sábado, 27 de setembro de 2014

Regulação da mídia e segundo mandato

27.09.2014
Do BLOG DO MIRO, 25.09.14
Do site do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC):


A presidenta Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, afirmou há pouco, durante entrevista coletiva a blogueiros progressistas no Palácio do Planalto, que a regulação econômica da mídia será um dos temas do seu segundo governo. “É um setor como qualquer outro, que tem que ser regulado”, defendeu. Ela já havia sinalizado essa intenção anteriormente, mas a assertiva durante a coletiva dá um novo ânimo aos movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação no Brasil. 

A regulação econômica da mídia visa a limitar a concentração da propriedade dos meios de comunicação, conforme estabelece o Art. 220, § 5º, da Constituição, evitando a formação de oligopólios e desativando os já existentes. No Brasil, apenas seis famílias controlam 90% do mercado de comunicação. “Isso já foi feito em outros países democráticos. No Brasil, tenta-se confundir a regulação econômica com controle de conteúdo. Uma coisa não tem nada a ver com a outra”, enfatizou a presidenta.

Dilma ainda se comprometeu a fazer a regulamentação de outros dispositivos constitucionais da comunicação, como o Art. 221, que no inciso II prevê estabelece a promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente. Nesse ponto, a presidenta citou como referência a Lei da TV por Assinatura (Lei 12.485/2011), que entre outras coisas estabelece cotas de conteúdo nacional e audiovisual independente nos canais pagos. “Existe diversidade cultural e regional que precisa ser respeitada. Isso é comum em diversos países democráticos”, observou.

Para Rosane Bertotti, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a declaração da presidenta representa um avanço por pautar novamente o tema. “Ela já tinha, inclusive, falado sobre isso durante o debate promovido pela campanha Banda Larga é um Direito Seu. Essa disposição do governo em fazer a regulação é bem-vinda, principalmente se tiver participação social e, mais ainda, se for além do aspecto econômico. Nos dá um ânimo novo para nos articular e pressionar o governo pela garantia dos princípios constituições relativo a comunicação”. 

Bia Barbosa, coordenadora do Intervozes e membro da Comissão Executiva do FNDC, a declaração também é positiva, mas é preciso avançar também na regulação de conteúdo, determinando, por exemplo, o tempo máximo de publicidade na grade da programação, o tempo mínimo de duração do conteúdo jornalístico e outras questões, como a programação regional já mencionada por Dilma Rousseff. "Isso não tem nada a ver com censura", ressalta. 

Luciana Genro defende Lei da Mídia Democrática

A também candidata à presidência Luciana Genro (PSOL) gravou depoimento em apoio à campanha Para Expressar a Liberdade, que propõe a aprovação de um projeto de lei de iniciativa popular da Comunicação Eletrônica, a Lei da Mídia Democrática. O projeto estabelece mecanismos para combater o oligopólio na mídia, garantir diversidade de conteúdo e pluralidade de vozes e assegurar liberdade de expressão de todos e todas.

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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/09/regulacao-da-midia-e-segunda-mandato.html

Não tem mais pesquisa que dê jeito. Banditismo mídio-policial é a última arma da direita

27.09.2014
Do blog TIJOLAÇO, 26.09.14
Por Fernando Brito

fraude

Embora todos soubessem que o Datafolha não poderia ter outro resultado senão o crescimento da diferença entre Dilma Rousseff e Marina Silva, a tarde de hoje foi marcada por uma intensa especulação na Bolsa.

O motivo? Os boatos de que a Veja trará, amanhã, trechos bombásticos de um suposto depoimento do doleiro Alberto Yousseff que, em troca de um (na prática) perdão judicial distribuiria as mais pesadas acusações contra políticos e autoridades.

Ricardo Noblat, que se tornou um dos mais “ofendidos” viúvos de Marina Silva já adianta a podridão em seu blog. Depois tirou a nota. Mas vários sites “ameaçam” com um novo e rocambolesco escândalo como “ultima ratio” para evitar aquilo que até  Marcos Paulino, diretor do Datafolha, admitiu ser possível: Dilma liquidar a eleição no primeiro turno.

Chegamos a um “vale-tudo” que envergonha qualquer sentido de Justiça, porque qualquer coisa que se publique – a não ser que seja apenas banditismo jornalistico, simples invenção – será pior, porque banditismo policial e judiciário, com o vazamento seletivo de acusações que, até o momento, nada têm de sólido senão a palavra de um criminoso e olhe lá que ele tenha dito de fato o que se publica.

É simples: se a revista Veja quiser dizer que Alberto Yousseff  me acusa de ter recebido um milhão de dólares para aprovar qualquer coisa enquanto estive no Governo, dirá e pronto, muito embora o amigo aqui não saiba o que é um milhão, o que dirá de dólares.

E não pode sequer se defender poque é o “dizem que ele teria dito”…

Mas se a revista não estiver, pura e simplesmente, inventando, tudo é pior.

Formou-se uma inegável cumplicidade desde o caso dos supostos depoimentos de Paulo Roberto Costa.

Não se viu nem o Juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo, nem os promotores, nem os delegados federais manifestarem qualquer indignação com a quebra do sigilo pelo qual eram os responsáveis e que, rompido, pode ter ajudado até a eventuais envolvidos a destruir provas.

Agora, repetir-se esta parceria quadrilhesca entre a Veja e os policiais federais ou promotores públicos que decidem o que e a quem vazar informações que têm a subscrevê-las só a palavra de um criminoso desesperado.

Pior, porque embora meia-dúzia de pilantras pudessem aquadrilhar-se com um doleiro já preso, processado e “delator premiado” no caso do Banestado, qualquer finório de alto coturno ia se servir de gente menos exposta que Yousseff, que tinha um neon piscando “doleiro” na testa que só um energúmeno como André Vargas pode dizer que não sabia”.

Estamos assistindo o impensável: os agentes da Polícia Federal, publicamente, dando apoio à candidata de oposição, em troca de melhorias funcionais e os delegados federais a ponto de fazer um “eleição” para impor – não de direito, mas de fato – um diretor da Polícia Federal de sua preferência.

Normal? Alguém poderia imaginar os agentes do FBI americano engajados na campanha eleitoral, fazendo discursos em atos políticos?

Quem sabe fazemos o mesmo com as polícias estaduais ou até com as guardas municipais?

É o resultado de ter-se um ministro (assim mesmo, sem maíúscula) como José Eduardo Cardozo.

No século 20 tínhamos as conspirações militares a ameaçar a democracia. Agora, baixamos de nível: basta meia dúzia de policiais para desestabilizar um Governo.

Mas, afinal, se até treinar tiro ao alvo na presidenta eleita pode, esperar o que, não é?

O que salva o povo brasileiro é a sua lucidez em perceber que não temos, em muitos dos grandes veículos de comunicação, uma imprensa.

Temos lixo.
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Fonte:http://tijolaco.com.br/blog/?p=21496

Sede da 2ª maior zona franca do mundo, cidade de Colón, no Panamá, vive em extrema pobreza

27.09.2014
Do portal OPERA MUNDI, 21.09.14
Por Fabíola Ortiz | Colón 

Edifícios em ruínas e desemprego de cerca de 30% dão a tônica em município vizinho ao Canal do Panamá
A 80 quilômetros da Cidade do Panamá, a pequena cidade de Colón tornou-se famosa por acolher a zona livre de comércio das Américas, a segunda maior zona franca do mundo, perdendo apenas para Hong Kong. Situada na boca do Canal do Panamá, por onde circulam diariamente dezenas de navios mercantes, Colón ganhou destaque a partir da década de 1950 com a instalação do entreposto mundial de comércio livre de impostos.

Dentro dos limites da zona franca, com seus 450 hectares e 2.500 empresas instaladas, 250 mil compradores, empresários e turistas fazem negócios e movimentam 30 bilhões de dólares todos os anos. Os principais mercados são os países da Américas do Sul, Central e do Norte.

Em meio à liberdade fiscal e uma economia dolarizada que permitiu a construção de arranha-céus como o Trump Ocean Club, de 70 andares, do magnata Donal Trump, o Panamá celebra o centenário de seu Canal. A obra gigantesca foi capaz de criar um atalho para a Ásia, encurtando as distâncias entre o Ocidente e o Extremo Oriente. Inaugurado em 15 de agosto de 1914, os 80 km que separam o Atlântico do Pacífico se tornaram motivo de orgulho nacional para os panamenhos. Contudo, o país vive às voltas com suas contradições sociais.

Fabíola Ortiz/Opera Mundi
Uma das 16 ruas de Colón mostra a atual situação da cidade, de aparente abandono

Bem perto dali, do outro lado do país, Colón sofre com o abandono: edifícios carcomidos e decadentes são os sinais mais evidentes de uma cidade imersa na pobreza. Colón vive à margem de todo o progresso do país.  Quase 40% da população de 90 mil habitantes vivem na extrema miséria e mais de um terço não tem acesso à água encanada. O índice de desemprego também é de 30%, agravado ainda mais no caso dos jovens. Muitos colonenses dedicam suas vidas a trabalhos temporários ou de mão de obra braçal com pouca qualificação e salários baixos.

O caminho para a free zone

Para chegar a Colón é preciso enveredar pelo Corredor Norte ou a via Transístmica. A viagem leva cerca de uma hora em ônibus que saem a cada meia hora do terminal rodoviário Albrook, na Cidade do Panamá. De fabricação brasileira, os ônibus que levam diariamente centenas de panamenhos à cidade da zona franca – muitos vão apenas trabalhar na chamada free zone e regressam à noite – são antigos e com péssima manutenção. O preço da passagem é de menos de três dólares ou três balboas, a moeda local.

Era uma segunda-feira, no início da tarde, quando Reinaldo Williams, de 84 anos, distraía-se com o movimento no Parque Centenário, um comprido passeio público em Colón com canteiros, árvores e bancos de praça. 

“Antes eu trabalhava em um barco petroleiro”, contou Williams ao falar de suas lembranças no período em que costumava cruzar com frequência o Canal do Panamá. “Hoje, ver o canal é um orgulho para o Panamá. Antes o canal era dos gringos, agora é nosso. Tudo aqui era dos gringos. Mas muita gente queria que os norte-americanos ficassem”, admite Williams.

A presença norte-americana é muito forte ainda no imaginário do Panamá. Em 1977, os Tratados Torrijos-Carter – em homenagem aos signatários Jimmy Carter e Omar Torrijos – garantiram a transição da gestão do Canal para as mãos dos panamenhos. A saída completa dos norte-americanos do país e a transferência na sua administração foi concluída em 1999.

Williams afirma que a vida em Colón já fora mais animada e próspera. “Antes era melhor com os gringos, eles pagavam melhor pelos serviços”, disse. Hoje aposentado, Williams recebe uma pensão de 240 dólares a cada dois meses. Ele tem quatro filhos e dois netos. Dois de seus filhos trabalham na zona livre de comércio e de lá garantem seu sustento.

“Me gusta vivir aquí en Colón”, afirma ao apontar de um lado para o outro da cidade. O município inteiro se limita a 16 ruas. “Posso caminhar pela cidade ida e volta”. No entanto, Williams reconhece que a cidade precisa ser revitalizada. “Tem que arrumar a cidade, há muitas casas aqui que estão condenadas, ficaram abandonadas. Tem que mudar tudo”, destacou.

“Aquí no está muy bien”

Com muita dificuldade para caminhar, Joyce Wallace, de 76 anos, passa dias inteiros no banco da praça em frente ao mercado municipal de alimentos em Colón. Sentada ao lado de uma amiga num dos bancos do Parque Centenário, Joyce reclama que “aquí no está muy bien”, quando perguntada sobre a vida em Colón.

Agência Efe
Para Joyce, a cidade de Colón vivia melhor na época que os Estados Unidos controlavam o canal, até 1999 

“A vida tá difícil, a situação mudou muito, antes era alegre e não faltava comida”, balbuciou. “Às vezes volto para casa e vou dormir sem ter o que comer. Para tapear a fome, tomo um copo de água para encher a pança. Não tem nada para comer aqui”, lamentou. Joyce é viúva e tem dois filhos. Seu marido trabalhava no cais do porto Cristóbal, um dos três portos situados na saída do Canal. 

Ao lado de Joyce, sua amiga Perline Mezon, de 86, complementa: “Hoje tem muita matança aqui, muita morte e violência. A cidade também precisa de manutenção”.  Perline Mezon é da República Dominicana e se mudou para Colón ainda jovem para casar-se com um colonense. 

Ao caminhar pelos corredores estreitos do mercado municipal de alimentos em meio a um calor extenuante, uma figura se sobressai. De pais jamaicanos, Alexander Bailey, 66 anos, se apresenta como um autêntico cidadão de Colón. Óculos escuros, chapéu estilo panamá, barbicha e um caminhar que, segundo seus moradores, só um colonense tem. Seu inglês é perfeito e seus familiares jamaicanos vieram ao Panamá para ajudar nas obras de construção do canal.

Fabíola Ortiz/Opera Mundi
Mercado municipal de Colón

A obra empregou entre muitos estrangeiros, como jamaicanos e dominicanos. Ao longo de 39 anos, Bailey trabalhou no cais do porto. “A vida com os gringos era melhor, não faltava trabalho. Sem contar que os gringos pagavam mais. Hoje em dia o que mais tem é jovem desempregado. O principal problema aqui hoje são os ladrões, a bandidagem é grande”, reclamou.

Cenário desolador

A famosa rua conhecida como Avenida del Frente, atualmente Rua 8, costumava ser a principal via comercial, pois estava localizada bem em frente à entrada da chamada zona do canal, uma faixa de propriedade norte-americana em pleno território panamenho. A zona do canal se estendia da área portuária de Colón, abrangendo a boca do canal pelo lado Atlântico, até o seu outro extremo no Pacífico, correspondendo a 1.300 quilômetros quadrados. Lá vivia uma população de cerca de 10 mil norte-americanos civis, mas o país chegou a receber até 70 mil soldados nas bases que os EUA mantinham.

As atividades comerciais na Avenida del Frente se desenvolveram para atender a demanda dos cidadãos norte-americanos em solo panamenho. Hoje, a Rua 8 apresenta um cenário completamente degradante e desolador. Edifícios caindo aos pedaços, construções inteiras rachadas e prestes a desmoronar. De dentro de fendas e rachaduras de edificações absolutamente carcomidas, olhos curiosos à espreita se projetam atraídos pela curiosidade de um novo visitante. Não é comum estrangeiros serem vistos por aquela área. Em geral, muitos turistas passam margeando a cidade rumo às compras na zona livre sem nem mesmo ter qualquer tipo de contato com colonenses nas ruas, a sua maioria de afrodescendentes.

“A chance de você ser assaltada em Colón é altíssima”, confessou à repórter uma das estudantes do campus da Universidade do Panamá em Colón. A reportagem conversou com moradores e pedestres e ouviu relatos de que famílias inteiras são capazes de viver nos escombros de prédios.

Colón, um  “puerto libre”

Em julho, o recém eleito presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, declarou que pretende integrar  a cidade de Colón à zona livre e torná-la toda um “puerto libre”. Em seu primeiro ato de governo, Varela fez um anúncio oficial comprometendo-se com a intenção de renovar a cidade neste primeiro ano de mandato. O projeto, contudo, ainda está em fase de estudo.

Segundo a imprensa panamenha, a zona franca de Colón tem atravessado uma forte queda em suas vendas. Em maio representou um declínio de mais de 17% em relação ao mesmo mês em 2013. Sem contar as demissões que, entre os meses de janeiro e maio, atingiu 1.700 postos de trabalho. Essa onda de declínio em muito se deve à crise econômica vivida, especialmente, por parte da Venezuela, um grande sócio comercial da zona livre.

Fabíola Ortiz/Opera Mundi
Vista da entrada do Canal do Panamá, a partir da cidade de Colón

O recente anúncio de que o governo deverá investir cerca de 500 mil dólares para revitalizar a área da cidade e restaurar os edifícios do centro antigo, conhecido como “casco viejo”, traz um suspiro de esperança para seus moradores.

Perguntado sobre o futuro da cidade na costa do Atlântico, o diretor do Centro Regional Universitário de Colón, o historiador José Vicente Young, defende a necessidade de se pensar na implementação do puerto libre e integrar toda a zona franca à pequena cidade de 16 ruas. “É preciso mudar a aparência da cidade para receber os cruzeiros que aportam, além de fomentar atividades de empreendimento e hotelaria”, afirmou a Opera Mundi. 

A parte antiga da cidade tem uma expressão caribenha em termos de estilo e arquitetura que, na opinião de Young, merece ser resgatado e preservado. O historiador compara ainda a pobreza às favelas nos grandes centros urbanos brasileiros. “O Parque Centenário perto do mercado municipal está localizado em frente aos bairros mais pobres, às favelas. Aqui a lei do ordenamento público não é cumprida”.

Young analisa que os pontos críticos que merecem atenção em Colón são especialmente o tema urbanístico e de saneamento. “Há um déficit importante de distribuição de água, falta levar água potável para todos os moradores. A drenagem também merece atenção, pois Colón está abaixo do nível do mar e, quando coincide a maré alta com a chuva, a cidade inteira fica debaixo d’água. Quanto à marginalidade, há uma parcela da população urbana que não tem acesso ao mercado laboral formal”, argumenta.

A cidade vive inteiramente à sombra da zona livre, fornecendo metade dos 30 mil funcionários locais. “Se a zona livre quebrar, Colón se tornará uma cidade fantasma. Temos que preservar a galinha dos ovos de ouro”, analisa Young. 
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Fonte:http://operamundi.uol.com.br/conteudo/reportagens/37922/sede+da+2+maior+zona+franca+do+mundo+cidade+de+colon+no+panama+vive+em+extrema+pobreza.shtml

FÓRUM: DILMA ABRE 6 NO 2º TURNO E PODE LEVAR NO 1º

27.09.2014
Do portal BRASIL247, 22.09.14
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Fonte:http://www.brasil247.com/pt/247/poder/154349/Fórum-Dilma-abre-6-no-2º-turno-e-pode-levar-no-1º.htm

‘Nunca fui tão bem tratada’, diz mineira que largou plano por SUS

27.09.2014
Do portal da BBC BRASIL, 25.09.14
Por Camilla Costa Da BBC Brasil em São Paulo
Natália Ferreira e Cintia Leal em Uberlândia (MG) | Foto: Araipedes Luz
Bom funcionamento faz com que pacientes como Cintia (à direita) deixem atendimento privado.
Cintia Vieira Leal, de 29 anos, começou a frequentar o Posto de Saúde da Família (PSF) de seu bairro em Uberlândia (MG) apenas "enquanto o novo convênio não ficava pronto". Ao descobrir uma doença durante a gravidez, no entanto, decidiu abandonar o tratamento privado em favor do SUS. "Nunca fui tão bem tratada", disse à BBC Brasil.
Apesar dos problemas na implantação do modelo de atenção básica no Brasil, médicos de família e comunidade - os especialistas que atuam na atenção básica - entrevistados pela BBC Brasil dizem que histórias de pacientes que trocaram o plano de saúde pelo acompanhamento com equipes de Saúde da Família são mais comuns do que parecem, quando o modelo funciona bem em um município.
Nos postos de saúde e unidades básicas, uma equipe de médicos, enfermeiros e agentes comunitários deve acompanhar até quatro mil pessoas – desde crianças até idosos. O bom funcionamento do modelo, que também é adotado por países como Reino Unido, Canadá e Austrália, ajudaria a evitar a superlotação de emergências e hospitais, um dos principais gargalos do atendimento médico no país.
Na maior parte das unidades, no entanto, pacientes e profissionais sofrem com a infraestrutura precária e a dificuldade de completar equipes de profissionais, especialmente em municípios menores e mais distantes das capitais.
O desconhecimento da população sobre o funcionamento do sistema de saúde também faz com que muitos pacientes procurem diretamente as Unidades de Pronto Atendimento (UPA) ou hospitais.
"Eu tinha ido poucas vezes nessas unidades do SUS, porque tudo costuma ser mais rápido pelo convênio. Mas minha vizinha fazia o atendimento lá e resolvi começar o pré-natal", disse Cintia, que trabalha como porteira, à BBC Brasil.
Quando seu novo plano de saúde ficou pronto, ela chegou ir a consultas com outro médico, mas decidiu deixar o atendimento privado e concluir a gestação com o acompanhamento da equipe do posto de saúde.
"Na minha outra gravidez fui atendida pelo convênio, mas o atendimento era superficial. O médico não me perguntava muito sobre mim e eu não sentia a oportunidade de perguntar para ele. No posto de saúde, gostei de como a equipe me acolheu. Pareciam ter interesse em me ajudar, tirar minhas dúvidas", diz.
Durante a gestação, a equipe diagnosticou Cintia com toxoplasmose - uma infecção que oferece sério risco ao bebê. "Meu convênio não me dava segurança de que teria cobertura para o que precisasse e a doutora me convenceu a ficar no SUS."

'Outro tipo de complexidade'

A médica que atendeu Cintia, Natália Ferreira, afirma que parte do preconceito com relação aos médicos de família parte de acreditar que o trabalho nos postos de saúde é "simples".
"Os recém-formados acham que ir para a atenção básica até passar em uma residência é mais fácil do que ir para uma urgência, onde os problemas são mais agudos e é preciso ter mais experiência. Mas não é tão fácil assim, é outro tipo de complexidade", disse à BBC Brasil.
"Na atenção básica você não precisa tanto da tecnologia, dos exames complexos. Mas nós lidamos com a situação do indivíduo e com a complexidade clínica. Se um sujeito é hipertenso e eu fosse um cardiologista, meu foco seria na doença dele. Quando eu, médica de família, recebo um hipertenso, eu considero que ele é idoso, que tem outras doenças associadas. É como se eu montasse o quebra-cabeça das especialidades."
Mesmo encaminhando o paciente para um especialista, segundo Natália, o médico da família deve, idealmente, continuar fazendo o controle da sua situação. "Somos nós que lidamos com a dificuldade de a família cuidar dele, de ele não saber entender a receita, de não querer tomar o remédio", afirma.
A médica de 29 anos, que hoje orienta recém-formados na residência de medicina da família e comunidade da Universidade Federal de Uberlândia, diz que os novatos "se espantam com a quantidade e com o tipo" de pacientes que procuram o posto de saúde.
Há cerca de três meses, Natália e outras médicas de seu posto de saúde foram até uma creche em Uberlândia descobrir por que três crianças atendidas por elas permaneciam abaixo do peso normal. "Descobrimos que a creche servia as refeições às crianças com um intervalo muito pequeno entre uma e outra e não controlava se elas comiam", diz.Um médico de família divide sua carga horária semanal em atendimentos no posto ou unidade básica de saúde - que ocupam a maior parte do seu tempo - e visitas às casas dos pacientes quando é necessário. Em alguns casos, um trabalho de investigação chega a ser necessário para solucionar problemas que atingem pacientes de um bairro ou comunidade.
"Algumas não tinham fome na hora da refeição e tomavam só leite o dia inteiro. Por isso não estavam ganhando peso". A solução provisória encontrada foi negociar o acompanhamento especial das três crianças pela professora, mas as médicas questionaram junto às autoridades o cardápio das creches do município e aguardam resposta.

'Deveria ser assim'

Mesmo satisfeita com o atendimento que teve na equipe de Natália durante a gravidez, Cintia Leal diz que nem tudo funcionava tão bem. "Eu tinha medo de perder a consulta e ter que pegar a fila de novo no posto, era desgastante. O ultrassom lá também é muito demorado. Eu não consegui nenhum, fiz todos pelo plano de saúde."
O bebê nasceu há cerca de um mês e ela diz que pretende continuar frequentando o PSF. "Não sei se esse projeto é só aqui ou se foi só o jeito dela (da médica) mesmo. Mas acho que deveria ser assim em todos os lugares", diz.
Apesar de trabalhar em uma unidade de referência em sua cidade, Natália reconhece que a infraestrutura é um dos principais problema dos profissionais na atenção básica - e um fator que afasta os pacientes.
"Muitas vezes falta o básico: macas, tensiômetros, medicamentos. E temos dificuldades ao encaminhar os pacientes para os especialistas e os hospitais. Pegamos pacientes graves, cujos casos não conseguimos resolver porque falta ambulância, falta leito no hospital", diz.
"Às vezes tenho um paciente com uma condição que não é tão aguda, mas que eu não consigo resolver porque encaminho para o especialista e a consulta demora quatro ou cinco meses."
A dificuldade para conseguir realizar exames mais complexos também contribui para a dificuldade dos médicos de família para resolverem uma quantidade maior de problemas de pacientes, segundo a profissional.
"Temos um número de exames de cada tipo que podemos fazer e um número de vagas em cada especialidade, definidos pelo município, mas em muitos lugares essa conta não fecha. Aí a fila fica enorme e os exames demoram meses pra sair. A minha fila de ultrassom hoje é de sete meses, no mínimo. No caso das gestantes e de pacientes muito graves eu faço um pedido de prioridade", diz.
Em entrevista à BBC Brasil, o secretário de saúde de Uberlândia, Almir Fontes, afirmou que o número de equipes de Saúde da Família na cidade aumentou de 50 para 70 em um ano e meio de gestão, na tentativa de impedir a sobrecarga do atendimento.
Fontes afirmou também que a prefeitura reformulou o sistema de entrega de medicamentos e o controle da compra dos materiais, mas fala de "problemas logísticos" e burocracia que causam atrasos na distribuição.
"Parte dos medicamentos da atenção básica é distribuída pelo Estado e recentemente houve uma demora por conta de um problema logístico. Reestruturamos a nossa central de farmácia e nesse momento estamos sem problema de falta de medicamentos. Mas isso também é dinâmico, há questões logísticas que às vezes não dependem de nós", afirmou.
Ainda de acordo com o secretário, um médico cardiologista, a demora na realização de exames como o ultrassom se deve, em parte, a um excesso de pedidos por parte dos profissionais. "O profissional hoje é mais voltado para a tecnologia do que para o exame, a conversa com o paciente. Por causa de uma cultura de formação, às vezes ele pede exames que não seriam realmente necessários após o exame clínico. Conseguimos reduzir as filas até para exames mais complexos, como a ressonância, mas a demanda do ultrassom de fato continua grande."
Natália Ferreira e Irene Gonçalves em Uberlândia (MG) | Foto: Araipedes Luz
Mesmo com problemas, atenção de médicos de família 'conquista' usuários: à esquerda, Natália Ferreira atende Irene Silva

Vínculo

Apesar dos atrasos e filas, o atendimento pode fazer a diferença na hora de "conquistar" os pacientes. Durante a residência os médicos de família e comunidade são encorajados a estabelecer vínculos com as pessoas que acompanham - algo que nem sempre é comum em profissionais sem essa especialidade.
"Por sermos uma especialidade com menos prestígio, a abordagem da medicina de família ainda é desconhecida por muitos médicos que atuam na atenção básica", diz Natália Ferreira.
A dona de casa Irene Gonçalves da Silva, de 50 anos, também se disse "convertida" ao SUS pelo acolhimento da equipe. "Natália não me obriga a nada, mas conversa muito comigo. Desde então estou com ela e não pretendo mudar", disse à BBC Brasil.
Irene chegou à equipe do mesmo PSF com sintomas de descontrole de sua diabetes. "Eu nunca tinha feito atendimento no Posto de Saúde. Quando comecei com o problema de diabetes eu tinha convênio, então eu ia a um endocrinologista há três anos."
Após perder o convênio quando seu marido mudou de empresa, Irene continuou pagando consultas, mas sua saúde deteriorou. "Comecei a inchar, ter dores de cabeça, tinha dificuldade de enxergar. Quando Natália me atendeu e pediu os exames, descobriu que eu já estáva com insuficiência renal crônica. Aí ela trocou meus medicamentos e eu fui melhorando."
"Pra te falar a verdade, eu não achava que ia ter esse atendimento no SUS. Ela tira um tempo assim para te ligar, para saber o que está acontecendo. Isso eu nunca tive, nem no convênio", afirma.

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Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140922_140922_salasocial_eleicoes2014_saude_privado_publico_cc

O debate eleitoral e a tática do medo

26.09.2014
Do BLOG DO MIRO, 25.09.14
Por Osvaldo Bertolino, no site da Fundação Mauricio Grabois:

As manchetes dos principais meios de comunicação em sua permanente campanha eleitoral contra o governo da presidenta Dilma Rousseff são, sem dúvidas, peças do mais refinado terrorismo político, uma flagrante violação da democracia, da obrigação de reconhecer os direitos públicos. Na mídia, costuma-se pensar em democracia como garantia para seus abusos. Contudo, a liberdade de expressão não está hierarquicamente acima dos demais direitos e garantias individuais e coletivas. Na Constituição está no mesmo patamar o direito à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas. Todos igualmente invioláveis e indispensáveis.

“Na TV, Dilma usa dados incorretos e é contestada sobre economia.” “A evidência de um fracasso (sobre Dilma).” “Brasil pode sofrer restrição de energia em 2015, afirma o presidente da Light.” Manchetes como essas (chamada de capa da Folha de S. Paulo, editorial d’O Estado de S. Paulo e destaque d’O Globo, respectivamente, todos de segunda-feira, 22) parecem que anunciam o fim do mundo, não? Calma, não é bem assim. Ainda não será desta vez que as profecias de Nostradamus irão se materializar. Não se pode esquecer que a mídia está em campanha eleitoral 24 horas por dia contra Dilma Rousseff (sem que a Justiça Eleitoral tome alguma medida) e que basta o país pôr os pés em uma fase de valorização dos direitos humanos fundamentais para a elite anunciar que estamos nos umbrais do apocalipse.

Os fatos não são por acaso; há sempre uma causa em sua ocorrência, e é preciso descobri-la. Em um recente debate no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por exemplo, Luiz Carlos Mendonça de Barros, tucano flagrado em conversas condenatórias durante a privatização do sistema Telebrás, disse que o país não foi “descoberto em 2003” — uma alusão ao marco que pôs fim à “era neoliberal”. Ao defender medidas desastrosas tomadas quando ele participava do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), como as “reformas” que tiraram direitos do povo, ele disse que as privatizações não podem ser decididas por critérios “ideológicos” — é uma questão “objetiva".

Os neoliberais têm esse péssimo hábito de arbitrariamente procurar fundamentos doutrinários para suas teses. Para eles, como suas opiniões são acompanhadas da verdade absoluta, não parece haver mais nada que a sociedade, Deus, o Estado, você ou eu possamos ou devamos fazer. É uma questão "objetiva" e acabou a história. Fora das suas “verdades”, o mundo não tem salvação. “Quando não há uma estrutura do poder central organizando a sociedade, Deus aparece como o centralizador. Isso está evidente no Oriente Médio. O avanço evangélico (no Brasil) é um sintoma da crise de Estado”, garantiu o filósofo José Arthur Giannotti, referência teórica dos tucanos, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que serviu de base para o editorial dizendo que a presidenta Dilma é um “fracasso” anunciado.

Ética e picaretagem

Afirmações como essa são claramente peças eleitoreiras, não resta dúvida. Eles sabem que não podem enganar a todos o tempo todo e por isso fazem do terrorismo político e do golpismo as suas principais armas de combate. Já fizeram isso com Luis Inácio Lula da Silva, quando a tática inicial de “sangrar” o então presidente falhou. Mas mantiveram o impeachment sempre à vista — como uma bomba atômica para assolar e não para matar, segundo FHC — e regularam o fogo do denuncismo de acordo com suas conveniências. O na época presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), deputado Ricardo Berzoini, resumiu bem o motivo pelo qual a oposição não arriscou suas fichas no impeachment: "Medo das urnas; esse é o principal motivo.”

A direita sabe que essa contenda reflete, no fundo, a luta entre a ética e a picaretagem, o debate político e o proselitismo eleitoreiro. E sabe também que a evolução desse combate levará o Brasil para frente ou para trás. O que ninguém sabe ao certo é o que ela ainda será capaz de fazer para tentar desgastar o governo antes das eleições. Todos sabem que os prosélitos de porta de funerária daqui a pouco, por um motivo qualquer, levantarão mais tsunamis políticos. Esse script está elaborado há muito tempo. Quem acompanha o mundo político, mesmo à distância, vê diuturnamente que nesse espetáculo circense os atores têm papéis bem definidos.

Democracia robusta

É um ato em que os líderes da oposição nem precisam aparecer — os ataques são feitos por prelados da mídia, economistas de direita e adivinhos profissionais que vendem seus serviços como “analistas”. O objetivo — ou o mais adequado seria dizer desejo? — é vender a falsa imagem de um governo imobilizado que, caso continue nas mãos da presidenta Dilma, certamente logo dará mais alguns passos em direção ao penhasco. Ou seja: o Brasil está com um problema sério em sua democracia. Ele se chama ''comportamento da mídia''; já existem fatos concretos para medir o tamanho deste problema — o que leva a duas certezas. A primeira é que ele não vai sumir do mapa político brasileiro tão cedo; a segunda é que dessa semente só vai germinar coisa ruim. Já vemos uma crescente perturbação do ambiente democrático do país.

Formalmente, temos uma democracia robusta. A questão é que o conceito de democracia baseia-se, em poucas palavras, na aceitação das regras do jogo tidas como razoáveis para todos. Em um país no qual muitos cidadãos acham que os ganhos econômicos não estão sendo compensadores, essas regras serão constantemente questionadas pelos que não aceitam a entrada de mais pessoas no que era até bem pouco tempo um seleto clube de consumidores. Sempre haverá, por conseguinte, uma crise latente no sistema. De um lado, temos os trabalhadores habituados à busca do ganho na proporção do trabalho realizado e da produtividade. De outro, há uma elite que entende o Brasil como extensão de seu umbigo.

Modelo desenvolvimentista

Esse pano de fundo da luta de classes no Brasil começou a ser tecido quando Getúlio Vargas tomou o poder por meio da Revolução de 1930. Até 1980 — apesar dos interregnos dos governos do general Eurico Gaspar Dutra, eleito em 1945, e dos generais do regime militar de 1964 —, o Brasil, mesmo com a exclusão social como norma, destacou-se pelo extraordinário dinamismo da sua economia, passando da categoria de exportador periférico de produtos primários à de país industrial médio. A partir de 1981, principalmente em decorrência das políticas implantadas pelo regime militar, perdemos o fôlego. Por que o Brasil parou nos anos 1980 e 1990 é questão que merece ser analisada em primeiro lugar politicamente.

Entre 1930 e 1964 o Brasil experimentou um modelo de desenvolvimento que envolvia forte intervenção do Estado na economia. Na maior parte desse período, mesmo quando as finanças do país estiveram sob o comando de liberais, os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitscheck não abriram mão de seus princípios desenvolvimentistas — aqueles dois chefes de governo tinham sensibilidade política suficiente para deter ou reduzir a volúpia das ideias de Eugênio Gudin, Octávio Bulhões e Roberto Campos, responsáveis por tantos desacertos em nossa história. Na ditadura militar, eles deram as primeiras picaretadas na “era Vargas”, tentaram mudar o rumo da economia, mas o êxito das suas propostas só chegaria efetivamente quando FHC assumiu o poder em 1995.

A voz do dono

Na época, o capitalismo na América Latina já estava em uma nova “era”. Nela, dois ciclos políticos se cumpriram. O primeiro foi o lançamento do novo projeto hegemônico, marcado pela condução anglo-saxã de Ronald Reagan e Margaret Thatcher, e liderado por Augusto Pinochet (Chile), Calos Menem (Argentina), Carlos Salinas de Gortari (México), Alberto Fujimori (Peru), Andrés Perez (Venezuela), Gonzalo Sánchez de Lozada (Bolívia) e Fernando Collor de Mello (Brasil). Perseguidos pela lei — alguns ainda estão foragidos —, eles foram substituídos, num segundo ciclo também marcado pela condução anglo-saxã (desta vez com Bill Clinton, George W. Bush e Tony Blair), por presidentes mais precavidos — chegaram a mudar a lei, com fez FHC, para criar proteções em caso de serem levados aos tribunais —, mas igualmente nefastos.

No Brasil, a interrupção dessa escalada, com a eleição de Lula em 2002, sempre foi vista pelas forças conservadoras como um processo que precisa ser estancado por qualquer meio. As primeiras manchetes do que viria a ser a sórdida onda de ataques ao governo, por exemplo, representou uma espécie de ordem unida para o avanço da direita. Ou seja: soou a voz do dono. Desde então, o que se viu foi a repetição da sordidez outrora usada contra Getúlio Vargas — que o levou ao suicídio. Como naqueles idos, nunca se vira tanta ignomínia, tamanha crueldade no aviltamento, tão grande sanha para ferir um homem a quem seus acusadores, sem autoridade para sê-los, só podiam imputar o “crime” de pretender encurtar as distâncias sociais existentes no país.

Mundo das realidades

Desde a sanha contra Vargas, nunca se vira tanto ódio, tanta torpeza, tantos insultos. O que se passou com Lula, desde então, foi ignóbil. Dia a dia, ultrajaram-no sem limites. Nem a sua família lhe pouparam. A mídia cometeu todos os desmandos, ultrapassou todos os limites, rompeu todas as convenções. Nada ficou de pé. E a cada um dos desatinos parece que a única preocupação era superar os anteriores. Seus “analistas” tinham o único objetivo de criar um coro alucinado na toada fria e implacável das invectivas. O objetivo confesso era fazer Lula parecer uma criança órfã, desamparada de pai e mãe. Para tanto, se aproveitam de suas próprias criações — a corrupção eleitoral — para vender a falsa ideia de que o país estava em mãos de inconsequentes.

O recrudescimento do tom ameaçador da oposição no atual processo sucessório tem o mesmo pano de fundo. Só que agora o truque da “corrupção” está desgastado. Muitas vezes a mídia, com sua pretensão ditatorial de ser "os olhos da nação", foi obrigada a dobrar a língua porque, no quesito combate à corrupção, os governos de Lula e Dilma inauguraram uma nova fase da vida pública brasileira, atacando o problema de frente. No mundo das realidades, diferente do que prega a mídia, à exceção de funcionários e dirigentes políticos corruptos, todos os demais brasileiros só podem aplaudir a iniciativa. Ninguém mais do que o governo hoje tem condições de dizer que ajusta suas ações pela régua da justiça. Para a direita, portanto, o que resta é a proverbial ladainha que no fundo é uma pregação contra o progresso social.
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Fonte:http://altamiroborges.blogspot.com.br/2014/09/o-debate-eleitoral-e-tatica-do-medo.html