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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

LUÍS INÁCIO AVISA: SEMANA DA MENTIRA, DIAS DE POSSÍVEL GOLPE ELEITORAL

29.09.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O ex-presidente Lula afirmou, durante comício em Franco da Rocha, município 40 km ao norte da cidade de São Paulo, que essa semana que antecede as eleições será "a semana da mentira". Ao lado do candidato Alexandre Padilha (PT), o ex-presidente disse que o eleitor precisa escolher bem todos os candidatos e voltou a citar a ordem da votação: deputado estadual, federal, senador, governador e presidente.

 Lula  falou também situação econômica atual, assim como fez antes do comício, quando participou de um desfile em carro aberto, debaixo de chuva, pelo centro de Franco da Rocha. "Eles reclamam da inflação, mas se esquecem que no tempo deles a inflação era de 80% ao mês", disse.

Lula lembrou ainda os 12 anos do PT no governo e disse que o Pais não pode permitir retrocesso. "Não foi fácil chegar até aqui e fazer o povo brasileiro acreditar em nós", disse, lembrando que muitos trabalhadores tinham receio de votar em alguém sem diploma. Usando seu próprio exemplo, Lula disse que a inteligência não está ligada a um diploma e ressaltou que passou a ser uma pessoa respeitada no mundo.

Lula voltou a defender a escolha da presidente Dilma Rousseff como sua sucessora e reafirmou que ela é a mais preparada. Ele observou que muita gente diz a Marina (Silva, PSB) é tão parecida com ele, tão amiga, foi fundadora do PT e se pergunta porque ele está apoiando a Dilma. "Escolher sucessora é como escolher um padrinho para seus filhos", respondeu Lula a esses questionamentos.

 Falando com os comerciantes das lojas e com os populares,  Lula destacou a geração de empregos no governo Dilma e disse que antes o povo não tinha dinheiro para comprar as coisas.

Ele também  apresentou Padilha. Lembrou que o candidato ao governo do estado de São Paulo foi seu ministro e ministro da presidente Dilma. Lula disse ainda acreditar que em São Paulo essa será a eleição da virada, já que Padilha está na terceira colocação, com apenas 9% das intenções de voto.

Ao destacar que Padilha era ministro quando o programa mais médicos foi implantado, Lula observou que é preciso garantir cada vez mais tratamentos de qualidade para todas as pessoas. Ele disse ainda conhecer muito bem os médicos, pois era atendido quando metalúrgico e quando presidente.

Lula ainda disse que  tem gente que diz que é bem tratando porque paga um plano médico. Segundo ele, isso mentira, pois as pessoas que pagam um plano médico, descontam o que pagam no imposto de renda e quem termina pagando é o povo.

Mais uma vez usando seu próprio exemplo, Lula disse que quando é atendido no Sírio Libanês, deduz as despesas no imposto de renda. "Quem paga o bom tratamento que eu tenho é o povo que não tem o mesmo tratamento que deveria ter", disse.

O ex-presidente, sem citar o governador Geraldo Alckmin, disse que São Paulo não pode ter esse descaso. "Ele não garante nem mais água para as pessoas", observou.

Lula lembrou  que quem ainda está em dúvida em quem votar não pode esquecer o que era esse país antes do PT", disse. Após a agenda em Franco da Rocha, Lula e Padilha se encontram com a presidente Dilma para outro comício no Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/09/lula-adverte-eleitores-sobre-semana-da.html

TSE suspende propaganda de Marina por ofensa pessoal contra Dilma e PT

29.09.2014
Do blog OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA, 

Em decisão individual, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin deferiu liminar para suspender propaganda eleitoral da Coligação Unidos pelo Brasil, da candidata Marina Silva, por conter ofensa de caráter pessoal à candidata Dilma Rousseff e à Coligação Com a Força do Povo, capitaneada pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

Na referida propaganda, a coligação da candidata Marina Silva alega que eventual corrupção no âmbito da Petrobras tem financiado a base aliada dos partidos que apoiam a Coligação com a Força do Povo.  Afirma, ainda, que a candidata Dilma Rousseff foi chamada a responder perante o Tribunal de Contas da União pelo prejuízo causado pela negociação envolvendo a refinaria de Pasadena, uma vez que, na época, ela fazia parte do Conselho de Administração da Petrobras. O que é MAIS UMA MENTIRA DE MARINA. O TCU isentou  presidente Dilma da culpa pela compra da refinaria de Pasadena

Na ação contra a peça, a Coligação Com a Força do Povo e a candidata a reeleição Dilma Rousseff sustentaram que na mídia veiculada no dia 29 de setembro, as representadas não se limitaram a tecer críticas de natureza política, mas buscaram veicular informação sabidamente inverídica em prejuízo à honra e à imagem da candidata, atribuindo-lhe responsabilidade inexistente.

Alegaram, ainda, que a propaganda ofende a coligação que tem o PT como um de seus integrantes, uma vez que o acusa de sustentar sua base no Congresso com dinheiro da corrupção, imputando conduta criminosa à agremiação.

No mérito da representação, que será julgada pelo plenário da Corte, a Coligação com a Força do Povo requer direito de resposta com a concessão de tempo não inferior a um minuto correspondente a cada peça de propaganda.

Liminar

Ao decidir, o ministro Herman Benjamin reconheceu que houve excesso no teor da propaganda e ofensa aos partidos que compõem a coligação. “No caso dos autos, ao menos em juízo de cognição sumária, próprio desta fase processual, entendo que há ofensa de caráter pessoal ao PT e partidos da base aliada, bem como exploração indevida de dado que ainda é sigiloso (delação premiada), ou seja, cujo teor o público geral não conhece”, enfatizou em seu voto.

Segundo o ministro, embora o escândalo da Petrobras venha sendo amplamente divulgado na mídia,  não se tem notícia de que a candidata Dilma Rousseff tenha sido responsabilizada pelo Tribunal de Contas da União em relação à compra da refinaria.

Lembrando que o direito de resposta é cabível nas hipóteses em que candidatos, partidos e coligações forem atingidos, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação caluniosa, difamatória, injuriosa ou sabidamente inverídica, Herman Benjamin afirmou que a suspensão da propaganda é uma medida prudente.

“Ante o exposto, defiro a liminar, a fim de determinar a suspensão imediata da propaganda eleitoral atacada, sob pena de fixação de multa diária”, concluiu o relator. As informações estão no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)


O TCU (Tribunal de Contas da União) isentou a presidente Dilma Rousseff e responsabilizou os integrantes da antiga diretoria da Petrobras pelo bilionário prejuízo na compra da refinaria americana de Pasadena.

O TCU atribui aos 11 executivos a responsabilidade pelo prejuízo na compra da refinaria de Pasadena, na Califórnia, nos EUA.

O relatório de quase 300 páginas foi aprovado por unanimidade pelos ministros do tribunal, e isenta de culpa os conselheiros da Petrobras, que autorizaram a compra. Entre eles, a presidente Dilma, que na época presidia o conselho.

E o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, arquivou a representação de partidos de oposição contra a presidente Dilma e o conselho de administração da Petrobras, pelas supostas irregularidades na compra da refinaria. Segundo Janot, não é possível responsabilizar o conselho administrativo.
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Fonte:http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/09/tse-suspende-propaganda-de-marina-por.html

Teoria conspiratória: falso atentado impediria vitória de Dilma no 1º turno

29.09.2014
Do BLOG DA CIDADANIA, 
Por Eduardo Guimarães
Após o estrondo político causado pela pesquisa Datafolha da última sexta-feira, na qual Dilma disparou no primeiro e no segundo turnos, Marina caiu e Aécio permaneceu estagnado abaixo de 20 pontos percentuais, durante o fim de semana começaram a vazar trackings das campanhas dos três principais candidatos a presidente.
Como o bem informado leitor já deve saber, no primeiro dia útil desta semana pesquisa CNT/MDA mostrou forte vantagem de Dilma sobre Marina e Aécio no primeiro e no segundo turnos. No primeiro, a presidente subiu a 40,4%, Marina caiu para 25,2% e Aécio cresceu apenas dentro da margem de erro (de 17,6% para 19,8%).
E o mais importante: no segundo turno, a vantagem de Dilma sobre Marina já soma 9 pontos percentuais (47,7% a 38,7%).
Nesta segunda-feira (29), por volta das onze horas, o Ibovespa registrava queda de mais de 4%, o dólar disparou e as ações da Petrobrás caíram cerca de 9%. A pesquisa CNT/MDA explica parte da volatilidade do mercado, mas não toda.
Mais uma vez, boatos sobre pesquisas ainda mais recentes dando conta de vitória de Dilma no primeiro turno espalharam-se por sites, blogs e redes sociais, gerando esses solavancos no mercado financeiro.
Paralelamente aos fenômenos supracitados, a boataria vem se somando a teorias conspiratórias das mais diversas, com o costumeiro protagonismo da CIA ou de Cuba em versões sobre golpes de última hora que estariam sendo preparados por candidatos contra candidatos – Marina contra Aécio, Dilma contra Marina, Aécio contra Dilma etc. – para impedir ou garantir que a eleição vá para 2º turno.
Algumas dessas teorias, aliás, são muito bem elaboradas. Contêm fotos, reproduções de documentos, nomes e mais nomes estrangeiros (de pessoas e organizações) envolvidos em planos para interferir no resultado da eleição presidencial brasileira.
Em uma eleição tão polarizada e repleta de ocorrências dramáticas, como no caso da morte surpreendente de Eduardo Campos em um acidente aéreo cujas explicações ainda não convencem a muitos, teorias conspiratórias não soam tão absurdas como soariam em pleitos anteriores, nos quais os golpes se restringiram às conhecidas denúncias de corrupção de última hora contra o PT.
Nesse mar de teorias conspiratórias, uma certeza: dificilmente a mídia partidarizada (Globo, Folha de São Paulo, Veja e Estadão) deixará de lançar uma “bomba” para impedir que Dilma se reeleja daqui a seis míseros dias.
A Veja bem que tentou, no último fim de semana; acusou Dilma de envolvimento em corrupção. Não é pouco. Ainda mais sem uma mísera prova, o que reforça toda sorte de teoria conspiratória. Se a revista foi capaz de tal ousadia, o que mais pode chegar a fazer?
Ao mesmo tempo, ao longo dos últimos dez dias notícias importantíssimas – e acima de suspeitas de manipulação – contribuíram para que a maioria do eleitorado tenha se inclinado por Dilma nas pesquisas de opinião.
A ONU, por exemplo, elogiou fartamente o Brasil por seus programas de combate à fome e de redução da pobreza. E, além de o país ter saído do mapa da fome no mundo, notícia sobre suas políticas sociais favoreceu a presidente: segundo estudo do Ministério do Desenvolvimento Social, houve aumento da altura média das crianças atendidas pelo Bolsa Família. Entre 2008 e 2012, as meninas de 5 anos ficaram 0,7 centímetro mais altas e os meninos, 0,8 centímetro.
Se no social as notícias foram boas para o governo, na economia tampouco foram más. Apesar da cantilena sobre baixo crescimento e inflação, esta vem caindo. E o que realmente importa ao povo em economia não é crescimento, mas o binômio emprego-salário.
Segundo o IBGE, ambos vão muito bem, obrigado. Em agosto, o desemprego de cerca de 5% foi o menor da série histórica de 12 anos mensurada mês a mês pela instituição. Além disso, a renda média do trabalhador brasileiro do setor privado subiu 2,5% acima da inflação. E a do setor público, 7%.
Inflação controlada, salários subindo, desemprego e pobreza caindo, tudo isso vem fazendo o eleitor pensar se tem mesmo tanto sentido a cantilena midiática sobre baixo crescimento. Apesar de a mídia dizer que desemprego e inflação vão aumentar e os salários vão cair, o que se vê é o contrário.
Ora, é aí, então, que vemos a oposição midiático-banqueira numa sinuca de bico. Denúncias de corrupção vêm falhando miseravelmente contra o petista da vez, eleição presidencial após eleição presidencial; o terrorismo econômico, iniciado exageradamente antes das eleições, perdeu a força.
E agora?
É nesse momento que as teorias conspiratórias vêm à mente. O conclave político-midiático-financeiro vai aceitar que Dilma vença a eleição em primeiro turno após todo o trabalho que teve? Sério que alguém acredita nisso?
Dentre as muitas teorias conspiratórias que vêm pingando tanto “in box” nas redes sociais quanto na caixa de correio eletrônico ou nos telefones do blogueiro, uma lhe é particularmente cara: se denúncias de “corrupção petista” e terrorismo econômico não estão funcionando, e se a vitimização de Marina não deu frutos, que tal algo mais parecido com a queda do avião de Eduardo Campos, a fim de gerar novo clima de comoção?
Uau! Não é pouco. Seria arriscado e, talvez, inútil. Mas…
Pense comigo, leitor: é óbvio que a simulação de um atentado violento contra Marina ou Aécio seria um “fato gerador” de comoção. E a culpa recairia sobre Dilma, claro. Ou sobre algum “aloprado” que simbolizaria como é “bandida” essa “gente do PT”.
Mas tal construção padece de um problema incontornável: por que Dilma ou algum aliado “aloprado” cometeria uma sandice dessas se a presidente disparou nas pesquisas tanto em primeiro quanto em segundo turnos, com possibilidade de vencer no primeiro?
Ora, ainda se fosse no segundo turno poderiam tentar vender que a violência contra um adversário decorreria de uma última cartada do PT por “desespero” diante do tudo ou nada. Mas não é o que está acontecendo. Se Dilma não vencer no primeiro turno, tudo indica que vencerá no segundo.
Contudo, a lógica não tem valido muito, ultimamente. Vejam, por exemplo, que as últimas pesquisas de opinião têm mostrado que, apesar de o desemprego continuar caindo de forma pronunciada no país, quase metade dos brasileiros acredita que irá aumentar. Qual é a lógica desse contingente tão expressivo de pessoas?
Não há lógica. Essas pessoas se guiam pela mentirada que os adversários assumidos e enrustidos de Dilma, sobretudo na mídia, têm espalhado. Desse modo, confiar em sensatez total do eleitorado pode ser uma aposta furada. Nesse aspecto, um “fato gerador” de comoção talvez seja a última esperança de essa gente tirar o PT do poder.
Teoria conspiratória? Claro que sim. Eu acho…
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Fonte:http://www.blogdacidadania.com.br/2014/09/teoria-conspiratoria-falso-atentado-impediria-vitoria-de-dilma-no-1o-turno/

PML: REVELAÇÃO, LUCIANA TEM DE DIZER QUAL O SEU LADO

29.09.2014
Do portal BRASIL247

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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/155125/PML-revela%C3%A7%C3%A3o-Luciana-tem-de-dizer-qual-o-seu-lado.htm

A independência do Banco Central e a democracia

29.09.2014
Do portal da Revista Carta Maior, 28.09.14
Por Rodrigo Alves Teixeira (*)

A independência do Banco Central teria como objetivo central eliminar à força a autonomia da política monetária, amarrando-a a metas pré-definidas.

A missão do BC é assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente / Edmar Melo/JC Imagem

Em seu ótimo livro “A globalização do capital”, Barry Eichengreen defende uma tese muito interessante a partir do conhecido trilema de política econômica: que entre câmbio fixo, liberdade aos fluxos internacionais de capital eautonomia da política monetária, só é possível escolher dois destes, nunca os três ao mesmo tempo.

Cada um destes três elementos tem suas vantagens. O regime de câmbio fixo permite a estabilidade do valor de troca entre distintas moedas, permitindo assim a estabilidade das relações comerciais entre países. Esta estabilidade no comércio ocorre pois com o câmbio fixo se evitam as desvalorizações competitivas das moedas domésticas, que têm efeito protecionista ainda mais eficaz que tributação sobre as importações, uma vez que tornam toda a produção do país que promoveu a desvalorização mais barata para os consumidores dos seus parceiros comerciais.

A liberdade aos fluxos de capital traz vantagens pois, ao menos em tese, permitiria uma melhor alocação do capital, transferindo recursos de economias com menores oportunidades de lucro e menor produtividade, para outras com taxas de retorno mais elevadas.

Por fim, a autonomia da política monetária tem como vantagem a possibilidade de o governo controlar a taxa de juros e a liquidez monetária da economia, por meio do seu banco central, visando com isso estimular a economia para contornar crises ou incentivar o crescimento econômico, bem como reduzir o desemprego.

Eichengreen interpreta a história do sistema monetário internacional com base nestes três elementos e no trilema de política econômica que surge a partir deles, mostrando que, em cada momento, os países escolheram dois dos elementos acima, tendo que abandonar o terceiro.

Durante o padrão ouro, que vigorou até o início da Primeira Guerra Mundial, os países tentavam, com maior ou menor sucesso, se enquadrar num regime de câmbio fixo, por meio de uma paridade fixa de suas moedas ao ouro, lastreando neste metal as emissões. Neste período, havia liberdade dos fluxos de capitais internacionais, sendo a praça financeira de Londres o coração do sistema financeiro internacional e a libra esterlina a sua moeda mais importante, refletindo o poderio econômico e a hegemonia inglesa no sistema mundial. Portanto, neste momento, o item abandonado pelos países foi a autonomia da política monetária.

Isto porque, como mostra Eichengreen, para manter o regime de câmbio fixo, diante de qualquer turbulência que precipitasse uma fuga de capitais, os bancos centrais não hesitavam em elevar as taxas de juros para evitar a depreciação da moeda doméstica, mesmo que isso custasse a redução do crescimento e a elevação do desemprego. Até porque a teoria econômica vigente no período não relacionava a taxa de juros com o desemprego, coisa que seria feita décadas mais tarde.

Passadas as duas guerras mundiais, constituiu-se o Sistema de Bretton Woods, em 1944, numa conferência que contou com representantes de dezenas de países. Neste novo arranjo do sistema monetário internacional, os EUA se comprometeram com a paridade e conversibilidade do dólar em ouro, conduzindo o dólar à posição de meio de troca e moeda reserva do sistema monetário internacional, refletindo a mudança da hegemonia no sistema mundial. Os demais países signatários, por sua vez, se comprometiam com uma paridade cambial fixa entre suas moedas e o dólar, para evitar as desvalorizações competitivas e trazer estabilidade para as relações comerciais internacionais, que deveriam ser um importante instrumento da reconstrução das economias devastadas pela II Guerra Mundial.

Neste período, a atuação do Estado já é pautada pelo keynesianismo na condução dapolítica econômica, tendo como objetivo principal o crescimento econômico e a busca do pleno emprego, no âmbito do pacto social a partir do qual se constitui o chamado Welfare State (Estado de Bem-estar Social) nas economias desenvolvidas, especialmente na Europa. Assim, com o avanço do poder dos sindicatos de trabalhadores e a consolidação dos regimes democráticos nas principais economias do mundo, não seria mais possível sacrificar o compromisso de busca do pleno emprego para atingir o objetivo da manutenção do regime de câmbio fixo, pela via da elevação dos juros e de uma política monetária restritiva.

Dito de outra forma, o avanço das democracias não permitia que neste momento os governos sacrificassem a condução autônoma da política monetária e a meta de atingir o pleno emprego em troca da estabilidade cambial. Por outro lado, dado o pacto firmado em Bretton Woods, também não se poderia abandonar o regime de paridades fixas de câmbio. De maneira que foi a liberdade aos fluxos de capitais o elemento sacrificado: o sistema de Bretton Woods permitia que os países aplicassem controles aos fluxos internacionais de capital para manter a estabilidade da taxa de câmbio, impedindo ataques especulativos contra as moedas nacionais.

Entretanto, o governo de Nixon no período de 1971-73 rompeu unilateralmente o acordo,primeiro com o fim da paridade dólar-ouro e finalmente com o fim da conversibilidade do dólar em ouro, levando ao colapso do Sistema de Bretton Woods. Paralelamente, as barreiras aos fluxos internacionais de capital vão sendo paulatinamente eliminadas, iniciando-se pelas políticas de desregulamentação e liberalização financeiras de Reagan (EUA) e Thatcher (Reino Unido), que posteriormente foram seguidas pelos demais países desenvolvidos e, nos anos 90, pelos países periféricos da Ásia e América Latina, que passaram a ser chamados de “mercados emergentes”.

Surge então, a partir do fim do sistema de Bretton Woods, segundo Eichengreen, um terceiro momento, no qual vivemos hoje, no qual se combinam dois elementos: i. o predomínio de regimes democráticos, que significaria que os governantes não poderiam prescindir da busca do pleno emprego adotando políticas econômicas recessivas, o que exige o manejo autônomo da política monetária; e ii. a volta da liberdade aos fluxos internacionais de capitais que se consolida nas décadas finais do século XX. Consequentemente, se não podem prescindir da autonomia da política monetária e os controles de capitais se tornaram uma heresia num mundo em que cada vez mais a grande finança tem influência sobre a condução da política econômica, Eichengreen defende a tese de que as taxas de câmbio flutuantes vieram para ficar, sendo o câmbio fixo o elemento que os governos passaram a abdicar.

No prefácio à edição brasileira de seu livro, Eichengreen relata que a mudança do regime de bandas cambiais (que se assemelha ao câmbio fixo mas é um pouco mais flexível por ter piso e teto para a flutuação), adotada pelo Brasil de 1994 a 1999, para o regime de câmbio flutuante a partir deste último ano, seria um movimento que comprovaria sua tese. De fato, no período em questão o governo brasileiro apresentou enormes dificuldades da manutenção de um regime cambial rígido, adotado durante a gestão de Gustavo Franco no Banco Central, que utilizou a âncora cambial (câmbio sobrevalorizado) para combater a inflação, barateando os importados e levando a enormes déficits em conta corrente.

A dificuldade na manutenção do regime cambial rígido era causada justamente pela liberdade aos fluxos de capital, pois num momento de elevada turbulência no mercado financeiro internacional tal liberdade conduzia a fugas de capital e ataques especulativos contra o Real. A política monetária se tornava refém destes movimentos, com elevação dos juros para atrair o capital especulativo ou impedir sua fuga, no intuito de manter a taxa de câmbio dentro da banda estabelecida, mas ao custo do baixo crescimento e elevadas taxas de desemprego, bem como da explosão da dívida pública. Estas foram as economic consequences of Mr. Gustavo Franco.

Diante da precária situação econômica, Gustavo Franco foi substituído por Armínio Fraga no comando do Banco Central. A âncora cambial e o regime de bandas cambiais foram então substituídos por um regime de câmbio flutuante combinado com um regime de metas de inflação e metas de superávit primário, o famoso tripé da política econômica.

Até aqui, tudo parece dar razão à tese de Eichengreen, na medida em que de fato o regime cambial passou a ser flutuante. Porém, a literatura econômica trata fartamente do fenômeno do “fear of floating”, ou “medo da flutuação” cambial: a depreciação excessiva da moeda doméstica pode elevar o preço de bens de consumo e insumos importados, elevando a inflação e comprometendo o cumprimento da meta, e sua apreciação excessiva pode levar a déficits persistentes em conta corrente.

Assim, ainda que em teoria o regime adotado a partir de 1999 fosse flutuante, na prática havia uma aversão da depreciação da moeda doméstica por parte do Banco Central, pois ela poderia contaminar os preços domésticos. Em consequência, como as turbulências no mercado financeiro internacional não cessaram, o Brasil seguiu convivendo com a ameaça constante das fugas de capital e respondendo a elas com taxas elevadas de juros.

Neste aspecto, cabe relembrar a argumentação de Eichengreen: segundo ele, na fase atual da história do sistema monetário internacional, a consolidação da democracia impediria que governos eleitos pelo voto popular utilizassem medidas recessivas para atingir determinada meta, que deixou de ser o câmbio para ser uma meta explícita de inflação. De fato, uma forte oposição de movimentos dos trabalhadores e partidos de esquerda frequentemente atacava a política de juros altos do Banco Central, que trazia desemprego e baixo crescimento. Mas qual a solução que começa a ser discutida naquele momento? A independência formal do Banco Central. Ou seja, se até então o Banco Central já estava agindo de maneira autônoma, perseguindo suas metas independentemente da pressão contrária dos interesses populares, o aumento destas pressões exigiria que o Banco Central fosse blindado contra a democracia, ou seja, contra a oposição dos movimentos sindicais e outros grupos da sociedade civil.

Em suma, diante da sagrada mobilidade dos fluxos especulativos de capital e da indesejada flutuação da taxa de câmbio, a independência do Banco Central teria como objetivo central eliminar à força a autonomia da política monetária, amarrando-a a metas pré-definidas que seriam perseguidas pela autoridade monetária sem prestar contas à sociedade que elegeu democraticamente os seus governantes.

Esta discussão volta com força no debate eleitoral de 2014, especialmente como bandeira da candidata Marina Silva, que tem como apoiadores os representantes do mercado financeiro doméstico e internacional, os maiores interessados na aludida “independência” do Banco Central.

Da perspectiva deste debate, temos explicitados dois projetos em disputa na campanha eleitoral de 2014. O primeiro, representado por Marina Silva, no qual se entregará o Banco Central e a política monetária aos humores do mercado financeiro, com a sua independência das pressões da imensa maioria da população que representa, portanto, um forte golpe na democracia, ao tirar dos governos um instrumento importantíssimo no combate a crises e na busca do desenvolvimento econômico.

O segundo projeto é aquele no qual a condução da política monetária buscará manter independência frente aos interesses do mercado financeiro, tendo como preocupação primordial a busca da manutenção de elevado nível de emprego e a busca do crescimento econômico. Este último projeto é representado pela candidata Dilma Rousseff.

Infelizmente, Marina Silva aderiu ao discurso daqueles que querem fazer crer que a condução da política monetária é uma questão puramente técnica, e que só há um caminho possível, independentemente de ideologias e interesses. Assim, buscam blindar a autoridade monetária contra a própria democracia.

Apenas com a vitória de Dilma o banco central poderá de fato permanecer independente dos interesses do mercado financeiro e terá que prestar contas de sua atuação aos governantes eleitos pelo voto popular e à própria população, como deve ser num regime democrático.

(*) Doutor em Economia, é professor do departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e Secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão da Prefeitura de São Paulo. 
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Economia/A-independencia-do-Banco-Central-e-a-democracia/7/31887

GLOBO, O JORNAL DA DITADURA MILITAR:O Globo tem medo da verdade!

29.09.2014
Do portal da Revista Carta Maior,28.09.14
Por Altamiro Borges

O que o Globo teme, principalmente, é que venha à tona o papel da grande mídia brasileira na preparação do golpe contra Jango e no apoio à ditadura.


O editorial do jornal O Globo de quinta-feira (25) é mais prova de que a famiglia Marinho tem medo da verdade. Ela teme que os carrascos da ditadura, que torturaram e mataram, sejam identificados e punidos. Teme que os empresários que financiaram os órgãos de terror sejam denunciados. Ela teme, principalmente, que venha à tona o papel da mídia na preparação do golpe e no apoio ao regime militar.

Por estas e outras razões, o jornal tem tanto receio das apurações da Comissão Nacional da Verdade e não aceita sequer discutir a revisão da Lei da Anistia. A bilionária famiglia Marinho, que construiu seu império durante a ditadura, teme a verdade sobre o seu passado facínora e fascistóide. 

Segundo o jornal, “a questão das vítimas da ditadura militar encontra-se em um momento sensível”. Após historiar o longo processo de apuração dos crimes, O Globo critica os “grupos que buscam alterar a Lei da Anistia para punir militares. Um desatino, por importar conflitos entre o poder político e as Forças Armadas de quatro, cinco décadas atrás”. Para a famiglia Marinho, a Comissão Nacional da Verdade (CNV), criada no governo Lula e implantada pela presidenta Dilma, incentiva este “desatino”.

Na defesa dos generais golpistas , o jornal retoma a tese de que, “para ser isenta, a comissão deveria, na busca pela ‘verdade’, também registrar a história de vítimas de movimentos radicais de esquerda”.

Ou seja: quem lutou contra os golpistas e o regime fascista, quem foi perseguido e torturado, quem teve que se exilar, é que deve desculpas aos generais carrascos. Para a famiglia Marinho, “não cabe qualquer pedido de desculpas dos militares, pois já é evidente o reconhecimento de erros pelo Estado. O passado tem de ser conhecido para que não se repita no futuro. Mas sem revanchismos, como prevê a anistia”. E ainda teve gente que acreditou num recente editorial do jornal O Globo que reconheceu “os erros” do apoio aogolpe e à ditadura militar. A famiglia Marinho sempre foi golpista e nunca tolerou a democracia e a participação popular. Nos dias atuais, ele segue sendo fascistóide e golpista!

A ficha caiu

A fatalidade de um arrocho doloroso, ganhe quem ganhar, é o novo bordão do jogral do Brasil aos cacos. A receita assim condensada pelo editorial do Financial Times, no sábado, talvez fosse inevitável, de fato, se o que Lula e Dilma aprenderam nestas eleições significasse apenas um ponto fora da curva. E não a trajetória final da ficha que acelerou sua aterrisagem no discernimento do PT nos últimos 20 dias.
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Fonte:http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Midia/O-Globo-tem-medo-da-verdade-/12/31881

O jornalista como profissional do conhecimento

29.09.2014
Do portal OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 
Por Carlos Castilho em 03/09/2014

A revolução digital ampliou e diversificou o protagonismo dos indivíduos na comunicação interpessoal em ambientes sociais, conferindo uma importância crítica à organização deste monumental fluxo de mensagens contendo dados e informações. O jornalista é parte insubstituível neste ordenamento, mas as regras que orientam a sua atividade diária já não são mais as mesmas.
O crescimento exponencial da oferta de dados e informações tornou obsoleta a função de coletar, formatar e distribuir notícias, que caracterizou o trabalho dos jornalistas durante os últimos 200 anos. A nova realidade digital está impondo ao jornalista a missão de dar significado às notícias, mais do que simplesmente passá-las adiante. Noutras palavras, gerar fluxos de notícias para alimentar a produção de conhecimento que permitam às pessoas evoluir social e economicamente.
Até agora o jornalista era um operário na linha de montagem das notícias que servem de moeda de troca com a publicidade e, com isto, viabilizavam o negócio da imprensa. Na hora em que é levado a se transformar num profissional do conhecimento, o jornalista necessita rever sua rotina de trabalho, valores profissionais e comportamentos sociais.
Mas a grande mudança está nos objetivos da atividade profissional. Embora a indústria dos jornais, revistas e audiovisual não vá desaparecer, o jornalista passará a trabalhar pensando cada vez menos na rentabilidade do negócio e mais nas necessidades e desejos dos receptores de notícias. Em vez do patrão, a referência básica passa a ser a comunidade de leitores, ouvintes e telespectadores. 
Os jornalistas já ouviram muitas vezes esta mesma frase na boca dos executivos da imprensa, mas agora ela tende a se transformar no mantra do dia a dia da atividade, ao orientar o comportamento do profissional no chamado engajamento comunitário. Este engajamento permite que o jornalista identifique na comunidade à qual está vinculado os dados que serão estruturados como notícias, que por sua vez provocarão debates sobre os quais será construído o conhecimento individual e coletivo.
A agenda da imprensa sempre deu um tratamento diferenciado às notícias conforme o seu objetivo. Algumas são consideradas utilitárias porque estão orientadas para:
1. A melhoria do desempenho pessoal e a eficiência nas atividades exercidas pelo leitor, ouvinte ou telespectador;
2. Ampliar a qualidade e quantidade no consumo individual;
3. Oferecer opções diversificadas de lazer.
São notícias onde é fácil estabelecer a relação custo/beneficio porque a demanda e a oferta são claramente identificadas. Em compensação, as notícias relacionadas ao que genericamente é conhecido como interesse social recebem menos atenção da imprensaporque, em geral, tratam de temas complexos como meio ambiente, programas energéticos, saneamento básico, drogas ou atenção à velhice, por exemplo. A diferença básica está entre as notícias que o público quer ler e aquelas necessárias ao exercício da cidadania. As primeiras são reguladas pelo mercado (oferta e procura), ao passo que as de interesse público dependem de motivação intelectual que nem sempre encontra uma compensação financeira.
O jornalismo voltado para a produção de conhecimento preenche a lacuna criada pelas deficiências do mercado na satisfação das necessidades informativas de interesse público porque pode atender interesses e demandas altamente segmentadas. Esta possibilidade está apoiada no uso de internet e da computação, que permitem uma personalização do fluxo de notícias em espaços informativos de dimensões reduzidas – como uma rua, um bairro ou uma especialidade profissional.
A mídia de massa só consegue equilíbrio financeiro quando atende a públicos pouco diferenciados, o que impede a atenção às necessidades informativas de grupos sociais numericamente reduzidos. A monetização tradicional dos conteúdos jornalísticos é inviável no ambiente online porque a avalancha informativa reduziu a zero o custo marginal da notícia (custo de reprodução de uma notícia). Por isso, o jornalista que optar pelo trabalho na internet precisa apostar na produção de conhecimento para buscar uma relação custo/benefício capaz de assegurar a sua sobrevivência.
Esta aposta não é apenas uma questão econômica, mas é essencialmente a recuperação do princípio da função pública do jornalista, perdida ao longo dos anos, por conta da sua inserção da atividade na linha de produção das indústrias de produção de notícias. O lado financeiro continua essencial à sobrevivência dos profissionais, mas ele não é mais o fator determinante no exercício da atividade. O jornalista é um protagonista indispensável para as pessoas desenvolverem conhecimento e com isso aumentar o capital social das comunidades onde vivem. 
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Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/codigoaberto/post/o_jornalista_como_profissional_do_conhecimento

A coletiva dos blogueiros, a mídia ‘golpista’ e a presidenta Dilma que resolveu encarar a comunicação como algo estratégico

29.09.2014
Do portal da REVISTA FÓRUM, 27.09.14
Por MARIAFRÔ

Do Palácio da Alvora acompanhei (pelo twitter) o início da coletiva dos blogueiros com Dilma.
As impressões dos twitteiros foram múltiplas: gente que apoiava a iniciativa da presidenta em nos receber, gente que questionava a nossa legitimidade para fazer uma entrevista com Dilma Rousseff, gente medindo nosso grau de ‘petismo’ (detratores à direita e ressentidos à esquerda), Noblat, álibi do governador Arruda, nos detratando como faz costumeiramente:
Os custos financeiros para gente desinformada por Noblat
Não é fácil para um blog sem recursos se deslocar para Brasília da noite para o dia. Não temos patrões que financiam nossos deslocamentos: passagens de avião, táxi, alimentação, ida ao salão para fazer as unhas, uma escova no cabelo (afinal, você não vai entrevistar a presidenta no estado que se encontra: mais parecida com um ajudante de obras que com uma blogueira).
Para aqueles trolls que, ao invés de avaliarem nossas questões à presidenta e suas respostas, ficaram nos perguntando no twitter quem pagou nossas passagens, seguem os custos. Aproveito para informar que aí do lado direito do post, tem uma conta da Caixa Econômica Federal, que tal depositar uma contribuição?
Cabelo e unha pra se ajeitar minimamente para entrevistar a elegante presidente Dilma: R$ 117,00
Passagens ida e volta à BSB compradas de um dia para o outro com dinheiro emprestado R$ 1.852,68;
Ônibus e metrô até o aeroporto com bilhete único R$ 4,65;
Um café e um pão de queijo no aeroporto R$ 9,50 para quem acordou às 5 da matina a tempo de pegar o vôo
Almoço com os blogueiros R$ 42,00;
Táxi do aeroporto até o restaurante R$ 50,00, do restaurante ao Palácio do Alvorada R$ 45,00, do Palácio do Alvorada até o aeroporto R$ 67,00, do aeroporto de Congonhas até o metrô 30,00;
Metrô até a estação onde meu carro estava estacionado R$ 3,00, mais combustível do carro em deslocamento de casa até o metrô.
Para ser mais precisa no meu caso: o restaurante que fomos não aceitava cartão, um blogueiro financiou meu almoço e como estava sem dinheiro na carteira, os blogueiros arcaram com os custos do deslocamento dos táxis.
O impacto da coletiva na rede e fora dela
Esta foi a primeira entrevista dada por Dilma aos blogueiros e a primeira na história do país dada por um presidente da República em época de campanha eleitoral. Lula quando nos concedeu sua primeira entrevista faltava cerca de dois meses para o fim de seu segundo mandato.
Quando recebi o telefonema de Altamiro Borges, comentei: Que coragem da presidenta nos receber em pleno período eleitoral. Ela será atacada e cada palavra que usar será distorcida. Nós também seremos atacados por todos os lados. Bóra!
Topei na hora por vários motivos: primeiro porque quando o presidente Lula inaugurou as coletivas com blogueiros progressistas, eu havia ido à Brasília uma semana antes para um Simpósio Internacional de Direitos Humanos e não pude voltar na semana seguinte. Apesar de participar da coletiva por twitcam, achava que não poderia recusar este segundo convite.


Lula inaugurou na presidência da República as coletivas com blogueiros. Depois disso ele foi para dois encontros do BlogProg (2011 e 2014) e realizou em 2014 uma nova coletiva. Fui convidada e novamente não pude estar presente porque estava com dengue. Na foto, converso com com o então presidente Lula, via twicam.
Mal havíamos terminado a entrevista, nossa coletiva era notícia em vários portais da velha mídia (e mais tarde nos jornais televisivos) O GloboFolha, Folha regionalEstadão O TempoHouve até aqueles que acham que falar da Petrobras se resume a esculhambar a Petrobras.Uma de minhas questões tratou do pré-sal e permitiu à presidenta discorrer com sinceridade quando os recursos do pré-sal serão perceptíveis na educação, além de explicar o processo de partilha e todo o desenvolvimento da indústria local no setor de navipeças).
Havíamos sido informado que a presidenta tinha outros compromissos e que teríamos uma hora com ela. Mas desde o início a presidenta se mostrou flexível e acabou ficando duas horas conosco.
Na saída do Palácio do Alvorada, havia uma turma de jornalistas à espera das vans que levam os visitantes ao Palácio da Alvorada. Eles aguardavam o fim de nossa coletiva para realizarem a coletiva deles com a presidenta Dilma. Quando descemos de nossa van,  uma das jornalistas gritou para os demais, num tom provocador para que pudéssemos ouvir: “Vamos embora, imprensa golpista!” Possivelmente a moça estava irritada por ter tido de esperar a presidenta finalizar sua entrevista com blogueiros.
Eduardo Guimarães tentou dizer à mocinha que quando usamos “PIG”, nos referimos aos patrões dos monopólios da comunicação e aos sabujos que se apresentam como colunistas e que não fazem jornalismo, mas puramente uma oposição descolada da realidade dos fatos e vivem de detratar aqueles que elegeram como inimigos: os ditos blogueiros progressistas. A moça fez questão de reafirmar que terá futuro na grande mídia e repetiu: “eu sou golpista sim”.
A Íntegra da Entrevista
Abaixo a íntegra da nossa coletiva em áudio e vídeo. No arquivo do áudio o som está bem melhor que no de vídeo.




Como vocês podem avaliar é possível fazer uma entrevista questionando o governo sem necessariamente ser mal educado.
A ordem das intervenções foi estabelecida pela SECOM, de acordo com a disposição dos blogueiros na mesa.
Miro foi o primeiro a perguntar e questionou a presidenta sobre o monopólio da mídia e a não ação do governo brasileiro em enfrentar este monopólio. A presidenta respondeu que lutará por um marco regulatório como reza a constituição (nosso mantra, exaustivamente repetido e tema da Carta dos Blogueiros de Salvador: Nada além da Constituição).
A segunda a formular a questão foi Conceição Lemes, editora do Viomundo e responsável pelo blog da Saúde. Lemes falou sobre o tema que é especialista: a saúde, mais precisamente sobre a qualidade do serviço de saúde (público e privado). Foi uma excelente oportunidade para a presidenta explicar além de programas mais visíveis como o de provimento de médicos (Mais Médicos), como em seu governo há ações concretas de monitoramento para melhorar a qualidade do SUS. Dilma disse: “Gerir é olhar detalhe” e relatou algumas dessas ações e as mudanças que elas vêm operando no serviços prestado à população.
Sobre as OS (organizações sociais no SUS), Dilma discordou de Lemes (que é contra a administração privada nos serviços públicos de saúde). Para a presidenta elas não são ruins a priori.  Dilma concluiu sua resposta afirmando que é preciso integrar os sistemas público e privado de saúde para sanar outro problema (além da atenção básica ampliada pelo Mais Médicos) que é o atendimento de especialistas a usuários do SUS. A presidenta propõe uma rede integrada por clínicas públicas, privadas e filantrópicas.
Rovai foi o terceiro jornalista a questionar a presidenta e optou por trazer uma questão dos leitores, dada a recorrência que o tema se apresentou no seu blog. Sua questão foi sobre a desmilitarização das polícias, a ação delas nas periferias brasileiras. A presidenta, mais uma vez, mostrou que está bastante ciente da realidade brasileira e embora tenha destacado que constitucionalmente segurança pública é da competência dos governos estaduais, ela assume um compromisso de agir no intuito de refrear o genocídio da juventude negra:
Hoje a principal pauta do movimento negro é a luta contra a violência que mata a juventude negra e a estatística é clara sobre quem morre: negros e jovens da periferia. Eu assumi o compromisso contra ao auto de resistência, que legaliza esse processo. Vamos colocar o peso do governo nos auto de resistência, pois, o que se verifica, é que na grande maioria dos casos é (auto de resistência) pra encobrir o verdadeiro assassinato”.
 A presidenta também foi honesta em revelar que não conhece a proposta da PEC 51. Alô, alô ministro da Justiça!
Paulo Moreira Leite interveio na questão de Renato e trouxe à tona o sistema carcerário. Novamente Dilma, além de mostrar conhecimento sobre o tema, incluindo os escandalosos números de encarceramento do país, propôs algumas soluções que visam de fato a reintegração dos presos, falou da possibilidade de incluí-los no Pronatec. Para a presidenta: “A política de cárcere do Brasil é cega, nem certa, nem errada, ela não sabe para onde vai. Os presídios viraram território do crime organizado” e declarou que o governo vai intervir nesta questão, na defesa dos direitos humanos.
Na sequência Paulo fez sua questão sobre Reforma Política. Dilma traz em seu programa de governo o compromisso com a reforma política. Durante a campanha do plebiscito popular que totalizou mais de 7,5 milhões de votos a favor de uma Reforma Política, a presidenta se posicionou abertamente a favor dele. Na entrevista, ela defendeu o Plebiscito para consultar o povo brasileiro a respeito do financiamento público de campanhas. Para ela: “Se a gente não acreditar na força do povo brasileiro, a gente não tem mais nada pra acreditar.”
Miguel do Rosário, questionou a presidenta sobre projetos que não foram executados como o trem bala. Isso permitiu a presidenta não apenas explicar porque esse projeto não foi adiante no momento de crise econômica na Europa como falar sobre desenvolvimento tecnológico e a necessidade de mobilidade urbana nas grandes áreas conurbadas ao redor das metrópoles como Rio e São Paulo.
Kiko Nogueira foi o sexto blogueiro a formular sua questão e tratou das reações da mídia brasileira ao discurso da presidenta na abertura da 69ª Assembleia da ONU. Dilma falou sobre como seu discurso é manipulado pela mídia e explicou “Tem uma deliberada tentativa de confundir uma coisa com a outra. O Conselho de Segurança da ONU não aprovou os bombardeios dos EUA na Síria. Aprovaram que o recrutamento de terroristas em territórios estrangeiros fosse considerado crime, jamais aprovaram e deram sanção ao bombardeio, ao contrário, não estão autorizando”. A presidenta retomou o que disse na ONU, recorrendo à história, argumentando que os ataques ao Afeganistão, Iraque, Líbia e Síria demonstraram que a ação militar não estabelece a paz, que a guerra não é solução para questões políticas. Ela condenou as ações do Estado Islâmico do Iraque, mas ressaltou o processo que determinou o crescimento do ISIS. 
Eduardo Guimarães foi o penúltimo blogueiro a questionar Dilma, também tocou na questão da comunicação, perguntou à presidenta porque ela não reagiu à virulência de uma mídia detratora e só começou o enfrentamento agora. Eduardo pergunta à presidenta “se num próximo governo ela não acha que não só a gestão, mas a política tem de estar na ordem do dia?”
Dilma respondeu que sim e disse que é durante a campanha, por meio de um palanque direto, como candidata, que ela pode falar ao povo brasileiro presencialmente, sem intermediários, que seu discurso “Não é filtrado“.
Durante sua resposta a Eduardo, ela retoma o que havia discorrido sobre a manipulação da mídia do seu discurso na ONU: “Meu discurso na ONU foi integralmente,  integralmente distorcido”. Retoma também alguns dos exemplos que Eduardo deu sobre a manipulação dos fatos pela mídia monopolizada no Brasil: o desemprego, o ataque a Petrobras e diz: “Há uma forma de fazer oposição no Brasil que tem de ser denunciada, é a forma do quanto pior melhor”.
A presidenta ressaltou no entanto, que essa prática de a mídia agir como partido político de oposição não é exclusividade do Brasil. Neste momento ela retoma a conturbada entrevista do Bom dia Brasil onde foiinterrompida por 82 vezes pelos três jornalistas que a sabatinaram e sobre como eles brigam com os fatos. Dilma citou como exemplo, o embate que travou com Miriam Leitão sobre a crise econômica que atinge a Alemanha: “Podem ler qualquer artigo sobre a Alemanha você vai ver que todos os artigos dizem que a Alemanha está em queda, que vive uma situação de recessão. Isso não é uma questão de desrespeito, a imprensa brasileira falar A,b,c ou d, é só ler a imprensa internacional.”
Dilma diz que chegou a conclusão que em sua campanha a verdade vai vencer a mentira, numa alusão de que os dados da realidade serão mais fortes que a manipulação deliberada dos fatos pela mídia. Ela agradeceu aos que enfrentam esse discurso manipulador, mas acredita que terá que fazer um enfrentamento mais sistemático disso e diz que no próximo mandato terá de dar mais respostas a essa prática: “Não posso ser tão bem comportada, me levaram para outro caminho, não era o que eu queria”.
Após 1 hora e 38 minutos, eu fui a última blogueira a formular minhas questões.
Primeiro cumpri uma promessa ao pedreiro que resolveu pegar uma reforma que se arrasta há um ano e nove meses e terminá-la. Seu Cláudio admira Dilma e vive falando de como gosta da Dona Dilma para mim. Quando eu disse que na sexta-feira não estaria em casa e expliquei os motivos, ele arregalou os olhos: É mesmo, dona ‘menina’!. Eu disse: Sim seu Cláudio, o senhor tem algum recado para ela? Ele disse queria muito escrever uma carta pra ela. E o dia passou e ele não a escreveu. Na quinta à noite liga o seu Cláudio: “Dona Menina”, a senhora fala mesmo pra presidenta? Falo, seu Cláudio, o que o senhor quer dizer a ela? E aí ele passa a me ditar a carta:
“Eu queria dizer que pra gente humilde ela é boa demais. Agora a gente terminou aquele sofrimento.
Os que acham Dilma ruim querem passar a gente pra traz, aqueles que ficavam pisando nos coitados. A gente passava fome.
No Nordeste o povo está com a senhora. 
Que Deus alumine a senhora. E sempre pense em nós, os pobres.”
 Para mim, seu Cláudio, minha mãe, sua conterrânea que defende Lula e Dilma todos os dias, representam bem as gerações que sempre foram desprezadas pelo Estado Brasileiro e nesta última década tiveram a atenção dos estadistas.
No entanto, os mais jovens que nasceram num país um pouco melhor, onde as necessidades básicas já são atendidas, não fazem a menor ideia do que foi esta revolução silenciosa que diminuiu a pobreza em 70% e tirou o país do mapa da fome.
Por isso minha primeira questão retomou o mote do Eduardo. Eu queria saber que ações concretas a presidenta tomaria para efetivamente dispensar esses intermediários que distorcem deliberadamente o seu discurso todos os dias e pior, sonegam informações cruciais ao povo brasileiro, quando se apartam do jornalismo e brigam com os fatos. Minha primeira questão para a presidenta era como não deixar que também os candidatos oportunistas desvalorizassem políticas públicas de combate à desigualdade e reduzissem as conquistas do povo brasileiro à meritocraciaEu questionei a presidenta sobre qual será a sua política de comunicação no seu possível segundo mandato. Afinal, até petistas ao assistirem seu programa eleitoral, descobrem realizações que desconheciam.
Falei da imagem cristalizada na mídia sobre ela como uma pessoa mau humorada, gerentona, imagem, por vezes, repetida até mesmo por gente do campo da esquerda. Ela brincou: “Outro dia perguntaram para mim: Mas você é humana, eu falei: Eu sou terráquea. Apesar de meu neto de 3 anos, que agora descobriu os planetas, dizer que somos de Saturno“. Brinquei com ela respondendo que achava que ela é de Saturno mesmo, porque fico profundamente impressionada com a capacidade de Dilma de dominar com propriedade tantos assuntos, de como ela qualifica o debate dominando da crise hídrica (uma pena vocês não terem acompanhado a aula que ela deu sobre isso quando numa conversa informal falávamos do clima seco de Brasília e da secura que vivemos nas torneiras em São Paulo) até educação infantil numa perspectiva pedagógica e não assistencialista como historicamente foram tratadas as creches.
Prossigo explicando a ela meu sentimento de indignação quando vejo negarem a ela o papel de grande estadista que ela é ao conseguir governar este país olhando o detalhe e também o plano macro.
Pergunto à presidenta o que ela imagina para pôr em prática uma comunicação direta com o povo brasileiro, ressaltando que nossos problemas não residem apenas na concentração midiática (relembro que entregamos a ela o PLIP e que vamos cobrá-la). Ressalto que o problema da comunicação é generalizado nos governos petistas e que isso associado à manipulação dos fatos e à sonegação de informações pela mídia monopolizada não atinge apenas os governos petistas, isso interfere em toda a sociedade, apartada de seu direito de saber e exigir direitos. O ataque ao seu governo atinge a auto-estima do povo brasileiro. Finalmente, na minha longa intervenção emendo uma questão do meu interesse, como educadora que sou, elogiando sua postura de classe na defesa do patrimônio nacional, o pré-sal, perguntando a ela, quando nós sentiríamos os primeiros impactos positivos na educação proveniente dos recursos do pré-sal.
A presidenta entendeu porque resolvi ler a cartinha do seu Cláudio e agradeceu. E partiu direto para responder a minha última questão sobre os recursos do pré-sal na educação. Respondeu com a honestidade que lhe é peculiar e disse: “É lento”.
Ela discorreu sobre o montante dos recursos dos royalties nos diversos campos do pré-sal e, ao mesmo tempo, esclareceu os custos para o processo de extração. Ressaltou que a partir de 2017 a sociedade brasileira sentirá mais claramente esses recursos na educação e seu pico nos anos seguintes. Ou seja, mais uma vez, Dilma mostra a estadista que é, ao pensar o país não para um mandato, mas para as futuras gerações.
“O pré-sal é muito dinheiro, sobre quaisquer aspectos, é muito dinheiro” . Neste momento a presidenta faz uma defesa da soberania do país ao defender a Petrobras. É curioso que nenhum veículo de imprensa tenha tratado disso ao falar de nossa entrevista e houve até aqueles que disseram que nós não tratamos da Petrobrás. 
O mote do pré-sal fez a presidenta discorrer longamente sobre a importância estratégica da Petrobras pra o desenvolvimento do Brasil como um todo:
Por que a Petrobras é um grande negócio (para o país)? Pelo seguinte, é impossível alguém que não seja mal intencionado, mal intencionado aí, eu estou falando de gente que quer que a Petrobras perca poder para passar as riquezas do petróleo para outros interesses privados, mais  internacionais do que qualquer de outro tipo. Por quê? Porque a Petrobras tinha 16 bilhões de reserva (…), mas vamos deixar por baixo, que seja, que quando fizerem todos os cálculos que seja 12 bilhões. O valor de uma empresa de Petróleo está na quantidade de reservas que tem (a Petrobras tem a terceira maior reserva do mundo) Isso nós fizemos uma licitação e usamos o que a lei de partilha nos permite que é atribuir a Petrobras o direito de explorar x, y, z que a União definir. 
Neste momento a presidenta se refere à questão de Miguel que ao abordar as ferrovias, falou da indústria de auto-peças. A presidenta fala da indústria de navipeças destacando que ela é ainda mais importante.
A Petrobras é importante primeiro porque ela será um grande fator de desenvolvimento industrial (…) Navipeças é tão o mais sofisticada que a indústria automobilística, todas as plataformas, todas as sondas, todos os navios de apoio, enfim todos os barcos, pequenos, médios e grandes, mais os equipamentos todos, mais os serviços. Então tem uma parte que é um processo de integração tanto da indústria local, quanto a indústria internacional. O que nós fizemos que eles (a presidenta se refere aos interesses privados especialmente os internacionais) são contra também. Fizemos a política de conteúdo local. Nela, nós passamos a produzir aqui várias coisas. Vamos lembrar que não tinha um santo estaleiro neste país funcionando de forma significativa em 2003, em 2002 idem. Ela relembra do período de quando era ministra das Minas e Energias durante o governo Lula:  “Eu comecei brigando por isso, há muito tempo brigamos por isso. Chegaram a dizer que nós não tínhamos competência para fazer cascos e frisa: Casco! chegaram a dizer que nós não tínhamos competência para fazer nada. Ainda hoje dizem.”
Eduardo ironiza com o verso da música do roqueiro reacionário Roger, e diz que o cara que fez esta música não gosta de Dilma. Ela faz uma cara engraçada como quem diz, fazer o quê, paciência. Retomo, falando do complexo de vira-latas.
Dilma volta a falar, vejam que ela parece ignorar a primeira parte de minha questão. Só parece:
Eu acho que no Brasil, nós estamos num momento de transição, por quê? Porque ao passar esse momento é irreversível. A presidenta é enfática: Tem coisas que se tornam irreversíveis! Ninguém desmonta uma empresa que é a sexta do mundo. Não desmontarão! E nós temos um modelo que é diferente, nosso modelo de partilha é diferente. É que vocês esqueceram um pouco. No primeiro governo Lula é muito parecido com o meu primeiro governo. Tudo a nós era negado, num segundo foi muito vento a favor, então, era impossível negar a realidade. Chegaram a esse ponto. Agora nós estamos vivendo uma crise internacional que eles teimam.” Dilma retoma novamente a discussão da crise alemã. “Essa discussão se a Alemanha estava ou não em crise, esta discussão é estarrecedora. Porque isso não se discute, você pode comentar, algo como eu acho que ela sai (da crise), olha eu acho que vai demorar tanto, mas que a Alemanha está com problema não dá pra negar.E não sou eu que digo, é eles (os alemães) que dizem.
Dilma volta à questão da mídia: “Eu acho que tem uma parte da mídia que é assim e tem uma parte que você briga na eleição (não no sentido de tapa) é uma briga no sentido de confronto de posições”, complemento: uma disputa ideológica, de projetos políticos.
Leite interfere sobre a característica mais programática desta eleição e a presidenta concorda: “Eu acho que ela é mais programática, ela é mais clara”. Nesse momento a presidenta dá um recado à Marina: “Apesar de as pessoas acharem que se dizer que se você discorda de alguém, você está atacando”. Rovai questiona: Incomoda esta vitimização? Dilma:
Não, a mim não incomoda, é do jogo. Tem pessoa que gosta de aparecer como vítima, tem outros que não, eu não gosto. Eu acho que a culpa é da gente. A responsabilidade e da gente. Eu não apareço como vítima porque eu assumo minhas responsabilidades. Eu não posso me colocar como vítima. Eu não posso dar ao Brasil esta demonstração. Não posso fazer isso.
Retomo minha primeira questão: Presidenta a senhora pretende tentar uma comunicação mais direta? Ela escapa de novo. Insisto, quero que ela diga o que pretende fazer.
Aí ela responde: Eu acho que darei bem mais combate, vamos dizer assim. Só.
Uma frase curta e matadora que para bom entendedor basta, lembrando que a presidenta em nossa entrevista disse com todas as letras “Não posso ser tão bem comportada, me levaram para outro caminho, não era o que eu queria”. E ela foi muito sincera,  afinal, recordemos 2010: depois de a Folha durante a campanha presidencial daquela ano estampar uma ficha falsa do Dops com o rosto da presidenta, publicar entrevista de espião de Dilma, acusá-la de maus feitos ocorridos durante a gestão FHC, ela ainda assim, ignorou tamanhas agressões e foi prestigiar em fevereiro de 2011 a festa dos 90 anos da Folha e aí passou a ser criticada pelo seu próprio campo, incluindo a blogueira que lhe escreve.
Par encerrar com chave de ouro uma entrevista que revela muito mais que o batido manchetão da mídia ontem sobre nossa entrevista, Rovai conseguiu roubar mais uns minutinhos do PIG que esperava lá fora impaciente. Prestem atenção no final do vídeo no que a presidenta fala e como fala e lembrem-se que ela ficou duas horas conosco e a coletiva seguinte não teria este tempo. Parece que “o combate” já começou \o/.
A questão de Rovai era sobre se a classe C se é ou não despolitizada e em sua resposta a presidenta fala do futuro, de sua visão de Brasil e mais uma vez a gente percebe como Dilma sabe o que está fazendo e qual o patamar de país que ela sonha.
Há uma frase genial dela que após o final da entrevista comentei com Miguel do Rosário sobre como ela tem uma visão não apenas ampla do país, mas um projeto de país, fundamentado em sua formação política. O Brasil não é para principiantes e Dilma tem clareza disso: “Tem que resolver problemas do século XIX e ao mesmo tempo atuar em questões do século XXI”.
Em sua fala, a presidenta retoma a importância estratégica da cultura, elogia o profissionalismo dos meninos artistas das periferias urbanas e trata da educação desde os seus primeiros anos, numa visão de creche não assistencialista e sim numa perspectiva educacional, dando ênfase a esta fala: creche não é para mulher poder trabalhar tão somente, creche é pra desenvolver às crianças desde os seus primeiros anos de vida. Fala ainda da importância dos esportes. São dez minutos de olhos que brilham quando fala deste país que ela tanto ama e que defende desde muito jovem e por ele já foi torturada e está de pé.
Impressões pessoais
Se a presidenta já tinha me impressionado ao falar com tanta propriedade da banda larga e ações estratégicas do Estado, ela me convenceu sobre a sua sabedoria e preparo. Poucos povos no mundo tem o privilégio de ter uma presidenta como ela e que a cada dia toma mais gosto pela política. Pela segunda vez tive o prazer de ouvir Dilma Rousseff discorrer sobre diferentes assuntos, ouvindo, concordando ou discordando, mas sempre atenta e com profundo respeito aos interlocutores.
Não tenho dúvidas que o Brasil está indo para um patamar jamais experimentado em sua história. Temos uma Estadista que não foge de suas responsabilidades que não pensa o país só para quatro anos, que pensa o Brasil para muitas gerações. O Brasil tem jeito, não é mais um “país do futuro”, é um país do presente, sendo tecido com firmeza, foco, responsabilidade e planejamento.
Lula estava coberto de razão ao indicar Dilma para continuar o seu trabalho. Nós, o povo brasileiro, acertamos em cheio ao eleger Dilma, primeira mulher a presidir o país e acertaremos novamente ao garantir sua reeleição.
Quanto aos Noblat, à mocinha da coletiva a quem Dilma atendeu depois de nossa longa entrevista, enfim, a mídia velha monopolizada que se preparem: temos uma presidenta pronta para o combate, blogueiros sujos e sem grana que se mobilizaram para ir entrevistar a presidenta cujo projeto político defendem, mais de 600 mil  brasileiros que gastaram duas horas ininterruptas de seu tempo para ouvir a presidenta falando com eles.
Blogs em sua maioria sem recursos, sem publicidade. Alô, alô leitores, leiam a blogosfera progressista, compartilhem seus posts, assinem os blogs que fazem da luta pela democratização das comunicações a luta pela democratização plena do Brasil. Invistam na blogosfera que tem lado sim, porque imparcialidade é falácia de sabujos que adoram interromper a presidenta 82 vezes em 30 minutos, mas se curvam para banqueiros e seus representantes. Nós temos honestidade intelectual, fazemos críticas quando elas precisam ser feitas, mas  não botamos os interesses do país à venda.
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Fonte:http://www.revistaforum.com.br/mariafro/2014/09/27/coletiva-dos-blogueiros-midia-golpista-e-presidenta-dilma-que-resolveu-encarar-comunicacao-como-algo-estrategico/