas eleições.  Sob o pretexto de fortalecer a candidatura de Eduardo Campos à presidência da República, a maioria dirigente do PSB lançou mão de uma série de alianças inexplicáveis para nossos militantes e para a sociedade. Antiga estrela do DEM, o ex-senador Heráclito Fortes ingressou no PSB para reforçar nosso palanque no Piauí. Em Goiás, namoramos o Júnior do Friboi, que acabou nos abandonando acossado pelos negócios familiares no BNDES, e flertamos com o ruralista Ronaldo Caiado, afastado da campanha por Marina. Em Santa Catarina, entregamos nosso partido à oligarquia Bornhausen. Esses são apenas alguns exemplos. Deixamos de defender a revisão da Lei da Anistia e a punição dos criminosos da ditadura, tese que levantamos na Constituinte. Passamos a reconhecer os méritos do governo FHC, duramente combatido por nós. A independência do Banco Central transformou-se discurso de campanha. Fizemos tudo para atrair o agronegócio para o nosso bloco, tragédia que só não se consumou em face das contradições deles com Marina Silva. Trocamos os debates com os trabalhadores pelos interlúdios com o grande capital. Esse movimento deixou nossos militantes perplexos.CC: Mas o que representa o apoio à candidatura do PSDB?


RA: Repudiar o passado e renunciar ao futuro. Tínhamos pela frente a tarefa histórica de construir o socialismo do XXI, jogando fora os escombros do fracasso do “socialismo real”. Ao invés de construir o novo caminho, de um socialismo democrático, libertário, avançado, contemporâneo, o PSB optou, por abraçar o passado, o atraso, representado pela socialdemocracia de direita. Um revival da tragédia do neoliberalismo de FHC sob o comando de mãos mais incompetentes. Atendendo às lideranças de Miguel Arraes e Jamil Haddad, fizemos oito anos de oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Na verdade, o rompimento com o neoliberalismo é até anterior. Haddad era ministro da Saúde de Itamar Franco. Abandonamos o governo Itamar após FHC assumir o ministério da Fazenda e encampar uma severa política antitrabalhista. Coube-me a honra de acompanhar Arraes ao gabinete do então ministro da Fazenda, e virtual primeiro-ministro de Itamar, para oficializar o rompimento do PSB. No ano seguinte FHC se elegeria presidente e Arraes, governador de Pernambuco. E pagamos caro por esse rompimento.



CC: Como assim?

RA: Arraes sofreu toda a perseguição possível que lhe podia mover o governo federal. Governou a pão e água, sem poder renegociar a dívida do estado, herdada da gestão anterior, sem obter novos empréstimos. É a esse FHC que o PSB de hoje canta loas. É dessa época a “crise dos precatórios”, que terminaria impedindo a reeleição de Arraes. Tanto ele quanto Eduardo Campos, então secretário estadual da Fazenda, comeram o pão que o diabo amassou. Nessa campanha, o PSB apresentou-se como alternativa à polarização entre PT e PSDB, polarização velha e artificial, que não paramos de condenar.  Como agora optamos por Aécio sem fazer uma autocrítica? Não é o caso de dizer que, antes, Arraes, Jamil e nós todos estávamos errados?

 
CC: Qual grupo controla hoje o PSB?

RA: Basta ver a composição da nova Executiva do partido. Está evidente a hegemonia do núcleo pernambucano. Com exceção do senador Fernando Coelho, político antigo e experimentado, que chega ao PSB depois de um longo convívio com o PDS, o PFL, o PMDB e o PPS, os demais são jovens burocratas que não tiveram oportunidade de conviver com Arraes, e não têm mesmo história no PSB. Forjados no governo de Campos, emergiram da estrutura administrativa diretamente para a disputa eleitoral, sem o estágio da vida partidária. O elemento aglutinador era o projeto de Eduardo Campos. São jovens promissores, mas que absorveram a visão autoritária da classe dominante pernambucana que, à direita e à esquerda, se comporta como o antigo senhor de engenho. A vida, para eles, continua dividida entre a Casa Grande e a Senzala, onde moram os “outros”, os que não são “eles”.


CC: Paulo Câmara elegeu-se governador em primeiro turno com o maior porcentual de votos do País. O PSB de Pernambuco também elegeu um senador e oito deputados federais. Não seria natural esse grupo ter mais influência na direção do partido?

RA: Essa é a justificativa deles. Mas um partido de esquerda não deveria permitir que votos fossem usados como trunfo para impor a hegemonia de um grupo. Compreendo a importância da aritmética, mas preferiria que o eixo fossem as posições políticas. Meus amigos pernambucanos de hoje falam muito em Arraes, mas dele só veem o legado eleitoral. Há um Arraes esquecido.  Quando ele elegeu-se governador de Pernambuco, anos 1990, saiu das eleições como campeão nacional de votos, um desempenho superior ao das eleições deste ano. Nem por isso tentou impor-se alegando sua força. Sequer reivindicou presença na Executiva. Após muita insistência minha, Arraes aceitou a primeira vice-presidência do PSB. Ele não impôs condições nem requereu vagas. Sempre demonstrou a disposição de manter na Executiva e no Diretório uma representação nacional, sabia que o fundamental é a hegemonia que se constrói na política.


CC: A candidatura de Eduardo Campos era consensual no PSB? Era o momento certo para o partido lançar candidatura própria? 

RA: Ele era o presidente do PSB e nossa principal liderança. Todo partido tem o sonho de lançar um candidato à Presidência da República competitivo, capaz de consolidar a imagem da legenda junto ao eleitorado, reforçar sua identidade e propiciar o seu crescimento. Mesmo acreditando que não era o momento certo de lançar a candidatura própria nas eleições de 2014, em face de nossa fragilidade estrutural e na ausência de acumulação política, acatei a vontade da maioria. À época, eu fazia parte do conselho de administração da usina de Itaipu. Deixei o cargo. Todos os líderes do PSB abandonaram o governo Dilma Rousseff para manter a coerência com o projeto de Campos. Abracei a campanha, mesmo com muitas dúvidas, sobretudo pelas alianças esdrúxulas que se formavam para garantir os palanques estaduais.

CC: O que representou a passagem de Marina Silva pelo PSB?

RA: Vivemos dois momentos distintos. Primeiro, quando o PSB abrigou Marina e seu grupo após a Justiça Eleitoral negar o registro da Rede. Nessa primeira fase, houve grande euforia. Ela trouxe ânimo para a militância do PSB. Acreditava-se que, com Marina na chapa, Campos finalmente alcançaria dois dígitos nas intenções de voto. Mas isso não ocorreu até o desastre que o vitimou. Com a tragédia, tivemos a comoção e a superexposição de Marina na mídia. Ela disparou nas pesquisas. Mas não conseguiu manter toda aquela vantagem ao longo da campanha.


CC: Lideranças do PSB e da Rede atribuem a desidratação de Marina Silva aos ataques dos adversários, sobretudo do PT.

RA: Sem deixar de criticar certos exageros e mesmo grosserias, não considero inteligente atribuir os problemas da Marina à campanha dos adversários. Esse é o papel deles: com bons ou maus modos, tentam desconstruir os oponentes. A queda de Marina começou com a divulgação de seu programa de governo, rico de contradições, e os desentendimentos dentro de seu grupo e os representantes do PSB, a começar pelo Carlos Siqueira, que abandonou a campanha. Programa é para governar, não é para fazer campanha. Depois de meses de muita conversa solta, o documento veio a público como uma colcha de retalhos. Em vez de defender suas teses, Marina foi forçada, até o final da campanha, a ficar na defensiva, dando explicações sobre pontos nebulosos. Veja a questão da autonomia ou independência do Banco Central, por exemplo. É uma proposta que não interessa aos trabalhadores, à grande maioria dos eleitores. Interessa a 100 banqueiros e rentistas. E quem trouxe esse tema para o debate? A questão relativa à exploração do pré-sal, que nos desidratou no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, foi outra invenção de Marina. A polêmica em torno dos direitos LGBT também surgiu do programa de governo. Sem falar daquelas declarações sobre revisão ou flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho. Até hoje não entendi o que ela quis dizer. Nossa campanha não tinha estratégia. Por isso, fomos tragados pela dos adversários.


CC: Que legado ela deixou para o PSB?

RA: Até para ser honesto com Marina, preciso esclarecer um ponto. Ela jamais prometeu ficar no PSB. Entrou no partido para não ser excluída do processo eleitoral, mas sempre manifestou de forma clara a intenção de criar seu próprio partido e seguir outro rumo após as eleições. Marina não entrou nas disputas internas do PSB. Tanto é verdade que Eduardo Campos lhe ofereceu uma posição na Executiva do partido, e ela recusou. O importante é saber qual foi o legado da campanha para o PSB. Será uma tragédia se tiver sido apenas a adesão ao neoliberalismo arcaico.


CC: Então Marina não influenciou na escolha do PSB por Aécio?

RA: Ao contrário, o apoio precipitado e incongruente ao Aécio foi uma forma de o PSB levar a Marina a apoiar Aécio.  No meio da campanha, ficou evidente para mim que Marina não chegaria ao segundo turno. A disputa seria mesmo entre Dilma e Aécio. Então procurei Márcio França (vice-governador do tucano Geraldo Alckmin em São Paulo) e comuniquei que não teria condição de presidir o PSB caso a Executiva optasse pelo apoio a Aécio. Ocorreu exatamente o que eu temia, com um agravante: nosso apoio foi absolutamente acrítico. A saída de Marina Silva foi mais honrosa. Ela condicionou o apoio à candidatura do PSDB a uma discussão programática. Elencou alguns pontos para formalizar o acordo. Podemos até criticar o conteúdo do que ela apresentou, mas ela não entregou o apoio de bandeja.

 
CC: A deputada Luiza Erundina diz que a reunião para definir a posição do PSB no segundo turno foi um jogo de cartas marcadas. Aécio esperava à porta para receber o apoio...

RA: É verdade. E não houve discussão programática alguma. O PSB só se preocupou com isso no dia seguinte. Um companheiro me apresentou cinco pontos para sugerir à campanha tucana. Parece piada. O apoio já havia sido oficializado no dia anterior, as imagens já estavam no programa de tevê de Aécio. Vamos propor sugestões depois de abraçar a campanha? Na verdade, antes disso, presenciei honrados colegas de partido discutindo cargos no eventual governo do PSDB. Eles disputavam nacos do Estado, postos em ministérios. Não vou citar nomes, mas alguns jornalões de São Paulo já expuseram os projetos de alguns deles.


CC: Como fica a situação dos divergentes neste novo PSB?

RA: Não dá para fazer qualquer avaliação antes do fim da corrida presidencial. Fala-se, por exemplo, da fusão do PSB com o PPS. Nas atuais circunstâncias, é um caminho lógico, embora desastroso, terrível, suicida. Márcio França, que respeito pela sua permanente sinceridade, disse que esse acordo já vinha sendo negociado com Eduardo Campos. Se isso de fato ocorrer, boa parte dos quadros do PSB ficará alijada das instâncias de direção do novo partido. Temo que a nova sigla se converta num satélite da socialdemocracia, sem espinha dorsal, sem conteúdo, sem propósito e sem projeto. Uma ameba. Haverá uma debandada, comandada, suponho, pelo bravo caráter de Erundina. Sinceramente, não acredito que o PSB possa retomar o caminho da esquerda no curto ou mesmo no médio prazo. Mas pode, eventualmente, respeitar as divergências, abrir espaço para uma discussão interna mais ampla. Mesmo assim, estou cético.


CC: O senhor pretende abandonar o partido?

RA: De forma alguma. O PSB não pertence a este grupo que hoje está no comando. Aliás, não pertence a grupo algum. Ele pertence à sociedade brasileira, a todos que acreditam na proposta de um socialismo democrático e libertário. Para ser socialista, um partido não precisa carregar o termo no nome. Mas, se o carrega, tem a obrigação de honrar o compromisso.
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Fonte:http://www.cartacapital.com.br/revista/822/201co-psb-decidiu-abracar-o-atraso201d-5352.html?utm_content=buffereb428&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

PORQUE VOU VOTAR EM DILMA? Veja a resposta



20.10.2010
De uma amiga, via whatsApp

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